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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Donald Trump tem de fazer algumas cedências para acabar com o conflito com o Irão

 Quase cinco meses depois do início da ofensiva dos Estados Unidos contra o Irão pode dizer-se que tudo está na mesma. As bombas norte-americanas continuam a cair em alvos nucleares e energéticos e o regime iraniano responde através de ataques cirúrgicos contra os vizinhos. Israel é o único país que tem sido poupado, apesar de manter um conflito com o Líbano.

As pressões para o Irão aceitar um acordo nuclear não vão resultar e os bombardeamentos não acabam com a força militar do regime, apesar de notar-se algum enfraquecimento. Contudo, as guardas revolucionárias voltaram a atacar alvos americanos, sobretudo no Estreito de Ormuz. No final do dia, ninguém consegue controlar uma pequena zona que acaba por ser muito importante para o transporte de petróleo e gás natural.

Os Estados Unidos perderam a capacidade de destruir um inimigo, mesmo tendo a ajuda política de todos os países árabes que também estão a sofrer com as bombas iranianas. Neste momento, terão de haver cedências significativas por parte de Donald Trump porque não vai acontecer nada ao regime só com bombardeamentos aéreos contra as instalações nucleares, sendo quase impossível uma invasão terrestre. 

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Donald Trump já não vai obter uma vitória no Irão

 O regresso dos bombardeamentos norte-americanos contra o Irão prova que nunca existiu uma vontade de alcançar um acordo de paz. Isto vale para os dois lados, já que, Teerão optou quase sempre por uma linguagem bélica em vez de baixar a temperatura e procurar um entendimento.

A capacidade militar dos Estados Unidos impede que se regresse ao que se passou durante o mês de março. Ou seja, não se vai assistir a ataques aéreos diários como aconteceu no início da Operação Epic Fury porque também não provocou grandes mudanças, além de diminuir a força do inimigo. O regime iraniano vai conseguir resistir, mesmo estando bastante fragilizado e com um líder que continua sem dar a cara. 

O mais provável é a manutenção do cessar-fogo por tempo indeterminado pela falta de vontade das partes de assinarem um acordo. Neste aspecto, quem fica numa posição de fragilidade é Donald Trump porque não conseguiu impedir o crescimento nuclear iraniano e garantir a segurança de Israel nos próximos tempos. A utilização do famoso "peace through strength" não intimidou a nova liderança do regime, apesar de serem visiveís algumas mazelas após um mês de constantes ataques.  

quinta-feira, 5 de março de 2026

Os Estados Unidos pretendem fragilizar o Irão com a destruição de todo o equipamento militar

 Os Estados Unidos cumpriram as ameaças de atacar o Irão, embora sem o recurso a tropas no terreno. A primeira fase da Operação "Epic Fury" visa destruir o equipamento militar iraniano, sobretudo as armas nucleares que já poderão estar desenvolvidas. 

Durante a última semana só se falou em bombardeamentos aéreos para impedir uma resposta do inimigo através da mesma forma. Ou seja, o objectivo principal passa por impedir que Teerão tenha capacidade para efectuar o mesmo tipo de ataques. Contudo, existiram algumas retaliações, nomeadamente contra os países vizinhos, que causaram bastantes danos. Até ao momento, 12 países sofreram danos por causa dos misseís e drones iranianos. 

A morte do Ayatollah Khamenei acaba por ser o acontecimento mais importante desde o início da ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel, mas o regime continua sólido porque já se pensa num substituto. As guardas revolucionárias também estão intactas, pelo que, dificilmente se pode falar num grande vitória. Contudo, a substituição do regime não é a prioridade de Donald Trump e Benjamin Netanyahu, que preferem ver o inimigo fragilizado ao ponto de não se conseguir reerguer no plano militar. 

Uma acção terrestre, como aconteceu no Iraque, iria ter custos muito significativos para a administração norte-americana, mas também para a liderança israelita. A morte de muitos soldados não seria bem vista em Washington e Telavive, apesar do sentimento contra o regime iraniano ter aumentado no Médio-Oriente. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Os Estados Unidos têm poucas opções para atacarem o Irão

 A segunda intervenção militar dos Estados Unidos contra o Irão em menos de um ano pode estar iminente após as declarações do Presidente Donald Trump, que só deixa duas opções em aberto. Ou se alcança um acordo ou haverá mais ataques contra Teerão.

Não existem outras maneiras de resolver o conflito. Ou seja, Ayatollah Khamenei não tem muito por onde escolher, nomeadamente se continuar a recusar uma proposta norte-americana. Pode ter uma vantagem na defesa do próprio território porque mais bombardeamentos contra instalações nucleares não causa instabilidade, mas vai continuar a haver pressão de Washington durante algum tempo.

Uma invasão terrestre, como aconteceu no Iraque, só faz sentido se o objectivo da actual administração norte-americana for a mudança de regime. No entanto, o assunto não foi incluído nas linhas orientadores após a reunião que decorreu em Genebra nesta semana. Não acredito que haja capacidade para capturar o líder espiritual iraniano, como aconteceu com Nicolás Maduro na Venezuela. A última hipótese é a realização de ataques aéreos contra alvos civis, que originem uma rendição.

O desejo de obrigar o Irão a assinar um acordo nuclear através do uso da força parece complicado de realizar a não ser que hajam outras intenções, como substituir a liderança no país, mas isso causaria alguma condenação internacional, sobretudo depois do que aconteceu na Venezuela e mortes de soldados que nunca seriam perdoadas por quem pretende acabar com conflitos desnecessários. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Os Estados Unidos e a União Europeia já não voltam a ter uma relação especial

A relação entre os Estados Unidos e a União Europeia não foi muito positiva no primeiro ano após o regresso de Donald Trump à Casa Branca. O aumento das tarifas comerciais, a contribuição para a manutenção da NATO e a soberania da Gronelândia foram os temas que dividiram os dois blocos que compõem o denominado Ocidente. 

O novo acordo comercial acaba por ser um aspecto positivo, embora só tivesse possível devido à custa de muitas cedências, sobretudo dos europeus, que voltaram a mostrar incapacidade para questionar as intenções de Washington. A necessidade económica, militar e nalguns casos política impede que haja uma vontade de quebrar com a velha amizade.

O aumento da despesa em defesa por parte das potências europeias é outro factor em que a nova administração saiu vencedora. Contudo, não parece que se aceitem valores acima dos 5%. A Europa está preparada para defender-se sem a ajuda dos americanos, que também têm alguma culpa na vontade da Rússia em ameaçar constantemente o outro lado da cortina de ferro. As diferentes estratégicas geopolíticas irão determinar que cada um siga caminhos distintos no plano militar.

A provável saída da NATO não significa que os Estados Unidos conquistem militarmente a Gronelândia. Poderão existir cedências importantes por parte dos europeus, mas nunca ao ponto de permitir o controlo do território. Só a independência daquela zona do globo poderá impedir que outras nações possam manter os interesses económicos e políticos que são visíveis. 

A actual administração norte-americana não espera grandes alterações no rumo da União Europeia, mesmo que estejam a surgir movimentos associados ao MAGA. Contudo, o espaço europeu será composto por várias ideologias que terão de se sentar e conviver umas com as outras. Isso afasta a vontade de mudança desejada por Donald Trump, embora note-se uma saturação em andar de braço dado com os parceiros do velho continente. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Os Estados Unidos obrigaram a uma alteração das prioridades económicas da Venezuela

Os Estados Unidos decidiram colocar um ponto final no regime venezuelano através da captura do Presidente Nicolás Maduro. A acção militar correu perfeitamente, já que, não morreu ninguém. A operação acabou por ser bastante eficaz, apesar de todas as questões sobre a violação do direito internacional.

As preocupações de Donald Trump não estão relacionadas com a mudança de regime, como o próprio admitiu, mas Washington nunca apoiou a liderança de Nicolás Maduro, nem mesmo durante a administração Biden. O rapto do líder venezuelano está relacionado com os interesses geopolíticos norte-americanos e não apenas financeiros. O petróleo é importante, mas existem outras razões por detrás dos acontecimentos em Caracas.

Os americanos pretendem afastar a China do continente americano em diversos níveis. Por isso é que fizeram um acordo com o Panamá sobre a utilização do canal e pretendem anexar a Gronelândia com objectivo de impedir a circulação de navios. O comunismo sempre foi uma das principais marcas dos regimes na América Latina, mas desta vez tem existido uma forte influência de Beijing. 

A detenção de Maduro não vai abrir caminho para um processo democrático porque os Estados Unidos estão dispostos a trabalhar com a número dois do regime, Delcy Rodríguez, que não aplicou qualquer reforma ou anunciou a realização de eleições antecipadas. As mudanças políticas virão mais tarde ou nem sequer podem acontecer, já que, a Venezuela está obrigada a alterar as prioridades económicas. 

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

A Europa já está a conseguir isolar Israel

 Os constantes bombardeamentos de Israel contra Gaza estão a gerar revolta em quase todo o mundo, nomeadamente na Europa, que também mostrou solidariedade após os ataques do Hamas no dia 7 de Outubro de 2023. A paciência de alguns países para as constantes violações dos acordos de cessar-fogo já parece ter chegado ao fim.

A Espanha foi um dos primeiros a mostrar discordância com os bombardeamentos de Telavive ao reconhecer a integridade territorial da Palestina. O Reino Unido e a França, que têm muito mais peso político na região optaram pelo mesmo caminho. A Itália foi mais longe ao cortar relações diplomáticas com a administração liderada por Benjamin Netanyahu.

As posições britânicas são as únicas que podem alterar o comportamento israelita devido à influência e o historial naquele lugar do mundo. Contudo, parece não existir muito respeito por aquilo que os ingleses conseguiram fazer pelos dois lados do conflito. A via pacífica através da manutenção dos dois Estados parece não agradar aos palestinianos nem a israelitas, que pretendem resolver o problema pela força. 

A tentativa do Velho Continente isolar Israel terá poucas consequências que não impedem os ataques contra Gaza e o Sul do Líbano. Poderão existir algumas mudanças, sobretudo no plano político e económico, mas Telavive vai manter o apoio do maior aliado como são os Estados Unidos, que continuam a dar prioridade aos Acordos de Abraão para manter a segurança do estado judaico na região, independentemente de haver ou não um território palestiniano no futuro.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Donald Trump tem tido vitórias internas suficientes para cumprir o mandato até ao fim

 Um ano após a segunda eleição de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos pode dizer-se que o desempenho é positivo, apesar da popularidade não ser a melhor. No entanto, desta vez não vai haver uma reeleição.

As mudanças no plano interno foram a prioridade da nova administração, nomeadamente acabar com o wokismo que marcou a administração Joe Biden. O país virou totalmente à direita de um dia para o outro, mas alguns acham que foi apenas reposta a normalidade no funcionamento do governo. 

Os receios de que iria ser definido um caminho rumo ao totalitarismo, sobretudo com o fim da liberdade de imprensa não se verificaram nem mesmo a tentativa de controlar o Congresso, apesar dos republicanos terem a maioria da Câmara dos Representantes e do Senado. As medidas que implementou não colocam em risco um impeachment se os democratas vencerem as eleições intercalares dentro de um ano. 

No plano externo existiram grandes feitos desta administração, em particular os vários acordos de paz que foram celebrados. O Cambodja e a Tailândia não voltaram a agredir-se, a Arménia e o Azerbeijão sentaram-se à mesa muito tempo depois, sendo que, a Índia e o Paquistão já conseguem falar um com o outro. 

Apesar destas vitória, a Casa Branca ainda não conseguiu arranjar uma solução equilibrado para o problema entre Israel e a Palestina sem ter que apoiar uma das partes. Contudo, existem alguns sinais dos Estados Unidos em suportar a solução dos dois Estados. O maior problema para Trump será convencer a Rússia a terminar com a guerra contra a Ucrânia. O velho amigo Vladimir Putin não tem qualquer vontade de mostrar a força militar e política também perante os norte-americanos. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Donald Trump cumpriu com as promessas eleitorais internas, mas ainda não conseguiu mudar o mundo

 No próximo trimestre completa-se um ano depois da segunda vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas. As primeiras mudanças já se fazem sentir, sobretudo no plano interno, que foi a prioridade da administração norte-americana.

A tentativa de mudar algumas mentalidades, nomeadamente com o fim do wokismo em vários sectores da administração pública, parece estar a ser aceite pela população. Apesar de tudo, tem existido alguns excessos, sobretudo na relação com os outros poderes públicos e a imprensa. 

A nova administração também actuou com rapidez e eficácia na principal questão que possibilitou a segunda eleição. A população pediu medidas mais severas para controlar a imigração que estão a ser devidamente executadas. A fronteira com o México parece estar mais segura do que aconteceu nos últimos anos. No plano negativo em termos internos é a perseguição a membros do último executivo, em particular os que fizeram parte do governo Biden, mas também aos actores judiciais que tentaram impedir Trump de regressar à Casa Branca.

A política externa norte-americana não tem sofrido muitas mudanças porque continua a existir vontade por parte dos Estados Unidos em resolver os conflitos através da força política e económica, como se nota na recente imposição de tarifas a vários países. O único recurso à capacidade militar surgiu para destruir três centrais nucleares no Irão. O que surpreende nestes meses de mandato é o reforço da aliança com o Reino Unido, mesmo sendo liderado por um governo trabalhista.

terça-feira, 27 de maio de 2025

Os Estados Unidos culpam a África do Sul pela manutenção nos BRICS e o ataque contra Israel no TPI

 A recente visita do Presidente da África do Sul à Casa Branca demonstrou mais uma vez as intenções que Donald Trump pretende ter na política global. As questões de cortesia podem ficar para segundo plano, já que, existem outros assuntos que merecem ser analisados.

A África do Sul pertence aos BRICS, que também são compostos pelo Brasil, Rússia, Índia e China. O regime brasileiro não é amigável de Washington e Nova Deli celebrou recentes acordos com os norte-americanos. No entanto, Moscovo e Pequim são os principais adversários da influência dos americanos no resto do Mundo.

É verdade que se pode apontar todos os dedos ao Presidente norte-americano por comportamentos excessivos, sobretudo pela tentativa de transformar encontros diplomáticos em espectáculos públicos, mas existe uma leitura política por detrás do incidente com Cyril Ramaphosa na Sala Oval.

A estratégia dos Estados Unidos para fragilizar a Rússia e a China passa por intimidar alguns aliados como Johannesburg. Os BRICS não são uma organização forte do ponto de vista político, económico e militar, mas pode gerar consensos tendo em vista a concorrência com o mundo ocidental. 

O outro aspecto importante foi a decisão das autoridades sul-africanas de intentarem uma acção judicial no Tribunal Penal Internacional para condenar a invasão de Israel a Gaza como um genocídio. Washington não deve ter gostado e aproveitou uma oportunidade enviar um aviso. Contudo, Donald Trump entendeu que desta vez não deveria ter abordado os dois assuntos de forma directa. 

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Donald Trump conseguiu manter a influência dos Estados Unidos no Médio-Oriente

 A viagem de Donald Trump ao Médio-Oriente foi bastante positiva, já que, os Estados Unidos mantiveram as relações diplomáticas com os principais aliados, nomeadamente a Arábia Saudita, o Qatar e os Emirados Árabes Unidos. Havia uma certa dúvida sobre como seriam recebidos os norte-americanos depois da proposta para deslocar quase dois milhões de pessoas para fora de Gaza. 

As cerimónias públicas e mesmo privadas demonstram que os laços de amizade mantiveram-se, sendo que, reforçou-se a cooperação, nomeadamente no plano económico e militar entre Washington e os três países. No entanto, também não existiu qualquer passo no sentido de reconhecer Israel através dos Acordos de Abrãao. 

O mais importante neste périplo pela região era evitar uma maior escalada contra o aliado e condenar as acções dos grupos terroristas como o Hamas, Hezbollah e os Houthis. Também não foi feito qualquer isolamento para pressionar o Irão a acabar com o financiamento e a terminar com o programa nuclear. Contudo, a segunda opção seria bem vista por Riade, Doha e Abu Dhabi. 

O Presidente dos Estados Unidos abordou a questão iraniana, tendo rejeitado qualquer desenvolvimento nuclear por parte de Teerão. A porta para o diálogo não abriu porque os avisos que foram feitos dificilmente vão ser ouvidos. Neste aspecto, a questão israelita continua em suspenso porque só um acordo consegue garantir a segurança. 

O encontro entre o líder norte-americano e o Presidente da Síria foi mais um aspecto positivo que garante estabilidade na região. Ahmed al-Sharaa tem a intenção de reconhecer Israel, mas também pretende deixar o Líbano em paz. O problema é que internamente continua a existir conflitos e perseguições a minorias, como os cristãos e os curdos.

quinta-feira, 8 de maio de 2025

O fim do conflito entre a Europa e a Rússia depende do posicionamento dos Estados Unidos

As celebrações do 9 de Maio deste ano vão ser diferentes devido ao clima de instabilidade que se vive no Ocidente. A invasão da Rússia contra a Ucrânia acabou com o clima de paz que existiu desde o fim da II Guerra Mundial. 

Cada bloco político vai efectuar os mesmos rituais e discursos de união, solidariedade e compromisso, mas o ambiente que existe é bastante distinto, sendo que, é possível que haja alguma necessidade de fazer ameaças contra o inimigo. A União Europeia e a Rússia vão continuar a trocar acusações que resultarão em mais bombardeamentos contra as cidades ucranianas, mas também em Belgorod e Kursk na Rússia. 

Os Estados Unidos também estariam incluídos no mesmo pacote que a União Europeia, mas a eleição de Donald Trump em Novembro do ano passado alterou tudo. Washington terminou uma parceria com os europeus, mas tem recuado relativamente a uma relação privilegiada com a Rússia. Contudo, isso não significa que volte a ter boas relações com Bruxelas. 

O posicionamento norte-americano vai ser importante para perceber o rumo do conflito entre a Europa e a Rússia, sendo que, será difícil ter uma posição neutra, apesar do "American First", sugerir um distanciamento relativamente ao que se passa à volta do Mundo. No entanto, parece quase certo que a Casa Branca não tem muitos interesses no Velho Continente e na Rússia. 

sexta-feira, 25 de abril de 2025

O acordo entre o Irão e os Estados Unidos pode acabar com a guerra no Médio-Oriente

 A intenção dos Estados Unidos e o Irão chegarem a um acordo pode ser o início do processo para a paz no Médio-Oriente. O entendimento está relacionado apenas com o desenvolvimento do programa nuclear iraniano, mas haverá consequências relativamente a outros assuntos. 

A principal vontade de Washington passa por impedir que Teerão tenha uma arma nuclear, mas também proteger a segurança de Israel. Qualquer que seja o resultado final das negociações vai ter sempre implicações na existência do Estado israelita. 

O regime dos ayatollahs tem sido o principal financiador do Hamas, Hezbollah e dos Houthis, que continuam a não reconhecer Tel-Aviv, pelo que, Donald Trump também tem que exigir o fim dos apoios militares e financeiros que estão a causar conflitos naquela região. 

A sobrevivência destes grupos terroristas é o maior problema que existe neste acordo porque mesmo que o Irão não os ajude podem sempre procurar outras formas de continuar a lutar contra Israel. O Hamas, Hezbollah e os Houthis são organizações com força militar suficiente para actuarem sozinhos.

quarta-feira, 16 de abril de 2025

Donald Trump continua muito longe de estar no lado certo da história relativamente à guerra na Ucrânia

 Desde que iniciou o segundo mandato como Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não mudou de posição relativamente ao conflito entre a Ucrânia e a Rússia. Apesar de querer uma solução pacífica para resolver a guerra que dura há três anos, as opções tomadas favorecem a vontade de Moscovo de manter o controlo sobre o leste do país vizinho.

O líder norte-americano continua a culpabilizar Volodymyr Zelensky pelo que aconteceu e nunca teve a intenção de apontar o dedo ao verdadeiro responsável pela invasão. A Rússia é que atacou a integriadade territorial da Ucrânia. No entanto, pode haver uma vontade do líder ucraniano de não querer alcançar a paz nas actuais condições.

O problema é que a Casa Branca vai colocar sempre pressão na parte mais fraca, que neste caso é Kiev, para que se chegue a um entendimento. Ou seja, a estratégia nunca será de condicionar ou ameaçar Putin caso não se sente à mesa das negociações, sendo que, haverá uma vontade de oferecer muita coisa e de reforçar os laços de amizade com Moscovo.

Nunca se pode dizer que Donald Trump recebe ordens directas de Putin, mas acabou com o isolamento internacional da Rússia que se verificou desde o início da invasão da Ucrânia, que incluiu rejeições por parte de alguns aliados tradicionais, como a China e o Brasil.  

terça-feira, 4 de março de 2025

Volodymyr Zelensky perdeu a ajuda dos Estados Unidos por culpa própria

O desentendimento entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky na Sala Oval mostram que o conflito entre a Ucrânia e a Rússia vai ser complicado de resolver, mesmo com a ajuda dos países mais importantes do Ocidente. Os ucranianos nunca vão aceitar a cedência dos territórios ocupados, mas também já perceberam que dificilmente os recuperam.

A posição do Ocidente passa por apoiar incondicionalmente a Ucrânia, embora com a promessa de haver uma decisão relativamente ao futuro. Não basta impedir o avanço da Rússia até Kiev ou para além disso, só que, não será possível manter uma ajuda por muito mais tempo, sobretudo se for necessário colocar tropas no terreno.

A postura do líder ucraniano não tem sido a melhor porque faz promessas de um entendimento só que depois continua a pretender mais ajuda sem obter resultados. Isto é, sem conseguir recuperar o território perdido. Percebe-se a intenção de Zelensky, mas prolongar o conflito pode causar problemas em termos internos. 

O acordo estabelecido com os Estados Unidos deveria incluir mais medidas de segurança ou mesmo a inclusão de equipamento militar durante o período em que fosse feito a exploração de minerais. No entanto, tudo ficou estragado com a reacção intempestiva na Sala Oval, apesar de ter sido provocada pelo Vice-Presidente, JD Vance. 

A tentativa de colar-se aos norte-americanos, mesmo deixando a ajuda proveniente da Europa em segundo plano, foi bastante prejudicial para o Chefe de Estado ucraniano, que gerou alguma desconfiança em muitos sectores do Partido Republicano. As intromissões na política interna, por culpa dos democratas, também acabou por complicar a relações.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Donald Trump tem muitos obstáculos para transformar Gaza na Riviera do Médio-Oriente

A nova administração norte-americana liderada por Donald Trump apresentou um plano para acabar com a guerra no Médio-Oriente que dura há muitos anos, mas conheceu um novo episódio após os ataques do Hamas contra Israel no dia 7 de Outubro de 2023. O actual Presidente manteve a linha orientadora da liderança de Joe Biden, que nunca deixou de apoiar Tel-Aviv.

A nova proposta mantém um suporte incondicional à causa israelita, mas vai mais longe porque pretende que os palestinianos abandonem definitivamente a Faixa de Gaza para se tornarem cidadãos do Egipto ou da Jordânia. Nenhum dos países aceita refugiados da Palestina por diversas razões, sendo que, um deles tem a ver com a segurança.

O líder norte-americano pretende ocupar Gaza, embora sem recorrer a tropas, para a transformar na Riviera do Médio-Oriente. Ou seja, o objectivo nem sequer passa por defender os interesses israelitas, mas criar uma zona onde vai imperar a vontade de Washington.

A ideia apresentada será difícil de executar porque a tentativa de expandir os interesses norte-americanos na região colide com a manutenção das actuais obrigações que existem noutros países vizinhos de Israel. Os Estados Unidos deixariam de ter relações com o Qatar, Iraque, Arábia Saudita e a Jordânia, o que impedia o isolamento do Irão, que anseia por desenvolver uma arma nuclear. 

A tentativa de acabar com os grupos terroristas nesta zona do planeta, como o Estado Islâmico, a Al-Qaeda e o próprio Hamas sofreria um grande revés, sendo que, podia aumentar o ódio contra Israel e os americanos. Recorde-se que as autoridades em Washington revelaram que existem cada vez mais pessoas com vontade de executar actos de terrorismo.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Os Estados Unidos não vão permitir que Putin continue a atacar a Ucrânia

Na primeira semana como o 47º Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já efectuou inúmeras mudanças, sobretudo no plano interno, através de mais de duzentas ordens executivas. No entanto, a política externa não ficou esquecida com o anúncio das saídas do Acordo de Paris e da Organização Mundial de Saúde. 

Os rivais externos também não foram esquecidos, embora não tivessem sido aplicadas nenhuma decisão porque a força dos Estados Unidos tem vindo a diminuir. O novo inquilino na Casa Branca escolheu atacar Vladimir Putin em vez de Xi Jinping, nomeadamente por causa da guerra na Ucrânia. 

A ameaça de sanções por parte de Washington a Moscovo não é novo, tendo em conta a posição de Joe Biden nos últimos quatro anos. A rivalidade entre os dois países é algo que o mundo conhece, mas Donald Trump sempre mostrou vontade em ouvir as explicações do líder do Kremlin. No entanto, parece que a vontade de perceber as razões da invasão russa ao vizinho começa a esfriar-se.

É verdade que terá de existir um encontro bilateral entre os Estados Unidos e a Rússia, como vai acontecer entre Trump e Xi Jinping, mas dificilmente vai existir mudança de posições relativamente à questão ucraniana. Ou seja, uns querem o fim do conflito, enquanto os outros pretendem mantê-lo ou mesmo causar mais danos. 

Perante isto, os norte-americanos terão de continuar a aplicar sanções e quem sabe continuar a usufruir do equipamento militar da NATO e dos aliados para pressionar o velho inimigo que representará sempre uma ameaça à segurança. 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Os Estados Unidos mudaram as prioridades na política externa

O futuro Presidente dos Estados Unidos revelou quais são as principais prioridades em termos de política externa para os próximos anos. Curiosamente, não se ouviu falar de continuar a rivalizar com a China, Rússia ou o Irão. Donald Trump apontou o México, o Canadá e a Gronelândia como os principais alvos. 

Os vizinhos do Estados Unidos vão sofrer sanções económicas caso não cheguem a acordo com Washington relativamente a algumas matérias. Os mexicanos não podem continuar a enviar imigrantes para o outro lado da fronteira, enquanto os canadianos precisam de efectuar alterações no plano comercial. 

A relação com o México pode sofrer mudanças, sobretudo por uma questão que parece simples. Donald Trump pretende mudar o nome do Golfo do México para Golfo da América. No entanto, parecem existir mais questões que vão azedar a relação entre os dois países. As tensões com o Canada serão maiores porque a nova administração pretende transformar o vizinho do Norte no 51º Estado norte-americano. 

O último objectivo relacionado com os assuntos externos é o domínio da Gronelândia para evitar que a Rússia e a China possam utilizar navios naquelas águas. A presença de uma equipa liderada pelo filho de Trump mostra a vontade de resolver o problema nos primeiros dias do mandato. 


quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Os desafios internos e externos de Donald Trump

 No próximo dia 20 de Janeiro, Donald Trump regressa à Casa Branca para iniciar o segundo mandato como Presidente dos Estados Unidos, embora não seja de forma consecutiva por causa da derrota nas eleições de 2020 contra Joe Biden.

A segunda aventura na Sala Oval será bastante diferente do período que ocorreu entre 2016 e 2020 porque o milionário vai ter mais poder devido à maioria dos republicanos na Câmara dos Representantes e no Senado. Contudo, existe uma vontade por parte do novo Presidente de que falta muita coisa para fazer.

Neste aspecto terá que ser feito uma divisão entre os assuntos domésticos e a política internacional. No plano interno é possível que haja uma reversão na agenda dos últimos quatro anos, nomeadamente em termos de acesso à saúde, aborto e nas políticas migração, que vão preencher o debate mediático na maior parte do tempo. A tentativa de fazer crescer a economia americana também será uma das prioridades do novo executivo. 

A capacidade dos Estados Unidos influenciarem o mundo tem diminuído, pelo que, Donald Trump terá mais problemas em impor os interesses em muitas regiões, nomeadamente na Ásia e no Médio-Oriente, onde a oposição da China e do Irão, impedem mais relacionamentos com outros países. A Europa também vai vivenciar alterações com o velho Aliado, mas por vontade de Washington em procurar alianças noutros locais do mundo, estando em causa a relação especial com o Reino Unido.

quarta-feira, 6 de março de 2024

Donald Trump reconquistou a confiança dos eleitores republicanos

 O triunfo de Donald Trump na Super Terça-Feira coloca-o como o adversário de Joe Biden nas eleições presidenciais em Novembro, embora seja preciso conquistar mais delegados e Nikki Haley continua na corrida eleitoral.

O antigo Presidente reconquistou a confiança dos eleitores republicanos depois de perder por uma grande margem em 2020. Contudo, o principal problema foram os acontecimentos de Janeiro 2021 e que podiam ter repercussões negativas. Os recentes casos de justiça também foram um entrave à intenções de Trump.

Os eleitores não só se colocaram ao lado do magnata americano, como reforçaram o apoio à retórica que foi construída desde Novembro de 2020, pelo que, vai ser muito fácil unir o mesmo Partido Republicano, que destituiu o Speaker da Câmara dos Representantes.

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