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terça-feira, 21 de agosto de 2018

As novas Alianças na direita

A formação de um novo partido liderado por Pedro Santana Lopes com peso no espectro político é positivo, embora seja difícil de entrar no sistema. 

Os objectivos do antigo presidente social-democrata são unicamente no curto prazo, havendo pouca disponibilidade física e mental para continuar a luta pelos novos valores por mais tempo. Em termos de adesão também não existe qualquer base de apoio para manter o partido vivo durante muito tempo. 

Pedro Santana Lopes pretende construir uma força política à volta de uma imagem de ideias facilmente concebidas porque não diferem do pensamento colocado em prática ao longo da carreira como dirigente do PSD, incluindo na liderança do governo. As pessoas que esperam novidades vão ficar rapidamente desapontadas porque será muito parecido com as linhas mestras do bloco central, sendo que, um rosto do passado também não é o melhor cartão de visita para iniciar um projecto novo. 

O sucesso da implementação do projecto pode passar pela forma e conteúdo da mensagem, como aconteceu na eleição de Emmanuel Macron nas últimas presidenciais francesas. Contudo, o eleitorado jovem e descontente com a política em Portugal ainda não se deixa seduzir pelas campanhas digitais para decidir o voto. 

Apesar de alguns problemas que serão mais complicados de ultrapassar, o partido Aliança pode ganhar no plano ideológico. A direita precisa urgentemente de uma representação, nomeadamente no plano liberal, já que, nem PSD e CDS preenchem um vazio há muito tempo reclamado por várias pessoas daquela área. O conservadorismo em vários sectores sociais-democratas e democratas-cristãos implica que não avancem em determinadas matérias num sentido de maior modernismo e compreensão. A falta de crescimento dos centristas está relacionado com a defesa de valores que não fazem sentido em qualquer sociedade.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

As insensibilidades políticas em Portugal

A recusa de alguns sectores partidários em aceitar a presença de Marine Le Pen na próxima edição da Web Summit mostra a falta de abertura de um país que se pode equiparar a outros onde não vigora a liberdade de expressão. 

Aos poucos, Portugal começa a cair no ridículo de aparecer nas primeiras páginas por situações como aquela que se desenvolveu na última semana. A política portuguesa não pode ser dominada por uma franja de comentadores que se indignam com opiniões contrárias, chegando ao ponto de impedir a liberdade de expressão.

Neste aspecto, os nossos governos têm dado um mau exemplo ao longo do tempo porque não estabelecem um critério de alianças e amizades. O famoso "dou-me bem com toda a gente" nunca pode ser a primeira opção, como se verificou na recente falta de solidariedade com o Reino Unido contra Moscovo. O pior passa por se fazerem pressões para impedir que uma entidade privada convide determinada pessoa. Provavelmente, os responsáveis da WebSummit dificilmente voltam a Lisboa por causa de meia dúzia de comentadores que não gostam de Le Pen.

A intenção de criar uma sociedade aberta choca com situações deste género. 

A passagem da líder da Frente Nacional por Lisboa seria praticamente invisível tendo em conta a falta de identidade dos portugueses com a mensagem política. A falta de insensibilidade política começa a tomar conta da vida quotidiana, pelo que, não vão faltar situações no futuro em que meia dúzia de pessoas consegue fazer barulho. 

Confesso quefiquei decepcionado por Paddy Cosgrove ter cedido à chantagem.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A desresponsabilização é o pior caminho que o governo pode escolher

O actual governo tem sido pródigo em tirar as culpas de cima dos ombros sempre que existem problemas sérios no país. Contudo, não atiram a responsabilidade para anteriores executivos, como costuma ser habitual. 

O tema dos incêndios que nunca será resolvido a longo prazo seria uma arma muito forte que os socialista poderiam ter contra o PSD e CDS, já que, durante quatro anos não se fez rigorosamente nada. António Costa opta por um caminho mais preocupante e que deverá ter consequências políticas. 

As constantes desresponsabilizações que se iniciaram o ano passado e pelos vistos ainda não acabaram, mesmo com um novo ministro da Administração Interna, tornam o governo muito frágil perante a oposição e os portugueses. A culpa também é do aparato mediático em torno do assunto, que se iniciou na primavera com a limpeza das matas em que participaram o Presidente da República, o Primeiro-Ministro e membros do governo. O problema é que ninguém perdoa o primeiro descuido, seja político ou mesmo de transmissão de uma ideia. 

As autoridades têm de assumir que se trata de um problema nacional e que só será contido no longo prazo, sendo necessário efectuar imediatamente todas as medidas, mas ninguém acredita em mudanças enquanto chegarem todos os dias notícias de fogos em todo o país. 

O assunto merece ser tratado de forma séria por todos os agentes, começando com os responsáveis pela protecção da natureza, das pessoas e do património, bem como no combate a um dos piores flagelos de Portugal.

domingo, 12 de agosto de 2018

Figuras da semana

Por Cima

Rui Rio - O líder do PSD manteve-se calmo após uma semana de movimentações que colocam em causa a unidade do partido e o combate ao governo socialista numa altura em que os problemas dos incêndios voltam a ensombrar o primeiro-ministro. Não tem sido uma liderança fácil tendo em conta as inúmeras tentativa de desestabilização interna que estão relacionadas com a perda de poder pessoal. Em poucos meses, Rio deu uma imagem de credibilidade.


No Meio

Pedro Santana Lopes - A saída de Pedro Santana Lopes do PSD pode ser um pau de dois bicos. Num primeiro plano nenhum líder terá que se preocupar com as faltas de lealdade e traição do antigo chefe do governo, mas poderá haver uma razia de militância que pretendam seguir Santana Lopes noutros partidos, como aconteceu com o autarca social-democrata da Freguesia de Alvalade.

Em Baixo

Pedro Duarte - O anúncio da candidatura à liderança do PSD tem apenas como objectivo desestabilizar. O antigo deputado era visto como uma boa hipótese para a renovação de gerações dentro do partido, mas a vontade sem saber o resultado das legislativas vai ter um efeito negativo.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

O PSD volta a viver a mesma confusão pós-2005

A possibilidade de Pedro Duarte se candidatar a líder do PSD em 2020 já era esperada, mas o timing da intenção surge na pior altura para o partido, mesmo havendo falta de visibilidade de Rui Rio. 

Neste momento, o partido não necessita de candidatos virtuais que espreitam uma possibilidade de eleições antecipadas para vencer as legislativas de 2019. O burburinho iniciado no dia da tomada de posse da nova direcção, mesmo antes do Congresso, ainda se percebe por provir de antigos apoiantes de Passos Coelho e que se juntaram a Pedro Santana Lopes. A facção de Lisboa também juntou-se por causa de eventuais perdas de lugares. 

No Congresso de Fevereiro, Luís Montenegro anunciou que iria para a televisão ser uma voz opositora à actual liderança. Passaram alguns meses e não se vislumbra qualquer força proveniente do espaço onde o antigo líder da bancada parlamentar costuma fazer xeque-mate. 

A chegada de um novo player abre novamente a discussão sobre as fraquezas do PSD na oposição. O PS agradece que, a força política que venceu as últimas legislativas esteja numa confusão até encontrar um novo líder com capacidade. 

A vida interna no PSD não pode ser semelhante ao que aconteceu depois da vitória de Sócrates em 2005, onde Luís Marques Mendes, Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite foram abatidos pelos diversos aparelhos partidários, sem possibilidade de transmitirem a mensagem ao eleitorado. 

Caso os sociais-democratas percam as legislativas 2019, mesmo por único voto, correm o risco de divisão através do surgimento de várias candidaturas, como acontece neste momento no Sporting.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O último amuo do menino guerreiro

Em sete meses, Pedro Santana Lopes ofereceu várias faces políticas. Em Janeiro disputou a liderança do PSD com Rui Rio, tendo mais uma derrota, embora com números interessantes. Um mês depois, integrou a lista do Presidente social-democrata do Conselho Nacional como cabeça-de-lista numa atitude de união dentro do partido. No entanto, a bomba chegou com a decisão de abandonar o PSD e criar um partido novo, sendo que, não faltaram críticas à actual liderança social-democrata.

As mudanças políticas de Santana Lopes foram constantes ao longo da carreira política, mas em poucos meses não se pode passar de número 2 de Rio a dissidente social-democrata, como aconteceu com várias personalidades em todos os partidos. As opções acabam por ser tomadas em função de uma estratégia futura. Isto é, caso o antigo primeiro-ministro não tivesse ao lado de Rio, neste momento não seria notícia por sair do partido porque já estaria esquecido no plano político. A criação de uma falsa união com o vencedor das últimas eleições serviu os interesses pessoais porque pode aproveitar o descontentamento de muitas pessoas no PSD para lançar o novo projecto com sucesso. No entanto, não existe margem para novo regresso.

Na minha opinião, Santana Lopes transmite uma imagem de perdedor, pelo que, nunca terá possibilidade de êxito com a criação de uma nova força. A possibilidade de dividir ainda mais o PSD nunca será aceite pelo eleitorado que gosta de lealdade. A intenção de um novo partido será sempre a de fragilizar um sector social-democrata que nunca possibilitou uma vitória interna. Apesar das várias candidaturas, os resultados foram sempre os mesmos, pelo que, nunca serão os portugueses a possibilitarem mais uma oportunidade.

O destino do menino guerreiro na política, dentro ou fora do PSD, está definitivamente traçado.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Um novo referendo ou eleições antecipadas acaba com o ruído contra Therea May

O governo britânico tem pela frente um ano muito complicado, não só por causa das negociações com a União Europeia para a saída do Reino Unido, mas porque a situação no plano interno está cada vez mais difícil de gerir. 

A saída de Boris Johnson do executivo tornou a vida de Theresa May mais instável devido à popularidade e capacidade de gerar uma onda de entusiasmo, embora a recusa em concorrer à liderança no ano passado seja um mau sinal. 

O que está em causa é a sobrevivência política de um governo e de uma primeira-ministra que nunca recolheu simpatia, apesar de ter ido a jogo. Contudo, o erro cometido na antecipação das eleições de 2017 tenha sido um tiro completamente ao lado que os conservadores pagaram caro. 

Neste momento, o que mais preocupa Theresa May é a rebeldia dentro do partido, que assumiu uma atitude activa, chegando ao ponto de exigir um segundo referendo para aprovar os termos do acordo entre o Reino Unido e a União Europeia, sendo que, caso os britânicos não sejam chamados novamente a se pronunciarem, será colocado em cima da mesa a possibilidade de realizar eleições antecipadas. Nenhum dos cenários favorece o governo porque a população pretende um Hard-Brexit e os trabalhistas estão numa posição muito favorável para chegarem ao poder. 

Tendo em conta as fragilidades políticas da primeira-ministra que, ao contrário de Margaret Thachter, costuma ceder às pressões, sendo que, neste momento existem pedidos por parte de quase todos os sectores para os britânicos decidirem novamente os destinos do país. No final do ano poderá haver uma conclusão sobre o rumo definido. A única certeza é que o ruído contra o governo não pode continuar.
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