segunda-feira, 3 de outubro de 2022

A anexação de quatro territórios ucranianos ditou o fim da solução diplomática

 Os últimos acontecimentos relacionados com a guerra na Ucrânia confirmam que dificilmente haverá um entendimento entre Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin. A anexação de quatro territórios ucranianos por Moscovo pode ter ditado o fim da solução diplomática, apesar dos esforços da França e da Turquia para haver paz. 

A Rússia vai continuar isolada em termos internacionais, como se percebeu na última Assembleia-Geral das Nações Unidas. Contudo, Putin também nunca irá recuar nas intenções de vencer o conflito, sobretudo numa altura em que o Ocidente está cada vez mais envolvido. 

No início ninguém entendeu as razões do ataque russo ao vizinho, só que, sete meses depois percebeu-se que se trata de uma tentativa de afirmação no plano internacional, tendo os Estados Unidos como o principal alvo. No entanto, existem conflitos com Kiev que merecem ser analisados. 

terça-feira, 21 de junho de 2022

A Ucrânia precisa de alcançar a paz antes de aderir à União Europeia

O pedido de adesão da Ucrânia à União Europeia tem vários riscos que não podem deixar de ser considerados pelos responsáveis europeias. O principal está relacionado com a duração da guerra. 

As autoridades europeias, nomeadamente a Alemanha, colocaram um travão na euforia dos ucranianos e de alguns líderes ocidentais, porque dificilmente a Ucrânia tem condições para se juntar ao clube europeu na próxima década. A medida sensata e pensada tem como objectivo não criar riscos desnecessários para os dois lados. 

A adesão de Kiev iria aumentar a revolta russa contra o governo liderado por Zelensky, mas também mais ameaças para a União Europeia. Neste momento, o que se pretende é diminuir a tensão com Moscovo para alcançar a paz, sendo que, não haveria forma das entidades europeias protegerem um membro que está a ser invadido. Não existe qualquer vantagem para Bruxelas e a Ucrânia de se dar um passo nesse sentido. 

Existem outras razões, como a falta de desrespeito pelos países dos Balcãs, que estão em negociações há vários anos, para adiar a decisão, embora seja necessário manter a ajuda, sobretudo quando for necessário reconstruir o país. 

Os responsáveis europeus pretendem dar um sinal político de que vão continuar ao lado da causa ucraniana em qualquer circunstância. Contudo, existem requisitos e princípios que devem ser mantidos, como é o caso da paz e segurança.  

segunda-feira, 28 de março de 2022

A terceira guerra mundial não ultrapassa o leste da Ucrânia

Os acontecimentos em torno da guerra na Ucrânia mostram que o mundo irá enfrentar uma terceira guerra mundial. Contudo, em moldes muito diferentes daqueles que originaram os conflitos durante o século passado. O confronto militar dificilmente passará de Kiev devido à resistência dos ucranianos, mas porque a Rússia também não tem interesse em controlar o resto do país.

A intervenção de outros actores internacionais será feita através das pressões diplomáticas, sanções económicas e mesmo por ataques cibernéticos que não causam vítimas. O problema é que todas as acções terão consequências na ordem internacional que continua a vigorar, sendo que, a Europa será prejudicada por tudo aquilo que vier a ser decidido. 

A Rússia não decidiu apenas atacar a Ucrânia porque o principal objectivo é causar desordem no Ocidente, nomeadamente em mudar o mapa da Europa, além de provocar o ambiente político. Contudo, também está nos planos de Moscovo manter uma guerra fria com os Estados Unidos. As eleições francesas são o primeiro teste à capacidade de resistência da democracia europeia, mas a vontade de Joe Biden em acabar com o regime liderado por Putin é um sinal de que as ambições estão a ser alcançadas. 

Nos próximos meses haverá a intromissão de mais partes que estão interessadas em dar um rumo ao conflito, como a Turquia e a China. Ancara e Pequim já mostraram de que forma irão intervir, apesar dos sinais de neutralidade que Recep Tayyip Erdogan e Xi Jinping demonstraram. 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

A França e a Alemanha voltaram a impedir o avanço da ameaça russa

O recuo das tropas russas é um sinal que a diplomacia voltou a funcionar. No entanto, a ameaça de uma invasão aos países vizinhos que optaram por um posicionamento mais perto da União Europeia irá continuar até à manutenção de Vladimir Putin no poder. 

Os protagonistas de mais um êxito em termos internacionais pertence à França e Alemanha, que sempre adoptaram uma atitude inteligente face à ameaça russa. Nunca deixaram de dialogar com Moscovo, mas também foram sempre firmes caso houvesse a violação do direito internacional. A coerência dos líderes políticos acabar por fortalecer as relações entre todos os países europeus. 

A União Europeia também tem de integrar os cidadãos de alguns países do Leste que se sentem mais próximos à Federação Russa. O erro que originou a divisão da Ucrânia não pode voltar a ser cometido noutros sítios, como a Bielorrússia, a Polónia e os países do Báltico. 

O que mais preocupa são as posições dúbias dos Estados Unidos, já que, ao mesmo tempo, garantem uma resposta forte, mas no plano interno já não querem participar em mais nenhum conflito militar. A Casa Branca tem revelado muitas fraquezas para tomar decisões na política internacional devido à vontade de alguns sectores dos partidos pretenderem que não haja mais ajudas a outros países, mesmo que esteja em causa o aumento da influência de um adversário. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

A presidência de Joe Biden não superou as expectativas

O primeiro ano de Joe Biden na Casa Branca fica marcado pelo combate à pandemia, nomeadamente na distribuição das vacinas que não colocaram os Estados Unidos no primeiro lugar. O actual Presidente também não conseguiu implementar um plano que evitasse a transmissão muito diferente do que aconteceu com Trump, apesar de manter Anthony Fauci na administração.

O principal problema do mandato esteve relacionado com as expectativas criadas, já que, houve muitas promessas de que o ambiente político seria diferente. Os acordos alcançados com os Republicanos em algumas propostas foi insuficiente para considerar que a nova presidência acabou por ser uma lufada de ar fresco relativamente ao passado. A única alteração está relacionada com o estilo.

Na política externa também não houve novidades, com a excepção da retirada do Afeganistão que parece ter sido uma decisão acertada. Os norte-americanos não tinham mais possibilidade de controlar o pais sob a ameaça permanente dos talibãs, sendo que, também não valia a pena insistir no treino das forças locais. As relações com os principais adversários dos Estados Unidos mantiveram-se desde a última administração, embora a tensão com a Rússia tenha aumentado. 

O principal desafio passa por manter a maioria no Congresso depois das eleições intercalares em Novembro, mesmo que se notem alguns problemas na relação com os progressistas. Contudo, a candidatura de Trump em 2024 vai permitir que os Democratas voltem a unir-se em torno do Joe. 

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

O último capítulo do retraimento estratégico dos Estados Unidos

A recente saída do Afeganistão foi mais um passo no retraimento estratégico que os Estados Unidos estão a fazer desde o primeiro mandato de Barack Obama. Durante a administração Trump também houve um sinal que os norte-americanos não iriam intervir militarmente nos assuntos internos dos outros países. 

A forma apressada como Joe Biden teve de arrumar as malas resultou do avanço dos talibãs, que originou a fuga do governo afegão para o exílio. A perda de influência em termos militares tem sido notória, nomeadamente depois dos fracassos no Iraque e Afeganistão, pelo que, neste momento não restam mais oportunidades para manter uma política que durou o século passado. 

A falta de justificação para iniciar um conflito em território estrangeiro foi a principal razão para a mudança de atitude. O isolamento internacional também começou a ser visível, sobretudo nos aliados tradicionais, como o Reino Unido. O último argumento para as derrotas americanas está relacionado com o crescimento da Rússia em termos militares e da China no plano político. 

A diplomacia será a nova arma para tentar desequilibrar os assuntos que estejam na ordem do dia, embora ainda haja alguma esperança relativamente ao poder que a economia tem nas decisões globais. No entanto, serão os avanços tecnológicos e ambientais a definir a força de cada país. 

Os acontecimentos em Kabul prova que Washington não consegue actuar sozinho para resolver os problemas do mundo, pelo que, terá de voltar a sentar-se à mesa com as outras nações que pretendem alcançar os mesmos objectivos, mas através de conflitos mais pacíficos. 

terça-feira, 4 de maio de 2021

A Direita espanhola vai mudar depois das eleições em Madrid

 As eleições regionais em Madrid são um boa oportunidade para o PP voltar ganhar força política em termos nacionais. No entanto, a missão de Pablo Casado será mais difícil do que a de Isabel Ayuso, que só precisou de criar uma crise política para reforçar o poder. 

O ciclo eleitoral dos populares nos últimos actos eleitorais autonómicos não foi positivo, apesar da vitória na Galiza. O problema não tem sido apenas com o PP porque a Direita espanhola só tem subido devido ao VOX. A queda do Ciudadanos tem de ser considerado como um aspecto negativo na tentativa de mudança no país vizinho.

Não serão os resultados em Madrid que vão definir os futuros políticos do líder do PP e de Inés Arrimadas, nem sequer o fim anunciado dos Ciudadanos. As próximas eleições gerais serão importantes para perceber a configuração da Direita da política espanhola até 2030, sendo que, o principal objectivo passa por convencer o eleitorado que podem confiar na oposição. A ambição de chegar ao poder é legítima, mas dificilmente vai acontecer neste quadro de incerteza.

O VOX tem capacidade de crescimento, mas nunca alcançará a maioria absoluta para governar sozinho, sendo que, também não será o partido mais votado, nem sequer na Direita. O PP pode ganhar as eleições, embora o controlo total do Parlamento, pelo que, precisa de parceiros. Por fim, os Ciudadanos correm o risco de desaparecer ou tornarem-se num partido de expressão regional, o que origina a saída de militantes para criarem outras forças políticas. 

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