terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

As candidautras independentes servem para conquistar os eleitores mais frágeis

Um grupo de deputados do Partido Trabalhista decidiu virar as costas à liderança e fundar um grupo de independentes na Câmara dos Comuns. Os rebeldes não vão optar por outra força partidária, mas já criaram uma estratégia política diferente da actual liderança.

A utilização da palavra independente tem servido como justificação para o surgimento de fenómenos políticos com o objectivo de conquistar todo o tipo de eleitorado. A eleição de Emmanuel Macron para a presidência francesa em 2017 abriu a porta para uma forma de agradar a gregos e troianos. 

O descontentamento das pessoas relativamente aos partidos políticos possibilita que haja um aproveitamento positivo da chamada independência face aos interesses que estão subjacentes à eleição para um cargo político. No entanto, também existe uma excessiva retórica relativamente às virtudes de uma eventual candidatura nascida do zero.

Na minha opinião, o discurso da independência é uma capa para conquistar os eleitores mais frágeis, sobretudo aqueles que não se interessam pelo fenómeno político. Nem sempre existe total liberdade para determinar o caminho porque tem de haver uma máquina por detrás para garantir uma eleição, como sucedeu em França e nas últimas presidenciais portugueses em que Marcelo Rebelo de Sousa chegou ao ponto de dizer queria alcançar os eleitores de esquerda. No entanto, não considero que sejam populistas, apesar de os dois chefes de Estado baterem todos os recordes de popularidade.

O que se passa no Reino Unido pode ser analisado da mesma forma porque há um objectivo maior que o pequeno grupo pretende alcançar, como uma eventual candidatura às eleições do partido sem estar associado às políticas de Corbyn. Os dissidentes continuam no partido e a exercer funções como deputados, o que se aceita tendo em conta o carácter uninominal das eleições.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Figuras da Semana

Por Cima

Donald Trump - O Presidente norte-americano encontrou uma solução para construir o muro na fronteira com o México. Em poucos dias conseguiu transformar uma derrota política num triunfo. Contudo, ainda falta ultrapassar os obstáculos que decorrem da solução adoptada.


No Meio

Theresa May - A primeira-ministra britânica tem cada vez menos margem para seguir com as próprias ideias relativamente à saída do Reino Unido da União Europeia. À medida que perde pontos no Parlamento britânico e em Bruxelas aumenta o cenário de não acordo com consequências maiores para o Reino Unido do que a União Europeia.

Em Baixo

Assunção Cristas - O CDS volta a marcar a agenda política pela negativa. Uma moção de censura contra o executivo a poucos meses das eleições não faz sentido, nem que seja para obrigar os partidos de Esquerda a defenderem o executivo num momento de instabilidade social por causa das greves. A histeria do resultado das autárquicas regressou ao Caldas antes da decisão de todos os portugueses.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

A interferência externa vai provocar uma guerra civil sem fim na Venezuela

A melhor forma de evitar um banho de sangue na Venezuela é deixar as pessoas escolherem o futuro. O aparecimento repentino de Guaidó como o libertador da actual ditadura está relacionado com uma eventual vontade dos norte-americanos em mudarem o regime. Por seu lado, Moscovo e Pequim continuam interessados em manter Maduro no poder. 

O conflito de interesses internacionais no país vai originar uma guerra civil que pode culminar numa situação semelhante à da Ucrânia. 

As intervenções exteriores estão a levar o país para um caminho longo e doloroso e que termina numa guerra civil. Neste campo, os responsáveis russos foram mais sensatos que os americanos porque alertaram para a necessidade de serem os venezuelanos a tomarem conta dos interesses nacionais. 

O discurso do auto-proclamado Presidente Interino soa muito a alguém que conta um apoio muito forte, que não é das Forças Armadas nem de nenhum aliado regional. Guaidó vai ser visto como o herói que tentou instaurar a democracia, mas a coragem popular não é a mesma, pelo que, não tem capacidade para convencer as pessoas a lutarem contra o regime. 

Não é fácil prever o que vai acontecer numa sociedade dividida. Pensou-se que os defensores da liberdade estavam em vantagem, o que costuma originar as quedas do regime. No entanto, existe uma larga franja da população que continua a suportar o actual Presidente. 

A tarefa de Guaidó é bastante complicada porque só conta com a ajuda externa, sendo que, a actual força política da União Europeia diminuiu e os Estados Unidos não são superiores à Rússia e China no plano militar.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Os Democratas derrotaram o muro de Trump

O fim do Shutdown nos Estados Unidos representa a primeira vitória dos Democratas desde que retomaram o controlo do Congresso após as eleições intercalares de Novembro 2018.

Após um mês e meio de intensas guerras com ameaças de adiar o discurso do Estado da União na próxima terça-feira, Donald Trump cedeu de uma forma que não seria previsível. Apesar das várias tentativas de contornar o problema, como dizendo que se trata de uma situação temporária até ao dia 15 de Fevereiro, não há volta a dar porque dentro de poucos os dias haverá outros assuntos para serem tratados. 

A resistência do líder norte-americano não poderia durar mais tempo devido às pressões internas, como os comentadores televisivos, as sondagens e a necessidade dos serviços públicos reabrirem. 

A construção do Muro ficou definitivamente encerrada porque as próximas batalhas políticas serão mais complicadas de resolver, sendo que, no orçamento 2020 dificilmente haverá financiamento para os assuntos que dividam o país. Trump também sabe que a questão tem de ser adiada para um eventual segundo mandato. Contudo, na campanha precisa de arranjar novos argumentos porque os democratas vão utilizar o tema da imigração para o atacar com força. 

Na minha opinião, uma vitória do actual Presidente dentro de ano e meio significa uma mudança profunda no sistema de imigração norte-americano, bem como noutras latitudes, nomeadamente na Europa, que irão copiar o modelo que vier a ser implementado.

Neste momento, prevaleceu a maioria no Congresso, sobretudo na Câmara dos Representantes. No entanto, haverá uma resposta forte no discurso anual do Presidente no Capitólio, mais direccionado para os erros cometidos pelos democratas, mas também com uma vontade de conquistar a confiança da população.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Os Estados Unidos deram início à revolta na Venezuela

O apoio norte-americano à revolução na Venezuela foi um erro que pode originar um conflito mais grave, sobretudo no plano mundial.

A declaração de Guaidó para assumir interinamente a liderança do país, afastando Maduro do palco mediático, só podia ser feita com um suporte internacional bastante forte. 

O novo líder deveria ser reconhecido apenas pelos vizinhos da América Latina porque enviava uma mensagem mais contundente ao regime liderado por Maduro. O isolamento regional seria a principal arma de Guaidó contra as autoridades, colocando o exército numa situação muito complicada. 

A intenção dos norte-americanos passava por contar com um isolamento internacional do actual regime, com excepção das outras potências. No entanto, apenas 13 países reconheceram a nova liderança, sendo que, na União Europeia poucas vozes manifestaram a satisfação pelos acontecimentos em Caracas. 

Os próximos capítulos não serão dificeís de prever, já que, é o normal numa situação destas, embora a dispersão da população através da força não seja uma opção válida, tendo em conta o número de pessoas que estão descontentes com o regime. Por outro lado, Guaidó também não pode utilizar os meios policiais para chegar ao Palácio presidencial. O único poder que tem é o decorrente da Assembleia Nacional.

A diplomacia internacional pode ser importante para resolver um problema que nunca tem negociações internas. Neste aspecto, Washington será um interlocutor importante, mas a falta de estratégia é preocupante porque não há qualquer ideia fixa relativamente ao destino dos países que são liderados por ditadores.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Figuras da Semana

Por Cima




Rui Rio - O Presidente do PSD escapou com mestria ao desafio de Montenegro. A atitude humilde valeu um mandato importante para o ciclo eleitoral. O antigo autarca teve o mérito de não se deixar engolir por aqueles que gostam de desestabilizar o PSD na oposição, como aconteceu com Marques Mendes e outros que não acabaram o mandato por causa dos jogos de bastidores. Rio foi o único que não teve medo de ir a jogo, mesmo contra as sondagens, as opiniões publicadas e quase metade do partido.




No Meio


Theresa May - A primeira-ministra obteve uma derrota e uma vitória, sendo que, a segunda é mais importante por causa da legitimidade para não obter um acordo com a União Europeia. No plano interno, May conseguiu a confiança do Parlamento, meses depois de conquistar o respeito dos deputados. As três vitórias, contando com a eleição em 2017, podem ser suficientes para ganhar as próximas legislativas depois de acalmar o ambiente.



Em Baixo


Luís Montenegro - O antigo líder parlamentar perdeu a possibilidade de cumprir o sonho de se candidatar à liderança agora e no futuro. A imagem de político corajoso que enfrenta a direcção passou rapidamente para perdedor. Apesar de contar com alguns apoios, percebeu-se que dificilmente iria ganhar a batalha, sendo que, nem nas directas tinha hipóteses. O maior problema é não conseguir guardar a pole-position caso as sondagens confirmem um mau resultado porque ficou completamente desgastado.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

A debandada ou o regresso de Passos Coelho

A eventual vitória de Rui Rio no Conselho Nacional vai ter consequências muito graves para o PSD. 

A melhor forma de acabar com o ruído seria realizar directas, mas também havia perigos  num ano em que se vão disputar vários actos eleitorais importantes para o futuro do país. 

O que está em causa na reunião social-democrata é a sobrevivência do partido em termos de liderança e definição ideológica, mas também sobre o papel na sociedade portuguesa, independentemente de quem estiver no poder. 

O risco de divisão aumenta com a manutenção de Rio e de uma viragem à esquerda. Contudo, um eventual suporte ao Partido Socialista na próxima legislatura, com o patrocínio de Marcelo Rebelo de Sousa, não é aceite por aqueles que perderam o poder depois da celebração da geringonça em 2015.  A estratégia dos ditos passistas, liderados por Luís Montenegro, passa por fazer o mesmo caso o PS não tenha a maioria absoluta em Outubro. O problema é que a Direita pode não alcançar a maioria de 116 deputados, mesmo com o surgimento de vários partidos no último ano.

Neste momento, são duas as consequências do triunfo da direcção. 

Em primeiro lugar vai haver uma debandada de muitos militantes para outras forças, ou mesmo criarem uma nova. O PSD pode ficar com o tamanho do CDS, sendo que, os votos dos eleitores que costumam votar no centro serão canalizados para o PS. 

A segunda consequência é o regresso de Pedro Passos Coelho após as legislativas para recuperar a matriz que possibilitou duas vitórias eleitorais. O antigo líder é o único com capacidade para criar alguma onda de entusiasmo, sendo que, o distanciamento desde a saída no ano passado, será entendido como um factor de mudança positiva.
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