terça-feira, 4 de maio de 2021

A Direita espanhola vai mudar depois das eleições em Madrid

 As eleições regionais em Madrid são um boa oportunidade para o PP voltar ganhar força política em termos nacionais. No entanto, a missão de Pablo Casado será mais difícil do que a de Isabel Ayuso, que só precisou de criar uma crise política para reforçar o poder. 

O ciclo eleitoral dos populares nos últimos actos eleitorais autonómicos não foi positivo, apesar da vitória na Galiza. O problema não tem sido apenas com o PP porque a Direita espanhola só tem subido devido ao VOX. A queda do Ciudadanos tem de ser considerado como um aspecto negativo na tentativa de mudança no país vizinho.

Não serão os resultados em Madrid que vão definir os futuros políticos do líder do PP e de Inés Arrimadas, nem sequer o fim anunciado dos Ciudadanos. As próximas eleições gerais serão importantes para perceber a configuração da Direita da política espanhola até 2030, sendo que, o principal objectivo passa por convencer o eleitorado que podem confiar na oposição. A ambição de chegar ao poder é legítima, mas dificilmente vai acontecer neste quadro de incerteza.

O VOX tem capacidade de crescimento, mas nunca alcançará a maioria absoluta para governar sozinho, sendo que, também não será o partido mais votado, nem sequer na Direita. O PP pode ganhar as eleições, embora o controlo total do Parlamento, pelo que, precisa de parceiros. Por fim, os Ciudadanos correm o risco de desaparecer ou tornarem-se num partido de expressão regional, o que origina a saída de militantes para criarem outras forças políticas. 

segunda-feira, 29 de março de 2021

O regresso de Lula da Silva já causou medo ao actual Presidente

 A candidatura de Lula da Silva às próximas presidenciais brasileiras vai originar muitas mudanças, nomeadamente na gestão da pandemia por parte do Presidente Jair Bolsonaro, que começou a ter mais respeito pela doença, apesar dos números diários continuarem a ser assustadores. 

O actual Chefe de Estado nunca teve oposição durante o mandato, nem sequer o concorrente PT que foi derrotado nas últimas eleições. A saída de Sérgio Moro do executivo causou algum embaraço, mas a onda de apoio não cresceu muito. No entanto, alguns continuam a aplaudir as denúncias que fez relativamente à tentativa de Bolsonaro impedir uma investigação judicial ao filho. 

Em termos mediáticos o regresso do antigo Presidente ao combate político tem muito mais peso do que o apoio popular a Sérgio Moro. O juiz pode ter ficado sem margem de manobra depois do STF considerar que houve parcialidade no processo jurídico contra Lula. O debate entre os dois seria um autêntico lavar de roupa suja. 

A corrida entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro está no mesmo nível que a recente disputa entre Donald Trump e Joe Biden para a Casa Branca. No entanto, acredito que a campanha teria pouco debate ideológico, apesar de cada um estar em campos totalmente opostos. Neste aspecto, o actual inquilino do Palácio do Planalto estaria em vantagem devido à capacidade de persuasão. 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

O fim do processo eleitoral norte-americano

 A absolvição de Trump pelo Senado norte-americano no segundo impeachment marcou o fim do processo eleitoral que durou um ano. Os dois partidos fizeram tudo para chegar ao poder, mas só os democratas ficam a sorrir. Por seu lado, os republicanos já demonstraram que irão utilizar as mesmas armas para reconquistar a Casa Branca, a Câmara dos Representantes e o Senado a partir de 2022.

A outra certeza é a candidatura do ex-Presidente à Casa Branca em 2024 contra Joe Biden. O actual líder norte-americano tem que concorrer para manter os democratas mais tempo no poder. Não haverá muitas mudanças relativamente aos comportamentos que existiram antes do acto eleitoral porque o que mais importa é mandar nas instituições. Tudo o resto será colocado em segundo plano, já que, o tempo de verdadeiras alterações no sistema norte-americano só chegará no final da década. 

O que se passou nos últimos meses confirma o declínio do actual sistema bipartidário. De facto, é impressionante como uma democracia consegue sobreviver apenas com dois partidos em quase toda a história. As jogadas de bastidores que visam apenas o controlo das políticas no país geraram a revolta das pessoas. O ataque ao capitólio pode ter sido culpa indirecta do discurso mais nervoso de Trump, mas está relacionado com algo muito mais profundo. 

A sobrevivência política de Trump significa que Joe Biden vai ter uma presidência complicada, apesar da maioria no Congresso. O republicano tem a capacidade de influenciar a opinião pública, através dos novos media e redes sociais, com o simples argumento que houve irregularidades no último acto eleitoral, tornando-se na figura que vai limpar os maus vícios que existem em Washington. 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Os vencedores e derrotados do longo ciclo eleitoral norte-americano

 O processo político em torno das últimas eleições norte-americanas terminou com a tomada de posse de Joe Biden como o 46º Presidente dos Estados Unidos. No entanto, as polémicas vão continuar porque o antecessor prometeu que iria regressar em breve. Neste momento, ninguém sabe o que isso significa porque terminou um ciclo eleitoral. Os vencedores devem ser recompensados e os derrotados pensarem nos erros que cometeram. 

O democrata Joe Biden foi o principal vencedor do acto eleitoral porque regressou à Casa Branca como o líder do mundo livre. O resultado no dia 3 de Novembro não foi a única vitória, já que, também conseguiu ultrapassar todos os problemas causados pelo adversário, tendo mantido uma postura correcta durante o processo. A manutenção da maioria na Câmara dos Representantes e o triunfo no Senado permitem uma presidência sem sobressaltos em termos das relações com as outras instituições. Contudo, vão existir bloqueios por parte dos progressistas que pretendem implementar as medidas que defenderam na campanha. 

Não há dúvidas que Donald Trump perdeu as eleições, apesar da retórica sobre as irregularidades. Os casos apresentados publicamente demonstram que existem problemas relacionados com a integridade do acto eleitoral da democracia mais pura do mundo. As questões levantadas pelo antigo Presidente podem ser importantes para que se evitem mais situações no futuro. Apesar da derrota pela mesma margem com que ganhou o colégio eleitoral em 2016, o antigo Presidente norte-americano conquistou 74 milhões de eleitores que vão continuar a seguir a mensagem numa plataforma digital e através de um canal de televisão. 

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