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sexta-feira, 5 de setembro de 2025

O Ocidente tem três inimigos com que se preocupar

 O recente encontro entre Xi Jinping, Vladimir Putin e Kim Jong-Un mostra que o Ocidente tem três inimigos de peso com que se preocupar em diversos níveis. Existem outras potências que não são favoráveis às políticas ocidentais, como o Brasil, Argentina e o Irão. No entanto, neste momento, o que conta é a ameaça militar que representam a China, Rússia e a Coreia do Norte para o resto do planeta. 

Os russos já mostraram o poder da máquina de guerra através da invasão da Ucrânia, sendo que, dificilmente vão aceitar qualquer propostas que não seja continuar a ocupação. Moscovo também rejeitou as propostas provenientes dos Estados Unidos para acabar com o conflito, o que é um sinal de confrontação política, mesmo com a mudança de inquilino na Casa Branca. 

A China mantém as ameaças a Taiwan, mesmo contra a vontade dos norte-americanos e sob pena de existir um isolamento internacional semelhante ao que sucedeu com a Rússia. Contudo, a influência económica em muitos países pode originar uma postura diferente. A relação com a nova administração norte-americana não é a melhor, mas existe a possibilidade de um entendimento para manter o equilíbrio geopolítico. 

A última ameaça à segurança mundial chama-se Coreia do Norte, que também provoca constantemente os vizinhos do Sul e o Japão. Donald Trump será novamente obrigado a reunir-se com um ditador para evitar um conflito regional. 

quarta-feira, 23 de julho de 2025

A Rússia quer continuar a mostrar superioridade e força, apesar de não estar a ganhar a guerra

 A falta de entendimento na terceira ronda de negociações entre a Rússia e a Ucrânia mostra que a guerra está muito longe de acabar, ao contrário do que pretendem Donald Trump e Recep Tayyip Erdogan. Neste momento, o único ponto positivo é mais uma troca de prisioneiros de guerra.

Desta vez nem foi preciso uma hora para mostrar que dificilmente será alcançado um acordo relativamente ao controlo do leste ucraniano, à soberania da Crimeia e se a Ucrânia pode ou não entrar na NATO e na União Europeia. O posicionamento da Rússia relativamente à Europa também deve ser debatido para evitar novos conflitos no futuro. 

Perante a falta de diálogo é natural que não se coloque a hipótese de um cessar-fogo, que obviamente serviria para iniciar um caminho sobre as questões mais importantes. A Ucrânia continua a mostrar disponibilidade para acabar com os ataques em território russo com o objectivo de ganhar a confiança de Donald Trump, enquanto Moscovo assume uma posição de força que vai ser prejudicial no futuro. 

Um encontro entre Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky também está fora de questão. Contudo, o líder ucraniano continua aberto à realização da única reunião que acabava com a guerra. O Presidente da Rússia entende que não tem de fazer cedências porque se encontra numa posição mais favorável, apesar de nunca ter conquistado Kiev.

quinta-feira, 26 de junho de 2025

O Ocidente mostrou que está unido no regresso de Donald Trump à Europa

 A última cimeira da NATO correu de forma perfeita aos Estados Unidos porque os restantes aliados aceitaram aumentar a despesa em defesa para 5%. As exigências de Donald Trump foram cumpridas, mas o futuro da aliança pode continuar a estar comprometido. 

A reunião que decorreu em Haia teve um ambiente semelhante às restantes, apesar da mudança politica na Casa Branca em Janeiro. As vozes discordantes, como Espanha e Alemanha, acabaram por ceder face ao poder de influência norte-americana. A Europa continua a ser vista como um aliado histórico de Washington, mas o actual Presidente norte-americano pode ficar à espera de mudanças políticas que permitam um diálogo mais fácil. 

Neste momento em que existem inúmeros conflitos internacionais, os dois blocos que compõem o Ocidente prometem caminhar lado a lado, apesar de algumas divergências relativamente à guerra na Ucrânia e o que se passa no Médio-Oriente. No entanto, Trump está cada vez mais sensível para a questão ucraniana e nota-se a falta de paciência para com as decisões tomadas por Vladimir Putin. 

A demonstração de união assinado por todos os membros da aliança pode ser quebrado pela vontade norte-americana de reorganizar a estrutura militar devido ao possível conflito com a China, mas também pelo que se passa no Médio-Oriente. Os países europeus nunca vão contribuir com a decisão norte-americana de utilizar a força militar para chatear Pequim ou tentar mudar o regime vigente no Irão.

terça-feira, 27 de maio de 2025

Os Estados Unidos culpam a África do Sul pela manutenção nos BRICS e o ataque contra Israel no TPI

 A recente visita do Presidente da África do Sul à Casa Branca demonstrou mais uma vez as intenções que Donald Trump pretende ter na política global. As questões de cortesia podem ficar para segundo plano, já que, existem outros assuntos que merecem ser analisados.

A África do Sul pertence aos BRICS, que também são compostos pelo Brasil, Rússia, Índia e China. O regime brasileiro não é amigável de Washington e Nova Deli celebrou recentes acordos com os norte-americanos. No entanto, Moscovo e Pequim são os principais adversários da influência dos americanos no resto do Mundo.

É verdade que se pode apontar todos os dedos ao Presidente norte-americano por comportamentos excessivos, sobretudo pela tentativa de transformar encontros diplomáticos em espectáculos públicos, mas existe uma leitura política por detrás do incidente com Cyril Ramaphosa na Sala Oval.

A estratégia dos Estados Unidos para fragilizar a Rússia e a China passa por intimidar alguns aliados como Johannesburg. Os BRICS não são uma organização forte do ponto de vista político, económico e militar, mas pode gerar consensos tendo em vista a concorrência com o mundo ocidental. 

O outro aspecto importante foi a decisão das autoridades sul-africanas de intentarem uma acção judicial no Tribunal Penal Internacional para condenar a invasão de Israel a Gaza como um genocídio. Washington não deve ter gostado e aproveitou uma oportunidade enviar um aviso. Contudo, Donald Trump entendeu que desta vez não deveria ter abordado os dois assuntos de forma directa. 

quinta-feira, 8 de maio de 2025

O fim do conflito entre a Europa e a Rússia depende do posicionamento dos Estados Unidos

As celebrações do 9 de Maio deste ano vão ser diferentes devido ao clima de instabilidade que se vive no Ocidente. A invasão da Rússia contra a Ucrânia acabou com o clima de paz que existiu desde o fim da II Guerra Mundial. 

Cada bloco político vai efectuar os mesmos rituais e discursos de união, solidariedade e compromisso, mas o ambiente que existe é bastante distinto, sendo que, é possível que haja alguma necessidade de fazer ameaças contra o inimigo. A União Europeia e a Rússia vão continuar a trocar acusações que resultarão em mais bombardeamentos contra as cidades ucranianas, mas também em Belgorod e Kursk na Rússia. 

Os Estados Unidos também estariam incluídos no mesmo pacote que a União Europeia, mas a eleição de Donald Trump em Novembro do ano passado alterou tudo. Washington terminou uma parceria com os europeus, mas tem recuado relativamente a uma relação privilegiada com a Rússia. Contudo, isso não significa que volte a ter boas relações com Bruxelas. 

O posicionamento norte-americano vai ser importante para perceber o rumo do conflito entre a Europa e a Rússia, sendo que, será difícil ter uma posição neutra, apesar do "American First", sugerir um distanciamento relativamente ao que se passa à volta do Mundo. No entanto, parece quase certo que a Casa Branca não tem muitos interesses no Velho Continente e na Rússia. 

quarta-feira, 16 de abril de 2025

Donald Trump continua muito longe de estar no lado certo da história relativamente à guerra na Ucrânia

 Desde que iniciou o segundo mandato como Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não mudou de posição relativamente ao conflito entre a Ucrânia e a Rússia. Apesar de querer uma solução pacífica para resolver a guerra que dura há três anos, as opções tomadas favorecem a vontade de Moscovo de manter o controlo sobre o leste do país vizinho.

O líder norte-americano continua a culpabilizar Volodymyr Zelensky pelo que aconteceu e nunca teve a intenção de apontar o dedo ao verdadeiro responsável pela invasão. A Rússia é que atacou a integriadade territorial da Ucrânia. No entanto, pode haver uma vontade do líder ucraniano de não querer alcançar a paz nas actuais condições.

O problema é que a Casa Branca vai colocar sempre pressão na parte mais fraca, que neste caso é Kiev, para que se chegue a um entendimento. Ou seja, a estratégia nunca será de condicionar ou ameaçar Putin caso não se sente à mesa das negociações, sendo que, haverá uma vontade de oferecer muita coisa e de reforçar os laços de amizade com Moscovo.

Nunca se pode dizer que Donald Trump recebe ordens directas de Putin, mas acabou com o isolamento internacional da Rússia que se verificou desde o início da invasão da Ucrânia, que incluiu rejeições por parte de alguns aliados tradicionais, como a China e o Brasil.  

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Um entendimento entre os Estados Unidos e a Rússia vai diminuir as tensões internacionais

 Um possível entendimento entre os Estados Unidos e a Rússia é a única forma de diminuir o clima de tensão na política internacional. Contudo, o principal adversário dos norte-americanos na actualidade e no futuro seja a China. 

O único conflito que pode terminar com um acordo entre Washington e Moscovo é na Ucrânia, mas as restantes guerras podem sofrer evoluções favoráveis. A rivalidade que se manteve desde a Guerra Fria, está mais quente do que nunca e não se vislumbra qualquer arrefecimento. 

 A última aparição pública de Vladimir Putin é um sinal que dificilmente se vai conseguir iniciar um caminho para a paz, embora sejam visíveis alguns recuos que impedem o escalar do conflito porque Moscovo dificilmente conquista mais territórios aos vizinhos ucranianos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

A nova ofensiva marca o início de mais um ano de guerra

A Rússia decidiu celebrar o primeiro ano do aniversário da guerra com uma invasão que envolve perto de meio milhão de soldados, embora esteja restringida ao leste da Ucrânia porque Kiev deixou de ser um objectivo.

A conquista de quase vinte por cento do território pode ser encarado como um dado que favorece as pretensões de Moscovo, apesar do que sucedeu com Kherson. A incapacidade de chegar a Odessa por terra ou mar foi o outro ponto negativo.

O maior desejo de Putin foi conseguido porque o mundo ficou a conhecer o poderio militar dos russos, o que vai obrigar a mudanças geopolíticas com significado, mesmo com o isolamento internacional demonstrado pelas principais potências, como a China e a Índia.

As primeiras alterações serão as relações com a NATO. Dificilmente haverá espaço para a actual tensão entre os dois blocos. A Rússia não pretende fazer fronteira com a organização e o Ocidente quer viver sem a ameaça nuclear. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

Sem paz à vista no conflito ucraniano

Os primeiros dias do ano pareciam indicar que as negociações entre Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin iriam começar em breve. Contudo, rapidamente se percebeu que a guerra na Ucrânia vai cumprir um ano de aniversário sem ter havido uma reunião ao mais alto nível.

As esperanças de que pudessem ter início os encontros rumo a uma solução definitiva começaram com o pedido de cessar-fogo do líder russo que nunca se cumpriu por causa dos bombardeamentos diários contra as cidades ucranianas, nomeadamente em Kiev.

O que se passa entre os dois líderes é muito semelhante à relação entre Israel e Palestina. Ou seja, nenhumas das partes vai ceder nas exigências que tem relativamente ao outro porque há um equilíbrio no terreno. 

A Rússia perdeu a superioridade no campo de batalha depois da reconquista de Kherson pelas forças ucranianas em Setembro. No entanto, continua com uma força superior com capacidade para manter o conflito durante mais tempo. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

A Terceira Guerra Mundial começou em Fevereiro

 A dúvida sobre a origem de um míssil que caiu no território polaco gerou um alerta sobre a possibilidade de poder originar o começo da terceira guerra mundial. Contudo, tudo não passou de um acidente que terá de ser investigado com mais profundidade.

O conflito mundial teve início com a invasão russa da Ucrânia em Fevereiro, apesar do conflito militar dificilmente estender-se além do leste do país. Neste período que nem sequer chegou a 365 dias já se percebeu o carácter global por causa das implicações que vai ter, sobretudo no Ocidente. 

O principal alvo de Moscovo é o governo de Zelensky, só que, também existe um sentimento contra a NATO, a União Europeia, mas sobretudo a liderança norte-americana no mundo. Os conflitos de outra ordem têm tido impacto nos bastidores da política internacional, como aconteceu depois da explosão no gasoduto. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

A anexação de quatro territórios ucranianos ditou o fim da solução diplomática

 Os últimos acontecimentos relacionados com a guerra na Ucrânia confirmam que dificilmente haverá um entendimento entre Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin. A anexação de quatro territórios ucranianos por Moscovo pode ter ditado o fim da solução diplomática, apesar dos esforços da França e da Turquia para haver paz. 

A Rússia vai continuar isolada em termos internacionais, como se percebeu na última Assembleia-Geral das Nações Unidas. Contudo, Putin também nunca irá recuar nas intenções de vencer o conflito, sobretudo numa altura em que o Ocidente está cada vez mais envolvido. 

No início ninguém entendeu as razões do ataque russo ao vizinho, só que, sete meses depois percebeu-se que se trata de uma tentativa de afirmação no plano internacional, tendo os Estados Unidos como o principal alvo. No entanto, existem conflitos com Kiev que merecem ser analisados. 

terça-feira, 21 de junho de 2022

A Ucrânia precisa de alcançar a paz antes de aderir à União Europeia

O pedido de adesão da Ucrânia à União Europeia tem vários riscos que não podem deixar de ser considerados pelos responsáveis europeias. O principal está relacionado com a duração da guerra. 

As autoridades europeias, nomeadamente a Alemanha, colocaram um travão na euforia dos ucranianos e de alguns líderes ocidentais, porque dificilmente a Ucrânia tem condições para se juntar ao clube europeu na próxima década. A medida sensata e pensada tem como objectivo não criar riscos desnecessários para os dois lados. 

A adesão de Kiev iria aumentar a revolta russa contra o governo liderado por Zelensky, mas também mais ameaças para a União Europeia. Neste momento, o que se pretende é diminuir a tensão com Moscovo para alcançar a paz, sendo que, não haveria forma das entidades europeias protegerem um membro que está a ser invadido. Não existe qualquer vantagem para Bruxelas e a Ucrânia de se dar um passo nesse sentido. 

Existem outras razões, como a falta de desrespeito pelos países dos Balcãs, que estão em negociações há vários anos, para adiar a decisão, embora seja necessário manter a ajuda, sobretudo quando for necessário reconstruir o país. 

Os responsáveis europeus pretendem dar um sinal político de que vão continuar ao lado da causa ucraniana em qualquer circunstância. Contudo, existem requisitos e princípios que devem ser mantidos, como é o caso da paz e segurança.  

segunda-feira, 28 de março de 2022

A terceira guerra mundial não ultrapassa o leste da Ucrânia

Os acontecimentos em torno da guerra na Ucrânia mostram que o mundo irá enfrentar uma terceira guerra mundial. Contudo, em moldes muito diferentes daqueles que originaram os conflitos durante o século passado. O confronto militar dificilmente passará de Kiev devido à resistência dos ucranianos, mas porque a Rússia também não tem interesse em controlar o resto do país.

A intervenção de outros actores internacionais será feita através das pressões diplomáticas, sanções económicas e mesmo por ataques cibernéticos que não causam vítimas. O problema é que todas as acções terão consequências na ordem internacional que continua a vigorar, sendo que, a Europa será prejudicada por tudo aquilo que vier a ser decidido. 

A Rússia não decidiu apenas atacar a Ucrânia porque o principal objectivo é causar desordem no Ocidente, nomeadamente em mudar o mapa da Europa, além de provocar o ambiente político. Contudo, também está nos planos de Moscovo manter uma guerra fria com os Estados Unidos. As eleições francesas são o primeiro teste à capacidade de resistência da democracia europeia, mas a vontade de Joe Biden em acabar com o regime liderado por Putin é um sinal de que as ambições estão a ser alcançadas. 

Nos próximos meses haverá a intromissão de mais partes que estão interessadas em dar um rumo ao conflito, como a Turquia e a China. Ancara e Pequim já mostraram de que forma irão intervir, apesar dos sinais de neutralidade que Recep Tayyip Erdogan e Xi Jinping demonstraram. 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

A França e a Alemanha voltaram a impedir o avanço da ameaça russa

O recuo das tropas russas é um sinal que a diplomacia voltou a funcionar. No entanto, a ameaça de uma invasão aos países vizinhos que optaram por um posicionamento mais perto da União Europeia irá continuar até à manutenção de Vladimir Putin no poder. 

Os protagonistas de mais um êxito em termos internacionais pertence à França e Alemanha, que sempre adoptaram uma atitude inteligente face à ameaça russa. Nunca deixaram de dialogar com Moscovo, mas também foram sempre firmes caso houvesse a violação do direito internacional. A coerência dos líderes políticos acabar por fortalecer as relações entre todos os países europeus. 

A União Europeia também tem de integrar os cidadãos de alguns países do Leste que se sentem mais próximos à Federação Russa. O erro que originou a divisão da Ucrânia não pode voltar a ser cometido noutros sítios, como a Bielorrússia, a Polónia e os países do Báltico. 

O que mais preocupa são as posições dúbias dos Estados Unidos, já que, ao mesmo tempo, garantem uma resposta forte, mas no plano interno já não querem participar em mais nenhum conflito militar. A Casa Branca tem revelado muitas fraquezas para tomar decisões na política internacional devido à vontade de alguns sectores dos partidos pretenderem que não haja mais ajudas a outros países, mesmo que esteja em causa o aumento da influência de um adversário. 

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