terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Jogo político à volta da Caixa

A polémica da Caixa Geral de Depósitos não têm fim à vista porque há sempre uma novidade que prolonga a discussão e as tricas partidárias. 

A esquerda tem medo de ouvir a verdade porque qualquer coisa será motivo para haver mal estar entre os partidos, sobretudo o PS que meteu água por todos os lados neste processo. Vai ser difícil mandar embora Mário Centeno, mesmo que os partidos da oposição continuem a criar instabilidade.

A questão central é saber até quando o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português vão continuar a engolir o Ministro das Finanças. O BE prometeu vigilância apertada em assuntos importantes e agora está a tapar o sol com a peneira. Os comunistas mantém sempre uma posição incerta para gerar desconfiança. 

A demissão de Matos Correia da Comissão Parlamentar de Inquérito foi uma boa jogada do PSD porque atira as culpas para o PS. Os socialistas estão numa camisa de forças sem saber o que fazer e a quem dar ouvidos. 

Por um lado, não podem aceitar as críticas da oposição, mas por outro, necessitam de ter cuidado com as reacções para não criar inimizades nos actuais companheiros parlamentares. 

O mais engraçado nesta história é a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa servir para criar mais caos político. O Presidente da República deveria apelar ao entendimento entre os partidos em nome do interesse nacional, mas actua como uma força partidária, embora constituída apenas pela sua pessoa.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Ano 2008: As redes sociais roubaram a influência dos blogues

Em dez anos tudo mudou na blogosfera. 

No início da década, os blogues surgiram como o grande espaço do comentário político, tendo sido ocupado por grandes intelectuais do nosso país. A democracia também se fazia na internet, sendo que, algumas caras do jornalismo e política começaram a ser lidas e conhecidas na blogosfera. 

O aparecimento das redes sociais deram cabo dos blogues porque a mensagem chegava a mais pessoas via facebook que através de sites. A partir do momento em que procurar informação passou a ser uma tarefa que dava muito trabalho, deixou de fazer sentido opinar num site.

No início pensava-se que os blogues iriam trazer discussão pública útil que poderiam ser aproveitados para criar movimentos de intervenção política. Isso acabou por não acontecer por causa das ferramentas fáceis de utilizar. Na altura também se organizarm concursos e nas eleições 2009, alguns candidatos reuniram-se com bloguistas para debater as questões nacionais.

O outro problema que não se verificou teve a ver com a influência. Nenhum blogue conseguiu ocupar o papel que está destinado aos jornais. Ou seja, denunciar algo que prejudicasse alguém. 

Os blogues serviram essencilamente para cada um ter opinião sobre qualquer assunto. É verdade que alguns blogues, como os de moda, ainda sobrevivem porque é uma forma das marcas venderem os produtos. 

O tempo não volta para trás, mas parece que o aumento da necessidade de opinar pode fazer ressuscitar alguns espaços de referência.

A vingança ainda se serve fria

Na política portuguesa o ditado "a vingança é um prato que se serve frio" aplica-se na perfeição. 

Os livros escritos por antigos presidentes ou primeiros-ministros, ou mesmo governantes, raramente são sobre os mandatos. O principal conteúdo é explicar como se relacionam com outros intervenientes políticos.

O novo livro de Cavaco Silva relata as experiências com José Sócrates e também António Costa. No segundo volume o país vai saber como o ex-Presidente da República se relacionava com Pedro Passos Coelho. Sem saber como eram os bastidores no período mais complicado da crise, é fácil constatar que, nem Sócrates e Costa, caíram no goto de Cavaco Silva, mas também não era preciso lançar nenhum livro para se ter percebido.

A grande diferença de Cavaco e Marcelo é que o primeiro respeitou sempre a separação de poderes, mesmo na difícil decisão de dar posse a António Costa. 

O que se passa com o actual Chefe do Estado é precisamente o contrário. Marcelo está apenas preocupado com o umbigo. Vai ser divertido ou chocante ler as experiências do Presidente na altura de editar a vendetta.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Basuki Tjahaja Punama - O candidato apoiado pelos cristãos na região de Jacarta leva vantagem sobre dois adversários muçulmanos. Se Punama for eleito pode ser um factor de disuassão do terrorismo que ainda perdura naquelas bandas. 

No Meio

Marcelo Rebelo de Sousa - O presidente da República começa a interferir nas questões governativas, terminando a lua de mel com o primeiro-ministro. A paz foi quebrada porque Marcelo não evitou meter a foice em seara alheia. O maior problema não é ter tentado demitir Centeno, mas a forma pública como continua a querer ser o principal protagonista. Isso vai causar impopularidade.

Em Baixo 

Mário Centeno - O ministro das Finanças tem sido o principal protagonista na questão da entrega da declaração dos rendimentos dos antigos gestores da Caixa Geral de Depósitos. Centeno fez um acordo com o antigo presidente à revelia do primeiro-ministro, mas teve que dar a mão à palmatória e desfazer a promessa. Por muito que queira apresentar bons resultados económicos, o ministro fica com imagem de mentiroso. Mentiu ao país e aos deputados e também não cumpriu com António Domingues. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Ano 2008: A monarquia ainda se discute 100 anos depois da morte do Rei

A morte do Rei D.Carlos em 1908 ainda indigna os monárquicos portugueses.

A forma como os republicanos decidiram acabar com um regime nunca será perdoado por todos os descendentes das famílias monárquicas, nem pelos que aderiram ao movimento, mesmo não tendo sangue azul.

Num país com muitos séculos de monarquia é normal que o fervor perdure durante muito tempo. As discussões e a reivindicações nunca serão apagadas, apesar das gerações mais novas terem nascido na república e em democracia. 

É verdade que existem monarquias constitucionais, mas o modelo de poder absoluto é o que faz mais sentido, já que, garante ao monarca poder legislativo, executivo e judicial. Se as funções estão distribuídas a figura real não passa de meramente decorativa, tendo inexistência política. 

A república não é um sistema infalível, mas assegura que as pessoas possam escolher através do sufrágio universal. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Marcelo entra finalmente em cena

Na primeira dificuldade política para o governo, eis que entra em cena o Presidente da República. 

A história sobre a polémica em torno da Caixa Geral de Depósitos ainda tem muito para revelar, mas o nome de Marcelo Rebelo de Sousa também já está metido ao barulho por causa da eventual demissão de Mário Centeno.

A nuvem continua a ser grande para se perceber todos os pormenores, embora não haja grande dúvida sobre a interferência presidencial na manutenção ou futura demissão de Mário Centeno. Afinal a posição de árbitro durou apenas um ano depois das eleições e menos de 365 sobre a tomada de posse. 

É impressionante o número de notícias sobre o envolvimento do Presidente na escolha política de António Costa. A partir de agora começam a revelarem-se algumas dificuldades do primeiro-ministro em lidar com uma situação problemática. No momento em que Marcelo começa a tomar conta do jogo político ninguém perto de si vai conseguir sobreviver. 

Perante a confusão criada por Marcelo Rebelo de Sousa em torno da demissão de Centeno, não acredito que o ministro continue no cargo. O Chefe do Estado pretende mesmo estragar tudo....

Na minha opinião, António Costa também não tem capacidade para lidar com Belém, exceptuando nas alturas em que é preciso sorrir para a fotografia. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Bom senso britânico

Os britânicos habituaram o mundo a ter outro tipo de comportamentos. A eleição de Donald Trump provocou azia e revolta, mas o Reino Unido aproveitou para reforçar os laços com os Estados Unidos fragilizando a economia europeia, bem como a coesão política. 

Na recente visita aos Estados Unidos, Theresa May conseguiu manter a aliança sem se ajoelhar, o que acontece muitas vezes com os actuais líderes europeus sempre que procuram alianças políticas. 

No final do ano, o governo britânico convida Trump a visitar o Reino Unido. Ora, a proposta provocou uma reacção negativa em alguns sectores, mas também no Speaker do parlamento que recusou receber o líder norte-americano. As palavras de Bercow devem-no atirar para a porta de saída. 

O executivo liderado por May recusou o pedido da população para fechar as portas a Trump. O respeito pelos resultados democráticos e a manutenção de uma aliança estratégica que vai beneficiar as duas partes foram os argumentos utilizados pela primeira-ministra. O bom senso britânico imperou sobre a arrogância e histeria verificada nas actuais lideranças europeias, mas também no Reino Unido. Theresa May não se sujeitou ao populismo e oportunismo político que a eleição de Trump originou. Falar mal do empresário também dá votos...
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