quinta-feira, 28 de abril de 2016

A ameaça norte-coreana

Na campanha eleitoral norte-americana a ameaça norte-coreana tem sido colocada em segundo lugar porque o combate ao terrorismo do Estado Islâmico concentra todas as atenções. Nenhum dos candidatos, à excepção de John Kasich, fez qualquer referência ao que se passa naquela zona do globo, nem sequer mostra solidariedade com a Coreia do Sul. 

Os recentes lançamentos de misseis preocupa todos os líderes mundiais, menos o futuro Presidente dos Estados Unidos.O actual também não consegue esclarecer as dúvidas que nascem sempre que chegam notícias de Pyongyang. Talvez Kim Jong-Un seja o próximo alvo dos norte-americanos se o Chefe de Estado for republicano porque Donald Trump parece seguir as políticas externas de George W.Bush. Nunca se ouviu em falar de reconstruir o exército desde 2008. 

O grande problema relativamente à ameaça norte-coreana tem a ver com os objectivos. Ninguém sabe se o alvo é a Coreia do Sul ou os Estados Unidos, mas será um destes. Mesmo que o líder da Coreia do Norte tenha bastante menos idade do que qualquer Presidente ou primeiro-ministro "normal", não se pode ignorar os movimentos. Nem vale a pena pensar numa invasão ou fim do regime porque é difícil entrar num país dominado por militares. 

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Imparáveis

O percurso de Hillary Clinton e Donald Trump nas primárias norte-americanas tem sido fantástico. Os dois acabaram com as hipóteses dos adversários bem cedo. Ainda faltam dois meses para a última primária e a eleição parece não fugir. No entanto, os três candidatos que se revelaram fracos prometem ir às convenções por diferentes razões. Sanders quer deixar uma marca no partido, enquanto Cruz e Kasich querem aproveitar a "brokered convention" para alcançar a nomeação e a vice-presidência dos Estados Unidos. 

Na minha opinião as reuniões magnas em Julho serão interessantes, mas não modificam a vontade popular. Ou seja, os delegados republicanos e os super-delegados democratas não vão mudar de posição porque não existe alternativa. Nas eleições de ontem, Cruz ficou sempre atrás de Kasich e só conquistou um delegado, além de não ter o apoio do establishment, o que não é a mesma coisa de aproveitar a campanha anti-Trump. Contudo, à medida que o empresário ganhar haverá espaço para negociações, como acontece em política, já que, os republicanos não vão correr o risco de ficar sem a Casa Branca mais quatro anos porque não apoiaram o candidato. 

As vitórias dos front-runners confirma que são os melhores para disputarem em Novembro a eleição geral. Perante este cenário, a eleição de Hillary Clinton não está garantida porque Trump começa a ganhar legitimidade dentro e fora do Partido Republicano. 

terça-feira, 26 de abril de 2016

Pacto de agressão contra Trump

O recente acordo entre Ted Cruz e John Kasich não visa melhorar a prestação dos candidatos, mas tentar derrubar Donald Trump. Se as negociações tivessem uma intenção positiva um deles desistia em favor do outro, o que não vai acontecer. Nesses termos, Kasich estaria na linha da frente para sair da corrida, o que seria lógico tendo em conta o fraco desempenho do governador do Ohio. O acordo tem um alcance a longo prazo, nomeadamente na Convenção republicana onde Kasich deverá pedir a vice-presidência dos Estados Unidos em troca do voto dos delegados em Ted Cruz. Neste momento, o objectivo dos dois passa por evitar a nomeação de Trump antes da reunião magna.

O aperto de mão tem alguns contornos semelhantes ao pacto celebrado entre PS, BE e PCP em Dezembro do ano passado. Isto é, não tem qualquer efeito positivo para os autores, mas visa destruir os adversários. No entanto, isto também é legítimo em política. O problema é a mensagem que Cruz e Kasich querem passar sem terem conquistado os votos necessários para fazer face a Trump. Em três meses nenhum conseguiu ameaçar a primeira posição, sendo que, Kasich venceu menos Estados do que Marco Rubio, que já desistiu. A força do acordo nem sequer tem o apoio do establishment, o que demonstra a falta de objectividade do mesmo. Ninguém na máquina gosta de Trump, mas Cruz também não é aceite, sobretudo por Mitch Mcconnell. A grande desilusão da campanha tem sido o senador do Texas, que não consegue aproveitar a onda anti-Trump. Com a campanha que se tem feito contra o empresário, qualquer adversário estaria em vantagem. 

Uma vitória de Cruz na Convenção através destas circunstâncias garantia o triunfo de Hillary Clinton na eleição geral. 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

A velha América conservadora

A direita conservadora atravessa uma crise de valores e definição do espaço ideológico. O aparecimento de novas correntes taparam o caminho aos que são contra tudo e todos só porque sim. Na esquerda verificamos que existem posições ditas radicais. Na direita também existem certos radicais que são contra o aborto, eutanásia e casamento entre pessoas do mesmo sexo, além de quererem instituir uma religião oficial em cada pessoa. 

Nos últimos anos a direita tem sido sistematicamente derrotada após oito anos de George W.Bush na Casa Branca. O antigo presidente não era conservador, mas defendeu a supremacia dos EUA no mundo. No entanto, em termos de política interna não estávamos perante alguém que quisesse instalar a disciplina e ordem. 

Na recente campanha eleitoral verificamos que existe uma enorme vontade dos republicanos regressarem ao velho conservadorismo. Contudo, o aparecimento de Donald Trump estragou os planos ao establishment. A máquina partidária lançou três candidatos para conseguir a nomeação contra os críticos do sistema e o Tea-Party representado por Ted Cruz. Ora, Marco Rubio e Jeb Bush desistiram, enquanto John Kasich só venceu um Estado. Neste momento, os verdadeiros conservadores só têm um candidato. Nas palavras de Rubio havia espaço para "aceitar" todos os que violaram os velhos princípios conservadores. Com Ted Cruz isso não é possível. 

As razões do sucesso de Trump não estão apenas no discurso anti-sistema. Na noite em que desistiu da corrida presidencial, Marco Rubio deixou várias críticas à forma como o Partido Republicano se tem posicionado. Isso revela que as pessoas também já não aceitam a doutrina conservadora. Por alguma razão, Cruz não tem tido bons resultados, mesmo após a saída do senador da Florida da campanha. Nem os evangélicos confiam nas propostas do Tea-Party. 

A velha América regida pelos valores da família, do cristianismo que a tornaram conservadora já não existe, sobretudo nos grandes centros urbanos. 

domingo, 24 de abril de 2016

Olhar a Semana - Presidentes-espectáculos

A nível mediático Marcelo Rebelo de Sousa e Barack Obama são muito próximos. Os dois Chefes de Estado aproveitam a imagem para chegar junto da população, criando empatia com as pessoas. O líder português e norte-americano entendem que ser Presidente é mais do que tomar opções políticas, além de acreditarem que o exercício do poder público deve ser explicado aos cidadãos comuns. 

Neste primeiro mês de mandato, o Presidente da República tem utilizado os meios de comunicação social para transmitir mensagens políticas, mas também para conquistar as pessoas. No entanto, considero que Marcelo se tem excedido porque aparece praticamente todos os dias. Não sei se isso também faz parte da "presidência dos afectos" anunciada durante a campanha eleitoral.

Barack Obama tem outro problema.

O líder norte-americano tem tendência para se imiscuir nos assuntos internos dos outros países. O tema merece ser tratado num único post, mas também é uma forma do Chefe de Estado promover uma imagem, embora com cariz mais político do que mediático. Obama quer ser recordado como um grande líder dentro e for dos Estados Unidos, pelo que, a interferência nos assuntos que não dizem respeito aos Estados Unidos é uma forma de conquistar popularidade. As recentes visitas ao Reino Unido e a Cuba provam a faceta de Presidente-espectáculo. 

sábado, 23 de abril de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Donald Trump/Hillary Clinton - A vitória nas primárias de Nova Iorque coloca os dois candidatos como os principais favoritos à nomeação. Trump e Clinton estão perto de atingir o número de delegados, sendo que, a antiga primeira-dama pode mesmo entrar em Maio como candidata democrata. Trump terá mais dificuldade por causa das movimentações no Partido Republicano e não devido à qualidade de Ted Cruz. Na terça-feira haverá mais momentum para o empresário e a ex-secretária de Estado. 


No Meio

Mário Centeno - O ministro das Finanças continua a ser uma incógnita. Em termos de discurso é uma nulidade e politicamente também não é competente. O caso BANIF prova que Centeno não tem qualidade para ocupar o cargo. As contradições e a falta de clareza nas respostas, por exemplo ao tentar arranjar piadas fáceis, não o beneficiam. Será o próximo governante do actual governo a bater com a porta.

Em Baixo

Dilma Rousseff -  A actual Presidente do Brasil será alvo de um processo de impeachment se o Senado aprovar por maioria simples a deliberação do Congresso. Na câmara mais importante, os deputados não tiveram qualquer duvida em colocar a Chefe de Estado perante uma situação delicada em termos políticos. Um ano e meio depois de ter sido reeleita, Dilma está entre a espada e a parede por ter protegido Lula da Silva. O problema de Dilma foi tentar proteger o amigo. 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Caminho aberto para o Federalismo

A União Europeia caminha para um Federalismo disfarçado por causa da importância dos parlamentos nacionais. O objectivo passa por aumentar a influência das instituições europeias na vida dos cidadãos. As recentes questões levantadas após a crise financeira, o surgimento de refugiados e o problema do terrorismo mostraram a necessidade de criar regras comuns nos 28 Estados-Membros. Os episódios referidos não deixam outra alternativa ao espaço europeu de estabelecer medidas para atingir todas as sociedades e culturas.

O modelo encontrado terá de ser distinto do norte-americano ou brasileiro, embora a forma como a União se organiza institucionalmente mostra como queremos estar perto dos Estados Unidos. O Federalismo também não vai ser um argumento da esquerda ou direita, mas daqueles que pretendem mais proteccionismo. Os partidos de protesto poderão estar contra por razões ideológicas, além das forças ditas nacionalistas. O grande confronto que se vai verificar na Europa é entre os partidos tradicionais que querem a presença de Bruxelas e os que são favoráveis à constituição. Os próximos tempos reforçam o papel do Parlamento Europeu e aumentam a influência da Comissão Europeia. 

Neste momento, os países europeus estão frágeis porque não sabem se devem dar mais poder a Bruxelas para decidir ou adoptar uma atitude mais nacionalista. A discussão sobre o Federalismo vai ser a grande prioridade da nova geração de líderes políticos que se começam a aparecer no início da próxima década. 
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