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terça-feira, 19 de junho de 2018

Macron representa o futuro líder da Europa

A situação política interna de Angel Merkel permite a Emmanuel Macron estar mais atento às questões europeias. A atitude do presidente francês na recente crise dos refugiados que foram bater à porta de Itália confirma a vontade de trazer um novo espírito para o projecto europeu.

A tarefa de Marcon não será fácil, tendo em conta as recentes alterações no panorama europeu, sobretudo relativamente aos imigrantes pelos governos austríacos e italianos. A França tinha uma justificação para seguir o mesmo caminho, já que, tem um problema de terrorismo que está associado à imigração de várias décadas. 

Neste momento, ainda existe um poder da Alemanha sobre os restantes países, mesmo com Merkel no último mandato. O tempo de Macron está perto, devido à forma como coloca os assuntos europeus na agenda. A luta contra o populismo é apenas a primeira batalha de uma longa agenda sobre a defesa dos valores europeus. 

Macron tem razão sempre que alerta para os perigos dos movimentos nacionalistas, como se nota pelas mudanças de políticas na Áustria e Itália. 

A agenda europeia nos próximos anos pode ser interessante se o líder francês tomar conta do palco, sozinho ou em conjunto com um novo representante alemão, embora seja previsível que hajam mudanças profundas na Alemanha. 

Os primeiros sinais depois da eleição presidencial desmentem qualquer força de Macron para ser o líder da Europa porque falhou na criação de um ministro europeu das finanças para a Zona Euro. Contudo, as últimas aparições mostram a vitalidade do discurso e das propostas, bem como uma vontade em unir todos os Estados-Membros.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Áustria e Itália apertam o cerco às políticas migratórias europeias

As novas políticas migratórias na Áustria e em Itália podem condicionar a acção governativa de Angela Merkel. O recente pedido do Ministro da CSU para incluir restrições na fronteira à chanceler alemã resulta das posições dos novos primeiro-ministros austríacos e italianos.

A luta contra a imigração no centro da Europa já começou, embora os primeiros visados sejam os migrantes ilegais. Contudo, a recente atitude do executivo italiano face a um barco com perto de mil imigrantes confirma que as mudanças serão mais severas. 

Na Alemanha as posições nesta matéria tem apoio popular devido ao resultado do AfD nas últimas eleições. O problema é que Merkel tem de se preocupar em primeiro lugar com a manutenção do governo, sem contrariar os valores e princípios da União Europeia. Numa altura em que Emmanuel Macron se empenha contra o crescente populismo na Europa, a líder alemã necessita de se afastar desse desígnio para estabilizar o executivo.

Na minha opinião, Merkel é bastante corajosa para ir contra as ameaças políticas no plano interno. Os três mandatos anteriores mostraram uma postura firme na resolução dos problemas mais complicados, nomeadamente nas bancarrotas que atingiram a Grécia, Portugal e a Irlanda. Tendo em conta que se encontra provavelmente no último mandato, também não acredito que se deixe atemorizar. 

Apesar da mão pesada, a chanceler está num beco sem saída por causa dos vizinhos. As políticas de integração europeia são importantes, mas o movimento eurocéptico que se está a construir no centro da Europa reduz o raio da acção. A Alemanha caminha praticamente sozinha numa tentativa de manter o actual rumo europeu, contando apenas com o apoio da França, dos países nórdicos e de alguns sulistas como Portugal e Espanha, que se mostraram sempre abertos às políticas migratórias.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Trump ganha mais uma batalha contra a ameaça nuclear

O encontro histórico entre os velhos inimigos, Donald Trump e Kim-Jong Un favoreceu inteiramente as pretensões norte-americanas. Os coreanos cedem na questão nuclear e os Estados Unidos continuam com uma presença militar bastante significativa na península para proteger os interesses de Seul.

O presidente norte-americano ganhou mais uma batalha no combate ao enriquecimento nuclear dos principais inimigos. Tendo em conta que os Estados Unidos saíram do acordo com o Irão, é possível afirmar que a ameaça nuclear diminuiu significativamente. 

As últimas decisões tomadas devem ser entendidas como uma pressão por parte de Trump para reduzir o risco de ameaça nuclear contra os Estados Unidos, mas também no planeta. Não há dúvidas que existe uma luta para impedir que os regimes totalitários e dirigidos por líderes pouco confiáveis tenham capacidade militar ao nível dos Estados Unidos.

As intenções de Trump são transparentes, mesmo estando apenas a defender os interesses norte-americanos. A atitude em relação à Coreia do Norte e ao Irão foi bastante diferente, mas não havia possibilidade de continuar a hostilizar Pyongyang devido à ameaça ser muito maior que a de Teerão.

O grande desafio da cimeira de Singapura passa por manter a paz entre os dois líderes. Não existe qualquer fricção entre as populações, mas apenas no plano presidencial. A troca de insultos do ano passado confirma que havia a necessidade de um mostrar que tinha mais poder que o outro. 

Os dois presidentes ultrapassaram as birras e rubricaram um acordo em que os Estados Unidos ficam a ganhar.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

O pedido norte-americano de incluir a Rússia no G-7

A tentativa de Donald Trump incluir a Rússia nas reuniões do G-7 é uma medida positiva. Um dos principais erros da administração Obama foi hostilizar Moscovo sem razão aparente e porque seria conveniente aos Estados Unidos terem um inimigo. 

Os problemas globais não podem ser resolvidos sem a presença das grandes potências. A Rússia enquadra-se nesse perfil de países que precisam de estar na mesa juntamente com as outras autoridades. 

O erro cometido por Obama possibilitou aos russos construírem um caminho próprio, alcançando alianças estratégicas que prejudicaram os interesses norte-americanos. A súbita presença no Médio-Oriente é uma consequências das tentativas de isolamento internacional. O crescimento naquela zona retirou espaço de manobra aos norte-americanos, no plano militar e político, que ficaram restringidos ao Iraque e Kuwait. A Rússia ganhou bastante com a manutenção de Bashar al-Assad no poder na Síria. 

A política de inclusão norte-americana deve ser encarada com optimismo, nomeadamente pelos parceiros europeus, que receam o aumento de influência de Moscovo devido à ameaça militar sobre o território da União Europeia. 

A aproximação dos Estados Unidos à Rússia desde a entrada de Trump na Casa Branca tem sido feita de forma inteligente. As movimentações das duas partes, mas sobretudo de Washington necessitam de serem cautelosas por duas razões. Em primeiro lugar, não enfurecer a população americana que continua a olhar para os russos como o principal inimigo. Em segundo, impedir que os aliados europeus cortem definitivamente os laços com os Estados Unidos.

sábado, 9 de junho de 2018

Figuras da semana

Por Cima

Donald Trump - O presidente norte-americano tomou duas atitudes positivas. Em primeiro lugar, reestabeleceu as negociações para a realização da cimeira com a Coreia do Norte, que terá mesmo lugar no dia 12. A segunda medida é a tentativa de inclusão da Rússia no G-7. É fundamental que os russos voltem à mesa das negociações com as restantes potências mundiais.



No Meio

Irão - Os responsáveis iranianos sentiram o abandono norte-americano do acordo. Teerão sente-se ameaçado com novas possibilidades de mais alguém sair, tendo entrado numa escalada de incerteza relativamente ao rumo que deve tomar o programa de enriquecimento. A França é o próximo país que ameaça bater com a porta.


Em Baixo

Theresa May - O cerco por parte dos eurocépticos aperta-se cada vez mais à primeira-ministra britânica. As indefinições relativamente ao Brexit, nomeadamente na presença do Reino Unido no mercado comum, são o principal motivo para a contestação. Falta menos de um ano para o divórcio oficial e ainda há muito trabalho para fazer.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

O risco da União Europeia cometer o mesmo erro de 2004

O próximo alargamento da União Europeia vai atingir os Balcãs. Os seis países da região preparam a adesão ao clube europeu na próxima década. Os primeiros são a Sérvia e Montenegro em 2025, estando previsto que depois sejam a Albânia e a Macedónia. A Bósnia e o Kosovo ficam em último lugar na linha de adesão.

A intenção dos responsáveis europeus passa por criar condições para todos aderirem dentro de pouco tempo. A vontade está reflectida num programa que impede qualquer país dos Balcãs de rejeitar a entrada de um vizinho. Ou seja, a Sérvia jamais pode impossibilitar que o Kosovo seja membro da União Europeia. 

Apesar das datas de adesão não serem coincidentes, continua em cima da mesa a possibilidade de todos entrarem ao mesmo tempo, repetindo o que aconteceu em 2004 com a vaga de leste. No entanto, nessa altura a situação política, económica e social no espaço europeu permitia o risco assumido. Neste momento, a última das preocupações europeias tem de ser o alargamento, nomeadamente em massa, para dar mais um sinal de unidade para o exterior. 

A calendarização pode ser alterada, mas existe alguma cautela por parte dos candidatos. Os dirigentes sérvios e de outras nacionalidades não pretendem acelerar o processo, optando por amadurecer a integração. 

A repetição do erro cometido em 2004 seria mais um factor de desestabilização numa altura em que a União Europeia precisa de consolidar as respostas aos problemas que surgem diariamente. Não é aceitável que se acelere o processo de adesão de alguns países com condições precárias e numa situação dúbia de aceitação, como é o Kosovo. A independência do país não foi reconhecida por muitos países da União Europeia.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Os maus ventos políticos de Espanha

A queda de Mariano Rajoy como líder do governo espanhol estava anunciada desde Outubro. A forma como geriu a crise na Catalunha foi a última gota num mar de problemas que colocavam em causa a autoridade política. 

As vitórias nas duas últimas legislativas possibilitaram a legitimidade de chefiar o executivo, embora sem grande apoio parlamentar. O Ciudadanos nunca confiou no líder do Partido Popular, além de se mostrar independente de acordos ou negociações contrárias aos valores que defendem. 

A interpretação demasiada restritiva da lei para impedir o golpe separatista na Catalunha acaba por ditar a morte política do governo popular em Espanha. As eleições regionais provaram que a população se sentia magoada com o primeiro-ministro, mesmo não sendo apoiantes dos partidos nacionalistas. 

A problemática catalã continua na agenda, embora com novos rostos devido ao exílio de Puigdemont e à demissão de Mariano Rajoy. 

Não acredito que o novo chefe do governo, Pedro Sánchez, tenha capacidade para aguentar o barco, sendo previsível que se realizem eleições no início do próximo ano, onde o Ciudadanos pode conquistar a primeira vitória eleitoral em todo o país. Contudo, ao contrário do que sucede na Catalunha, terão condições para governar. O líder do PSOE também não apresenta uma visão clara sobre o que pretende para a região catalã.

Devido à actual agitação, o primeiro encontro político entre Madrid e Barcelona só deverá acontecer em 2019 numa altura em que as tempestades estejam terminadas.
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