terça-feira, 14 de maio de 2019

O problema político entre os Estados Unidos e a China

O conflito comercial entre os Estados Unidos e a China supera a razão dos números. O que está em causa é um grande problema político entre os dois gigantes, embora nenhum líder tenha a coragem para o admitir, sobretudo numa altura em que as relações aparentam estar normalizadas. 

Um dos principais méritos do actual Presidente norte-americano foi a reconquista da confiança de Pequim, nomeadamente após a campanha eleitoral de 2016. Trump elegeu o crescimento económico chinês como a principal ameaça ao desenvolvimento do interior dos Estados Unidos. Curiosamente foi no Midwest que a campanha decidiu-se a favor do candidato republicano.

As negociações entre as duas potências podem ser retomadas, mesmo com ameaças dos dois lados, mas a fractura política será inevitável. O líder norte-americano será responsável por destruir o que tentou construir, sendo que, coube à administração Obama a maior parte da reconstrução do diálogo com a China.

Os constantes ataques norte-americanos contra os principais inimigos não são uma novidade, embora o tom tivesse aumentado desde o início da actual presidência. Por causa disso podem ficar ressentimentos pessoais que terão reflexo nas relações institucionais. Trump não pensa um segundo que as feridas decorrentes da linguagem e da mudança brusca de atitude terão de ser saradas por outro Chefe de Estado. 

A ignorância ou a falta de aceitação que os Estados Unidos foram ultrapassados pelas outras potências tem sido um dos principais problemas de Trump.

terça-feira, 7 de maio de 2019

António Costa tem de sair caso não alcançe a maioria absoluta

A jogada política de António Costa tem tudo para correr bem, embora seja algo arriscada. Contudo, um eventual fracasso precisa de ter consequências para o líder socialista e Primeiro-Ministro.

A maioria absoluta só pode ser alcançada através do discurso da vitimização, já que, nos últimos meses a governação sofreu um desgaste, nomeadamente com a divulgação de várias nomeações relacionadas com os graus de parentesco de membros do executivo. 

O triunfo mínimo nas europeias também coloca em causa a capacidade de Costa, mas reforça a convicção de Rui Rio que é possível vencer as legislativas. 

A margem de manobra do governo seria bastante diminuta nos próximos meses em que todos vão estar em campanha eleitoral, particularmente os partidos que fizeram parte da geringonça.

A necessidade do líder socialista arranjar um discurso semelhante ao de Sócrates em 2011 após o chumbo do PEC IV na Assembleia da República, é a única maneira de chamar os eleitores que costumam navegar no centro. 

O PS dificilmente consegue governar mais uma legislatura em minoria, pelo que, vai precisar de mais aliados. O PCP não entra em novas aventuras e a força do BE pode ser insuficiente para chegar à maioria absoluta. O CDS não faz parte das contas, enquanto o PSD precisa de fazer um referendo interno com o objectivo de saber em que medida contribui para a estabilidade nacional. 

Neste enredo político, o papel do Presidente da República vai ganhar relevância, mas António Costa não pode ser visto como alguém que falhou pela segunda vez em termos estratégicos. Os socialistas dificilmente aceitam que haja mais falhanços devido a questões pessoais. Um governo de minoria nunca chegaria ao fim.

terça-feira, 23 de abril de 2019

O próximo Presidente da Comissão Europeia não pode ser mandado pela França e Alemanha

A próxima Comissão Europeia terá mais problemas no Parlamento Europeu por causa do crescimento de vários partidos que não costumam fazer das famílias políticas europeias. 

O trabalho do governo da Europa será mais escrutinado e colocado em causa do que nunca devido à pressão que será sentida no plano político. A margem de erro vai diminuir sobretudo nas questões relacionadas com eventuais diferenças de tratamento, como aconteceu relativamente à obrigatoriedade de Portugal cumprir o défice e outros países, nomeadamente a França, serem acarinhados de outra forma. 

O líder da instituição também não pode ser um manda chuva do dueto França-Alemanha como aconteceu na presidência liderada por Jean Claude-Juncker em que falava sempre depois de Merkel e Macron. Caso a vitória seja de Frans Timmerman ou Manfred Weber haverá uma continuidade neste aspecto, mas tudo muda de figurino se for eleito outra personalidade. 

A questão fundamental tem a ver com o significado político, já que, a saída de Angela Merkel de Chanceler da Alemanha pode deixar um vazio importante. A vontade de Macron assumir o papel central será um desafio enorme não só à sucessora da líder alemã, mas ao próximo líder da Comissão Europeia.

A neblina que existe relativamente às ideias de Macron para a União Europeia causam algum alarme, apesar da França nunca abandonar a vontade de reforçar a solidariedade. Contudo, não se pode confiar nas intenções de um líder que mudou radicalmente de postura desde o dia em que tomou conta do Palácio do Eliseu.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Os candidatos precisam de esclarecer os cidadãos europeus sobre os efeitos do Brexit

A extensão do prazo para a saída do Reino Unido da União Europeia até 31 de Outubro permite que o tema seja motivo de discussão na campanha para as eleições.

Os problemas nacionais devem estar na agenda de cada candidato, mas existe a sensação que as questões europeias fazem parte do quotidiano. A recente aliança entre partidos nacionalistas que pretende colocar um ponto final na imigração prova que se tem de actuar do topo na implementação de uma medida. 

O Brexit não vai afectar só os britânicos, embora sejam os principais prejudicados nas relações com os países europeus. No entanto, haverá uma série de factores negativos que só o tempo vai ajudar a perceber, já que, é a primeira vez que um Estado-Membro abandona o clube europeu. 

Os projectos que se apresentam nas urnas precisam de oferecer uma solução em caso de não acordo entre os dois blocos para os eleitores estarem informados sobre mais um falhanço de entendimento entre as forças políticas no Reino Unido. 

Tendo em conta que também não se sabe muito bem o que vai acontecer caso haja um aperto de mãos entre os dois blocos, a campanha eleitoral é o timing perfeito para se esclarecer todas as dúvidas. 

As incertezas dos britânicos colocam mais problemas à forma de actuação dos responsáveis europeus que pretendiam a conclusão do dossier para esclarecerem os cidadãos sobre os verdadeiros efeitos da saída. 

Dois meses depois da data inicial já seria possível retirar algumas conclusões.

terça-feira, 9 de abril de 2019

A vontade dos partidos nacionalistas alterarem as regras europeias

A coligação de quatro partidos nacionalistas sob a liderança de Matteo Salvini representa o início de um novo paradigma na política europeia. 

As forças populistas conquistaram o poder em vários países, mas o principal objectivo passa por alterar as regras provenientes de Bruxelas.

Numa altura em que aumenta o poder executivo das organizações europeias só haverá verdadeiras alterações através da eleição para o Parlamento Europeu, onde o que mais importa é a força da voz junto das restantes instituições. 

A maioria dos blocos que se formam para concorrer no próximo acto eleitoral pretende mudanças, nomeadamente no plano da liderança. Ou seja, também estão contra a força do eixo Paris-Berlim muito suportado pela hegemonia do Partido Popular Europeu e do Partido Socialista Europeu. Tendo em conta que a força dos partidos tradicionais vai diminuir, embora sem perder o poder, a influência da França e Alemanha vai descer. 

Na minha opinião é mais perigoso que os partidos nacionalistas conquistem força no plano europeu que se mantenham no poder em termos internos. As principais mudanças que pretendem realizar, como a imigração, necessitam de um consenso europeu. O encerramento das fronteiras tem mais impacto a nível comunitário do que se for apenas um país a adoptar uma medida pouco consensual. 

A estratégia adoptada por algumas forças tem eficácia porque ganharam visibilidade e apoio popular nos países, sendo que, a mensagem contra as actuais regras europeias consegue ganhar mais eficácia devido à legitimidade conquistada nas urnas.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

A força política do novo Parlamento Europeu

Apesar do Brexit dominar a agenda europeia, a campanha eleitoral para as próximas eleições terá outros assuntos com mais importância para o futuro da velha união.

Os principais países europeus, com Alemanha e França na liderança, receiam o aumento do número de movimentos populistas e nacionalistas no próximo Parlamento Europeu. No entanto, o que preocupa os dirigentes dos países é a entrada de ideias novas e rumos diferentes daquilo que costuma estar programado.

Neste acto eleitoral existe um número significativo de candidaturas em cada Estado-Membro que pode ganhar visibilidade, já que, a abstenção normal penaliza os partidos tradicionais. 

A quantidade de jovens que surgiram também é relevante tendo em conta a possibilidade de participarem activamente na política, porque no plano nacional continua a haver muitas dificuldades. 

Na minha opinião, não será fácil ao Parlamento Europeu ganhar relevância face aos outros órgãos, sobretudo ao Conselho Europeu. No entanto, as principais mensagens de protesto ou contra o establishment serão realizadas e Bruxelas ou Estrasbourgo. 

A primeira conquista institucional e política deverá ser a integração de membros na nova Comissão Europeia, embora a liderança seja disputada entre Frans Timmermann e Manfred Weber.

quarta-feira, 27 de março de 2019

O relatório Mueller prejudicou as intenções dos democratas destituírem o Presidente

A divulgação do relatório de Robert Mueller representa uma derrota política dos democratas que fizeram do caso uma autêntica guerra contra Donald Trump, sobretudo após o controlo da Câmara dos Representantes no início do ano.

Ao longo dos últimos a estratégia de derrubar o Presidente norte-americano tem sido a mesma. Ou seja, arranjar casos para colocar em causa a idoneidade presidencial de forma a iniciar um processo de impeachment, como aconteceu com as declarações de Michael Cohen.

O aparecimento de inúmeras candidaturas para as primárias democratas representa uma convicção política e moral que Trump será penalizado em termos eleitorais ou nem sequer se apresenta na reeleição.

Os democratas não ficaram satisfeitos com a vitória política alcançada nas intercalares de Novembro do ano passado. A continuação das rasteiras ou caça às bruxas prejudicou o partido da oposição porque o caso da interferência russa nas presidenciais de 2016 seria o único em que o envolvimento presidencial podia ser motivo de uma grande investigação.

As restantes situações que apareceram ao longo do mandato, sobretudo neste ano, são manobras de bastidores que o país e o mundo conhece há bastante tempo.

Não consigo perceber a razão de tantos candidatos, já que, a reeleição de um Presidente norte-americano tem sido um dado adquirido desde Bill Clinton em 1997, pelo que, dificilmente haverá mudança de inquilino na Casa Branca no final de 2020.
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