sexta-feira, 21 de abril de 2017

Os primeiros erros da política externa de Trump

Nas últimas semanas o Presidente Trump tem efectuado ataques contra vários países para mostrar que os Estados Unidos voltaram a ser uma força militar competente.
As ameaças do novo líder norte-americano também servem para impedir qualquer país de sair da toca, onde andou escondido durante anos, especialmente ao longo do mandato de Barack Obama.

A nova política externa norte-americana tem como base o uso da força, sem necessidade de efectuar vários avisos. 

O regime de Bashar al-Assad não teve tempo para respirar, a Coreia do Norte não pode voltar a ameaçar e o Irão dificilmente será um amigo dos Estados Unidos na região porque Trump prefere metê-los num canto do que tentar negociar. 

A Síria e a Coreia do Norte nunca tiveram oportunidade para estender a mão a Barack Obama, mas os dois foram sempre alvo de vigilância, embora tendo sempre liberdade para lançar ataques químicos e misseis nucleares. Por causa da frouxa diplomacia norte-americana, Damasco e Pyongyang podem estar à beira de tornar o mundo mais perigoso. 

A relação com o Irão é bem diferente.

Os esforços de Obama e de outros países para conterem a ameaça nuclear iraniana resultou num bom acordo para o mundo, além de poderem ter um aliado no Médio-Oriente. As relações entre os dois países começou a ser mais saudável. Se Trump conseguir destruir a boa diplomacia de Obama comete um enorme erro, transformando o Irão numa nova ameaça. 

Os recentes acontecimentos deixaram de lado as preocupações norte-americanas com a China. Neste momento, Pequim tem de ser um aliado para conter as intenções norte-coreanas.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A primeira e última oportunidade para Marine Le Pen

No próximo domingo os franceses votam para escolherem os dois candidatos que passam à segunda volta nas presidenciais.

Nos últimos dias, o fenómeno Marine Le Pen desceu nas intenções de voto, colocando em causa a passagem à derradeira eleição. Neste momento, o grande destaque em termos populares chama-se Emmanuel Macron. 

A forma como Le Pen deixou de ser a candidata mais aclamada revela que o terrorismo nem sempre consegue vencer. 

As eleições presidenciais são a última oportunidade para Le Pen conseguir passar a mensagem. Não quer dizer que a Frente Nacional termina, mas dificilmente outro líder terá tanto carisma como Marine. Qualquer resultado que não seja a vitória, mesmo passando à segunda volta, será entendido como um fracasso para a candidata e também para os nacionalismos. 

Ao contrário do que acontece em Portugal, em grande parte dos países europeus os líderes derrotados não se eternizam no poder, pelo que, a força de um partido depende essencialmente das bases e dos militantes, além do trabalho efectuado nos parlamentos. No caso da Frente Nacional, devido à popularidade da actual liderança, as fichas serão todas colocadas nesta eleição também para aproveitar o momento de instabilidade na Europa. 

Não acredito que o actual discurso consiga obter os mesmos resultados daqui a quatro ou cinco anos porque as circunstâncias e os problemas serão diferentes. 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A fraca oposição do PCP e BE

Os partidos que apoiam o governo no parlamento fariam bem em demonstrar descontentamento face ao Programa de Estabilidade e Crescimento.

Não é preciso votar contra, mas propor alternativas para não deixarem o governo fazer o que quiser. As posições de Bloco de Esquerda e do PCP são fracas porque raramente conseguem convencer o executivo. Ou seja, nenhum dos partidos tem feito o trabalho de casa. 

O pior são as críticas aos partidos da direita sempre que estão contra as medidas do governo, mostrando hipocrisia, falta de sentido democrático e coragem. Neste ponto, os comunistas são mais ruidosos que os bloquistas. 

O governo tem passeado à vontade nesta legislatura devido à falta de oposição, não só da direita, mas também dos partidos da esquerda que deveriam exigir mais ou por vezes pedem o céu e a lua.

As poucas discordâncias não chegam para impedir que a legislatura seja concluída em 2019, mas podem servir para o Partido Socialista ganhar as eleições.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Conservadores aniquilam adversários internos

A antecipação das legislativas proposta por Theresa May é uma excelente jogada política que não está relacionado apenas com a obtenção da estabilidade durante as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia. 

O propósito de May também passa por aniquilar os adversários internos, em particular o líder do Partido Trabalhista. Uma derrota de Jeremy Corbyn em Junho significa nova mudança de liderança nos trabalhistas e o regresso à estaca zero. Nos outros partido também existem possíveis sequelas. Os nacionalistas escoceses podem esquecer a realização de um segundo referendo sobre a independência da Escócia se obtiveram um mau resultado em Westminster. Por seu lado, o UKIP vai deixar de ser visto como um partido dos eurocépticos para abraçar causas internas, o que poderá ter consequências eleitorais. 

O mais importante para a chefe do governo passa por reforçar o poder dos conservadores, que dominam as sondagens. O triunfo absoluto garante a implementação de uma política para o país nos próximos anos, mantendo o que foi realizado desde 2010, mas sem a presença da União Europeia. 

Nos últimos dez anos, os conservadores reforçaram a votação, diminuindo a influência da oposição. Agora podem ficar mais livres de implementarem as políticas que quiserem porque não estão restringidos às ordens de Bruxelas.

A estratégia de May resultou com Margaret Thachter em 1983. Quase trinta anos depois pode voltar a ter sucesso.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Erdogan todo poderoso

As novas reformas constitucionais de Erdogan são uma resposta à tentativa de golpe de Estado de 2016. 

A maior segurança que o Presidente tem para conservar o poder é reforçá-lo através de um referendo que venceu. A Turquia transformou-se num Estado autoritário com as medidas aprovadas. 

O líder turco garantiu legitimidade interna e respeito externo. A comunidade internacional já não tem possibilidade de exigir mudanças porque a população votou favoravelmente às propostas de Erdogan. Os terroristas também devem sentir-se impelidos de atingirem a Turquia, sabendo que vão sofrer consequências. 

Num único acto, o Presidente abafa qualquer crítica à forma como dirige o país. A oposição fica sem meios humanos e financeiros, além de não ter qualquer apoio exterior. Como se viu no recente golpe de Estado, a comunidade internacional não emitiu qualquer condenação contra a tentativa de destituição de Erdogan. 

O único aspecto negativo da vitória presidencial é a possibilidade de se fechar a porta de entrada na União Europeia, mas, neste momento, o melhor é ficar fora do que estar dentro. As novas reformas colocam os turcos mais perto do Médio-Oriente do que da Europa.

A Turquia pode subir ao nível das outras grandes potências que concentram os poderes numa única personagem, como a Rússia e a China. 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

As barreiras colocadas pela Rússia e China às intenções norte-americanas

A tensão internacional, sobretudo entre os Estados Unidos e a Rússia é preocupante porque as divisões diplomáticas passaram para o campo militar.

Neste momento, o futuro da segurança do mundo depende do que se passar na Síria. A manutenção de Bashar al-Assad no poder não é sinónimo de estabilidade, mas a saída significa dar possibilidade aos terroristas de controlarem o país. 

As grandes potências ainda não perceberam qual é a melhor solução para a paz, pelo que, condenam tanto o regime como as forças radicais que tentam ocupar o poder. Não é por acaso que a Rússia e os Estados Unidos estão interessados na Síria. Qualquer que seja o resultado final, os dois irão manter-se naquela zona do globo através de uma forte presença militar. Os norte-americanos deixaram de estar sozinhos na condução dos destinos do Médio-Oriente. 

Por causa das questões do Médio-Oriente haverá problemas noutras zonas do globo como na Ásia devido à ameaça norte-coreana. Nesta zona, os Estados Unidos querem impor a segurança pela força, mas a oposição da China é mais um entrave à estabilidade.

Os Estados Unidos dificilmente conseguem impor a lei e ordem na Síria e na Coreia do Norte. Uma solução concertada é a melhor forma de ultrapassar as barreiras colocadas pela Rússia e China. A União Europeia poderia ser uma boa aliada, mas as divisões impedem que qualquer solução seja adoptada. 

Os velhos aliados locais também desconfiam das intenções de Trump e recuam no apoio. 

Os primeiros meses de Trump na condução da política externa mostram que a diplomacia de Obama foi substituída pelas ameaças militares. 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Medidas extraordinárias terminam com festejos do governo

A utilização de medidas extraordinárias para reduzir o défice não é exclusiva deste governo e será sempre a prática no futuro. 

O problema que se coloca nos números apresentados pelo governo também não é a confissão que se utilizaram medidas adicionais.

A retórica do governo só incide sobre boas notícias, faltando seriedade na forma como consegue obter resultados. A maneira como foram apresentados os números com pompa e circunstância mostram que é mais importante passar a mensagem que o rigor. Não se pode dizer que atingir o valor mínimo do défice seja uma vitória. Recorde-se que o executivo anterior não se vangloriou pela saída da troika de Portugal. 

Os tempos em que as medidas eram divulgadas com bastantes festejos e depois havia sempre alguma situação que não batia certo estão de volta.

O cumprimento das obrigações provenientes de Bruxelas nunca serão vistas como uma vitória, mas como uma exigência. 
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