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quarta-feira, 16 de maio de 2018

Violência gratuita do topo até ao adepto

Os acontecimentos na Academia do Sporting reflectem o ódio que os dirigentes de futebol constantemente destilam nas redes sociais e na comunicação social. Normalmente o principal alvo é o adversário, rival ou mesmo apelidado de inimigo. No entanto, desta vez as vítimas foram os jogadores da própria equipa.

O clima que se vive no futebol nacional piora todos os anos também por causa das fracas receitas que os clubes conseguem fazer devido às poucas transferências, à falta de público nos estádios e principalmente porque o ranking não permite ocupar mais lugares nas competições europeias. 

Os vários fenómenos de violência que ocorreram no passado deixavam antever um cenário semelhante ao que se passou na academia leonina. Os tempos passam, mas os heróis continuam a ser líderes de claques, que ganham minutos importantes na comunicação social para transmitir uma mensagem de conflito contra o rival. Os clubes apoiam de várias formas pessoas e grupos que estão identificados pelas forças policiais, não sendo possível afastá-los do ambiente responsável pela violência gratuita. 

O mais grave são as autoridades governamentais que também só utilizam o desporto-rei nos momentos positivos com o objectivo de promoverem a ideologia junto daqueles que se tornaram verdadeiros campeões. Nas horas de maior aperto só conseguem proferir as habituais palavras de repúdio e consternação sem apresentarem medidas de combate à violência que não têm de passar necessariamente por mais legislação. 

A violência no futebol em Portugal começa no topo, com os governantes a taparem os olhos e  os dirigentes a mobilizarem as tropas contra o adversário, passando pelos agentes de comunicação que transmitem a mensagem mais conveniente para as audiências, e termina nos adeptos, que se encarregam de executar os planos.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Os Estados Unidos ficaram isolados no plano internacional

A segunda decisão em menos de um mês que aumenta o isolamento internacional dos Estados Unidos merece reflexão.

Os anúncios de Trump visam apenas servir os interesses de pequenos lobbys que têm influência sobre o Presidente. A mudança de rumo relativamente à questão israelita só pode ter origem num grupo de pessoas que tenta lucrar de várias formas com a aproximação norte-americana a Israel. 

No plano político a recente medida é um autêntico desastre, já que, coloca todos contra o estado judaico, embora também haja consequências para os norte-americanos na região. No entanto, serão os israelitas a sofrerem com revoltas armadas, militares e políticas patrocinadas pelos vizinhos mais radicais do Médio-Oriente. 

O que me espanta é a facilidade com que Trump consegue ser pressionado por meia dúzia de organizações pró-Israel. Neste assunto, a visão norte-americana é claramente limitada e nem sequer protege os interesses do país. O único beneficiário é mesmo Benjamin Netanyahu. 

Em duas questões fundamentais para a manutenção da paz mundial, os países europeus ficaram longe do velho aliado. Existe um muro cada vez maior entre a União Europeia e os Estados Unidos desde a entrada da nova administração. No início do mandato havia apenas divergência de opiniões, mas agora nota-se maior distância no caminho traçado no plano das políticas externas.

À medida que os Estados Unidos perdem voz na cena internacional, a diplomacia europeia ganha credibilidade e aliados, sobretudo com os denominados países do mal, como o Irão. 

segunda-feira, 14 de maio de 2018

As geringonças de António Costa

Não há dúvidas que António Costa e o Partido Socialista entraram na campanha eleitoral. Apesar de ainda faltar um ano para as legislativas e havendo um país para governar, o primeiro-ministro prefere gerir os momentos políticos em função da conquista da maioria absoluta em 2019.

Os ataques aos parceiros parlamentares têm de ser encarados com normalidade num partido que sempre colocou os interesses individuais à frente do colectivo. Na primeira oportunidade, Costa não tem medo de utilizar o mesmo esquema que o possibilitou chegar a primeiro-ministro. Isto é, pensar apenas nos interesses partidários.

A mudança de alvo para a esquerda terá implicações na verdadeira campanha eleitoral. Os dois partidos que suportam o executivo dificilmente deixarão de atacar o PS nas próximas legislativas, independentemente dos acordos que poderão vir a realizar depois dos resultados. Ao contrário do que aconteceu com PSD e CDS, que estiveram juntos no governo e depois nas legislativas, a geringonça só se vai voltar a reunir caso seja o melhor cenário para a sobrevivência política de todos.

A recente mudança de postura do PSD permite ao primeiro-ministro ficar na posição que mais gosta. Ou seja, sentado numa cadeira e optar pela situação que garante a manutenção do poder. António Costa sente que pode realizar geringonças à esquerda e à direita, responsabilizando sempre os outros por aquilo que corre mal. No fundo, é o que está a fazer desde a eleição de Rui Rio. 

Nota-se uma enorme confiança no primeiro-ministro na possibilidade de utilizar quem quiser para alcançar os fins pessoais. A protecção do Presidente da República também é outro factor de segurança. 

Nunca o PS se colocou numa situação em que tem as costas quentes, nem mesmo durante o segundo mandato de Sócrates. A possibilidade de Costa realizar dois mandatos num governo de minoria é uma realidade que diminui politicamente os restantes adversários.

sábado, 12 de maio de 2018

Figuras da Semana

Por Cima

União Europeia - A maioria dos países europeus decidiu manter o acordo nuclear com o Irão, mesmo depois do anúncio formal da saída dos Estados Unidos. Uma postura positiva que contrasta com os efeitos negativos da decisão de Washington. Os responsáveis europeus deram dois sinais. Em primeiro confirma-se a unidade em torno do projecto. Em segundo lugar, existe mais distância relativamente às política da actual administração norte-americana.

No Meio

Irão - A reaçcão iraniana à decisão norte-americana só podia a condenação. Contudo, só mais tarde se saberão as verdadeiras consequências, já que, houve mais ameaças por parte dos Estados Unidos. Teerão fica mais isolado na região, perdendo o poder que tinha, sobretudo na Síria.

Em Baixo

Donald Trump - O presidente norte-americano confirmou a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear iraniano. Uma decisão polémica e inaceitável tendo em conta os benefícios globais das negociações alcançadas pela administração Obama. Contudo, o problema não se fica por aqui. Trump defendeu a liberdade das pessoas num ataque ao regime liderado por Rouhani. Fica no ar a ideia que o republicano também tem vontade de mudar as peças no Médio-Oriente.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Mais instabilidade no Médio-Oriente

A decisão de Trump abandonar o acordo nuclear iraniano origina mais tensão no Médio-Oriente. O regime iraniano continua a ser um dos mais influentes, como se nota na manutenção de Bashar al-Assad no poder na Síria. Contudo, também gera bastantes ódios, nomeadamente na Arábia Saudita e em Israel. 

Os governos sauditas e israelitas elogiaram a decisão norte-americana. O Irão deixa de ter suporte no Ocidente e passa a ser considerado como um inimigo. Nenhum das situações impossibilita Teerão de cumprir com o programa nuclear, embora seja mais difícil de possuir aceitação internacional, apesar dos países europeus manterem a confiança no cumprimento do acordo. Contudo, haverá uma sensação de ilegalidade que pode justificar acções mais violentas. 

Os principais interessados na decisão tomada são Israel e a Arábia Saudita. Os dois países ganham em toda a linha. No plano internacional ficam com a certeza que poderão contar sempre com o apoio dos Estados Unidos. Na região, assumem uma posição relevante porque Teerão terá menos argumentos políticos e militares, além de sofrer sanções que deverão enfraquecer a economia. 

Neste momento, o Médio-Oriente desejaria que não se criassem mais condições para a existência de conflitos. Apesar da região ser o palco principal de conflitos armados, têm sido outros intérpretes a acender o rastilho. Na Síria, as inimizades entre os Estados Unidos e a Rússia impedem que se alcance uma solução. Os norte-americanos atacam o regime, mas Moscovo defende com unhas e dentes Bashar al-Assad. O acordo nuclear iraniano também já está a causar divisões entre europeus, Washington, Pequim e a Rússia. 

As duas situações revelam falta de capacidade dos governos locais para resolverem os próprios problemas, mas também a insistência do Ocidente em controlar os assuntos de natureza alheia.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Evitar ceder à chantagem norte-americana

A decisão de Trump relativamente ao acordo nuclear iraniano vincula apenas os Estados Unidos. No entanto, a União Europeia fica numa posição complicada porque tem de escolher entre seguir o caminho dos norte-americanos ou manter-se fiável aos acordos que estabeleceu com Teerão.

O anúncio do presidente norte-americano também é aguardado com expectativa, já que, a bola passa imediatamente para o lado dos europeus. Talvez tenha sido a razão para as recentes viagens de Macron e Merkel aos Estados Unidos, embora as supostas concordâncias sejam facilmente manobráveis. Qualquer que seja a decisão, Washington pretende culpabilizar os aliados pelas eventuais consequências do não isolamento do regime iraniano, abrindo novo conflito diplomático.

Independentemente da decisão, o acordo já está ferido de morte, pelo menos, entre norte-americanos e iranianos. O principal problema está relacionado com o a nova amizade entre os Estados Unidos e Israel, bem como a defesa de Washington junto de Riade. Trump aliou-se aos inimigos tradicionais do Irão, isolando-o da comunidade internacional. 

Os responsáveis europeus não devem cair na tentação de seguir o rastro conflituoso criado pela actual administração norte-americana. Na última visita aos Estados Unidos, Macron cedeu perante as exigências da Casa Branca. A União Europeia não pode ser novamente um parceiro de Israel, nomeadamente com Benjamin Netanyahu no poder. 

Os próximos dias serão decisivos para perceber como será a reacção europeia. O futuro do acordo e a manutenção do Irão sob o controlo das organizações internacionais dependem da decisão dos executivos europeus, nomeadamente de França e Alemanha, sendo que, o Reino Unido estando fora do consenso generalizado, começa a pensar pela própria cabeça.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Marcelo é o rosto do combate à corrupção na política

As posições de Marcelo Rebelo de Sousa face à corrupção na política mostram que existe vontade em mudar o actual figurino.

O Presidente da República tenta através da pedagogia e de atitudes concretas terminar com um flagelo que condiciona o exercício saudável da democracia em Portugal. O fenómeno em Portugal não atinge proporções semelhantes ao do Brasil, mas existem pequenos focos que precisam de ser combatidos. 

A Operação Marquês é o caso de maior dimensão porque envolve um antigo primeiro-ministro, mas antes houve várias situações com antigos ministros de muitos governos. 

O recente veto presidencial à nova lei do financiamento partidário é outra prova de intervenção ao mais alto nível. Existe preocupação de não tapar o sol com a peneira num tema que começa a merecer acção judicial por causa dos meios à disposição.

A transferência de responsabilidade dada por Marcelo aos partidos na semana passada é mais um aviso. Nota-se uma preocupação de chamar as forças partidárias à razão num tema bastante sensível na sociedade portuguesa, que também é responsável pelo afastamento das pessoas relativamente ao fenómeno político.

O caminho será muito difícil por causa dos interesses instalados, como se verificou na polémica legislação sobre o financiamento partidário.
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