terça-feira, 16 de julho de 2019

Jeremy Corbyn comete um grande erro se insistir na realização do segundo referendo

A decisão do Partido Trabalhista apoiar a realização de um segundo referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia pode causar um problema político a Jeremy Corbyn. No entanto, neste momento em que há uma corrida para a liderança dos conservadores convém adoptar uma atitude face ao Brexit.

O líder dos trabalhistas cavalgou a onda de alguns apoiantes do Remain no partido e na população, mas tentar reverter o resultado de 2016 será um grande erro político. As confusões relativamente aos benefícios e problemas da saída britãnica do clube europeu geraram mais dúvidas que certezas, pelo que, muitas pessoas trocaram de opinião. Contudo, não é suficiente para a realização de mais uma consulta popular que divide ainda mais todos os quadrantes. 

Neste momento, o Reino Unido precisa de criar um caminho para concretizar o Brexit, independentemente das ligações que mantiver com a União Europeia no futuro. As pessoas exigem que a saída seja efectivada porque é a única forma de acabar com todas as discussões. 

O Labour teve muitas posições durante o processo, pelo que, não ajudou à clarificação, nomeadamente criando muitas dificuldades a Theresa May. A entrada de um novo Primeiro-Ministro que não esteve sujeito a escrutínio também vai originar mais posições populistas. Ou seja, nos próximos tempos, Corbyn vai pedir eleições antecipadas. 

O tema de um novo referendo pode afastar alguns eleitores trabalhistas que votaram no Brexit, sendo que, no seio do partido também se notaram bastantes divisões. Não acredito que, de repente, haja unanimidade à volta de um assunto que prejudica o país.

terça-feira, 9 de julho de 2019

O fim da eleição do spitzenkandidat

A eleição de Ursula Von der Leyen para a liderança da Comissão Europeia representou o fim do denominado processo spitzenkandidat. A partir de agora, será o establishment europeu a decidir os rostos da política europeia. No entanto, a diminuição dos poderes de socialistas e conservadores europeus coloca outro tipo de desafios.

A nova prática pode tornar-se um problema caso haja um aumento da representatividade de novas ideologias, como aconteceu na última eleição para o Parlamento Europeu. O órgão sediado em Estrasburgo também ganha maior preponderância, o que implica a perda automática da influência das outras instituições, nomeadamente o Conselho Europeu. 

Os novos actores políticos não se conformaram com mais um processo de nomeação, independentemente da cor política. As queixas surgiram da extrema-esquerda à direita mais radical, sendo que, também não faltaram críticas nas forças que costumam receber o poder. 

As mudanças terão de ser operadas a partir do Parlamento Europeu, mas também pelos governos nacionais. Não pode existir uma revolta geral sem a liderança de alguns Estados que estão fartos das mesmas práticas. 

A segunda opção passa por dar a oportunidade de cada país apresentar um candidato, em vez da iniciativa pertencer aos grupos parlamentares. O papel dos grupos políticos começa a ficar cada vez menos reduzido, apesar do crescimento do interesse das pessoas no processo de decisão, como se viu nas últimas eleições.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

As derrotas na Síria e Venezuela provam a diminuição da força internacional dos Estados Unidos

As tentativas de Donald Trump de restabelecer as relações com os principais inimigos dos Estados Unidos é uma boa iniciativa, mas fragiliza a posição de liderança que os norte-americanos conquistaram nos últimos anos. 

As amizades com Vladimir Putin e Kim-Jong.Un têm um lado positivo e negativo. Por um lado, diminuem o risco de conflito e aumentam a segurança mundial porque são nações com armamento nuclear, mas possibilitam o aparecimento de outras figuras que liderem em termos internacionais. 

O Presidente norte-americano falhou nas condenações a Moscovo devido às interferências nas últimas presidenciais, bem como no assassinato de Jamal Kashoggi numa embaixada da Arábia Saudita em Istambul. 

Os líderes russo e saudita perceberam que os Estados Unidos perderam a força de condenar um acto no plano internacional. Ou seja, não vai existir uma revolta noutros locais e instituições devido à acção norte-americana, como aconteceu muitas vezes no passado. 

A atitude passiva permite à Rússia continuar o mesmo caminho, apesar das várias cimeiras para tentar uma aproximação com o velho inimigo. A verdade é que a força política e militar aumenta, nomeadamente no Médio-Oriente onde foi evidente uma vitória sobre Washington. 

Na Venezuela aconteceu o mesmo porque o líder que os norte-americanos enviaram para combater o regime de Maduro falhou depois da primeira tentativa. 

As derrotas na Síria e em Caracas provam a diminuição da força internacional dos Estados Unidos no primeiro mandato de Donald Trump. A falta de estratégia na política externa é um problema grave, mas deixar os velhos inimigos ficarem por cima tem sido bastante prejudicial.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

O novo líder conservador tem de ultrapassar vários obstáculos antes de formalizar o Brexit

Os candidatos à liderança do Partido Conservador vão submeter-se à segunda votação num processo que conta com várias fases. 

As sondagens apontam para uma vitória de Boris Johnson, embora alguns concorrentes, como Dominic Raab e Jeremy Hunt, já se tenham aproximado, pelo que, será uma escolha renhida.

As indecisões de Theresa May relativamente à saída do Reino Unido da União Europeia originaram uma eleição antecipada, pelo que, o novo Primeiro-Ministro será escolhido em funções da agenda para o Brexit. 

Neste campo, existe uma divisão entre os que defendem a saída com um acordo e outros que optam por um Hard-Brexit. 

Os últimos dois candidatos precisam de ser os representantes de cada uma facção para haver melhor clarificação sobre qual é a forma mais vantajosa de sair do clube europeu. O problema é que o próximo líder tem de lidar com um eventual ataque relativamente à legitimidade no cargo de Chefe do Governo.

A oposição vai pedir eleições antecipadas no dia a seguir para existir uma legitimidade reforçada em cumprir a vontade da população expressa no referendo de 2016. 

No final do ano deverá haver uma solução final para o Brexit depois de todas as formalidades políticas que se devem cumprir antes de avançar para a saída definitiva. As opções serão tomadas com um atraso bastante significativo relativamente à decisão inicial.

terça-feira, 14 de maio de 2019

O problema político entre os Estados Unidos e a China

O conflito comercial entre os Estados Unidos e a China supera a razão dos números. O que está em causa é um grande problema político entre os dois gigantes, embora nenhum líder tenha a coragem para o admitir, sobretudo numa altura em que as relações aparentam estar normalizadas. 

Um dos principais méritos do actual Presidente norte-americano foi a reconquista da confiança de Pequim, nomeadamente após a campanha eleitoral de 2016. Trump elegeu o crescimento económico chinês como a principal ameaça ao desenvolvimento do interior dos Estados Unidos. Curiosamente foi no Midwest que a campanha decidiu-se a favor do candidato republicano.

As negociações entre as duas potências podem ser retomadas, mesmo com ameaças dos dois lados, mas a fractura política será inevitável. O líder norte-americano será responsável por destruir o que tentou construir, sendo que, coube à administração Obama a maior parte da reconstrução do diálogo com a China.

Os constantes ataques norte-americanos contra os principais inimigos não são uma novidade, embora o tom tivesse aumentado desde o início da actual presidência. Por causa disso podem ficar ressentimentos pessoais que terão reflexo nas relações institucionais. Trump não pensa um segundo que as feridas decorrentes da linguagem e da mudança brusca de atitude terão de ser saradas por outro Chefe de Estado. 

A ignorância ou a falta de aceitação que os Estados Unidos foram ultrapassados pelas outras potências tem sido um dos principais problemas de Trump.

terça-feira, 7 de maio de 2019

António Costa tem de sair caso não alcançe a maioria absoluta

A jogada política de António Costa tem tudo para correr bem, embora seja algo arriscada. Contudo, um eventual fracasso precisa de ter consequências para o líder socialista e Primeiro-Ministro.

A maioria absoluta só pode ser alcançada através do discurso da vitimização, já que, nos últimos meses a governação sofreu um desgaste, nomeadamente com a divulgação de várias nomeações relacionadas com os graus de parentesco de membros do executivo. 

O triunfo mínimo nas europeias também coloca em causa a capacidade de Costa, mas reforça a convicção de Rui Rio que é possível vencer as legislativas. 

A margem de manobra do governo seria bastante diminuta nos próximos meses em que todos vão estar em campanha eleitoral, particularmente os partidos que fizeram parte da geringonça.

A necessidade do líder socialista arranjar um discurso semelhante ao de Sócrates em 2011 após o chumbo do PEC IV na Assembleia da República, é a única maneira de chamar os eleitores que costumam navegar no centro. 

O PS dificilmente consegue governar mais uma legislatura em minoria, pelo que, vai precisar de mais aliados. O PCP não entra em novas aventuras e a força do BE pode ser insuficiente para chegar à maioria absoluta. O CDS não faz parte das contas, enquanto o PSD precisa de fazer um referendo interno com o objectivo de saber em que medida contribui para a estabilidade nacional. 

Neste enredo político, o papel do Presidente da República vai ganhar relevância, mas António Costa não pode ser visto como alguém que falhou pela segunda vez em termos estratégicos. Os socialistas dificilmente aceitam que haja mais falhanços devido a questões pessoais. Um governo de minoria nunca chegaria ao fim.

terça-feira, 23 de abril de 2019

O próximo Presidente da Comissão Europeia não pode ser mandado pela França e Alemanha

A próxima Comissão Europeia terá mais problemas no Parlamento Europeu por causa do crescimento de vários partidos que não costumam fazer das famílias políticas europeias. 

O trabalho do governo da Europa será mais escrutinado e colocado em causa do que nunca devido à pressão que será sentida no plano político. A margem de erro vai diminuir sobretudo nas questões relacionadas com eventuais diferenças de tratamento, como aconteceu relativamente à obrigatoriedade de Portugal cumprir o défice e outros países, nomeadamente a França, serem acarinhados de outra forma. 

O líder da instituição também não pode ser um manda chuva do dueto França-Alemanha como aconteceu na presidência liderada por Jean Claude-Juncker em que falava sempre depois de Merkel e Macron. Caso a vitória seja de Frans Timmerman ou Manfred Weber haverá uma continuidade neste aspecto, mas tudo muda de figurino se for eleito outra personalidade. 

A questão fundamental tem a ver com o significado político, já que, a saída de Angela Merkel de Chanceler da Alemanha pode deixar um vazio importante. A vontade de Macron assumir o papel central será um desafio enorme não só à sucessora da líder alemã, mas ao próximo líder da Comissão Europeia.

A neblina que existe relativamente às ideias de Macron para a União Europeia causam algum alarme, apesar da França nunca abandonar a vontade de reforçar a solidariedade. Contudo, não se pode confiar nas intenções de um líder que mudou radicalmente de postura desde o dia em que tomou conta do Palácio do Eliseu.
Share Button