quinta-feira, 26 de maio de 2016

Governo não sabe lidar com a malta que não quer trabalhar

O governo não tem conseguido evitar a fúria de alguns sectores da Administração Pública que não foram beneficiados com a mudança de políticas. Os sindicatos não perdoam a falta de promessas, mesmo com o PCP a segurar António Costa.

A insatisfação acontece em vários sectores, menos na educação onde Mário Nogueira e Tiago Brandão Rodrigues levaram à demissão de um secretário de Estado. Nos restantes, com a CGTP à cabeça o executivo não encontra soluções para as reivindicações. O caso dos estivadores é um sinal de como não existe capacidade governamental para resolver o problema. Costa não estava à espera de contestação porque tem o PCP e a CGTP a seu lado, mas também devido à forma como tem de contornar as imposições de Bruxelas. Neste momento, quem sofre com os cortes são as bolsas para a investigação e os colégios privados. É sempre preciso ir buscar dinheiro a algum lado, embora de forma diferente do que fizeram Passos e Portas. 

Por aqui se vê que estamos perante um governo fraco com ministros que não sabem lidar com o poder dos sindicatos. Como Costa não abdica dos acordos parlamentares, os governantes com menos paciência para aturar as forças sindicais terão vida curta neste executivo, o que causa problemas para o primeiro-ministro. Por causa disto, Costa está entre a espada e a parede. 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Referendo histórico

O Reino Unido prepara-se para um referendo histórico no dia 23 de Junho. O dito "Brexit" vai mudar o país no plano interno e externo. Nada será com dantes, sobretudo ao nível das relações com os restantes países europeus. Após a consulta no Reino Unido haverá outros países que irão tomar a mesma decisão de colocar sob escrutínio a manutenção na União Europeia, até chegar o dia em que o clube europeu irá perder um membro. Não será isso que vai desequilibrar a união, mas o problema tem a ver com a reacção.

O Reino Unido, através da habilidade política de David Cameron, conseguiu excelentes condições para o país, em termos de soberania. No plano económico, os ingleses continuam fora do Euro e sem terem que ajudar outros que estejam em situação de bancarrota. Em troca disso, o Reino Unido continua a participar nas grandes questões europeias. 

O eurocepticismo britânico nunca vai acabar como acontece noutros países do norte da Europa. No entanto, o desenvolvimento do país é bem diferente do resto do continente, tirando algumas potências como a Alemanha. O problema dos britânicos tem a ver com a falta de poder devido à influência da Alemanha, embora a maior parte dos políticos, Cameron incluído, trabalha mais para a população do que a pensar no bem comum em termos europeus. O que distinguiu os líderes britânicos dos restantes foi terem colocado em primeiro lugar o Reino Unido e não a Europa. Por exemplo, os alemães e franceses têm mais sentido colectivo. 

Nos próximos dias vamos assistir a um confronto entre os que defendem a manutenção da soberania inglesa contra os que pretendem mais poder para o Reino Unido mesmo integrado na União Europeia. Ou seja, o que está em discussão não é exigir mais influência nas instituições europeias ou integrar a dupla França-Alemanha. O que estará em cima da mesa, dos dois lados, são a protecção dos interesses britânicos dentro ou fora da União Europeia. Por estas razões, a campanha será interessante porque as questões europeias não vão ser o foco principal dos apoiantes do Brexit e do Bremain, o que demonstra o nível de eurocepticismo que perdura em Terras de Sua Majestade.  

terça-feira, 24 de maio de 2016

Trump e Clinton rompem com a missão de Obama

A política externa de Obama tem acentuado no diálogo e diplomacia. Não podia ser de outra maneira, tendo em conta a forma como George W.Bush encarou os inimigos. No entanto, o actual presidente não tem perdoado algumas acções dos regimes russos e sírio. 

Os melhores resultados de Barack Obama na política externa foram em Cuba, no acordo nuclear iraniano e agora na recente visita ao Vietname. A aproximação à Ásia em detrimento do reforço das relações com a Europa é mais um aspecto do legado que termina no final do ano. 

A mudança de inquilino na Casa Branca também terá repercussões nas prioridades a nível de política externa. Ora, não acredito que Trump e Hillary sejam mansinhos a lidar com os inimigos clássicos dos Estados Unidos. O problema é que tanto um como o outro terão de lidar com a ameaça norte-coreana que nasceu nos últimos anos. A personalidade de Clinton não vai permitir ao regime cubano continuar a fingir que fazem reformas políticas e os iranianos estarão sob alerta máximo. Por seu lado, Trump vai fazer uma caça ao Estado Islâmico até o grupo estar derrotado, mas sem incomodar Bashar al-Assad. Se o empresário for eleito a Europa pode esquecer que tem um aliado nos próximos quatro anos. Contudo, quem tem de se preocupar mais são os vizinhos mexicanos e as empresas estrangeiras. 

A exigência e a dureza nas palavras são as principais características da política externa norte-americana que entra em vigor no próximo ano. O problema será manter a unidade nacional caso as divisões continuem a ser muitas como acontece nos últimos anos com Obama. Apesar das dificuldades, o Chefe de Estado conseguiu construir pontes importantes que vão permitir aos Estados Unidos entrar em sociedades hostis como a cubana e a iraniana. 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

O futuro das relações internacionais

A movimentação de pessoas, bem como os problemas de natureza global necessitam de um resposta conjunta e não isolada de cada país. Os Estados não têm capacidade política e financeira para resolverem situações sozinhos. Isto é, não são independentes quando tomam decisões.

Ao longo dos últimos anos temos vindo a assistir ao nascimento de vários blocos como forma de resposta aos problemas globais. Por exemplo, na União Europeia dificilmente se resolvem as questões da crise económica, terrorismo e segurança se cada um actuar sozinho. A cooperação e a união de esforços é cada vez mais importante. Por estas razões, a Europa também se começa a relacionar com os outros países de forma conjunta. 

No futuro será difícil que as relações bilaterais sejam apenas estabelecidas entre dois países. Não faz sentido que Portugal e o Paraguai se reúnam sem ser no âmbito das organizações internacionais que integram porque o interesse do nosso país é o mesmo da Espanha, Itália ou Dinamarca. 

A criação dos BRICS e dos TICS (Tailândia, Índia e China) desenvolveram a Ásia sob diversas formas, sendo que, a China e a Rússia preferem actuar conjuntamente do que isoladas. A única excepção continua a ser os Estados Unidos. Na Europa, Portugal e Espanha deveriam unir-se para defender os interesses da Península Ibérica na União Europeia, da mesma forma que os países escandinavos e os de Leste actuam nas instituições europeias. A falta de concertação para os problemas torna a União Africana bastante fraca.

À medida que se torna necessário defender interesses regionais existe maior propensão para a união entre vários países. Ninguém consegue actuar sozinho em defesa do próprio umbigo. 

O início da globalização trouxe um novo paradigma nas relações internacionais. Os parlamentos nacionais vão perdendo força, o que retira importância aos actos legislativos internos. O mais curioso é verificar que os partidos de protesto ou nacionalistas também perceberam a relevância das instituições internacionais, apesar do discurso interno passar pela descredibilização das mesmas com o objectivo de ganhar votos. . 

domingo, 22 de maio de 2016

Olhar a Semana - Dos líderes fracos não reza a história

Nos últimos tempos verificamos a ascensão ao poder de vários líderes fracos. Nos Estados Unidos a campanha eleitoral para a Casa Branca foi desastrosa e mesmo que os norte-americanos tenham de escolher entre Hillary Clinton não vão ficar bem servidos. É provável que seja apenas por 4 anos. O pior aconteceu nos primeiros meses em que assistimos a uma falta de qualidade gritante. 

No Reino Unido, Cameron mostra-se um líder forte, mas Jeremy Corbyn continua a ser contestado dentro do Partido Trabalhista sempre que tem uma derrota política. Em Portugal, o primeiro-ministro chegou ao cargo após ter perdido as eleições do ano passado. 

A história não recorda aqueles que perderam ou os que fazem mau trabalho. A situação portuguesa e da oposição britânica diferem do caso norte-americano. Será complicado para os norte-americanos serem governados por Clinton ou Trump. Nenhum apresentou até ao momento qualquer qualidade para ser Chefe de Estado, mas um deles vai chegar ao lugar mais alto da nação. 

Em Portugal o actual governo não deve durar muito e uma segunda derrota de Costa atira-o para fora do Partido Socialista, enquanto Corbyn não consegue ir às eleições gerais no Reino Unido em 2020. Neste caso, nem a saída de Cameron e a mudança de candidato a primeiro-ministro serão suficientes para o actual líder trabalhista vencer. 

sábado, 21 de maio de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Bernie Sanders - O senador do Vermont tem dado luta a Hillary Clinton. Na última semana venceu o Oregon e quase conquistou o Kentucky. Sanders não deve ganhar a nomeação, mas fez melhor figura do que os adversários republicanos de Trump. Nem a própria Clinton pode ir descansada para a eleição geral em Novembro muito por culpa do trabalho de Sanders.


No Meio

Eurolat - A Assembleia Parlamentar que junta eurodeputados e deputados sul-americanos devia ter ido mais além, sobretudo na procura de soluções para melhorar as relações entre os dois países. No entanto, a Europa preocupou-se mais com os problemas internos  e os países da América do Sul tentam recolher melhores condições financeiras. É verdade que ainda existe poucas ligações, a não ser as culturais e históricas. A Europa só muda a agulha se houver mais democracia e peso institucional no Mercosur. 

Em Baixo

Jeremy Corbyn - O líder trabalhista não tem unhas para o cargo. Nem sequer a conquista da Câmara de Londres irá mudar o panorama interno. O problema de Corbyn é não ter nenhuma vitória política significante, enquanto David Cameron e os conservadores reforçam a legitimidade democrática no Reino Unido. A fraca liderança de Corbyn será novamente visível se os britânicos votarem pela permanência na União Europeia, o que será uma vitória para Cameron.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Porquê a América Latina?

A recente cimeira da Eurolat realizada em Lisboa mostra uma aproximação da União Europeia aos países da América Latina e do Mercosur. No entanto, o restabelecimento das relações entre os Estados Unidos e Cuba poderão originar mais oportunidades para os norte-americanos do que aos europeus.

A insistência no reforço económico e social com os sul-americanos também é uma forma para ultrapassar os Estados Unidos. Ora, a UE continua a copiar os movimentos norte-americanos, em vez de seguir um caminho. Por exemplo, o continente africano deveria ter mais atenção, já que, a maioria dos países foram governados por impérios europeus. Não é por causa das ditaduras africanas que existem dificuldades nas relações porque na América Latina existem violações políticas mais graves do que em África. Nem as democracias como a brasileira escapam ao fenómeno da corrupção. Também há o caso do Panamá. As instituições sul-americanas não estão minimamente consolidadas. 

A Europa tenta ajudar, mas dificilmente conseguirá recolher benefícios, sobretudo numa altura em que negoceia um acordo de comércio livre com os Estados Unidos. Ou seja, colocar cada pé em cada hemisfério do continente americano não é uma boa estratégia porque os sul-americanos não se dão bem com o império norte-americano. Não será a Europa que vai fazer a ponte....

Na minha opinião os sul-americanos podem aprender com a Europa em alguns aspectos. No entanto, a maioria não vai seguir as regras definidas por um continente onde não existe união política nem solidariedade. 
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