quarta-feira, 24 de maio de 2017

Invulgar contestação social ao governo

O número de greves que o governo socialista teve de enfrentar não é normal, tendo em conta o apoio parlamentar do PCP. 

As manifestações ainda não são muitas, mas as greves são a mais gravosa forma de luta contra as medidas de qualquer executivo. Os sindicatos ultrapassaram os protestos na rua para prejudicarem o funcionamento dos serviços públicos.

No espaço de um mês, função pública, juízes e professores ameaçam paralisar os serviços em nome da falta de compromisso por parte do governo relativamente a várias situações. Por um lado, cada organização pode estar a pedir demais, mas por outro, o governo também pode nem sequer cumprir o que prometeu. 

O que interessa destacar é a falta de diálogo dos socialistas, mesmo estando reféns dos comunistas e bloquistas. A atitude demonstra que o PS pretende iniciar a próxima campanha eleitoral atacando os dois partidos que permitiram governar durante a legislatura. O próximo inimigo não serão os partidos da direita, mas os dois actuais parceiros. 

O governo socialista deveria passar incólume perante a contestação social, já que, supostamente cumpriu com as propostas. 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Ano 2010: O início do domínio dos conservadores britânicos

As eleições britânicas de 2010 colocaram ponto final em 13 anos de poder dos trabalhistas, divididos entre Tony Blair e Gordon Brown.

A governação trabalhista, sobretudo, com Blair no poder, fica marcado pelo boom económico e a guerra no Iraque. No final da primeira década do século XXI, Gordon Brown permitiu que a desregulação originasse a pior crise económica no Reino Unido. 

O governo eleito após as eleições de 2010 teve que efectuar reformas económicas para tornar o Reino Unido numa potência. 

O caminho iniciado por David Cameron em Downing Street começou por ser complicado porque não obteve maioria absoluta, necessitando de uma coligação com os Liberais-Democratas. O executivo cumpriu os cinco anos de mandato, tendo-se tornado numa vitória para o primeiro-ministro, já que, há bastante tempo que nenhuma coligação conseguiu cumprir a legislatura. 

A população britânica reforçou a confiança nos conservadores em 2015. Cameron conquistou a maioria absoluta, reduzindo a importância dos restantes partidos que tiveram todos de mudar de liderança. Os trabalhistas elegeram o terceiro líder em apenas cinco anos. 

O primeiro-ministro demitiu-se porque perdeu o referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia no ano passado, sendo substituído por Theresa May. A nova chefe do governo convocou eleições antecipadas para dia 8 de Junho de forma a tentar reforçar a maioria absoluta que detém no parlamento. 

A recuperação económica, o crescimento sustentado e a saída da União Europeia foram os principais factores das crescentes vitórias dos conservadores. O Reino Unido voltou a assumir uma posição independente em matérias como a economia, imigração, política externa, combate ao terrorismo. O estilo de liderança de Cameron e May também ajudaram à manutenção do poder. Por muito que se critique as fracas oposições de Ed Miliband e Jeremy Corbyn, o mérito tem de ser dado aos dois primeiros-ministros da década. 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O reforço das máquinas partidárias

A vitória de Pedro Sánchez nas primárias para a liderança do PSOE mostram a importância das máquinas partidárias. O mesmo acontece com Jeremy Corbyn no Labour.

Apesar das duas derrotas eleitorais e de vários erros estratégicos que impediram o apoio de qualquer outro partido a um governo liderado pelos socialistas, os militantes votaram na continuidade. Durante o longo processo eleitoral que decorreu em Espanha, Sánchez fez quase tudo errado, o que também costuma acontecer com Jeremy Corbyn.

Os pequenos descontentamentos que se costumam traduzir em actos eleitorais internos já não têm força suficiente para impedir o líder derrotado de se candidatar e muito menos originar uma derrota eleitoral. Note-se as várias tentativas para demover Jeremy Corbyn da liderança do Partido Trabalhista sem qualquer resultado positivo. 

À medida que vão ganhando eleições internas, Pedro Sánchez e o líder inglês reforçam o poder, mesmo com focos de instabilidade. O problema é que as vozes críticas não têm expressão nas urnas.

Os exemplos nos partidos socialistas espanhol e inglês revelam que nem sempre a melhor solução é realizar eleições internas para deitar abaixo as fracas lideranças porque, nestes casos, houve um reforço do poder. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O povo brasileiro tinha razão

O Brasil continua com o mesmo problema de sempre. Os níveis de corrupção na política chegam às mais altas instâncias do Estado, sendo que, a possível destituição de Michel Temer é a segunda consecutiva pelos mesmos motivos que levaram à saída de Dilma Rousseff. 

Não há solução possível para um cultura instalada há muito tempo no país irmão.

O mais grave é algumas pessoas irem para a política com o intuito de serem impunes à justiça. 

Nesta situação nem as alegações de Temer afastam qualquer inocência antes de qualquer prova em contrário. O que está em causa é o precedente que se vai abrir na política brasileira. A partir deste momento, os próximos chefe do Estado ou mesmo os candidatos à presidência serão olhados com desconfiança. 

A classe política começa a ser escrutinada pela justiça brasileira, confirmando as queixas apresentadas pela população. Afinal o povo tinha muita razão. 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A polémica mais perigosa para Donald Trump

As polémicas continuam a fazer parte do mandato de Donald Trump, mesmo sem completar 365 dias. 

As primeiras situações eram apenas questões menores, mais ligadas com política do que com questões éticas e morais, estando em causa opções estratégicas. 

O problema que o presidente norte-americano tem de resolver é muito maior, sendo que, a solução para abafar as notícias não pode ser só atacar tudo e todos. Donald Trump não se pode esconder no habitual ataque rasteiro que costuma fazer aos olhos dos norte-americanos e do mundo. 

A tentativa de condicionar o inquérito relativamente à possibilidade de Moscovo ter interferido nas eleições do ano passado é mais um sinal muito parecido com as críticas ao juiz que anulou a proibição de cidadãos de alguns países muçulmanos viajarem para os Estados Unidos, mais conhecido por Travel Ban, ou as pressões partidárias para colocar ponto final no Obamacare.

O padrão de Trump para resolver os problemas mais mediáticos tem sido sempre o ataque e a pressão sobre os agentes que contrariam a vontade executiva. 

Na minha opinião, o empresário dificilmente cumpre o mandato na Casa Branca.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Os tiques autoritários de Marcelo

As notícias que dão conta da eventual interferência de Marcelo Rebelo de Sousa no encerramento da Caixa Geral de Depósitos de Almeida revelam que temos um Presidente da República a roçar o autoritarismo. 

Aos poucos, Marcelo troca a presidência dos afectos por uma governação semelhante a alguns ditadores modernos que também começaram com pequenos gestos pouco mediáticos para acabarem em atitudes mais gravosas.

A comparação poderia ser exagerada se o poder do Presidente da República fosse limitado. Ou seja, caso não houvesse hipótese de interferir noutro tipo de situações, como a constituição de um governo. Por exemplo, se em 2019 nem PS ou PSD conquistarem maioria absoluta, serem obrigados a formarem um bloco central, tendo como primeira consequência a demissão de António Costa e Pedro Passos Coelho. 

O cenário não pode ser considerado irrealista porque a saída dos dois líderes partidários favorece as ambições de Marcelo Rebelo de Sousa em se candidatar a novo mandato em 2021. Tudo é possível numa pessoa que esteve dez anos como comentador político como única forma de conseguir vencer uma eleição. 

O mais grave é Marcelo se deixar envolver nesta questão por razões meramente mediáticas.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Ano 2010: A primeira vitória de Dilma

As eleições brasileiras marcaram o fim do reinado de Lula da Silva. O antigo presidente cumpriu dois mandatos no Palácio do Planalto, pelo que, teria obrigatoriamente de sair da presidência.

Como acontece em muitas ocasiões, o Chefe do Estado escolheu um sucessor dentro do Partido dos Trabalhadores para a obra continuar. Lula nomeou Dilma Rousseff para tentar conquistar a cadeira do poder. 

O acto eleitoral acabou por ser um passeio para a candidata do PT. Dilma recolheu 56% da votação, contra 43% do candidato social-democrata, José Serra, 

Na primeira volta, a candidata conquistou 46% contra 32% de José Serra. Marina Silva ficou em terceiro 19% e Plínio de Arruda nem chegou aos 1%.

A governação de Dilma Rousseff mereceu a confiança dos brasileiros em 2014, embora dois anos depois, tivesse iniciado o processo de impeachment. 

O mandato da presidente esteve sempre marcado por ligações a Lula da Silva. Ninguém dissociou as opções tomadas por Dilma de uma vontade expressa pelo antigo presidente. A partir do momento em que os escândalos de corrupção começaram a afectar o nome de Lula, também saíram notícias sobre o envolvimento da presidente. 

Apesar de tudo, alguns responsabilizam a governação pelo crescimento económico e a redução das desigualdades sociais no Brasil. 
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