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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A grande batalha pela soberania da Catalunha

O referendo da Catalunha provocou mais uma reacção forte por parte do governo central. As inúmeras detenções e a apreensão de boletins de voto são a única resposta que Mariano Rajoy tem para dar à Generalitat.

O que importa analisar é a questão política, nomeadamente a autonomia da região face a Espanha. Os catalães pretendem mais poder e não o conseguem porque estão ligados ao governo central. 

O executivo sediado em Madrid começa a dar bastantes razões para a Catalunha se afastar ainda mais. A utilização da força serviu para terminar com o problema no País Basco, mas a dureza e a determinação catalã são suficientes para a história ter um desfecho diferente. 

Tendo em conta que a realização da consulta popular é um acto de protesto contra o governo de Rajoy e não para fazer frente à unidade do país, qualquer atitude dentro da Catalunha por parte do executivo espanhol será entendido como um acto de conflito político. 

As duas partes consideram que a força é a melhor solução para resolver o problema, já que, os dirigentes catalães também insistem num acto que já foi chumbado. A repetição do referendo é uma nova provocação a Madrid e à coroa espanhola. 

Os próximos capítulos não vão ser pacíficos porque já se instalou um clima de vingança.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Discurso correcto de Trump

As declarações de Donald Trump nas Nações Unidas servem para impedir mais acções por parte de Pyongyang.

A ameaça norte-coreana não é apenas contra os Estados Unidos, mas coloca em causa a segurança mundial como acontece no terrorismo.

O combate contra os terroristas, e Kim Jong-Un é um deles, faz-se através da retaliação e nunca por via da ignorância ou diplomacia. A comunidade internacional desdobra-se em constantes comunicados na condenação ao lançamento de mísseis, enquanto Pyongyang se diverte a ameaçar todos os países.

O único país que pode travar as intenções norte-coreanas é a China, mas também corre o risco de ser um alvo militar. O objectivo número um passa por conquistar o sudoeste asiático, começando pelo vizinho do Sul e depois alcançar os Estados Unidos. 

A comunidade internacional não pode permitir mais acções porque a falta de atenção e preocupação durante anos  originou as actuais consequências. Caso falhem novas tentativas de diálogo, tem que se começar a pensar numa forma de travar o líder coreano.  

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Ano 2013: Passos Coelho foi o único saiu da crise com dignidade

O governo liderado por Passo Coelho praticamente se desfez em apenas dois meses. 

O primeiro a bater com a porta foi o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, que mostrou cansaço no cargo, mas também pelo rumo da politica económica. O primeiro-ministro rapidamente encontrou em Maria Luís Albuquerque a confiança necessária para prosseguir as metas exigidas por Bruxelas.

O CDS-PP não gostou, além de pretender mais influência na governação, pelo que, Portas também se demitiu proferindo uma frase que ficou na história da política portuguesa.O objectivo do líder centrista passava por ser o número 2 do executivo. 

As decisões quase levaram Passos Coelho a demitir-se, mas o chefe do governo agiu como líder, já que, não aceitou os factores que o poderiam levar a se entregar, embora tivesse dado a vice-liderança do governo a Portas. No entanto, Maria Luís Albuquerque chegou mesmo a Ministra das Finanças.

A crise desgastou a imagem do governo, embora a fraca oposição de António José Seguro tivesse evitado que Cavaco Silva optasse pela demissão do executivo. Passos Coelho comportou-se com dignidade porque não caiu na rasteirada dos centrista, mesmo que no fim tivesse cedido a Portas. Não tinha alternativa porque o CDS abandonava a coligação.

O que fica na memória é o "irrevogável" de Paulo Portas, em mais um mau episódio de como funciona a política. 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Mais um motivo para não votar

A falta de assuntos importantes do nosso quotidiano levou todos os partidos políticos com assento parlamentar a debruçarem-se sobre a realização de jogos de futebol no dia das eleições autárquicas, mantendo a tradição iniciada nas legislativas de 2015. 

Durante muitos anos havia uma prática costumeira que impedia o povo de ir à bola na mesma altura em que deveriam estar concentrados no acto eleitoral. No entanto, as pessoas deixaram de votar, mas mantiveram o hábito de frequentar estádios de futebol durante o fim-de-semana, particularmente ao domingo. 

A abstenção cresceu e o gosto pelo futebol manteve-se ou aumentou, pelo que, a culpa da fraca participação eleitoral só podia ser da bola que rolava no relvado ao mesmo tempo que se anunciavam os vencedores e vencidos. 

Os cérebros que nos governam descobriram uma excelente maneira de obrigar novamente o povo a se concentrar nas votações para legitimarem os lugares que alguns ocupam há muitos anos. No dia da eleição não pode haver perturbações na hora de escolher os representantes locais e nacionais. O problema é que os governantes esqueceram-se de outras actividades utilizadas pelos portugueses aos fins-de-semana como os espectáculos musicais, cinemas e museus.

Não deve haver assunto mais importante neste país do que a incompatibilidade de se votar e participar em eventos para o problema ter ganho relevância nacional e merecer opiniões contraditórias, sendo que, algumas delas parecem proferidas por crianças de cinco anos. 

O actual poder político resolveu a questão pela força da lei, mas não percebe que as pessoas vão responder com mais abstenção.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

União Europeia ainda sem discurso igual para todos

Os discursos de Juncker são sempre motivo de análise profunda porque transmitem várias mensagens ambíguas. O último relacionado com o Estado da União Europeia não foge à habitual regra de apelar a mais união e democracia, mas também conta com várias indirectas aos prevaricadores. 

A principal ideia é que não há união para os países que quebram as regras fundamentais da democracia, Estado de Direito e respeito pelos princípios europeus.

Não é possível num discurso incluir todos os Estados-Membros no mesmo barco e depois escolher alguns para sobreviverem a um naufrágio. Os países que estiveram com a Alemanha e o establishment europeu vão ser beneficiados, enquanto os outros correm o risco de discriminação. 

A União Europeia é uma ideia onde todos devem cumprir as mesmas obrigações e beneficiarem dos mesmos direitos. Os discursos normalmente proferidos pelos responsáveis europeus têm quase sempre uma indirecta para as diferentes abordagens internas, em particular no leste da Europa.

Neste aspecto, o clube europeu aproxima-se cada vez mais de uma federação política, já que, a nível constitucional será complicado tornar tudo igual. 

A crescente vontade de incluir os países dos Balcãs na União Europeia, bem como convidar a Roménia, Bulgária e a Croácia para pertencerem ao espaço Schengen pode ser mais uma precipitação, mas é mais um passo rumo à criação da Federação Europeia.

Por fim, nota-se que a ambição de estabelecer acordos comerciais com as maiores potências mundiais é uma forma de concorrer com o Reino Unido, embora seja demasiado tarde para a União Europeia alcance benefícios.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Theresa May continua encurralada

O mandato de Theresa May continua instável devido às constantes agitações dentro do Partido Conservador, em particular no grupo parlamentar. A crise política que Jeremy Corbyn teve de lidar durante vários meses transferiu-se para a outra bancada da Câmara dos Comuns.

Nos próximos anos, a primeira-ministra terá que defender os interesses do Reino Unido junto da União Europeia, mas também contar com os focos de contestação internos, além de se preocupar com os bons resultados eleitorais do Partido Trabalhista. 

Os problemas podem ser controlados com algumas cedências aos defensores de uma saída forte do Reino Unido da União Europeia, mas sempre que o fizer corre o risco de perder popularidade porque a oposição ganhou bastantes votos nas últimas eleições em matérias relacionadas com o Brexit como a imigração e o mercado único.

A forma como Theresa May assegurou que iria continuar no cargo até final do mandato revela alguma insegurança. A primeira-ministra deveria ter dito no parlamento em vez de originar reacções através da comunicação social. A declaração na Câmara dos Comuns tinha sempre mais força e impacto junto da oposição interna e externa do que uma pequena entrevista facilmente contrariada.

Os sinais de instabilidade demonstrados depois das eleições são preocupantes, tendo em conta que os dois últimos governos conservadores sempre se pautaram por firmeza na liderança, mesmo em coligação com os Liberais-Democratas entre 2010 e 2015. Theresa May não tem confiança na actual parceria parlamentar com o DUP ou prepara nova estratégia para conquistar a maioria absoluta.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A desintegração política de Espanha

A realização de um novo referendo sobre a independência da Catalunha é um passo decisivo na desintegração política de Espanha. Aliás, a forma como se reagiu aos atentados em Barcelona demonstra falta de unidade, apesar de todas as cerimónias em prol da liberdade.

A autonomia da região relativamente a Espanha só precisa de ser confirmada em termos práticos porque na teoria já existe há bastante tempo. A consulta popular é apenas mais uma desculpa para criar um fosso entre Espanha e a Catalunha sobretudo no plano político e económico. O nacionalismo é uma boa forma de cimentar divisões dentro do mesmo Estado. 

A eterna recusa de Rajoy aceitar a realização do referendo irritou os dirigentes catalães, mas também a população que se sente amordaçada por Madrid. A Catalunha pretende maior progresso e investimento do que o permitido pelo executivo central. 

Não se pode acreditar que a luta dos catalães tem a ver apenas com a identificação dos símbolos porque a bandeira e o hino já existem há bastante tempo. O problema é que tudo começa com uma defesa acérrima dos emblemas que distinguem uma região do resto do país. 

O referendo que se realiza no dia 1 de Outubro só vai servir para aumentar as divisões, independentemente do resultado. As exigências serão sempre iguais, mesmo em caso de derrota. 
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