sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Figuras da Semana

Por Cima




Rui Rio - O Presidente do PSD escapou com mestria ao desafio de Montenegro. A atitude humilde valeu um mandato importante para o ciclo eleitoral. O antigo autarca teve o mérito de não se deixar engolir por aqueles que gostam de desestabilizar o PSD na oposição, como aconteceu com Marques Mendes e outros que não acabaram o mandato por causa dos jogos de bastidores. Rio foi o único que não teve medo de ir a jogo, mesmo contra as sondagens, as opiniões publicadas e quase metade do partido.




No Meio


Theresa May - A primeira-ministra obteve uma derrota e uma vitória, sendo que, a segunda é mais importante por causa da legitimidade para não obter um acordo com a União Europeia. No plano interno, May conseguiu a confiança do Parlamento, meses depois de conquistar o respeito dos deputados. As três vitórias, contando com a eleição em 2017, podem ser suficientes para ganhar as próximas legislativas depois de acalmar o ambiente.



Em Baixo


Luís Montenegro - O antigo líder parlamentar perdeu a possibilidade de cumprir o sonho de se candidatar à liderança agora e no futuro. A imagem de político corajoso que enfrenta a direcção passou rapidamente para perdedor. Apesar de contar com alguns apoios, percebeu-se que dificilmente iria ganhar a batalha, sendo que, nem nas directas tinha hipóteses. O maior problema é não conseguir guardar a pole-position caso as sondagens confirmem um mau resultado porque ficou completamente desgastado.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

A debandada ou o regresso de Passos Coelho

A eventual vitória de Rui Rio no Conselho Nacional vai ter consequências muito graves para o PSD. 

A melhor forma de acabar com o ruído seria realizar directas, mas também havia perigos  num ano em que se vão disputar vários actos eleitorais importantes para o futuro do país. 

O que está em causa na reunião social-democrata é a sobrevivência do partido em termos de liderança e definição ideológica, mas também sobre o papel na sociedade portuguesa, independentemente de quem estiver no poder. 

O risco de divisão aumenta com a manutenção de Rio e de uma viragem à esquerda. Contudo, um eventual suporte ao Partido Socialista na próxima legislatura, com o patrocínio de Marcelo Rebelo de Sousa, não é aceite por aqueles que perderam o poder depois da celebração da geringonça em 2015.  A estratégia dos ditos passistas, liderados por Luís Montenegro, passa por fazer o mesmo caso o PS não tenha a maioria absoluta em Outubro. O problema é que a Direita pode não alcançar a maioria de 116 deputados, mesmo com o surgimento de vários partidos no último ano.

Neste momento, são duas as consequências do triunfo da direcção. 

Em primeiro lugar vai haver uma debandada de muitos militantes para outras forças, ou mesmo criarem uma nova. O PSD pode ficar com o tamanho do CDS, sendo que, os votos dos eleitores que costumam votar no centro serão canalizados para o PS. 

A segunda consequência é o regresso de Pedro Passos Coelho após as legislativas para recuperar a matriz que possibilitou duas vitórias eleitorais. O antigo líder é o único com capacidade para criar alguma onda de entusiasmo, sendo que, o distanciamento desde a saída no ano passado, será entendido como um factor de mudança positiva.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O Brexit já não é um problema da União Europeia

O resultado da votação sobre o acordo proposto pelo governo britânico tem mais consequências no plano interno do que nas relações entre o Reino Unido e a União Europeia.

Nos últimos meses notou-se uma enorme preocupação relativamente aos efeitos que o assunto podia ter no governo, nos conservadores, no Partido Trabalhista, e sobretudo na sociedade. O que está em jogo será a estabilidade interna.

Os jogos de bastidores provam que o sistema partidário no Reino Unido tem a possibilidade de sofrer os mesmos problemas que atingiram a maioria dos países europeus. Isto é, surgirem várias forças partidárias com tendências populistas, como o nascimento de um partido para lutar pelo regresso do país ao clube europeu para acabar com a hegemonia de conservadores e trabalhistas no Parlamento.

As acções mais recentes de Theresa May provocaram os membros dos conservadores que estão descontentes com a actual liderança, enquanto o Partido Trabalhista subiu o tom e a agressividade, além de se manter em excelente posição nas sondagens. Contudo, a Primeira-Ministra também obteve vitórias como a rejeição de uma moção de censura por parte dos deputados conservadores, sendo que, os estudos de opinião são igualmente favoráveis. Por um lado, existe uma saturação, e por outro, a resiliência mantém tudo na mesma. 

Os responsáveis europeus assistem aos imbróglios políticos no Reino Unido com alguma tranquilidade, apesar de ser um mau momento para a coesão. Ao contrário do que aconteceu na ilha britânica, nos últimos dois anos e meio, prepararam-se os dois cenários com um particularidade que garante a manutenção da união, já que, não houve grandes divisões e os países vão optar pelas mesmas medidas. 

Não consigo perceber como é mais fácil juntar 27 Estados-Membros no mesmo barco e não é possível dois partidos trabalharem no sentido de criarem as melhores condições para a população britânica. O principal problema é não se entender o que está por detrás da falta de solidariedade no país onde continuam a imperar os brandos costumes.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

O regresso à Direita não é o melhor caminho para o PSD

A divisão das várias tendências no PSD é um facto consumado, sendo que, falta saber o que vai acontecer num ano em que deveria ser de foco nos actos eleitorais. Contudo, a facção mais radical exige o trono antes de ser despedida durante quatro anos após as eleições de Outubro.

A actual direcção não tem gerido da melhor forma a oposição ao Partido Socialista, mesmo que seja importante concordar com algumas medidas em nome do interesse nacional. O problema é que vários chavões como o do banho de ética, já se perderam. 

O que está em causa é a ideologia do partido. Os vários pensamentos que se criaram nos últimos anos, sobretudo com a chegada de novas caras durante as lideranças de Passos Coelho, baralha as prioridades e estratégia. O PSD não tem as mesmas condições que o CDS para abraçar muitas linhas de orientação, sendo que, os centristas também podem ser penalizados no futuro.

A manutenção da social-democracia é o melhor para o PSD conquistar o espaço que perdeu na sociedade portuguesa. Mudar a génese de uma força partidária traz sempre problemas como se percebeu pela forma como Passos Coelho governou à Direita. Os sociais-democratas sempre tiveram responsabilidades sociais, pelo que, colocar um rótulo liberal e com um discurso agressivo não é a melhor solução. 

Os dois maiores partidos portugueses sobreviveram por causa da ideologia social, e apresentando um discurso moderado. 

A última oportunidade dos militantes de Direita continuaram no partido passa pela conquista à força do poder, originando uma mudança radical, que possibilita ao PS ficar com os votos da classe média mais desprotegida, jovens com poucas oportunidades, e novos empresários que procuram oportunidades para lançarem mais projectos, além de manterem uma posição responsável relativamente às questões europeias.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

O Brexit é a maior encruzilhada política dos últimos anos no Reino Unido

A dois meses da saída do Reino Unido da União Europeia ninguém sabe qual será o futuro das relações.

O impasse no Parlamento britânico terá consequências negativas mesmo que os responsáveis europeus tenham dito que não estão disponíveis para mais negociações. No início de 2019 deveria ser anunciado o local da cerimónia de saída, mas ainda se discute qual é a vontade final dos britânicos. 

Londres deixa uma imagem negativa no adeus definitivo ao clube europeu por causa das hesitações, desorganização e falta de um rumo. No começo do processo notou-se os mesmos problemas no lado europeu porque não se esperava a vitória do SIM no referendo. Contudo, houve um toque a reunir entre os Estados-Membros que chegaram rapidamente a um consenso. 

O dedo não pode ser apontado apenas à liderança de Theresa May, já que, os trabalhistas também estão divididos na questão. Não seria possível que houvesse uma solução que agradasse a todos, mas o interesse nacional tinha de ser colocado em primeiro lugar, como aconteceu com Cameron que arriscou a liderança ao efectuar um escrutínio popular sobre o assunto. 

O desnorte é tanto que chegou a propor-se um segundo referendo ou uma consulta à população para votar os termos do acordo. A primeira solução iria originar mais divisões na sociedade britânica, que já aceitou a saída como um facto consumado. Por outro lado, cabe à Câmara dos Comuns zelar pelos interesses das pessoas relativamente à legislação. Contudo, compreende-se a falta de capacidade política e de liderança de alguns responsáveis que não pretendem assumir as responsabilidades, como sucedeu com Boris Johnson e Nigel Farage em 2016.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

O Muro que vai dar a reeleição a Trump

A construção de um muro na fronteira com o México para impedir os imigrantes de entrarem em território norte-americano é a última promessa eleitoral que Donald Trump tem de cumprir para arrancar com a campanha tendo em vista a reeleição em 2020.

Caso a divisão que existe entre o Congresso e a Casa Branca seja ganha pelo Presidente norte-americano, não haverá um novo inquilino dentro de um ano e meio.

Não é por acaso que Trump continua a fazer finca pé, mesmo correndo o risco de paralisar os serviços públicos. O eleitorado que o apoia não pertence à administração pública, mas são muitas pessoas que sofrem com as consequências da entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos.

Apesar não haver dinheiro público para a obra, será encontrada outra forma de financiamento, já que, o líder norte-americano tem sido mestre em arranjar soluções de recurso para ganhar os conflitos políticos. 

O grande entrave são os democratas que se opõem totalmente à separação física dos Estados Unidos e do México. 

Numa altura em que se aproxima a fase dos anúncios das candidaturas à Casa Branca podem apontar o dedo a Trump por muita coisa, menos acusá-lo de não cumprir, o que significa muito para os norte-americanos que olham o sistema em Washington com desconfiança por não estar ao serviço das pessoas, mas dos interesses pessoais. No entanto, Trump representa mais os lobbies em vários sectores do que propriamente o comum cidadão, embora continue a justificar a adopção de medidas polémicas por causa da vontade popular. 

O desejo de impedir que vários imigrantes continuem a entrar livremente nos Estados Unidos pertence a uma comunidade, não sendo apenas uma medida descabida.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

As legislativas não vão alterar o espectro político em Portugal

A vaga de populismo ou de novos estilos de liderança que atingiu várias democracias ocidentais dificilmente chega a Portugal neste ano. Apesar de haver três actos eleitorais, não será em 2019 que as novas forças políticas conseguem furar o sistema. 

O esforço de algumas pessoas para mudarem o espectro partidário deverá ser recompensado apenas em 2023 caso mantenham os projectos após as legislativas de Outubro. 

A necessidade de estabilidade política nos próximos anos como forma de manter o crescimento económico impede que se optem por soluções ainda desconhecidas. O descontentamento e desinteresse de algumas franjas da população pelo fenómeno não será canalizado totalmente para as novas forças que subitamente apareceram. A abstenção continuará a subir porque as propostas apresentadas são as mesmas que há quinhentos anos.

O grande problema continua a ser os rostos. Da Esquerda para a Direita não há mudanças desde 2015. As únicas novidades são as caras jovens dos novos player partidários, embora com um longo caminho para percorrer.

Neste ano eleitoral existe um motivo mais preocupante, como é a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa. A imagem dos afectos foi sempre construída num plano positivo, já que, o Presidente da República nunca teve problemas políticos. A falta de maioria absoluta do PS coloca um enorme desafio. 

Não acredito que o Chefe de Estado fique à margem do futuro do país. Isto é, coloque a decisão de entendimentos e alianças nas mãos dos partidos, como costumava fazer Cavaco Silva. Marcelo Rebelo de Sousa vai assumir uma posição autoritária caso seja necessário efectuar coligações no Parlamento.
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