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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A incerteza do Brexit

Na véspera de se iniciar a segunda fase das negociações entre o Reino Unido e a União Europeia não existe nenhum caminho definido por qualquer das entidades. Os recados e avisos para o outro lado são mais que os apertos de mão, apesar de já se ter ultrapassado a primeira fase com sucesso. 

Os responsáveis europeus estão a adoptar uma postura negativa face aos britânicos desde o início do processo para impedir que Theresa May se sinta confortável nas viagens a Bruxelas e no regresso a casa. Ainda existe alguma esperança que o Brexit seja anulado caso a primeira-ministra abandone o poder. 

O clima interno também não é o melhor para a líder do executivo trabalhar em paz na defesa dos interesses britânicos. No fundo, os europeus pretendem ficar ligados ao Reino Unido de outra forma, mas alguns membros dos conservadores e outras forças partidárias preferem um corte total com a União Europeia. May continua no meio a tentar agradar a gregos e troianos sem perceber que a indecisão prejudica apenas a manutenção no cargo. Não é possível fazer cedências nos dois lados. 

As declarações dos dirigentes europeus mostram que existe pouco respeito pelo resultado do referendo bem como uma frustração pela derrota. A velha forma da União Europeia lidar com as derrotas não muda. Curiosamente, Merkel e Macron adoptam posturas mais moderadas sem revanchismo que poderia levar a um afastamento definitivo dos britânicos com a Europa.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Mais um mito que vai durar pouco tempo na liderança do PSD

A eleição de Rui Rio como líder do PSD não representa uma mudança. Na campanha notou-se algumas semelhanças com Passos Coelho, sobretudo no plano económico. A promessa de apresentar uma alternativa será curta porque não é fácil criar  uma solução diferente do governo neste clima favorável.

O antigo autarca do Porto lutou pela oportunidade que tanto reclamava desde a saída de funções camarárias. A conquista da liderança resulta de um trabalho iniciado há um ano. 

Num curto espaço de tempo precisa de provar que merece a confiança dos militantes. As conclusões serão tiradas no final do ano tendo em conta que em 2019 existem eleições europeias e legislativas. Rio não terá um acto eleitoral antes das eleições gerais para testar a liderança, pelo que, a capacidade de levar o PSD à vitória no início de 2019 será decisivo na mobilização dos eleitores. 

Na eventualidade dos sociais-democratas concorrerem às eleições num clima de critica constante prejudica o trabalho do autarca porque os aliados rapidamente se transformam em adversários. 

A liderança de Rui Rio recorda-me a fraca presidência de Manuela Ferreira Leite, outro mito que rapidamente caiu na realidade. São figuras que sempre contribuiram positivamente para o PSD, mas sem capacidade de mobilizarem os militantes e os eleitores. Os dois sempre estiveram à espera das condições ideais para se chegarem à frente, contando sempre com apoios da máquina. 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A liderança de Passos Coelho ficou fora da campanha

Normalmente nas eleições internas de um partido costuma haver comparações entre o líder cessante e o futuro. Na campanha para as directas do PSD não houve uma tentativa de ofuscar a liderança de Passos Coelho por parte dos candidatos. 

Em primeiro lugar não há razões objectivas para criticar a liderança que termina funções em breve. A vitória nas legislativas dá um capital de confiança a Passos Coelho. Em dois meses nem Santana ou Rio se referiram à derrota nas autárquicas. Os dois podiam ter feito um diagnóstico muito negativo, sobretudo Rio que fez campanha interna através dos jornais nos últimos anos, mas optaram por um discurso mais suave.

Na apresentação das candidaturas, Rio e Santana começaram por saudar o trabalho realizado por Passos Coelho, lembrando as circunstâncias dificeis em que liderou o executivo de direita. Não seria inteligente iniciar uma campanha elogiando o líder do partido e depois estar constantemente a criticar, além de que Passos Coelho tem um capital muito grande junto do eleitorado social-democrata e no país. Os costumes dizem que as opiniões mudam como o vento, mas ninguém pode tirar mérito a duas vitórias em eleições legislativas.

A outra razão para o debate não ter ido por esse caminho está relacionado com a eterna questão da gestão de Pedro Santana Lopes, levantadas por Rui Rio. O que está em causa não é a possibilidade do PSD regressar ao passado mais recente, mas a 2004, altura em que Santana supostamente realizou diversas trapalhadas que o impediram de continuar como líder do executivo, tendo sido confirmadas pelos portugueses nas eleições de 2005. 

A liderança de Santana Lopes foi bastante mais escrutinada do que a de Pedro Passos Coelho.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Uma nova atitude contra o rigor orçamental

Os candidatos à liderança do PSD jogam uma cartada forte na última semana de campanha, havendo um debate que não deverá acrescentar nada relativamente à convicção dos militantes. A conversa dos concorrentes com as bases acaba por ser mais esclarecedora que as entrevistas e os debates, que servem apenas para mostrar as ideias aos eleitores em geral. 

O passado de Santana Lopes como primeiro-ministro tem sido bastante escrutinado, mais pelos comentadores do que por parte de Rui Rio, que perdeu uma excelente oportunidade de colocar o adversário a admitir que falhou. Apesar dos mau exercício das funções em 2004, nota-se uma vontade de fazer algo novo e de mobilizar as pessoas à volta de um projecto. As pessoas estão fartas dos representantes que se escondem atrás de uma secretária a fazerem contas de cabeça para equilibrar o orçamento.

O tempo em que o primeiro-ministro ou Presidente da República ganhava eleições porque tem as contas equilibradas terminou porque as pessoas pretendem uma palavra de ânimo, de esperança e motivação. As boas notícias são importantes, mas não substituem os afectos, sobretudo numa altura em que existe cada vez mais incerteza. 

Por estas razões, Santana Lopes pode estar vantagem sobre Rui Rio nos militantes sociais-democratas, apesar do país optar nas sondagens pelo antigo presidente da Câmara Municipal do Porto. O discurso nesta campanha não sai das opções económicas e da redução défice, semelhante às propostas do governo. 

A nova postura do ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa parece ser mais contagiante e inovadora porque o país necessita de alguém que aponte caminhos. Rio caiu no mesmo erro do governo, que ficou à espera de resolver os problemas sociais apenas e só com os bons números económicos. 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A questão que mais intriga os militantes sociais-democratas

A corrida para a liderança do PSD pode ser resumida a uma única questão. O que farão os candidatos caso o PS vença as próximas legislativas com maioria relativa e a relação parlamentar com os socialistas neste ano e meio antes do acto eleitoral.

Os concorrentes já disseram várias coisas, mas rapidamente são apanhados em contradição em cada entrevista ou debate. Nenhum militante pretende dar a mão ao PS porque o golpe de 2015 ainda está bem fresco na memória, mas também não se entende que o PSD continue a assumir uma atitude irresponsável como foram os dois anos de Passsos Coelho na oposição em alguns assuntos.

A primeira questão é saber que tipo de oposição será o PSD nos dois anos em que poderá ser chamado a ajudar o executivo tendo em conta o mau estar com os parceiros no parlamento. Neste aspecto, Rio e Santana Lopes garantem que vão adoptar outro tipo de postura porque o partido perdeu muito com a conversa da chegada do diabo e do passado. As contradições dizem respeito ao pós-eleições.

Os dois candidatos não podem assumir uma posição sem saber o resultado, pelo que, qualquer palavra corre o risco de ser alterada. Numa entrevista, Rui  Rio esteve bem ao dizer que ter a mesma atitude de António Costa em 2015 é dar argumentos para a criação de uma nova geringonça, embora o PCP esteja completamente fora de nova aventura porque não será necessário repor rendimentos. No entanto, o BE deverá ser um aliado dos socialistas. 

No passado, o PSD viabilizou inúmeros governos minoritários do PS, não sendo previsível que mude de atitude. A não ser que haja uma vingança política por aquilo que se passou em 2015, mas a nova direcção, com Rio ou Santana, não deverá optar pela mesma via porque também existe a influência presidencial. Marcelo Rebelo de Sousa é o primeiro a rejeitar uma situação dessas.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Fire and Tear

O recente livro de Michael Wolff, "Fire and Fury", que retrata os bastidores da Casa Branca durante o primeiro mandato da administração Trump deveria ser "Fire and Tear" porque as duas marcas principais foram os despedimentos na equipa pessoal e no governo, além de ter rasgado inúmeros acordos que são importantes para o desenvolvimento do planeta. 

As fotografias que passam nos órgãos de comunicação social recordam o número de pessoas despedidas ao longo de 365 dias, sendo que, algumas eram amigos pessoais que levaram Trump à vitória nas presidenciais. Steve Bannon foi um conselheiro importante e agora é um dos maiores inimigos. O presidente pode ter aberto as portas da politica para Bannon. No executivo também já se mudaram os colaboradores mais relevantes, faltando apenas o vice-presidente. Contudo, Mike Pence já esteve na corda bamba, bem como Rex Tillerson. 

A maioria dos colaboradores não optou por sair de livre vontade, preferindo que o presidente exercesse a autoridade. As críticas atingem o líder norte-americano pela forma como os processos são realizados. 

O fim de acordos globais conquistados pela diplomacia de Obama também são trazidos à memória com alguma frequência. A política isolacionista tem consequências nos próximos anos como recordou António Guterres numa entrevista recente. 

A obra não pode ser editada com novos factos porque já foram todos despedidos e não há mais acordos para rasgar.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Figuras da Semana

Por Cima

António Guterres  - O secretário geral das Nações Unidas realizou um discurso na entrada para o novo ano. A escalada de violência de 2017 irá continuar nos próximos anos porque assistimos a um período em que as grandes potências preferem caminharem sozinhas do que actuar em conjunto. A mensagem poderia ser uma crítica a Donald Trump, mas existem outros pólos que devem merecer reflexão, como a atitude norte-coreana e o apoio dos árabes ao terrorismo internacional. O discurso do português é um bom sinal da provável intervenção da ONU nos vários conflitos.

No Meio

Irão -  O regime dos ayatollahs está a passar pela pior fase. Os constantes atropelos às liberdades podem estar a ser questionados também por causa das recentes mudanças na Arábia Saudita. A resposta de Teerão é a mesma. A culpa é do Ocidente.

Em Baixo

PSD -  O primeiro debate entre candidatos à liderança nas eleições de 13 de Janeiro foi mau porque Santana Lopes e Rui Rio preocuparam-se mais em falar do percurso de cada um dentro do partido. Os dois mostraram que têm telhados de vidro que contrariam os discursos de apresentação em Outubro. No plano político a situação é ainda mais grave porque mostraram semelhanças, sobretudo na economia, não tendo nenhuma ideia nova para impedir que o governa consiga recolher todos os frutos do crescimento económico.
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