quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Elizabeth Warren respondeu ao ímpeto ofensivo dos candidatos mais novos

O processo de destituição contra Donald Trump marcou o início do quarto debate democrata com contou com 12 candidatos. Os concorrentes estiveram unidos na necessidade de abrir uma investigação para saber se os actos presidenciais são suficientes para o remover da Casa Branca. No entanto, os ataques contra o Presidente terminaram até ao final.

A liderança nas sondagens colocou Elizabeth Warren no centro das atenções, sobretudo dos candidatos mais jovens, que pretendem um maior protagonismo. Curiosamente, os principais adversários da senadora, Joe Biden e Bernie Sanders, estiveram pouco activos. Os bons números nos estudos de opinião garantem mais tranquilidade, já que, os duelos durante as primárias serão mais importantes. 

As principais quezílias deram-se entre os que dificilmente terão mais tempo de antena nos últimos meses da pré-campanha, sendo que, alguns não vão estar presentes no próximo debate em Novembro, como Tulsi Gabbard, Beto O´Rourke ou Cory Booker, apesar da qualidade política. 

O debate versou sobre os aspectos domésticos como a saúde, impostos e o controlo das armas. A idade de cada um também mereceu muitas respostas demoradas. No plano externo só houve a possibilidade de discutir a ligação entre a retirada de tropas norte-americanas da Síria e o ataque da Turquia contra o Curdistão. Neste aspecto, houve muitas contradições porque a maioria defendeu a mudança de regime, mas sem a presença de militares. 

A saída ou manutenção de Trump na Casa Branca até ao início das primárias vai definir os candidatos democratas. Caso não haja resultados positivos no impeachment a escolha deverá recair em Biden e Warren com Sanders a tentar a eleição.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

A batalha política mais difícil da presidência de Trump

O processo de destituição iniciado pelo Congresso norte-americano será a batalha política mais difícil que o Presidente Donald Trump tem de enfrentar. O que está em causa pode ser apenas um comportamento, mas a decisão final terá em conta todo o exercício do mandato. 

Na minha opinião o Chefe de Estado vai ter o primeiro teste aos quatros anos na Casa Branca, um ano antes da eleição. Os congressistas irão avaliar o carácter de Trump, enquanto os eleitores terão de se pronunciar sobre o programa político. 

O surgimento de mais um escândalo foi suficiente para os democratas lançarem uma ofensiva contra o Presidente para evitarem a derrota nas próximas eleições. Contudo, nesta ocasião os fundamentos são mais graves do que nas anteriores em que nada foi provado. 

As consequências políticas são fáceis de prever. Trump fica mais forte se não for destituído. O problema é que pode perder apoio dentro do Partido Republicano, mesmo com os votos favoráveis no Senado que garantem a manutenção no poder. A pouca confiança que existia entre os responsáveis do establishment e o Presidente deverá diminuir consoante a gravidade das acusações. 

A questão judicial dificilmente será esquecida como aconteceu noutras situações porque se trata de uma denúncia proveniente da Casa Branca, pelo que, haverá pouca margem de manobra para Trump se manter no poder.

A chave do problema está na forma como os republicanos vão encarar o futuro, já que, Trump é o único com capacidade para ganhar as eleições no próximo ano.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

As derrotas políticas de Boris Johnson

O novo Primeiro-Ministro britânico teve mais uma derrota no campo político e jurídico. A decisão do Supremo Tribunal de Justiça não é apenas uma questão judicial porque tem consequências políticas. 

O líder dos conservadores vai ser ligado a uma tentativa de subversão das instituições democráticas para evitar a discussão do Brexit. Não será fácil a Johnson recuperar a imagem depois de condicionar o funcionamento da Câmara dos Comuns. 

A questão da saída do Reino Unido da União Europeia fica para segundo plano nos próximos tempos. A oposição pretende aproveitar a enorme vitória democrática para ganhar credibilidade junto dos eleitores. Neste momento, existe uma aliança de todos os partidos contra as manobras pouco credíveis do governo. 

Os primeiros meses de Johnson na liderança do executivo têm sido marcadas por várias derrotas. As tentativas de impor uma saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo foram rejeitadas. Contudo, não se trataram de propostas efectuadas em Westminster, mas de oportunidades subterrâneas para obrigar à aceitação de uma solução que ninguém pretende. 

O balão de oxigénio ou estado de graça que todos os líderes podem utilizar nos 100 dias de governação já se esgotou por culpa própria. Em apenas dois meses foi possível perceber a tentativa de Johnson em chegar ao objectivo através de manobras obscuras.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

António Costa refugiou-se nos números da governação para manter a vantagem eleitoral

A serenidade com que decorreu o debate entre António Costa e Rui Rio beneficia o Primeiro-Ministro. No entanto, a maneira como o líder socialista fugiu às perguntas com a divulgação dos números positivos para o executivo podem ser prejudiciais. 

O Presidente do PSD surpreendeu pela prestação positiva, embora não seja suficiente para ganhar o acto eleitoral. A insegurança demonstrada durante um ano e meio noutros palcos foi pouco visível. As respostas competentes e o domínio dos assuntos vão permitir a conquista de alguma simpatia nos eleitores e militantes que continuam indecisos. 

O sucesso da governação nos últimos quatro anos deram poucos argumentos à oposição. A única forma de estabelecer a diferença passa por apresentar outras alternativas. Rui Rio tentou encontrar alguns argumentos, como a questão do aeroporto ou dos impostos, mas dificilmente ganha pontos nos sectores que desconfiam das propostas do governo. 

Os dois candidatos perderam-se em números que já não se utilizam neste tipo de debates porque podem ser utilizados de diversas formas. Contudo, António Costa divulgou a qualidade da governação em vários sectores, sobretudo naqueles em que existem mais críticas por parte das populações e dos meios de comunicação social. O socialista não deixou que os temas mais negativos, como a saúde, fossem explorados pelo adversário.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Rui Rio tem um espaço de manobra muito reduzido nestas eleições

O resultado das próximas eleições dificilmente vai provocar mudanças nas lideranças partidárias, sobretudos nas forças de Direita. O espectro da derrota não tira Rui Rio nem Assunção Cristas do poder.

O PSD regressa à convulsão interna que começou desde a saída de Pedro Passos Coelho, enquanto o CDS continua a viver a ilusão de que será novamente um partido de poder.

O líder social-democrata tem pouca margem de manobra nestas eleições porque ter menos um voto que os socialistas será considerado um fracasso, pelo que, abaixo disso, é um resultado muito negativo. Por outro lado, Rui Rio acredita que um governo minoritário do PS depende muito do PSD, já que, à Esquerda não será possível construir uma nova geringonça. 

A possibilidade dos socialistas conquistarem a maioria absoluta tem de atirar Rio para fora do partido. A oposição no Parlamento fica impossível de concretizar, embora o novo líder tenha de sofrer um enorme desgaste durante quatro anos.

O problema não está apenas num eventual falhanço de chegada ao poder, mas em saber se vai manter o estatuto de líder da oposição. O CDS de Assunção Cristas nunca será opção, apesar dos desejos manifestados nos últimos anos. No entanto, os partidos da Esquerda, nomeadamente o BE pode ganhar um papel mais relevante no combate ao executivo. Catarina Martins é a personalidade mais bem preparada para vigiar os abusos que se cometem sempre no segundo mandato.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

A União Europeia tem de ser menos flexível com o novo governo britânico

O único aspecto positivo relativamente ao problema do Brexit tem sido a postura da União Europeia. O clube europeu continua unido em obter o melhor acordo com o Reino Unido independentemente das jogadas políticas. 

A actual atitude possibilita ganhar com todo o processo, que parece não ter fim à vista, porque as consequências negativas serão sentidas no território britânico. No entanto, os líderes europeus precisam de exigir uma clarificação à Câmara dos Comuns.

Na minha opinião, a União Europeia tem permitido demasiada flexibilidade aos britânicos, sendo que, já se passaram três anos sobre o referendo. As inúmeras cedências dadas ao executivo liderada por Theresa May adiaram o processo em Westminster, até ao ponto em que se fala numa saída sem acordo. 

A paciência com Boris Johnson não deve ser a mesma, sobretudo depois da vontade em realizar uma saída sem acordo. A opção delineada representa um corte radical com a União Europeia. Bruxelas deve ser mais intransigente com o líder eurocéptico. 

As últimas incertezas na Câmara dos Comuns indicam a manutenção dos mesmos problemas que originaram a queda de Theresa May, pelo que, deve existir um prazo para a conclusão do processo com ou sem uma negociação final.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

As jogadas políticas de Boris Johnson não vão ser aceites dentro do Parlamento

A tentativa de Boris Johnson obrigar o país a aceitar um não acordo com a União Europeia através de jogadas de bastidores dificilmente terá o mesmo resultado que a antecipação de eleições provocada por Theresa May em 2017 com o objectivo de reforçar o poder dos conservadores. 

A atitude revelada pelo Primeiro-Ministro britânico não é novidade, tendo em conta a forma como chegou ao poder. No entanto, o que mais preocupa é a falta de clareza num processo que diz respeito aos britânicos. 

Os eleitores votaram a saída do Reino Unido da União Europeia sem haver qualquer ligação no futuro, pelo que, Boris Johnson tem legitimidade para cumprir o mandato da população. O problema está relacionado com a forma para alcançar o objectivo porque desrespeita todos os mecanismos democráticos. 

A melhor maneira de esclarecer a saída da União Europeia passa por realizar eleições antecipadas, já que, desde o início do processo, todos os intervenientes mudaram de posição, nomeadamente os dois grandes partidos. A falta de clareza nos conservadores e trabalhistas originou partidos a favor e contra o Brexit, que começam a ganhar muita expressão eleitoral. 

O líder do governo britânico criou uma situação de caos que dificilmente será resolvida em Westminster. Boris começa a perceber que não controla o partido como gostaria, e nem sequer conseguiu cair no goto da oposição. 


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