segunda-feira, 16 de setembro de 2019

António Costa refugiou-se nos números da governação para manter a vantagem eleitoral

A serenidade com que decorreu o debate entre António Costa e Rui Rio beneficia o Primeiro-Ministro. No entanto, a maneira como o líder socialista fugiu às perguntas com a divulgação dos números positivos para o executivo podem ser prejudiciais. 

O Presidente do PSD surpreendeu pela prestação positiva, embora não seja suficiente para ganhar o acto eleitoral. A insegurança demonstrada durante um ano e meio noutros palcos foi pouco visível. As respostas competentes e o domínio dos assuntos vão permitir a conquista de alguma simpatia nos eleitores e militantes que continuam indecisos. 

O sucesso da governação nos últimos quatro anos deram poucos argumentos à oposição. A única forma de estabelecer a diferença passa por apresentar outras alternativas. Rui Rio tentou encontrar alguns argumentos, como a questão do aeroporto ou dos impostos, mas dificilmente ganha pontos nos sectores que desconfiam das propostas do governo. 

Os dois candidatos perderam-se em números que já não se utilizam neste tipo de debates porque podem ser utilizados de diversas formas. Contudo, António Costa divulgou a qualidade da governação em vários sectores, sobretudo naqueles em que existem mais críticas por parte das populações e dos meios de comunicação social. O socialista não deixou que os temas mais negativos, como a saúde, fossem explorados pelo adversário.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Rui Rio tem um espaço de manobra muito reduzido nestas eleições

O resultado das próximas eleições dificilmente vai provocar mudanças nas lideranças partidárias, sobretudos nas forças de Direita. O espectro da derrota não tira Rui Rio nem Assunção Cristas do poder.

O PSD regressa à convulsão interna que começou desde a saída de Pedro Passos Coelho, enquanto o CDS continua a viver a ilusão de que será novamente um partido de poder.

O líder social-democrata tem pouca margem de manobra nestas eleições porque ter menos um voto que os socialistas será considerado um fracasso, pelo que, abaixo disso, é um resultado muito negativo. Por outro lado, Rui Rio acredita que um governo minoritário do PS depende muito do PSD, já que, à Esquerda não será possível construir uma nova geringonça. 

A possibilidade dos socialistas conquistarem a maioria absoluta tem de atirar Rio para fora do partido. A oposição no Parlamento fica impossível de concretizar, embora o novo líder tenha de sofrer um enorme desgaste durante quatro anos.

O problema não está apenas num eventual falhanço de chegada ao poder, mas em saber se vai manter o estatuto de líder da oposição. O CDS de Assunção Cristas nunca será opção, apesar dos desejos manifestados nos últimos anos. No entanto, os partidos da Esquerda, nomeadamente o BE pode ganhar um papel mais relevante no combate ao executivo. Catarina Martins é a personalidade mais bem preparada para vigiar os abusos que se cometem sempre no segundo mandato.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

A União Europeia tem de ser menos flexível com o novo governo britânico

O único aspecto positivo relativamente ao problema do Brexit tem sido a postura da União Europeia. O clube europeu continua unido em obter o melhor acordo com o Reino Unido independentemente das jogadas políticas. 

A actual atitude possibilita ganhar com todo o processo, que parece não ter fim à vista, porque as consequências negativas serão sentidas no território britânico. No entanto, os líderes europeus precisam de exigir uma clarificação à Câmara dos Comuns.

Na minha opinião, a União Europeia tem permitido demasiada flexibilidade aos britânicos, sendo que, já se passaram três anos sobre o referendo. As inúmeras cedências dadas ao executivo liderada por Theresa May adiaram o processo em Westminster, até ao ponto em que se fala numa saída sem acordo. 

A paciência com Boris Johnson não deve ser a mesma, sobretudo depois da vontade em realizar uma saída sem acordo. A opção delineada representa um corte radical com a União Europeia. Bruxelas deve ser mais intransigente com o líder eurocéptico. 

As últimas incertezas na Câmara dos Comuns indicam a manutenção dos mesmos problemas que originaram a queda de Theresa May, pelo que, deve existir um prazo para a conclusão do processo com ou sem uma negociação final.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

As jogadas políticas de Boris Johnson não vão ser aceites dentro do Parlamento

A tentativa de Boris Johnson obrigar o país a aceitar um não acordo com a União Europeia através de jogadas de bastidores dificilmente terá o mesmo resultado que a antecipação de eleições provocada por Theresa May em 2017 com o objectivo de reforçar o poder dos conservadores. 

A atitude revelada pelo Primeiro-Ministro britânico não é novidade, tendo em conta a forma como chegou ao poder. No entanto, o que mais preocupa é a falta de clareza num processo que diz respeito aos britânicos. 

Os eleitores votaram a saída do Reino Unido da União Europeia sem haver qualquer ligação no futuro, pelo que, Boris Johnson tem legitimidade para cumprir o mandato da população. O problema está relacionado com a forma para alcançar o objectivo porque desrespeita todos os mecanismos democráticos. 

A melhor maneira de esclarecer a saída da União Europeia passa por realizar eleições antecipadas, já que, desde o início do processo, todos os intervenientes mudaram de posição, nomeadamente os dois grandes partidos. A falta de clareza nos conservadores e trabalhistas originou partidos a favor e contra o Brexit, que começam a ganhar muita expressão eleitoral. 

O líder do governo britânico criou uma situação de caos que dificilmente será resolvida em Westminster. Boris começa a perceber que não controla o partido como gostaria, e nem sequer conseguiu cair no goto da oposição. 


sexta-feira, 2 de agosto de 2019

As quatro conclusões do segundo debate para as primárias democratas

O segundo debate com os candidatos democratas nas primárias do próximo ano foi o último que contou com a presença de todos, já que, no terceiro que se realiza em Setembro só poderão participar os que chegarem a um determinado patamar de donativos. 

No final de mais duas rondas em que se efectuaram várias perguntas sobre os temas do momento foi possível chegar a quatro conclusões. 

O primeiro destaque é a participação positiva de Elizabeth Warren. A candidata mostrou fortes argumentos para se distanciar dos adversários, sobretudo de Bernie Sanders. Contudo, haverá uma possibilidade de os dois juntarem esforços durante as primárias. O senador do Vermont dificilmente consegue a nomeação, pelo que, pode ser uma excelente escolha para a a vice-presidência de forma a conquistar os eleitores de esquerda. 

Os dois debates permitiram uma boa prestação a alguns candidatos mais jovens, embora tenham muita experiência política. A forma como transmitem as ideias nas redes sociais possibilita que cheguem a milhares de pessoas, mas a actuação no palco necessita de outra exigência. Cory Booker, Beto O´Rourke, Peter Buttigieg e Tulsi Gabbard representam uma renovação positiva num partido que ficou demasiado na mão de Obama nos últimos anos. Os candidatos estão nesta eleição com o pensamento em 2024 onde será mais fácil conquistar a Casa Branca. Contudo, o desgaste da campanha pode colocá-los no esquecimento dos americanos no futuro.

A última intervenção de Cory Booker foi desastrosa porque o pedido de impeachment vai originar uma reacção negativa em Trump. A partir de agora o Presidente tem legitimidade para virar os insultos contra os concorrentes.

Por fim, a desastrosa participação de Joe Biden, apesar de ser notório a superioridade intelectual e experiência relativamente aos restantes. O antigo Vice-Presidente deveria ter concorrido em 2016 para manter as políticas da administração,  O problema é que Obama foi decisivo para Hillary Clinton ficar com o caminho livre, e vai ser responsável por duas derrotas consecutivas.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Joe Biden desiludiu no debate em que Cory Booker pediu publicamente o impeachment contra Trump

O protagonista do segundo debate democrata foi o antigo Vice-Presidente, Joe Biden. Os ataques dos adversários já eram esperados, mas as respostas foram bastante curtas, evasivas e pouco determinadas. 

A atenção mediática tem prejudicado o braço-direito de Barack Obama porque efectuam-se muitas comparações com o que aconteceu no passado, enquanto os restantes candidatos têm poucos telhados de vidro como políticos. A juventude da maioria também é um factor que os beneficia relativamente a Biden. 

O ex-VP sofreu ataques esperados de Kamala Harris, que não esteve particularmente bem, bem como de Bill de Blasio, nos assuntos sobre a política de deportações da administração Obama, e de Cory Booker. O senador de Nova Jérsia tentou espicaçar o concorrente que estava ao lado, mas sofreu algumas respostas arrogantes que aqueceram o debate. 

A grande desilusão da actuação de Biden foi relativamente ao fim da guerra no Afeganistão e o acordo transpacífico. O candidato garantiu que vai manter a decisão de Trump em rasgar o documento com os parceiros da região, adoptando uma postura diferente de Obama que privilegiou a Ásia-Pacífico em termos de política externa. 

A decisão de abandonar o Afeganistão também choca com a aposta forte do antigo Presidente em manter a superioridade norte-americana no Médio-Oriente.

No final do debate, Cory Booker arriscou a manutenção na corrida democrata com um pedido de impeachment contra Donald Trump.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

O primeiro debate confirmou Elizabeth Warren como a melhor candidata

Os debates com muitos candidatos não servem para esclarecer muito porque cada tem apenas cinquenta segundos para responder. No entanto, o primeiro de dois debates democratas permitiu a alguns concorrentes ganharem vantagem nas sondagens. 

A experiência de Elizabeth Warren e Bernie Sanders possibilitam o acesso a mais donativos, tempo de antena na comunicação social e subir nos estudos de opinião com o objectivo de marcarem presença no Iowa em Fevereiro de 2020. Por outro lado, a juventude de Beto O´Rourke e Peter Buttigieg pode causar surpresas. 

Os dois principais candidatos, Warren e Sanders, divergiram de Trump em matérias como a abertura de fronteiras e a forma como lidar com os problemas raciais, o que pode garantir uma vantagem no começo. O mesmo aconteceu com os outros concorrentes citados, sendo que, O´Rourke foi bastante acertivo na forma como criticou o clima de ódio que se vive nos Estados Unidos. 

Os temas relacionados com a imigração e o clima de divisão levaram a uma rejeição colectiva. Por exemplo, Warren condenou o crescimento dos movimentos supremacistas nos últimos anos. 

Na política externa os democratas cometem os mesmos de Trump. Ou seja, pretendem retirar as tropas militares, sobretudo do Afeganistão e apostar na diplomacia. No entanto, a ausência em certos locais, como o Médio-Oriente, os riscos de crescimento do terrorismo e a da influência russa podem ser irreversíveis. 

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