terça-feira, 27 de setembro de 2016

Pequena vitória de Clinton no debate para resolver questões do passado

Uma pequena vitória para Hillary Clinton no primeiro debate presidencial com Donald Trump. A antiga secretária de Estado norte-americana esteve melhor em todos os aspectos do jogo, sobretudo nas questões que incomodaram o adversário nos últimos meses. Por outro lado, Trump não conseguiu tirar Clinton do sério durante a questão dos e-mails. 

Nos assuntos relacionados com a governação do país, notou-se a diferença entre os dois candidatos. Clinton continua com o discurso fácil de uma militante de esquerda, enquanto os Estados Unidos de Trump terão tiques autoritários, bem como conflitos com alguns países por questões políticas e comerciais. 

As ideias políticas são importantes para chegar à Casa Branca. Trump não pode estar o tempo todo a dizer que foi um grande empresário e trata bem os funcionários. Não é por isso que o candidato vai ganhar votos nas minorias com quem tem tido problemas de linguagem. Neste momento, ninguém sabe o que vai acontecer aos imigrantes nos Estados Unidos se Trump for eleito. 

As tentativas de Trump interromper a candidata com o intuito de a enervar também não resultaram. Pelo contrário, Clinton conseguiu irritar o adversário com confidências e gestos do passado. Durante o debate, notou-se confiança na antiga secretária de Estado e instabilidade em Trump. 

Os pequenos aspectos podem ser importantes para convencer os indecisos. Não se falou muito de política porque era necessário esclarecer as últimas escaramuças entre os candidatos. 

Neste debate a ideologia ficou em casa prevalecendo o pequeno soundbyte que fez manchetes durante muito tempo.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Corbyn reforça o poder

Os trabalhistas reelegeram Jeremy Corbyn para continuar como líder num resultado que envergonha os deputados contestatários que aproveitaram a demissão de David Cameron após o referendo para lançarem a candidatura de Owen Smith. 

A diferença de votos não deixa margem para dúvidas. Corbyn ganhou respeito e poder sobre a bancada em Westminster. A partir de agora os que não estão com a actual liderança devem abandonar o cargo que ocupa. Mesmo uma vitória à tangente conferia legitimidade ao líder, sendo que, os números reforçam a estratégia. 

A jogada dos deputados trabalhistas foi um erro porque não fazia sentido colocar em causa a liderança só para aproveitar a suposta falta de legitimidade de Theresa May como primeira-ministra para convocar eleições antecipadas. Não conseguiram ocupar o poder dentro do partido e também não irão convencer Corbyn a pedir a antecipação das legislativas que se realizam em 2020, nem sequer a realização de um novo referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia.

O líder confirmou que iria seguir a mesma linha, pedindo união dentro do partido. Não sei se vai acontecer, mas aqueles que continuarem com os jogos de sombras devem ser afastados porque os resultados eleitorais têm de ser respeitados. Não se pode admitir mais uma revolução após a votação, tendo em conta que se trata de um grupo minoritário Corbyn tem o apoio dos sindicatos e dos militantes que construíram a força do Labour, embora as vozes de Tony Blair e Neil Kinnock, bem como de alguns dirigentes como Alan Johnson serão sempre ouvidas.  

sábado, 24 de setembro de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Jeremy Corbyn - O líder do Partido Trabalhista venceu as eleições com grande vantagem sobre o rival. Uma vitória sem contestação, um ano depois de ter chegado à liderança. A pressão e a chantagem dos deputados trabalhistas não teve sucesso. Uma grande derrota para os parlamentares que vão ter de aturar o líder até às próximas eleições. Os que não quiserem obedecer às ordens terão de abandonar a bancada parlamentar porque Corbyn confirmou que estava certo. O triunfo confirma que a eleição não servia para nada.


No Meio

Mariana Mortágua - A deputada do Bloco de Esquerda provocou uma grande polémica ao ter sugerido aumentar os impostos para os mais ricos. As críticas não se fizeram esperar, mas a intenção era mesmo essa. Provocar o debate e a indignação na direita. Agora veremos se consegue convencer os socialistas.


Em Baixo

Owen Smith - A nota negativa deve ser endereçada aos deputados que lançaram a candidatura contra Corbyn que se revelou um verdadeiro fiasco. Smith hipotecou a sua carreira enquanto deputado, sendo que, não vai ter condições para cumprir a promessa de fazer barulho. A partir de agora dificilmente alguém vai fazer barulho na bancada dos trabalhistas em Westminster porque a derrota foi humilhante. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O dia do Partido Trabalhista

Os trabalhistas escolhem amanhã o novo líder. Não se trata apenas de uma opção entre a continuidade e a mudança, ou a divisão e a união no partido. O que está em causa é a ideologia. Ou seja, se continua a ser um partido de esquerda na defesa dos valores sociais contra o conservadorismo do governo, ou fica mais perto do centro.  

Neste momento, o mais importante para o partido é definir um caminho ideológico e os valores que vai defender, independentemente da orientação do executivo ou se vai ganhar eleições, porque no Reino Unido a política não gira em torno dos actos eleitorais. O actual líder manteve posições que não mereceram o apoio de alguns deputados como a questão dos bombardeamentos à Síria, a renovação do programa nuclear. Nestes dois aspectos, Corbyn colou-se à opinião pública e deixou os membros do Parlamento mostrarem discordância. Aliás, a forma como o líder se opôs aos ataques na Síria pode também estar relacionado com o passado, em particular com a ligação de Blair à guerra do Iraque. 

No último ano, Corbyn manteve uma postura de trazer problemas pessoais de alguns indivíduos para os debates parlamentares. As questões que levantava também tinham a ver com situações concretas de alguns sectores como os jovens médicos e a educação. No dia após as eleições na Escócia, Cameron disse que o Labour estava a desapontar os seus eleitores. 

A imagem que Corbyn trouxe é de um líder e partido muito preocupado com os problemas individuais em vez de se concentrar nos assuntos colectivos dos britânicos. Não acredito que Owen Smith seja o melhor candidato porque a única proposta que tem é a realização de um novo referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. Se o candidato começar por aí, é um mau sinal. 

O partido sabe que com Corbyn continua o mesmo caminho ideológico, embora com várias oposições, enquanto Smith tem pouco sumo para dar. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Theresa May entre a pressão interna e as mudanças na Europa

As negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia não vão ser fáceis porque dependem das condições internas e externas. A nova primeira-ministra britânica tem um longo caminho pela frente relativamente ao calendário, mas sobretudo à forma como se processa a saída.

No plano interno, os conservadores têm de ter em conta a oposição dos partidos que querem sair totalmente da União Europeia como o UKIP e dos que pretendem ficar mais perto possível, como acontece no seio do partido do governo e alguns trabalhistas. No entanto, se Owen Smith vencer a eleição para líder do Partido Trabalhista, May vai ser confrontada com a exigência de um novo referendo para também evitar que a Escócia realize uma consulta popular sobre a independência do país. As condições podem ser debatidas e votadas no parlamento, mas não está excluída a participação das pessoas. Os problemas começam a surgir antes da invocação do Artigo 50 do Tratado de Lisboa.

As maiores complicações estão a nível externo porque algumas vontades podem chocar com as exigências internas. Ou seja, Theresa May tenta estar no meio para defender os interesses do Reino Unido, mas dificilmente deixará de optar por um dos lados. As eleições na Alemanha e em França vão condicionar o processo de saída do Reino Unido. Apesar da pressa anunciada por alguns dirigentes europeus e o líder francês, os actos eleitorais têm o efeito de travar o processo. Hollande e Merkel não querem perder votos para as forças anti-europeias que irão utilizar o Brexit como forma de espalhar a mensagem contra o diktat europeu. 

Tudo vai mudar se Marine Le Pen for eleita presidente francesa e Merkel tiver menos apoio parlamentar. Se os actuais líderes alemão e francês pretendem uma saída rápida, também necessitam que o Reino Unido fique mais próximo da União Europeia. Ora, isso contrasta com algumas posições internas. 

A nova chefe do governo britânico tem maioria absoluta no parlamento, mas deve seguir a recomendação dos partidos da oposição e dos conservadores eurocépticos para se afastar definitivamente da União. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O ataque de Mariana

As polémicas declarações de Mariana Mortágua sobre a necessidade de quem acumula fortuna ser castigado com impostos mostra a linha ideológica do governo. O Bloco de Esquerda não faz parte do executivo, mas o PS está refém desta linha ideológica, mais severa para os mais ricos do que as propostas dos comunistas. 

Os bloquistas têm vontade de mudar o status quo da sociedade portuguesa, não dando apenas oportunidades aos mais desfavorecidos, mas cortando as asas a quem pretende ter regalias fruto do trabalho. No fundo, trata-se de criar mais igualdade tirando a quem tem mais mas não para dar aos que têm menos. 

A subida do Bloco de Esquerda nas últimas eleições aconteceu num contexto de crise, pelo que, dificilmente obterão um resultado semelhante se continuarem nesta linha. Da mesma forma que foram beneficiados com os cortes feitos pelo governo anterior nos salários e pensões, também serão prejudicados por atacarem as denominadas elites. Ou aqueles que querem ter boa qualidade de vida.

As vitórias e derrotas dos bloquistas estão relacionadas com os momentos sociais e económicos. Isso nota-se mais na liderança de Catarina Martins do no longo mandato de Francisco Louçã. O BE vai criar um problema ao PS porque também os socialistas pretendem estabelecer uma desigualdade entre ricos e pobres, com prejuízo para os primeiros. 

A necessidade de se atacar uma determinada classe para conquistar votos nunca resultou em Portugal porque a sociedade é equilibrada. Não é muito inteligente desferir um golpe naqueles que acumulam fortunas porque trabalharam durante a vida inteira. 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Quem quer tramar Corbyn

A bancada parlamentar rebelde do Partido Trabalhista nunca esteve com o líder. É verdade que Jeremy Corbyn deu liberdade aos seus pares, mas o cacique dentro do parlamento foi evidente ao longo do último ano. 

O resultado do Brexit foi aproveitado pelos parlamentares para mudar a liderança do partido. Tendo em conta que os trabalhistas também estavam divididos entre a manutenção e a saída da União Europeia, não se pode culpar o líder pelos números. No entanto, houve outras situações que mereceram análise negativa, como as eleições locais e na Escócia. 

Na minha opinião, o grande problema de Corbyn foram as guerras que comprou relativamente a alguns assuntos como os bombardeamentos na Síria, a renovação do programa nuclear Trident e o serviço nacional de saúde. Nestas ocasiões, o líder nunca teve o apoio da bancada, sobretudo na questão da Síria onde se destacou o ministro sombra dos Negócios Estrangeiros, Hillary Benn. Sempre que alguém se destacava no parlamento, Corbyn entendeu que se tratava de uma ameaça ao lugar que ocupa. A verdade é que o opositor do líder é um desconhecido chamado Owen Smith.

Os trabalhistas não podem cair na tentação de pedir eleições legislativas antecipadas. Contudo, isso só deverá acontecer se Smith ganhar o acto eleitoral. 

As grandes divisões no partido aconteceram a nível parlamentar, sendo que, os anteriores líderes também ajudaram a denegrir a imagem de Corbyn. Neil Kinnock e Tony Blair têm sido os principais rostos da oposição interna, embora a actual liderança esteja segura no seio do establishment. 
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