domingo, 25 de janeiro de 2015

Olhar a Semana... tambores do Olimpo

A marca desta semana, independentemente de outros contextos relevantes (a venda PT aos franceses da Altice ou as mortes ocorridas, em esperas, nas urgências dos hospitais portugueses) é, inevitavelmente, o resultado eleitoral grego, com a vitória da extrema-esquerda do Syriza.
Os gregos disseram Basta e bem alto... disseram-no à Troika, à União Europeia, ao BCE, a Angela Merkel.
Pelo menos enquanto não houver o choque entre a retórica política/ideologia dos vencedores e a realidade económico-financeira do país (desemprego, falta de dinheiro, etc) está instalada a rutura com o passado e com a influência da Troika na Grécia. O futuro muito próximo, não será mais que um ano, dirá quem será o primeiro a ceder: Troika ou Grécia. Sendo que os próximos tempos marcarão, ou não, a inflexibilidade da posições eleitorais assumidas pelo Syriza e que levou à conquista de uma vitória há muito anunciada.
Mas não vale a pena esconder que este resultado eleitoral na Grécia irá deixar marcas e terá "danos colaterais", pelo menos na União Europeia.
O efeito dominó das eleições gregas dificilmente se repetirá, em si mesmo, em outros países, por várias razões: sistemas eleitorais e democráticos distintos, a realidade do país que continua fortemente intervencionado, a excessiva dependência económico-financeira externa da Grécia, por exemplo.
No entanto, este "cartão vermelho" à Troika poderá criar uma movimentação mais global na União Europeia que pressione as suas Instituições para a forma como as medidas e as políticas de Ajudas e Ajustamentos têm sido implementadas nos países resgatados.
Há ainda os impactos que a leitura política destes resultados eleitorais devem provocar nos partidos políticos tradicionais, em muitos países europeus, já para não falar do crescimento do eurocepticismo. Há a tendência para a desfragmentação do peso eleitoral dos partidos do centro-esquerda (socialistas), sociais-democratas e liberais, para o surgimento (mesmo que pontual e espontâneo) dos extremos, sejam eles à direita ou à esquerda. E, neste caso, importa questionar se, aqueles que hoje aplaudem e se congratulam pela vitória do Syriza, como factor de ruptura e de mudança, manterão a mesma posição noutros contextos (lembremos a França) caso partidos de extrema-direita conquistem os mesmos palcos.
Por último, os partidos do poder ou partidos do chamado "arco do poder" de países em anos eleitorais deverão ter um cuidado redobrado com estes resultados gregos, já que é óbvio o aproveitamento político da vitória do Syriza para efeitos eleitorais pelos partidos da mesma "família ideológica".

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A ameaça do Syriza

A ameaça das políticas do Syriza para a Grécia e o resto da Europa é real e não se trata de uma mera aparência. De facto, se o partido liderado por Alexis Tsipras vencer as eleições e com maioria absoluta a União Europeia tem de estar em alerta. Quanto à Grécia não se pode dizer que tudo vai ficar na mesma, mas o problema tem a ver com o que pode acontecer no resto da Europa. A Grécia pode ser o primeiro país a fugir aos partidos tradicionais e votar em forças de protesto. Não tenho dúvidas que o próximo executivo grego irá cumprir as obrigações que assinou, embora o faça de maneira diferente sem se colocar de joelhos perante os poderosos alemães e franceses. Uma vitória de Tsipras também pode ser benéfica para as ambições de David Cameron em ter um papel fundamental na condução dos destinos da União. 

Não tenho dúvidas que o discurso anti-austeridade, contra a Alemanha de Merkel vai ser dominante nos restantes 27 Estados-Membros. Um pouco daquilo que acontece também em algumas forças da oposição dos países que foram intervencionados como foi o caso de Portugal. O Partido Socialista critica muito a postura do executivo português na forma como resolveu a crise, mas esquece-se da forma como José Sócrates se rebaixou perante a actual chanceler. 

O resultado eleitoral na Grécia pode definir uma mudança de atitude perante a crise e abrir algumas mentes mais conservadoras. Se isso acontecer haverá maior risco no seio da comunidade europeia. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Não basta existir para ser-se alternativa!

Artigo publicado em ptjornal/bisturi.com a 21 de Janeiro




| Não basta existir para ser-se alternativa! |

Mas ao que parece o PS e António Costa não pensam assim, afirmando como estratégia política chavões populistas que replicam o descontentamento da população com os anos de austeridade que todos temos vivido.
Um descontentamento que curiosamente espelha com a austeridade imposta em Lisboa por António Costa.

Em cruzamento com o repúdio à austeridade, os chavões de António Costa em virtude dos mais desfavorecidos contrastam com a legislação que impede automóveis anteriores ao ano 2000 de circularem no centro da capital Lisboeta.
O que a mim me faz alguma confusão, porque estas medidas prejudicam sempre e na realidade aqueles que nada podem fazer para alterar a realidade.
Aqueles que seguramente não poderão trocar de automóvel; os verdadeiros desprotegidos que Costa diz representar e proteger.
Faz-me confusão que proíba automóveis cujas emissões poluentes em muitos casos são inferiores a de vários automóveis mais recentes, sendo que devemos recordar que todos os automóveis neste país são inspeccionados em virtude das normativas ambientais.

O perfil político de António Costa é claro: age como um político de café lançando farpas contra o governo e arbitrando a política nacional junto de Rui Rio.
Lança António Vitorino à Presidência da República, guardando no bolso António Guterres cujas sondagens apontam como sendo o melhor candidato socialista às eleições presidenciais não descartando esta arbitragem junto do amigo Rio.

Portugal está cansado. Está cansado destas politiquices.
Está cansado e desgastado da proliferação dos caciques, dos interesses apadrinhados e destes grupinhos instalados que fazem da política uma briga entre quadrilhas de trapaceiros.

Dissecando a verdade nas premissas de António Costa se por um lado é verdade que ninguém está contente com os três anos de austeridade que o país viveu, com a queda dos salários e das pensões e com o empobrecimento da qualidade de vida, não é menos verdade que fomos deixados numa situação de pré-colapso em 2011.
Também é verdade que em 2014 pelo segundo ano consecutivo Portugal registou um saldo orçamental primário em percentagem do PIB Positivo, algo que não sucedia desde 1997.
E assim, o combate ao défice demonstra surtir efeitos.
Também não é menos verdade que se analisarmos os últimos 22 meses, constatamos que a criação de emprego aumentou mais do que diminuiu.
Em Novembro de 2014 existiam mais 144,6 mil pessoas empregadas comparativamente a Janeiro de 2013.
E dentro de todas estas verdades para as quais o Bisturi fez o seu trabalho de casa, António Costa que é candidato a primeiro-ministro não o faz.

Afirmou em entrevista que as novas Regras Europeias permitem a todos os países ter flexibilidade no défice quando a situação económica é desfavorável e acusou Pedro Passos Coelho de não estar a prestar a devida atenção.
No entanto, as novas regras de Bruxelas neste aspecto são apenas aplicáveis aos países com défices abaixo dos 3%.

Neste vazio de propostas, será que bastará ao PS esperar sentado pelo descontentamento da população para ser eleito alternativa de governo?

Uma coisa é certa: a abstenção voltará a atingir valores históricos.
E desta vez a responsabilidade não é do governo.
É desta inexistente oposição!

Mafalda Gonçalves Moutinho | Janeiro 2015

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Um esforço notável

Concorde-se ou não com as políticas adoptadas por este governo a verdade é que conseguiu reduzir o desemprego de uma forma abrupta, eficaz e em pouco. A capacidade deste executivo em combater um dos maiores flagelos que o Partido Socialista nos deixou deve ser aplaudida. O problema é que se António Costa chegar ao poder ainda este ano temo que possamos voltar a um passado bem recente. Ou então o secretário-geral socialista vai ter de adoptar uma postura diferente daquela que tem tido enquanto é principal líder da oposição e candidato a primeiro-ministro. 

Os números do desemprego podem ajudar Passos Coelho e a sua equipa a obter um bom resultado em Outubro ainda que seja pouco provável a existência de uma maioria absoluta. Quem perde com isso são as pessoas e um dos vencedores pode ser Marinho e Pinto, mas esse já nos habituou a mudar de camisa política todos os dias. 

Para já a batalha contra o desemprego foi ganha. À semelhança do que aconteceu no Reino Unido, onde um governo conservador teve de corrigir os disparates dos trabalhistas, também aqui o PSD e CDS tiveram de pagar com a impopularidade a adopção de medidas difíceis. Espero que não pague com a perda de muitos votos. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Onde está a sociedade tolerante?

Os acontecimentos em Paris e as reacções posteriores mostram que não vivemos numa sociedade em que prevalece o respeito mútuo e a tolerância. As duas características são essenciais para que se viva em liberdade. Os grandes defensores da liberdade de expressão que se têm ouvidos nos últimos dias não pensam neste facto. Só se consegue ter liberdade quando existe respeito pelo outro e tolerância. 

Numa sociedade cada vez mais competitiva é difícil respeitar os valores. Além disso o que conta é vencer nem que seja a todo o custo. Em vários sectores nota-se muito a pouca apetência para o respeito e a concentração total no eu-ismo. Ou seja, as pessoas são mais egoístas porque vivemos num mundo chamado "cão", onde se pode fazer tudo para alcançar o culto próprio. 

Infelizmente não voltaremos a ter uma sociedade tolerante como foi desenhado pelos principais filósofos contemporâneos. É esta falta de respeito que está na base do aumento dos conflitos, sobretudo a nível religioso e social. Como tem acontecido na Europa e nos Estados Unidos já não há motivo para compaixão porque uns querem direitos e os outros exercer autoridade. Torna-se complicado encontrar no meio destes dois aspectos um pacificador. 

O que se pretende não é viver em paz e harmonia, mas evitar a origem de fenómenos que violem as referidas liberdades uma vez que estas só começam a estar em causa quando alguém se coloca numa posição de autoridade perante o outro assumidamente mais fraco. 

domingo, 18 de janeiro de 2015

Jornada 17 - fim da primeira volta

A primeira volta do campeonato está concluída. Em 17 jornadas Benfica, FC Porto, Sporting, V.Guimarães e Sp.Braga são as equipas que estão em posição de ir à Europa na próxima temporada. A distância do 5º classificado para o 6º são de cinco pontos, pelo que existe aqui uma diferença de qualidade entre os primeiros cinco e os restantes. É curioso verificar que a grande luta está a fazer-se na segunda metade do campeonato, o que faz-nos pensar sobre a qualidade das equipas nesta prova com 18 equipas. Os primeiros classificados têm tido poucas dificuldades em ultrapassar os seus adversários. Ao longo da primeira volta notou-se um abaixamento de forma do Belenenses, Paços Ferreira e Marítimo. Ao contrário, Estoril e Rio Ave que começaram muito mal por causa da presença na fase de grupos da Liga Europa, neste momento estão mais seguros e em subida de forma. Outro destaque positivo é a campanha do Moreirense que subiu este ano à primeira divisão. 

Em sentido oposto há uma equipa que merece destaque. É normal haver formações mais fortes do que outras, mas a verdade é que não é normal o Gil Vicente só ter conseguido obter uma vitória em 17 jogos. Os gilistas só não estão condenados porque as restantes que lutam pela manutenção também estão muito fracas, tendo perdido muitos jogos. 

Positivo
Grande jogo entre Sporting-Rio Ave, goleada do Benfica na Madeira, Kleber renascido, vitória do Sp.Braga após duas derrotas consecutivas, meio-campo do Moreirense

Negativo
Exibição da Académica em Guimarães e do Marítimo frente ao Benfica, Arouca continua a não conseguir vencer fora de casa.

Jogador da Jornada: Salvio (Benfica)
Treinador da Jornada: José Couceiro (Estoril)
Melhores jogadores do campeonato:
Miguel Rosa (Belenenses), Hassan (Rio Ave), André André (V.Guimarães), Anderson Talisca (Benfica), Salvio (Benfica), Vitor Gomes (Moreirense), Adriano (Gil Vicente)

Limites há… mas escusa de ser ao murro.

publicado na edição de hoje, 18 de janeiro, do Diário de Aveiro

Não é um “tropeção”, mesmo que com dificuldade em digerir e em concordar, que me farão recuar na opinião que até agora mantenho do Papa Francisco. A forma como tem lidado com a Cúria e o interior do Vaticano, a forma como tem colocado à discussão alguns tabus e temas polémicos para a Igreja conservadora, a forma como tem lidado com a realidade política e social actual (lembremos as posições sobre a economia, sobre a pobreza, sobre o emprego, ou ainda o seu recente discurso no Parlamento Europeu) à luz de uma clara Doutrina Social da Igreja; serão mais que suficientes para me fazerem ultrapassar as suas mais recentes posições e declarações sobre os últimos acontecimentos em França. Mas também não deixa de ser verdade que as afirmações do Papa Francisco não são tão inocentes como muitos querem fazer crer. Nem mesmo a afirmação que Francisco fez sobre o atentado ao Charlie Hebdo (“matar em nome de Deus é uma aberração"), reforçada pelo sublinhado “"não se pode ofender, fazer guerra e matar em nome da própria religião, ou seja, em nome de Deus”, disfarça o mal-estar que a sequência discursiva tida provocou. A mim, por exemplo, deixou alguma perplexidade. E são duas as expressões do Papa Francisco, e que espero que sejam mais “expressões” que “convicções”, com as quais não posso concordar, nem deixar de criticar. A primeira tem a ver com a afirmação de que a “liberdade de expressão tem limites”. Isso é mais que óbvio e há nas sociedades livres, democráticas, e nos Estados de Direito, mecanismos regulamentares e jurídicos que determinam as respectivas consequências. Mas o que não é aceitável é que seja o Papa (ou o islamismo) a definir esse limite ao determinar que “não podemos provocar, não podemos insultar a fé dos outros, não podemos ridicularizá-la”. Podemos, Francisco. É um direito que assiste a quem não acredita; a quem também se possa sentir ofendido nas suas convicções pelas posições da Igreja (ou de outra religião); a quem acha que, como ateu (por exemplo), existe uma excessiva ligação entre a Religião e o Estado; e, por último (que não em último) pela liberdade de convicções e de crenças (mesmo na ausência destas). A Igreja deve ser espaço para acolher (quem assim o quiser, livremente), não deve nunca impor-se, nem pode impor as suas regras. E tal como se pode criticar a política, nada deve impedir a crítica à religião. Podemos não concordar, recorrer a mecanismos de regulação e judiciais, mas não podemos silenciar e censurar.
A segunda tem a ver com o facto do Papa Francisco ter usado a expressão “se um amigo meu chamar nomes à minha mãe, leva um murro” para justificar a resposta à “ofensa”. Não vale a pena usarmos falsas demagogias ou retóricas, nem colhe a justificação de um momento “mais descontraído” do Papa com os jornalistas. Porque as palavras têm uma força e um impacto próprios, alheadas às responsabilidades de quem as profere. Um murro não é o mesmo que um acto mortal? Não, não é. Mas a violência não pode ser a resposta, nem a solução, tal como não o é a morte. Se alguém chamasse nomes à minha mãe eu “dava a outra face”? Não, não dava (só por estupidez, claro). Mas esse tipo de comportamentos são, quer do ponto de vista social, quer jurídico, reprováveis, condenáveis e criticáveis. Para mais vindo de alguém com a responsabilidade de difundir uma religião de paz e amor. O que seria das nossas sociedades e comunidades se cada um, em função das suas convicções, dos seus estados de alma, dos seus sentimentos de ofensa, desatasse a fazer justiça pelas próprias mãos, a impor as suas “regras”, certezas e crenças? Com estas afirmações o Papa Francisco justificou, pelo menos (já que condenou o acto em si), a acção/reacção dos extremistas e dos terroristas contra o jornal Charlie Hebdo, justificando todo e qualquer acção mortal ou acto de violência (lembremos o caso de Badawi condenado a 1000 chicotadas por criticar o islão) só porque alguém ofendeu alguém, ofendeu a sua religião, esquecendo que matar não é solução, silenciar a vida não é um direito de ninguém nem de nenhuma crença. Alguém devia ter lembrado Francisco que o que sempre esteve em causa, nos acontecimentos em França, para além da liberdade de imprensa, foi a intolerância, a não aceitação da diferença, da liberdade crítica, limitando estes direitos através da morte ou da violência. O “puseram-se a jeito” não determina a justificação e o fim. Dois milhões de pessoas perceberam isso no fim-de-semana passado, e muitas delas, como eu, nem gostam do jornal.
Nem tudo deve ser corrido ao murro e ao pontapé… nem à “bala”.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Sou Charlie... Mas também pelas crianças da Nigéria

Sou 'Charlie'...
E também SOU pelas crianças da Nigéria, vítimas às mãos do Boko Haram.
a favor das criancas massacradas na nigeria_cortad
E sublinho, em tudo, este excelente texto do Henrique Monteiro, no Expresso on-line de quarta-feira, 14 janeiro, "As meninas de Boko Haram", do qual destaco: «Nós somos todos Charlie – e bem – mas temos de ser todos aquelas 200 raparigas raptadas e usadas como bombas por uma organização que literalmente quer dizer “a educação não-islâmica é um pecado”, ou no seu nome em árabe, “Jama'atu Ahlis Sunna Lidda'awati wal-Jihad”, pessoas dedicadas aos ensinamentos do Profeta para propagação e jihad.» Ou ainda «Perante o horror não temos resposta. Porque nos recusamos ao “olho por olho, dente por dente” e porque na nossa civilização, que inclui cristãos, muçulmanos, judeus, agnósticos, ateus, budistas, hindus e quem mais quiser entrar – como na manifestação de Paris – não há penas nem leis que cheguem para tamanho mal.»

Figuras da Semana

As nossas escolhas semana são as seguintes

Por Cima 

Papa Francisco - Escrevi que o Papa Francisco I foi das poucas personalidades mundiais que teve uma declaração acertada sobre os acontecimentos da semana passada em Paris. A mensagem do chefe de da Igreja Católica não é facciosa e tolerante. Estes dois atributos necessitam de fazer parte do discurso da maior parte dos líderes europeus em tempo de conflito. 

No Meio 

António Costa - É na qualidade de presidente da Câmara Municipal de Lisboa que critico o actual secretário-geral do Partido Socialista. A razão da censura prende-se com o facto de não permitir a utilização de carros com matrícula anterior a 2000 de circularem nas avenidas principais de Lisboa. Ora, a medida até é interessante, mas como vai fiscalizar isto? Colocar as autoridades a fiscalizar todas as matrículas? Na minha opinião estamos perante um ideia populista e pouco sensata.


Em baixo

Charlie Hebdo -  Os cartoonistas franceses estão de volta após o massacre da semana passada. Na quarta-feira a nova edição da revista continuava com a propaganda anti-islão. De facto, não se pode chamar jornalismo a uma vergonha destas que teima em continuar. Não se trata de ser polémico ou coisa parecida. O Charlie Hebdo só existe para provocar. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Francisco I, o sábio defensor da liberdade

Os comentários aos ataques de Paris variam entre a condenação à carnificina e a repulsa pelos cartoons publicados pelo Charlie Hebdo. É óbvio que há mais apoiantes do primeiro aspecto do que em relação ao segundo e são poucos aqueles que falam em liberdade de expressão limitada. 

Ora, o termos liberdade sempre foi objecto de estudo e análise pelos grandes filósofos contemporâneos. Todos eles, e nós também, ligamos o termo ao facto de podermos dizer tudo e mais alguma coisa. Como variantes da liberdade há a liberdade de consciência, expressão, imprensa, entre outros. Não é possível chegar a uma conclusão racional e lógica porque os termos são subjectivos e podem-se aplicar a uma série de situações. 

Nos últimos dias a palavra "liberdade de expressão" foi a mais falada e o motivo pelo qual juntou milhões de pessoas em Paris, entre os quais se encontravam os líderes mundiais. Como seria de esperar o ocidente criticou os ataques e o oriente salientou as provocações dos cartoonistas franceses. No meio da chuva de comentários poucos foram aqueles que tiveram uma análise lúcida, sóbria e acertada. A razão desta situação prende-se com o facto de estarmos a viver um conflito entre ocidente e oriente e condicionamento de liberdades contra acções militares realizadas em países árabes. 

O Papa Francisco I fez bem ao ter dito que a liberdade de expressão não permite insultar a fé dos outros. O Papa reproduziu o pensamento do filósofo britânico, Herbert Spencer. Spencer diz que "A liberdade de um termina onde começa a do outro". 

No meio de tantas análises a do Papa é a melhor de todas e culpa os que defendem a liberdade de expressão sem qualquer limites.Isso não pode ser aceitável numa sociedade moderno, multicultural e onde as oportunidades devem estar disponíveis para todos. Quem não acredita nisto também rejeita a importância da lei como regulador da vida em sociedade. Além do mais, Francisco I aposta num diálogo e na paz para alcançar uma solução visto que um dos maiores problemas da nossa vivência é a convivência saudável entre as várias comunidades no mesmo espaço. E não é só a questão religiosa que está em causa porque existem diversas variantes que condicionam as sociedades dos nossos tempos. 

As palavras do chefe de Igreja Católica devem ser objecto de reflexão por parte de muitos líderes mundiais.  

Ideologia presente

Em Portugal quando estamos em período eleitoral as pessoas queixam-se da falta de proposta políticas ou debate sobre temas essenciais. Que prevalece o soundbyte em vez daquilo que é importante. É verdade que a comunicação social também alimenta este aspecto, mas a culpa é de quem tem a responsabilidade de dar a conhecer o seu programa político. 

O início do ano marca o arranque das legislativas britânicas. Na democracia mais perfeita do mundo os partidos fazem questão de vincar as suas diferenças ideológicas, mas em termos de programa. Como é tradicional os partidos de poder são o trabalhista e o conservador. O primeiro é de esquerda, enquanto o segundo passa para a direita. Nos temas que vão ser discutidos nos próximos meses, como é o caso da economia, imigração, saúde e Europa, é notória esta divisão. De facto, o debate público não é rico senão tiver estes alimentos. No que diz respeito ao serviço nacional de saúde nota-se uma diferença entre o partido que está no poder e a oposição. Em matéria de segurança veremos qual será o papel dos Liberais-Democratas que não aceitam as medidas anunciadas por David Cameron. Por seu lado, a imigração é o grande trunfo do UKIP e a Europa pode ser um motivo de união entre conservadores e o partido liderado por Nigel Farage. 

Os temas referidos é um bom sinal para acompanhar as eleições britânicas porque a própria união entre os países europeus está em causa se for realizado um referendo sobre a manutenção do Reino Unido nas instituições europeias. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Ser mulher num mundo de homens !

Artigo publicado, 14 de janeiro de 2015 no ptjornal.com/bisturi
Ser mulher num mundo de homens!  
“ O homem é definido como um ser humano; a mulher é definida como fêmea. Quando ela se comporta como um ser humano é acusada de imitar o macho.” Simone de Beauvoir Caro leitor(a), Hoje escrevo-lhe sobre mim, sobre a sua mãe, irmã, sobre si ou sobre a sua esposa. Hoje escrevo sobre mulheres! Sempre pensei que o caminho feminista não encaixava na minha forma de viver a vida por considerar-me igual ao meu pai, ao meu irmão e a todos os seres humanos. No entanto, sou desafiada pela vida e pelo mundo a olhar para a realidade na qual me insiro: sou uma mulher num mundo de homens. Sem radicalismos, não fiquei surpreendida com a notícia de esta semana, na qual um jornal judeu apagou todas as mulheres da marcha dos líderes em Paris. Sei que no nosso mundo, do Islão aos judeus Haredi, a mulher é uma peça de mobiliário na sociedade, na qual em público está sempre tapada e calada. É chocante, doentio e revoltante pensar nesse mundo tão diferente do meu Ocidental mas tão meu como ser humano. Mas mais revoltante ainda é percepcionar que no meu mundo Ocidental as mulheres continuam a ser isso mesmo: mulheres num mundo de homens. Neste mundo não existem roupas negras a tapar-nos mas existem quotas para “existirmos” em sociedade. Quotas que se por um lado nos insultam por outro são estritamente necessárias, sem as mesmas as fotografias do presente seriam como as do jornal judeu: sem mulheres. Várias são as vezes que comento este tema. E do lado masculino oiço sempre a mesma pergunta: E o mérito Mafalda? Devem as mulheres ocupar esses lugares directivos só porque são mulheres? Será justo na união europeia existirem critérios de desempate no acesso a fundos europeus pela presença de mulheres em cargos directivos? Claro que devem. Quando o caminho do mérito não caminha em conjunto com a igualdade de género a solução é encontrar metas que o permitam. Entendo que para quem é inato ocupar seja o que for, seja difícil compreender que para a mulher o dito “cargo” é ocupado com muito trabalho, esforço e com uma premissa constante de desafio: provar que não só é capaz de fazer igual, como ainda consegue fazer um trabalho melhor. E é desta forma que a mulher acede minoritariamente a estes cargos. Porque demonstra ser inequivocamente melhor. Doutra forma, os cargos e os lugares ficam para os inatos, homens!
E foi dentro desta reflexão social de desigualdade de género que encontrei o movimento Heforshe, lançado pela actriz Emma Watson. É um movimento solidário pela igualdade de género no qual me revejo não só como mulher mas como ser humano. Em Portugal, e para sorte de nós mulheres portuguesas surgiu a Maria Capaz. A Maria Capaz, em apenas um mês reuniu mais de 50 000 seguidores nas redes sociais, o que demonstra a necessidade de espaços de afirmação da mulher e da condição feminina na sociedade civil. Podemos encontrar entrevistas, crónicas, ensaios fotográficos e histórias reais da vida de mulheres anónimas e conhecidas da opinião pública. O mote lançado por Rita Ferro Rodrigues e Iva Domingues é simples. Todos temos Maria no nome. E todas temos Capaz na certidão de nascimento. No fundo, todas somos mulheres que pensamos e sentimos o mundo como um mundo de mulheres num mundo de Homens e de Mulheres!!!!

Ontem fomos ‘Charlie’. E hoje?

publicado na edição de hoje, 14 de janeiro, do Diário de Aveiro.

A resposta ao atentado da semana passada (precisamente há oito dias), em Paris, na redacção do jornal Charlie Hedbo, e que vitimou 12 pessoas, das quais oito eram jornalistas, foi, em França, na Europa e em muitos locais do mundo, massiva e pronta. A resposta através da mensagem e das afirmações públicas “Je suis Charlie” correu televisões, jornais, redes sociais, câmaras fotográficas por todo o mundo. A mediatização dos acontecimentos, a solidariedade e a condenação dos actos tomou, rapidamente, proporções, à partida, não imagináveis. O que foi tido, inicialmente, como um ataque à liberdade de informação rapidamente tomou contornos de um atentado à liberdade de expressão e ao próprio sistema democrático, para mais num país onde em 1789 surgiu a revolução pela Liberdade, Igualdade e Fraternidade. No entanto (viva a democracia e a liberdade de expressão) várias foram as vozes que se manifestaram indiferentes e críticas do movimento que se gerou. Alguns questionaram o porquê de só perante o atentado se erguerem vozes a favor da liberdade de informação e de expressão. Sendo um facto que existe, no dia-a-dia da comunicação social, constantes e relevantes atropelos à liberdade de informação, há, no entanto, uma desproporcionalidade dos factos e de contexto perante o assassínio bárbaro dos cartoonistas e jornalistas (sem esquecer, obviamente, as outras quatro vítimas). Nada justifica o silenciamento através da morte. Há em França, tal como cá e noutros pontos do globo, mecanismos próprios (judiciais/jurídicos, reguladores, o próprio direito à ‘contra-crítica’ pública) que permitem combater eventuais excessos à liberdade de expressão e de informação. Seguramente, a morte não é um deles. A crítica, a diferença de convicções e opiniões (e de crenças), a pluralidade, são pilares fundamentais do sistema democrático e de um Estado de Direito. Criticar é um dos fundamentos da liberdade; existem mecanismos próprios quem permitem a defesa de quem se sente ofendido. A morte não é um deles.
Uma parte dos que se manifestaram a favor da liberdade nunca ouviu falar do jornal Charlie Hedbo (nem da sua história); outros, como eu, nem eram adeptos das críticas e caricaturas que proliferaram, durante anos, naquelas páginas. Mas a defesa da liberdade exige transpor barreiras e divergências… exige união e convicção (naturalmente, mesmo com medos e receios). O radicalismo, o fundamentalismo, o extremismo, que produzem actos como estes não podem ficar impunes, nem vencer.
Mas os acontecimentos da semana passada levantam sérios desafios às comunidades, aos países, às instituições internacionais (como a UE), até porque, a par da ‘arma do fanatismo religioso’ há a inquestionável vertente política dos acontecimentos.
A defesa da liberdade e da tolerância, do multiculturalismo, não pode (nem deve) ser pontual e circunstancial. A liberdade e a tolerância, tantas vezes gritadas nestes últimos dias ou lidas na expressão “Je suis Charlie”), não podem cair no outro lado dos extremismos e radicalismos: a xenofobia, o racismo, a islamofobia, a incapacidade de acolher a diferença. Sendo certo que também não basta ao islamismo, ao dito moderado (caso seja correcto falarmos de vários ‘islamismos’), condenar, também e publicamente, os actos e os atentados, porque o facto é que as forças extremistas radicam no seu seio. A posição de ‘Pôncio Pilatos’ em nada favorece o combate a este tipo de terrorismo e em nada favorece a defesa da existência legítima do islamismo. Além disso, para muitos daqueles que se afirmaram como “Charlie” importa desafiar a sê-lo sempre, em qualquer circunstância, seja à sua “porta” ou mais “longe”, seja em que contexto for. Por exemplo, seria interessante constatar se muitos católicos “Je suis Charlie” também o são face às inúmeras caricaturas com que o jornal parisiense “brindou” o Vaticano e a Igreja Católica.
Por outro lado, o poder e as suas instituições (os Estados) devem evitar cair na tentação duma reacção desmedida que possa conduzir à limitação de liberdades, direitos e garantias, sob a capa da (necessária e urgente) Segurança.
Por fim, nós que fomos “Charlie” neste dias, temos o desafio de o ser ontem, hoje e sempre; quando a liberdade e a democracia estão em risco ou são silenciadas; quando se abate friamente alguém que pensa diferente e, por direito, nos critica; e também, quando se raptam e escravizam jovens e adolescentes em África; quando se mata e se desrespeita a dignidade através do abuso sexual na India; quando morrem milhares de pessoas num atentado bombista no Paquistão; quando jornalistas são executados e mortos no exercício das suas funções (só em 2014 foram mais de 40); quando são mortos, às mãos dos fundamentalistas, milhares de pessoas no Iraque; etc., etc.
Sim… “Je suis Charlie”. Ontem e hoje. Pela Liberdade e pelo direito à Vida.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Entrevista a António Félix da Costa

1- Ainda tens esperanças de chegar à Formula 1?

Sendo piloto de testes e reserva da Infiniti red Bull Racing continuo preparado para essa chamada, mas não é a minha prioridade nem vivo obcecado com a Fórmula 1, mas estou pronto se ela vier.

2- Sentes que a tua evolução já chegou ao nível que te permite estar entre os melhores?

Sinto que estou numa altura da minha carreira muito boa, em que junto a rapidez à maturidade, mas trabalho diariamente para melhorar e evoluir em todas as áreas possíveis,. De qualquer forma sim, acredito que estou preparado para defrontar qualquer adversário e ganha ou perca, acredito que sou competitivo em qualquer categoria.

3- Como está a decorrer a participação na Fórmula E?

Bastante bem, a Fórmula E é um novo desafio para mim, engenheiros, mecânicos etc. Principalmente para as equipas como a Amlin Aguri, que foram iniciadas há menos de um ano é um grande desafio e sabíamos que partíamos em desvantagem mas temos trabalhado muito e neste ultimo fim-de-semana consegui a minha primeira vitória na Argentina, portanto o saldo é positivíssimo até agora.

4- Achas que ainda há espaço nos media e público para o aparecimento de novas categorias no desporto automóvel?

Para categorias como a Fórmula E, sem dúvida que sim. A Fórmula E represente o futuro, aliando a tecnologia à questão ambiental e isso obrigatoriamente desperta interesse nos media e nas pessoas em geral. Tenho sentido isso na Fórmula E.

5- Quais as características necessárias para ser um piloto de top?

Persistência, dedicação e nunca desistir. Obviamente o talento e nascer com a paião dentro de nós, mas a persistência e nunca desistir quando as coisas não correm bem são o que diferencia os bons dos muito bons.

6- Na tua opinião o desporto automóvel é pouco acarinhado em Portugal?

Sim, no geral as pessoas gostam bastante de automobilismo, acontece que os media são controlados por um grupo de pessoas que não permite que nenhum desporto “chateie” o futebol, mas no geral sinto que somos acarinhados pelo público.

7- Quem é o teu ídolo (ou foi o teu ídolo)? Porquê?

Não tenho nenhum ídolo, tenho pilotos que considero muito completo e tento retirar deles o melhor deles, aprendendo e evoluindo com eles.

8- Achas que Ayrton Senna e Michael Schumacher são as duas grandes referências da Fórmula 1?

Considero sim, mas acho que o Vettel ainda se vai juntar a eles no futuro…

Operação "Marquês" 2: Não pode circular em Lisboa. Como disse?


Depois da dupla circulação no Marquês assiste-se agora ao maior disparate rodoviário do presidente que não dá à Costa em Lisboa. A partir de 15 de Janeiro, os automóveis anteriores a 2000 estão proibidos de circular em algumas zonas da cidade. Apesar do parque automóvel nacional ser um dos mais modernos da Europa, o autarca considerou razoável exigir aquilo que julgo absurdo e inaceitável, que os munícipes substituam o seu automóvel por causa de uma restrição municipal. Sobre esta matéria, tenho mais dúvidas que certezas e deixo-vos algumas considerações para que melhor passam reflectir sobre esta imposição de alguém que ainda há poucos dias, a reboque  das simpatias momentâneas do eleitorado e cedendo facilmente ao seu habitual populismo, revelou ser por todas as formas de liberdade, ser "Charlie". E a liberdade de circulação não fica uma vez mais limitada depois da tributação dos cidadãos que desembarquem no Aeroporto de Lisboa? Para o autarca que agora defendeu as liberdades individuais juntamente com o velho PS, restringir, taxar e multar parecem ser a única solução para a Capital. Havia outras vias, mais alternativas, mas não tão elementares. A este propósito seguem as seguintes reflexões/ objecções:

1º- O período de excepção deste regulamento é até 30 de Junho e está previsto apenas para táxis. O que significa que moradores e não moradores não só podem deixar de circular em algumas zonas como ainda quer a CML obrigá-los a substituir o seu carro com data limite.

2º- A fiscalização desta medida ficará a cargo da polícia municipal. Para além da óbvia falta de efectivos para o efeito, são aproximadamente 100 mil os carros nesta situação, é questionável a competência legal desta polícia esta para aplicar contra- ordenações cujo valor até à data se desconhece. Depois da EMEL, temos agora esta nova trapalhada jurídica.

3º- Se objectivo da medida é "reduzir as concentrações de poluentes na zona central, nomeadamente na Avenida da Liberdade", permanece a questão de saber de que adiantou as obras na rotunda do Marquês cuja densidade rodoviária continua a mesma. Só o erário público é que não.

4º- Não é admissível que se exija sobretudo aos jovens que tenham um carro matriculado depois de 2000, a maioria não tem rendimentos ou está em início de carreira pelo que não tem disponibilidade financeira para tal. Esta medida limita a liberdade de circulação dos mais jovens, que terão que andar de transportes públicos ou trabalhar para mudar de viatura quando isso pode não ser prioritário nos seus objectivos pessoais.

5º- O parque automóvel nacional é anualmente inspeccionado por centros especializados para o efeito, que analisam a produção de gases de combustão. Estes dados das inspecções podem ser cruzados com a CML para que tenha conhecimento de quais os proprietários automóveis que devem actualizar o catalisador e não substituir integralmente a viatura. Em alternativa, já que este assunto parece preocupar tanto a CML, podia esta desbloquear financiamento para transformar estes carros "antigos" em GPL. Afinal nem todos podem circulam em carros eléctricos suportados pelos contribuintes.

Boa semana!

Esconder o essencial...

Muitos dos que criticaram a 'onda' do "Je suis Charlie" aproveitaram a marcha de ontem, em Paris, pela Liberdade para enviar mais umas "farpas" ao sistema, em laivos de superioridade intelectual e, até, profissional.
À falta de argumentos para minimizar o impacto que cerca de dois milhões de pessoas transmitiram ao percorrerem o centro de Paris, usa-se, e mal, o supérfluo (o insignificante) para desviar a atenção do essencial.
Tudo a propósito do que alguns apelidaram de Hipocrisia e Embuste, indo ao ponto de criticar a própria comunicação social que adjectivaram de cúmplice.
A imagem é esta, a da presença em Paris de várias representações internacionais.
marcha pela liberdade - governantes 01.jpg marcha pela liberdade - governantes 02.png
 e como resultado final esta foto (como exemplo das ditas críticas) apesar das evidências.
marcha pela liberdade - DN.jpgAté podiam ter ficado por aqui... alguns nomes presentes deixam uma significativa inquietação quando se olha para as suas acções governativas e se fala de Liberdade. Mas não... a ânsia da crítica e da vontade de diminuir e amesquinhar é tanta que se fica pela análise (deturpada) da realidade que as fotos nos apresentam.
O "embuste" gritado aos quatro ventos pretende criticar a postura dos governantes na manifestação, bem como a "ilusão jornalística" implicada a muitos jornais e televisões. É bom que se desmistifique, também, esta corrente.
Primeiro, desde sempre que se soube, e foi totalmente coordenado com a organização da marcha pela liberdade, que os governantes e representantes internacionais apenas percorriam uma curta distância e a cerca de 200 metros distanciados da manifestação.
Segundo, as razões são mais que óbvias e claramente compreensíveis: questões óbvias de segurança. A concentração de vários governantes junto a milhares de manifestantes dificultaria (ou até tornaria quase impossível) qualquer medida de segurança preventiva. Imagine-se o que não seria para uma organização terrorista esta mistura? Um verdadeiro "maná" celeste... E note-se que a questão da segurança não se limitou apenas aos governantes mas, naturalmente, aos próprios cidadãos que compunham a manifestação.
E é pena que quem perdeu imensos caracteres com um pormenor escusado não tenha elogiado a adesão massiva à iniciativa (para além de outros momentos idênticos e solidários espalhados por vários pontos do globo) ou, por exemplo, este intenso momento em que o presidente francês, François Hollande, abraça um dos sobreviventes (Patrick Pelloux) do massacre ao jornal Charlie Hedbo.

Marcelo e Santana

A corrida para as presidenciais já começou embora estejamos num ano marcado pelas eleições legislativas. Neste momento são as candidaturas do PSD que mexem mais porque há dois galos para um poleiro.Ou seja, há duas pessoas que estão à espera do apoio formal do partido para avançar. Santana e Marcelo são os mais falados, mas ainda há Rui Rio. Os dois primeiros dizem que avançam sozinhos mesmo sem o suporte partidário. Duvido que assim seja. Isto não passa de uma ameaça e forma de condicionar o aparelho partidário. No entanto, há outro problema. Caso os laranjas percam as legislativas quem será o responsável pela decisão de apoiar o candidato presidencial. Em 2016 não vai ser possível imitar o que se fez com Cavaco porque, nem Marcelo nem Santana têm o peso do actual Chefe de Estado. 

A questão presidencial para o PSD tem sido melindrosa porque os dois potenciais candidatos não recolhem a simpatia política de Passos Coelho nem da maioria do PSD, não obstante a popularidade do professor. Marcelo Rebelo de Sousa deveria avançar com uma candidatura nacional e travar os potenciais independentes. A hora de verdade chegou e o comentador não pode estar à espera de palmadinhas nas costas. 

No lado socialista a questão é saber quando António Guterres vai avançar porque ninguém acredita nas notícias que dão conta de uma desistência. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O problema não é só religioso

O que se passou em França na semana passada não tem a ver apenas com a religião. Também há implicações políticas que estão por detrás dos ataques aos cartoonistas franceses e a um supermercado judeu. De facto, a razão invocada pelos criminosos foi religiosa, no caso do Charlie-Hebdo, e política na situação do rapto. 

Ao contrário do que todos têm defendido durante estes dias estamos perante um problema político que só a política pode resolver. Não se trata de uma guerra de religiões ou credos porque isso faz parte do passado. Cabe aos governos onde surgem os grupos que mandam os seus homens atacar as sociedades livres a tarefa de combater e eliminar a ameaça uma vez que esta é interna e externa, embora provoque mais danos na segunda. 

Os regimes que têm de lidar com a presença destes radicais necessitam de os combater porque isto não tem nada a ver com falta de integração, crise de valores, erros por parte dos governos europeus ou exclusão dos imigrantes. Os países que vêm milhares de pessoas partir em busca de uma vida nova não conseguem proporcionar aos seus habitantes segurança e crescimento. No fundo, as democracias ocidentais estão a pagar pelos erros cometidos por alguns governos do Médio-Oriente, locais onde a imigração para a Europa tem vindo a subir gradualmente. Veja-se os casos diários da imigração no Mediterrâneo. 

Infelizmente há muitos regimes que não estão preocupados com este problema porque continuam a viver no seu bem-estar, além de não terem que sofrer com as consequências do fanatismo religioso. Quem paga é a democracia. 

domingo, 11 de janeiro de 2015

jornada 16

A única alteração que se verificou no cima da tabela foi a recuperação do Sporting que venceu o Braga e distanciou-se do Guimarães. Neste momento os dois clubes minhotos estão nas posições que dão acesso à Liga Europa e assumem-se como os mais favoritos para conquistar o 4º e 5º lugar, embora tenham o pensamento no terceiro lugar. Por outro lado, a crise em Alvalade pode ter acabado com as duas mais recentes vitórias para o campeonato. 

A confusão está na parte final da tabela onde devemos destacar a primeira vitória do Gil Vicente na liga. Coube ao Penafiel ser o convidado de honra, tendo sido relegado para os lugares de despromoção após boas prestações nas últimas rondas. Quem aproveitou este facto foi a Académica, mas os estudantes poderiam ter mais dois pontos porque deixaram-se empatar nos últimos segundos perante um Paços de Ferreira que não passa de uma promessa europeia. Sp.Braga e Vit.Guimarães são as duas equipas mais fortes depois dos três primeiros classificados e têm qualidade para fazer face a algumas ameaças como são o Rio Ave, Moreirense, Belenenses, o Paços e talvez o Marítimo. No entanto, do quinto lugar para baixo existe muita regularidade e já se nota um fosso.

Positivo
Vitória do Sporting em Braga, primeira vitória do Gil Vicente na Liga, exibição de Oliver Torres, magia argentina na equipa do Benfica, Nacional em recuperação

Negativo
Más exibições de Sporting de Braga e Vit.Guimarães perante adversário superiores, Penafiel de novo em queda, Académica desperdiçou dois pontos em poucos segundos, Paços de Ferreira em sub-rendimento

Jogador da Jornada: Lucas João (Nacional)
Treinador da Jornada: José Mota (Gil Vicente)
Cinco jogadores estão com quatro nomeações na tabela do melhor jogador do campeonato

sábado, 10 de janeiro de 2015

Figuras da semana

Numa semana marcada pelos acontecimentos em Paris vamos destacar alguns valores.

Em Cima 

Valores ocidentais - A democracia, a liberdade e tudo o mais não deve ser ameaçado nem colocado em causa por fanáticos que dizem actuar em nome de uma religião, mas que só perturbam e aumentam a fobia dos muçulmanos que vivem na Europa. Embora haja desigualdades, injustiças e outros problemas como a corrupção, os valores que deram origem às actuais repúblicas e também monarquias são superiores aos que se praticam em muitos países do médio-oriente e Ásia. É curioso verificar que muitos daqueles que actuam em nome do islão vivem sob o regimes ditatoriais. Embora as liberdades, entre elas a liberdade de expressão, tenham de ter limites, nada justifica o que se passou esta semana em Paris.  

No meio  

Corrida presidencial - Enquanto o mundo parava por causa dos acontecimentos em Paris, a nosso jardim à beira-mar plantado vive a corrida para as presidenciais ainda que estejamos em vésperas de legislativas. Santana e Marcelo parecem estar disponíveis para o combate, embora só tenho o apoio do PSD. Se Marcelo for o excluído deve avançar com uma candidatura independente. No entanto, não se percebe o discurso pouco claro de personalidades que se dizem ser respeitáveis politicamente. Não há dúvidas que os dois estão à espera que Passos Coelho avance. O problema é que o actual líder pode não ser o presidente do PSD quando se realizarem as próximas presidenciais. Neste aspecto é Santana que sofre mais, mas por causa das legislativas as candidaturas a Belém estão em banho-maria. No lado socialista Guterres diz uma coisa hoje e outra amanhã. Como ficamos?

Em baixo  

Terrorismo -  Não confundir religiões com terrorismo. O que se passou em Paris nada tem a ver com ideologia, embora os autores dos atentados utilizem estes argumentos para realizar actos terroristas. De facto, não há solução para resolver o problema a não ser criar um estado securitário. Contudo, isso vai contra os valores ocidentais que referi no primeiro ponto. A única forma de liquidar estas células passa por uma política de combate dos governos locais que "albergam" estas redes.  
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