sábado, 21 de janeiro de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Theresa May - A semana mostrou que o Reino Unido pretende ser uma potência a nível económico e político. A saída da União Europeia permite alcançar objectivos grandes. A ambição da primeira-ministra é um bom sinal para todos os que votaram a favor do Brexit. 


No Meio 

Donald Trump - O empresário conseguiu ser empossado como presidente dos Estados Unidos contra tudo e todos. Os números estavam todos contra ele desde o início da apresentação da candidatura, mas é um feito ter recolhido o apoio da maior parte dos norte-americanos. O discurso de tomada de posse não entusiasmou, mesmo para os amantes daquela ideologia. Não vai ser recordado como dos melhores da história política.

Em Baixo

António Costa - O primeiro-ministro não tem solução para o chumbo da descida da TSU na próxima semana. O governo confiou demasiado na vontade do PSD em fazer passar a medida. Costa tem o problema de achar que consegue negociar com todos e sair sempre por cima. O pior é que o executivo vai culpar os sociais-democratas e deixar passar em claro mais uma atitude contra dos partidos que o apoiam no parlamento. A chico-espertice do chefe do governo começa a virar-se contra si.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Regresso ao orgulho americano e ao proteccionismo

Um discurso muito virado para dentro, mostrando vontade em transformar os Estados Unidos a nível interno. Trump não deu muito ênfase à política externa, confirmando os indicadores dados na campanha eleitoral, embora a promessa de terminar com o radicalismo islâmico seja impossível de alcançar.

A vontade de mudar os Estados Unidos tem sido o principal trunfo de Trump, pelo que, fazia sentido continuar com o mesmo tom. 

O discurso é inédito porque praticamente nunca se tinha ouvido nada assim nos Estados Unidos, enquanto na Europa isso tem sido decisivo para mudar as orientações políticas. Trump corre riscos excessivos ao ter dito que iria haver uma transição de poder de Washington para o povo. Os norte-americanos sabem que isso não vai acontecer.

O grande sinal dado por Trump tem a ver com o regresso do proteccionismo. Não tenho dúvidas que o novo Presidente vai lutar pelos trabalhadores e empresários norte-americanos em vez de mandar as empresas para fora do país. Talvez seja isso que Trump quis dizer nas primeiras palavras do discurso.

Trump não é um grande orador, tendo frases que roçam o autoritarismo, parecendo que a lei e ordem tem de ser cumprida, sob pena de sanções. 

A primeira mensagemdo dirigida aos norte-americanos e ao Mun não causou fascínio, mesmo que a ocasião tenha de ser aproveitada para aumentar a auto-estima da nação. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

As dúvidas e poucas certezas do mandato de Trump

O mundo aguarda com expectativa a tomada de posse de Donald Trump como 45º presidente dos Estados Unidos. 

As previsões feitas ao longo das semanas são muitas, não havendo nenhum padrão. Uns acham que vai ser desastre, outros pensam que pode surpreender. Os índices de popularidade de Trump são responsáveis pelas análises incertas sem fundamento. Ou seja, as opiniões têm apenas em conta os discursos feitos durante a campanha eleitoral. 

A escolha da nova equipa poderia acalmar os ânimos, mas a declaração da semana passada deu novamente vida aos críticos. 

O mais curioso é que nem sequer os apoiantes do empresário conseguem prever o que vai acontecer. Os detractores vão continuar com manifestações e a imprensa espera pelo mínimo erro para começar a tentar derrubar o Chefe do Estado. Os líderes mundiais também estão apreensivos, sobretudo a Europa que vai ficar mais isolada e no meio de duas potências que irão reestabelecer os laços diplomáticos. Os inimigos não devem estar contentes com a mudança porque Obama sempre preferiu a via do diálogo e esperam que Trump reforce o poder militar norte-americano.

No meio disto tudo, a única certeza é que haverá muito para falar e escrever sobre a próxima presidência norte-americana.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Cumprir a promessa para ser uma grande potência

A promessa de sair da União Europeia sem ficar com ligações políticas, jurídicas ou sentimentalistas vai ser cumprida. 

O Reino Unido terá uma saída total sem privilégios ou obrigações que toldam os movimentos nas relações com os outros blocos. É uma evidência a vontade de terminar com uma ligação que não estava a ter sucesso para explorar melhor as capacidades das outras potências.

O sinal dado mostra que os britânicos pretendem ser uma potência mundial e a melhor no espaço europeu, superando a Alemanha e a França. A grande vantagem sobre alemães e franceses é o acolhimento que os britânicos podem dar. Isso nem sempre é referido, mas é um factor importante para conquistar negócios. 

O Reino Unido escolheu um caminho livre e independente dentro da Europa para crescer economicamente, mas também no sentido de estar livre dos vários problemas que a União Europeia tem de enfrentar. O primeiro acto desta liberdade é o encontro entre Theresa May e Donald Trump. A velha aliança ganha novos contornos. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Os inimigos dos presidentes norte-americanos

Ao longo da história da política norte-americana os presidentes tiveram sempre um inimigo para justificar acções diplomáticas ou militares.

Desde o início do século XXI que os dois presidentes apontaram as baterias para um país. O republicano George W.Bush entendeu que o melhor seria destruir Saddam Hussein para livrar o Iraque do Eixo do Mal. Tendo em conta que a guerra em 2003 correu mal não houve mais acções militares, em particular no Irão. 

O mandato de Obama fica marcado pelo afastamento diplomático da Rússia, sobretudo nos últimos dois anos. Não houve qualquer reacção às ameaças nucleares norte-coreanas. A política externa de Obama centrou-se mais na resolução de problemas como o problema nuclear iraniano e o restabelecimento das relações com Cuba. No Médio-Oriente não houve intervenções militares, apesar dos esforços para tirar Bashar al-Assad do poder na Síria. No Oriente também se estabeleceu vários encontros bilaterais com a China.

O inimigo começou a ser a Rússia devido ao envolvimento de Moscovo na guerra da Síria. 

O presidente Trump vai mudar tudo isto. O empresário garante que irá reforçar os laços com Putin e não pedir a saída do ditador na Síria, bem como rever os acordos com o Irão e Cuba. Quer dizer que Trump não tem inimigos externos? Isso não é verdade porque a China parece ser o grande cavalo de batalha do novo Chefe do Estado. 

Os Estados Unidos gostam de se meter com os principais rivais na economia, poder militar e influência política. À medida que cada novo presidente escolhe um inimigo ele fica mais forte. A política de Obama relativamente a Moscovo só deu mais força a Putin, enquanto a China pode ultrapassar a economia norte-americana dentro de quatro anos. 

Na minha opinião, Obama esteve mal ao ter isolado a Rússia, mas Trump vai ser ainda mais penalizado se estragar o trabalho do antecessor com Pequim. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Um embaraço político para Costa

A polémica em torno da descida da TSU já corre mal ao primeiro-ministro. As intenções do governo eram boas porque visa compensar as empresas que terão de aumentar o salário mínimo nacional, mas está a provocar o primeiro embaraço do ano ao governo socialista.

A posição do PSD será sempre entendida como uma estratégia para enfraquecer o executivo, sendo que, só mais tarde se saberá quem ganhou. Neste momento, os sociais-democratas causaram um problema ao anunciarem que vão votar contra a medida.

Na minha opinião, Costa deu como garantida que tinha a abstenção da direita e agora vai ter que sofrer uma derrota. A grande dificuldade do primeiro-ministro tem a ver com o discurso da culpa contra o PSD porque não vai atacar os parceiros no parlamento. O alvo será sempre o PSD, mas desta vez, Passos Coelho deve ter uma razão, que mais tarde explicará, para chumbar a proposta. 

Os críticos de Passos Coelho pensam sempre pouco na capacidade do líder social-democrata conseguir explicar porque razão está contra uma medida. 

O debate sobre a descida da TSU é o primeiro grande confronto de Costa contra todas as bancadas porque o CDS também vai aproveitar para enfraquecer o governo. No futuro haverão mais, mas a primeira dificuldade surge numa altura em que Costa pensava ter tudo controlado e com as sondagens favoráveis. 

Os problemas podem não ficar por aqui se Marcelo Rebelo de Sousa decidir entrar no despique contra o chefe do governo. 

A independência do PSD

O PSD assume uma posição solitária no início de um ano que culmina com as eleições autárquicas. 

As posturas face à candidatura de Assunção Cristas em Lisboa e a votação contra a descida da TSU como forma de recompensar as empresas pelo aumento do salário mínimo nacional revelam que os sociais-democratas têm uma agenda própria.

Na minha opinião, Passos Coelho faz bem em avançar sozinho na principal Câmara Municipal do país, embora esteja mal na questão da TSU.

O PSD precisa de ir a jogo com um candidato, mesmo que seja difícil vencer. A liderança de Passos não pode ser apreciada com o resultado em Lisboa, sendo que, também é importante as áreas adjacentes. As obras operadas por Fernando Medina garantem uma vitória antecipada. O melhor nome não é alguém famoso, mas um vereador que esteja a fazer um bom trabalho. 

Na questão da descida da TSU, o PSD segue o populismo do BE e PCP. Se Passos tem uma agenda liberal deveria votar a favor da medida porque beneficia as empresas, permitindo contratar mais pessoas ou pelo menos manter os actuais trabalhadores. As empresas não podem continuar a pagar milhares de euros ao Estado.

Nas duas questões o PSD mostra que não anda a reboque de nenhum partido, seja no Parlamento ou no poder local.
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