quarta-feira, 22 de março de 2017

Duas atitudes diferentes

As polémicas declarações do presidente do Eurogrupo, cujo nome não arrisco a escrever, provocaram reacções fortes nos países atingidos. Ou seja, no Sul da Europa, sendo que, Portugal já reagiu através do primeiro-ministro e do Presidente da República.

Os dois representantes portugueses fazem em defender os interesses nacionais, já que, Portugal não pode continuar a ser humilhado nas instituições europeias. A frase do líder do Eurogrupo mostra que existe duas atitudes diferentes sempre que o assunto diz respeito a países mais fracos.

Os líderes europeus não podem continuar a criar divisões internas e externas para proteger os interesses da União Europeia. As constantes interferências nos actos eleitorais em cada país é um sinal de desespero, que se começou a verificar desde a vitória do Brexit em Junho de 2016.

Apesar de Costa e Marcelo não estarem a realizar um bom trabalho, os dois têm sido importantes na defesa do nome de Portugal dentro da União Europeia.

O que me espanta é teimosia de alguns dirigentes face às mudanças políticas que acontecem também por desnorte em termos de declarações e atitudes.

terça-feira, 21 de março de 2017

Especial 10º aniversário: Mudanças na Música

A música é uma das formas de expressão artística mais versátil, não só a nível dos géneros musicais diversos (que permitem diferentes tipos de expressões) mas também a nível da sua comunicação e partilha (cada vez mais digital). 

O mundo actual actua cada vez mais a nível digital, permitindo por um lado a facilitação ao acesso dos álbuns e temas, e por outro lado, despoleta uma crescente procura pelo contacto directo com quem nos inspira, nos traz bons sentimentos, momentos de diversão e sobretudo, de ausência de "stress". Este cenário é interessante desde que exista a valorização dos profissionais e das obras. Ainda que se verifique uma tendência positiva a este nível (o Consumidor está um pouco mais sensibilizado para a questão da sustentabilidade da actividade artística, disponibilizando-se a pagar pelos espectáculos e pelas peças, em formato cada vez mais digital, e ainda na forma de CD, entre outras), ainda estamos longe chegar a uma consciência global sobre este aspecto. 
  
No seguimento de uma sociedade robotizada, exigente e egoísta, o Ser Humano procura momentos em que se possa ligar a algo positivo, que lhe traga alegria e que o faça esquecer um pouco a rotina, as correrias, os problemas que surgem no dia a dia. Desta forma, os concertos têm sido cada vez mais o ponto de encontro entre o artista e os seus fãs (ou potenciais fãs), no qual existe a partilha directa da música, e de todo o significado que a mesma implica. 

A música é cada vez mais uma companhia, uma terapia para quem a faz e para quem a ouve. Não tem barreiras, não tem estatuto, não há preconceitos (ou pelo menos, há cada vez menos). E é assim que deve ser. Liberdade e respeito porque actua e cria, e por quem escuta e recebe.

Texto de Sofia Hoffmann

Jobs for the family

O presidente norte-americano prometeu transparência em Washington ao acabar com a política de interesses entre os vários sectores da sociedade. 

Os primeiros passos estão a ser dados no sentido contrário com a nomeação de familiares para cargos dentro da administração e na Casa Branca. 

Os sinais são preocupantes porque contrariam a limpeza anunciada por Donald Trump. Não era isso que as pessoas esperavam do novo Chefe do Estado. A promessa de mais empregos afinal tem de esperar mais tempo porque a prioridade passa por colocar os genros e a filha em lugares de destaque. 

O tema merece ser analisado porque durante um ano o discurso era no sentido de dar oportunidades a todos, mas parece que os familiares podem passar por cima do cidadão comum.

Parece que as mudanças não se vão concretizar e nalgumas situações a tendência é para piorar, como no acesso da família do presidente a assuntos do Estado. 

Trump não consegue arranjar emprego para os familiares no partido porque tem pouca influência no seio dos republicanos, mas pretende mais ouvidos e olhos para saber o que se passa em Washington. Qualquer semelhança com Frank Underwood da série House of Cards parece ser apenas coincidência.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Apostas fortes, mas perdedoras do CDS e PSD para Lisboa

As candidaturas de Assunção Cristas e Teresa Leal Coelho à Câmara Municipal de Lisboa por parte do CDS e do PSD são apostas fortes, mas claramente perdedoras nas próximas eleições. A dirigente social-democrata tem possibilidade de vir a ser presidente se continuar como vereadora e não ambicionar um lugar no governo caso o PSD volte ao poder em 2019.

As duas concorrentes são competentes e trazem novas ideias à política portuguesa, além de elevarem o nível do debate. O problema é que nenhuma delas se vai candidatar a Lisboa com o coração na capital. A líder centrista pretende tomar o pulso ao eleitorado antes de novo teste em congresso e a social-democrata é apenas uma solução temporária. 

Perante as adversárias principais, Fernando Medina só tem de continuar a fazer obras por toda a cidade. O autarca escolheu muito bem timing para dar um novo look a Lisboa, mas não precisava de ter pressa, porque não tem ninguém à altura para discutir o cargo. Aos poucos o PSD e CDS vão perdendo eleitorado na cidade. 

A verdade é que os últimos presidentes socialistas colocaram Lisboa no mapa, aumentando a visibilidade, trazendo turistas e investidores estrangeiros. A economia cresceu bastante nos últimos dois anos, sobretudo ao nível do pequeno comércio. 

Não acredito que haja forma de contrariar a obra realizada pelo socialista, pelo que, CDS e PSD não quiseram jogar forte, queimando candidaturas importantes, porque ainda faltam dois anos para as legislativas, embora um mau resultado seja preocupante para a defesa das lideranças de Passos Coelho e Cristas em 2018.

sábado, 18 de março de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Mark Rutte - O primeiro-ministro voltou a ganhar as eleições, tendo ficado bastante à frente do antigo parceiro de coligação. Rutte tem possibilidades de fazer nova coligação para assegurar estabilidade governativa e controlar os populistas do PVV, bem como manter o PvdA em baixa.


No Meio

União Europeia - Os responsáveis europeus ficaram contentes com o resultado eleitoral. O primeiro fantasma está ultrapassado, mas o grande desafio é nas eleições presidenciais em Abril. O problema para os líderes da Europa é o número de vezes que irão ter que alertar as populações de cada país. 

Em Baixo

Geert Wilders -  O partido liderado por Wilders ficou em segundo com mais cinco deputados que a legislatura anterior. O problema é que o PVV vai ter que ficar na oposição, já que, o VVD anunciou que não tem intenção de se coligar com populistas. O crescimento do sentimento nacionalista é evidente, mas na oposição Wilders tem que ter outro comportamento, sendo obrigado a concordar com as medidas do governo. A manutenção da actual mensagem política pode ser um erro a pagar nas próximas legislativas.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Uma oportunidade perdida para a justiça portuguesa

A justiça portuguesa teve uma oportunidade de ouro para voltar a se credibilizar junto da opinião pública com a Operação Marquês.

O processo judicial que envolve José Sócrates poderia ser um excelente momento para os agentes da justiça mostrarem capacidade de actuação em tempo útil e que ninguém está acima da lei. Não se trata de fazer do ex-primeiro-ministro um exemplo, mas de garantir que a justiça continua ao serviço de todos. 

Desde finais de 2014 que o país assiste a uma guerra jurídica e não só entre as duas partes. O mais engraçado é que Sócrates caminha livremente para a absolvição depois de ter estado preso preventivamente, mas se o objectivo do Ministério Público era condená-lo na praça pública conseguiu os intentos. O problema é que se o ex-chefe do governo não passa um dia na prisão parece que se tratou de uma situação encenada, alterando rapidamente a opinião da vox populi.

No plano comunicacional, Sócrates também vence todos os dias porque a mensagem que passa é de um complot jurídico e político. 

A investigação necessita de mais tempo, mas os sucessivos adiamentos são mais um motivo para o socialista fazer barulho e colocar-se no papel de vítima, como acontecia durante o exercício de primeiro-ministro. 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Quatro avisos importantes do acto eleitoral holandês

Os primeiros resultados do escrutínio holandês mostram que a Europa livrou-se do primeiro problema, embora seja necessário pensar nalgumas lições. 

A primeira é que os movimentos populistas continuam com peso dentro do espaço europeu, não sendo possível bani-los do mapa político.O grande erro dos responsáveis europeus tem sido a falta de cultura democrática em não aceitarem posições diferentes. No plano nacional compreende-se os discursos eleitoralistas, mas a nível europeu não se entendem algumas mensagens políticas. 

A Europa não pode continuar a rejeitar as alterações, nem ignorar a actual realidade partidária, e muito menos, meter-se em assuntos do foro nacional. 

O mau resultado do partido de Geert Wilders pode ter sido um alívio, mas a estrondosa derrota dos socialistas significa que o modelo social construído durante anos na Europa está completamente falido. Isto é uma preocupação porque os partidos políticos que deveriam optar por políticas sociais não têm respostas para os problemas dos cidadãos, sendo substituídas por outras forças ditas populistas. 

A maioria dos governos também não consegue alcançar maiorias parlamentares, estando dependentes de coligações cuja duração será sempre incerta. As decisões dificilmente voltarão a ser tomadas sozinhas, diminuindo o poder de Bruxelas sobre as lideranças nacionais. 

As quatro lições resultantes do acto eleitoral holandês terão reflexos nas presidenciais em França porque o que está em jogo é praticamente a mesma coisa. 
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