segunda-feira, 20 de abril de 2015

As portas do inferno

tragedia mediterraneo.jpg 
Desde o início deste ano que as instituições internacionais ligadas à migração e aos refugiados estimam em cerca de 20 mil as pessoas que tentaram entrar na Europa vindas do Norte de África, nomeadamente da Líbia e do Iémen.
Desde 2004 são estimadas em cerca de 5000 mil as pessoas que perderam a vida no mar Mediterrâneo.
O sonho de uma vida melhor e mais digna, a fuga à fome, à miséria e à guerra, levam ao desespero da única esperança: a porta da Europa, via Lampedusa (Itália), Rhodes (Grécia) ou Malta.
Mas a porta da esperança rapidamente se transforma na porta do inferno e o sonho vinha tragédia.
O Mediterrâneo está a transformar-se num autêntico cemitério de vidas e de sonhos. Enche de lágrimas.
Demasiadas vezes a Europa disse "nunca mais"... demasiadas vezes e rapidamente a Europa se esqueceu das suas promessas e opções, até novas tragédias.
Demasiadas vezes a Europa e a ONU têm lavado as mãos de uma responsabilidade que também é sua, porque a instabilidade no Médio Oriente e no Norte de África mediterrâneo não cabe só ao fundamentalismo islâmico, ao chamado "estado islâmico". E não apenas a responsabilidade da Europa ser "dona" do Mediterrâneo.
Isto não é uma questão geopolítica, geoestratégica ou religiosa... isto é uma questão de dignidade humana que é da responsabilidade de todos.
Do "nunca mais" é altura para dizer "basta", não pode haver mais desculpas.

Há mar e mar...

zona economica exclusiva portuguesa.jpgpublicado na edição de ontem, 19 de abril, do Diário de Aveiro

Em 2009, o Portugal apresentava na ONU uma proposta para alargamento/extensão da plataforma continental que implicava o aumento das 200 milhas marítimas para 350 milhas. O processo vinha a sofrer constantes obstáculos, nomeadamente por parte da vizinha Espanha e a polémica em torno das Ilhas Selvagens do arquipélago madeirense. No início deste mês, Espanha torna o processo mais aberto e cede nas suas exigências permitindo que a análise final ao pedido português tenha “luz ao fundo do túnel” já no próximo ano.
O que para a maioria dos portugueses se afigura como algo distante, abstracto, irrelevante, reveste-se de um colossal potencial indescritível. Só para ser ter uma noção, esta extensão da plataforma continental (que, na prática, submerge Portugal pelo fundo do oceano) representa 40 vezes o tamanho de Portugal territorial (são cerca de quatro milhões de quilómetros quadrados), transformando o país na décima maior zona económica exclusiva do mundo. Mas perante todos estes dados e factos, perante todas as potencialidades que se afiguram ao nível da economia (pesca, turismo, desportos náuticos, lazer, exploração mineral e petrolífera, fluxos comerciais marítimos) das ciências e investigação ou da geopolítica (estratégia política, segurança e militar), perguntará o senso comum porque é que não “batemos palmas” ou porque é que continuamos com os “cofres cheios mas de bolsos vazios”.
Não se percebe, de facto, como é que um país com toda esta riqueza por explorar, com todo este recurso natural, empobrece, não o consegue (ou sabe) explorar, não lhe retira o devido valor. A nossa história reservou-lhe um lugar especial, basta lembrar os descobrimentos (e todo o seu impacto) ou até mesmo o desenvolvimento da região de Aveiro assente na pesca, na construção naval e no comércio do sal. Mas tudo foi história.
Das ocidentais praias lusitanas e desses mares nunca dantes navegados, facilmente destruímos a nossa frota pesqueira que foi trocada, anos a fio, por promessas e subsídios destruturantes para o sector. A quota pesqueira foi sendo “engolida” por uma maior capacidade de pressão de países concorrentes no seio das instituições internacionais. O turismo ligado ao mar, essencialmente, confina-se ao Algarve, como se o mar apenas se destinasse ao mergulho após 2 horas a “torrar ao sol”. É certo que há vontades políticas e empresariais para retomar um olhar muito especial e particular para o mar e para a recentemente criada Economia Azul. São exemplos disso várias plataformas e clusters, como por exemplo o Oceano XXI ou o Fórum Empresarial da Economia do Mar; várias revistas/jornais e outras publicações que surgem na área; vários políticos interessados no desenvolvimento da economia azul, como é o caso do aveirense Ulisses Pereira ou da eurodeputada Cláudia Monteiro de Aguiar; a manifestação de políticas ligadas ao mar como a Estratégia Nacional para o Mar 2013-2020; um aproximar da vertente militar e de segurança (caso da Marinha) à sociedade civil e um entrelaçar de conhecimentos e objectivos; ou ainda vários centros de investigação, normalmente associados ao ensino superior como o ex-Centro de Oceanografia, agora MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Lisboa. Aliás, acrescente-se que, num breve olhar sobre os cursos superiores, no site da Direcção Geral do Ensino Superior / DGES, encontramos, pelo menos, nove cursos (1º ciclo/licenciaturas ou 2º ciclo/mestrados) como Biologia Marinha, Biologia Marinha e Biotecnologia, Ciências do Mar, Ciências do Meio Aquático, Meteorologia, Oceanografia e Geofísica, Engenharia e Arquitectura Naval, Engenharia de Máquinas Marítimas, Engenharia de Sistemas Electrónicos Marítimos ou ainda Gestão das Actividades Marítimas e Portuárias.
Só que caminhamos tantas vezes a passo de caracol, sem consolidar os esforços num objectivo e princípio comuns, sem interligações estruturais entre as diferentes entidades e instituições. Falta, como dizia Ulisses Pereira, de facto, "concretizar o verdadeiro activo económico que o mar representa". Sem isso, sem dar expressão prática e resultados, é trabalho em vão.
O mar é o maior “trunfo” para podermos ultrapassar esta crise e a realidade que Portugal vive nos dias de hoje, potencializando o desenvolvimento nacional dada a sua importante escala económica mundial e a riqueza que insere em si mesmo. Devia ser desígnio nacional encará-lo como um valor de modernidade, como uma oportunidade de futuro, como um património único, para além da tradição, da história e da identidade. Para Portugal, o mar não pode significar, tão somente, passado, tem de ser encarado como futuro. Quem sabe… o único futuro que nos resta.

domingo, 19 de abril de 2015

Olhar a Semana - Quando as promessas entram nas campanhas

A campanha eleitoral para as legislativas entrou na fase das promessas. O PSD acusa os socialistas de fazerem promessas eleitorais, que não vão poder cumprir quando estiverem no governo. Por seu lado, António Costa garantiu que "só temos uma cara, uma palavra". 

Ora, a campanha entrou naquela fase em que todos temíamos. A das promessas eleitorais. A partir deste ponto podemos concluir que tudo isto não passam de discursos políticos sem efeitos práticos. O secretário-geral socialista tentou ao máximo não entrar por este caminho, mas uma vez que o fez, já não tem possibilidade de voltar atrás. Isto é, se for eleito os meios de comunicação social vão recordar tudo o que disse quando estava na oposição. Entendo que isto faz parte do jogo político. O problema é que a maioria das pessoas não pensa desta forma e a imprensa está sempre a recordar aquilo que foi dito no passado. Quem não se lembra da memória que foi feita às ditas promessas de Pedro Passos Coelho a uma rapariga sobre os cortes no subsídio de Natal e férias. 

Como já disse, percebo e aceito este tipo de estratégia, mas os responsáveis partidários têm de estar atentos e efectuar mudanças sob pena de serem considerados todos iguais perante as pessoas. As ratoeiras que são colocadas após um deslize podem ferir a imagem junto da população menos informada. António Costa caiu na mesma tentação dos seus sucessores. 

O recurso às promessas eleitorais serve como um elemento de distinção do carácter em relação ao principal adversário. No fundo, a escolha está entre alguém que prometeu, mas não cumpriu e aquele que vai cumprir com o prometido. Estamos perante um aspecto importante que é capaz de angariar votos, seja à esquerda, centro ou direita porque a seriedade e honestidade não tem cor política nem ideologia.


sexta-feira, 17 de abril de 2015

Ai aguenta, aguenta!

Do paradoxo "economicês"...
É mais que enorme a discussão em torno da falta (e das razões) de investimento em Portugal (seja interno ou externo, seja privado ou público) com consequentes impactos na economia e na saída da crise nacional.
Há ainda a percepção generalizada de uma incapacidade do tecido económico nacional para o investimento, onde se insere a banca portuguesa. Banca essa, hoje em dia, claramente manchada e com uma péssima imagem junto da sociedade (casos BPP, BPN e BES, a que se acresce a actuação do Banco de Portugal).
Há também a percepção, seja por questões ideológicas, seja por razões pragmáticas como a falta de recursos e estrutura, que o Estado não consegue, nem pode, nem deve, gerir tudo, mesmo que isso fosse para bem de todos. Não consegue, não deve, não pode, não tem dinheiro, nem recursos para tal. Isto pode implicar, e implica, a cedência de alguns sectores ditos (ou chamados) estratégicos, como é o caso da energia, transportes, águas, combustíveis, etc.
Mas mesmo assim ainda há quem, perante a nossa incapacidade de investir, perante a débil capacidade de intervenção da nossa banca (BPI, por exemplo) para investir e participar na criação de riqueza nacional, perante estas incapacidades, ache mal que os outros, tendo os recursos, invistam em Portugal, mesmo nos sectores estratégicos.
Tudo isto cheira a "mau perder"...
Pessoalmente, Sr. Presidente do BPI, Fernando Ulrich, tenho que lamentar a nossa incapacidade e falta de competitividade financeira para competir com o investimento estrangeiro, seja ele chinês, alemão, angolano ou marciano.
Como uma vez não teve pejo nenhum em dizê-lo, devolvo-lhe a afirmação: "Ai aguenta, aguenta..."

quinta-feira, 16 de abril de 2015

A paz também se faz pelo telefone

O presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, tem um gosto especial por tentar alcançar a paz através de chamadas telefónicas. É óbvio que ninguém tem acesso aos bastidores das negociações políticas e que o líderes comunicam mais vezes do que realmente aparentam. No entanto, tem sido público as intenções do chefe do Estado em fazer a paz pelo telefone. 

O acordo nuclear com o Irão teve início numa chamada de Obama para Hassan Rouhani, quando este levantava voo de Nova Iorque para Teerão. A futura amizade com Raúl Castro teve origem num curto telefonema. Por fim, as relações entre os Estados Unidos da América e a China podem ser carimbadas muito por culpa do pequeno aparelho. 

O ponto mais interessante é o facto de Barack Obama ter conseguido reatar relações com países "inimigos" dos Estados Unidos, e que tinham dificuldade em aceitar a política externa de Washington. Não por culpa exclusiva de George W.Bush, mas devido ao historial de intervenções norte-americanas ao longo da história mais recente. Os críticos do actual presidente não podem deixar de reconhecer mérito nas aproximações com Teerão, Havana e Pequim. Apesar das falhas internas, o que fica é a última imagem de Obama. Seja pelo telefone, via e-mail, fax ou através de um diplomata, Barack Obama está a marcar pontos e a deixar trabalho completo para o próximo sucessor. Na minha opinião, o residente da Casa Branca no princípio de 2017 não tem que se preocupar com os velhos inimigos porque eles se tornaram amigos. Os últimos desenvolvimentos não servem unicamente os interesses dos Estados Unidos. O objectivo passa também por isolar a Rússia. Não é por acaso que os escolhidos foram o Irão, Cuba e a China. Todos eles são amigos naturais de Moscovo, em particular de Vladimir Putin. 

Os telefonemas também vão ficar para a história. 

Marketing parolo e obsessivo

Já por diversas vezes manifestei o meu desinteresse pelo estado actual do processo que levou à prisão preventiva do ex Primeiro-ministro José Sócrates. Relembro apenas as três razões que sustentam a minha posição: confiança na Justiça; princípio da presunção de inocência; separação entre processo judicial e político.
Aliás, quanto ao último aspecto, também defendi sempre que o caso não deveria entrar na esfera do confronto político nacional, sob pena de surgirem inevitáveis impactos em ambos os lados da “barricada” (PS e PSD). Sim… não se pense que os estilhaços apenas atingiriam os socialistas. Enquanto não houver a absolvição ou a condenação o processo nada tem de político, mesmo que, no final, tudo se transforme num claro caso político independentemente do desfecho, pelo envolvimento de um ex Primeiro-ministro e dos factos se reportarem ao período do exercício das funções de Estado. Mas isso a seu tempo…
Já aqui dei nota, a propósito do caso das dívidas de Passos Coelho à Segurança Social, que interessa tudo ao PSD menos trazer para o confronto político o caso “Marquês“ sem que o mesmo tenha ainda um fim. Por mil e uma razões, que mais não seja pelo risco de se virar o feitiço contra o feiticeiro ou haver “gatos escondidos com rabos de fora” do lado dos sociais-democratas.
O mesmo diz respeito aos socialistas, embora aqui o caso seja mais complexo: um afastamento do processo pode significar a rejeição de um passado muito recente, ainda por cima com uma estrutura nacional muito assente nesse passado; uma aproximação de facto pode ter impacto eleitoral significativo. Por tudo isto ao PS impõe-se um maior recato e cuidado.
O que é completamente desprovido de senso, lucidez, inteligência, honestidade, ética e coerência políticas, é o uso da política e dos seus contextos para a autopromoção e para a febre e sede de mediatismo. Em vésperas de lançamento de mais um livro, e isto não é de todo um pormenor, o ex ministro da cultura e representante português na UNESCO, Manuel Maria Carrilho vem publicamente pressionar António Costa a expulsar José Sócrates do PS. Mesmo para quem não tem ligações ao Partido Socialista isto é qualquer coisa de surreal e de ridículo. Primeiro porque se há coisa que não convém ao PS é transformar o processo num caso político. Segundo porque não há, por parte dos socialistas, há muito tempo, o reconhecimento do peso político de Carrilho para que este tenha a “legitimidade” de apresentar (ainda para mais publicamente) a proposta de expulsão. Terceiro porque tudo não passa do uso de um processo para vir para as luzes da ribalta ressuscitar o seu nome face à publicação de um livro. Quarto, é notório o sentido de vingança pela total antipatia (por razões políticas) que Carrilho nutre por Sócrates. E por último, Manuel Maria Carrilho não é, publicamente, um modelo de virtude e de exemplo, face aos processos de violência doméstica que tem contra si, envolvendo Bárbara Guimarães.
Mas principalmente tudo isto é triste, tudo isto é fado…

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Não façam os portugueses de parvos...

urgencias hospitalares.jpgSe há coisa que a maioria dos portugueses aprendeu, nestes 40 anos de democracia, foi saber distinguir, no discurso político e governativo, as falsas promessas, os irrealismos, as desculpas esfarrapadas e a tentativa de fazerem de nós parvos. Não... não o somos, nem muito menos estúpidos.
E a maioria dos cidadãos, por força do volume e velocidade da informação, da pluralidade, qualidade e diversidade, apurou o seu sentido crítico.
Quem não aprendeu a ter cuidado com o discurso, com a sua veracidade e transparência, com a coerência e com a realidade, foram os políticos e os governantes.
Face à reportagem da TVI sobre as urgências hospitalares, recentemente transmitida na rubrica "Repórter TVI", esperava-se, por parte do Governo e da Tutela, um maior cuidado e recato nas declarações posteriores.
Podíamos esperar de um governante, face à reportagem, que questionasse os critérios jornalísticos... criticável, mas aceitável.
Podíamos esperar de um governante, face à reportagem, que assumisse as dificuldades da gestão governativa de um sector extremamente complexo e com uma máquina pesada... aceitável e desejável.
Podíamos esperar de um governante, face à reportagem, que accionasse os mecanismos e as estruturas do sistema para avaliar e minimizar os impactos negativos do caos das urgências hospitalares... desejável e coerente.Podíamos esperar de um governante, face à reportagem, que, no limite dos limites, até pudesse questionar a veracidade das imagens... apesar de eventual irrealismo.
Mas o que não podemos aceitar, de todo, é que o Secretário de Estado da Saúde, Leal da Cunha, face à reportagem da TVI, venha com um discurso inqualificável e de um total desrespeito pelos profissionais, pelo sistema e, acima de tudo, pelos doentes e familiares. Afirmações como "os doentes estavam bem instalados/acamados", "o sistema funciona perfeitamente", "as instalações são as adequadas" (aspas minhas), etc., só revoltam quem as ouve, mesmo que não tenha tido experiências vivenciadas nas urgências, e só tinham um único impacto prático: a demissão.
Não nos façam de parvos...

Cinco republicanos contra uma democrata

O anúncio da candidatura de Hillary Clinton à Casa Branca teve uma resposta por parte dos republicanos na última segunda-feira. Marco Rubio foi o terceiro republicano a apresentar a intenção de concorrer, depois de Ted Cruz e Rand Paul. No entanto, ainda faltam as nomeações de Scott Walker e Jeb Bush para completar o quinteto que vai lutar nas primárias republicanas.

Ora, enquanto o Partido Republicano se entretêm nas suas guerrilhas políticas, os democratas vão ter seis meses de grande acalmia porque não se prevê nenhum adversário para a antiga primeira-dama. As sondagens são letais para qualquer personagem que queira fazer frente a Hillary. 

Como disse anteriormente os republicanos têm a possibilidade de fazer uma campanha esclarecedora e interessante sob o ponto de vista político. No outro lado apenas uma figura tem o circo à sua volta. Na minha opinião o escolhido pelos republicanos apresenta-se para as eleições mais forte porque passou o teste das primárias. Caso concorra sozinha, Clinton só vai ter o teste no dia da eleição geral. No entanto, como sabemos a política norte-americana é fértil em surpresas e pode aparecer um candidato cuja única intenção é testar a ex-secretária de Estado. O problema é que isso não serviria de prova. Hillary só vai a jogo em Novembro do próximo ano. 

terça-feira, 14 de abril de 2015

jornada 28

O campeonato caminha para a sua fase decisiva com Benfica e FC Porto separados por três pontos. Os dragões conseguiram ultrapassar a difícil deslocação a Vila do Conde onde o Benfica havia perdido. Os encarnados golearam a Académica em mais uma exibição de luxo no seu estádio. Mais uma vez os benfiquistas encheram a Luz, tendo saboreado uma excelente exibição por parte do Benfica. Tanto as águias como os dragões estão a dar o máximo e isso tem reflexos na qualidade de jogo. Por isso perspectiva-se um grande clássico daqui a duas semanas. Os desafios do Benfica no Restelo e a recepção do FC Porto à Académica servem para cumprir calendário. Atendendo ao momento de forma das duas equipas não é expectável que haja um desaire, mesmo com o FC Porto com a cabeça na eliminatória frente ao Bayern Munique. 

Tal como a luta pelo título, na cauda da tabela existem duas formações praticamente despromovidos. Gil Vicente e Penafiel viram os mais directos adversário perderem. No entanto, nota-se um baixar de braços por parte das equipas nortenhas. 

A luta pelo quinto e sexto lugar está ao rubro. Devido à quebra do Vit.Guimarães e pela previsível presença do Sporting de Braga na final da Taça de Portugal, ainda existem duas vagas com acesso às competições europeias. Entre o quinto classificado e o nono há sete pontos de distância. Estão 18 pontos em disputa. Neste momento a equipa em melhor forma é o Belenenses. A pior é o Guimarães, que tem duas vitórias nesta segunda volta. No entanto, Rio Ave e Paços de Ferreira também estão com pouca qualidade. O Nacional ainda sonha, enquanto que Marítimo e Moreirense só chegam lá por milagre.

Positivo:
exibições de Benfica e FC Porto, que prometem um grande clássico daqui a duas jornadas, goleada do Sp.Braga, Belenenses europeu mesmo com troca de treinador, Marco Matias e André Simões são figuras nos respectivos clubes e prometem dar o salto na próxima temporada.

Negativo
Derrotas de todos os clubes que lutam pela manutenção, fraca imagem do Vit.Guimarães em Moreira de Cónegos,

Treinador da Jornada: Ivo Vieira (Marítimo)
Jogador da Jornada: Marco Matias (Nacional)
Melhores jogadores do campeonato: Hassan (Rio Ave), Marco Matias (Nacional) e André Simões (Moreirense)


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Hillary Clinton é candidata

A antiga primeira-dama norte-americana, Hillary Clinton, anunciou a sua candidatura à Casa Branca, tendo lançado um vídeo em vez de fazer uma apresentação formal. A modéstia com que Clinton apresentou a sua candidatura, contrasta com a forma como irá abordar a luta. Não esperem que Hillary se deixe intimidar pelos muitos candidatos do Partido Republicano. Alíás, a sua intenção fez com que, até ao momento, nem um democrata tenha sequer pensado em avançar. Isso significa que há um certo medo e receio de que não é possível vencê-la nas primárias. O único que o conseguiu fazer há oito anos foi um fenómeno chamado Barack Obama. Na altura só mesmo alguém com mais carisma do que Clinton conseguiu chegar à Casa Branca. No entanto, caso ganhe as primárias a ex-secretário de Estado não vai ter tarefa fácil devido aos erros de Obama durante o seu mandato, mas isso é tema para outra discussão.

Hillary já está no terreno. Para já, tem as primárias quase ganhas. 

sábado, 11 de abril de 2015

Figuras da Semana

Por Cima

Partido Republicano - O partido republicano norte-americano aposta tudo nas próximas eleições. Até ao momento já foram anunciadas duas candidaturas. A de Ted Cruz e Rand Paul. No entanto, há mais. Marco Rubio anuncia na próxima segunda-feira, sendo que Jeb Bush e Scott Walker vão esperar pelo Verão. Ora, enquanto que o Partido Democrata está limitado a Hillary Clinton, torna público amanhã a candidatura, os republicanos têm uma luta interessante. Mais do que isso vão ter a atenção sobre si, se os restantes democratas tiverem medo da antiga primeira-dama. Uma vez que as eleições norte-americanas vivem do mediatismo, em 2016 este estará todo no GOP.

No Meio

Barack Obama -  O presidente Obama lançou uma ofensiva sobre Cuba que lhe está a dar pontos. Contudo, os problemas no Médio-Oriente estão a dificultar a política externa norte-americana e o desejo dos Estados Unidos terem influência política e militar em cada canto neste planeta. As guerras civis na Síria e no Yemen mostra que Washington perdeu o poder, mesmo em relação aos seus eternos aliados. O actual presidente tem bastante culpa no cartório devido ao seu sistema de isolamento. Não cometeu o mesmo erro em Cuba, mas parece que foi Havana a dar o primeiro passo.

Em Baixo

Partido Socialista -  O anuncio da candidatura de Sampaio da Nóvoa não caiu bem em alguns militantes históricos do PS. Mesmo com a concordância de Mário Soares, o ex-reitor não vai ter vida fácil até às presidenciais. Não por culpa de um candidato laranja que não se conhece, mas por causa da entourage socialista, que queria um nome vencedor à partida e que também desse força nas legislativas. O que está a acontecer é exactamente o contrário. Sampaio da Nóvoa pode roubar espaço mediático a Costa até às legislativas, apesar de ser um moderado nas críticas ao governo. O PS foi precipitado nesta tentativa de regressar a Belém. 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Abram alas para os independentes

O ex vice-presidente da Câmara do Porto, Paulo Morais, é o terceiro candidato à presidência da república. No dia 18 será a apresentação da sua candidatura. Não sei o que se passa, mas até agora temos três independentes que concorrem para Belém. Sampaio da Nóvoa pode ter o apoio escondido do PS. No entanto, vai ter dificuldade em ter o partido todo unido à sua volta. 

É bom para a vida política existirem pessoas que tomam estas decisões sem esperar pelas estruturas partidárias. Por isto é que Marcelo Rebelo de Sousa comete um erro se não avançar sem ter o PSD por trás. Há medida que o tempo avança, o professor perde espaço político e mediático para homens como Paulo Morais, Sampaio da Nóvoa e Henrique Neto. 

Há muito tempo que as presidenciais não eram discutidas por pessoas que têm vontade própria. Isto acontece porque o cenário pós-legislativas não é animador para os maiores partidos, pelo que, ninguém vai arriscar em lançar uma candidatura sabendo que pode ser condicionada por um mau resultado em Outubro. Mesmo que o PS vença, o facto de não ter maioria pode não ser suficiente para cantar vitória porque depois não há ninguém que se queira coligar aos socialistas. 

O sinal dado por Paulo Morais, Sampaio da Nóvoa e Henrique Neto é uma prova que a política tem de estar virada para as pessoas e os partidos começam a perder influência sobre as grandes decisões.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A bola de cristal ou adivinhanço encapotado

bola de cristal e cartola magica.jpgA discussão traz, normalmente, bastante polémica e não é, de todo, recente. Refiro-me à questão do segredo de justiça, à sua "eventual" violação e à legitimidade na divulgação de factos processuais, não apenas na comunicação social, embora nestes casos seja o mais mediático (e imediato).
A discussão sobre a relação entre o dever de informar, o supremo interesse público (bem diferente do interesse do público) e a reserva da intimidade e da privacidade, tem fronteiras muito débeis e facilmente transpostas, com argumentações válidas (fora os excessos) para ambos os casos (divulgação factual/imagem ou não). E, neste caso da reserva da privacidade e intimidade, há ainda outras áreas como a questão do sigilo bancário, fiscal (lista vip das finanças), etc.
Mas há ainda a questão das fugas de informação e as escutas (muito para além da questão do segredo de justiça) que costumam, por exemplo, preocupar partidos, políticos, Governo e Presidência da República. Só que, neste âmbito, a contradição, a promiscuidade e os interesses menos transparentes, transformam esta realidade na maior das permissividades e confusões. Até porque há ainda a dificuldade em perceber a quem interessa e a quem prejudica, verdadeiramente, algumas fugas de informação.
A realidade é já antiga, tem "barbas" e até já poderia ter sido tema de comentário. Adiamento atrás de adiamento, aqui vai finalmente.
A prestação de comentador político de Marques Mendes é algo de surreal. Primeiro são notórias as deambulações entre a crítica e o elogio ao Governo, nunca definindo um posicionamento (o tal ditado "uma no cravo, outra na ferradura"); segundo são as constantes revelações, premeditações, o adivinhar o futuro, sempre em antecipação ao Governo. Das duas, três... ou Marques Mendes é adivinho (e a Maya que se ponha à coca face à concorrência) ou Marques Mendes é usado como evidente "soundbite" político do Governo para que este apure impactos e reacções de medidas, projectos ou posições que tenha de tomar publicamente, sem ter que correr riscos com "fugas de informação".
Num processo tão complexo quanto delicado como é o caso BES e a intenção governativa de vender o Novo Banco faz algum sentido vir publicamente afirmar, categoricamente mesmo que tudo devesse ter o maior recato possível, que o Banco Popular e o Banco da China ficaram fora da "corrida" ao Novo Banco e anunciar, com a mesma certeza e publicidade, quais os finalistas no processo? Se é fuga de informação deve ser averiguada, se há intencionalidade na divulgação dos factos afigura-se uma estratégia governativa lamentável e condenável.
E não deixa de ser curioso que com tanto ruído à volta das presidenciais de 2016, Marques Mendes ainda não tenha consultado a sua "bola de cristal" para saber e anunciar quem é, de facto, o candidato da direita. Ou será o próprio? E já agora... quem ganhará as eleições?
E ainda... o "meu" Porto ainda conseguirá ganhar o campeonato?

terça-feira, 7 de abril de 2015

Quem tem Blair tem tudo

O ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair, veio a público apoiar Ed Miliband. Ao mesmo tempo atacou as posições de David Cameron sobre a Europa. A reacção de Blair tem sido uma constante por muitas pessoas no Reino Unido. 

Após os dois debates pouco esclarecedores, o líder do Partido Trabalhista precisava que alguém viesse a público mostrar que está ao seu lado. Blair esteve bem porque sentiu o mau momento porque passa Miliband. Nem as sondagens lhe são favoráveis. Se o antigo chefe de governo tivesse uma posição contrário seria a morte política do actual líder. Para já, tem um novo fôlego e um apoio muito importante, embora Blair não seja uma figura unânime no meio académico e social britânico. No entanto, isso não importa para um líder que tem sido alvo de chacota por parte da imprensa e opinião pública. 

Dia 9 de Abril

Vamos Pensar as Legislativas com Diogo Agostinho e Bruno Gonçalves Bernardes.

Apareçam.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

jornada 27

A luta pelo primeiro lugar continua a manter Benfica e FC Porto separados por três pontos. Não houve oscilações nas exibições das duas equipas, até porque jogaram no seu recinto. O problema será na próxima jornada quando o FC Porto se deslocar ao estádio do Rio Ave onde o Benfica perdeu. Os encarnados recebem uma Académica, que continua sem perder com José Viterbo ao leme. Existe uma noção por parte dos jogadores de ambas as equipas de que um erro é a morte do artista, pelo que, a partir de agora, a pressão é a mesma para os lados da Luz e do Dragão. Para dar mais emoção ao campeonato penso que se justificava as duas equipas jogarem à mesma hora. E não só após o clássico que se joga a 26 de Abril. 

Quem continua a oscilar é o Sporting, que voltou a empatar. O Paços foi uma de quatro equipas que não perdeu pontos frente aos leões. As outras foram o Benfica, FC Porto e o Belenenses. Por aqui se percebe porque razão Marco Silva perdeu definitivamente o comboio do segundo lugar, sendo ameaçado pelo Sp.Braga, que deu sinais de retoma após duas derrotas e um empate caseiro. 

No fundo da tabela Gil Vicente e Penafiel parecem ter o destino traçado, cabendo ao Arouca e Vitória de Setúbal lutar para não jogar um play-off com o terceiro classificado da segunda liga, tendo em vista a manutenção na competição. A boa forma de Académica e Boavista parece ter retirado estes dois clubes da descida, embora ainda haja 24 pontos em discussão. 

Destaque para a segunda vitória nesta volta do Vit.Guimarães.

Positivo
Exibições convincentes de Benfica e FC Porto; Jonas goleador e Quaresma irrequieto levam os dois clubes a não perderem pontos, vitória do Sp.Braga em Barcelos com dois golos de Zé Luís, segunda vitória na segunda volta do Vit.Guimarães, atitude do Paços de Ferreira

Negativo
Mais um empate do Sporting, Estoril e Nacional macios perante poderio dos adversários, Gil Vicente com menos esperança de se salvar da manutenção, pouco jogo do Arouca

Jogador da Jornada: Jonas (Benfica)
Treinador da Jornada: Paulo Fonseca (Paços Ferreira)
Melhor jogador do campeonato: Hassan com 6 nomeações

Portas está a ir para Belém

A possibilidade de Paulo Portas avançar para uma candidatura a Presidente da República foi avançada por Pedro Santana Lopes numa entrevista ao Diário de Notícias. Apesar do líder centrista ter dito que "tou nem aí", temo que isso seja tão verdade como as decisões "irrevogável". 

O cenário tem pernas para andar na eventualidade do próprio Pedro Santana Lopes ter o apoio do PSD, o que parece mais provável, e se o PSD e CDS não consigam obter maioria absoluta. Nesta última hipótese os dois partidos só deverão impedir o PS de alcançar os deputados suficientes para governar sozinho. Caso isto aconteça tanto sociais-democratas como centristas vão provocar a queda do novo executivo o mais breve possível até porque o Presidente da República não tomará qualquer iniciativa de entendimento porque está de saída, sendo que as presidenciais 2016 são logo a seguir. Outro aspecto tem a ver com o processo interno dos partidos. Mesmo que os socialistas não consigam a maioria absoluta, o PSD e o CDS vão ter eleições internas para escolher uma nova liderança, que pode passar por uma candidatura dos actuais líderes. Neste cenário Portas não se recandidata e deixa o lugar para outro, embora sempre com o seu controlo. 

Uma derrota nas legislativas deixa Portas com a possibilidade de ser candidato a Presidente da República com o apoio do partido, da direita e de parte do PSD que não escolheu Santana Lopes para Belém. Caso o PSD tenha novo líder, Santana Lopes pode perder o apoio do partido, mas como já se anunciou a candidatura antes da legislativas e sem saber o destino de Passos Coelho, não vai desistir. Ora, Portas quer ocupar o espaço de Santana. Este cenário ganha força se Marcelo Rebelo de Sousa não for a jogo. O professor não vai ter o apoio do PSD com ou sem Passos Coelho, pelo que, só a sua iniciativa pode baralhar as contas de Portas. Como o comentador está à espera de um apoio partidário para avançar, acho que desperdiçar a única oportunidade que tinha para conquistar todo o espaço do centro-direita. 

Com o caminho livre, Pedro Santana Lopes e Paulo Portas serão os senhores que representarão o PSD e CDS, que estarão na oposição e com novas lideranças. 

Olhar a semana... "putativas presidenciais"



O ano de 2015 será marcado pelo impacto dos resultados das eleições legislativas que deverão ocorrer no último trimestre deste ano.
Já o ano de 2016 reserva a sua abertura para a realização das eleições presidenciais. Para estas ainda faltará, mais coisa menos coisa, cerca de um ano. Mas, estranhamente, tem sido o processo eleitoral presidencial que mais tem agitado a agenda política: são os putativos candidatos a candidatos, nomeadamente à direita (casos de Marcelo Rebelo de Sousa, Santana Lopes, Marques Mendes, Rui Rio, Manuela Ferreira Leite, Fernando Nobre de novo, e até mesmo Paulo Portas); são as esperanças e os sonhos socialistas que resvalam numa lista vip interminável (Ferro Rodrigues, Maria de Belém, João Cravinho, António Vitorino, Edite Estrela, Jaime Gama); são os mais que desejados mas mais distantes Durão Barros (PSD) e António Guterres (PS); e os incómodos nomes confirmados como Henrique Neto e Sampaio da Nóvoa.
Se à direita tudo não passa de “soundbites” e do condicionamento de eventual candidatura de mal-amado Marcelo Rebelo de Sousa, já no seio da família socialista a realidade é outra.
Apesar da direcção nacional e do líder António Costa afirmarem, e bem, que o processo das presidenciais terá espaço e tempo próprios, a verdade é que os dois nomes já anunciados (ambos na área de influência eleitoral socialista) deixaram já alguns sabores amargos entre os socialistas. Henrique Neto criou alguma instabilidade, mesmo que a sua candidatura seja indiferente a António Costa (como o mesmo o afirmou) mas a candidatura de Sampaio da Nóvoa mais mal-estar deixou no interior do PS, como fortes críticas internas de claro desagrado quer em relação à candidatura (embora a memória de alguns socialistas seja curta, depois de Sampaio da Nóvoa ter sido figura no último congresso do PS), quer em relação à forma como a direcção tem gerido o processo. Embora, neste caso, só se entendam as reacções como a necessidade de palco e ribalta para alguns políticos que têm uma enorme carência de mediatismo.
Não faz qualquer sentido estar a focar atenções e recursos numas eleições que só deverão acontecer daqui a cerca de 12 meses, mais ainda quando daqui a cinco ou seis meses estaremos em plena campanha eleitoral para as legislativas. Tudo o que envolve, neste momento, presidenciais são “fair divers”, é entretenimento político, é estar a desviar atenções e concentrações discursivas no que é, para os portugueses e para o país, o mais importante: as legislativas de 2015 que poderão marcar, ou não, nova viragem política nacional.

Google controlado

A Comissão Europeia vai multar o Google em 5,5 milhões de euros devido às práticas denominadas anti-concorrenciais da empresa no espaço europeu. 

As instituições europeias voltam a penalizar o gigante tecnológico por este não fornecer espaço publicitário a todas as empresas, estando a ter acções que violam os tratados europeus.

Não há dúvidas que a Europa não pretende que o Google actue sozinho e livremente no mercado tecnológico dos países europeus. O que a União Europeia também não quer é a exclusividade. Ou seja, a intenção passa por dar visibilidade e publicitar outras empresas concorrentes, mas que vivem à sombra da Google. No fundo, os utilizadores devem procurar outros espaços para fazer as suas pesquisas. 

Percebo a intenção dos responsáveis europeus. No entanto, acho que a alternativa da Europa para combater a empresa norte-americana passa por criar o seu próprio motor de busca. Não é com multas ou coimas que se consegue conquistar o mercado. Isso é "pinners" para o Google que tem o apoio público de Barack Obama. A única forma de fazer concorrência passa por vencer no campo da qualidade e competência.  

domingo, 5 de abril de 2015

das incoerências e hipocrisias

Há uma estranha relação entre a coerência crítica e os acontecimentos trágicos e condenáveis que, infelizmente, vão preenchendo o nosso dia-a-dia.
Somos, como "fui", Charlie...
Ficamos perplexos e revoltados com "onzes de setembro" (USA, Espanha, Inglaterra) ou atentados em maratonas nos Estados Unidos...
Bebemos páginas e páginas de texto, imagem atrás de imagem, notícia após notícia, quando um louco arrasta consigo centena e meia de inocentes, fazendo despenhar um avião em França...Etc., etc., etc. ...
O que é que há aqui de comum, para além da legitimidade da indignação face aos factos e acontecimentos? Em causa estão países que integram o chamado "mundo ocidental". Mesmo que assobiemos para o ar no que respeita a atentados contra as liberdades e garantias dos cidadãos ou no que respeita à pena de morte, vividos nesses países a "superioridade ocidental" é um argumento de peso na avaliação crítica dos acontecimentos.
Há dois dias um ataque dos fundamentalistas islâmicos a uma universidade no Quénia fez 147 vítimas mortais e provocou ferimentos em quase uma centena, por razões religiosas e contra o direito universal à educação. Sema mais nada... só porque sim.
Tivesse o caso ocorrido nos Estados Unidos ou na Europa e teríamos páginas e páginas de jornais, horas e horas de televisão, comentários após comentários de peritos em geopolítica, segurança, religião, e seriam escassos os espaços nas redes sociais.
Mas não... não foi num "ocidente qualquer". Foi nessa desterrada e deportada África (como é, em alguns casos, na ásia, américa do sul ou médio oriente) onde tudo e mais alguma coisa pode acontecer porque é o destino, por causa dos seus governos e governantes, porque ali nem o fim do mundo é... é o inferno.
E para além desta nossa incoerência e hipocrisia (preocupa-nos muitas vezes mais a caridadezinha para descargo de consciência) acresce, sem qualquer pudor, um claro sentimento racista.
Foi em África? pois... coitaditos, é a vida.
massacre na universidade do quenia.jpg
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