terça-feira, 30 de maio de 2017

A União Europeia continua a ser o alvo de todas as críticas

As críticas à forma como a União Europeia geriu o dossier dos refugiados continua a merecer críticas de todos os quadrantes, dentro e fora do espaço europeu. 

A ajuda dada por muitos países não tem sido valorizada, sendo preferível apontar o dedo aos prevaricadores. Neste aspecto, o Leste europeu está debaixo de fogo, ao contrário do sul da Europa que merece elogios, sobretudo Portugal e Espanha. 

As decisões relativamente aos refugiados deveriam ser tomadas colectivamente e não individual como tem acontecido nalgumas ocasiões. No entanto, também se percebe as posições que visam proteger as populações. 

O que interessa é entender a forma como a União Europeia vai responder ao problema sem continuar a ser alvo de críticas por parte de todos os actores. Por um lado, não se pode fugir ao acolhimento porque chegam barcos todos os dias ao sul da Grécia e de Itália. Por outro, o continente europeu não tem de permanecer como porto de abrigo de milhares de pessoas. Tendo em conta que se tem olhar para as duas hipóteses, a resposta nunca pode ser fechar as portas ou deixar entrar todos os que procuram a Europa para viver. 

A solução passava por criar critérios para aceder a determinados direitos, à medida que a integração se concretizava. Apesar das desvantagens e vantagens, seria a melhor de evitar fechar as portas ou correr riscos se todos pudessem entrar.

No plano politico, a União Europeia, incluindo os países mais acolhedores, sofrem pressões para adoptar a segunda solução. Ou seja, abrir totalmente as portas. 

segunda-feira, 29 de maio de 2017

As migrações actuais impedem respostas solitárias dos governos

Os fluxos migratórios ocorridos nos últimos anos estão a mudar o mundo. A deslocação de pessoas ocorre não apenas por questões relacionadas com a guerra, mas também devido a outras razões, como as alterações climáticas. 

As constantes mudanças que originam migrações não estão a ser acompanhadas pelos governos, já que, existe falta de preparação para os principais problemas que causam constrangimentos nas vidas das pessoas. 

Independentemente da causa, as populações são as que mais sofrem, mas os países desenvolvidos também vão ser afectados porque serão o porto de abrigo, como se viu no recente fluxo de migrantes par a Europa. Ou seja, uma inundação numa ilha não tem consequências só naquela localidade. 

A velocidade também impede que se tomem soluções acertadas. A era da tecnologia trouxe conhecimento em tempo real do que se passa na China, Índia, Portugal ou Nepal. Quanto mais rápido tiver que se actuar, dificilmente consegue chegar a uma opção que agrade a todas as partes. Por exemplo, se a população da ilha tiver que se deslocar rapidamente não há tempo para se decidir sobre a hospitalidade dos novos vizinhos.

Os factores referidos são importantes, mas a imprevisibilidade impede que se possa saber onde se vai realizar o próximo atentado ou inundação, pelo que, não se podem preparar planos alternativos. 

Os executivos deixaram de conseguir responder a todos os problemas decorrentes das migrações, precisando da ajuda das organizações humanitárias, pelo que, não existem condições para a portar continuar fechada. O tema não pode ser resolvido por cada um, mas em conjunto, como acontece com o ambiente.

sábado, 27 de maio de 2017

Ano 2010: A melhor temporada do Sp.Braga no futebol português e europeu

Os bracarenses entraram para a história do futebol português e europeu devido a dois grandes feitos.

O primeiro foi a luta histórica com o Benfica pelo primeiro lugar do campeonato até à penúltima jornada. Um grande braço de ferro entre as duas equipas, sendo que, o Sp.Braga perdeu a hipótese de vencer o título na deslocação ao Estádio da Luz. No entanto, a segunda posição significou a melhor posição de sempre no campeonato. 

O bom desempenho dos bracarenses na liga permitiu o acesso à terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O primeiro adversário era o Celtic, tendo vencido em casa por 3-0 e perdido por 2-1 na Escócia. 

Os guerreiros continuaram em prova, mas tinham de jogar perante o poderoso Sevilha. O jogo na Pedreira correu bem com uma vitória por 1-0. A derrota no Sanchez Pizjuan por 4-3 possibilitou a conquista de um feito inédito. O desafio dos bracarenses em Espanha foi um dos melhores de história do clube. A fase de grupos não correu bem, embora a eliminação para a Liga Europa permitisse ao clube atingir a final da prova em 2011 frente ao FC Porto. 

Os dois melhores anos do clube no campeonato e nas competições teve como timoneiro Domingos Paciência. O técnico fica ligado a uma parte importante da história, mesmo sem ter ganho títulos.

O Sp.Braga sofreu uma enorme transformação com a entrada de António Salvador em 2004, sendo que, os troféus surgiram no início da década. Os feitos alcançados em 2010 são menores se forem comparados com a vitória na Taça da Liga em 2013 e a conquista da Taça de Portugal em 2016.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Ano 2010: Fim do processo Casa Pia

O processo Casa Pia terminou no dia 3 de Setembro de 2010, após ter sido iniciado em Fevereiro de 2003 com a detenção de várias pessoas, entre as quais Carlos Cruz, por suspeitas de abuso sexual a menores que pertenciam à instituição.

O escândalo teve início em 2003 com algumas revelações na comunicação social, mas o processo judicial só começou mais tarde. 

A maior parte das detenções ocorreu em Fevereiro e Julho de 2013, sendo que, no início do julgamento, em 25 de Novembro de 2004, estavam sete arguidos perante o juiz. 

O caso marcou o início de uma nova forma de relacionamento entre a justiça e a comunicação social devido à forma como todos foram escrutinados. A mistura da investigação jornalística com a judicial criou confusão ao ponto de ter havido nomes colocados pela imprensa, que nunca chegaram a ser acusados. 

O espectáculo em torno do processo levou a que se confundissem as duas investigações, havendo mesmo um sentimento contra ou a favor dos arguidos. A sociedade portuguesa seguiu o caso com bastante atenção por causa do envolvimento do antigo apresentador de televisão. As defesas dos arguidos também aproveitaram as câmaras de televisão para efectuaram o tempo de antena.

Após vários anos em torno do mesmo espectáculo, é possível afirmar que nem a justiça e a comunicação social cumpriram bem o papel que devem ter na sociedade portuguesa. Nenhuma das entidades pode cometer o mesmo erro.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

O primeiro frente a frente entre a Europa e Trump

A primeira viagem internacional de Trump visa encontrar pontos de concórdia entre os Estados Unidos e os diversos países visitados pelo Presidente, mas também mostrar as diferenças que separa a actual administração de Barack Obama. 

A escolha dos locais a visitar tem algum sentido tendo em conta o momento conturbado que atravessa o mundo, sendo que, os Estados Unidos têm interesses nestes sítios.

A visita a Israel acaba por ser o momento mais relevante porque também por causa da questão israelo-palestiniana existe conflito entre o ocidente e médio-oriente. A mudança mais brusca de uma anterior administração norte-americana para a nova aconteceu na defesa dos interesses israelitas. Obama defendia dois Estados, enquanto Trump quer impor uma solução aos palestinianos. 

A primeira presença de Trump na Europa, devido a reuniões da NATO e do G7 é um teste à capacidade dos dirigentes europeus saberem receber um líder que criticaram durante muito tempo, chegando ao ponto de questionar a legitimidade democrática. Não se trata de nenhuma cimeira entre os Estados Unido e a Europa, mas a importância de vários países europeus nas duas organizações é sinal das primeiras discordâncias com Washington, sobretudo no financiamento da organização atlântica. 

Os responsáveis europeus vão ficar com uma primeira impressão de Trump e das exigências norte-americanas, mas também perceber qual é o sentido de orientação do Reino Unido. A velha aliança pode começar a construir algo em conjunto, deixando de fora a França e a Alemanha. 

Após a confirmação do apoio a Israel, todos esperam a primeiro ataque à Europa por parte de Trump.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Invulgar contestação social ao governo

O número de greves que o governo socialista teve de enfrentar não é normal, tendo em conta o apoio parlamentar do PCP. 

As manifestações ainda não são muitas, mas as greves são a mais gravosa forma de luta contra as medidas de qualquer executivo. Os sindicatos ultrapassaram os protestos na rua para prejudicarem o funcionamento dos serviços públicos.

No espaço de um mês, função pública, juízes e professores ameaçam paralisar os serviços em nome da falta de compromisso por parte do governo relativamente a várias situações. Por um lado, cada organização pode estar a pedir demais, mas por outro, o governo também pode nem sequer cumprir o que prometeu. 

O que interessa destacar é a falta de diálogo dos socialistas, mesmo estando reféns dos comunistas e bloquistas. A atitude demonstra que o PS pretende iniciar a próxima campanha eleitoral atacando os dois partidos que permitiram governar durante a legislatura. O próximo inimigo não serão os partidos da direita, mas os dois actuais parceiros. 

O governo socialista deveria passar incólume perante a contestação social, já que, supostamente cumpriu com as propostas. 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Ano 2010: O início do domínio dos conservadores britânicos

As eleições britânicas de 2010 colocaram ponto final em 13 anos de poder dos trabalhistas, divididos entre Tony Blair e Gordon Brown.

A governação trabalhista, sobretudo, com Blair no poder, fica marcado pelo boom económico e a guerra no Iraque. No final da primeira década do século XXI, Gordon Brown permitiu que a desregulação originasse a pior crise económica no Reino Unido. 

O governo eleito após as eleições de 2010 teve que efectuar reformas económicas para tornar o Reino Unido numa potência. 

O caminho iniciado por David Cameron em Downing Street começou por ser complicado porque não obteve maioria absoluta, necessitando de uma coligação com os Liberais-Democratas. O executivo cumpriu os cinco anos de mandato, tendo-se tornado numa vitória para o primeiro-ministro, já que, há bastante tempo que nenhuma coligação conseguiu cumprir a legislatura. 

A população britânica reforçou a confiança nos conservadores em 2015. Cameron conquistou a maioria absoluta, reduzindo a importância dos restantes partidos que tiveram todos de mudar de liderança. Os trabalhistas elegeram o terceiro líder em apenas cinco anos. 

O primeiro-ministro demitiu-se porque perdeu o referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia no ano passado, sendo substituído por Theresa May. A nova chefe do governo convocou eleições antecipadas para dia 8 de Junho de forma a tentar reforçar a maioria absoluta que detém no parlamento. 

A recuperação económica, o crescimento sustentado e a saída da União Europeia foram os principais factores das crescentes vitórias dos conservadores. O Reino Unido voltou a assumir uma posição independente em matérias como a economia, imigração, política externa, combate ao terrorismo. O estilo de liderança de Cameron e May também ajudaram à manutenção do poder. Por muito que se critique as fracas oposições de Ed Miliband e Jeremy Corbyn, o mérito tem de ser dado aos dois primeiros-ministros da década. 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O reforço das máquinas partidárias

A vitória de Pedro Sánchez nas primárias para a liderança do PSOE mostram a importância das máquinas partidárias. O mesmo acontece com Jeremy Corbyn no Labour.

Apesar das duas derrotas eleitorais e de vários erros estratégicos que impediram o apoio de qualquer outro partido a um governo liderado pelos socialistas, os militantes votaram na continuidade. Durante o longo processo eleitoral que decorreu em Espanha, Sánchez fez quase tudo errado, o que também costuma acontecer com Jeremy Corbyn.

Os pequenos descontentamentos que se costumam traduzir em actos eleitorais internos já não têm força suficiente para impedir o líder derrotado de se candidatar e muito menos originar uma derrota eleitoral. Note-se as várias tentativas para demover Jeremy Corbyn da liderança do Partido Trabalhista sem qualquer resultado positivo. 

À medida que vão ganhando eleições internas, Pedro Sánchez e o líder inglês reforçam o poder, mesmo com focos de instabilidade. O problema é que as vozes críticas não têm expressão nas urnas.

Os exemplos nos partidos socialistas espanhol e inglês revelam que nem sempre a melhor solução é realizar eleições internas para deitar abaixo as fracas lideranças porque, nestes casos, houve um reforço do poder. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O povo brasileiro tinha razão

O Brasil continua com o mesmo problema de sempre. Os níveis de corrupção na política chegam às mais altas instâncias do Estado, sendo que, a possível destituição de Michel Temer é a segunda consecutiva pelos mesmos motivos que levaram à saída de Dilma Rousseff. 

Não há solução possível para um cultura instalada há muito tempo no país irmão.

O mais grave é algumas pessoas irem para a política com o intuito de serem impunes à justiça. 

Nesta situação nem as alegações de Temer afastam qualquer inocência antes de qualquer prova em contrário. O que está em causa é o precedente que se vai abrir na política brasileira. A partir deste momento, os próximos chefe do Estado ou mesmo os candidatos à presidência serão olhados com desconfiança. 

A classe política começa a ser escrutinada pela justiça brasileira, confirmando as queixas apresentadas pela população. Afinal o povo tinha muita razão. 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A polémica mais perigosa para Donald Trump

As polémicas continuam a fazer parte do mandato de Donald Trump, mesmo sem completar 365 dias. 

As primeiras situações eram apenas questões menores, mais ligadas com política do que com questões éticas e morais, estando em causa opções estratégicas. 

O problema que o presidente norte-americano tem de resolver é muito maior, sendo que, a solução para abafar as notícias não pode ser só atacar tudo e todos. Donald Trump não se pode esconder no habitual ataque rasteiro que costuma fazer aos olhos dos norte-americanos e do mundo. 

A tentativa de condicionar o inquérito relativamente à possibilidade de Moscovo ter interferido nas eleições do ano passado é mais um sinal muito parecido com as críticas ao juiz que anulou a proibição de cidadãos de alguns países muçulmanos viajarem para os Estados Unidos, mais conhecido por Travel Ban, ou as pressões partidárias para colocar ponto final no Obamacare.

O padrão de Trump para resolver os problemas mais mediáticos tem sido sempre o ataque e a pressão sobre os agentes que contrariam a vontade executiva. 

Na minha opinião, o empresário dificilmente cumpre o mandato na Casa Branca.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Os tiques autoritários de Marcelo

As notícias que dão conta da eventual interferência de Marcelo Rebelo de Sousa no encerramento da Caixa Geral de Depósitos de Almeida revelam que temos um Presidente da República a roçar o autoritarismo. 

Aos poucos, Marcelo troca a presidência dos afectos por uma governação semelhante a alguns ditadores modernos que também começaram com pequenos gestos pouco mediáticos para acabarem em atitudes mais gravosas.

A comparação poderia ser exagerada se o poder do Presidente da República fosse limitado. Ou seja, caso não houvesse hipótese de interferir noutro tipo de situações, como a constituição de um governo. Por exemplo, se em 2019 nem PS ou PSD conquistarem maioria absoluta, serem obrigados a formarem um bloco central, tendo como primeira consequência a demissão de António Costa e Pedro Passos Coelho. 

O cenário não pode ser considerado irrealista porque a saída dos dois líderes partidários favorece as ambições de Marcelo Rebelo de Sousa em se candidatar a novo mandato em 2021. Tudo é possível numa pessoa que esteve dez anos como comentador político como única forma de conseguir vencer uma eleição. 

O mais grave é Marcelo se deixar envolver nesta questão por razões meramente mediáticas.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Ano 2010: A primeira vitória de Dilma

As eleições brasileiras marcaram o fim do reinado de Lula da Silva. O antigo presidente cumpriu dois mandatos no Palácio do Planalto, pelo que, teria obrigatoriamente de sair da presidência.

Como acontece em muitas ocasiões, o Chefe do Estado escolheu um sucessor dentro do Partido dos Trabalhadores para a obra continuar. Lula nomeou Dilma Rousseff para tentar conquistar a cadeira do poder. 

O acto eleitoral acabou por ser um passeio para a candidata do PT. Dilma recolheu 56% da votação, contra 43% do candidato social-democrata, José Serra, 

Na primeira volta, a candidata conquistou 46% contra 32% de José Serra. Marina Silva ficou em terceiro 19% e Plínio de Arruda nem chegou aos 1%.

A governação de Dilma Rousseff mereceu a confiança dos brasileiros em 2014, embora dois anos depois, tivesse iniciado o processo de impeachment. 

O mandato da presidente esteve sempre marcado por ligações a Lula da Silva. Ninguém dissociou as opções tomadas por Dilma de uma vontade expressa pelo antigo presidente. A partir do momento em que os escândalos de corrupção começaram a afectar o nome de Lula, também saíram notícias sobre o envolvimento da presidente. 

Apesar de tudo, alguns responsabilizam a governação pelo crescimento económico e a redução das desigualdades sociais no Brasil. 

domingo, 14 de maio de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Emmanuel Macron - O candidato sem ideologia, que não é da esquerda nem da direita, ganhou as presidenciais francesas. A votação registada legitima Macron, embora o grande teste seja nas eleições legislativas. Apesar do triunfo, o grande feito do novo Presidente é a aceitação por parte dos dirigentes europeus. 

No Meio

Donald Trump - O polémico despedimento do director do FBI coloca novamente o presidente norte-americana na mira dos críticos. Não se percebe porque razão Trump gosta de demitir pessoas sem mais nem menos. Aos poucos vai metendo os amigos nos lugares mais importantes da administração.

Em Baixo

Jeremy Corbyn - O líder trabalhista assegura que não se demite caso perca as eleições legislativas. A declaração fez soar novamente os alarmes daqueles que sempre o criticaram, além de conferir legitimidade a um nascimento de um movimento logo depois da noite eleitoral.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

As derrotas consecutivas dos socialistas europeus

A esquerda está perto de sofrer uma nova derrota no Reino Unido. 

As mudanças de discursos de alguns partidos socialistas para zonas mais à esquerda tem tido consequências a nível eleitoral. O resultado nas eleições presidenciais em França é preocupante para a recuperação do poder por parte da esquerda tradicional, que também ficou sem importância depois das legislativas na Holanda.

A falta de soluções equilibradas estão a afastar os eleitores mais jovens, por causa do ataque excessivo às grandes empresas e aos negócios. A propaganda de Jeremy Corbyn continua a ser de um militante da extrema-esquerda. 

As pessoas não estão receptiva ao tipo de discurso do líder trabalhista porque sentem que os empregos ficam em risco. 

Desde há muito tempo que as visões mais radicais se apoderaram dos socialistas, que não têm outro caminho senão iniciar uma luta contra o capital para ser a voz dos trabalhadores. O medo de continuar ligado ao centro é uma das principais razões das alterações.

A vitória de Macron surge na altura em que os partidos socialistas e sociais-democratas enfrentam a maior crise de sempre porque deixaram de se interessar pelo centro.  

quinta-feira, 11 de maio de 2017

A má opção de Cristas

A prestação de Assunção Cristas no debate quinzenal foi deplorável. A líder do CDS está a perder tempo ao fazer campanha para a autarquia de Lisboa ao mesmo tempo que exerce as funções de presidente. 

A melhor forma de se concentrar no primeiro objectivo a curto prazo seria delegar a liderança num membro da direcção para tentar conquistar votos do CDS em Lisboa e não apenas testar a condição de líder. 

O CDS poderia ser um grande partido dos centros urbanos, mas como Cristas tem exercido dois cargos, dificilmente o pouco eleitorado conquistado nas autárquicas vota no partido daqui a dois anos. 

A proposta para aumentar o metro de Lisboa em 20 estações é ridícula. A cidade não comporta nem necessita de tantas linhas. O problema é que Cristas não tem modo de fazer oposição a Fernando Medina porque as recentes obras melhoraram a vida das pessoas. 

A triste figura também beneficia Teresa Leal Coelho, que se manteve quietinha no parlamento. 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Ano 2010: A estabilização total das lideranças sociais-democratas

Os sociais-democratas realizaram o quarto acto eleitoral interno em cinco anos. As mudanças de líderes ocorreram durante durante a primeira maioria absoluta do governo liderado por José Sócrates, sendo que, o PSD também obteve um mau resultado em 2009, apesar do PS ter perdido a maioria absoluta.

Nenhum dos líderes conseguiu conquistar o apoio interno. Manuela Ferreira Leite ganhou o direito de defrontar o primeiro-ministro em eleições, mas também perdeu votos. 

As eleições em 2010 trouxeram novos rostos e ideias. Os concorrentes foram Pedro Passos Coelho, que se candidatou pela segunda vez, além de Paulo Rangel e José Pedro Aguiar Branco. O debate teve momentos mais crispados, mas a realização de um congresso antes das directas trouxe mais animação e interesse ao acto eleitoral. A presença dos antigos presidentes também beneficiou o conclave social-democrata. 

A vitória coube a Pedro Passos Coelho, seguido de Paulo Rangel e Aguiar Branco. 

Um ano depois realizaram-se eleições legislativas antecipadas e o PSD regressou ao poder, embora necessitando de uma coligação com o CDS. 

A partir da primeira vitória, Passos Coelho não voltou a perder eleições no partido, tendo assegurado união, mesmo depois da saída do governo por causa do chumbo do programa do governo na Assembleia da República em 2015 pelo PS,BE e PCP. Passos Coelho construiu uma imagem de líder forte, competente, optando por um caminho mais centrado na iniciativa privada, mesmo em assuntos dominados pelo Estado. 

Desde Cavaco Silva que não se via os sociais-democratas unidos em torno de um presidente. O partido também estabilizou porque algumas figuras foram convencidas pelo trabalho de Passos Coelho, como se viu no regresso do PSD à oposição.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Os perdedores nunca assumem as derrotas

A declaração de Jeremy Corbyn relativamente à continuidade na liderança do Partido Trabalhista mesmo em caso de derrota é semelhante à atitude demonstrada por António Costa após a derrota eleitoral nas legislativas em 2015.

O posicionamento do líder trabalhista enfraquece o partido antes do acto eleitoral porque os eleitores sabem que tudo continua na mesma. O voto em Corbyn é um risco se assume que pretende continuar agarrado ao poder. Normalmente os perdedores responsabilizam-se pela derrota, mas Corbyn já definiu um culpado se os conservadores confirmarem a maioria absoluta. 

No plano interno também existem consequências. Alguns candidatos podem trabalhar menos, ou mesmo retirarem-se da corrida, sabendo que não haverá alterações na liderança. Os concorrentes não pretendem assumir sozinhos as culpas de uma eventual derrota. 

No dia do tiro de partido da campanha trabalhista, Corbyn tenta acalmar os detractores, mas só vai arranjar mais inimigos internos, já que, uma das grandes discussões da campanha será as condições para a manutenção da actual liderança, sendo que, o tema desvia as atenções do confronto com os conservadores. 

Em caso de derrota, as forças trabalhistas anti-Corbyn irão pedir a cabeça do líder logo a seguir à divulgação dos resultados, pelo que, é provável que haja novas eleições em Setembro.

O líder trabalhista não é um bom política, faltando competência, carisma e plano estratégico. 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Macron não tem o tapete estendido

A eleição de Macron não pode ser considerado um alívio, embora a vitória de Marine Le Pen tivesse contornos mais preocupantes. 

O problema está na incerteza das políticas seguidas pelo novo Presidente francês. Os dirigentes europeus e mesmo o país escolheu Macron, mas não sabe como será o futuro, começando pela forma como vai conseguir dirigir um país sem ter um partido, embora a formação da nova força partidária possa reforçar a conquista do Eliseu.

As legislativas serão importantes para saber com quem é que o governo tem de lidar, se com os socialistas ou republicanos. Caso haja uma igualdade eleitoral, não acredito que Macron consiga satisfazer todas as vontades. 

A tarefa do Emmanuel vai ser mais bem difícil do que se imagina a nível externo e interno. Na minha opinião, os responsáveis europeus dificilmente cedem perante as novas exigências de Paris. 

Apesar do triunfo, Macron não pode dizer que é uma nova corrente política porque também representa o descontentamento do eleitorado francês, embora de uma forma mais moderada. O sentimento pró-Europa não pode servir como argumento para ser bem acolhido junto das instituições europeias. 

O primeiro passo vai ser conquistar a democracia francesa.

sábado, 6 de maio de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Donald Trump - O Presidente norte-americano teve uma pequena vitória com a revogação do Obamacare na Câmara dos Representantes. Apesar da aprovação no Senado ser mais complicado, Trump conseguiu vestir a pele de político e mudar as mentes de alguns republicanos mais conservadores e moderados. O líder republicano pode não ter andado nos corredores, mas tem inteligência suficiente para ocupar o cargo.

No Meio

Theresa May - O momento para proferir um discurso sobre a União Europeia depois de ter pedido a demissão podia ter sido diferente. O conteúdo é bom, mas a altura não foi a melhor porque o que estava em causa era o pontapé de saída das eleições legislativas. Nota-se um desgaste do Reino Unido relativamente às decisões europeias.

Em Baixo

Partido Socialista - A tentativa de colagem dos socialistas a Rui Moreira para ganharem créditos eleitorais nas autárquicas e não só correu mal porque os partidos da direita, nomeadamente o CDS já se adiantaram, apesar de não terem qualquer receptividade por parte do presidente da Câmara. Uma vitória em Lisboa e no Porto seria o ideal para o executivo continuar no governo em 2019, mas de vez em quando os penetras também perdem.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Bruxelas tem mais um inimigo

A declaração de Theresa May no dia em que apresentou a demissão à Rainha é um aviso forte a Bruxelas. 

À medida que os países se tornam capazes de virar as costas ao establishment europeu, nota-se uma certa vingança por parte de Bruxelas porque pretende ganhar sempre. Os dirigentes europeus convivem mal com a derrota como se viu na recente eleição de Donald Trump.

A União já perdeu o Reino Unido, mas não pode torná-lo em mais um inimigo como fez em relação a Donald Trump. Numa altura em que os Estados Unidos e o Reino Unido declararam cooperação e manter as relações comerciais, chega um novo aviso da ilha britânica. 

Os britânicos não estão interessados em continuar agarrados às exigências da União Europeia, preferindo apostar noutros mercados como o norte-americano e a Austrália. As palavras de Theresa May podem ter consequências, sobretudo na luta contra o terrorismo e no plano económico. Se Londres vier a ser a principal praça financeira da Europa e o local onde as empresas norte-americanas pretendem estabelecer as sedes vai criar problemas às maiores economias da zona euro. 

A União Europeia não pode perder as relações que tem com os Estados Unidos, em particular se Washington preferir negociar com Londres. O principal obstáculo não é Donald Trump porque qualquer Presidente continua a manter uma ligação especial com Londres. A questão está na postura dos dirigentes europeus. 

A chefe do governo tem razão nas acusações a Bruxelas sobre as interferências eleitorais, embora muito diferente do estilo russo. Numa altura em que começa a campanha eleitoral, cujo tema principal é o Brexit, a única maneira dos responsáveis europeus se fazerem ouvir é enviarem avisos e condicionar as negociações. 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Conservadores em vantagem por causa do Brexit

A saída do Reino Unido da União Europeia é o tema principal das próximas eleições legislativas.

Os partidos políticos tentam encontrar soluções para a saída ou mesmo defendendo a manutenção para conquistarem o eleitorado. Nenhuma força partidária tem a varinha mágica, sobretudo para prever o que vai acontecer à economia, aos imigrantes e às relações políticas e comerciais com outros países. 

Na campanha para o referendo, os conservadores e os trabalhistas eram os partidos mais divididos entre o Brexit e o Remain, sendo que, os primeiros tiveram divisões no governo. A liberdade dos ministros poderem fazer campanha por qualquer um dos lados foi uma das grandes decisões de Cameron.

Um ano depois do escrutínio popular, os conservadores uniram-se em torno do que é melhor para o Reino Unido, enquanto os trabalhistas continuam divididos, não só relativamente ao Brexit, mas também à liderança de Jeremy Corbyn. 

Nos primeiros dias de campanha, percebe-se qual é a intenção do executivo, mas ninguém sabe a verdadeira posição do principal partido da oposição. Os outros partidos também definiram bem a opção. Liberais-Democratas e nacionalistas escoceses pretendem a manutenção do Reino Unido na União Europeia. 

O Partido Trabalhista vai ter que encontrar uma forma de falar a uma só voz sobre o Brexit porque qualquer descuido será aproveitado pelos meios de comunicação e a oposição. Os trabalhistas podem defender o Brexit, embora com ideias diferentes relativamente aos conservadores. Por exemplo, na imigração estão na linha da frente para lutarem pelos direitos dos cidadãos da União Europeia no Reino Unido. Isso pode ser um bom slogan para os filhos de pais "europeus" que já podem votar, mas não conquista os eleitores britânicos.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Todos ganham com a descida do desemprego

Os números do desemprego estão a diminuir, embora de uma forma lenta, tendo em conta que o governo já tem quase dois anos de mandato. 

Apesar de tudo, o trabalho realizado é positivo, mas a trajectória iniciada pelo anterior executivo tinha de ser seguida. Os níveis ainda são elevados e não parece que vão descer muito até ao final da legislatura, pelo que, a geringonça também será penalizada por não ter livrado muitas pessoas do desemprego.

Após a crise de 2011 iniciada por José Sócrates nenhum governo pode voltar a aumentar os níveis de desemprego em Portugal. Quem o fizer será fortemente julgada politicamente. 

A histeria dos partidos da direita que pretendem recolher os louros dos números também não faz sentido. Qualquer executivo tem obrigação de terminar com uma praga social que afecta Portugal há quase dez anos, sobretudo os jovens. 

O discurso partidário deveria ser virado para as pessoas que recuperam os empregos e não utilizá-los como uma vitória política porque são os portugueses que ficam a ganhar. 

O presidente da República deveria ter um papel interventivo nesta questão, como sucedeu várias vezes com Cavaco Silva, mas não é fácil alguém que pretende desestabilizar, tentar arranjar consensos.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Ano 2010: Pedro Passos Coelho chega ao poder no PSD

As eleições internas no PSD em 2010 marcam o início de uma nova era na política em Portugal. A vitória de Passos Coelho não pode ser encarado como mais um líder que chegou ao poder. A partir dessa data, Coelho ganhou três actos eleitorais no partido, sendo que, na última novamente como líder da oposição e duas eleições legislativas. Durante o percurso derrubou José Sócrates do PS e venceu António Costa, embora a história tenha mantido o antigo presidente da Câmara de Lisboa como líder socialista.
A longevidade de Coelho não tem nada a ver com a duração de Portas no CDS. O líder social-democrata apenas perdeu as eleições internas de 2008 na primeira aparição. 

O país preparava-se para eleições legislativas antecipadas por causa da crise financeira que se adivinhava. A Grécia já estava em default e os analistas previam que os próximos fossem a Irlanda e Portugal. As movimentações políticas seriam ao nível das candidaturas para a presidência da República, com Cavaco Silva a recandidatar-se contra Manuel Alegre e Fernando Nobre. 

No Reino Unido também emergia um política que só soube vencer. David Cameron ganhou as eleições gerais em Inglaterra, mas sem maioria absoluta, necessitando do apoio dos Liberais-Democratas de Nick Clegg. Cinco anos depois mais um triunfo eleitoral, embora com o poder absoluto.

No Brasil, Dilma ganhou tranquilamente, passando a ser uma presidente respeitada no país. 

Ao longo do ano alguns acontecimentos captaram a atenção de todos, como o resgate de 33 mineiros chilenos com direito a presença do Presidente do país e o polvo Paul que acertou em quase todos os resultados do Mundial 2010. O certame na África do Sul consagrou a Espanha como a melhor potência futebolística do planeta. A selecção nacional saiu sem honra nem glória, tendo terminado a obsessão por Carlos Queiroz.
Share Button