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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Marcelo é o único que se preocupa com as vítimas dos incêndios

A onda de solidariedade da sociedade portuguesa na tragédia dos incêndios não está a chegar às populações afectadas como se queixam alguns autarcas. 

Num instante todos os intervientes políticos que se aproveitaram politicamente do problema não se lembram do que aconteceu em Junho e Outubro. Todos menos um. Nesta questão, Marcelo Rebelo de Sousa é a única figura política que não abandonou as pessoas que perderam tudo. O trabalho dos autarcas também tem sido importante, mas o Presidente da República mostra um enorme empenho em levantar o moral às pessoas e fazer com que o prometido seja cumprido. 

A sensibilidade social é uma das principais campanhas desta presidência. Contudo, Marcelo exagera em obrigar as pessoas a participarem num mediatismo nem sempre aceitável. Nesta situação, o Chefe do Estado manteve o afecto e o empenho na resolução do problema social mais grave do ano em Portugal. Pelo contrário, governo e partidos políticos colocaram o tema na gaveta. 

A forma como o Presidente da República acompanha as pessoas engrandece os políticos, mas o aproveitamento dos restantes torna a classe mais pequena. As preocupações sociais não são exclusivas de Marcelo, já que, a agenda de Cavaco Silva também promoveu inúmeras batalha, embora sem alarido mediático. 


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

China agradece a Trump a saída dos acordos internacionais

O périplo asiático de Trump pode ser o início das mudanças no conflito norte-coreano. O discurso do presidente norte-americano é positivo, mas existe possibilidade de mudanças de comportamento, pelo que, não será aplaudir qualquer decisão.
O principal acontecimento é a visita à China e não propriamente o apoio a Seul na luta contra as provocações de Pyongyang. O regime de Pequim foi recentemente reeleito com um discurso bastante desafiador relativamente aos Estados Unidos, já que, assumiram vontade em liderar o planeta no plano político económico e nas grandes causas.
A retirada de Trump de alguns acordos internacionais será muito bem aproveitada pelos chineses, em particular no combate às alterações climáticas. Pequim tem um grave problema de poluição atmosférica e tomou medidas para o resolver.
As ameaças norte-coreanas também estão na agenda do encontro entre Trump e Xi Jinping, mas o novo papel da China no Mundo será certamente o ponto principal. O líder chinês deve agradecer ao homólogo as últimas decisões em matéria de política externa. No recente acordo nuclear iraniano, a China seguiu os passos dos países europeus, cumprindo o estabelecido sem questionar a legitimidade do regime de Teerão.
Na minha opinião, Trump está a ter problemas nalgumas acções porque ficou sem seguidores. Isto é, os Estados Unidos começam a ficar isolados em matérias importantes que necessitam de entendimentos globais. Até a Síria já aderiu ao acordo de Paris.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

A vontade de Puigdemont permanecer na ilegalidade

A proposta de Madrid em realizar eleições antecipadas na Catalunha foi a melhor jogada política de Mariano Rajoy nesta crise aberta pelos independentistas. 

A medida poderá ter sido decisiva na conquista da opinião pública e também no apoio internacional. O presidente do governo espanhol transferiu a responsabilidade da divisão da sociedade catalã e espanhola para os separatistas. 

Os partidos políticos que apoiam a independência devem ir a jogo porque uma vitória também reforça a legitimidade de realizar o referendo. O grande erro de Puigdemont, além de ter revelado ser um líder fraco, foi ter avançado sem apoio institucional e pouco suporte popular. Os recuos das últimas semanas deveriam ter sido concretizados para ganhar mais suporte na defesa da causa independentista. 

A resposta do ex-líder da Generalitat confirma a vontade de permanecer em rebelião e continuar a luta nas ruas, o único palco onde ainda tem algum apoio. Contudo, qualquer acto de Puigdemont vai continuar a dividir.

A partir de agora a luta pela independência far-se-à no plano político e através do voto. A divisão dos catalães no próximo dia 21 pode ser expressa nas urnas, como notam as sondagens, mas haverá sempre mais legitimidade para iniciar um novo caminho.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Madrid continua a ignorar o problema fundamental na Catalunha

O governo espanhol confirma que mantém a suspensão do artigo 155 da autonomia da Catalunha, mesmo que Carles Puigdemont anuncie novas eleições até final do ano. 

A convocação de eleições autonómicas seria um bom passo para esclarecer a questão da independência. A maior parte dos partidos como o Ciudadanos e o PSOE acreditam na clarificação da situação através de um acto eleitoral em que a independência seria o tema principal, mas Madrid continua irredutível em livrar-se à força do líder catalão.

A ausência de Puigdemont no Senado espanhol para se defender é um sinal que não haverá cedências de Barcelona enquanto Madrid continuar a ignorar o problema social e político. O líder catalão tentou através da suspensão da declaração de independência e da convocação de eleições, construir um diálogo que nunca foi possível obter pela via pacífica. Na minha opinião, o discurso extremado e a realização do referendo naquelas condições foram uma afronta desnecessária, embora Puigdemont tivesse alterado um pouco a postura. O problema é que Madrid mantém o uso da força.

O executivo espanhol utiliza a fragilidade política do líder catalão para tirar o poder ao independentista ou golpista. A única via para Puigdemont conseguir legitimidade política para realizar uma consulta popular que proporcione um esclarecimento é chamar os catalães às urnas porque perdeu força institucional no parlamento catalão, em Espanha e mesmo na União Europeia. Contudo, à medida que Madrid aplica as leis constitucionais, Puigdemont ganha força popular na região, o que poderá ser suficiente para vencer as eleições com maioria absoluta.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Rio ganhou na apresentação da candidatura

O duelo entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio para a liderança do PSD já começou. Os dois candidatos apresentaram as candidaturas com pompa e circunstância, mas sem grandes exageros que costumam marcar estes momentos.

Nenhum escolheu uma das duas principais cidades para os certames, optando por Aveiro e Santarém, numa tentativa de conquistar os militantes. O discurso de Santana Lopes demorou quase uma hora, mas foi mais empolgante porque não se limitou a olhar para o papel. O improviso é uma arma cada vez mais importante para ganhar a atenção das pessoas.

Apesar do antigo primeiro-ministro ter tido oportunidade de atacar Rui Rio com mais vemência, já que, se tratou de respostas, o ex-autarca do Porto colocou algumas palavras bonitas que as pessoas ainda gostam de ouvir, embora sejam chavões que ninguém acredita, como é a problemática da ética na política. Rui Rio também ganha pontos por ter feito uma referência a Pedro Passos Coelho no início. 

Os dois criticaram a frente de esquerda que governa o país, mas Rio especificou onde queria colocar o PSD em termos ideológicos. Santana Lopes deveria ter sido mais claro na posição do partido, mesmo apresentando algumas propostas como a intervenção do Estado na educação, saúde e segurança. O problema é que isso não esclarece o papel do partido na economia, no apoio aos jovens e na importância de Portugal na União Europeia.

O principal erro de Santana Lopes foi o desafio ao adversário para um pacto de não agressão sobre o passado. Rio não vai cumprir porque é o principal trunfo que tem contra o antigo chefe do governo. Santana Lopes não pode fugir do assunto, mas tem capacidade para se defender dos argumentos.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O poder do Presidente aumentou

A forte mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa depois dos incêndios originou a queda da Ministra da Adminstração Interna.

Não é muito comum um Presidente da República ditar o afastamento de um membro do governo publicamente e de forma tão dura como sucedeu no início da semana. 

A influência presidencial sobre o executivo começa a ser preocupante para o primeiro-ministro que pensava ter rédea solta devido à suposta amizade com o presidente. Marcelo não vai actuar em função de nenhum interesse específico, a não ser o dele próprio sempre sob a capa do melhor para o país.

O jogo de bastidores provenientes de Belém já fez duas vítimas política. A primeira foi Pedro Passos Coelho depois de Marcelo ter dito que se iniciava um novo ciclo a seguir às eleições autárquicas. A segunda chama-se Constança Urbano de Sousa, que saiu doze horas depois da mensagem presidencial. A terceira vítima pode ser Rui Rio, já que, o recente convite a Pedro Santana Lopes também significa um apoio pessoal.

Nos próximos tempos os avisos ao governo serão maiores e Costa não vai poder responder como gosta. Isto é, com indirectas públicas para Belém. Em dois anos, o líder socialista conseguiu derrubar Paulo Portas e Pedro Passos Coelho, mas dificilmente tem capacidade para eliminar o Presidente, mesmo que continue como chefe do governo na próxima eleição presidencial em 2021. 

Em pouco menos de dois anos de mandato, Marcelo Rebelo de Sousa tomou as rédeas do país.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

PSD reage melhor à tragédia dos incêndios

O arremesso político em situações de tragédia é a pior arma que um partido pode utilizar. A moção de censura do CDS é mais um sinal que o portismo continua a vigorar no Largo do Caldas, embora o rosto seja diferente. A fragilização do governo até poderia ser grande caso a ministra se mantivesse no cargo, mas Marcelo Rebelo de Sousa estragou os planos de Assunção Cristas e o resultado político da moção será nula, sendo que, nas próximas legislativas haverá uma penalização para os centristas.

A ambição desmedida e irrealista de Cristas por causa do resultado das autárquicas dificilmente será compensada no próximo acto eleitoral.

A intervenção do Presidente da República é a única que teve em consideração os problemas das pessoas e colocou o dedo na ferida.

As forças políticas portuguesas mostram pouco bom senso em alturas de tragédia. Os partidos de esquerda também costumam ter a mesma reacção dos centristas sempre que a direita se encontra no poder. A posição do PSD é equilibrada e inteligente. Toca nos pontos mais sensíveis de forma racional e aproveita a moção do CDS para se ilibar de qualquer responsabilidade política em caso de derrota, até porque, dentro de pouco tempo haverá mudança de liderança. 

A fragilidade do governo é temporária e resume-se apenas à substituição. À incompetência da Ministra da Administração Interna juntou-se declarações que nem os jogadores de futebol proferem em alturas menos boas da temporada.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A má gestão política no acordo nuclear e no Obamacare

As últimas medidas anunciadas por Trump no plano interno e externo prejudicam a actual administração, que continua a tomar decisões sem o apoio do Congresso. Isso não é uma novidade a nível de presidentes norte-americanos, mas Trump tem mais possibilidade de ser afectado pelas decisões porque é bastante criticado sempre que faz alguma coisa. No entanto, a revogação lenta do Obamacare e o fim do acordo nuclear iraniano são dois assuntos que foram bem desenvolvidas por Barack Obama.

A forma como Trump desafiou o Congresso na questão do novo plano de saúde terá efeitos negativos na relação entre as duas instituições e dificilmente beneficiará os cidadãos. O modo como o presidente tenta ultrapassar o Congresso é sempre motivo para uma nova rebelião dentro do Partido Republicano. Trump não está a aproveitar a maioria na Câmara e no Senado para construir pontes e solidificar a maioria dos republicanos nas próximas eleições intercalares em 2018.

O aviso dado ao Irão é uma forma dos Estados Unidos se retirarem gradualmente do acordo nuclear. A manutenção dos restantes países como a Rússia, a China e também a União Europeia salvaguarda qualquer efeito negativo do ataque que Trump faz a Teerão devido à pressão da Arábia Saudita. As constantes ameaças já deveriam ter sido concretizadas porque a situação de impasse prejudica a implementação do acordo. Os restantes países não podem pagar um preço elevado por causa do isolamento norte-americano.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

10º aniversário


O OLHAR DIREITO completa 10 anos de existência. Durante a longa jornada acompanhámos os principais assuntos que marcaram a agenda política, desportiva e social no país e no mundo em 4811 artigos. 

Normalmente, nestas ocasiões costuma-se olhar para trás e fazer uma reflexão sobre as mudanças políticas em Portugal e no resto do planeta. Nesse recuo ao passado notam-se poucas alterações no país, embora no mundo, sobretudo na Europa, tenha havido inúmeros acontecimentos que transformaram a política. No plano continental, o Brexit e o recente aparecimento dos nacionalismos, enquanto a Primavera Árabe ganha destaque pela forma como mudou a face do Médio-Oriente e teve consequências na maneira de viver dos cidadãos europeus. 

Haveria muito mais para escrever, mas a melhor de fazer uma viagem ao passado com os olhos postos no futuro será aguardar pelo lançamento comemorativo dos dez anos que sairá em Janeiro. 

Nesta altura de celebrações é importante agradecer as visitas diárias e dar um cumprimento especial a todos os que também colaboraram neste espaço.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Rajoy e Puidgemont estão a dividir o país vizinho

A declaração unilateral de independência da Catalunha proclamada por Carles Puidgemont vai aumentar a tensão na região e no país vizinho, sendo que, a União Europeia escapa a qualquer guerra entre Barcelona e Madrid.

Os problemas políticos entre as duas regiões dificilmente se resolvem à pedrada ou com ameaças. Neste capítulo o líder regional tem de assumir a culpa pelas posições extremadas, mas o governo espanhol também não reagiu da melhor maneira. Não sendo possível dialogar imediatamente tem de existir um período de tréguas para se encontrar uma solução que acalme as ruas porque, como se viu nas recentes manifestações, a população na Catalunha e mesmo em Madrid marcaram algumas posições que podem originar conflitos sociais. 

As medidas de Puidgemont como a realização do referendo e proclamação de independência transformou a batalha política numa questão regional, que envolve a comunidade inteira. Qualquer resposta de Madrid será mal interpretada por toda a população. 

As intervenções políticas, incluindo a do Rei de Espanha, estão a ser um desastre porque apenas colocam mais fogo numa fogueira que arde há bastante tempo e com consequências imediatas como a fuga de empresas. Os efeitos da luta pela independência serão mais nefastos do que uma eventual declaração de independência.

O maior problema é que ninguém acredita em Puidgemont ou Rajoy para liderar o processo, pelo que, o processo fica suspenso até à realização de novas eleições regionais e nacionais para os catalães expulsarem Puidgemont da Generalitat e Rajoy do Palácio da Moncloa.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Os candidatos ficaram todos em casa

A sucessão de Passos Coelho prometia ser mais animada, mas o recuo de alguns militantes coloca o partido nas mãos de Rui Rio.

O argumento que António Costa vai conquistar a maioria absoluta em 2019 influenciou a maioria das candidaturas fortes como Paulo Rangel e Luís Montenegro. A explicação é aceitável tendo em conta que existe pouco tempo para preparar uma alternativa, sendo que, com o país a crescer economicamente não haverá espaço para apresentar propostas que são melhores. 

O único que avança é Rui Rio, sabendo que tem a liderança à mercê, mas as dificuldades para derrotar António Costa são muitas porque não há confronto no parlamento, o que possibilita ao primeiro-ministro marcar a agenda e o duelo com o principal líder da oposição.

Tendo em conta o número de críticas à liderança de Passos Coelho esperava-se mais candidaturas, só que não são muitos aqueles com capacidade para fazer melhor. O espaço conquistado pelo PS deixa os restantes partidos sem margem de manobra, sendo que, o apoio de Marcelo Rebelo de Sousa também é um factor importante para a manutenção de Costa como primeiro-ministro. 

As principais figuras social-democratas funcionam muito em função do timing para chegarem ao poder, arriscando pouco porque os interesses individuais estão acima dos pressupostos colectivos. O tacticismo de alguns pode ser prejudicial caso o antigo autarca do Porto consiga efectuar mudanças no partido.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Costa tem a porta aberta para a maioria absoluta

A saída anunciada por Passos Coelho garante a vitória de António Costa nas próximas legislativas, sendo que, o ambiente causado pelo PCP pode antecipar o acto eleitoral para 2018.

As consequências das eleições fortaleceram o PS que, de repente, não tem adversários à altura dentro e fora do parlamento. O PSD vai perder muito porque o próximo líder provavelmente não será deputado. O único no hemiciclo que pode avançar é Luís Montenegro. 

Neste momento, corre tudo bem a António Costa, apesar da recente reacção do PCP. Os comunistas serão o próximo adversário do governo, o que vai dar um argumento para o primeiro-ministro culpá-los por um eventual fracasso na legislatura. 

O mais certo é Costa demitir-se no próximo ano para tentar conquistar a maioria absoluta que deseja. A única forma de conseguir manter o poder passa por estas habilitades políticas, que são legítimas, mas pouco democratas. 

Aos poucos, o líder socialista derruba os adversários mais fortes ficando apenas com Cristas, Jerónimo e Catarina Martins a fazerem cócegas à sua liderança, apesar dos avisos do comunista.

A eleição de Paulo Rangel é a única que pode causar embaraço, embora seja prevísivel que passe por vários obstáculos.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

António Costa precisa da saída de Passos Coelho do PSD para ganhar as legislativas

A forma como António Costa e Passos Coelho encararam os resultados das autárquicas demonstra o estilo de cada um dos candidatos.

O secretário-geral socialista continua a insistir na "morte" política do líder social-democrata para ganhar as eleições legislativas, algo que nunca conseguiu contra Passos Coelho. Na noite eleitoral ficou demonstrado a necessidade de Costa continuar a atacar o velho rival.

Por seu lado, o presidente do PSD demonstrou personalidade ao reconhecer e reflectir sobre a derrota. A estratégia autárquica não correu bem, mas também tem de ser assacadas culpas à equipa que dirigiu o processo. Contudo, o mais importante seria evitar uma reacção a quente. Isto é, uma demissão no imediato que prejudicasse o partido. 

O melhor cenário para o PS é a saída de Passos e a entrada de Rui Rio porque Costa fica sem adversários no parlamento, já que, a geringonça vai continuar até ao fim da legislatura e Assunção Cristas nunca será uma oponente complicada, como se vê nos debates quinzenais. 

O triunfo do PS na noite eleitoral é uma realidade, como a grande derrota do PSD. No entanto, existe um factor que vai complicar a vida aos socialistas. O mau resultado do PCP e do Bloco de Esquerda obriga os dois partidos a serem mais duros a nível nacional para recuperarem eventuais votos perdidos para os socialistas. 

As facilidades concedidas durante os últimos anos não permanecem até final da legislatura e, mesmo na campanha, o alvo será sempre o PS porque optou por um rumo diferente do exigido pelos partidos da esquerda.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

A pequena derrota vai reforçar o poder de Merkel

Os comentários da fragilidade politica de Merkel após o acto eleitoral parecem excessivos, já que, a senhora Europa iguala o feito dos melhores chanceleres alemães como Konrad Adenauer e Helmut Kohl. 

As características políticas da actual chanceler são suficientes para dar a volta, mesmo necessitando de ceder nalguns pontos para construir um governo de coligação, o que não é novidade durante os três últimos mandatos. 

Na minha opinião haverá algumas mudanças a nível interno provenientes de acordos com os liberais e os Verdes, mas as questões europeias vão se manter como estão na agenda de Merkel. A dependência económica da União Europeia face às regras ditadas pela Alemanha é suficiente para continuar tudo no mesmo sentido. Nem Emmanuel Macron tem coragem para desafiar Merkel. 

O segundo aspecto que trava alguma euforia é o Brexit. As constantes mudanças do governo inglês conferem incerteza no plano político e temporal. Os acordos dificilmente serão fechados enquanto Theresa May estiver numa posição política complicada. Por outro lado, o período de transição de dois anos prolonga as negociações.

Acredito que pode haver um clima político desfavorável na Alemanha, sobretudo nas questões com a imigração, Schengen e mesmo na manutenção da aliança com a França, mas não serão impeditivas de continuar com a mesma orientação europeia. No fundo, o que mais interessa....

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Os problemas nacionais à frente das questões locais

O problema das populações locais estão a ser ignoradas pelos principais líderes partidários. Os candidatos locais devem sentir-se com pouca vontade de ter os chefes nas arruadas e nos comícios porque os temas da campanha nada têm a ver com o objectivo das autárquicas. 

Não percebo como é que ainda se faz este tipo de jogo político num acto eleitoral completamente diferente das legislativas. O que está em causa não é a forma como o PSD se tem comportado na oposição ou o trabalho dos socialistas no governo. Aliás, as contradições e os ataques entre comunistas e bloquistas nalgumas candidaturas não é a realidade no plano nacional. 

Os constantes ataques de António Costa ao PSD e a Passos Coelho não fazem sentido, apesar da liderança social-democrata começar a ser contestada logo no dia das eleições. O líder socialista tenta aproveitar o momentum para deitar abaixo o principal rival em 2019. Passos Coelho utiliza a mesma táctica.

As estratégias dos dois estão erradas porque tira espaço mediático às candidaturas locais que precisam de chegar junto das populações. A presença dos líderes partidários junto dos concorrentes autárquicos é uma perda de tempo.

Misturar os assuntos que são de natureza local com farpas a outro tipo de adversários pode confundir o eleitorado.

Por estas razões, as autárquicas também começam a perder interesse devido à intrusão alheia, nem sempre bem vinda pelos que trabalham em prol das populações.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A união ainda faz a força

Na semana que termina com as eleições autárquicas, mais desinteressantes de sempre, talvez por causa dos jogos de futebol que se realizam nesse dia, é esperado um ataque muito forte dos partidos do governo ao PSD.

Os resultados esperados não são bons para os sociais-democratas, confirmando a má tendência das eleições em 2013. A maioria dos autarcas eleitos há quatro anos vão ser reconduzidos nos cargos, sendo que, as mudanças só vão acontecer em 2021 numa altura em que muitos também não se podem recandidatar. 

Na noite eleitoral e nos dias seguintes o principal alvo a abater será o líder do PSD. Passos Coelho será colocado em causa por comentadores e alguns militantes que desesperam dar a habitual facada nas costas. No entanto, nos últimos tempos os maiores adversários políticos estão na oposição. 

Os líderes do PS, BE e PCP tentam criar instabilidade no PSD porque temem defrontar nas próximas legislativas o vencedor das duas últimas, pelo que, até ao congresso social-democrata que vai reconduzir Passos Coelho na liderança o barulho será constante e, mais do que isso, a geringonça, com António Costa à cabeça, irão cantar de galo.

Por mais desconfiança que exista relativamente à capacidade da actual liderança dentro dos sociais-democratas os comportamentos estão a ser correctos, tirando alguns comentadores que nunca chegaram a primeiro-ministro. Não acredito que em seis meses haja uma candidatura capaz de derrubar Passos Coelho. Nenhuma seria competente para vencer António Costa e o actual líder social-democrata conseguiu. 

A postura do PSD tem sido exemplar ao se manter, na sua maioria, ao lado de um líder que tem provas dadas no partido e no país.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A grande batalha pela soberania da Catalunha

O referendo da Catalunha provocou mais uma reacção forte por parte do governo central. As inúmeras detenções e a apreensão de boletins de voto são a única resposta que Mariano Rajoy tem para dar à Generalitat.

O que importa analisar é a questão política, nomeadamente a autonomia da região face a Espanha. Os catalães pretendem mais poder e não o conseguem porque estão ligados ao governo central. 

O executivo sediado em Madrid começa a dar bastantes razões para a Catalunha se afastar ainda mais. A utilização da força serviu para terminar com o problema no País Basco, mas a dureza e a determinação catalã são suficientes para a história ter um desfecho diferente. 

Tendo em conta que a realização da consulta popular é um acto de protesto contra o governo de Rajoy e não para fazer frente à unidade do país, qualquer atitude dentro da Catalunha por parte do executivo espanhol será entendido como um acto de conflito político. 

As duas partes consideram que a força é a melhor solução para resolver o problema, já que, os dirigentes catalães também insistem num acto que já foi chumbado. A repetição do referendo é uma nova provocação a Madrid e à coroa espanhola. 

Os próximos capítulos não vão ser pacíficos porque já se instalou um clima de vingança.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Discurso correcto de Trump

As declarações de Donald Trump nas Nações Unidas servem para impedir mais acções por parte de Pyongyang.

A ameaça norte-coreana não é apenas contra os Estados Unidos, mas coloca em causa a segurança mundial como acontece no terrorismo.

O combate contra os terroristas, e Kim Jong-Un é um deles, faz-se através da retaliação e nunca por via da ignorância ou diplomacia. A comunidade internacional desdobra-se em constantes comunicados na condenação ao lançamento de mísseis, enquanto Pyongyang se diverte a ameaçar todos os países.

O único país que pode travar as intenções norte-coreanas é a China, mas também corre o risco de ser um alvo militar. O objectivo número um passa por conquistar o sudoeste asiático, começando pelo vizinho do Sul e depois alcançar os Estados Unidos. 

A comunidade internacional não pode permitir mais acções porque a falta de atenção e preocupação durante anos  originou as actuais consequências. Caso falhem novas tentativas de diálogo, tem que se começar a pensar numa forma de travar o líder coreano.  

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Ano 2013: Passos Coelho foi o único saiu da crise com dignidade

O governo liderado por Passo Coelho praticamente se desfez em apenas dois meses. 

O primeiro a bater com a porta foi o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, que mostrou cansaço no cargo, mas também pelo rumo da politica económica. O primeiro-ministro rapidamente encontrou em Maria Luís Albuquerque a confiança necessária para prosseguir as metas exigidas por Bruxelas.

O CDS-PP não gostou, além de pretender mais influência na governação, pelo que, Portas também se demitiu proferindo uma frase que ficou na história da política portuguesa.O objectivo do líder centrista passava por ser o número 2 do executivo. 

As decisões quase levaram Passos Coelho a demitir-se, mas o chefe do governo agiu como líder, já que, não aceitou os factores que o poderiam levar a se entregar, embora tivesse dado a vice-liderança do governo a Portas. No entanto, Maria Luís Albuquerque chegou mesmo a Ministra das Finanças.

A crise desgastou a imagem do governo, embora a fraca oposição de António José Seguro tivesse evitado que Cavaco Silva optasse pela demissão do executivo. Passos Coelho comportou-se com dignidade porque não caiu na rasteirada dos centrista, mesmo que no fim tivesse cedido a Portas. Não tinha alternativa porque o CDS abandonava a coligação.

O que fica na memória é o "irrevogável" de Paulo Portas, em mais um mau episódio de como funciona a política. 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Mais um motivo para não votar

A falta de assuntos importantes do nosso quotidiano levou todos os partidos políticos com assento parlamentar a debruçarem-se sobre a realização de jogos de futebol no dia das eleições autárquicas, mantendo a tradição iniciada nas legislativas de 2015. 

Durante muitos anos havia uma prática costumeira que impedia o povo de ir à bola na mesma altura em que deveriam estar concentrados no acto eleitoral. No entanto, as pessoas deixaram de votar, mas mantiveram o hábito de frequentar estádios de futebol durante o fim-de-semana, particularmente ao domingo. 

A abstenção cresceu e o gosto pelo futebol manteve-se ou aumentou, pelo que, a culpa da fraca participação eleitoral só podia ser da bola que rolava no relvado ao mesmo tempo que se anunciavam os vencedores e vencidos. 

Os cérebros que nos governam descobriram uma excelente maneira de obrigar novamente o povo a se concentrar nas votações para legitimarem os lugares que alguns ocupam há muitos anos. No dia da eleição não pode haver perturbações na hora de escolher os representantes locais e nacionais. O problema é que os governantes esqueceram-se de outras actividades utilizadas pelos portugueses aos fins-de-semana como os espectáculos musicais, cinemas e museus.

Não deve haver assunto mais importante neste país do que a incompatibilidade de se votar e participar em eventos para o problema ter ganho relevância nacional e merecer opiniões contraditórias, sendo que, algumas delas parecem proferidas por crianças de cinco anos. 

O actual poder político resolveu a questão pela força da lei, mas não percebe que as pessoas vão responder com mais abstenção.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

União Europeia ainda sem discurso igual para todos

Os discursos de Juncker são sempre motivo de análise profunda porque transmitem várias mensagens ambíguas. O último relacionado com o Estado da União Europeia não foge à habitual regra de apelar a mais união e democracia, mas também conta com várias indirectas aos prevaricadores. 

A principal ideia é que não há união para os países que quebram as regras fundamentais da democracia, Estado de Direito e respeito pelos princípios europeus.

Não é possível num discurso incluir todos os Estados-Membros no mesmo barco e depois escolher alguns para sobreviverem a um naufrágio. Os países que estiveram com a Alemanha e o establishment europeu vão ser beneficiados, enquanto os outros correm o risco de discriminação. 

A União Europeia é uma ideia onde todos devem cumprir as mesmas obrigações e beneficiarem dos mesmos direitos. Os discursos normalmente proferidos pelos responsáveis europeus têm quase sempre uma indirecta para as diferentes abordagens internas, em particular no leste da Europa.

Neste aspecto, o clube europeu aproxima-se cada vez mais de uma federação política, já que, a nível constitucional será complicado tornar tudo igual. 

A crescente vontade de incluir os países dos Balcãs na União Europeia, bem como convidar a Roménia, Bulgária e a Croácia para pertencerem ao espaço Schengen pode ser mais uma precipitação, mas é mais um passo rumo à criação da Federação Europeia.

Por fim, nota-se que a ambição de estabelecer acordos comerciais com as maiores potências mundiais é uma forma de concorrer com o Reino Unido, embora seja demasiado tarde para a União Europeia alcance benefícios.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Theresa May continua encurralada

O mandato de Theresa May continua instável devido às constantes agitações dentro do Partido Conservador, em particular no grupo parlamentar. A crise política que Jeremy Corbyn teve de lidar durante vários meses transferiu-se para a outra bancada da Câmara dos Comuns.

Nos próximos anos, a primeira-ministra terá que defender os interesses do Reino Unido junto da União Europeia, mas também contar com os focos de contestação internos, além de se preocupar com os bons resultados eleitorais do Partido Trabalhista. 

Os problemas podem ser controlados com algumas cedências aos defensores de uma saída forte do Reino Unido da União Europeia, mas sempre que o fizer corre o risco de perder popularidade porque a oposição ganhou bastantes votos nas últimas eleições em matérias relacionadas com o Brexit como a imigração e o mercado único.

A forma como Theresa May assegurou que iria continuar no cargo até final do mandato revela alguma insegurança. A primeira-ministra deveria ter dito no parlamento em vez de originar reacções através da comunicação social. A declaração na Câmara dos Comuns tinha sempre mais força e impacto junto da oposição interna e externa do que uma pequena entrevista facilmente contrariada.

Os sinais de instabilidade demonstrados depois das eleições são preocupantes, tendo em conta que os dois últimos governos conservadores sempre se pautaram por firmeza na liderança, mesmo em coligação com os Liberais-Democratas entre 2010 e 2015. Theresa May não tem confiança na actual parceria parlamentar com o DUP ou prepara nova estratégia para conquistar a maioria absoluta.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A desintegração política de Espanha

A realização de um novo referendo sobre a independência da Catalunha é um passo decisivo na desintegração política de Espanha. Aliás, a forma como se reagiu aos atentados em Barcelona demonstra falta de unidade, apesar de todas as cerimónias em prol da liberdade.

A autonomia da região relativamente a Espanha só precisa de ser confirmada em termos práticos porque na teoria já existe há bastante tempo. A consulta popular é apenas mais uma desculpa para criar um fosso entre Espanha e a Catalunha sobretudo no plano político e económico. O nacionalismo é uma boa forma de cimentar divisões dentro do mesmo Estado. 

A eterna recusa de Rajoy aceitar a realização do referendo irritou os dirigentes catalães, mas também a população que se sente amordaçada por Madrid. A Catalunha pretende maior progresso e investimento do que o permitido pelo executivo central. 

Não se pode acreditar que a luta dos catalães tem a ver apenas com a identificação dos símbolos porque a bandeira e o hino já existem há bastante tempo. O problema é que tudo começa com uma defesa acérrima dos emblemas que distinguem uma região do resto do país. 

O referendo que se realiza no dia 1 de Outubro só vai servir para aumentar as divisões, independentemente do resultado. As exigências serão sempre iguais, mesmo em caso de derrota. 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Os pontos principais das autárquicas

As próximas eleições autárquicas correm o risco de serem as mais desinteressantes sob todos os pontos de vista. 

A participação eleitoral deve ser muito baixa, podendo a abstenção atingir os níveis registados nas últimas presidenciais. Tendo em conta que não se trata do fim de ciclo para muitos autarcas, a inevitável reeleição vai permitir a muitas pessoas ficarem em casa. 

No plano mediático também existe pouco interesse porque não há lutas renhidas, sobretudo nas grandes cidades. Em Lisboa e Porto não vão existir modificações, sendo que, aumenta a probabilidade de vitórias esmagadoras de Fernando Medina e Rui Moreira. Os adversários dos actuais presidentes de Câmara não têm qualidade, como se verifica em Lisboa, também por causa do jogo de cadeiras. Isto é, nem todos concorrem com o objectivo de servir a capital. 

Infelizmente as autárquicas servem para aferir a popularidade de algumas candidaturas e a fuga de responsáveis camarários durante o mandato para outros poleiros também não ajuda às populações acreditarem nas propostas. 

Apesar dos pontos negativos, existem duas situações que chamam a atenção.

A primeira está relacionada com o regresso dos chamados dinossauros em Gondomar e Oeiras. Valentim Loureiro e Isaltino Morais voltam às batalhas políticas depois de alguns anos a descansarem. A tarefa de recuperar a popularidade não é fácil porque não contam com apoios partidários.

O segundo ponto de interesse diz respeito ao day after. A provável derrota do PSD vai originar um ataque à cadeira ocupada por Pedro Passos Coelho. As candidaturas à liderança vão ser anunciadas com pompa e circunstância e com o suporte moral do PS e do Presidente da República. 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Resposta rápida à Coreia do Norte

A displicência com que a comunidade internacional ignorou o poder nuclear da Coreia do Norte nos últimos anos está a ter consequências negativas.

Os Estados Unidos nunca quiseram assumir a responsabilidade de colocar um tampão nas iniciativas norte-coreanas por causa da influência que Pequim exerce na região. A solução diplomática poderia ser uma possibilidade caso tivesse havido interesse em integrar Pyongyang. No entanto, a atitude bélica do regime nem sempre convidou a grandes conversas. 

Após várias ameaças a única solução passa por uma intervenção militar, mas não levada a cabo pelos norte-americanos. Os países da região como o Japão e a China precisam de actuar com urgência porque o perigo é maior para aquela zona do que em relação aos Estados Unidos. O verdadeiro inimigo dos norte-coreanos está nas redondezas. 

Caso Washington entregue o problema a Pequim seria uma forma de perceber em que lado está o regime chinês. Não é possível continuar a aceitar a presença desta permanente ameaça, sobretudo de um líder que parece divertir-se cada vez que lança um míssil. 

Não é fácil entender qual é a primeira intenção de Pyongyang, mas seja o que for já se pode concluir que a segurança mundial volta a estar em causa.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Ano 2013: Mudanças na Igreja Católica

As crises no governo liderado por Passos Coelho com a demissão de Vítor Gaspar e a ameaça de Paulo Portas não são mais importantes que as mudanças na Igreja Católica.

Em primeiro lugar, porque o Papa Bento XVI renunciou ao mandato, o que aconteceu pela primeira vez na história. 

Em segundo, a nomeação de Francisco I trouxe verdadeiras alterações que já se estão a sentir. Georgio Bergoglio garantiu maior transparência no discurso da Igreja. As constantes quebras de protocolo podem ser notícia, mas o mais importante é o objectivo do conteúdo do discurso papal. 

A característica que mais deve ser apontado ao mandato do actual Papa é a inclusão. A Igreja Católica deixou de ser uma instituição apenas ao serviço dos crentes, mas também acolhe os que não acreditam e mesmo as outras religiões. 

O diálogo inter-religioso deve ser a prioridade nos próximos anos sobretudo numa altura em que o terrorismo islâmico utiliza a religião para justificar actos contra os cristãos. 

O pontificado de Francisco I também não vai durar até ao final da sua vida, pelo que, poderão haver dois Papas eméritos. 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Ano 2012: Crise no jornalismo

Os primeiros despedimentos no Público deram início à crise do jornalismo que se estendeu ao Diário de Notícias em 2013 e ao jornal i e semanário Sol no final de 2015.

A queda nas vendas dos jornais e os cortes na publicidade originou um massivo corte em muitas redacções, mas também atingiu a televisão e a rádio. A chegada do digital obrigou a mudanças profundas, começando com a inevitável reestruturação das empresas.

Nos últimos cinco anos houve uma enorme crise no sector do jornalismo porque muitos donos deixaram de investir nos jornais porque não tinham viabilidade financeira nem poder de influência. A qualidade também é outro aspecto que esteve na origem da sangria na redução de pessoal. 

O jornalismo em Portugal também atravessa um deserto de ideias, de temas interessantes para a opinião pública, mas sobretudo capacidade para informar. As redes sociais destruíram alguns postos de trabalho e tiveram responsabilidade na degradação de como se procura uma notícia. A vantagem de chegar a mais pessoas não foi devidamente compensada com lucros. 

A seca ainda vai durar algum tempo, mas parece que o futuro será melhor no plano financeiro e credibilidade. A vontade de se criarem novos projectos com qualidade é um sinal bastante positivo.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

A cortina de valores que separa o Ocidente do Leste da Europa

As notícias provenientes da Polónia são mais um exemplo da onda de populismo que cerca o Leste da Europa. Nos últimos anos têm surgido vários exemplos de atentados às liberdades das pessoas, bem como tentativas de usurpação de poder através do controlo de instituições. 

A Europa pode não ter uma cortina de ferro a separar o Ocidente de Leste, mas ainda existem diferenças nos valores e princípios que precisam de ser trabalhados pela União Europeia. O clube europeu não tem condições de ter sucesso caso se mantenham práticas pouco habituais com aquilo que esteve na origem do projecto. 

As grandes disparidades estão nas ideologias e na forma como se aplicam certas regras que não são aceites no Ocidente, embora sejam normais em determinados países também por causa da herança da União Soviética. 

As mentalidades demoram tempo a mudar e não será a entrada num clube supostamente democrático que alteram os costumes. A resposta da União Europeia não tem sido eficaz porque alguns países não conseguem ou não pretendem ter outro tipo de comportamento, sendo que, encerrar ainda mais o espaço de diálogo e solidariedade mantém as mesmas reacções. 

A desconfiança que alguns países do Leste ainda têm relativamente aos vizinhos é outro factor de instabilidade regional que causa maior desunião dentro da União Europeia. Não é possível estar num clube onde ainda se registam muitos ódios. 

O futuro não é certamente federalizar para serem todos iguais, mas é necessário que haja objectivos comuns. 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Ano 2012: Escândalos de doping no ciclismo internacional

O ciclismo internacional enfrentou dois grandes problemas com os casos de doping de Lance Armstrong e Alberto Contador.

O ciclista espanhol acusou positivo num controlo efectuado durante a Volta à França em 2010, mas o castigo só foi confirmado em 2012 pelo Tribunal Arbitral do Desporto. A vitória no Tour 2010 também foi retirada. A suspensão durou até 2014. 

O norte-americano também ficou sem os sete títulos conquistados no Tour em 2012. As acusações duraram durante dez anos, mas a confissão só chegou em 2013 no programa de Oprah. Um ano antes, Armstrong deixou de lutar judicialmente pela inocência, talvez pensando numa forma de se ilibar publicamente.

A verdade é que, dois dos melhores ciclistas do novo milénio tiveram problemas com o doping, embora Alberto Contador tenha limpado a imagem nos últimos anos. A farsa de Armstrong acaba por ser bem pior, já que, se trata de uma mentira muito bem trabalhada durante anos. 

Os dois ganharam respeito de todos na estrada por causa dos inúmeros feitos, sobretudo na corrida francesa. O espanhol fica apenas com dois títulos no Tour, sendo que, numa delas bateu o norte-americano. 

As primeiras edições da Volta à França da década acabaram por ser manchadas por erros cometidos no final dos primeiros dez anos do século XX.  

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Prejudicar o funcionamento da economia de mercado

O negócio da Altice com a PT e a Media Capital transformou-se numa arma de arremesso político por todos os partidos.

As forças de esquerda tentam novamente impedir a entrada de dinheiro estrangeiro em Portugal, enquanto a direita critica a postura intervencionista do executivo. No meio disto está o governo liderado por António Costa que lança outros mecanismos para obter controlo político. Não esquecer que também Marcelo Rebelo de Sousa cedeu aos interesses de outras empresas para influenciar o negócio. 

A economia portuguesa não pode funcionar com constantes interferências políticas de todos os quadrantes, sobretudo se o Presidente da República também pretende ter uma palavra a dizer. Neste caso, o único partido que esteve muito bem foi o PSD que questionou as posições de António Costa. 

A entrada da Altice na PT, mas principalmente na Media Capital é uma oportunidade única para o jornalismo em Portugal que se encontra nas ruas da amargura. O problema é que ninguém quer o melhor para o país por razões ideológicas ou simplesmente para impedir novos concorrentes no mercado. 

O que se passa com a chegada da Altice é a mesma situação do que aconteceu com a entrada de novos investidores na TAP, embora a Media Capital seja uma empresa privada. Não houve despedimentos na transportadora aérea, havendo uma nova oferta de rotas e investimento. 

As posições ideológicas do governo começam a ficar muito parecidas com o Bloco de Esquerda e o PCP.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Níveis históricos de impopularidade

Os níveis de impopularidade de Donald Trump são anormais tendo em conta que só passaram seis meses desde a tomada de posse como Presidente dos Estados Unidos. 

As guerras que o chefe do Estado comprou com a imprensa e em certa medida, também com os republicanos afectam a imagem de um líder que se pretende segura. No entanto, as eventuais ligações à Rússia não caem bem junto do eleitorado norte-americano que considera Moscovo como o principal inimigo.

Em pouco tempo, Trump raramente conseguiu unanimidade junto das pessoas nas decisões políticas que toma. O problema não está unicamente na governação, mas na forma como apresenta a Casa Branca para dentro e fora dos Estados Unidos. As constantes mensagens no twitter não é a melhor forma para um presidente comunicar, sobretudo se pretende arranjar conflitos com outras personagens porque dificilmente se entende o sentido das palavras.

Não se pode fazer um escrutínio completo apenas pelos tweets.

Não acredito numa recuperação da imagem presidencial junto das pessoas, mesmo que obtenha uma vitória em 2020, porque dificilmente haverá mudanças de estilo. Contudo, Trump começa a ganhar estofo para se mexer nos bastidores da política norte-americana. A ausência de críticas aos democratas mostra que sabe gerir os dossiers. Neste momento, interessa responsabilizar os republicanos. 

terça-feira, 18 de julho de 2017

An 2012: Uma liderança insegura a passageira

A liderança de António José Seguro no Partido Socialista foi uma das piores de sempre. A vitória sobre Francisco Assis parecia indicar algo positivo, mas a forma como se dirigiu aos militantes socialistas no dia da eleição não augurava nada bom.

Apesar da reeleição em 2013 nunca recolheu simpatia junto dos militantes nem dos portugueses. A falta de capacidade política acabou por ser um sinal constante durante as intervenções na Assembleia da República com Pedro Passos Coelho. O acto eleitoral em 2013 é um passo para o abismo, já que, um ano depois é destronado da liderança por António Costa. O actual primeiro-ministro só não se candidatou antes porque as sondagens lhe eram desfavoráveis e ainda acumulava cargo na Câmara Municipal de Lisboa.

Apesar de tudo, ainda liderou os socialistas durante o período da crise e mais problemática para o governo PSD-CDS. O discurso de Seguro nunca mudou, roçando mesmo o ridículo, num debate em que pediu ao primeiro-ministro o fim do sigilo bancário por causa da polémica do não pagamento de dívidas no prazo à segurança social. 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Ano 2012: A eleição mais fácil para Obama

A corrida para o segundo mandato na Casa Branca tornou-se bastante fácil para Barack Obama. Em primeiro lugar porque não teve concorrentes nas primárias, já que, a recandidatura seria sempre vantajosa contra qualquer oponente. Em segundo, o presidente norte-americano sempre teve o partido na mão. Por fim, na eleição geral derrotou claramente Mitt Romney.

As eleições acabaram por ser desinteressantes porque não houve primárias nos democratas e nos republicanos a candidatura de Mitt Romney derrotou bastante cedo os restantes 12 candidatos que desistiram ao longo do percurso. 

O grande confronto estava marcado para Novembro de 2012 entre Romney e Obama. O democrata ganhou no voto popular, na percentagem, além de ter conquistado maior número de votos eleitorais. Neste aspecto, o presidente esmagou Romney com 332 contra 206. A percentagem foi o factor mais equilibrado, já que, no voto popular, Obama conquistou mais cinco milhões que o opositor. 

O empresário republicano obteve um melhor resultado do que em 2008, onde tinha perdido nas primárias, mas os números mostram que ainda existia uma grande diferença entre um político e alguém com pouca experiência em cargos públicos, apesar de Romney ser considerado como membro do establishment republicano. Nestas eleições, um dos grandes apoiantes foi Donald Trump. 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Rússia coloca Trump num beco sem saída

A Rússia tem tido domínio político sobre os Estados Unidos. As alegações de envolvimento de Moscovo nas eleições norte-americanas do ano passado são uma vitória para Putin, mesmo que continue a negar qualquer interferência.

O Kremlin assiste à degradação e perca de força dos Estados Unidos a vários níveis, mas sobretudo no plano político e militar. A entrada da Rússia na guerra da Síria impediu os norte-americanos de substituir Bashar al-Assad e criar um clima favorável na região. Neste momento, são os russos que anunciam a morte do líder do Estado Islâmico e constroem infraestruturas de apoio ao desenvolvimento militar no Médio-Oriente. 

A presidência de Trump pode ser colocada em causa devido às ligações a Moscovo. O actual presidente norte-americano tem sido uma marioneta ao serviço de Putin. O aperto de mão entre os dois líderes favorece mais o líder russo que Trump por causa do sentimento anti-Moscovo ainda existente nos Estados Unidos. Qualquer passo dado pelo líder norte-americano no sentido de tentar estabelecer relações com a Rússia será sempre alvo de críticas. O problema é que Trump não pode virar as costas numa altura em que apareceram mais provas que o ligam ao regime, sobretudo com a troca de emails entre o filho e responsáveis russos.

A estratégia montada por Moscovo tem tido resultados porque cria caos político nos Estados Unidos. O presidente norte-americano fica numa posição bastante fragilizada, enquanto Putin continua a sorrir. As críticas são todas dirigidas à forma como Washington deixou Moscovo entrar na Casa Branca. Em primeiro lugar, com um presidente supostamente apoiado pela Rússia. Em segundo, criando uma aparência de amizade que nunca será aceite em território norte-americano.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Sinais de insegurança de May

A tentativa de Theresa May unir todos os partidos em torno do Brexit não é má ideia, mas revela alguma insegurança política por causa das críticas dos conservadores. 

A posição da primeira-ministra não é favorável, pelo que, no próximo ano é possível que haja pedidos de demissão dentro do partido, enquanto os trabalhistas vão esperar por novo acto eleitoral antecipado. Os conservadores vão tentar mudar de líder sem recorrer a eleições gerais, mas as confusões podem originar um aproveitamento do Partido Trabalhista no plano político e também nas sondagens. 

Os apelos a uma unidade nacional e à cooperação dos restantes partidos só acontece porque May está frágil dentro dos conservadores. No último ano, raramente falou em união para ultrapassar os problemas do Reino Unido. O Brexit também exige um comportamento adulto das restantes forças, só que a primeira-ministra está a pedir mais do que isso. 

As outras forças não devem corresponder à chamada da primeira-ministra por causa da jogada que esteve na origem da antecipação das eleições e também devido à vontade de realizar o chamado "Hard-Brexit", algo que, nem os trabalhistas e liberais-democratas estão dispostos a aceitar. 

O isolamento dentro do partido é cada vez maior, pelo que, precisa de procurar apoio fora para ter legitimidade política nos próximos anos. Na minha opinião, haverá eleições dentro de dois anos depois da conclusão das negociações com a União Europeia, sendo que, a primeira-ministra ainda pode liderar o navio, mesmo havendo acto eleitoral interno nos conservadores em 2018. No entanto, os primeiros sinais depois das eleições de 8 de Junho são bastante preocupantes, mas May parece ter características semelhantes a Margaret Thachter.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Ano 2012: Mudanças na política internacional e no desporto

A reeleição de Barack Obama na Casa Branca acaba por ser um acontecimento natural tendo em conta a história da política norte-americana dos últimos anos. O democrata ganhou as primárias sem oposição, já que, costuma ser a prática sempre que um Presidente se recandidata. Nas eleições gerais derrotou Mitt Romney por uma grande diferença. 

O segundo mandato de Obama é mais virado para a política externa com o reatamento das relações com Cuba, a assinatura do acordo de Paris relativamente às alterações climáticas e a confirmação que a Rússia é o principal inimigo dos Estados Unidos.

A eleição de Xi Jinping para a liderança do Partido Comunista Chinês é mais importante que a continuidade de Obama em Washington. Xi Jinping só substituiu o presidente Hu Jintao em 2013, mas também começaram a sentirem-se mudanças, sobretudo na aproximação aos Estados Unidos. A China começou a investir na Europa, além de ter contribuído para o acordo celebrado em Paris 2015. 

Numa altura em que as grandes potências definiam as principais orientações, a Europa continuava mergulhada numa crise financeira sem fim à vista. A Grécia e Portugal estavam sob alçada da troika, mas os alarmes voltaram a soar com os resgates a Espanha e Chipre. Apesar de serem menos graves que as situações portuguesas e gregas, começou novamente a se falar em efeito dominó. 

O desporto mundial teve de engolir os casos de doping dos ciclistas Lance Armstrong e Alberto Contador. O norte-americano confessou que tomou substâncias proibidas durante os anos em que venceu o Tour de France. O espanhol também acabou por ser apanhado depois de ter conquistado a prova francesa pela terceira vez em 2010. 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

A impossibilidade dos britânicos continuarem ligados à Europa

O discurso agressivo de Theresa May sobre a necessidade de um hard-Brexit contrasta com a vontade do Reino Unido manter uma ligação com a União Europeia após 2019.

Não existe possibilidade de estar com um pé dentro ou fora do clube europeu. A população do Reino Unido escolheu ficar com os dois pés de fora porque para se manterem conectados à Europa tinham votado favoravelmente. 

O actual quadro geopolítico não permite que se mantenha uma relação porque cada um dos blocos serão concorrentes, sobretudo na aproximação aos Estados Unidos, situação que os britânicos têm enorme vantagem. A nível económico também se vai verificar uma enorme competição e desigualdade. A UE continua mergulhada no desemprego, particularmente mais jovem, enquanto o Reino Unido mantém elevados níveis de crescimento. As realidades são completamente diferentes.

A manutenção do Reino Unido no mercado único traz mais benefícios aos cidadãos europeus do que à população britânica, embora seja neste momento a questão que coloca instabilidade dentro dos principais partidos além de ser o aspecto de divisão. 

O contraste entre o que Theresa May diz para fora e a vontade revelada dentro dos gabinetes onde decorrem as negociações complica a posição do Reino Unido perante os restantes membros da União Europeia. A primeira-ministra também fica fragilizada porque apresenta duas ideias diferentes. O resultado nas recentes legislativas pode alterar o desejo de realizar apenas um soft-Brexit.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Dois casos de má gestão política

O governo liderado por António Costa não geriu bem as duas últimas situações políticas, como os incêndios e o roubo de armas em Tancos.

O primeiro-ministro permitiu que a oposição pudesse atacar os ministros responsáveis pela Administração Interna e Defesa. Os dois ficaram frágeis politicamente devido à inacção do chefe do governo. 

A grande preocupação de Costa passou por resolver as situações, mas deixou que se criticasse o executivo antes de colocar um ponto final no assunto. O circo mediático pelo qual também se deixou envolver, anestesiou todos os principais responsáveis porque a enorme onda de solidariedade poderia impedir que se apontassem culpas por se tratar de situações naturais, como o incêndio em Pedrogão. 

Neste momento não há salvação possível para os ministros da Administração Interna e da Defesa, mesmo que rolem cabeças nas chefias dos organismos. A demissão de cinco generais não abafou as críticas. Costa continua desinteressado em defender os colegas, mantendo-se em férias numa altura em que Azeredo Lopes e Constança Urbano de Sousa precisam de apoio. 

Não se esperava uma má gestão política de um primeiro-ministro que tem fama de ser um excelente político.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Os desafios do Ocidente dividido

O Ocidente tem que se confrontar com várias ameaças ao mesmo tempo que começa a perder apoios internacionais.

A saída de cena dos Estados Unidos e o Brexit são dois aspectos que aumentam as divisões políticas e sociais. Os vários estilos de liderança não permitem que haja unanimidade em determinados assuntos importantes para o crescimento e influência do Ocidente.

Nos últimos anos tem havido um enorme decréscimo da influência das decisões ocidentais noutros cenários como acontece na Síria. O peso político nem o militar conseguem derrubar as outras potências emergentes. O mais grave são a degradação das condições económicas. 

A eleição de Donald Trump contribuiu para as tensões e desconfiança, mas as costas começaram a virar com Barack Obama. Os países europeus também não podem ficar eternamente à espera que os Estados Unidos mudem de postura de quatro em quatro anos. Tem de haver um caminho traçado pela União Europeia sem depender daquilo que fazem os norte-americanos porque estes não vão carregar o fardo para sempre. 

O desinteresse dos Estados Unidos em contar com a UE está relacionado com a maneira como a França e Alemanha dirigem o processo europeu, e a saída do Reino Unido abre portas a um novo entendimento com o aliado mais velho de sempre. 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A última oportunidade para construir unidade na União Europeia

A saída do Reino Unido da União Europeia abre um novo capítulo na história da entidade supra-nacional. A correlação de poderes perde uma potência com capacidade para bloquear as intenções do eixo franco-alemão.

O futuro do clube europeu sem os britânicos já está a ser preparado pelas duas forças habituais, embora haja esperança numa União Europeia mais democrática com a eleição de Emmanuel Macron. Os alemães também falam mais em legitimidade democrática do que aconteceu nos últimos vinte anos. As duas principais potências económicas e políticas do continente podem iniciar o processo de reformas, mas o debate tem que incluir todos os países, sob pena de haver uma nova revolta que coloque definitivamente tudo em causa.

A capacidade dos países do leste europeu, a intenção de abrir o processo de alargamento a outros actores, como a Sérvia, e recuperação económica de Espanha são factores que a França e a Alemanha não podem ignorar. Apesar do poder dos dois países, haverão outros com capacidade para influenciar os destinos das políticas europeias porque os problemas não afectam apenas o centro da Europa, mas também o leste. 

A França e a Alemanha têm de mostrar abertura e vontade de fazerem parte de um grupo unido, em vez de recolherem benefícios dos restantes intervenientes internacionais por se encontrarem numa posição de liderança dentro da União Europeia. 

terça-feira, 27 de junho de 2017

Os dois caminhos que o Brasil ainda pode evitar

A crise política no Brasil relacionada com a investigação de processos judiciais vai originar alterações profundas no futuro. A resignação não será a atitude dos brasileiros nesta situação porque o escândalo nem sequer é aceite junto da elite.

A vergonha é algo com que os brasileiros não vão lidar por causa da corrupção que envolve os políticos. O país está novamente nas bocas do Mundo por piores razões, apenas três anos depois da realização de grandes eventos desportivos que voltaram a dar uma boa imagem.

A classe política mancha tudo o que o Brasil tem de bom. O futebol, o samba, as paisagens e as produções artísticas.

O problema é que o país não pode ser governado por Neymar, Deborah Secco ou Gilberto Gil, pelo que, é necessário escolher um político que saiba liderar e esteja imune às tentativas de suborno. Os últimos desenvolvimentos não deixam ninguém descansado porque parece que a teia ainda é maior do que se pensava. Por outro lado, o poder judicial também não tem credibilidade junto da opinião pública.

Neste momento, existem duas soluções plausíveis. A entrada em cena dos militares ou a eleição de um candidato com características semelhantes a Nicolás Maduro. No primeiro caso, corria-se o risco de se chegar a uma ditadura militar pouco comum na América Latina, mas a segunda opção pode trazer um candidato parecido com Nicolás Maduro. A história democrática do Brasil não aceita nenhuma das soluções, pelo que, em 2018 ainda se vai tentar construir um novo caminho neste regime.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Rússia não pode ser o principal inimigo do Ocidente

A constante retórica do Ocidente contra a Rússia é a principal arma para esconder alguns problemas graves que não foram bem resolvidos. 

A insistência da anterior administração norte-americana liderada por Barack Obama em arranjar um inimigo comum do ocidente não correu bem porque foram outras potências que estiveram no radar das políticas ocidentais, nomeadamente os maiores países do Médio-Oriente e a Coreia do Norte. 

Os sucessivos desafios dos países ocidentais, nomeadamente europeus, não correram bem, pelo que, importa colocar pressão em Moscovo com o intuito de arranjar uma desculpa para os falhanços. Neste campo, os diferentes discursos dos responsáveis europeus com as atitudes de aproximação da Alemanha e da França revelam desorientação sobre a melhor forma de lidar com a questão. 

A alteração da política externa norte-americana relativamente a Moscovo também implica mudanças na União Europeia, já que, nenhum dirigente europeu pretende estar ao lado de Trump. A verdade é que as investigações sobre as ligações do presidente norte-americano à Rússia também significa diferentes posições. 

A Rússia não pode ser vista como o principal inimigo do Ocidente, numa altura em que se enfrentam desafios como o terrorismo, imigração e outras situações. A política de Obama falhou totalmente porque permitiu a Moscovo definir um caminho próprio com sucesso. Neste momento, os russos têm mais influência na Síria do que os norte-americanos. 

Não haverá qualquer conflito porque Putin sabe os limites, apesar do que aconteceu na Ucrânia, mas não se pode dar importância mundial a uma simples anexação de um pedaço de território como é a Crimeia. Na minha opinião, o autoritarismo crescente de Erdogan na Turquia é muito mais preocupante.

sábado, 24 de junho de 2017

Ano 2011: A coligação de direita que cumpriu o mandato

O PSD venceu as eleições legislativas de 2011, mas sem maioria absoluta. Apesar das trapalhadas de José Sócrates, o novo líder social-democrata não conseguiu conquistar deputados suficientes para liderar o pais sozinho, pelo que, seria necessário efectuar uma coligação. 

O parceiro habitual dos sociais-democratas no governo sempre foi o CDS-PP. Paulo Portas voltava ao executivo depois de ter estado entre 2001 e 2004 com Durão Barroso e Pedro Santana Lopes. O único rosto que se manteve na política portuguesa seria o de Portas.

O CDS conseguiu a marca histórica de 24 deputados. O PSD venceu com 38%, mais dez que o PS. Os comunistas conquistaram 7% e o Bloco de Esquerda ficou na última posição com 5% e apenas oito deputados. 

O entendimento entre os dois partidos acabou por ser natural porque o país precisava de um governo estável para enfrentar as dificuldades impostas pela troika. O presidente da República ainda tentou alcançar um consenso entre os partidos do arco da governação devido aos problemas financeiros, mas apenas PSD e CDS se uniram, mesmo que o Memorando de Entendimento também tivesse a assinatura dos socialistas, que escolheram António José Seguro como sucessor de José Sócrates. 

O governo PSD-CDS cumpriu a legislatura, mesmo tendo enfrentado a pior crise financeira da história do país. Os portugueses renovaram a confiança na coligação, apesar de não ter tido maioria absoluta, mas o primeiro lugar nas legislativas de 2015 merecia uma oportunidade para continuar o trajecto de crescimento. 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Recuo estratégico de Corbyn

As palavras de Jeremy Corbyn na Câmara dos Comuns depois do Discurso da Rainha revelam um recuo face à mensagem transmitida durante a noite eleitoral.

O líder trabalhista não voltou a pedir a demissão da primeira-ministra porque sabe que não tem uma maioria a apoiá-lo. Apesar da suposta colaboração entre os conservadores e o DUP não garantir estabilidade durante quatro anos, Corbyn tem praticamente nada para apresentar. 

A posição assumida pelo trabalhista foi bem diferente porque admitiu que o partido não estava apenas na oposição, mas em posição para chegar brevemente ao governo. Corbyn teve uma atitude mais inteligente que António Costa e Pedro Sanchez.

O Partido Trabalhista só consegue conquistar o poder se mostrar que tem um programa melhor que os conservadores no plano interno. No Brexit os conservadores devem alcançar os desejos pretendidos pela população no referendo de 2016. O problema para Corbyn é a possibilidade de Theresa May antecipar as eleições depois do Reino Unido sair da União Europeia. Tendo em conta que a primeira-ministra também é uma estratega, o opositor dificilmente tem hipóteses de vencer. 

A intenção de Corbyn recuar no pedido de demissão é uma boa jogada, já que, ninguém o perdoaria por iniciar uma crise política. A verdade é que os conservadores conseguiram uma colaboração parlamentar que permite governar durante dois anos em função das negociações com a União Europeia.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Como se vive uma tragédia "à portuguesa"

A época dos incêndios volta a colar o povo à televisão, num ano em que a selecção joga uma competição desinteressante como é a Taça das Confederações. A estreia da equipa de todos nós e do prevaricador melhor jogador do Mundo não entusiasma as pessoas, os media nem o presidente da República e o primeiro-ministro.

Nos últimos dias a tragédia de Pedrógão Grande dominou a atenção de todos, como sucedeu com acontecimento semelhantes fora do país. Desta vez o luto chegou ao nosso burgo e num ápice repetem-se os mesmos gestos que vimos sempre que a desgraça atinge os outros.

O primeiro momento é marcado por notícias da tragédia que rapidamente são comentadas nas redes sociais. Também nestas situações é mais fácil estar sentado a descrever aquilo que as imagens televisivas passam. Num instante o país fica a saber que o Chefe do Estado se desloca para o local, embora sem perceber qual e a razão, talvez para apagar o fogo....Mas não. Afinal era para continuar a presidência dos afectos e decretar três dias de luto nacional. O mesmo aconteceu com o primeiro-ministro que não pode deixar o presidente ter todo o protagonismo.

O segundo momento é sempre o mais difícil porque aparecem as imagens que ninguém gostaria de ver, mas são colocadas no ar durante horas seguidas para se perceber a magnitude da tragédia. Nesta fase começa a nascer uma onda de solidariedade por todo o país, talvez influenciada pelos afectos presidenciais às vítimas. A verdade é que os portugueses são fantásticos neste aspecto porque conseguem estar do lado daqueles que mais precisam. 

Na terceira e última fase chegam os especialistas cuja primeira missão é apontar falhas em tudo e mais alguma coisa. Os peritos nem sequer devem saber ligar uma mangueira, mas é preciso encontrar um bode expiatório. Qualquer um começa a escrever ou a falar porque é aquilo que, neste momento, as pessoas querem saber.  A pior parte é mesmo esta em que saem cá para fora as inúmeras mentes brilhantes de Portugal. 

A facilidade com que se passa da tristeza para as críticas nestas situações, revela que o espectáculo é mais importante que a vida das outras pessoas. Num ápice, aqueles que perderam tudo nos incêndios já não interessa porque a prioridade passa por apontar falhas. 

terça-feira, 20 de junho de 2017

Ano 2011: A demissão de José Sócrates

O primeiro facto político que originou as eleições antecipadas foi a demissão de José Sócrates.
O primeiro-ministro elaborou o PEC 4 para evitar pedir um resgate financeiro, mas nenhum dos partidos na Assembleia da República aceitou as medidas. Os partidos da esquerda e o CDS recusaram liminarmente ficar ao lado do governo em mais uma tentativa de fuga para a frente com duras medidas de austeridade. 

O PSD tinha sido o único partido que deu a mão ao executivo nos anteriores PEC´S. O problema é que Passos Coelho não se mostrou disponível para ajudar Sócrates.

No final da votação do diploma, Sócrates já estava a caminho de Belém para pedir a demissão a Cavaco Silva. O Presidente da República aceitou o pedido. 

O discurso de vítima não resultou nas eleições legislativas realizadas em Junho. A derrota de Sócrates deve-se ao pedido de resgate que o governo teve de realizar junto das instituições financeiras internacionais. O chumbo do PEC 4 foi apenas uma justificação para a demissão. Sócrates planeava culpar a oposição pela instabilidade política e tentar alcançar mais uma maioria absoluta, só que não contava com a chamada da troika. 

As jogadas políticas sempre foram o principal objectivo de Sócrates. Após ter falhado a conquista da maioria absoluta em 2011, não havia condições para a legislatura acabar porque não existiu qualquer compromisso do primeiro-ministro perante o novo quadro parlamentar. O PS abusou do apoio que o PSD deu nalguns PECS. 

As tentativas frustradas de Sócrates alcançar a maioria absoluta é algo que pode estar na cabeça de António Costa. O actual líder socialista também tem as mesmas artimanhas, como se viu, para chegar ao poder. O problema é que Costa ainda não ganhou eleições.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Um novo mau exemplo da política externa de Trump

O novo Chefe do Estado norte-americano decidiu terminar as relações diplomáticas com Cuba. A chantagem de Trump em solicitar reformas políticas no país em troca de apoio norte-americano nunca será uma boa jogada política, sobretudo se tivermos em conta a admiração do povo cubano pelo regime iniciado por Fidel Castro. 

O presidente acha que faz um favor ao mundo se exigir mudanças políticas em Havana, mas sabe perfeitamente que dificilmente consegue obter resultados, apesar de Castro ter anunciado que sai em Fevereiro de 2018. O ambiente causado pela administração norte-americana pode causar revolta em Cuba, ao ponto de ter um inimigo parecido com Kim Jong-un mais perto da fronteira com os Estados Unidos. A reacção dos lideres dos países sul-americanos é um indicador negativo que vai causar mais sentimentos negativos contra Washington. 

Os defensores de Trump podem argumentar que o presidente está a cumprir as promessas, mas não devem ter a coragem de dizer que está a actuar em nome dos Estados Unidos. 

O reatamento das relações entre os Estados Unidos e Cuba foi positivo em termos económicos e políticos. O esforço do Papa Francisco I para juntar os dois antigos inimigos acaba por ser deitado para o lixo por uma questão de intromissão nos assuntos internos. Nem sequer indico os apoios norte-americanos a grandes regimes totalitários.

Não existe coerência na política externa norte-americana. Não há um rumo definido, mas uma vontade em rasgar compromissos e terminar com o bom trabalho só porque se falou nisso na campanha eleitoral. Donald Trump pensa pouco na forma como os Estados Unidos podem ajudar na manutenção da actual ordem internacional. 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O poder total de Macron

Os resultados eleitorais alcançados por Emmanuel Macron em apenas seis meses prometem uma mudança positiva na política europeia. Não se espera o surgimento de mais forças anti-sistema como aconteceu recentemente, mas irão nascer mais movimentos com vontade de criar novas ideias, em particular plataformas de debate. 

O novo Presidente francês aproveitou um vazio de ideias no país e na Europa para conquistar o eleitorado nacional, mas em breve também vai conquistar os restantes europeus. 

O que importa analisar são as vitórias eleitorais em França, terminando com o bipartidarismo entre Republicanos e Socialistas, além de acabar com o receio da Frente Nacional. Daqui a quatro anos o discurso de Marine Le Pen tem de ser outro porque as circunstâncias serão diferentes. 

O mapa político-partidário deixou de pertencer a dois partidos para passar a ser apenas de um. Tendo em conta que os dois partidos tradicionais estavam em crise esperava-se uma dispersão dos votos. O mau momento de forma dos Republicanos e Socialistas traduziu-se no poder absoluto do partido de Macron. De repente todos ficaram sem espaço no parlamento e no Eliseu. 

O poder de Macron não é absoluto, embora tenha total controlo sobre as instituições devido à maioria. 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Ano 2011: O engodo socrático

A crise política iniciada em 2011 que terminou em eleições legislativas iniciadas tem de ser explicada no contexto do pedido de resgate de Portugal ao Fundo Monetário Internacional. 

As peripécias do governo liderado por José Sócrates impediu que o problema tivesse sido resolvido mais cedo. Num ano em que Cavaco Silva se recandidatava a Belém, o país não precisava de mais actos eleitorais. 

A história de um ano politicamente intenso começa com as várias recusas de José Sócrates relativamente à necessidade do país pedir ajuda financeira. Numa primeira fase nem Teixeira dos Santos desacreditou o primeiro-ministro, mas depois teve que assumir algo que já todos esperavam. As agências de rating tiveram o primeiro encontro com os portugueses porque todos os dias Portugal baixava de escalão até ao último denominado Lixo. 

A oposição fazia cada vez mais barulho e só o Presidente da República mantinha uma postura coerente. Ou seja, não estava histérico, mas também mostrava preocupação.

Os sucessivos acontecimentos impossibilitaram uma análise fria, já que, Sócrates pedia para ser aprovado o PEC 4 no parlamento porque não tinha maioria absoluta e ao mesmo tempo já se vislumbravam sinais da troika. Uns dias depois pediu a demissão porque os partidos não apoiaram as medidas de austeridade, pelo que, a oposição seria responsável pela necessidade efectuar um pedido de ajuda financeira, tendo sido a principal acusação do líder socialista na campanha eleitoral que acabou por perder. 

No fundo, Sócrates sabia que tinha de pedir ajuda financeira, mas arranjou o PEC 4 como um pretexto para justificar a demissão e atacar a oposição. Muito simples!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Hipocrisia das nomeações políticas

Os partidos políticos deviam ter mais cautela sempre que criticam os adversários por nomearem dirigentes para os mais altos cargos da administração pública. 

O grande cancro da actual democracia é o chamado "job for the boys" que todos os partidos gostam de praticar sem terem em conta qualquer questão relacionada com o mérito. 

Os portugueses já perceberam que os partidos utilizam as nomeações políticas como arma de guerra com o intuito de ferir o oponente, mas ninguém leva a sério porque todos fazem o mesmo. Isto é, ninguém tem telhados de vidro nesta questão. 

O pior desta história relacionada com a TAP é uma nova interferência presidencial, embora isso também seja uma situação habitual. Normalmente, as reflexões de Marcelo Rebelo de Sousa terminam num telefonema e num comunicado à imprensa para confirmar que o Presidente tem mesmo tiques ditatoriais. 

A guerra nas nomeações promete colocar sempre em causa a capacidade da pessoa para realizar o trabalho. O debate será em torno da amizade ou cartão político e nunca pelo mérito profissional, podendo originar situações injustas. 

terça-feira, 13 de junho de 2017

Os perdedores que reclamam o poder

A legitimidade democrática advém do voto popular, embora haja mecanismos constitucionais que permitem a formação de maiorias pelas forças que não ganharam as eleições, mas em conjunto ultrapassam em larga "maioria" os vencedores.

Nos últimos anos, o caso mais exemplar deste tipo de aproveitamento constitucional aconteceu em Portugal depois das legislativas em 2015. O Partido Socialista conseguiu juntar bloquistas e comunistas no parlamento para aprovar o programa de governo, antes de terem chumbado o programa da coligação PSD-CDS que obteve maioria simples no parlamento. 

Durante ano e meio em muitas eleições houve tentativa de recorrer ao mesmo sistema. As várias tentativas de Pedro Sánchez imitar o líder socialista português chocaram na intransigência do Podemos manter um compromisso com os eleitores. O último exemplo desta forma de conquistar o poder surgiu na sequência do resultado das eleições britânicas. O pedido de Jeremy Corbyn para Theresa May se demitir do cargo de primeira-ministra lembra o que aconteceu há dois anos em Portugal.

Não se coloca em causa a legitimidade constitucional das acções realizadas por três líderes socialistas que foram derrotados e preferiram conquistar o poder da população sem vencerem as eleições. O caminho torna-se mais complicado para um primeiro-ministro que não teve uma vitória nas urnas. Os sistemas são diferentes, mas a população portuguesa, espanhola e britânica deu um sinal claro que não queria qualquer dos líderes partidários no comando do governo. A população enviou uma segunda oportunidade aos governos que se encontravam no poder, embora retirando mais força para encontrarem outras soluções no quadro parlamentar. 

Os líderes derrotados tinham mais possibilidade de chegar ao poder caso obtivessem bom desempenho na oposição, mas optaram pela via mais fácil. A vitória política de António Costa não teve seguimento com Pedro Sánchez, pelo que, aguarda-se o que acontece com Corbyn. O mais preocupante no líder do Partido Trabalhista é não conseguir formar uma maioria com todos os partidos da oposição, além de que dificilmente se consegue juntar Liberais-Democratas com socialistas e nacionalistas escoceses. 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Ano 2011: A Primavera que originou o actual terrorismo no Mundo

As revoluções políticas e sociais que tiveram início durante o ano de 2011 são responsáveis pela onda de terrorismo que o mundo vive actualmente.

O Ocidente aplaudiu com bastante força as quedas de Hosni Mubarak, Muammar Gaddafi e Ben Ali, além de ter assistido à redução do poder de Bashar al-Assad. Os tiranos sempre olhados com desconfiança pelas potências ocidentais, com os Estados Unidos à cabeça, estavam a perder poder e a democracia iria ser pacificamente instalada naquelas regiões. Puro engano.

Após seis anos de intensos combates entre forças do governo e grupos opositores a conclusão é que tudo devia ter ficado como estava. As constantes trocas no poder, sobretudo no Egipto trouxeram instabilidade na região e no mundo. 

O único caso de sucesso na região acabou por ser a Tunísia, já que, a Líbia e a Síria resultaram em guerras civis com ou sem a manutenção dos ditadores no poder. No Egipto a Irmandade Muçulmana chegou ao poder, mas os generais conseguiram recuperar o país, embora também se desconfie do uso da força por parte de Al-Sisi. 

O Ocidente manifestou satisfação pela queda dos ditadores, mas agora não sabe responder ao domínio territorial dos grupos terroristas, que pretendem subverter a ordem ocidental, principalmente na Europa. 

O mais provável é a divisão de países como a Síria, Yemen e a Líbia, o que dará para os grupos terroristas terem poder, embora sempre controlado pelos maiores exércitos. 

A culpa do actual clima de guerra na região não é do Ocidente, mas os apoios contra determinados regimes deu errado. 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

A estratégia de Theresa May para 2019

A convocação de eleições antecipadas por Theresa May não serviram apenas para oferecer um mandato seguro ao vencedor nas negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia. O que estava em causa também era a legitimidade política da sucessora de David Cameron.

A primeira-ministra não podia conviver com a oposição sempre a pedir eleições antecipadas, pelo que, antecipou-se ao ruído e decidiu ir a jogo sem medo. O resultado final não é brilhante, mas garante a manutenção dos conservadores no poder apoiados por um partido que nem sequer pretende ir para o governo nem exige alterações ao rumo definido no manifesto. 

Nestas condições, Theresa May tem carta branca para garantir o "hard-brexit" desejado pelos conservadores mais eurocépticos e pela maioria da população porque conquistou a vitória, contrastando com a vontade da oposição ficar perto da União Europeia. Tendo em conta que os interesses do Reino Unido serão a prioridade do novo executivo, qualquer acordo será aceite pela população, embora criticada pela oposição. 

A primeira-ministra lidera um governo minoritário, mas continua com maioria no parlamento, embora suportada por dois partidos. 

O que muda é a força do executivo e da maioria porque a oposição continua minoritária. Apesar do bom resultado alcançado pelo Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn vai enfrentar novo acto eleitoral interno. Os Liberais-Democratas cresceram, mas continuam com poucos deputados e o UKIP desapareceu do parlamento. Por outro lado, os nacionalistas escoceses perderam força para reclamar mais um referendo. Os quatro maiores partidos da oposição nem sequer alcançam o número de deputados dos conservadores. A única novidade é a força de algumas forças da Irlanda do Norte do País de Gales. 

A estratégia de May passa por convocar novas eleições em 2019 após a saída do Reino Unido da União Europeia. O acordo fará com que os conservadores reconquistem a maioria absoluta para iniciarem um novo caminho no Reino Unido sem as leis provenientes de Bruxelas. Só por esta razão, Theresa May arriscaria ser primeira-ministra sem estabilidade interna e tendo de enfrentar os poderes europeus praticamente sozinha.
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