segunda-feira, 29 de maio de 2017

As migrações actuais impedem respostas solitárias dos governos

Os fluxos migratórios ocorridos nos últimos anos estão a mudar o mundo. A deslocação de pessoas ocorre não apenas por questões relacionadas com a guerra, mas também devido a outras razões, como as alterações climáticas. 

As constantes mudanças que originam migrações não estão a ser acompanhadas pelos governos, já que, existe falta de preparação para os principais problemas que causam constrangimentos nas vidas das pessoas. 

Independentemente da causa, as populações são as que mais sofrem, mas os países desenvolvidos também vão ser afectados porque serão o porto de abrigo, como se viu no recente fluxo de migrantes par a Europa. Ou seja, uma inundação numa ilha não tem consequências só naquela localidade. 

A velocidade também impede que se tomem soluções acertadas. A era da tecnologia trouxe conhecimento em tempo real do que se passa na China, Índia, Portugal ou Nepal. Quanto mais rápido tiver que se actuar, dificilmente consegue chegar a uma opção que agrade a todas as partes. Por exemplo, se a população da ilha tiver que se deslocar rapidamente não há tempo para se decidir sobre a hospitalidade dos novos vizinhos.

Os factores referidos são importantes, mas a imprevisibilidade impede que se possa saber onde se vai realizar o próximo atentado ou inundação, pelo que, não se podem preparar planos alternativos. 

Os executivos deixaram de conseguir responder a todos os problemas decorrentes das migrações, precisando da ajuda das organizações humanitárias, pelo que, não existem condições para a portar continuar fechada. O tema não pode ser resolvido por cada um, mas em conjunto, como acontece com o ambiente.

sábado, 27 de maio de 2017

Ano 2010: A melhor temporada do Sp.Braga no futebol português e europeu

Os bracarenses entraram para a história do futebol português e europeu devido a dois grandes feitos.

O primeiro foi a luta histórica com o Benfica pelo primeiro lugar do campeonato até à penúltima jornada. Um grande braço de ferro entre as duas equipas, sendo que, o Sp.Braga perdeu a hipótese de vencer o título na deslocação ao Estádio da Luz. No entanto, a segunda posição significou a melhor posição de sempre no campeonato. 

O bom desempenho dos bracarenses na liga permitiu o acesso à terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O primeiro adversário era o Celtic, tendo vencido em casa por 3-0 e perdido por 2-1 na Escócia. 

Os guerreiros continuaram em prova, mas tinham de jogar perante o poderoso Sevilha. O jogo na Pedreira correu bem com uma vitória por 1-0. A derrota no Sanchez Pizjuan por 4-3 possibilitou a conquista de um feito inédito. O desafio dos bracarenses em Espanha foi um dos melhores de história do clube. A fase de grupos não correu bem, embora a eliminação para a Liga Europa permitisse ao clube atingir a final da prova em 2011 frente ao FC Porto. 

Os dois melhores anos do clube no campeonato e nas competições teve como timoneiro Domingos Paciência. O técnico fica ligado a uma parte importante da história, mesmo sem ter ganho títulos.

O Sp.Braga sofreu uma enorme transformação com a entrada de António Salvador em 2004, sendo que, os troféus surgiram no início da década. Os feitos alcançados em 2010 são menores se forem comparados com a vitória na Taça da Liga em 2013 e a conquista da Taça de Portugal em 2016.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Ano 2010: Fim do processo Casa Pia

O processo Casa Pia terminou no dia 3 de Setembro de 2010, após ter sido iniciado em Fevereiro de 2003 com a detenção de várias pessoas, entre as quais Carlos Cruz, por suspeitas de abuso sexual a menores que pertenciam à instituição.

O escândalo teve início em 2003 com algumas revelações na comunicação social, mas o processo judicial só começou mais tarde. 

A maior parte das detenções ocorreu em Fevereiro e Julho de 2013, sendo que, no início do julgamento, em 25 de Novembro de 2004, estavam sete arguidos perante o juiz. 

O caso marcou o início de uma nova forma de relacionamento entre a justiça e a comunicação social devido à forma como todos foram escrutinados. A mistura da investigação jornalística com a judicial criou confusão ao ponto de ter havido nomes colocados pela imprensa, que nunca chegaram a ser acusados. 

O espectáculo em torno do processo levou a que se confundissem as duas investigações, havendo mesmo um sentimento contra ou a favor dos arguidos. A sociedade portuguesa seguiu o caso com bastante atenção por causa do envolvimento do antigo apresentador de televisão. As defesas dos arguidos também aproveitaram as câmaras de televisão para efectuaram o tempo de antena.

Após vários anos em torno do mesmo espectáculo, é possível afirmar que nem a justiça e a comunicação social cumpriram bem o papel que devem ter na sociedade portuguesa. Nenhuma das entidades pode cometer o mesmo erro.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

O primeiro frente a frente entre a Europa e Trump

A primeira viagem internacional de Trump visa encontrar pontos de concórdia entre os Estados Unidos e os diversos países visitados pelo Presidente, mas também mostrar as diferenças que separa a actual administração de Barack Obama. 

A escolha dos locais a visitar tem algum sentido tendo em conta o momento conturbado que atravessa o mundo, sendo que, os Estados Unidos têm interesses nestes sítios.

A visita a Israel acaba por ser o momento mais relevante porque também por causa da questão israelo-palestiniana existe conflito entre o ocidente e médio-oriente. A mudança mais brusca de uma anterior administração norte-americana para a nova aconteceu na defesa dos interesses israelitas. Obama defendia dois Estados, enquanto Trump quer impor uma solução aos palestinianos. 

A primeira presença de Trump na Europa, devido a reuniões da NATO e do G7 é um teste à capacidade dos dirigentes europeus saberem receber um líder que criticaram durante muito tempo, chegando ao ponto de questionar a legitimidade democrática. Não se trata de nenhuma cimeira entre os Estados Unido e a Europa, mas a importância de vários países europeus nas duas organizações é sinal das primeiras discordâncias com Washington, sobretudo no financiamento da organização atlântica. 

Os responsáveis europeus vão ficar com uma primeira impressão de Trump e das exigências norte-americanas, mas também perceber qual é o sentido de orientação do Reino Unido. A velha aliança pode começar a construir algo em conjunto, deixando de fora a França e a Alemanha. 

Após a confirmação do apoio a Israel, todos esperam a primeiro ataque à Europa por parte de Trump.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Invulgar contestação social ao governo

O número de greves que o governo socialista teve de enfrentar não é normal, tendo em conta o apoio parlamentar do PCP. 

As manifestações ainda não são muitas, mas as greves são a mais gravosa forma de luta contra as medidas de qualquer executivo. Os sindicatos ultrapassaram os protestos na rua para prejudicarem o funcionamento dos serviços públicos.

No espaço de um mês, função pública, juízes e professores ameaçam paralisar os serviços em nome da falta de compromisso por parte do governo relativamente a várias situações. Por um lado, cada organização pode estar a pedir demais, mas por outro, o governo também pode nem sequer cumprir o que prometeu. 

O que interessa destacar é a falta de diálogo dos socialistas, mesmo estando reféns dos comunistas e bloquistas. A atitude demonstra que o PS pretende iniciar a próxima campanha eleitoral atacando os dois partidos que permitiram governar durante a legislatura. O próximo inimigo não serão os partidos da direita, mas os dois actuais parceiros. 

O governo socialista deveria passar incólume perante a contestação social, já que, supostamente cumpriu com as propostas. 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Ano 2010: O início do domínio dos conservadores britânicos

As eleições britânicas de 2010 colocaram ponto final em 13 anos de poder dos trabalhistas, divididos entre Tony Blair e Gordon Brown.

A governação trabalhista, sobretudo, com Blair no poder, fica marcado pelo boom económico e a guerra no Iraque. No final da primeira década do século XXI, Gordon Brown permitiu que a desregulação originasse a pior crise económica no Reino Unido. 

O governo eleito após as eleições de 2010 teve que efectuar reformas económicas para tornar o Reino Unido numa potência. 

O caminho iniciado por David Cameron em Downing Street começou por ser complicado porque não obteve maioria absoluta, necessitando de uma coligação com os Liberais-Democratas. O executivo cumpriu os cinco anos de mandato, tendo-se tornado numa vitória para o primeiro-ministro, já que, há bastante tempo que nenhuma coligação conseguiu cumprir a legislatura. 

A população britânica reforçou a confiança nos conservadores em 2015. Cameron conquistou a maioria absoluta, reduzindo a importância dos restantes partidos que tiveram todos de mudar de liderança. Os trabalhistas elegeram o terceiro líder em apenas cinco anos. 

O primeiro-ministro demitiu-se porque perdeu o referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia no ano passado, sendo substituído por Theresa May. A nova chefe do governo convocou eleições antecipadas para dia 8 de Junho de forma a tentar reforçar a maioria absoluta que detém no parlamento. 

A recuperação económica, o crescimento sustentado e a saída da União Europeia foram os principais factores das crescentes vitórias dos conservadores. O Reino Unido voltou a assumir uma posição independente em matérias como a economia, imigração, política externa, combate ao terrorismo. O estilo de liderança de Cameron e May também ajudaram à manutenção do poder. Por muito que se critique as fracas oposições de Ed Miliband e Jeremy Corbyn, o mérito tem de ser dado aos dois primeiros-ministros da década. 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O reforço das máquinas partidárias

A vitória de Pedro Sánchez nas primárias para a liderança do PSOE mostram a importância das máquinas partidárias. O mesmo acontece com Jeremy Corbyn no Labour.

Apesar das duas derrotas eleitorais e de vários erros estratégicos que impediram o apoio de qualquer outro partido a um governo liderado pelos socialistas, os militantes votaram na continuidade. Durante o longo processo eleitoral que decorreu em Espanha, Sánchez fez quase tudo errado, o que também costuma acontecer com Jeremy Corbyn.

Os pequenos descontentamentos que se costumam traduzir em actos eleitorais internos já não têm força suficiente para impedir o líder derrotado de se candidatar e muito menos originar uma derrota eleitoral. Note-se as várias tentativas para demover Jeremy Corbyn da liderança do Partido Trabalhista sem qualquer resultado positivo. 

À medida que vão ganhando eleições internas, Pedro Sánchez e o líder inglês reforçam o poder, mesmo com focos de instabilidade. O problema é que as vozes críticas não têm expressão nas urnas.

Os exemplos nos partidos socialistas espanhol e inglês revelam que nem sempre a melhor solução é realizar eleições internas para deitar abaixo as fracas lideranças porque, nestes casos, houve um reforço do poder. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O povo brasileiro tinha razão

O Brasil continua com o mesmo problema de sempre. Os níveis de corrupção na política chegam às mais altas instâncias do Estado, sendo que, a possível destituição de Michel Temer é a segunda consecutiva pelos mesmos motivos que levaram à saída de Dilma Rousseff. 

Não há solução possível para um cultura instalada há muito tempo no país irmão.

O mais grave é algumas pessoas irem para a política com o intuito de serem impunes à justiça. 

Nesta situação nem as alegações de Temer afastam qualquer inocência antes de qualquer prova em contrário. O que está em causa é o precedente que se vai abrir na política brasileira. A partir deste momento, os próximos chefe do Estado ou mesmo os candidatos à presidência serão olhados com desconfiança. 

A classe política começa a ser escrutinada pela justiça brasileira, confirmando as queixas apresentadas pela população. Afinal o povo tinha muita razão. 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A polémica mais perigosa para Donald Trump

As polémicas continuam a fazer parte do mandato de Donald Trump, mesmo sem completar 365 dias. 

As primeiras situações eram apenas questões menores, mais ligadas com política do que com questões éticas e morais, estando em causa opções estratégicas. 

O problema que o presidente norte-americano tem de resolver é muito maior, sendo que, a solução para abafar as notícias não pode ser só atacar tudo e todos. Donald Trump não se pode esconder no habitual ataque rasteiro que costuma fazer aos olhos dos norte-americanos e do mundo. 

A tentativa de condicionar o inquérito relativamente à possibilidade de Moscovo ter interferido nas eleições do ano passado é mais um sinal muito parecido com as críticas ao juiz que anulou a proibição de cidadãos de alguns países muçulmanos viajarem para os Estados Unidos, mais conhecido por Travel Ban, ou as pressões partidárias para colocar ponto final no Obamacare.

O padrão de Trump para resolver os problemas mais mediáticos tem sido sempre o ataque e a pressão sobre os agentes que contrariam a vontade executiva. 

Na minha opinião, o empresário dificilmente cumpre o mandato na Casa Branca.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Os tiques autoritários de Marcelo

As notícias que dão conta da eventual interferência de Marcelo Rebelo de Sousa no encerramento da Caixa Geral de Depósitos de Almeida revelam que temos um Presidente da República a roçar o autoritarismo. 

Aos poucos, Marcelo troca a presidência dos afectos por uma governação semelhante a alguns ditadores modernos que também começaram com pequenos gestos pouco mediáticos para acabarem em atitudes mais gravosas.

A comparação poderia ser exagerada se o poder do Presidente da República fosse limitado. Ou seja, caso não houvesse hipótese de interferir noutro tipo de situações, como a constituição de um governo. Por exemplo, se em 2019 nem PS ou PSD conquistarem maioria absoluta, serem obrigados a formarem um bloco central, tendo como primeira consequência a demissão de António Costa e Pedro Passos Coelho. 

O cenário não pode ser considerado irrealista porque a saída dos dois líderes partidários favorece as ambições de Marcelo Rebelo de Sousa em se candidatar a novo mandato em 2021. Tudo é possível numa pessoa que esteve dez anos como comentador político como única forma de conseguir vencer uma eleição. 

O mais grave é Marcelo se deixar envolver nesta questão por razões meramente mediáticas.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Ano 2010: A primeira vitória de Dilma

As eleições brasileiras marcaram o fim do reinado de Lula da Silva. O antigo presidente cumpriu dois mandatos no Palácio do Planalto, pelo que, teria obrigatoriamente de sair da presidência.

Como acontece em muitas ocasiões, o Chefe do Estado escolheu um sucessor dentro do Partido dos Trabalhadores para a obra continuar. Lula nomeou Dilma Rousseff para tentar conquistar a cadeira do poder. 

O acto eleitoral acabou por ser um passeio para a candidata do PT. Dilma recolheu 56% da votação, contra 43% do candidato social-democrata, José Serra, 

Na primeira volta, a candidata conquistou 46% contra 32% de José Serra. Marina Silva ficou em terceiro 19% e Plínio de Arruda nem chegou aos 1%.

A governação de Dilma Rousseff mereceu a confiança dos brasileiros em 2014, embora dois anos depois, tivesse iniciado o processo de impeachment. 

O mandato da presidente esteve sempre marcado por ligações a Lula da Silva. Ninguém dissociou as opções tomadas por Dilma de uma vontade expressa pelo antigo presidente. A partir do momento em que os escândalos de corrupção começaram a afectar o nome de Lula, também saíram notícias sobre o envolvimento da presidente. 

Apesar de tudo, alguns responsabilizam a governação pelo crescimento económico e a redução das desigualdades sociais no Brasil. 

domingo, 14 de maio de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Emmanuel Macron - O candidato sem ideologia, que não é da esquerda nem da direita, ganhou as presidenciais francesas. A votação registada legitima Macron, embora o grande teste seja nas eleições legislativas. Apesar do triunfo, o grande feito do novo Presidente é a aceitação por parte dos dirigentes europeus. 

No Meio

Donald Trump - O polémico despedimento do director do FBI coloca novamente o presidente norte-americana na mira dos críticos. Não se percebe porque razão Trump gosta de demitir pessoas sem mais nem menos. Aos poucos vai metendo os amigos nos lugares mais importantes da administração.

Em Baixo

Jeremy Corbyn - O líder trabalhista assegura que não se demite caso perca as eleições legislativas. A declaração fez soar novamente os alarmes daqueles que sempre o criticaram, além de conferir legitimidade a um nascimento de um movimento logo depois da noite eleitoral.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

As derrotas consecutivas dos socialistas europeus

A esquerda está perto de sofrer uma nova derrota no Reino Unido. 

As mudanças de discursos de alguns partidos socialistas para zonas mais à esquerda tem tido consequências a nível eleitoral. O resultado nas eleições presidenciais em França é preocupante para a recuperação do poder por parte da esquerda tradicional, que também ficou sem importância depois das legislativas na Holanda.

A falta de soluções equilibradas estão a afastar os eleitores mais jovens, por causa do ataque excessivo às grandes empresas e aos negócios. A propaganda de Jeremy Corbyn continua a ser de um militante da extrema-esquerda. 

As pessoas não estão receptiva ao tipo de discurso do líder trabalhista porque sentem que os empregos ficam em risco. 

Desde há muito tempo que as visões mais radicais se apoderaram dos socialistas, que não têm outro caminho senão iniciar uma luta contra o capital para ser a voz dos trabalhadores. O medo de continuar ligado ao centro é uma das principais razões das alterações.

A vitória de Macron surge na altura em que os partidos socialistas e sociais-democratas enfrentam a maior crise de sempre porque deixaram de se interessar pelo centro.  

quinta-feira, 11 de maio de 2017

A má opção de Cristas

A prestação de Assunção Cristas no debate quinzenal foi deplorável. A líder do CDS está a perder tempo ao fazer campanha para a autarquia de Lisboa ao mesmo tempo que exerce as funções de presidente. 

A melhor forma de se concentrar no primeiro objectivo a curto prazo seria delegar a liderança num membro da direcção para tentar conquistar votos do CDS em Lisboa e não apenas testar a condição de líder. 

O CDS poderia ser um grande partido dos centros urbanos, mas como Cristas tem exercido dois cargos, dificilmente o pouco eleitorado conquistado nas autárquicas vota no partido daqui a dois anos. 

A proposta para aumentar o metro de Lisboa em 20 estações é ridícula. A cidade não comporta nem necessita de tantas linhas. O problema é que Cristas não tem modo de fazer oposição a Fernando Medina porque as recentes obras melhoraram a vida das pessoas. 

A triste figura também beneficia Teresa Leal Coelho, que se manteve quietinha no parlamento. 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Ano 2010: A estabilização total das lideranças sociais-democratas

Os sociais-democratas realizaram o quarto acto eleitoral interno em cinco anos. As mudanças de líderes ocorreram durante durante a primeira maioria absoluta do governo liderado por José Sócrates, sendo que, o PSD também obteve um mau resultado em 2009, apesar do PS ter perdido a maioria absoluta.

Nenhum dos líderes conseguiu conquistar o apoio interno. Manuela Ferreira Leite ganhou o direito de defrontar o primeiro-ministro em eleições, mas também perdeu votos. 

As eleições em 2010 trouxeram novos rostos e ideias. Os concorrentes foram Pedro Passos Coelho, que se candidatou pela segunda vez, além de Paulo Rangel e José Pedro Aguiar Branco. O debate teve momentos mais crispados, mas a realização de um congresso antes das directas trouxe mais animação e interesse ao acto eleitoral. A presença dos antigos presidentes também beneficiou o conclave social-democrata. 

A vitória coube a Pedro Passos Coelho, seguido de Paulo Rangel e Aguiar Branco. 

Um ano depois realizaram-se eleições legislativas antecipadas e o PSD regressou ao poder, embora necessitando de uma coligação com o CDS. 

A partir da primeira vitória, Passos Coelho não voltou a perder eleições no partido, tendo assegurado união, mesmo depois da saída do governo por causa do chumbo do programa do governo na Assembleia da República em 2015 pelo PS,BE e PCP. Passos Coelho construiu uma imagem de líder forte, competente, optando por um caminho mais centrado na iniciativa privada, mesmo em assuntos dominados pelo Estado. 

Desde Cavaco Silva que não se via os sociais-democratas unidos em torno de um presidente. O partido também estabilizou porque algumas figuras foram convencidas pelo trabalho de Passos Coelho, como se viu no regresso do PSD à oposição.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Os perdedores nunca assumem as derrotas

A declaração de Jeremy Corbyn relativamente à continuidade na liderança do Partido Trabalhista mesmo em caso de derrota é semelhante à atitude demonstrada por António Costa após a derrota eleitoral nas legislativas em 2015.

O posicionamento do líder trabalhista enfraquece o partido antes do acto eleitoral porque os eleitores sabem que tudo continua na mesma. O voto em Corbyn é um risco se assume que pretende continuar agarrado ao poder. Normalmente os perdedores responsabilizam-se pela derrota, mas Corbyn já definiu um culpado se os conservadores confirmarem a maioria absoluta. 

No plano interno também existem consequências. Alguns candidatos podem trabalhar menos, ou mesmo retirarem-se da corrida, sabendo que não haverá alterações na liderança. Os concorrentes não pretendem assumir sozinhos as culpas de uma eventual derrota. 

No dia do tiro de partido da campanha trabalhista, Corbyn tenta acalmar os detractores, mas só vai arranjar mais inimigos internos, já que, uma das grandes discussões da campanha será as condições para a manutenção da actual liderança, sendo que, o tema desvia as atenções do confronto com os conservadores. 

Em caso de derrota, as forças trabalhistas anti-Corbyn irão pedir a cabeça do líder logo a seguir à divulgação dos resultados, pelo que, é provável que haja novas eleições em Setembro.

O líder trabalhista não é um bom política, faltando competência, carisma e plano estratégico. 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Macron não tem o tapete estendido

A eleição de Macron não pode ser considerado um alívio, embora a vitória de Marine Le Pen tivesse contornos mais preocupantes. 

O problema está na incerteza das políticas seguidas pelo novo Presidente francês. Os dirigentes europeus e mesmo o país escolheu Macron, mas não sabe como será o futuro, começando pela forma como vai conseguir dirigir um país sem ter um partido, embora a formação da nova força partidária possa reforçar a conquista do Eliseu.

As legislativas serão importantes para saber com quem é que o governo tem de lidar, se com os socialistas ou republicanos. Caso haja uma igualdade eleitoral, não acredito que Macron consiga satisfazer todas as vontades. 

A tarefa do Emmanuel vai ser mais bem difícil do que se imagina a nível externo e interno. Na minha opinião, os responsáveis europeus dificilmente cedem perante as novas exigências de Paris. 

Apesar do triunfo, Macron não pode dizer que é uma nova corrente política porque também representa o descontentamento do eleitorado francês, embora de uma forma mais moderada. O sentimento pró-Europa não pode servir como argumento para ser bem acolhido junto das instituições europeias. 

O primeiro passo vai ser conquistar a democracia francesa.

sábado, 6 de maio de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Donald Trump - O Presidente norte-americano teve uma pequena vitória com a revogação do Obamacare na Câmara dos Representantes. Apesar da aprovação no Senado ser mais complicado, Trump conseguiu vestir a pele de político e mudar as mentes de alguns republicanos mais conservadores e moderados. O líder republicano pode não ter andado nos corredores, mas tem inteligência suficiente para ocupar o cargo.

No Meio

Theresa May - O momento para proferir um discurso sobre a União Europeia depois de ter pedido a demissão podia ter sido diferente. O conteúdo é bom, mas a altura não foi a melhor porque o que estava em causa era o pontapé de saída das eleições legislativas. Nota-se um desgaste do Reino Unido relativamente às decisões europeias.

Em Baixo

Partido Socialista - A tentativa de colagem dos socialistas a Rui Moreira para ganharem créditos eleitorais nas autárquicas e não só correu mal porque os partidos da direita, nomeadamente o CDS já se adiantaram, apesar de não terem qualquer receptividade por parte do presidente da Câmara. Uma vitória em Lisboa e no Porto seria o ideal para o executivo continuar no governo em 2019, mas de vez em quando os penetras também perdem.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Bruxelas tem mais um inimigo

A declaração de Theresa May no dia em que apresentou a demissão à Rainha é um aviso forte a Bruxelas. 

À medida que os países se tornam capazes de virar as costas ao establishment europeu, nota-se uma certa vingança por parte de Bruxelas porque pretende ganhar sempre. Os dirigentes europeus convivem mal com a derrota como se viu na recente eleição de Donald Trump.

A União já perdeu o Reino Unido, mas não pode torná-lo em mais um inimigo como fez em relação a Donald Trump. Numa altura em que os Estados Unidos e o Reino Unido declararam cooperação e manter as relações comerciais, chega um novo aviso da ilha britânica. 

Os britânicos não estão interessados em continuar agarrados às exigências da União Europeia, preferindo apostar noutros mercados como o norte-americano e a Austrália. As palavras de Theresa May podem ter consequências, sobretudo na luta contra o terrorismo e no plano económico. Se Londres vier a ser a principal praça financeira da Europa e o local onde as empresas norte-americanas pretendem estabelecer as sedes vai criar problemas às maiores economias da zona euro. 

A União Europeia não pode perder as relações que tem com os Estados Unidos, em particular se Washington preferir negociar com Londres. O principal obstáculo não é Donald Trump porque qualquer Presidente continua a manter uma ligação especial com Londres. A questão está na postura dos dirigentes europeus. 

A chefe do governo tem razão nas acusações a Bruxelas sobre as interferências eleitorais, embora muito diferente do estilo russo. Numa altura em que começa a campanha eleitoral, cujo tema principal é o Brexit, a única maneira dos responsáveis europeus se fazerem ouvir é enviarem avisos e condicionar as negociações. 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Conservadores em vantagem por causa do Brexit

A saída do Reino Unido da União Europeia é o tema principal das próximas eleições legislativas.

Os partidos políticos tentam encontrar soluções para a saída ou mesmo defendendo a manutenção para conquistarem o eleitorado. Nenhuma força partidária tem a varinha mágica, sobretudo para prever o que vai acontecer à economia, aos imigrantes e às relações políticas e comerciais com outros países. 

Na campanha para o referendo, os conservadores e os trabalhistas eram os partidos mais divididos entre o Brexit e o Remain, sendo que, os primeiros tiveram divisões no governo. A liberdade dos ministros poderem fazer campanha por qualquer um dos lados foi uma das grandes decisões de Cameron.

Um ano depois do escrutínio popular, os conservadores uniram-se em torno do que é melhor para o Reino Unido, enquanto os trabalhistas continuam divididos, não só relativamente ao Brexit, mas também à liderança de Jeremy Corbyn. 

Nos primeiros dias de campanha, percebe-se qual é a intenção do executivo, mas ninguém sabe a verdadeira posição do principal partido da oposição. Os outros partidos também definiram bem a opção. Liberais-Democratas e nacionalistas escoceses pretendem a manutenção do Reino Unido na União Europeia. 

O Partido Trabalhista vai ter que encontrar uma forma de falar a uma só voz sobre o Brexit porque qualquer descuido será aproveitado pelos meios de comunicação e a oposição. Os trabalhistas podem defender o Brexit, embora com ideias diferentes relativamente aos conservadores. Por exemplo, na imigração estão na linha da frente para lutarem pelos direitos dos cidadãos da União Europeia no Reino Unido. Isso pode ser um bom slogan para os filhos de pais "europeus" que já podem votar, mas não conquista os eleitores britânicos.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Todos ganham com a descida do desemprego

Os números do desemprego estão a diminuir, embora de uma forma lenta, tendo em conta que o governo já tem quase dois anos de mandato. 

Apesar de tudo, o trabalho realizado é positivo, mas a trajectória iniciada pelo anterior executivo tinha de ser seguida. Os níveis ainda são elevados e não parece que vão descer muito até ao final da legislatura, pelo que, a geringonça também será penalizada por não ter livrado muitas pessoas do desemprego.

Após a crise de 2011 iniciada por José Sócrates nenhum governo pode voltar a aumentar os níveis de desemprego em Portugal. Quem o fizer será fortemente julgada politicamente. 

A histeria dos partidos da direita que pretendem recolher os louros dos números também não faz sentido. Qualquer executivo tem obrigação de terminar com uma praga social que afecta Portugal há quase dez anos, sobretudo os jovens. 

O discurso partidário deveria ser virado para as pessoas que recuperam os empregos e não utilizá-los como uma vitória política porque são os portugueses que ficam a ganhar. 

O presidente da República deveria ter um papel interventivo nesta questão, como sucedeu várias vezes com Cavaco Silva, mas não é fácil alguém que pretende desestabilizar, tentar arranjar consensos.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Ano 2010: Pedro Passos Coelho chega ao poder no PSD

As eleições internas no PSD em 2010 marcam o início de uma nova era na política em Portugal. A vitória de Passos Coelho não pode ser encarado como mais um líder que chegou ao poder. A partir dessa data, Coelho ganhou três actos eleitorais no partido, sendo que, na última novamente como líder da oposição e duas eleições legislativas. Durante o percurso derrubou José Sócrates do PS e venceu António Costa, embora a história tenha mantido o antigo presidente da Câmara de Lisboa como líder socialista.
A longevidade de Coelho não tem nada a ver com a duração de Portas no CDS. O líder social-democrata apenas perdeu as eleições internas de 2008 na primeira aparição. 

O país preparava-se para eleições legislativas antecipadas por causa da crise financeira que se adivinhava. A Grécia já estava em default e os analistas previam que os próximos fossem a Irlanda e Portugal. As movimentações políticas seriam ao nível das candidaturas para a presidência da República, com Cavaco Silva a recandidatar-se contra Manuel Alegre e Fernando Nobre. 

No Reino Unido também emergia um política que só soube vencer. David Cameron ganhou as eleições gerais em Inglaterra, mas sem maioria absoluta, necessitando do apoio dos Liberais-Democratas de Nick Clegg. Cinco anos depois mais um triunfo eleitoral, embora com o poder absoluto.

No Brasil, Dilma ganhou tranquilamente, passando a ser uma presidente respeitada no país. 

Ao longo do ano alguns acontecimentos captaram a atenção de todos, como o resgate de 33 mineiros chilenos com direito a presença do Presidente do país e o polvo Paul que acertou em quase todos os resultados do Mundial 2010. O certame na África do Sul consagrou a Espanha como a melhor potência futebolística do planeta. A selecção nacional saiu sem honra nem glória, tendo terminado a obsessão por Carlos Queiroz.

sábado, 29 de abril de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

António Costa - A descida da taxa do desemprego é um bom número para a popularidade do governo. Os primeiros dois anos de acção socialista suportada pelo PCP e BE correm favoravelmente em comparação com as expectativas criadas. 


No Meio

Donald Trump - Os 100 dias de Trump na Casa Branca não são famosos. As derrotas foram mais do que as vitórias, sendo que, as principais bandeiras do presidente durante a campanha ainda não foram concretizadas por vontade de outros poderes mais fortes do que o chefe do Estado. O constante recurso às ordens executivas significa medo de pedir o parecer do Congresso e esbarra nas intenções do poder judicial. 


Em Baixo

François Hollande - O resultado da primeira volta das presidenciais francesas devem-se à má governação de Hollande. O presidente afastou a classe média e desprezou as populações com mais dificuldades. A França tem bastante fôlego a nível económico, mas continua com enormes problemas sociais como as desigualdades que estão na origem de alguns ataques terroristas. Hollande permitiu que um de dois candidatos anti-sistema seja o próximo presidente do país.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

A visita do Papa tornou-se irrelevante

A discussão política em torno da ponte concedida pelo governo no dia 12 de Maio abafa a importante visita do Papa em Portugal.

Os partidos decidiram fazer novo fait-divers sobre um tema sem qualquer interesse. A necessidade de preencher a agenda acaba por desnivelar o debate político. Mesmo que o PSD e o CDS tenham estado de acordo com a medida do executivo, e o Presidente da República também, ainda não solução que permita encerrar o assunto.

A discussão deveria ser sobre a visita do Papa e os benefícios que Portugal pode recolher sendo um destino do turismo religioso. A presença de outros chefes da Igreja Católica em Portugal tem sido uma constante, mas ainda falta fazer mais para o nosso país ser um ponto de passagem dos milhares de fieis. 

Numa altura em que a religião católica é atacada pelos muçulmanos era importante que o Francisco I deixasse uma mensagem de paz mundial entre as religiões. Também não ficava mal um encontro entre o Papa e o sheikh Mounir. Tendo em conta que Portugal é um país tolerante e aberto a outras crenças fazia sentido passar uma mensagem.

O problema é que as questões menores continuam a estar na agenda mediática e dos próprios partidos. As forças políticas deveriam efectuar um esforço no sentido de trazer ao debate mensagens importantes e terminarem com os fait-divers. 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

100 fracassos de Donald Trump

A marca histórica para avaliar o desempenho dos presidentes nem sempre é considerada importante para os ocupantes dos cargos. 

O presidente norte-americano desvaloriza a data, mas no início do mandato enumerou uma lista de prioridades para os primeiros 100 dias.

No plano interno é possível afirmar que se tratou de um grande fracasso tendo em conta as rejeições no Congresso, à excepção da nomeação de Neil Gorsuch para Presidente do Supremo Tribunal. A necessidade constante de recorrer às ordens executivas também revela desespero político. 

A nível de política externa existe uma mudança relativamente a Obama. Os Estados Unidos deixarão de tentar a via diplomática optando pela ameaça militar. Trump fez bem em traçar linhas vermelhas a Assad e a impedir um ataque surpresa da Coreia do Norte. O problema é que comprou uma guerra desnecessária com o Irão. Neste momento, também não se sabe qual será a relação com a Rússia.

A maior parte das críticas ao mandato de Trump diz respeito ao plano interno. A tentativa de mudar tudo rapidamente trouxe problemas. O presidente não contava com a força dos grupos políticos nem com o poder judicial para bloquear algumas propostas como a revogação do Obamacare e a proibição de cidadãos de sete países islâmicos viajarem para os Estados Unidos.

As reformas prometidas vão ter que esperar mais tempo porque é necessário mais negociação. Trump começa a conhecer os meandros da política. 

Neste momento, não houve qualquer alteração positiva, já que, as promessas ainda não foram cumpridas.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Impedir o Irão de quebrar o acordo nuclear

Os Estados Unidos perdem uma boa oportunidade para manter uma potência nuclear do seu lado se optarem por uma guerra diplomática com Teerão.

Não faz sentido criar mais um problema na região, sobretudo estando o regime de Damasco a ser apoiado pela Rússia.

As guerras iniciadas por Trump são piores do que a constante insistência de Obama em manter a Rússia como inimigo. Na política internacional não pode haver conflitos devido ao feitio dos presidentes. A segurança mundial é um bem que deve ser garantido entre os líderes dos países. 

Os conflitos que se desencadeiam em várias partes do mundo tem muito a ver com a necessidade dos respectivos líderes mostrarem que exercem mais poderes que os outros. As decisões de Trump em matéria de política externa visam criar uma nova imagem de poder dos Estados Unidos sobre o resto do mundo.

O envolvimento de mais um país para o denominado eixo do mal só pode correr mal a Washington, sendo que, a resposta do Irão será certamente deixar de respeitar o acordo nuclear. O maior perigo para o mundo é se Teerão volta a ter carta branca para fazer o que quiser. 

terça-feira, 25 de abril de 2017

O eterno descontentamento popular face à classe política

Após cada celebração do 25 de Abril nota-se mais o descontentamento da população face à classe política. A liberdade conquistada há 43 anos não tem sido devidamente celebrada.

Os nossos actuais governantes deviam pensar mais nas pessoas do que nos interesses partidários. Os partidos deixaram de falar para as populações, passando a reunirem-se em conclaves secretos.

O 25 de Abril também já não evoca memórias políticas de antigamente, porque os lutadores estão fora do combate, mas o principal argumento contra a falta de interesse pela data histórica é a certeza que a democracia não consegue resolver os problemas das pessoas. 

A maior parte das pessoas sente que já não faz parte de uma sociedade onde supostamente deveria imperar a democracia. Os valores de Abril deixaram de ser respeitados pela nova classe política que se preocupa mais com ambição e poder do que com servir em nome do povo.

O sentido de missão que caracterizou o serviço público passou a ser substituído pela vontade férrea de ter uma vida tranquila na administração pública.

Por estas razões, celebrar Abril já não é o mesmo que há uns anos. Nunca se pode falar em liberdade nestas actuais condições.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

A incerteza

O resultado das eleições francesas não é surpreendente, tendo em conta o momento social que a França atravessa.

Os eleitores depositaram as esperanças em dois candidatos fora do sistema político-partidário, em detrimento das opções habituais. Os partidos políticos também foram fortemente penalizados nestas eleições, pelo que, é possível afirmar que o efeito Trump já chegou à Europa.

Os dois candidatos apresentam soluções distintas, em particular na integração da França na União Europeia. O problema é que, tanto Macron como Le Pen, têm discursos vagos sem apontar numa direcção. 

O caminho que os dois pretendem trilhar não garante nada, mesmo em termos europeus. As opções de Macron podem mudar de um dia para outro porque não tem que prestar contas aos partidos nem a qualquer grupo, pelo que, será apenas penalizado em termos de popularidade se quebrar as promessas. Nem sempre é positivo quando um candidato se apresenta sem qualquer ideologia, porque parece desprovido de qualquer ideia. 

O mundo também conhece as posições de Marine Le Pen. Apesar de ser contra a actual forma de política da União Europeia, a candidata nunca terá a coragem de sair do clube europeu se conquistar o Eliseu. 

Os dois candidatos vão mudar o discurso na campanha para a segunda volta, já, que, diminuiu o risco dos partidos políticos vencerem. 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Os primeiros erros da política externa de Trump

Nas últimas semanas o Presidente Trump tem efectuado ataques contra vários países para mostrar que os Estados Unidos voltaram a ser uma força militar competente.
As ameaças do novo líder norte-americano também servem para impedir qualquer país de sair da toca, onde andou escondido durante anos, especialmente ao longo do mandato de Barack Obama.

A nova política externa norte-americana tem como base o uso da força, sem necessidade de efectuar vários avisos. 

O regime de Bashar al-Assad não teve tempo para respirar, a Coreia do Norte não pode voltar a ameaçar e o Irão dificilmente será um amigo dos Estados Unidos na região porque Trump prefere metê-los num canto do que tentar negociar. 

A Síria e a Coreia do Norte nunca tiveram oportunidade para estender a mão a Barack Obama, mas os dois foram sempre alvo de vigilância, embora tendo sempre liberdade para lançar ataques químicos e misseis nucleares. Por causa da frouxa diplomacia norte-americana, Damasco e Pyongyang podem estar à beira de tornar o mundo mais perigoso. 

A relação com o Irão é bem diferente.

Os esforços de Obama e de outros países para conterem a ameaça nuclear iraniana resultou num bom acordo para o mundo, além de poderem ter um aliado no Médio-Oriente. As relações entre os dois países começou a ser mais saudável. Se Trump conseguir destruir a boa diplomacia de Obama comete um enorme erro, transformando o Irão numa nova ameaça. 

Os recentes acontecimentos deixaram de lado as preocupações norte-americanas com a China. Neste momento, Pequim tem de ser um aliado para conter as intenções norte-coreanas.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A primeira e última oportunidade para Marine Le Pen

No próximo domingo os franceses votam para escolherem os dois candidatos que passam à segunda volta nas presidenciais.

Nos últimos dias, o fenómeno Marine Le Pen desceu nas intenções de voto, colocando em causa a passagem à derradeira eleição. Neste momento, o grande destaque em termos populares chama-se Emmanuel Macron. 

A forma como Le Pen deixou de ser a candidata mais aclamada revela que o terrorismo nem sempre consegue vencer. 

As eleições presidenciais são a última oportunidade para Le Pen conseguir passar a mensagem. Não quer dizer que a Frente Nacional termina, mas dificilmente outro líder terá tanto carisma como Marine. Qualquer resultado que não seja a vitória, mesmo passando à segunda volta, será entendido como um fracasso para a candidata e também para os nacionalismos. 

Ao contrário do que acontece em Portugal, em grande parte dos países europeus os líderes derrotados não se eternizam no poder, pelo que, a força de um partido depende essencialmente das bases e dos militantes, além do trabalho efectuado nos parlamentos. No caso da Frente Nacional, devido à popularidade da actual liderança, as fichas serão todas colocadas nesta eleição também para aproveitar o momento de instabilidade na Europa. 

Não acredito que o actual discurso consiga obter os mesmos resultados daqui a quatro ou cinco anos porque as circunstâncias e os problemas serão diferentes. 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A fraca oposição do PCP e BE

Os partidos que apoiam o governo no parlamento fariam bem em demonstrar descontentamento face ao Programa de Estabilidade e Crescimento.

Não é preciso votar contra, mas propor alternativas para não deixarem o governo fazer o que quiser. As posições de Bloco de Esquerda e do PCP são fracas porque raramente conseguem convencer o executivo. Ou seja, nenhum dos partidos tem feito o trabalho de casa. 

O pior são as críticas aos partidos da direita sempre que estão contra as medidas do governo, mostrando hipocrisia, falta de sentido democrático e coragem. Neste ponto, os comunistas são mais ruidosos que os bloquistas. 

O governo tem passeado à vontade nesta legislatura devido à falta de oposição, não só da direita, mas também dos partidos da esquerda que deveriam exigir mais ou por vezes pedem o céu e a lua.

As poucas discordâncias não chegam para impedir que a legislatura seja concluída em 2019, mas podem servir para o Partido Socialista ganhar as eleições.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Conservadores aniquilam adversários internos

A antecipação das legislativas proposta por Theresa May é uma excelente jogada política que não está relacionado apenas com a obtenção da estabilidade durante as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia. 

O propósito de May também passa por aniquilar os adversários internos, em particular o líder do Partido Trabalhista. Uma derrota de Jeremy Corbyn em Junho significa nova mudança de liderança nos trabalhistas e o regresso à estaca zero. Nos outros partido também existem possíveis sequelas. Os nacionalistas escoceses podem esquecer a realização de um segundo referendo sobre a independência da Escócia se obtiveram um mau resultado em Westminster. Por seu lado, o UKIP vai deixar de ser visto como um partido dos eurocépticos para abraçar causas internas, o que poderá ter consequências eleitorais. 

O mais importante para a chefe do governo passa por reforçar o poder dos conservadores, que dominam as sondagens. O triunfo absoluto garante a implementação de uma política para o país nos próximos anos, mantendo o que foi realizado desde 2010, mas sem a presença da União Europeia. 

Nos últimos dez anos, os conservadores reforçaram a votação, diminuindo a influência da oposição. Agora podem ficar mais livres de implementarem as políticas que quiserem porque não estão restringidos às ordens de Bruxelas.

A estratégia de May resultou com Margaret Thachter em 1983. Quase trinta anos depois pode voltar a ter sucesso.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Erdogan todo poderoso

As novas reformas constitucionais de Erdogan são uma resposta à tentativa de golpe de Estado de 2016. 

A maior segurança que o Presidente tem para conservar o poder é reforçá-lo através de um referendo que venceu. A Turquia transformou-se num Estado autoritário com as medidas aprovadas. 

O líder turco garantiu legitimidade interna e respeito externo. A comunidade internacional já não tem possibilidade de exigir mudanças porque a população votou favoravelmente às propostas de Erdogan. Os terroristas também devem sentir-se impelidos de atingirem a Turquia, sabendo que vão sofrer consequências. 

Num único acto, o Presidente abafa qualquer crítica à forma como dirige o país. A oposição fica sem meios humanos e financeiros, além de não ter qualquer apoio exterior. Como se viu no recente golpe de Estado, a comunidade internacional não emitiu qualquer condenação contra a tentativa de destituição de Erdogan. 

O único aspecto negativo da vitória presidencial é a possibilidade de se fechar a porta de entrada na União Europeia, mas, neste momento, o melhor é ficar fora do que estar dentro. As novas reformas colocam os turcos mais perto do Médio-Oriente do que da Europa.

A Turquia pode subir ao nível das outras grandes potências que concentram os poderes numa única personagem, como a Rússia e a China. 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

As barreiras colocadas pela Rússia e China às intenções norte-americanas

A tensão internacional, sobretudo entre os Estados Unidos e a Rússia é preocupante porque as divisões diplomáticas passaram para o campo militar.

Neste momento, o futuro da segurança do mundo depende do que se passar na Síria. A manutenção de Bashar al-Assad no poder não é sinónimo de estabilidade, mas a saída significa dar possibilidade aos terroristas de controlarem o país. 

As grandes potências ainda não perceberam qual é a melhor solução para a paz, pelo que, condenam tanto o regime como as forças radicais que tentam ocupar o poder. Não é por acaso que a Rússia e os Estados Unidos estão interessados na Síria. Qualquer que seja o resultado final, os dois irão manter-se naquela zona do globo através de uma forte presença militar. Os norte-americanos deixaram de estar sozinhos na condução dos destinos do Médio-Oriente. 

Por causa das questões do Médio-Oriente haverá problemas noutras zonas do globo como na Ásia devido à ameaça norte-coreana. Nesta zona, os Estados Unidos querem impor a segurança pela força, mas a oposição da China é mais um entrave à estabilidade.

Os Estados Unidos dificilmente conseguem impor a lei e ordem na Síria e na Coreia do Norte. Uma solução concertada é a melhor forma de ultrapassar as barreiras colocadas pela Rússia e China. A União Europeia poderia ser uma boa aliada, mas as divisões impedem que qualquer solução seja adoptada. 

Os velhos aliados locais também desconfiam das intenções de Trump e recuam no apoio. 

Os primeiros meses de Trump na condução da política externa mostram que a diplomacia de Obama foi substituída pelas ameaças militares. 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Medidas extraordinárias terminam com festejos do governo

A utilização de medidas extraordinárias para reduzir o défice não é exclusiva deste governo e será sempre a prática no futuro. 

O problema que se coloca nos números apresentados pelo governo também não é a confissão que se utilizaram medidas adicionais.

A retórica do governo só incide sobre boas notícias, faltando seriedade na forma como consegue obter resultados. A maneira como foram apresentados os números com pompa e circunstância mostram que é mais importante passar a mensagem que o rigor. Não se pode dizer que atingir o valor mínimo do défice seja uma vitória. Recorde-se que o executivo anterior não se vangloriou pela saída da troika de Portugal. 

Os tempos em que as medidas eram divulgadas com bastantes festejos e depois havia sempre alguma situação que não batia certo estão de volta.

O cumprimento das obrigações provenientes de Bruxelas nunca serão vistas como uma vitória, mas como uma exigência. 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Autárquicas sem interesse

As próximas eleições autárquicas correm o risco de serem desinteressantes. 

A falta de emoção nas campanhas para Lisboa e Porto reduzem a luta autárquica a uma questão de saber quem fica mais fragilizado depois do acto eleitoral. O interesse não está nas campanhas locais, mas nas ilações nacionais que se vão tirar do resultado.

A certeza que Passos Coelho não se demite se sofrer uma derrota e se candidata a líder do partido em 2018 impossibilita António Costa de festejar. Isto é, dificilmente haverão derrotas assumidas após a noite eleitoral.

O ano político em 2018 vai ser bem mais interessante por causa de eventuais disputas nas lideranças do PSD e CDS do que propriamente as autárquicas. A maior parte dos Presidentes e vereadores ainda pode cumprir mais um mandato, como acontecem nas principais capitais de distrito. 

Não é só o PSD que não joga forte nestas eleições. Os socialistas também pretendem guardar as munições para conquistar a maioria absoluta em 2019. 

O cenário em causa era uma boa oportunidade para o CDS e o Bloco de Esquerda reforçarem a presença autárquica e mostrarem mais e melhor trabalho a nível local. Isso poderia ajudar a conquistar mais eleitores. 

sábado, 8 de abril de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Donald Trump - O presidente norte-americano avançou com um ataque contra bases militares sírias como resposta à ofensiva química por parte do regime de Assad a civis. Trump não permitiu que Damasco ultrapassasse as linhas vermelhas, como aconteceu no mandato de Obama. A partir de agora, Assad sabe que não pode pisar o risco senão leva com mais bombardeamentos. Também ficou provado que o Presidente dos Estados Unidos não gosta do líder sírio.

No Meio

Rússia -  Moscovo tem de decidir de que lado fica. Não pode permitir violações dos direitos humanos por parte de Damasco, mesmo que o apoie na guerra contra o terrorismo. A verdade é que a liquidação do Estado Islâmico tem de ser um objectivo comum, enquanto a defesa de Assad nunca será consensual. A posição dúbia da Rússia não facilita a derrota do terrorismo.

Em Baixo

Bashar al-Assad - O regime sírio decidiu atacar inocentes com armas químicas. O problema mais grave, além das violações dos direitos humanos, é saber a quantidade de arsenal que pode estar nas mãos dos terroristas sem Assad e o resto do mundo terem conhecimento. 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Um país em pedaços

A Síria vai-se tornar num país em pedaços dividido por várias regiões com diferentes domínios territoriais.

O ataque norte-americano a alvos militares sírios é uma afronta ao regime de Bashar al-Assad. Afinal, Trump mantém a mesma política de Obama relativamente ao ditador. O problema é que a diminuição da força de Assad aumenta a influência do Estado Islâmico continuar a jihad contra os países ocidentais.

A história jamais conhecerá outro conflito sem qualquer vencedor. Todos ficam a perder porque a divisão da Síria é um problema para o Médio-Oriente, mas também para alguns países europeus que terão de aguentar milhares de refugiados durante anos.

O envolvimento externo no país foi um erro. Os Estados Unidos, a Rússia e a Turquia deveriam ter ficado fora da primavera árabe. No entanto, estando envolvidos não podem sair em qualquer altura.

A defesa dos direitos humanos e a destruição dos terroristas tem de ser salvaguardada, mas pelas forças locais.

O conflito diplomático entre Washington e Moscovo na Síria também acaba com as esperanças de Putin e Trump reatarem relações. Não é possível haver cachimbo da paz com acusações mútuas. 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Confusão dentro da Casa Branca

A Administração Trump continua a sofrer golpes importantes e nem sequer se completaram três meses e mandato.

A tentativa de saída de Steve Bannon é mais uma má notícia que origina especulações pouco favoráveis ao Presidente. 

O problema não é saber se houve uma tentativa de saída, mas porque continuam a sair notícias comprometedoras para Donald Trump. 

As principais medidas não conseguiram ser implementadas, a família parece que manda na Casa Branca e alguns elementos da administração já foram envolvidos em polémicas bem aproveitadas pela imprensa. A culpa não pode ser só dos críticos de Trump.

A palavra mais adequada para definir o ambiente na Casa Branca é instabilidade. Não há qualquer sinal de segurança transmitido de dentro para fora. Trump é incapaz de apagar os fogos criados por pessoas do staff. 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Quando sai o dirigente europeu com o nome esquisito?

As declarações do presidente do Eurogrupo sobre os países do Sul da Europa continuam a gerar revolta por parte de alguns dirigentes nacionais.

Também no círculo europeu as pressões costumam dar resultados. Pelo menos, essa é a estratégia do primeiro-ministro e certamente do Presidente da República. O problema é que as vozes portuguesas não podem ficar sozinhas no pedido de demissão ao ex-ministro holandês. Tem de haver uma união de esforços para Jerome sair a bem.

A política também se faz deste tipo de situações. Seria bom para Portugal ser o principal responsável da demissão de Dijsselbloem porque significava uma vitória dos países atingidos por aquelas frases. No entanto, a acção portuguesa tem de ser mais visível e não pode apenas cingir-se a um pedido de demissão. 

As desculpas do líder do Eurogrupo ficam bem na fotografia, embora sejam para despachar e tentar encerrar o assunto. O governo português tem de saber gerir o dossier sem criar um fait-diver para distrair a opinião pública. 

terça-feira, 4 de abril de 2017

O problema da globalização do terrorismo

A ameaça que o mundo livre enfrenta não é apenas a do Estado Islâmico. Os vários grupos radicais ou guerrilhas perceberam que podem atacar os governos através de acções terroristas de modo a provocar o medo, a confusão e a revolta popular contra os executivos. 

Os grupos perceberam que podem fazê-lo quando e onde quiserem, já que, não é difícil subir um passeio cheio de pessoas num carro ou numa mota. 

A atenção dos meios de comunicação social que transmitem a mensagem política com enorme terror também é um ganho dos terroristas. Os efeitos pretendidos não é apenas aniquilar o maior número de pessoas, mas também causar medo em tantas outras. 

O mundo Ocidental tem tido um comportamento errado porque está focado unicamente nas acções do Estado Islâmico, esquecendo a quantidade de situações, como a da Rússia, favorecendo o crescimento de outras células. 

Na minha opinião não estamos apenas num guerra ideológico ou confronto de civilizações. Os países mais fortes possuem máquinas de guerra para destruir os pequenos grupos, cuja única resposta com efeito passa por chegar aos países e colocar bombas em locais estratégicos. 

quinta-feira, 30 de março de 2017

Ano 2009: Figo arruma as botas e CR7 torna-se galáctico

No futebol sempre houve grandes acontecimentos e o ano de 2009 não foi excepção. 

As duas grandes figuras do nosso desporto-rei, além de Eusébio estiveram em destaque por duas razões distintas. 

A primeira por ter terminado a carreira e a segunda por ter dado um passo importante rumo a uma carreira brilhante. 

Luís Figo pendurou as chuteiras em 2009 depois de vários anos ao serviço do Inter de Milão. O Bola de Ouro conquistou o mundo do futebol, sobretudo Espanha onde actuou ao serviço do Barcelona e Real Madrid. O jogador protagonizou uma transferência que provocou inimizades entre os dois maiores clubes espanhóis e alimentou a imprensa durante anos. Figo também protagonizou uma grande carreira ao serviço da selecção nacional, mas não ganhou qualquer título. Em 2004 esteve perto de conseguir o objectivo.

A transferência de Cristiano Ronaldo do Manchester United para o Real Madrid foi o início de uma carreira brilhante para o madeirense. O valor de 94 milhões é um recorde mundial e beneficiou o jogador por ter coleccionado vários títulos individuais, As conquistas individuais são mais que os troféus conquistados pelo Real Madrid. Se somarmos tudo, CR7 tem espaço para colocar tudo no museu. 

quarta-feira, 29 de março de 2017

Brexit para sempre

A declaração de Theresa May sobre a impossibilidade do Reino Unido regressar à União Europeia é a principal mensagem do início das negociações entre os dois blocos.

Não faz sentido pensar-se num regresso numa altura em que nem sequer se processou a saída. Theresa May fechou a porta à esperança dos dirigentes europeus em voltarem a contar com o Reino Unido. 

A União Europeia tem de viver sem o Reino Unido e passar a competir no mesmo espaço comercial, político e económico. Não pode haver amizades especiais ou relações bilaterais porque os britânicos pretendem tornar-se numa potência aproveitando as várias debilidades da União a 27. 

A mensagem da primeira-ministra foi bem clara, apesar de algumas notas circunstanciais, mas todos sabem que cada um vai trilhar o próprio caminho. 

O sentimento de derrota dos dirigentes europeus expresso desde a vitória do Brexit também será responsável por separar os caminhos.  

A saída do mercado comum e o controlo das fronteiras são dois aspectos essenciais para o Reino Unido seguir em frente e deixar a União Europeia à beira de um ataque de nervos, já que, se tratam de duas questões essenciais da coesão europeia. O clube europeu dificilmente vai impor ordens a Londres. 

O mais curioso nesta saída é a enorme vontade do Reino Unido se tornar melhor sem estar agarrado às imposições de Bruxelas. O discurso de May revela alívio. 

terça-feira, 28 de março de 2017

Ano 2009: Nasceu mais um canal de informação em Portugal

A informação em Portugal sempre foi tratada como um aspecto prioritário pela televisão pública, e também nas estações privadas.

O primeiro canal dedicado inteiramente às notícias nasceu em 2001 pela mão da SIC. A SIC Notícias deu um novo impulso ao mercado televisivo, criando um espaço diário para todo o tipo de informação.

As duas concorrentes não quiseram ficar para trás e copiaram o modelo iniciado pela estação de Carnaxide. 

A RTP criou a RTPinformação, agora RTP3 e a TVI24 teve início em 2009. O mais interessante é que nenhum dos novos canais se distinguiu pela inovação, diferença de conteúdos ou objectivos distintos. 

O grande problema dos canais de notícias não são a qualidade, mas a falta de novos produtos. Todos apostam no comentário político diário, nos mesmos exclusivos e programas e os comentadores saltam de cadeira consoante as audiências. 

A luta pelas audiências é a principal razão para o mercado televisivo se ter resumido apenas a três canais noticiosos. 

segunda-feira, 27 de março de 2017

União sem alterações profundas e com pouca força no exterior

O aniversário dos 60 anos do Tratado de Roma foi celebrado com a promessa de mais união e solidariedade entre a classe dirigente e os cidadãos europeus. 

As intenções continuam a ser as mesmas, apesar de na prática não existirem mudanças. A desconfiança gerada em torno das actuais políticas já não corre o risco de ficar sem voz porque apareceram novas forças com capacidade para "agarrar" o descontentamento das populações. 

Não acredito em mudanças nem em maior solidariedade com os actuais dirigentes. A forma como reagiram ao Brexit revela mau perder e falta de vontade de encontrar uma solução global. Talvez o resultado das eleições francesas e alemãs consigam alterar mentalidades e posturas, sendo que, a eleição de Marine Le Pen e a redução da força política de Merkel possam contribuir para alguns dirigentes saírem de cena. 

Os países com menos força também precisam de se unir mais e não actuarem sozinhos. Os blocos regionais deveriam exercer mais pressão sobre as instituições europeias porque já não se pode defender apenas um país, mas é necessário ter em conta os interesses de uma região.

Os problemas internos devem ser uma prioridade, mas também é preciso ter em conta a falta de força externa da União Europeia, agravada com a saída do Reino Unido da União Europeia. Os britânicos vão ser os principais concorrentes da União Europeia em várias matérias, tendo dado um passo à frente no reconhecimento e legitimidade de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos. 

O melhor contributo que se pode dar para o fortalecimento da união política, a coesão social, o crescimento económico e o progresso tecnológico dentro do espaço europeu não passa pela assinatura de mais um tratado.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Ano 2009: A crise da Zona Euro começou com a queda do Lehman Brothers

A queda do Lehman Brothers aconteceu em 2008, mas os verdadeiros efeitos da crise começaram a surgir um ano depois.

Os Estados Unidos e a Europa foram os continentes mais afectados. Barack Obama entrou na Casa Branca no início dos problemas, tendo feito um bom trabalho no plano económico.

A recuperação financeira nos Estados Unidos não teve efeitos na Europa. Alguns países sofreram bastante com o que se passou do outro lado do Atlântico, mas também houve erros próprios.

Os países mais afectados foram o Reino Unido, Espanha, além dos três que tiveram de pedir assistência financeira ao FMI. A Grécia deu o primeiro passo, seguido da Irlanda, enquanto Portugal só se apercebeu dos problemas em 2011. 

A crise na zona Euro acabou por ser mais profunda e com consequências sociais bastante graves. Também houve mudanças políticas resultantes das opções tomadas. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

A Rússia e o sistema de saúde são batalhas perdidas por Trump

O presidente norte-americano vai ter que deixar cair dois aspectos do projecto político. A aliança com a Rússia e o novo sistema de saúde. 

As confirmações das agências de segurança sobre as ligações de Trump aos russos na recente campanha eleitoral é o maior problema político. A partir deste momento, não há mais condições para estabelecer relações privilegiadas com Moscovo porque a ideia que transparece é de Putin ter Trump na mão. 

A única saída para o Chefe do Estado norte-americano é escolher um novo amigo externo. As relações com a Rússia podem ser diferentes do que aconteceu no mandato de Obama, mas já não pode haver contacto especial.

Nunca se vai saber a verdade total sobre a relação do empresário com Moscovo. O problema é que a opinião pública e publicada já está a ser contaminada, pelo que, a única forma de Trump continuar em alta passa por tratar a Rússia como um parceiro igual aos outros.

A revogação do Obamacare também é uma batalha perdida para Trump. A forma como ameaçou os congressistas republicanos é mais um sinal de autoritarismo. As posições adoptadas confirmam que o Congresso vai ser o principal opositor do Presidente. Mesmo que o Obamacare seja revogado, também não há certeza que o novo sistema de saúde seja aprovado. 

O líder norte-americano enfrenta inúmeros desafios nos primeiros meses de mandato. Não haverá cheques em branco, apesar da maioria republicana na Câmara dos Representantes e no Senado, que não gosta de ser ameaçada.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Duas atitudes diferentes

As polémicas declarações do presidente do Eurogrupo, cujo nome não arrisco a escrever, provocaram reacções fortes nos países atingidos. Ou seja, no Sul da Europa, sendo que, Portugal já reagiu através do primeiro-ministro e do Presidente da República.

Os dois representantes portugueses fazem em defender os interesses nacionais, já que, Portugal não pode continuar a ser humilhado nas instituições europeias. A frase do líder do Eurogrupo mostra que existe duas atitudes diferentes sempre que o assunto diz respeito a países mais fracos.

Os líderes europeus não podem continuar a criar divisões internas e externas para proteger os interesses da União Europeia. As constantes interferências nos actos eleitorais em cada país é um sinal de desespero, que se começou a verificar desde a vitória do Brexit em Junho de 2016.

Apesar de Costa e Marcelo não estarem a realizar um bom trabalho, os dois têm sido importantes na defesa do nome de Portugal dentro da União Europeia.

O que me espanta é teimosia de alguns dirigentes face às mudanças políticas que acontecem também por desnorte em termos de declarações e atitudes.

terça-feira, 21 de março de 2017

Especial 10º aniversário: Mudanças na Música

A música é uma das formas de expressão artística mais versátil, não só a nível dos géneros musicais diversos (que permitem diferentes tipos de expressões) mas também a nível da sua comunicação e partilha (cada vez mais digital). 

O mundo actual actua cada vez mais a nível digital, permitindo por um lado a facilitação ao acesso dos álbuns e temas, e por outro lado, despoleta uma crescente procura pelo contacto directo com quem nos inspira, nos traz bons sentimentos, momentos de diversão e sobretudo, de ausência de "stress". Este cenário é interessante desde que exista a valorização dos profissionais e das obras. Ainda que se verifique uma tendência positiva a este nível (o Consumidor está um pouco mais sensibilizado para a questão da sustentabilidade da actividade artística, disponibilizando-se a pagar pelos espectáculos e pelas peças, em formato cada vez mais digital, e ainda na forma de CD, entre outras), ainda estamos longe chegar a uma consciência global sobre este aspecto. 
  
No seguimento de uma sociedade robotizada, exigente e egoísta, o Ser Humano procura momentos em que se possa ligar a algo positivo, que lhe traga alegria e que o faça esquecer um pouco a rotina, as correrias, os problemas que surgem no dia a dia. Desta forma, os concertos têm sido cada vez mais o ponto de encontro entre o artista e os seus fãs (ou potenciais fãs), no qual existe a partilha directa da música, e de todo o significado que a mesma implica. 

A música é cada vez mais uma companhia, uma terapia para quem a faz e para quem a ouve. Não tem barreiras, não tem estatuto, não há preconceitos (ou pelo menos, há cada vez menos). E é assim que deve ser. Liberdade e respeito porque actua e cria, e por quem escuta e recebe.

Texto de Sofia Hoffmann

Jobs for the family

O presidente norte-americano prometeu transparência em Washington ao acabar com a política de interesses entre os vários sectores da sociedade. 

Os primeiros passos estão a ser dados no sentido contrário com a nomeação de familiares para cargos dentro da administração e na Casa Branca. 

Os sinais são preocupantes porque contrariam a limpeza anunciada por Donald Trump. Não era isso que as pessoas esperavam do novo Chefe do Estado. A promessa de mais empregos afinal tem de esperar mais tempo porque a prioridade passa por colocar os genros e a filha em lugares de destaque. 

O tema merece ser analisado porque durante um ano o discurso era no sentido de dar oportunidades a todos, mas parece que os familiares podem passar por cima do cidadão comum.

Parece que as mudanças não se vão concretizar e nalgumas situações a tendência é para piorar, como no acesso da família do presidente a assuntos do Estado. 

Trump não consegue arranjar emprego para os familiares no partido porque tem pouca influência no seio dos republicanos, mas pretende mais ouvidos e olhos para saber o que se passa em Washington. Qualquer semelhança com Frank Underwood da série House of Cards parece ser apenas coincidência.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Apostas fortes, mas perdedoras do CDS e PSD para Lisboa

As candidaturas de Assunção Cristas e Teresa Leal Coelho à Câmara Municipal de Lisboa por parte do CDS e do PSD são apostas fortes, mas claramente perdedoras nas próximas eleições. A dirigente social-democrata tem possibilidade de vir a ser presidente se continuar como vereadora e não ambicionar um lugar no governo caso o PSD volte ao poder em 2019.

As duas concorrentes são competentes e trazem novas ideias à política portuguesa, além de elevarem o nível do debate. O problema é que nenhuma delas se vai candidatar a Lisboa com o coração na capital. A líder centrista pretende tomar o pulso ao eleitorado antes de novo teste em congresso e a social-democrata é apenas uma solução temporária. 

Perante as adversárias principais, Fernando Medina só tem de continuar a fazer obras por toda a cidade. O autarca escolheu muito bem timing para dar um novo look a Lisboa, mas não precisava de ter pressa, porque não tem ninguém à altura para discutir o cargo. Aos poucos o PSD e CDS vão perdendo eleitorado na cidade. 

A verdade é que os últimos presidentes socialistas colocaram Lisboa no mapa, aumentando a visibilidade, trazendo turistas e investidores estrangeiros. A economia cresceu bastante nos últimos dois anos, sobretudo ao nível do pequeno comércio. 

Não acredito que haja forma de contrariar a obra realizada pelo socialista, pelo que, CDS e PSD não quiseram jogar forte, queimando candidaturas importantes, porque ainda faltam dois anos para as legislativas, embora um mau resultado seja preocupante para a defesa das lideranças de Passos Coelho e Cristas em 2018.

sábado, 18 de março de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Mark Rutte - O primeiro-ministro voltou a ganhar as eleições, tendo ficado bastante à frente do antigo parceiro de coligação. Rutte tem possibilidades de fazer nova coligação para assegurar estabilidade governativa e controlar os populistas do PVV, bem como manter o PvdA em baixa.


No Meio

União Europeia - Os responsáveis europeus ficaram contentes com o resultado eleitoral. O primeiro fantasma está ultrapassado, mas o grande desafio é nas eleições presidenciais em Abril. O problema para os líderes da Europa é o número de vezes que irão ter que alertar as populações de cada país. 

Em Baixo

Geert Wilders -  O partido liderado por Wilders ficou em segundo com mais cinco deputados que a legislatura anterior. O problema é que o PVV vai ter que ficar na oposição, já que, o VVD anunciou que não tem intenção de se coligar com populistas. O crescimento do sentimento nacionalista é evidente, mas na oposição Wilders tem que ter outro comportamento, sendo obrigado a concordar com as medidas do governo. A manutenção da actual mensagem política pode ser um erro a pagar nas próximas legislativas.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Uma oportunidade perdida para a justiça portuguesa

A justiça portuguesa teve uma oportunidade de ouro para voltar a se credibilizar junto da opinião pública com a Operação Marquês.

O processo judicial que envolve José Sócrates poderia ser um excelente momento para os agentes da justiça mostrarem capacidade de actuação em tempo útil e que ninguém está acima da lei. Não se trata de fazer do ex-primeiro-ministro um exemplo, mas de garantir que a justiça continua ao serviço de todos. 

Desde finais de 2014 que o país assiste a uma guerra jurídica e não só entre as duas partes. O mais engraçado é que Sócrates caminha livremente para a absolvição depois de ter estado preso preventivamente, mas se o objectivo do Ministério Público era condená-lo na praça pública conseguiu os intentos. O problema é que se o ex-chefe do governo não passa um dia na prisão parece que se tratou de uma situação encenada, alterando rapidamente a opinião da vox populi.

No plano comunicacional, Sócrates também vence todos os dias porque a mensagem que passa é de um complot jurídico e político. 

A investigação necessita de mais tempo, mas os sucessivos adiamentos são mais um motivo para o socialista fazer barulho e colocar-se no papel de vítima, como acontecia durante o exercício de primeiro-ministro. 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Quatro avisos importantes do acto eleitoral holandês

Os primeiros resultados do escrutínio holandês mostram que a Europa livrou-se do primeiro problema, embora seja necessário pensar nalgumas lições. 

A primeira é que os movimentos populistas continuam com peso dentro do espaço europeu, não sendo possível bani-los do mapa político.O grande erro dos responsáveis europeus tem sido a falta de cultura democrática em não aceitarem posições diferentes. No plano nacional compreende-se os discursos eleitoralistas, mas a nível europeu não se entendem algumas mensagens políticas. 

A Europa não pode continuar a rejeitar as alterações, nem ignorar a actual realidade partidária, e muito menos, meter-se em assuntos do foro nacional. 

O mau resultado do partido de Geert Wilders pode ter sido um alívio, mas a estrondosa derrota dos socialistas significa que o modelo social construído durante anos na Europa está completamente falido. Isto é uma preocupação porque os partidos políticos que deveriam optar por políticas sociais não têm respostas para os problemas dos cidadãos, sendo substituídas por outras forças ditas populistas. 

A maioria dos governos também não consegue alcançar maiorias parlamentares, estando dependentes de coligações cuja duração será sempre incerta. As decisões dificilmente voltarão a ser tomadas sozinhas, diminuindo o poder de Bruxelas sobre as lideranças nacionais. 

As quatro lições resultantes do acto eleitoral holandês terão reflexos nas presidenciais em França porque o que está em jogo é praticamente a mesma coisa. 

quarta-feira, 15 de março de 2017

O primeiro teste do ano para a coesão europeia

As eleições holandesas são o primeiro teste para a coesão europeia. Durante o ano ainda haverão actos eleitorais em França, Itália e Alemanha. 

Os resultados nos Países Baixos emitirão dois sinais importantes. O primeiro é a manutenção do poder nas mãos dos partidos tradicionais, em particular dos sociais-democratas. Caso o PVdA ou o VVD não consigam uma boa votação significa a desconfiança relativamente às forças partidárias tradicionais, bem como da falta de soluções apresentadas pelo centro. O segundo sinal tem a ver com a transferência da confiança dos eleitores para partidos mais radicais. O tema tem sido debatido desde a eleição de Trump, mas parece que a Europa vai ter que se acostumar aos novos grupos.

O sentimento anti-imigração começa a ter expressão nos actos eleitorais, o que não acontecia há alguns anos. Contudo, as forças foram crescendo e ganhando popularidade por causa dos problemas que a Europa teve de enfrentar nos últimos anos. As promessas dos actuais dirigentes foram ofuscadas por acções concretas como se viu no Brexit. 

As pessoas deixaram de esperar pelo prometido, tendo a certeza que algumas alternativas serão mesmo efectivadas. 

Nos países que terão eleições, haverá aumento significativo das forças nacionalistas, sendo que, em França, Marine Le Pen poderá mesmo ganhar o acto eleitoral. 

O mais interessante será perceber se os responsáveis europeus terão uma reacção mais negativa do que o vencedor das eleições na Holanda, ao provável segundo lugar do partido liderado por Geert Wilders. 
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