sexta-feira, 21 de abril de 2017

Os primeiros erros da política externa de Trump

Nas últimas semanas o Presidente Trump tem efectuado ataques contra vários países para mostrar que os Estados Unidos voltaram a ser uma força militar competente.
As ameaças do novo líder norte-americano também servem para impedir qualquer país de sair da toca, onde andou escondido durante anos, especialmente ao longo do mandato de Barack Obama.

A nova política externa norte-americana tem como base o uso da força, sem necessidade de efectuar vários avisos. 

O regime de Bashar al-Assad não teve tempo para respirar, a Coreia do Norte não pode voltar a ameaçar e o Irão dificilmente será um amigo dos Estados Unidos na região porque Trump prefere metê-los num canto do que tentar negociar. 

A Síria e a Coreia do Norte nunca tiveram oportunidade para estender a mão a Barack Obama, mas os dois foram sempre alvo de vigilância, embora tendo sempre liberdade para lançar ataques químicos e misseis nucleares. Por causa da frouxa diplomacia norte-americana, Damasco e Pyongyang podem estar à beira de tornar o mundo mais perigoso. 

A relação com o Irão é bem diferente.

Os esforços de Obama e de outros países para conterem a ameaça nuclear iraniana resultou num bom acordo para o mundo, além de poderem ter um aliado no Médio-Oriente. As relações entre os dois países começou a ser mais saudável. Se Trump conseguir destruir a boa diplomacia de Obama comete um enorme erro, transformando o Irão numa nova ameaça. 

Os recentes acontecimentos deixaram de lado as preocupações norte-americanas com a China. Neste momento, Pequim tem de ser um aliado para conter as intenções norte-coreanas.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A primeira e última oportunidade para Marine Le Pen

No próximo domingo os franceses votam para escolherem os dois candidatos que passam à segunda volta nas presidenciais.

Nos últimos dias, o fenómeno Marine Le Pen desceu nas intenções de voto, colocando em causa a passagem à derradeira eleição. Neste momento, o grande destaque em termos populares chama-se Emmanuel Macron. 

A forma como Le Pen deixou de ser a candidata mais aclamada revela que o terrorismo nem sempre consegue vencer. 

As eleições presidenciais são a última oportunidade para Le Pen conseguir passar a mensagem. Não quer dizer que a Frente Nacional termina, mas dificilmente outro líder terá tanto carisma como Marine. Qualquer resultado que não seja a vitória, mesmo passando à segunda volta, será entendido como um fracasso para a candidata e também para os nacionalismos. 

Ao contrário do que acontece em Portugal, em grande parte dos países europeus os líderes derrotados não se eternizam no poder, pelo que, a força de um partido depende essencialmente das bases e dos militantes, além do trabalho efectuado nos parlamentos. No caso da Frente Nacional, devido à popularidade da actual liderança, as fichas serão todas colocadas nesta eleição também para aproveitar o momento de instabilidade na Europa. 

Não acredito que o actual discurso consiga obter os mesmos resultados daqui a quatro ou cinco anos porque as circunstâncias e os problemas serão diferentes. 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A fraca oposição do PCP e BE

Os partidos que apoiam o governo no parlamento fariam bem em demonstrar descontentamento face ao Programa de Estabilidade e Crescimento.

Não é preciso votar contra, mas propor alternativas para não deixarem o governo fazer o que quiser. As posições de Bloco de Esquerda e do PCP são fracas porque raramente conseguem convencer o executivo. Ou seja, nenhum dos partidos tem feito o trabalho de casa. 

O pior são as críticas aos partidos da direita sempre que estão contra as medidas do governo, mostrando hipocrisia, falta de sentido democrático e coragem. Neste ponto, os comunistas são mais ruidosos que os bloquistas. 

O governo tem passeado à vontade nesta legislatura devido à falta de oposição, não só da direita, mas também dos partidos da esquerda que deveriam exigir mais ou por vezes pedem o céu e a lua.

As poucas discordâncias não chegam para impedir que a legislatura seja concluída em 2019, mas podem servir para o Partido Socialista ganhar as eleições.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Conservadores aniquilam adversários internos

A antecipação das legislativas proposta por Theresa May é uma excelente jogada política que não está relacionado apenas com a obtenção da estabilidade durante as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia. 

O propósito de May também passa por aniquilar os adversários internos, em particular o líder do Partido Trabalhista. Uma derrota de Jeremy Corbyn em Junho significa nova mudança de liderança nos trabalhistas e o regresso à estaca zero. Nos outros partido também existem possíveis sequelas. Os nacionalistas escoceses podem esquecer a realização de um segundo referendo sobre a independência da Escócia se obtiveram um mau resultado em Westminster. Por seu lado, o UKIP vai deixar de ser visto como um partido dos eurocépticos para abraçar causas internas, o que poderá ter consequências eleitorais. 

O mais importante para a chefe do governo passa por reforçar o poder dos conservadores, que dominam as sondagens. O triunfo absoluto garante a implementação de uma política para o país nos próximos anos, mantendo o que foi realizado desde 2010, mas sem a presença da União Europeia. 

Nos últimos dez anos, os conservadores reforçaram a votação, diminuindo a influência da oposição. Agora podem ficar mais livres de implementarem as políticas que quiserem porque não estão restringidos às ordens de Bruxelas.

A estratégia de May resultou com Margaret Thachter em 1983. Quase trinta anos depois pode voltar a ter sucesso.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Erdogan todo poderoso

As novas reformas constitucionais de Erdogan são uma resposta à tentativa de golpe de Estado de 2016. 

A maior segurança que o Presidente tem para conservar o poder é reforçá-lo através de um referendo que venceu. A Turquia transformou-se num Estado autoritário com as medidas aprovadas. 

O líder turco garantiu legitimidade interna e respeito externo. A comunidade internacional já não tem possibilidade de exigir mudanças porque a população votou favoravelmente às propostas de Erdogan. Os terroristas também devem sentir-se impelidos de atingirem a Turquia, sabendo que vão sofrer consequências. 

Num único acto, o Presidente abafa qualquer crítica à forma como dirige o país. A oposição fica sem meios humanos e financeiros, além de não ter qualquer apoio exterior. Como se viu no recente golpe de Estado, a comunidade internacional não emitiu qualquer condenação contra a tentativa de destituição de Erdogan. 

O único aspecto negativo da vitória presidencial é a possibilidade de se fechar a porta de entrada na União Europeia, mas, neste momento, o melhor é ficar fora do que estar dentro. As novas reformas colocam os turcos mais perto do Médio-Oriente do que da Europa.

A Turquia pode subir ao nível das outras grandes potências que concentram os poderes numa única personagem, como a Rússia e a China. 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

As barreiras colocadas pela Rússia e China às intenções norte-americanas

A tensão internacional, sobretudo entre os Estados Unidos e a Rússia é preocupante porque as divisões diplomáticas passaram para o campo militar.

Neste momento, o futuro da segurança do mundo depende do que se passar na Síria. A manutenção de Bashar al-Assad no poder não é sinónimo de estabilidade, mas a saída significa dar possibilidade aos terroristas de controlarem o país. 

As grandes potências ainda não perceberam qual é a melhor solução para a paz, pelo que, condenam tanto o regime como as forças radicais que tentam ocupar o poder. Não é por acaso que a Rússia e os Estados Unidos estão interessados na Síria. Qualquer que seja o resultado final, os dois irão manter-se naquela zona do globo através de uma forte presença militar. Os norte-americanos deixaram de estar sozinhos na condução dos destinos do Médio-Oriente. 

Por causa das questões do Médio-Oriente haverá problemas noutras zonas do globo como na Ásia devido à ameaça norte-coreana. Nesta zona, os Estados Unidos querem impor a segurança pela força, mas a oposição da China é mais um entrave à estabilidade.

Os Estados Unidos dificilmente conseguem impor a lei e ordem na Síria e na Coreia do Norte. Uma solução concertada é a melhor forma de ultrapassar as barreiras colocadas pela Rússia e China. A União Europeia poderia ser uma boa aliada, mas as divisões impedem que qualquer solução seja adoptada. 

Os velhos aliados locais também desconfiam das intenções de Trump e recuam no apoio. 

Os primeiros meses de Trump na condução da política externa mostram que a diplomacia de Obama foi substituída pelas ameaças militares. 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Medidas extraordinárias terminam com festejos do governo

A utilização de medidas extraordinárias para reduzir o défice não é exclusiva deste governo e será sempre a prática no futuro. 

O problema que se coloca nos números apresentados pelo governo também não é a confissão que se utilizaram medidas adicionais.

A retórica do governo só incide sobre boas notícias, faltando seriedade na forma como consegue obter resultados. A maneira como foram apresentados os números com pompa e circunstância mostram que é mais importante passar a mensagem que o rigor. Não se pode dizer que atingir o valor mínimo do défice seja uma vitória. Recorde-se que o executivo anterior não se vangloriou pela saída da troika de Portugal. 

Os tempos em que as medidas eram divulgadas com bastantes festejos e depois havia sempre alguma situação que não batia certo estão de volta.

O cumprimento das obrigações provenientes de Bruxelas nunca serão vistas como uma vitória, mas como uma exigência. 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Autárquicas sem interesse

As próximas eleições autárquicas correm o risco de serem desinteressantes. 

A falta de emoção nas campanhas para Lisboa e Porto reduzem a luta autárquica a uma questão de saber quem fica mais fragilizado depois do acto eleitoral. O interesse não está nas campanhas locais, mas nas ilações nacionais que se vão tirar do resultado.

A certeza que Passos Coelho não se demite se sofrer uma derrota e se candidata a líder do partido em 2018 impossibilita António Costa de festejar. Isto é, dificilmente haverão derrotas assumidas após a noite eleitoral.

O ano político em 2018 vai ser bem mais interessante por causa de eventuais disputas nas lideranças do PSD e CDS do que propriamente as autárquicas. A maior parte dos Presidentes e vereadores ainda pode cumprir mais um mandato, como acontecem nas principais capitais de distrito. 

Não é só o PSD que não joga forte nestas eleições. Os socialistas também pretendem guardar as munições para conquistar a maioria absoluta em 2019. 

O cenário em causa era uma boa oportunidade para o CDS e o Bloco de Esquerda reforçarem a presença autárquica e mostrarem mais e melhor trabalho a nível local. Isso poderia ajudar a conquistar mais eleitores. 

sábado, 8 de abril de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Donald Trump - O presidente norte-americano avançou com um ataque contra bases militares sírias como resposta à ofensiva química por parte do regime de Assad a civis. Trump não permitiu que Damasco ultrapassasse as linhas vermelhas, como aconteceu no mandato de Obama. A partir de agora, Assad sabe que não pode pisar o risco senão leva com mais bombardeamentos. Também ficou provado que o Presidente dos Estados Unidos não gosta do líder sírio.

No Meio

Rússia -  Moscovo tem de decidir de que lado fica. Não pode permitir violações dos direitos humanos por parte de Damasco, mesmo que o apoie na guerra contra o terrorismo. A verdade é que a liquidação do Estado Islâmico tem de ser um objectivo comum, enquanto a defesa de Assad nunca será consensual. A posição dúbia da Rússia não facilita a derrota do terrorismo.

Em Baixo

Bashar al-Assad - O regime sírio decidiu atacar inocentes com armas químicas. O problema mais grave, além das violações dos direitos humanos, é saber a quantidade de arsenal que pode estar nas mãos dos terroristas sem Assad e o resto do mundo terem conhecimento. 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Um país em pedaços

A Síria vai-se tornar num país em pedaços dividido por várias regiões com diferentes domínios territoriais.

O ataque norte-americano a alvos militares sírios é uma afronta ao regime de Bashar al-Assad. Afinal, Trump mantém a mesma política de Obama relativamente ao ditador. O problema é que a diminuição da força de Assad aumenta a influência do Estado Islâmico continuar a jihad contra os países ocidentais.

A história jamais conhecerá outro conflito sem qualquer vencedor. Todos ficam a perder porque a divisão da Síria é um problema para o Médio-Oriente, mas também para alguns países europeus que terão de aguentar milhares de refugiados durante anos.

O envolvimento externo no país foi um erro. Os Estados Unidos, a Rússia e a Turquia deveriam ter ficado fora da primavera árabe. No entanto, estando envolvidos não podem sair em qualquer altura.

A defesa dos direitos humanos e a destruição dos terroristas tem de ser salvaguardada, mas pelas forças locais.

O conflito diplomático entre Washington e Moscovo na Síria também acaba com as esperanças de Putin e Trump reatarem relações. Não é possível haver cachimbo da paz com acusações mútuas. 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Confusão dentro da Casa Branca

A Administração Trump continua a sofrer golpes importantes e nem sequer se completaram três meses e mandato.

A tentativa de saída de Steve Bannon é mais uma má notícia que origina especulações pouco favoráveis ao Presidente. 

O problema não é saber se houve uma tentativa de saída, mas porque continuam a sair notícias comprometedoras para Donald Trump. 

As principais medidas não conseguiram ser implementadas, a família parece que manda na Casa Branca e alguns elementos da administração já foram envolvidos em polémicas bem aproveitadas pela imprensa. A culpa não pode ser só dos críticos de Trump.

A palavra mais adequada para definir o ambiente na Casa Branca é instabilidade. Não há qualquer sinal de segurança transmitido de dentro para fora. Trump é incapaz de apagar os fogos criados por pessoas do staff. 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Quando sai o dirigente europeu com o nome esquisito?

As declarações do presidente do Eurogrupo sobre os países do Sul da Europa continuam a gerar revolta por parte de alguns dirigentes nacionais.

Também no círculo europeu as pressões costumam dar resultados. Pelo menos, essa é a estratégia do primeiro-ministro e certamente do Presidente da República. O problema é que as vozes portuguesas não podem ficar sozinhas no pedido de demissão ao ex-ministro holandês. Tem de haver uma união de esforços para Jerome sair a bem.

A política também se faz deste tipo de situações. Seria bom para Portugal ser o principal responsável da demissão de Dijsselbloem porque significava uma vitória dos países atingidos por aquelas frases. No entanto, a acção portuguesa tem de ser mais visível e não pode apenas cingir-se a um pedido de demissão. 

As desculpas do líder do Eurogrupo ficam bem na fotografia, embora sejam para despachar e tentar encerrar o assunto. O governo português tem de saber gerir o dossier sem criar um fait-diver para distrair a opinião pública. 

terça-feira, 4 de abril de 2017

O problema da globalização do terrorismo

A ameaça que o mundo livre enfrenta não é apenas a do Estado Islâmico. Os vários grupos radicais ou guerrilhas perceberam que podem atacar os governos através de acções terroristas de modo a provocar o medo, a confusão e a revolta popular contra os executivos. 

Os grupos perceberam que podem fazê-lo quando e onde quiserem, já que, não é difícil subir um passeio cheio de pessoas num carro ou numa mota. 

A atenção dos meios de comunicação social que transmitem a mensagem política com enorme terror também é um ganho dos terroristas. Os efeitos pretendidos não é apenas aniquilar o maior número de pessoas, mas também causar medo em tantas outras. 

O mundo Ocidental tem tido um comportamento errado porque está focado unicamente nas acções do Estado Islâmico, esquecendo a quantidade de situações, como a da Rússia, favorecendo o crescimento de outras células. 

Na minha opinião não estamos apenas num guerra ideológico ou confronto de civilizações. Os países mais fortes possuem máquinas de guerra para destruir os pequenos grupos, cuja única resposta com efeito passa por chegar aos países e colocar bombas em locais estratégicos. 

quinta-feira, 30 de março de 2017

Ano 2009: Figo arruma as botas e CR7 torna-se galáctico

No futebol sempre houve grandes acontecimentos e o ano de 2009 não foi excepção. 

As duas grandes figuras do nosso desporto-rei, além de Eusébio estiveram em destaque por duas razões distintas. 

A primeira por ter terminado a carreira e a segunda por ter dado um passo importante rumo a uma carreira brilhante. 

Luís Figo pendurou as chuteiras em 2009 depois de vários anos ao serviço do Inter de Milão. O Bola de Ouro conquistou o mundo do futebol, sobretudo Espanha onde actuou ao serviço do Barcelona e Real Madrid. O jogador protagonizou uma transferência que provocou inimizades entre os dois maiores clubes espanhóis e alimentou a imprensa durante anos. Figo também protagonizou uma grande carreira ao serviço da selecção nacional, mas não ganhou qualquer título. Em 2004 esteve perto de conseguir o objectivo.

A transferência de Cristiano Ronaldo do Manchester United para o Real Madrid foi o início de uma carreira brilhante para o madeirense. O valor de 94 milhões é um recorde mundial e beneficiou o jogador por ter coleccionado vários títulos individuais, As conquistas individuais são mais que os troféus conquistados pelo Real Madrid. Se somarmos tudo, CR7 tem espaço para colocar tudo no museu. 

quarta-feira, 29 de março de 2017

Brexit para sempre

A declaração de Theresa May sobre a impossibilidade do Reino Unido regressar à União Europeia é a principal mensagem do início das negociações entre os dois blocos.

Não faz sentido pensar-se num regresso numa altura em que nem sequer se processou a saída. Theresa May fechou a porta à esperança dos dirigentes europeus em voltarem a contar com o Reino Unido. 

A União Europeia tem de viver sem o Reino Unido e passar a competir no mesmo espaço comercial, político e económico. Não pode haver amizades especiais ou relações bilaterais porque os britânicos pretendem tornar-se numa potência aproveitando as várias debilidades da União a 27. 

A mensagem da primeira-ministra foi bem clara, apesar de algumas notas circunstanciais, mas todos sabem que cada um vai trilhar o próprio caminho. 

O sentimento de derrota dos dirigentes europeus expresso desde a vitória do Brexit também será responsável por separar os caminhos.  

A saída do mercado comum e o controlo das fronteiras são dois aspectos essenciais para o Reino Unido seguir em frente e deixar a União Europeia à beira de um ataque de nervos, já que, se tratam de duas questões essenciais da coesão europeia. O clube europeu dificilmente vai impor ordens a Londres. 

O mais curioso nesta saída é a enorme vontade do Reino Unido se tornar melhor sem estar agarrado às imposições de Bruxelas. O discurso de May revela alívio. 

terça-feira, 28 de março de 2017

Ano 2009: Nasceu mais um canal de informação em Portugal

A informação em Portugal sempre foi tratada como um aspecto prioritário pela televisão pública, e também nas estações privadas.

O primeiro canal dedicado inteiramente às notícias nasceu em 2001 pela mão da SIC. A SIC Notícias deu um novo impulso ao mercado televisivo, criando um espaço diário para todo o tipo de informação.

As duas concorrentes não quiseram ficar para trás e copiaram o modelo iniciado pela estação de Carnaxide. 

A RTP criou a RTPinformação, agora RTP3 e a TVI24 teve início em 2009. O mais interessante é que nenhum dos novos canais se distinguiu pela inovação, diferença de conteúdos ou objectivos distintos. 

O grande problema dos canais de notícias não são a qualidade, mas a falta de novos produtos. Todos apostam no comentário político diário, nos mesmos exclusivos e programas e os comentadores saltam de cadeira consoante as audiências. 

A luta pelas audiências é a principal razão para o mercado televisivo se ter resumido apenas a três canais noticiosos. 

segunda-feira, 27 de março de 2017

União sem alterações profundas e com pouca força no exterior

O aniversário dos 60 anos do Tratado de Roma foi celebrado com a promessa de mais união e solidariedade entre a classe dirigente e os cidadãos europeus. 

As intenções continuam a ser as mesmas, apesar de na prática não existirem mudanças. A desconfiança gerada em torno das actuais políticas já não corre o risco de ficar sem voz porque apareceram novas forças com capacidade para "agarrar" o descontentamento das populações. 

Não acredito em mudanças nem em maior solidariedade com os actuais dirigentes. A forma como reagiram ao Brexit revela mau perder e falta de vontade de encontrar uma solução global. Talvez o resultado das eleições francesas e alemãs consigam alterar mentalidades e posturas, sendo que, a eleição de Marine Le Pen e a redução da força política de Merkel possam contribuir para alguns dirigentes saírem de cena. 

Os países com menos força também precisam de se unir mais e não actuarem sozinhos. Os blocos regionais deveriam exercer mais pressão sobre as instituições europeias porque já não se pode defender apenas um país, mas é necessário ter em conta os interesses de uma região.

Os problemas internos devem ser uma prioridade, mas também é preciso ter em conta a falta de força externa da União Europeia, agravada com a saída do Reino Unido da União Europeia. Os britânicos vão ser os principais concorrentes da União Europeia em várias matérias, tendo dado um passo à frente no reconhecimento e legitimidade de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos. 

O melhor contributo que se pode dar para o fortalecimento da união política, a coesão social, o crescimento económico e o progresso tecnológico dentro do espaço europeu não passa pela assinatura de mais um tratado.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Ano 2009: A crise da Zona Euro começou com a queda do Lehman Brothers

A queda do Lehman Brothers aconteceu em 2008, mas os verdadeiros efeitos da crise começaram a surgir um ano depois.

Os Estados Unidos e a Europa foram os continentes mais afectados. Barack Obama entrou na Casa Branca no início dos problemas, tendo feito um bom trabalho no plano económico.

A recuperação financeira nos Estados Unidos não teve efeitos na Europa. Alguns países sofreram bastante com o que se passou do outro lado do Atlântico, mas também houve erros próprios.

Os países mais afectados foram o Reino Unido, Espanha, além dos três que tiveram de pedir assistência financeira ao FMI. A Grécia deu o primeiro passo, seguido da Irlanda, enquanto Portugal só se apercebeu dos problemas em 2011. 

A crise na zona Euro acabou por ser mais profunda e com consequências sociais bastante graves. Também houve mudanças políticas resultantes das opções tomadas. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

A Rússia e o sistema de saúde são batalhas perdidas por Trump

O presidente norte-americano vai ter que deixar cair dois aspectos do projecto político. A aliança com a Rússia e o novo sistema de saúde. 

As confirmações das agências de segurança sobre as ligações de Trump aos russos na recente campanha eleitoral é o maior problema político. A partir deste momento, não há mais condições para estabelecer relações privilegiadas com Moscovo porque a ideia que transparece é de Putin ter Trump na mão. 

A única saída para o Chefe do Estado norte-americano é escolher um novo amigo externo. As relações com a Rússia podem ser diferentes do que aconteceu no mandato de Obama, mas já não pode haver contacto especial.

Nunca se vai saber a verdade total sobre a relação do empresário com Moscovo. O problema é que a opinião pública e publicada já está a ser contaminada, pelo que, a única forma de Trump continuar em alta passa por tratar a Rússia como um parceiro igual aos outros.

A revogação do Obamacare também é uma batalha perdida para Trump. A forma como ameaçou os congressistas republicanos é mais um sinal de autoritarismo. As posições adoptadas confirmam que o Congresso vai ser o principal opositor do Presidente. Mesmo que o Obamacare seja revogado, também não há certeza que o novo sistema de saúde seja aprovado. 

O líder norte-americano enfrenta inúmeros desafios nos primeiros meses de mandato. Não haverá cheques em branco, apesar da maioria republicana na Câmara dos Representantes e no Senado, que não gosta de ser ameaçada.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Duas atitudes diferentes

As polémicas declarações do presidente do Eurogrupo, cujo nome não arrisco a escrever, provocaram reacções fortes nos países atingidos. Ou seja, no Sul da Europa, sendo que, Portugal já reagiu através do primeiro-ministro e do Presidente da República.

Os dois representantes portugueses fazem em defender os interesses nacionais, já que, Portugal não pode continuar a ser humilhado nas instituições europeias. A frase do líder do Eurogrupo mostra que existe duas atitudes diferentes sempre que o assunto diz respeito a países mais fracos.

Os líderes europeus não podem continuar a criar divisões internas e externas para proteger os interesses da União Europeia. As constantes interferências nos actos eleitorais em cada país é um sinal de desespero, que se começou a verificar desde a vitória do Brexit em Junho de 2016.

Apesar de Costa e Marcelo não estarem a realizar um bom trabalho, os dois têm sido importantes na defesa do nome de Portugal dentro da União Europeia.

O que me espanta é teimosia de alguns dirigentes face às mudanças políticas que acontecem também por desnorte em termos de declarações e atitudes.

terça-feira, 21 de março de 2017

Especial 10º aniversário: Mudanças na Música

A música é uma das formas de expressão artística mais versátil, não só a nível dos géneros musicais diversos (que permitem diferentes tipos de expressões) mas também a nível da sua comunicação e partilha (cada vez mais digital). 

O mundo actual actua cada vez mais a nível digital, permitindo por um lado a facilitação ao acesso dos álbuns e temas, e por outro lado, despoleta uma crescente procura pelo contacto directo com quem nos inspira, nos traz bons sentimentos, momentos de diversão e sobretudo, de ausência de "stress". Este cenário é interessante desde que exista a valorização dos profissionais e das obras. Ainda que se verifique uma tendência positiva a este nível (o Consumidor está um pouco mais sensibilizado para a questão da sustentabilidade da actividade artística, disponibilizando-se a pagar pelos espectáculos e pelas peças, em formato cada vez mais digital, e ainda na forma de CD, entre outras), ainda estamos longe chegar a uma consciência global sobre este aspecto. 
  
No seguimento de uma sociedade robotizada, exigente e egoísta, o Ser Humano procura momentos em que se possa ligar a algo positivo, que lhe traga alegria e que o faça esquecer um pouco a rotina, as correrias, os problemas que surgem no dia a dia. Desta forma, os concertos têm sido cada vez mais o ponto de encontro entre o artista e os seus fãs (ou potenciais fãs), no qual existe a partilha directa da música, e de todo o significado que a mesma implica. 

A música é cada vez mais uma companhia, uma terapia para quem a faz e para quem a ouve. Não tem barreiras, não tem estatuto, não há preconceitos (ou pelo menos, há cada vez menos). E é assim que deve ser. Liberdade e respeito porque actua e cria, e por quem escuta e recebe.

Texto de Sofia Hoffmann

Jobs for the family

O presidente norte-americano prometeu transparência em Washington ao acabar com a política de interesses entre os vários sectores da sociedade. 

Os primeiros passos estão a ser dados no sentido contrário com a nomeação de familiares para cargos dentro da administração e na Casa Branca. 

Os sinais são preocupantes porque contrariam a limpeza anunciada por Donald Trump. Não era isso que as pessoas esperavam do novo Chefe do Estado. A promessa de mais empregos afinal tem de esperar mais tempo porque a prioridade passa por colocar os genros e a filha em lugares de destaque. 

O tema merece ser analisado porque durante um ano o discurso era no sentido de dar oportunidades a todos, mas parece que os familiares podem passar por cima do cidadão comum.

Parece que as mudanças não se vão concretizar e nalgumas situações a tendência é para piorar, como no acesso da família do presidente a assuntos do Estado. 

Trump não consegue arranjar emprego para os familiares no partido porque tem pouca influência no seio dos republicanos, mas pretende mais ouvidos e olhos para saber o que se passa em Washington. Qualquer semelhança com Frank Underwood da série House of Cards parece ser apenas coincidência.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Apostas fortes, mas perdedoras do CDS e PSD para Lisboa

As candidaturas de Assunção Cristas e Teresa Leal Coelho à Câmara Municipal de Lisboa por parte do CDS e do PSD são apostas fortes, mas claramente perdedoras nas próximas eleições. A dirigente social-democrata tem possibilidade de vir a ser presidente se continuar como vereadora e não ambicionar um lugar no governo caso o PSD volte ao poder em 2019.

As duas concorrentes são competentes e trazem novas ideias à política portuguesa, além de elevarem o nível do debate. O problema é que nenhuma delas se vai candidatar a Lisboa com o coração na capital. A líder centrista pretende tomar o pulso ao eleitorado antes de novo teste em congresso e a social-democrata é apenas uma solução temporária. 

Perante as adversárias principais, Fernando Medina só tem de continuar a fazer obras por toda a cidade. O autarca escolheu muito bem timing para dar um novo look a Lisboa, mas não precisava de ter pressa, porque não tem ninguém à altura para discutir o cargo. Aos poucos o PSD e CDS vão perdendo eleitorado na cidade. 

A verdade é que os últimos presidentes socialistas colocaram Lisboa no mapa, aumentando a visibilidade, trazendo turistas e investidores estrangeiros. A economia cresceu bastante nos últimos dois anos, sobretudo ao nível do pequeno comércio. 

Não acredito que haja forma de contrariar a obra realizada pelo socialista, pelo que, CDS e PSD não quiseram jogar forte, queimando candidaturas importantes, porque ainda faltam dois anos para as legislativas, embora um mau resultado seja preocupante para a defesa das lideranças de Passos Coelho e Cristas em 2018.

sábado, 18 de março de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Mark Rutte - O primeiro-ministro voltou a ganhar as eleições, tendo ficado bastante à frente do antigo parceiro de coligação. Rutte tem possibilidades de fazer nova coligação para assegurar estabilidade governativa e controlar os populistas do PVV, bem como manter o PvdA em baixa.


No Meio

União Europeia - Os responsáveis europeus ficaram contentes com o resultado eleitoral. O primeiro fantasma está ultrapassado, mas o grande desafio é nas eleições presidenciais em Abril. O problema para os líderes da Europa é o número de vezes que irão ter que alertar as populações de cada país. 

Em Baixo

Geert Wilders -  O partido liderado por Wilders ficou em segundo com mais cinco deputados que a legislatura anterior. O problema é que o PVV vai ter que ficar na oposição, já que, o VVD anunciou que não tem intenção de se coligar com populistas. O crescimento do sentimento nacionalista é evidente, mas na oposição Wilders tem que ter outro comportamento, sendo obrigado a concordar com as medidas do governo. A manutenção da actual mensagem política pode ser um erro a pagar nas próximas legislativas.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Uma oportunidade perdida para a justiça portuguesa

A justiça portuguesa teve uma oportunidade de ouro para voltar a se credibilizar junto da opinião pública com a Operação Marquês.

O processo judicial que envolve José Sócrates poderia ser um excelente momento para os agentes da justiça mostrarem capacidade de actuação em tempo útil e que ninguém está acima da lei. Não se trata de fazer do ex-primeiro-ministro um exemplo, mas de garantir que a justiça continua ao serviço de todos. 

Desde finais de 2014 que o país assiste a uma guerra jurídica e não só entre as duas partes. O mais engraçado é que Sócrates caminha livremente para a absolvição depois de ter estado preso preventivamente, mas se o objectivo do Ministério Público era condená-lo na praça pública conseguiu os intentos. O problema é que se o ex-chefe do governo não passa um dia na prisão parece que se tratou de uma situação encenada, alterando rapidamente a opinião da vox populi.

No plano comunicacional, Sócrates também vence todos os dias porque a mensagem que passa é de um complot jurídico e político. 

A investigação necessita de mais tempo, mas os sucessivos adiamentos são mais um motivo para o socialista fazer barulho e colocar-se no papel de vítima, como acontecia durante o exercício de primeiro-ministro. 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Quatro avisos importantes do acto eleitoral holandês

Os primeiros resultados do escrutínio holandês mostram que a Europa livrou-se do primeiro problema, embora seja necessário pensar nalgumas lições. 

A primeira é que os movimentos populistas continuam com peso dentro do espaço europeu, não sendo possível bani-los do mapa político.O grande erro dos responsáveis europeus tem sido a falta de cultura democrática em não aceitarem posições diferentes. No plano nacional compreende-se os discursos eleitoralistas, mas a nível europeu não se entendem algumas mensagens políticas. 

A Europa não pode continuar a rejeitar as alterações, nem ignorar a actual realidade partidária, e muito menos, meter-se em assuntos do foro nacional. 

O mau resultado do partido de Geert Wilders pode ter sido um alívio, mas a estrondosa derrota dos socialistas significa que o modelo social construído durante anos na Europa está completamente falido. Isto é uma preocupação porque os partidos políticos que deveriam optar por políticas sociais não têm respostas para os problemas dos cidadãos, sendo substituídas por outras forças ditas populistas. 

A maioria dos governos também não consegue alcançar maiorias parlamentares, estando dependentes de coligações cuja duração será sempre incerta. As decisões dificilmente voltarão a ser tomadas sozinhas, diminuindo o poder de Bruxelas sobre as lideranças nacionais. 

As quatro lições resultantes do acto eleitoral holandês terão reflexos nas presidenciais em França porque o que está em jogo é praticamente a mesma coisa. 

quarta-feira, 15 de março de 2017

O primeiro teste do ano para a coesão europeia

As eleições holandesas são o primeiro teste para a coesão europeia. Durante o ano ainda haverão actos eleitorais em França, Itália e Alemanha. 

Os resultados nos Países Baixos emitirão dois sinais importantes. O primeiro é a manutenção do poder nas mãos dos partidos tradicionais, em particular dos sociais-democratas. Caso o PVdA ou o VVD não consigam uma boa votação significa a desconfiança relativamente às forças partidárias tradicionais, bem como da falta de soluções apresentadas pelo centro. O segundo sinal tem a ver com a transferência da confiança dos eleitores para partidos mais radicais. O tema tem sido debatido desde a eleição de Trump, mas parece que a Europa vai ter que se acostumar aos novos grupos.

O sentimento anti-imigração começa a ter expressão nos actos eleitorais, o que não acontecia há alguns anos. Contudo, as forças foram crescendo e ganhando popularidade por causa dos problemas que a Europa teve de enfrentar nos últimos anos. As promessas dos actuais dirigentes foram ofuscadas por acções concretas como se viu no Brexit. 

As pessoas deixaram de esperar pelo prometido, tendo a certeza que algumas alternativas serão mesmo efectivadas. 

Nos países que terão eleições, haverá aumento significativo das forças nacionalistas, sendo que, em França, Marine Le Pen poderá mesmo ganhar o acto eleitoral. 

O mais interessante será perceber se os responsáveis europeus terão uma reacção mais negativa do que o vencedor das eleições na Holanda, ao provável segundo lugar do partido liderado por Geert Wilders. 

terça-feira, 14 de março de 2017

Ano 2009: Resultados das eleições confundem líderes partidários

Os resultados dos três actos eleitorais de 2009 confundiu os eleitores, bem como os agentes políticos porque todos ganharam.

O único partido que poderá ter ficado menos satisfeito foi o PCP, já que, nas legislativas diminuiu o número de deputados.

Os restantes pequenos e médios partidos, como o CDS e o Bloco de Esquerda subiram, em particular nas eleições de Setembro.

No geral, os dois maiores partidos podem ter tirado ilações positivas, embora o PSD mudasse de liderança depois da derrota em Setembro. Nem a conquista da ANMP nas autárquicas manteve Manuela Ferreira Leite como líder social-democrata. 

O PS venceu o acto eleitoral mais importante, além de manter a autarquia de Lisboa, bem como outras Câmaras Municipais. Apesar de ter tido menos municípios, os efeitos da derrota foram minimizados pela vitória nas legislativas em Setembro. 

O resultado das eleições europeias confirmou que Sócrates não iria ter vida fácil nos restantes actos eleitorais. A vitória de Paulo Rangel constituiu também a primeira derrota do governo socialista. A perda da maioria absoluta na Assembleia da República foi difícil de digerir, tendo em conta a arrogância com que o anterior primeiro-ministro lidou com a posição em que se encontrava. 

O pior para o PS e o país não foram os maus resultados eleitorais, mas a crise que estava para vir...

A Europa já vive num estado securitário

Na véspera das eleições holandesas, onde se pode confirmar o crescimento da extrema-direita, o tribunal europeu autoriza as empresas a proibirem o véu islâmico.

A pergunta que coloco é perceber se já não vivemos numa Europa xenófoba, racista e elitista. Na minha opinião não é necessário que a extrema-direita ocupe o poder ou os países comecem a sair da União Europeia para voltarmos ao proteccionismo e à atitude securitária. 

A França de François Hollande é o exemplo daquilo que alguns dirigentes eurocépticos pretendem para o futuro. Isto é, não será o provável governo liderado por Marine Le Pen que irá instaurar uma cruzada contra os imigrantes porque isso já acontece em França, embora de forma pouco visível. 

A culpa não pode ser apenas dos grupos nacionalistas que estão a crescer. De certa forma, algumas forças aproveitam a fragilidade de governos ditos defensores das liberdades e garantias de todos os cidadãos para recolher votos com uma mensagem mais agressiva.

Neste momento, é pouco tarde para mudar as atitudes relativamente a certos grupos que cresceram na Europa e pretendem maior integração. As alterações serão piores para algumas minorias porque o que está para vir é o fecho total das fronteiras e o fim das igualdades.

segunda-feira, 13 de março de 2017

O início do Brexit

Nesta semana, o governo britânico vai accionar os mecanismos para começar a saída formal do Reino Unido da União Europeia.

Durante os meses que se seguiram ao Brexit, a primeira-ministra teve todos os ventos favoráveis. A opinião pública tem a certeza que o desejo manifestado no referendo será respeitado. Os partidos políticos, em particular os eurocépticos estão contentes com as linhas gerais porque ficam salvaguardados os interesses britânicos relativamente ao comércio livre e à imigração.

Os únicos que perderam foram David Cameron e os dirigentes europeus. O primeiro porque pretendia que o Reino Unido ficasse mais perto possível do clube europeu. Os responsáveis europeus ficam com a certeza que o Reino Unido será um concorrente em diversas matérias, nomeadamente na relação com os Estados Unidos.

Apesar de ter quase tudo a favor, Theresa May pode ter problemas a nível externo. Isto é, na forma como os restantes países europeus pretendem tratar o Reino Unido. Numa altura em que os principais líderes europeus estão de saída, o mais certo é haver uma espécie de vendetta porque as alterações que se avizinham estão ligadas ao Brexit.

No plano interno não acredito em grandes manifestações de desagrado se May cumprir as promessas. Os maus humores europeus também não devem alterar a postura da primeira-ministra. Nota-se uma vontade enorme da classe política em defender os interesses britânicos. No fundo, praticamente quase todos entendem que a melhor solução é sair do clube europeu, e, nem as ameaças provenientes da Escócia alteram o rumo definido. 

No último ano, Theresa May teve um mandato tranquilo, mas a questão europeia é o maior desafio até 2019.

domingo, 12 de março de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Nicola Sturgeon - A líder escocesa conseguiu iniciar a discussão para o segundo referendo sobre a independência da Escócia. A realização do escrutínio depende da autorização de Westminster, mas o assunto já está na praça pública. 


No Meio

Theresa May - A primeira-ministra britânica não conseguiu unanimidade total em torno da legislação sobre o Brexit. A rejeição de algumas medidas na Câmara dos Lordes é um sinal preocupante numa altura em que se iniciam as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia. May vai ter que ceder no plano interno.


Em Baixo

Marcelo Rebelo de Sousa - O Presidente da República completou um ano. Foram 365 dias muito maus em que o protagonismo pessoal esteve à frente das obrigações constitucionais. Marcelo deixou-se afectar pelo entusiasmo, esquecendo-se do cargo que ocupa. No plano político também já revela alguns tiques autoritários, como aconteceu no caso Centeno.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Ano 2009: Eleições com resultados para todos os gostos

No ano de 2009 realizaram-se eleições legislativas, autárquicas e europeias em Portugal.

Um ano político muito intenso que não se voltará a repetir, excepto se o calendário das legislativas sofrer alterações. 

Nas legislativas venceu o PS, embora sem maioria absoluta, dificultando a acção de José Sócrates, que se demitiu dois anos depois. A vitória do PS não foi esmagadora, mas o PSD sofreu uma derrota que levou à demissão de Manuela Ferreira Leite e o início de mais um ciclo eleitoral. As eleições internas seriam em Maio de 2010. 

Nas europeias a vitória pertenceu ao PSD, liderado por Paulo Rangel. O PS escolheu Vital Moreira para cabeça-de-lista. 

Nas autárquicas, como costuma acontecer, todos os partidos venceram. 

A crise internacioal ainda não tinha chegado a Portugal, mas rapidamente se percebeu que iria atingir o nosso país. O resultado das legislativas ainda não reflectiram os problemas financeiros. 

O primeiro ano do mandato de Obama como presidente dos Estados Unidos foi recompensado pelo Prémio Nobel da Paz. Uma designação associada à resolução na Faixa de Gaza.

Os meios de comunicação social e as redes sociais continuavam em moda. A TVI lançou o canal de notícias TVI24 e o Twitter dava os primeiros passos, enquanto o Facebook continuava a conquistar adeptos. Nascia uma nova forma de comunicar.

O futebol português despediu-se do grande Luís Figo e Cristiano Ronaldo iniciava uma carreira brilhante no Real Madrid depois da transferência do Manchester United por 94 milhões.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Um ano muito mau

Um ano após o exercício do mandato presidencial por Marcelo Rebelo de Sousa é possível concluir que se tratou de um ano muito mau.

A presidência da República passou a ter como inquilino alguém que procura apenas protagonismo político, embora tenha inúmeras qualidades políticas. Marcelo Rebelo de Sousa transformou o cargo num projecto pessoal. A intenção de tornar o presidente mais afectivo era boa, mas o excesso de protagonismo tirou relevância ao gesto.

Neste momento, existem dois aspectos negativos. O primeiro é o excesso de afecto e o segundo é a vontade de querer estar em todo o lado. A prática das duas situações só acontece devido a protagonismo que Marcelo pretende. 

Os comentários diários sobre tudo e mais alguma coisa tornam o Presidente num fala barato que se deixa seduzir por qualquer microfone, colocando-se ao nível do telespectador mais ferrenho das tardes televisivas dos programas de opinião pública. 

No plano político ainda não houve nenhuma crise grave, à excepção da tempestade Mário Centeno. Marcelo entendeu novamente que deveria chamar a si o protagonismo para mostrar quem manda no país e no governo. A colagem ao governo só espanta os distraídos, já que, até a oposição que apoiou o presidente estava a contar com suposta traição. 

O que aconteceu no último supostamente era previsível, mas ninguém esperava os excessos. Marcelo nunca vai conquistar o Papa Francisco ou Barack Obama em termos de popularidade porque bem lá no fundo está apenas preocupado com a sua pessoa.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Ainda estamos num clima de vendetta política

O resultado das últimas eleições legislativas aumentou a crispação entre os partidos e nem a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente da República diminuiu as tensões. 

A atitude do actual Chefe do Estado é um factor de conflito por causa da vontade em se colocar num dos lados da barricada. Hoje apoia o governo, amanhã está do lado da oposição. Quem manda são sempre as sondagens. 

Neste momento, o governo goza de um estatuto que nunca foi possível usufruir desde 2011. Ou seja, o executivo de António Costa tem problemas para resolver, mas os indicadores económicos são positivos, ao contrário do que aconteceu com Passos Coelho. Nem sempre o PS partilha o mérito com as restantes bancadas, preferindo meter todas as fichas numa maioria absoluta em 2019. 

Apesar do esforço a nível financeiro, Costa tem lidado com algumas polémicas que podem fragilizar o executivo. Não são parecidas com aquelas do governo Sócrates, mas levam a desconfiar da competência. O tom crispado, vingativo e de menorizar a oposição também não ajudam sempre que é preciso pedir uma mãozinha aos partidos da direita. Num ano e meio, o governo já necessitou de duas mãos direitas. 

Nota-se que existe um ambiente tenso que desfavorece a oposição, em particular Pedro Passos Coelho sempre descredibilizado por concorrentes internos que nunca chegaram a primeiros-ministros. 

O estado político actual pode resumir-se na célebre frase da vingança serve-se fria porque tanto governo como oposição esperam o momento certo para desferir o golpe final. Os debates no parlamento estão a ser o principal palco da luta política mais calorosa, sendo que, ainda não houve qualquer escândalo, tipo licenciatura ou falta de pagamento de contribuições à segurança social, na liderança de António Costa. 

terça-feira, 7 de março de 2017

Só em Portugal é que...

A expressão "só em Portugal é que isto acontece", ou "só no nosso país é que este gajo continua à solta ou é comentador" é utilizada vezes sem conta por todos, independentemente da posição ou estatuto que tem.

A aversão às nossas qualidades é um dos nossos principais defeitos. 

Parece que só em Portugal acontecem coisas más, parecendo que o resto do mundo é pefeito. A desvalorização daquilo que temos é fruto da mentalidade e da pouca confiança nacional.

Sempre que alguém utiliza o argumento "só nosso país", é porque pretende desviar as atenções. A resposta nunca foge do "só aqui é que este tem possibilidade de dizer uma coisa destas". A falta de nível no discurso é acrescentado de uma linguagem pouco perceptível para os demais, mas compreensível relativamente aos restantes. Como diz o ditado "para bom entendedor, meia palavra basta". 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Quem ganha com isto?

A troca de acusações entre Cavaco Silva e José Sócrates chegam em má altura porque os dois passaram rapidamente à história da agenda mediática. 

Os dois saíram dos respectivos cargos em baixo. Cavaco Silva obteve os índices de popularidade mais baixo de todos os Presidentes da República, enquanto Sócrates perdeu as eleições legislativas em 2011 e dificilmente voltará a ocupar um cargo público. 

O momento não é o mais apropriado para vendettas privadas ou políticas porque o país já seguiu em frente. Existem novos protagonistas no dia-a-dia. 

Apesar de tudo, a história contada por Cavaco Silva interessa mais do que as mentiras proferidas pelo anterior primeiro-ministro. O país já está farto das invenções de Sócrates. No plano político, ninguém vai acreditar em mais nenhuma palavra que o socialista tenha necessidade de transmitir aos media.

O modus operandi tamém revela diferenças entre os dois. A publicação do livro do ex-Chefe do Estado tem conteúdo relevante sobre a vida política nacional. Por outro lado, também já ninguém tem paciência para a postura de coitadinho de Sócrates.

As mudanças políticas não terminaram com uma história que deve ter mais episódios. 

sábado, 4 de março de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

António Costa  - Uma boa semana para o executivo por duas razões. A primeira porque o caso Paulo Núncio é mais uma machachada na credibilidade do anterior governo, cujo rosto principal é o da oposição. Em segundo lugar, os indicadores económicos voltam a ser positivos, fazendo esquecer a polémica anterior com Mário Centeno. Costa começa a recuperar pontos em 2017.


No Meio

Donald Trump -  O novo presidente norte-americano não é um grande orador, mas tem ideias fixas e mantém o rumo traçado. A demagogia não será a principal marca da Casa Branca nestes quatro anos. O maior problema é a aceitação por parte dos legisladores relativamente às propostas. Apesar do ruído da comunicação social, dos líderes estrangeiros e da população, o maior obstáculo de Trump vai mesmo ser as duas câmaras parlamentares.

Em Baixo

François Fillon - As vozes a pedir a demissão do candidato da direita às presidenciais são cada vez mais, sendo que, apareceu uma sondagem que dava vitória a Alain Juppé caso fosse o candidato contra Marine Le Pen. Normalmente os políticos em França costumam ceder em nome do fim do barulho. 

sexta-feira, 3 de março de 2017

Entre a direita e o centro

Nos últimos anos a direita portuguesa não tem tido representantes políticos, embora o PSD de Passos Coelho seja o que se mais aproximou dos valores liberais. 

O CDS nunca optou pela via liberal, apesar de ter muitos militantes com visões mais de direita que a democracia-cristã ou o centro de Paulo Portas e Assunção Cristas. 

Num país que tem um arco partidário maioritariamente de esquerda necessita de ter uma força que defenda a iniciativa privada, o bem-estar pessoal, a segurança, e outras políticas associadas aos partidos de direita, como acontece no Reino Unido e dentro do Partido Republicano norte-americano. 

Os líderes partidários do PSD e CDS sempre mostraram disponibilidade para conquistar eleitorado do centro, porque é aí que está a maior fatia dos indecisos, que normalmente votam PSD e PS. É verdade que os sociais-democratas sempre tiveram uma componente social. O nascimento do partido por Francisco Sá Carneiro baseou-se nesse princípio. A maioria dos líderes cumpriu bem a função de não desviar o partido para a demasiado para a direita, ao ponto de ser confundido com um partido liberal. 

Pelo contrário, o CDS sempre tentou apanhar alguns votos daquela área política, mesmo sem admitir uma excessiva ligação. 

Os dois partidos andam constantemente no centro e na direita a apanhar votos, pelo que, dificilmente o mais pequeno consegue recolher mais benefícios que o maior. O CDS fica a ganhar se definir uma orientação ideológica mais para a direita e não continuar na dúvida. 

quinta-feira, 2 de março de 2017

O aproveitamento político das forças populistas

A polémica em torno de François Fillon é uma grande ajuda para a candidata da Frente Nacional. Mesmo que Le Pen seja processada por ter partilhado imagens violentas nas redes sociais, não é mais grave que a questão ligada ao candidato da direita à Presidência da República.

O assunto na ordem do dia em França confere legitimidade ao discurso de Le Pen. À medida que se vão descobrir os podres dos principais políticos franceses, aumenta o sentimento anti-establishment que garantiu a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. 

Nos últimos anos, sucederam-se os escândalos em redor de ex-presidentes e candidatos ao Eliseu. Não será estranho se François Hollande também tiver esqueletos no armário. 

A nova geração de políticos europeus possui mais deficiências que qualidades, acabando por ser natural o surgimento de divisões e falta de capacidade para resolver os problemas. A maioria deles também está associado a questões menos honestas. Isso tudo tem sido bem aproveitado pelas novas forças ditas populistas e demagógicas, onde alegadamente sempre imperou a honestidade política e moral. 

A culpa das mudanças políticas, sociais e económicas no espaço europeu não surgem por acaso. O caso francês é um de muitos utilizado para ganhar eleições. 

quarta-feira, 1 de março de 2017

Trump continua virado para dentro

Um discurso semelhante ao da tomada de posse fazem de Trump um mau orador, bem diferente de Barack Obama.

O novo Presidente nunca será conhecido pelos dotes oratórios, mas pelo nacionalismo com que trouxe ao discurso político. A repetição do proteccionismo, segurança e respeito pela lei tornarão os Estados Unidos um país autoritário sob a presidência de Trump. Não haverá espaço para o erro nem para segundas oportunidades, em particular para os imigrantes. 

A mensagem ao Congresso confirma que Trump irá manter as promessas eleitorais, quiçá reforçar algumas medidas que não estavam previstas durante a campanha, aumentando a preocupação no próprio partido e na oposição.

A primeira mensagem do chefe do Estado é simples. A prioridade passa por aumentar o emprego nos Estados Unidos e proteger os cidadãos norte-americanos das empresas estrangeiras e dos imigrantes ilegais. A forma de atingir o objectivo passa por impedir a entrada de empresas ou pessoas que ameaçem o bem-estar do cidadão, nem que para isso seja necessário recorrer à força e à autoridade. 

Tem sido este o principal recado para dentro dos Estados Unidos, mas também para todos os que se intrometerem nos assuntos internos do país. Não haverá cedências, mesmo que o Congresso rejeite leis, a comunicação social faça barulho ou os restantes líderes mundiais continuem a ignorar as mudanças na Casa Branca. 

O primeiro passo para tornar a América novamente grande está definitivamente dado. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Acontecimento do ano 2008: Nascimento do Kosovo

No dia 17 de Fevereiro de 2008, o Kosovo tornou-se independente da Sérvia, tendo Pristina como a capital do país. 

A declaração não foi pacífica, já que, nem todos aceitaram a segunda independência depois de, em 7 de Setembro de 1990, o Kosovo ter sido a primeira tentativa.

O mundo ficou dividido com a iniciativa kosovar. Os Estados Unidos, França, Alemanha, Dinamarca e a Turquia reconheceram a independência, além de Portugal. No total foram 36 Estados que estiveram ao lado do governo kosovar, enquanto a Rússia, Ucrânia, Sérvia e Espanha protestaram. 

O nascimento de Pristina causou indignação na região, em particular no Montenegro, com protestos dos partidos sérvios. 

A criação de mais um Estado na região é visto como um sinal de estabilidade e paz, porque todos as etnias têm algo com que se identifiquem. As opiniões menos favoráveis acreditam que a situação vai criar um precedente noutras zonas como a Ossétia do Sul e a Abkházia.

Uma coisa é certa. A independência do Kosovo significa o fim total da antiga Jugoslávia, sendo mais um país que consegue nascer em 20 anos. 

Figura do ano 2008: Barack Obama

A nomeação de Barack Obama para Presidente dos Estados Unidos marca o ano político de 2008.

O senador do Illinois fez uma campanha brilhante, com um discurso fantástico que tocou qualquer pessoa, independentemente do partido e mesmo vivendo fora dos Estados Unidos.

A eleição mudou muitos aspectos da política norte-americana, mas também aproximou a Casa Branca dos cidadãos. Durante oito anos foram inúmeras as tentativas do Presidente em comunicar com a população através das redes sociais. 

No plano político, houve bastante alterações a nível interno com a introdução do Obamacare, mais direitos para as minorias e uma necessidade de corresponder aos problemas das pessoas. Na economia também se sentiram progressos, apesar de algum desemprego em alguns Estados que foram responsáveis pela eleição de Donald Trump.

O pior do mandato de Obama surgiu a nível externo, onde não conseguiu impor a força, mesmo por via diplomática. As vitórias com o acordo nuclear iraniano e a aproximação a Cuba têm pouco valor porque neste período apareceram outras forças capazes de discutir o primeiro lugar com os Estados Unidos.

Não se pode negar a importância da chegada de Obama à Casa Branca. Alguns consideraram que se tratou de um feito histórico. 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Ano 2008: La Roja espanta o mundo com futebol de qualidade

O futebol europeu assistiu ao nascimento de geração de futebolistas espanhóis que jogavam de pé para pé, ao primeiro toque e de uma forma que obrigava o adversário a correr atrás da bola ao ponto de se desgastar.

A selecção espanhola venceu o Euro 2008, iniciando um ciclo de vitórias no futebol europeu e mundial com a conquista do Mundial 2010 e Euro 2012, praticando o famoso tiki-taka. O triunfo no campeonato realizado na Suiça e Áustria foi apenas o começo, sendo que, os restantes torneios confirmaram a evolução do estilo de jogo.

A selecção portuguesa também participou no torneio, tendo sido eliminada pela Alemanha nos quartos-de-final, na despedida de Luiz Felipe Scolari como seleccionador depois da final do Euro 2004 e das meias-finais do mundial da Alemanha em 2006.

Durante o ano também se realizaram os Jogos Olímpicos em Pequim. No certame, dois atletas portugueses conquistaram medalhas. Nélson Evora arrecadou o ouro no triplo salto masculino e Vanessa Fernandes alcançou a prata no triatlo.

Uma boa prestação da comitiva portuguesa.

No desporto também destacar a chegada do alpinista João Garcia ao cume do Broad Peak.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Figuras da Semana

Por Cima 

Cavaco Silva - Uma grande entrevista do ex-Presidente da República. A postura de Cavaco Silva é completamente diferente da de Marcelo Rebelo de Sousa. Também por este aspecto se distinguem os grandes estadistas dos líderes vulgares. Cavaco Silva foi maltratado por todos porque não queria ser popular. Nunca decidiu em função da opinião pública, publicada ou aproveitou a popularidade do governo. Num período em que teve de gerir as maiores crises políticas, o antigo Chefe do Estado decidiu sempre pelo interesse nacional.

No Meio


António Costa - O primeiro-ministro vingou-se dos ataques do PSD e CDS trazendo para a praça pública um tema polémico. A jogada política pode ter sido importante para desviar as atenções da CGD, mas não deve ter consequências nas sondagens. 


Em Baixo

Coreia do Norte - O regime norte-coreano tem um dos piores problemas para resolver. A morte do meio-irmão de Kim-Jong Un pode desencadear um golpe de Estado que se adivinha nos bastidores. Os militares nunca concordaram com nomeação do filho do querido líder, pelo que, qualquer meio serve para colocar em causa a actual liderança. O ditador tem mais com que se preocupar do que testar misseís nucleares.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Ano 2008: Barack Obama conquista a Casa Branca

A conquista da Casa Branca por Barack Obama aconteceu no dia 4 de Novembro de 2008. O antigo senador do Illinois começou em grande com um discurso fantástico que empolgou a população norte-americana e deu esperança ao resto do Mundo, depois da administração W.Bush ter sido castigada.

A caminhada de Obama começou com a habitual vitória nas primárias sobre Hillary Clinton. A luta pela nomeação foi renhida, mas a antiga primeira-dama deixou de ter hipóteses a partir do momento, em que a popularidade de Obama começou a crescer. Tendo em conta as picardias entre os dois principais candidatos, nada fazia prever que Clinton seria secretária de Estado norte-americana no primeiro mandato e a eleita por Obama para ser a candidata do Partido Democrata nas presidenciais de 2016.

Os republicanos nomearam John McCain. O antigo veterano de guerra conseguiu ser melhor que o milionário Mitt Romney. 

A vitória de Barack Obama foi robusta, tendo vencido no voto popular por uma diferença de dez milhões e alcançando mais sete pontos percentuais que o republicano. 

A mudança começou a ser construída nesse dia. 

As eleições tiveram pouco interessante em termos competitivos, mas a chegada de uma personagem cativante como Barack Obama despertou atenção em todo o Mundo. A saída de George W.Bush também foi um motivo para alegria.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Um presidente sem amigos externos

O primeiro inimigo externo do Presidente norte-americano chama-se México. 

Os mexicanos vão ter que sofrer com as novas políticas da Casa Branca por causa das promessas eleitorais. Trump ganhou muitos votos ao se ter colocado contra os mexicanos e muçulmanos, tendo poupado as outras minorias.

Não acredito que os Estados Unidos consigam crescer política e economicamente se actuarem sozinhos. Ou seja, tendo em conta que o Canadá também não é o maior aliado de Trump, os Estados Unidos ficam sem amizades para beneficiar a região.

A actual política externa norte-americana não terá em consideração promover o cescimento da América do Norte numa altura em que os vizinhos do Sul tentam efectuar reformas políticas e económicas com a ajuda da União Europeia.

Será interessante verificar quais são as principais prioridades do presidente relativamente às alianças externas, sendo quase provável, uma aproximação à Rússia e o apoio à causa israelita contra a Palestina.

Quase apetece escrever que Trump começou o mandato sem amigos externos..

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Ano 2008: Discussões que ainda valem a pena ter

Ao longo dos meses foram inúmeras as discussões sobre vários assuntos que marcam a agenda nacional e internacional. 

Alguns temas não estão encerrados devido à importância que têm, sendo obrigatório pensar constantemente nas soluções. 

Os dois assuntos que mereceram destaque em 2008 foi a pena de morte e a legalização das touradas. O primeiro tem sempre impacto a nível mundial, já que, existem países que introduziram ou pretendem no sistema jurídico. O segundo divide associações da protecção dos animais e os defensores da festa brava. 

Não existe uma conclusão definitiva que possa agradar a todos. A verdade é que nos dois estão em causa direitos de seres vivos. 

A pena de morte necessita de ter um acompanhamento a nivel global, em particular pelos países mais influentes das Nações Unidas, em particular os Estados Unidos. Se as maiores nações chegassem a um consenso sobre o assunto talvez houvesse mais liberdade e democracia. 

Uma geração de líderes sem visão para a Europa

Os líderes europeus assistem impávidos e serenos às mudanças políticas no continente e não só. O problema não tem a ver apenas com arrogância, mas está relacionado com a falta de competência. A nova geração de líderes não está devidamente preparado, já que, chegou ao poder bastante cedo. 

A Europa e a União Europeia sente falta dos grandes nomes que construíram ideias e projectos em prol dos cidadãos europeus. Apesar da alternância de poder, havia sempre um denominador comum: o interesso europeu.

Actualmente, o que importa é dominar as políticas e impô-las a todos como se a Europa fosse uma Federação. Ora, a tentativa de copiar o modelo norte-americano é o maior erro que os dirigentes europeus cometem. 

Os últimos presidentes franceses e alemães criaram um diktak que prejudicou não só a relação entre os países, mas também as próprias instituições europeias. A revisão dos tratados reforçou a capacidade dos órgãos, mas na realidade ficaram com menos poder. As várias cimeiras também não servem para nada porque as decisões são sempre adiadas para os próximos encontros. 

O cumprimentos dos tratados é importante, mas não podem ser vistos como uma constituição supra-nacional. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Jogo político à volta da Caixa

A polémica da Caixa Geral de Depósitos não têm fim à vista porque há sempre uma novidade que prolonga a discussão e as tricas partidárias. 

A esquerda tem medo de ouvir a verdade porque qualquer coisa será motivo para haver mal estar entre os partidos, sobretudo o PS que meteu água por todos os lados neste processo. Vai ser difícil mandar embora Mário Centeno, mesmo que os partidos da oposição continuem a criar instabilidade.

A questão central é saber até quando o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português vão continuar a engolir o Ministro das Finanças. O BE prometeu vigilância apertada em assuntos importantes e agora está a tapar o sol com a peneira. Os comunistas mantém sempre uma posição incerta para gerar desconfiança. 

A demissão de Matos Correia da Comissão Parlamentar de Inquérito foi uma boa jogada do PSD porque atira as culpas para o PS. Os socialistas estão numa camisa de forças sem saber o que fazer e a quem dar ouvidos. 

Por um lado, não podem aceitar as críticas da oposição, mas por outro, necessitam de ter cuidado com as reacções para não criar inimizades nos actuais companheiros parlamentares. 

O mais engraçado nesta história é a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa servir para criar mais caos político. O Presidente da República deveria apelar ao entendimento entre os partidos em nome do interesse nacional, mas actua como uma força partidária, embora constituída apenas pela sua pessoa.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Ano 2008: As redes sociais roubaram a influência dos blogues

Em dez anos tudo mudou na blogosfera. 

No início da década, os blogues surgiram como o grande espaço do comentário político, tendo sido ocupado por grandes intelectuais do nosso país. A democracia também se fazia na internet, sendo que, algumas caras do jornalismo e política começaram a ser lidas e conhecidas na blogosfera. 

O aparecimento das redes sociais deram cabo dos blogues porque a mensagem chegava a mais pessoas via facebook que através de sites. A partir do momento em que procurar informação passou a ser uma tarefa que dava muito trabalho, deixou de fazer sentido opinar num site.

No início pensava-se que os blogues iriam trazer discussão pública útil que poderiam ser aproveitados para criar movimentos de intervenção política. Isso acabou por não acontecer por causa das ferramentas fáceis de utilizar. Na altura também se organizarm concursos e nas eleições 2009, alguns candidatos reuniram-se com bloguistas para debater as questões nacionais.

O outro problema que não se verificou teve a ver com a influência. Nenhum blogue conseguiu ocupar o papel que está destinado aos jornais. Ou seja, denunciar algo que prejudicasse alguém. 

Os blogues serviram essencilamente para cada um ter opinião sobre qualquer assunto. É verdade que alguns blogues, como os de moda, ainda sobrevivem porque é uma forma das marcas venderem os produtos. 

O tempo não volta para trás, mas parece que o aumento da necessidade de opinar pode fazer ressuscitar alguns espaços de referência.

A vingança ainda se serve fria

Na política portuguesa o ditado "a vingança é um prato que se serve frio" aplica-se na perfeição. 

Os livros escritos por antigos presidentes ou primeiros-ministros, ou mesmo governantes, raramente são sobre os mandatos. O principal conteúdo é explicar como se relacionam com outros intervenientes políticos.

O novo livro de Cavaco Silva relata as experiências com José Sócrates e também António Costa. No segundo volume o país vai saber como o ex-Presidente da República se relacionava com Pedro Passos Coelho. Sem saber como eram os bastidores no período mais complicado da crise, é fácil constatar que, nem Sócrates e Costa, caíram no goto de Cavaco Silva, mas também não era preciso lançar nenhum livro para se ter percebido.

A grande diferença de Cavaco e Marcelo é que o primeiro respeitou sempre a separação de poderes, mesmo na difícil decisão de dar posse a António Costa. 

O que se passa com o actual Chefe do Estado é precisamente o contrário. Marcelo está apenas preocupado com o umbigo. Vai ser divertido ou chocante ler as experiências do Presidente na altura de editar a vendetta.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Basuki Tjahaja Punama - O candidato apoiado pelos cristãos na região de Jacarta leva vantagem sobre dois adversários muçulmanos. Se Punama for eleito pode ser um factor de disuassão do terrorismo que ainda perdura naquelas bandas. 

No Meio

Marcelo Rebelo de Sousa - O presidente da República começa a interferir nas questões governativas, terminando a lua de mel com o primeiro-ministro. A paz foi quebrada porque Marcelo não evitou meter a foice em seara alheia. O maior problema não é ter tentado demitir Centeno, mas a forma pública como continua a querer ser o principal protagonista. Isso vai causar impopularidade.

Em Baixo 

Mário Centeno - O ministro das Finanças tem sido o principal protagonista na questão da entrega da declaração dos rendimentos dos antigos gestores da Caixa Geral de Depósitos. Centeno fez um acordo com o antigo presidente à revelia do primeiro-ministro, mas teve que dar a mão à palmatória e desfazer a promessa. Por muito que queira apresentar bons resultados económicos, o ministro fica com imagem de mentiroso. Mentiu ao país e aos deputados e também não cumpriu com António Domingues. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Ano 2008: A monarquia ainda se discute 100 anos depois da morte do Rei

A morte do Rei D.Carlos em 1908 ainda indigna os monárquicos portugueses.

A forma como os republicanos decidiram acabar com um regime nunca será perdoado por todos os descendentes das famílias monárquicas, nem pelos que aderiram ao movimento, mesmo não tendo sangue azul.

Num país com muitos séculos de monarquia é normal que o fervor perdure durante muito tempo. As discussões e a reivindicações nunca serão apagadas, apesar das gerações mais novas terem nascido na república e em democracia. 

É verdade que existem monarquias constitucionais, mas o modelo de poder absoluto é o que faz mais sentido, já que, garante ao monarca poder legislativo, executivo e judicial. Se as funções estão distribuídas a figura real não passa de meramente decorativa, tendo inexistência política. 

A república não é um sistema infalível, mas assegura que as pessoas possam escolher através do sufrágio universal. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Marcelo entra finalmente em cena

Na primeira dificuldade política para o governo, eis que entra em cena o Presidente da República. 

A história sobre a polémica em torno da Caixa Geral de Depósitos ainda tem muito para revelar, mas o nome de Marcelo Rebelo de Sousa também já está metido ao barulho por causa da eventual demissão de Mário Centeno.

A nuvem continua a ser grande para se perceber todos os pormenores, embora não haja grande dúvida sobre a interferência presidencial na manutenção ou futura demissão de Mário Centeno. Afinal a posição de árbitro durou apenas um ano depois das eleições e menos de 365 sobre a tomada de posse. 

É impressionante o número de notícias sobre o envolvimento do Presidente na escolha política de António Costa. A partir de agora começam a revelarem-se algumas dificuldades do primeiro-ministro em lidar com uma situação problemática. No momento em que Marcelo começa a tomar conta do jogo político ninguém perto de si vai conseguir sobreviver. 

Perante a confusão criada por Marcelo Rebelo de Sousa em torno da demissão de Centeno, não acredito que o ministro continue no cargo. O Chefe do Estado pretende mesmo estragar tudo....

Na minha opinião, António Costa também não tem capacidade para lidar com Belém, exceptuando nas alturas em que é preciso sorrir para a fotografia. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Bom senso britânico

Os britânicos habituaram o mundo a ter outro tipo de comportamentos. A eleição de Donald Trump provocou azia e revolta, mas o Reino Unido aproveitou para reforçar os laços com os Estados Unidos fragilizando a economia europeia, bem como a coesão política. 

Na recente visita aos Estados Unidos, Theresa May conseguiu manter a aliança sem se ajoelhar, o que acontece muitas vezes com os actuais líderes europeus sempre que procuram alianças políticas. 

No final do ano, o governo britânico convida Trump a visitar o Reino Unido. Ora, a proposta provocou uma reacção negativa em alguns sectores, mas também no Speaker do parlamento que recusou receber o líder norte-americano. As palavras de Bercow devem-no atirar para a porta de saída. 

O executivo liderado por May recusou o pedido da população para fechar as portas a Trump. O respeito pelos resultados democráticos e a manutenção de uma aliança estratégica que vai beneficiar as duas partes foram os argumentos utilizados pela primeira-ministra. O bom senso britânico imperou sobre a arrogância e histeria verificada nas actuais lideranças europeias, mas também no Reino Unido. Theresa May não se sujeitou ao populismo e oportunismo político que a eleição de Trump originou. Falar mal do empresário também dá votos...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A revelação de Centeno tramou os acordos parlamentares

A bomba que caiu ao final da tarde vai mudar a face do governo. Por muito que António Costa queira, Mário Centeno deixou de ter condições políticas para ser Ministro das Finanças. A embrulhada da Caixa Geral de Depósitos confirmou a incompetência técnica e política do braço-direito do primeiro-ministro.

Se recuarmos a 2013, recordamos que a demissão de Vítor Gaspar praticamente deitou abaixo o governo CDS-PSD. As confissões e o desejo de Centeno também vão abrir brechas nos acordos entre os partidos de esquerda porque não há razão para defenderem o Ministro. 

Apenas a cegueira ideológica vai impedir que PCP e BE sejam favoráveis à continuidade de Centeno.

Percebo que Costa não queira deixar cair um dos ministros mais importantes. O primeiro-ministro voltaria a estar debaixo de críticas depois de ter excelentes números económicos. 

O PSD obteve uma vitória política sobre o executivo, já que, obrigou Centeno a dizer aquilo que a oposição queria. A partir de agora Costa vai ser confrontado no parlamento com a disponibilidade do ministro para se demitir. Duvido que consiga estar à altura das respostas. 

O pior mesmo foi a marcação de uma conferência de imprensa para explicar o que se passou na Caixa Geral de Depósitos sem primeiro ter ido ao parlamento. 

Por fim, parece que Marcelo Rebelo de Sousa já começa a interferir com a política governativa. 
Share Button