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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Regresso ao proteccionismo na Europa

O fim das negociações em torno do TTIP entre a Europa e os Estados Unidos significa uma mudança do ponto de vista comercial para o leste europeu. Os grandes países como a Alemanha e França já deixaram de se submeter aos interesses norte-americanos, ainda por cima, havendo a possibilidade de Donald Trump chegar à Casa Branca.

A mudança de inquilino em Washington não é a única razão para o falhanço das negociações. A vitória do Brexit vai tornar os países mais proteccionistas, com medo de efectuar trocas comerciais e mesmo estabelecer relações bilaterais. A nuvem de incerteza que paira sobre a Europa devido aos problemas financeiros e à segurança alteraram o comportamento dos principais líderes. Ninguém avança sabendo que os riscos são enormes.

Apesar de tudo, a maior parte dos líderes decide continuar a governar porque as alternativas são populistas e podem criar divisões. Ora, neste momento, algumas medidas já geram problemas na sociedade francesa. 

A tendência é para a Alemanha e França se unirem, mas também fecharem a Europa a qualquer risco. Os Estados Unidos vai ter uma orientação diferente nos próximos anos que não privilegia as relações com a Europa, seja Clinton ou Trump o próximo presidente norte-americano. O Reino Unido voltará a ter peso político internacional, o que trará benefícios financeiros e comerciais. 


terça-feira, 30 de agosto de 2016

A caminho de novas eleições

O início do debate sobre o programa do governo em Espanha fica marcada pela irredutibilidade do PSOE em votar contra na próxima sexta-feira. Rajoy venceu as eleições legislativas duas vezes, mas os socialistas pretendem governar o país, mesmo não tendo o apoio do Podemos, como se viu na primeira metade do ano. 

O assalto ao poder de Sánchez só se justifica pelo medo de perder o lugar de secretário-geral. É uma curiosidade os socialistas não terem pedido eleições antecipadas após os sucessivos falhanços do líder. Sánchez não venceu as eleições do final do ano passado, não conseguiu maioria parlamentar para governar e voltou a perder as legislativas de Junho. O próximo passo será derrubar o executivo de Rajoy para falhar novamente a criação de uma maioria porque o Podemos não irá suportar os socialistas. É incrível que na noite das últimas eleições, Sánchez tenha justificado a derrota do PSOE com as intransigências de Pablo Iglesias para passar o governo socialista. 

O momento político em Espanha é terrível. Os problemas nacionalistas são um problema crónico e agora junta-se uma crise política no governo central que não tem fim à vista. Dificilmente algum partido ganha maioria absoluta. Nem sequer a esquerda e a direita conseguem votos suficientes para governar. Se há um sistema em que podemos dizer que faz sentido falar em fragmentação política é o espanhol.

Na minha opinião, a incerteza só muda se os actuais actores políticos saírem, em particular Rajoy e Sánchez. Os resultados das duas últimas eleições mostram que os espanhóis não querem o socialista como primeiro-ministro, mas Rajoy também não recolhe simpatia, tendo um partido que continua a ser o mais popular em Espanha. Se as lideranças do Ciudadanos e Podemos mudassem, os partidos tradicionais tinham mais votos, mas Alberto Rivera e Pablo Iglésias são os novos entes queridos da política espanhola. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Mais um sinal de intolerância na Europa

A proibição do Burkini é mais um sinal negativo de intolerância dada pela Europa, sobretudo pela França do socialista François Hollande. 

As questões ligadas à utilização de sinais religiosos não tem nada a ver com Schengen ou  a implementação de medidas de segurança. O governo francês esconde-se atrás dos problemas de terrorismo para criar mais divisões internas no país. A resposta aos ataques contra os muçulmanos será mais violência dentro do território francês. 

À medida que vão surgindo mais problemas, começamos a perceber alguns motivos dos terroristas. No fundo, alguns lutam contra a discriminação no território gaulês.

Neste momento existe alguma intolerância na Europa, seja à esquerda ou direita. Não há ninguém que pense com racionalidade e adopte soluções tendo em conta os dois lados do problema. A excepção é mesmo Theresa May, que continua o legado de David Cameron no Reino Unido. Impressiona a forma como Hollande se tem deixado levar pela paranóia securitária e tomar medidas completamente estúpidas contra uma comunidade, sabendo que os atentados podem aumentar se continuar com o mesmo tipo de políticas. 

O populismo fácil tem atingido os principais países europeus e não são apenas clichés dos partidos de extrema. Como se vê em França, existe um socialismo muito perto da radicalização. 

sábado, 27 de agosto de 2016

Entrevista a Adelaide de Sousa


A actriz portuguesa concedeu uma entrevista ao OLHAR DIREITO sobre a carreira, bem como relativamente à mais recente experiência na novela Coração D´ Ouro.



Como decorreu a experiência em Coração D´Ouro?
Correu bem a nível pessoal e nas audiências. A Sofia tem algumas semelhanças comigo. Tem sido uma personagem muito interessante de se conhecer ao longo dos episódios, sendo também a mais estimulante devido às expressões dela.

O que procura encontrar numa personagem?
Tento sempre encontrar os pontos comuns com a personagem. No entanto, é sempre mais interessante interpretar alguém que tem menos a ver connosco. A manutenção do interesse no papel que estamos a realizar só pode ser possível se formos descobrindo aspectos e facetas que sejam diferentes.

A evolução de um actor também passa por dar esse passo?
É importante sair da zona de conforto e interpretar personagens com as quais não nos sentimos confortáveis porque ajuda no crescimento do actor. Não aceito personagens que podem vir a resultar num mau trabalho, em particular aquelas que não cabem nos meus princípios.

Consegue separar a ficção da vida real?
A técnica permite-nos ter a capacidade de separarmos as coisas.

Como prepara as personagens?
Há um trabalho base praticamente igual, embora varie se estivermos perante uma novela, filme ou peça de teatro. O conhecimento adquirido é importante para construir a imagem de outra pessoa. O passo seguinte é o funcionamento da personagem através da análise do texto e perceber as motivações daquela pessoa. Posteriormente aparece a questão física para interpretar sentimentos e posturas diferentes. Tem que ser um trabalho estruturado. 

Quais as principais características da ficção nacional?
A variedade devido à existência de muitas telenovelas, séries, além de haver teatro. Trabalhamos muito bem com poucos meios. Todos temos o desejo de fazer mais e melhor. 

São melhores do que as produções brasileiras?
Nós somos muito bons, mas ainda há muito trabalho a fazer. Os actores brasileiros não são superiores. Temos excelentes realizadores, directores de fotografia. Contudo, os brasileiros estão muitos anos à nossa frente, principalmente na parte técnica. Na representação já estamos num registo semelhante aos brasileiros.

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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Como se perde a medalha de honra

A atitude do nadador norte-americano Ryan Lochte deixa envergonhado qualquer amante do desporto. Não se percebe qual o motivo para o atleta ter tido aquele comportamento. Uma vergonha muito bem repudiada pelos responsáveis do comité olímpico norte-americano. O mais importante aconteceu com os patrocinadores. Lochte vai deixar de ser patrocinado ao mais alto nível. Uma penalização justa para um atleta que chegou ao topo no Rio de Janeiro, mesmo com a presença de Michael Phelps, e sai da cidade brasileira como um farrapo. 

Nos últimos anos, o desporto tem assistido a casos semelhantes. O doping de Maria Sharapova e de Lance Armstrong mostram como se pode cair do estrelato para o anonimato num instante. Tendo em conta que há sempre jovens que estão dispostos a serem melhores e bater recordes, não existe espaço para o regresso. Ou seja, uma vez caído em desgraça não há tempo para voltar ao topo. Não acredito que o nadador norte-americano consiga brilhar nas piscinas olímpicas e ser o sucessor de Phelps, pelo menos, a nível mediático. Ryan Lochte perdeu uma oportunidade de ouro de continuar a ser falado, mas deitou tudo a perder. O mesmo acontece com a tenista russa. Nem vale a pena falar de Armstrong que foi ultrapassado pelo britânico Chris Froome. 

É uma pena que alguns campeões tenham perdido a medalha de honra. Talvez a mais importante de todas...

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Washington fica ao lado de Erdogan

A recente visita de Joe Biden à Turquia é uma manifestação de apoio ao presidente Recepp Tayyip Erdogan na luta contra o terrorismo, mas também no recente pedido para os Estados Unidos extraditarem Fethullah Gulen na sequência dos pedidos do líder turco após o golpe de Estado em Julho.

Os Estados Unidos não poderiam adoptar uma posição neutra nesta situação complicada. Obviamente que a Administração norte-americana deu um sinal de que está ao lado de Erdogan. Quando se fala em competência do poder judicial para iniciar um processo contra Gulen mostra que Washington cedeu às pressões de Ankara, mesmo que o clérigo venha a ser ilibado e continue nos Estados Unidos. Duvido que isso aconteça. 

A Turquia é um dos maiores aliados dos Estados Unidos, em particular na luta contra o terrorismo. A presença de militares norte-americanos no país para ter acesso aos pontos mais importantes da região tem de continuar. 

Embora os dois países nem sempre estejam de acordo, acabam por voltar a apertar as mãos em nome do interesse mútuo. Os Estados Unidos asseguram uma base militar para controlar os conflitos no Médio-Oriente e os turcos ficam com as costas seguras em termos políticos e económicos. 

A partir deste momento, o processo de extradição de Gulen será acompanhado ao pormenor. A Casa Branca quer fazer tudo bem feito para não estar envolvida directamente, mas dificilmente Obama vai ser ilibado de ter ficado ao lado do presidente Erdogan. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Partido Trabalhista com pouco futuro

A entrada em cena de Owen Smith na corrida à liderança do Labour deveu-se à revolta de alguns deputados que aproveitaram a demissão de David Cameron de primeiro-ministro para substituir a liderança e pressionar os conservadores, a opinião pública e publicada para a necessidade de novas eleições gerais. 

O grupo de parlamentares, que se manifestou contra as posições de Jeremy Corbyn, quer assaltar a liderança do partido contra os militantes mais influentes e os sindicatos. 

Neste momento existe uma guerra cega pelo poder dentro do partido por várias facções. Os deputados são a facção menos poderosa, mas aquela que tem mais importância e responsabilidade. Não querem estar subjugados às decisões do establishment e à influência dos sindicatos, pelo que, decidiram abrir um conflito. 

O actual líder só está no poder por causa dos dois movimentos. Nem mesmo Ed Miliband teve hostilidade constante dentro do grupo parlamentar.

Na minha opinião o passo dado pelos deputados não vai resultar e terá consequências negativas. Se Owen Smith vencer não acredito que haja eleições antecipadas porque os conservadores estão mais fortes do que nunca e a decisão de respeitar o Brexit será recompensada nas urnas. Smith chega às eleições gerais sem ter feito oposição. No caso de Jeremy Corbyn continuar, os deputados não vão trabalhar com ele e os conservadores também continuam no poder com forte probabilidade de ganhar as eleições em 2020. 

O Partido Trabalhista corre um sério risco se não tiver uma agenda de esquerda mais virada para os problemas das pessoas. É verdade que Corbyn tem sido porta-voz de algumas medidas sociais, mas falta chegar a outro sector da sociedade e não apenas às classes trabalhadoras. 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Cada vez mais sozinho

O líder do Partido Trabalhista está cada vez mais sozinho na corrida à liderança. Os apoios mais importantes começam a juntar-se à candidatura de Owen Smith. 

Nos últimos dias Sadiq Khan e Kezia Dugdale manifestaram a intenção de votar em Smith. O caso do presidente da Câmara Municipal de Londres é mais interessante porque Corbyn esteve empenhado nas últimas eleições locais, reclamando uma vitória com a eleição de Khan para Londres. 

A campanha no referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia foi o fim de Corbyn, por causa da falta de empenho e não devido ao resultado final.

Apesar do isolamento, Corbyn tem o apoio dos membros do partido e dos sindicatos, dois sectores com importância nos trabalhistas e que são a principal força do partido. O problema é que a bancada parlamentar recusa trabalhar com a actual liderança, o que constitui uma vantagem para os conservadores, que se encontram unidos após as eleições internas. Sem o apoio dos deputados, o líder dificilmente consegue fazer oposição, já que, o parlamento é um palco importante na vida política britânica. As notícias mais importantes sobre os trabalhistas não podem ser as constantes rebeliões do grupo contra Corbyn. Aliás, foram os deputados que abriram o processo de liderança com uma moção de não confiança após a demissão de David Cameron.

A nível mediático e dos apoios, Corbyn está isolado sem conseguir passar uma mensagem de união, competência e empenho no cargo. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A falta de dinheiro já não serve de desculpa para os maus resultados

A fraca prestação dos atletas olímpicos portugueses tem de ser analisada sob dois pontos de vista. O primeiro diz respeito ao comportamento de alguns atletas durante a competição e o outro com a denominada falta de apoios.

Nem todos os atletas vão para os Jogos com vontade de triunfar. Ninguém obriga a lutar por medalhas, mas tem de haver empenho. Portugal chegou aos Jogos Olímpicos com campeões da Europa no Taekwondo, Canoagem K1 1000 metros, triplo salto feminino, lançamento do peso masculino e na maratona feminina. Apenas Fernando Pimenta mostrou vontade em defender o estatuto com que chegou ao Rio de Janeiro. Os outros, em particular Jessica Augusto e Tsanko Arnaudov envergonharam o país com a desistência na maratona e com a vontade de se divertir nos jogos em vez de querer ganhar. Na pista estiveram mal, mas não perderam oportunidade para aparecerem na comunicação social como derrotados. O mesmo se passa com o golfista Ricardo Melo Gouveia, que, com o honroso último lugar na prova de golfe, também não se coibiu de dar entrevistas.

A falta de ambição de alguns atletas é confrangedor. Não serve de desculpa dizer que se está a competir com os melhores do Mundo porque todos têm as mesmas condições. Se o país continua a pagar bolsas a atletas que não se esforçam temos direito de criticar. 

Outro aspecto que vem à baila de quatro em quatro anos é a falta de condições desportivas ou financeiras para conseguirmos chegar às medalhas. O atleta Rui Bragança utilizou os jornais para reclamar mais apoios. É preciso recordar que nos outros países também há atletas que financiam a presença nos Jogos. Bragança preferiu fazer queixinhas em vez de assumir responsabilidades após o vergonhoso 9º lugar para um campeão da Europa. Rui é mais um que quer mamar à conta do Estado, optando por procurar apoios através da comunicação social. No fundo, é mais um pseudo-campeão que fica à espera do dinheiro porque senão deixa de representar o país. Mais um comportamento típico do tradicional atleta português.

Nem tudo foi mau no Rio de Janeiro. Houve portugueses que merecem destaque pela positiva como o ciclista Nelson Oliveira, Patrícia Mamona, os canoístas, Luciana Diniz, o triatleta João Pereira e a medalhada Telma Monteiro. Nos próximos quatro anos tem de haver evolução desportiva destes atletas para pensarmos em melhores resultados em Tóquio 2020. O ciclista e a cavaleira competem fora do país, mas os outros precisam de ser apoiados nos clubes e pelas federações. 

Os Jogos do Rio mostraram que tem de haver mudanças na mentalidade dos atletas, na organização desportiva e na forma como se encara a competição. O objectivo tem de ser global. Se cada federação pensar apenas no próprio umbigo é normal que surjam sempre casos como os descritos no texto. Parece que cada atleta tem objectivos individuais não havendo metas estabelecidas pelas federações e pelo Comité Olímpico de Portugal. Também era necessário adoptar uma política de comunicação para não criar embaraços aos participantes. A conquista de medalhas também passa por aqui. 

sábado, 20 de agosto de 2016

Entrevista a Marina Costa Lobo



 A politóloga Marina Costa Lobo concedeu uma entrevista ao Olhar Direito sobre o actual momento político, tendo realçado que a bipolarização entre Direita e Esquerda pode ser passageira porque o entendimento entre o Partido Socialista, Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português e os Verdes não garante estabilidade. A docente universitária entende que a solução apresentada no parlamento pelos quatro partidos não foi sufragada no dia 4 de Outubro. Marina Costa Lobo faz algumas críticas às restrições financeiras impostas pela União Europeia. No plano interno acredita que há espaço para um partido Liberal.



O resultado das últimas eleições legislativas significa que estamos a caminhar para dois blocos políticos?

A evolução para dois blocos não é definitiva porque se trata de uma estratégia protagonizada por António Costa para bipolarizar o país. Os acordos que fez com Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português não garantem estabilidade porque não incluiram medidas essenciais, como a aprovação de orçamentos. Não estamos ainda a caminhar para uma situação em que o Partido Socialista seja eurocéptico e os restantes deixem de o ser. Na direita existe mais solidez. A partir de 2004, o CDS deixou de ser alternativo ao PSD e encarou-o como parceiro de coligação. A bipolarização está mais consolidada à direita do que na esquerda. No plano da competição eleitoral há uma clarificação dos posicionamentos ideológicos, o que pode levar a maior participação das pessoas. No entanto, em Portugal são necessárias reformas estruturais que necessitam do entendimento dos dois maiores partidos.

Portugal pode vir a ter um sistema de dois partidos dominantes como acontece no Reino Unido e Estados Unidos?

Não é possível caminharmos para um sistema parecido nesses dois países porque a questão da alternância torna-se mais complicada.

Porque razão os maiores partidos portugueses não conseguiram maiorias absolutas nas legislativas de 2009, 2011 e 2015?

Há uma erosão contínua nestes dois partidos devido ao pragmatismo e também por serem pouco programáticos. As duas forças cresceram com a entrada de Portugal na União Europeia, transformando o sistema tendencialmente bipartidário. O contexto económico dos últimos anos, devido às políticas europeias, provocou a erosão dos dois partidos. Também existe a percepção que a classe política não permite a circulação de pessoas com qualidade. Os portugueses têm vindo a fragmentar o voto, mas ainda estamos longe dos níveis que se verificam noutros países, como por exemplo a Holanda. O sistema em Portugal continua a ser dos mais resilientes da Europa. A percentagem que os dois principais partidos, em conjunto, têm é das mais altas em toda a Europa.

Os líderes partidários são responsáveis pela mudança?

O problema não está nas lideranças, mas no projecto da União Europeia em construir uma moeda única. As consequências de pertencer ao euro fazem com que as políticas económicas sejam consideradas de direita.

Os governos maioritários também têm capacidade para durar quatro anos?


O governo maioritário tem mais condições de durar uma legislatura. Na minha opinião os executivos servem pelas políticas que implementam e não por causa do apoio que podem ter na Assembleia da República. Neste momento, o país precisa de um governo que consiga cumprir as exigências da moeda única.

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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Campeões planetários para a história

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro ficam na história como os últimos de dois grandes campeões. O norte-americano Michael Phelps e o jamaicano Usain Bolt dizem adeus à competição mais importante do Mundo, sendo que, os dois saem com medalhas e recordes difíceis de bater nas próximas duas décadas.

Não acredito que algum atleta consiga obter 28 medalhas, mesmo participando em várias edições dos Jogos Olímpicos. O feito de Phelps ficará para sempre na história do olimpismo e do desporto mundial. Se os Estados Unidos quiserem continuar a dominar o quadro de medalhas têm de repescar o nadador para a estrutura desportiva. De certeza que Phelps vai ficar ligado ao desporto porque será uma boa forma do desporto norte-americano conquistar novos praticantes. No fundo, é o que falta às modalidades portuguesas para conseguirem atrair mais pessoas. 

O jamaicano Usain Bolt corre para ficar na história. A humanidade não encontra ninguém que seja mais rápido do que Bolt. O título "homem mais rápido do Mundo" terá sempre a marca do jamaicano. A partir de agora quem correr os 100m tem de conviver com a sombra de Bolt porque o vencedor das provas não irá bater o recorde mundial. 

Os dois campeões deram uma enorme lição ao mundo do desporto e não só. Quiseram ficar na história, ser sempre melhor que os outros, tendo mantido o mesmo nível nas últimas edições dos Jogos. Podiam continuar, mas saem num momento em que a atenção mediática se concentra apenas neles. Merecidamente são alvo de manifestações nos quatro cantos do planeta. 


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Futuro de Espanha nas mãos de Sánchez

O entendimento entre o PP e o Ciudadanos é um bom sinal para a democracia espanhola, sendo que, Mariano Rajoy ainda tem de esperar pela abstenção do PSOE no parlamento espanhol para entrar em funções. Esse será o segundo passo do vencedor das duas últimas eleições legislativas em Espanha. 

O problema da atitude demonstrada pelo PSOE não está em querer governar. Se tiver condições políticas pode justificar com as regras constitucionais o derrube do executivo antes de entrar em funções. O problema do actual líder socialista espanhol é não ter acordos políticos para "matar" Mariano Rajoy na praia. Ora, se Janeiro não houve fumo branco entre PSOE e Podemos, porque razão haveria mudanças agora?

Neste momento, Sánchez continua isolado em termos internos e externos. No plano interno porque precisa de alguma vitória para continuar à frente do partido e externamente não tem nenhum partido para se apoiar e formar governo. A única forma do líder ter possibilidades de ganhar eleições legislativas é convocar um acto eleitoral interno para reforçar a legitimidade. Só dessa forma, os espanhóis, vão vê-lo como uma alternativa a Mariano Rajoy. 

Não acredito que o líder socialista opte por esta solução porque não tem coragem de perder a liderança. No entanto, se tivesse essa atitude conseguia argumentos para derrotar Rajoy.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Não há silly season

A chamada Silly season tem sido pobre por causa do flagelo dos incêndios. Mais uma vez a política fica sem chama. 

O único momento interessante foi a questão das viagens ao Euro 2016, mas como a polémica apanhou deputados do PSD tudo ficou esquecido. De facto, o assunto não deveria ter merecido mais do que uma linha, mas no nosso país tudo o que rapidamente começa nas redes sociais chega aos media tradicionais. 

A falta de questões políticas fez com que os fogos florestais tivessem sido aproveitados pelos partidos, em particular o incêndio da Madeira. A líder do Bloco de Esquerda também sentiu necessidade de in loco verificar os estragos. O problema é que Marcelo Rebelo de Sousa antecipou-se a tudo e todos. Na minha opinião é urgente que haja algum assunto da moda para esquecermos os resultados vergonhosos dos olímpicos portugueses no Rio de Janeiro. O desporto nacional continua a obter maus resultados de quatro em quatro anos e ninguém quer saber disso porque sempre foi uma questão menor para o Estado.

O início dos trabalhos políticos promete. A grande figura do próximo ano será Marcelo Rebelo de Sousa, apesar de estarmos em vésperas de autárquicas. Neste ano, a liderança de Passos Coelho será questionada até ao dia das eleições e a de António Costa só continua segura após o acto eleitoral. 

Os Verões políticos após e antes a realização de eleições nunca são animados. 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Um partido fechado à sociedade

Os partidos políticos atravessam uma crise de identidade por causa da falta de debate interno. As eleições no Partido Trabalhista britânico não estão acessíveis a todos os militantes, podendo ser decidida apenas por alguns sectores como os deputados, sindicatos e membros mais importantes. Uma decisão judicial excluiu 130 mil membros de participarem no acto eleitoral do próximo dia 15 de Setembro. 

Os candidatos à liderança apelaram a mudanças nas regras que escolhem os líderes do partido. Apesar da democracia britânica estar bastante próxima dos cidadãos, os partidos ainda são bastantes fechados, com regras apertadas para quem pretende concorrer à liderança do partido. O processo de candidatura na maioria dos partidos tem mais em conta a vontade dos deputados e não propriamente o jogo de bastidores dos militantes mais importantes. Normalmente existe conflito de interesses entre os dois sectores. Como se nota na campanha para a liderança do Partido Trabalhista, a grande maioria dos deputados não gosta de Corbyn, mas os membros mais importantes do partido tem uma opinião diferente. Confesso que em Portugal os partidos deram passos de abertura com a realização das eleições directas. 

Não acredito que a mesma mudança ocorra no Reino Unido. A forte ideologia partidária faz com que os partidos estejam organizados de outra forma. No entanto, a falta de democracia dentro dos partidos é compensada com mais participação em todo o tipo de eleições, como se verificou no referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. 

A tentativa de permitir a participação de mais militantes nas eleições para a escolha do novo líder é uma proposta interessante de Corbyn, embora não deva ser aplicada mesmo vencendo o acto eleitoral. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Passear em Copacabana

A prestação dos atletas portugueses nos Jogos Olímpicos tem sido sofrível, podendo ser pior do que em Londres. O bronze alcançado por Telma Monteiro parecia ser um mote positivo para as restantes provas, mas nem o título de campeões da Europa no currículo de alguns atletas parece ser suficiente para exigir mais do que a mera participação.

Não se pode admitir que um golfista termine no último lugar e duas maratonistas, uma delas campeã da Europa, desistam no início das provas. Também não se deve aceitar a tranquilidade com que o velejador João Rodrigues encarou a sétima participação na competição sem conseguir uma medalha. Se em Londres, Marcos Fortes ficou conhecido por se ter desculpado pelo facto da prova se ter realizado de manhã, João Rodrigues fica para a história como o atleta que ainda se sentia cansado por ter sido o porta-estandarte da missão portuguesa. Em todos os anos existem sempre histórias inacreditáveis de pessoas que vão passear para os Jogos Olímpicos à custa dos contribuintes em vez de terem uma atitude séria perante a competição.

O problema é que são os mesmos a terem protagonismo mesmo desistindo ou ficando em último lugar. Não podem culpar a comunicação social por lhes conceder oportunidade de justificarem o fracasso. 

O discurso de alguns atletas também é inaceitável porque só falam em sonhos e nunca nos objectivos, ficando a ideia que uma medalha cai do céu por azar de um adversário. A maioria dos nossos olímpicos pensa assim e cada vez mais encaram os Jogos como mais oportunidade para conhecerem uma nova realidade. 

Daqui a quatro anos vamos continuar a dar palco aos que falharam nestes Jogos e perderam nos anteriores. É uma vergonha não haver objectivos definidos e obrigar os atletas a encararem a competição de forma séria. Só neste país é que os falhanços de Jessica Augusto, Sara Moreira, João Sousa, João Rodrigues e outros têm como recompensa mais minutos na comunicação social. A Holanda e a Bélgica com populações inferiores a Portugal metem mais desportistas nos Jogos e conquistam medalhas. 

sábado, 13 de agosto de 2016

Entrevista a Anabela Chastre


A Atitude Certa abriu o caminho de Anabela Chastre para o mundo da literatura. A obra nasce da vontade da autora em iniciar um trabalho junto das empresas, mas também com as pessoas na área do coaching. Não estamos perante mais um livro de auto-ajuda pessoal ou dicas para iniciar um novo negócio. A autora confidenciou ao OLHAR DIREITO que se trata de um livro transversal com possibilidades de ser aplicado em qualquer situação, já que, conta experiências pessoais.

  

Por que razão decidiu escrever o livro?

Escrevi o livro porque quis contar a minha experiência pessoal, embora realize o meu trabalho junto de empresas e com pessoas. A atitude é a base para nos sentirmos mais realizados em termos profissionais e pessoais. A próxima obra será dedicada à prática diária nas companhias. 

Serve melhor os interesses das pessoas ou das companhias?

É um livro transversal baseado no coaching. Pode ser apropriado ao indivíduo, mas também às empresas, tendo como base um plano de desenvolvimento.

O livro funciona mais como auto-ajuda ou para o empreendedorismo?

Quando o livro saiu fiquei com essa dúvida. É um bocado de tudo porque a metodologia é transversal à vida pessoal e profissional.

Que tipo de feedback tem tido?

Tenho tido um feedback positivo. É importante pensar na nossa vida e sobre aquilo que vamos fazer. O ano tem sido muito bom.

Quais são os problemas mais frequentes?

Os condicionalismos externos obrigaram as pessoas a pensarem as próprias vidas. Algumas delas foram afectadas pela crise. A readaptação passou por terem deixado o emprego que tinham e voltar a desenhar o futuro. A maioria pensava numa carreira durante a vida inteira. A vantagem da crise permitiu às pessoas perceberem que poderiam ser flexíveis.

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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Novamente o véu islâmico

A utilização do véu islâmico por parte das muçulmanas em locais públicos em países europeus está novamente em cima da mesa, em particular no Reino Unido e na Alemanha. 

O UKIP tem debatido o tema na campanha para a liderança do partido.Num país laico como são a maioria dos Estados europeus não deve haver proibição de manifestações religiosas em sítios públicos. Se querem proibir o véu islâmico também devem adoptar o mesmo procedimento para quem usa um fio de cruz ao peito.

As propostas do UKIP e de alguns sectores alemães visam combater a ameaça islâmica por via do castigo. Isto é, eliminar manifestações que possam servir de justificação para novos ataques. No entanto, estamos novamente a confundir muçulmanos com terroristas, além de criar mais normas de segurança. 

Os últimos acontecimentos na Europa não podem dar origem a uma perseguição contra os muçulmanos nos países que estão na mira do Estado Islâmico. Algumas entidades com responsabilidades estão a reagir sem pensar nos problemas que pode causar dentro da sociedade. Não é por acaso que se volta a falar do véu islâmico em território europeu. Normalmente quando os dirigentes europeus não sabem como reagir a uma crise começam a proibir tudo e mais alguma coisa. 

A Europa continua a se enterrar neste tipo de decisões. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Tudo mudou após as convenções

A campanha para as eleições gerais mudou após a realização das convenções. A candidata democrata pode sorrir devido aos resultados nas sondagens, embora sejam os swing-states a decidirem quem será o novo presidente norte-americano. 

Nos últimos dias, o discurso de Trump tem sido mais agressivo, tendo inclusivamente, rejeitado apoiar algumas figuras importantes do Partido Republicano na corrida ao Congresso. Não houve alterações nas propostas, mas esperava-se mais controlo ao nível das palavras. No entanto, isso não aconteceu, o que pode prejudicar o candidato republicano porque a mesma cassette acaba por incomodar algumas pessoas. Nem sequer a nomeação de Mike Pence como Vice-Presidente acalmou o candidato. Talvez Trump não necessite de ter cuidados com o que diz, já que, chegou à nomeação desta forma. Por outro lado, o empresário também parece não estar preocupado com a eventual unidade no partido. 

Por estas razões, Clinton tem vindo a subir nas sondagens. Na minha opinião, a união demonstrada pelos democratas contribuiu para os bons resultados. Ainda faltam três meses, mas os primeiros dias após as convenções avaliam as capacidades dos candidatos oficialmente nomeados. Neste aspecto, a antiga secretária de Estado norte-americano recolhe mais votos, podendo também subir na popularidade. Ao contrário, Trump pode ser visto como um bom Presidente, mas os níveis de empatia correm o risco de descer caso continue com o mesmo nível de linguagem. 

Não será expectável que haja mudanças, restando a Clinton não cair no jogo do adversário. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Duas formas de caçar votos

O governo português mostra habilidade na forma de chegar mais perto das pessoas. Isto é, conquistar mais votos. 

Os exemplos dados pelo Ministro da Educação e o Primeiro-ministro revelam como estamos perante um executivo que sabe implementar a estratégia. 

O Ministro da Educação e do Desporto permanece no Rio de Janeiro para assistir aos Jogos Olímpicos e proporcionar momentos importantes aos atletas medalhados, como aconteceu com Telma Monteiro. Ora, o governo não quer que o Presidente da República se antecipe nas condecorações, pelo que, convém ficar no Rio para chegar em primeiro lugar. A presença do Navio Escola Sagres vem mesmo a calhar....

Desde a vitória da selecção de futebol no Euro 2016 nota-se uma aproximação do poder político aos bons resultados desportivos. Os nossos responsáveis já perceberam que o país anda contente com as taças e medalhas. Neste momento, assistimos a uma competição entre São Bento e Belém na disputa do primeiro lugar pela confiança dos atletas.

O Primeiro-ministro aproveitou a onda de incêndios para voltar a aparecer como o salvador da pátria. O ministro da tutela fica em segundo plano porque o chefe do governo quer tomar conta de tudo e mostrar que tem a situação sob controlo, além de revelar a solução para o problema. A estratégia resulta porque silencia as críticas. A intenção de Costa passa por não criar chama para fora, mas também mostrar que tem o país na mão, criando uma imagem que todos os problemas serão resolvidos.  

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Um novo referendo não resolve os problemas do Labour

A corrida à liderança no Partido Trabalhista não está a ser esclarecedora porque os candidatos colocam em cima da mesa alguns assuntos com pouca importância. Neste momento, o tema do dia é a possibilidade de um novo referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. 

Não faz sentido colocar novamente o assunto na ordem do dia porque os britânicos decidiram a favor do Brexit, apesar do equilíbrio. No entanto, Cameron não fez qualquer exigência para considerar o escrutínio vinculativo, porque se tivesse feito ainda estaria no poder, embora o Labour mantivesse o processo eleitoral. 

O candidato trabalhista Owen Smith defende um novo referendo para agradar às elites do partido, em particular os deputados. O problema é que o Partido Trabalhista também se mostrou dividido durante a campanha eleitoral. Não faz sentido trazer o tema para discussão pública, já que, os britânicos escolheram e a demissão de Cameron significa que o país necessita de ter uma orientação tendo em vista a saída da União Europeia. 

A estratégia de Smith passa por convencer os que não gostaram do pouco empenho de Corbyn na defesa da manutenção. O actual líder também é um eurocéptico, pelo que, era expectável não se preocupar com o Brexit. Smith tem tudo para conquistar o voto dos críticos de Corbyn após a campanha. Aliás, a marcação de eleições antecipadas pretende aproveitar a onda negativa relativamente ao actual líder, por causa das várias derrotas e não devido ao Brexit. Contudo, Smith começa mal por falar de um assunto que está encerrado. 

A campanha para a liderança do Partido Trabalhista não deve ser feita à custa dos temas fracturantes como aconteceu com o referendo. A melhor maneira de derrotar os conservadores será ter uma agenda de esquerda.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Quem cria as expectativas

Os Jogos Olímpicos são sempre encarados com enorme expectativa devido à prestação dos atletas portugueses. De quatro em quatro anos o país espera e desespera por medalhas dos nossos olímpicos, como acontece sempre nos grandes torneios de futebol. Ora, no Euro 2016 conseguimos trazer o caneco, mas a realidade dos jogos é bastante diferente por causa do nível desportivo em Portugal. 

A pressão para alcançar medalhas não parte apenas de uma comunicação social ávida por notícias que transmitem o orgulho nacional. Os atletas olímpicos normalmente nunca têm um discurso realista, passando uma mensagem falsa daquilo que poderá ser o resultado final. Isto é, nem sempre a ambição corresponde às reais capacidades do atleta. Os dois grandes exemplos daquilo que escrevo é a judoca Telma Monteiro e o ciclista Rui Costa. A judoca nunca venceu uma medalha olímpica, apesar dos excelentes resultados em campeonatos do Mundo e da Europa. A portuguesa revela ambição, mas no tapete fica sempre pelo caminho. O ciclista Rui Costa obteve excelentes resultados no período que antecedeu os jogos, embora a prestação na Volta à França tenha sido um sinal negativo para a prova nos Jogos. No entanto, Rui Costa preferiu iludir os portugueses em vez de assumir que não estava em condições. 

Na minha opinião são os próprios atletas que criam expectativa num bom resultado. A prova disso é a forma como encaram os dias antes da competição, com tempo de antena excessivo sem terem obtido qualquer resultado, sendo que, após as más prestações não querem dar a cara. 

Existem outros aspectos que estão na base dos maus resultados, mas o que importa analisar é a forma como os atletas encaram a maior competição desportiva do mundo. 

sábado, 6 de agosto de 2016

Entrevista a Felipe Pathé Duarte


Os atentados terroristas de Paris e noutros locais do mundo desencadearam uma nova vaga de publicações sobre as motivações dos jihadistas. O professor Felipe Pathé Duarte lançou em Setembro o livro "Jihadismo Global: Das palavras aos actos" com o intuito de questionar a estratégia utilizada pelos grupos que actuam na Síria e no Iraque. 


Como é que vai acabar o processo militar e político na Síria?

A Síria vai acabar por ficar dividida no final do conflito, embora não se saiba em quantas partes por causa da incógnita relativamente ao papel de Bahar al-Assad. Antes da intervenção russa seria fácil chegar a uma conclusão, mas agora tenho alguma dificuldade em perspectivar como será o final. Neste momento, temos as áreas de influência de curdos peshmergas, do Exército Livre Sírio e do jihadismo. Dentro desta existem as zonas ocupadas pelo Al-Nusra e o Estado Islâmico. A zona curda não vai sofrer alterações. Por outro lado é necessário perceber qual será o papel de Assad no futuro e se integra o Exército Livre Sírio. No entanto, é arriscado prever o que vai acontecer ao país nos próximos meses.

No plano político qual será o futuro do país?

Há um roteiro para a saída de Bashar al-Assad que culmina com a realização de eleições nos próximos 18 meses. Contudo, Assad pode continuar no poder.

No caso de se verificar a última hipótese?

Pode acontecer que haja uma área de influência apoiada pelo Irão e Rússia e outra dominada pelos norte-americanos, além de uma zona controlada pelos turcos no nordeste da Síria.

A estratégia dos Estados Unidos não é a mais correcta?

Os Estados Unidos falharam o combate ao Estado Islâmico porque fizeram 8 mil raides aéreos, gastaram 2 mil milhões de dólares e nada aconteceu. Tem que haver tropas no terreno. Obama tem o anátema de ter ganho o Prémio Nobel da Paz, o que bloqueia qualquer tipo de intervenção.

Qual é o papel da Rússia neste conflito?

Putin está a disparar porque se quer assumir internamente e a nível internacional, além de tentar ocupar os buracos deixados pelo facto de não haver uma intervenção ocidental.

E dos países locais?

Têm um papel fundamental porque as forças internacionais têm de estar autorizadas pelas potências regionais, uma vez que, são as principais instigadoras do conflito. O Irão, Turquia e Qatar precisam de se empenhar no processo de intervenção ocidental, não só a nível militar, mas também na reconstrução que garante estabilidade na região.

Defende a saída ou a manutenção de Bashar al-Assad?

Há dois anos havia margem para Assad sair, mas isso não aconteceu. Neste momento não vejo qual será o governo de transição. Não sei até que ponto uma retirada de Assad poderá desequilibrar na totalidade aquela região.

O actual cenário favorece a influência do Estado Islâmico?

Não se consegue erradicar totalmente o Estado Islâmico, já que, existe a forte possibilidade de bolsas de ressentimento. A principal característica deste tipo de grupos é a provocação do inimigo no seu território para haver uma resposta que favoreça os guerrilheiros. Há uma forte hipótese da intervenção militar aumentar a actividade jihadista.

Os recentes atentados são uma forma de provocação?

Os ataques de Paris podem ter sido uma provocação dos jihadistas para criar uma guerra na região e justificar um conflito internacional. Não estamos a falar de uma acção de destruição pela destruição. A instrumentalização da violência visa desencadear reacções no inimigo que sejam favoráveis aos jihadistas.

Quais são as motivações dos jihadistas?


O Estado Islâmico continua o trabalho da Al-Qaeda, mas sem o apanágio, assumindo uma natureza violenta e destruidora. Tem uma visão quase apocalíptica. Pretendem uma alteração da ordem internacional que visa a desestabilização dos poderes, através de um processo de subversão armada. Estamos perante uma tentativa de um grupo subversivo cujo objectivo principal passa por alterar a ordem internacional em nome da criação do Califado com sede em Bagdade. 

(Continua em Interview by

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

E se forem todos iguais?

A viagem do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais a dois jogos da selecção nacional no Euro 2016 anima uma época em que todos estão a banhos e ninguém quer saber dos números do défice, desemprego ou outra coisa. 

Os convites por parte das empresas a governantes é uma prática habitual que atinge todos os quadrantes políticos. O problema também atinge outras áreas. No fundo, aproveitar uma borla não tem mal nenhum, mas há quem utilize uma posição favorável para gozar de alguns privilégios que só podem ser acedidos pelo cidadão comum por via do próprio bolso. 

Neste país, existe um sector da sociedade, no qual estão incluídos os políticos, que conseguem ter acesso a tudo e mais alguma coisa por causa do cargo que ocupam ou simplesmente porque andaram a fazer favores. Ao longo dos anos temos vindo a assistir a um abuso relativamente a estas situações, como comprovam as notícias do pagamento a três deputados sociais-democratas do bilhete da final do torneio, sendo que, um deles é líder parlamentar. 

Não será por causa de um código de conduto inventado pelo governo socialista que as situações como esta vão continuar a acontecer sem serem noticiadas porque faz parte do ADN do governante português. Aproveitar o estatuto para aceitar convites que permitem algum lazer. Note-se que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças são espectadores assíduos nos jogos de futebol do Benfica na Luz. 

A questão das viagens de Fernando Rocha Andrade ao Euro 2016 é um argumento a favor daqueles que consideram os políticos todos iguais. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A pequena vingança de Trump

A falta de união dentro do Partido Republicano continua a ser visível, mesmo após a Convenção de Cleveland. O candidato à Casa Branca recusa apoiar as candidaturas de Paul Ryan ao Congresso e de John McCain ao Senado norte-americano. Ora, se a falta de suporte ao senador do Arizona era expectável, não se percebe porque Trump não apoia Ryan, já que, o líder do Congresso tem sido um dos principais responsáveis pela tentativa de unir o partido após a nomeação do empresário. 

O milionário está a vingar-se daqueles que lhe colocaram dificuldades durante as primárias e mesmo após a Convenção. A atitude não beneficia ninguém porque Trump pode ter que trabalhar com o Congresso maioritariamente republicano após as eleições de Novembro. A relação entre a Casa Branca e o Congresso pode ser bem mais difícil do que nos últimos anos da liderança Obama em que os republicanos ganharam lugares importantes na Câmara dos Representantes e no Senado. 

É verdade que Trump demonstrou apoio aos candidatos republicanos que concorrem contra Ryan e Mccain naquelas localidades, mas poderá ter que fazer declarações públicas a favor dos dois caso conquistam os lugares do Wisconsin e do Arizona. Neste momento, o candidato presidencial aplica a velha máxima "a vingança é um prato que se serve frio", tendo esperado pelo momento certo para atacar os que sempre criticaram. É um direito que lhe assiste, mas uma vez nomeado, tem de ter outra postura e atitude perante os críticos e não arranjar oportunidades para se vingar. 

Na minha opinião, seria importante haver uma alteração de atitude de Trump que não significa mudanças no discurso e nas propostas. 


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Trump e a Rússia

A política externa norte-americana com Donald Trump vai ser totalmente diferente porque a exigência será bem maior do que durante o mandado de Barack Obama. 

Uma das relações que irá mudar é a estabelecida entre os Estados Unidos e a Rússia. Acredito que Trump pretende incluir a Rússia na luta contra o terrorismo e a solução no Médio-Oriente. Talvez o candidato republicano consiga que a União Europeia aceite Moscovo, mas os líderes europeus nem sequer vão estabelecer contactos com o republicano.

Na minha opinião, o principal erro de Obama em termos externos foi isolar a Rússia, tendo inclusive, se colocado ao lado de Kiev e da Crimeia aquando da revolução naquele país em 2014. Os Estados Unidos estiveram a reboque da União Europeia, o que prejudicou as relações com Moscovo. Trump tem de reforçar os laços com Moscovo para a luta contra o terrorismo ter sucesso e a crise do Médio-Oriente seja resolvido para garantir o regresso dos refugiados a casa. 

Os Estados Unidos não podem continuar a ignorar a importância da Rússia na ordem mundial, sobretudo, numa altura em que as forças militares precisam de estar activas na luta contra o terrorismo. Se Trump prestar mais atenção a Moscovo é um sinal que vai ignorar a União Europeia. Aliás, as declarações do candidato após a vitória do Brexit mostram que os Estados Unidos ficam longe da Europa nos próximos quatro anos. 

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Brasil já perdeu os Jogos

A situação política no Brasil não favoreceu o clima para os Jogos Olímpicos. Neste momento existem vários problemas que colocam em causa o sucesso do evento na Cidade Maravilhosa. 

Sempre que alguma coisa é organizado em terras brasileiras a segurança é o primeiro problema a ser falado, em particular naquela cidade. 

Não se percebe como o Brasil aceita continuar com a organização após o Mundial 2014 também ter revelado alguns problemas na construção dos estádios. Não são apenas as questões relacionadas com a segurança que preocupam os protagonistas. A falta de organização tem impedido que o país fique no mapa, o que também vai acontecer no Rio de Janeiro. 

O Brasil poderia ser um grande candidato a vencer os Jogos Olímpicos no número de medalhas e destronar os Estados Unidos e a China, mas isso não vai acontecer. A crise política não afecta os resultados desportivos, mas o clima não será o melhor porque estando o mundo com os olhos no Brasil é provável que haja movimentações negativas com o intuito de prejudicar a imagem do país. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Desgoverno em Espanha

O líder do PSOE prepara-se para chumbar o governo liderado por Mariano Rajoy no parlamento, depois de também ter sido o responsável pela crise política que levou às eleições legislativas de Junho.

Os resultados das últimas eleições não foram suficientes para o PSOE pedir responsabilidades a Sánchez pelo segundo mau resultado consecutivo. Ao invés, vai dar nova oportunidade para mais uma crise política porque os socialistas não conseguem formar maioria com o Podemos. A única maneira passa por convencer o Ciudadanos, mas Albert Rivera dificilmente aceita Iglésias no governo. No entanto, a segunda tentativa de socialistas e Podemos se entenderem também deverá ser um autêntico fracasso. 

O que mais intriga é a forma como PSOE bloqueia o PP sem ter uma solução de governo alternativa. Em Portugal, os três partidos de esquerda anteciparam a queda da PAF, mas em Espanha não há nada acordado, sendo que, Podemos e PSOE não morrem de amores um pelo outro. 

O mais provável é a realização de mais um acto eleitoral, mas os partidos deveriam convocar eleições internas para reforçarem a legitimidade e serem escrutinados pelas opções políticas do último ano que prejudicaram a estabilidade do país. 
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