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domingo, 31 de julho de 2016

Olhar a Semana - Protegida pela elite

A Convenção Democrata demonstrou que o Partido Democrata vai dar o corpo às balas por Hillary Clinton para disfarçar alguns problemas de popularidade. 

O apoio de Barack Obama será muito importante porque o actual presidente norte-americano ainda tem níveis alto de aceitação junto da população. Numa altura em que a Casa Branca pode ficar entregue a alguém que não reúne as características essenciais de um Chefe do Estado, a mensagem de Obama tem mais impacto do que a da candidata. No entanto, a grande novidade surge do lado de Bernie Sanders.

Durante as primárias, o senador do Vermont prometeu ir à Convenção para defender as ideias da campanha, mas houve uma reviravolta devido à influência de Obama. Neste momento, a mensagem tem de ser sempre a mesma e Sanders foi claro quando disse que a vitória de Clinton seria importante para evitar que Trump conquiste o poder. 

Na Convenção de Filadélfia verificamos que Clinton continua bem protegida pela elite democrata, o que será fundamental nas alturas em que Trump estiver ao ataque. De facto, os democratas responderam muito bem aos ataques dos republicanos que pediam a prisão da candidata por causa do escândalo do email. 

A entrada em cena de dois antigos presidentes democratas, um deles é Bill Clinton, é um trunfo sobre o adversário que não tem qualquer ex-presidente republicano consigo. 

Apesar de todos os erros cometidos, dos escândalos que surgiram em público e da falta de popularidade, Clinton tem garantida a defesa por parte dos aliados, preocupando-se apenas em fazer passar a mensagem nos comícios. 

sábado, 30 de julho de 2016

Figuras da Semana


Por Cima

Hillary Clinton - A candidata democrata saiu em grande da Convenção porque conta com o apoio de todas as grandes figuras do partido, em particular dos dois últimos presidentes democratas. As sondagens não são as melhores, mas a antiga primeira-dama ganhou um novo fôlego após a reunião em Filadélfia. Tem a certeza que irá contar com os grandes nomes durante a campanha para as eleições gerais.

No Meio

Marcelo Rebelo de Sousa - O Presidente da República acaba por ser um dos grandes responsáveis por Portugal não ter sanções económicas por défice excessivo. O trabalho realizado nos bastidores garantiu mais tranquilidade na execução orçamental. No entanto, existem sinais preocupantes de Belém sobre a estabilidade política para o próximo ano.

Em Baixo

Pedro Sánchez - O líder do PSOE vai votar contra a investidura de Rajoy no parlamento. Pela segunda vez consecutiva, Sánchez não aceita a condição de derrotado nas eleições e pretende governar à força. O problema é que não será com a ajuda do Podemos. A sede de poder de Sánchez prejudica o país vizinho. Perante esta atitude, temos a certeza que não haverá governo em Espanha até o PSOE ficar atrás do Podemos e do Ciudadanos. O que não falta pouco.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

De quem é o mérito

A Comissão Europeia não vai aplicar sanções a Portugal e Espanha por défice excessivo. Após os partidos terem andado a culparem-se uns aos outros, chegou a hora de recolher o mérito. 

Por um lado, o governo anterior pode ser aplaudido por ter feito o maior esforço possível na redução do défice. No entanto, o actual executivo quer ser o principal protagonista porque fez pressão junto das instituições europeias. 

Se andámos várias semanas a discutir a culpa de recebermos eventuais sanções, também iremos passar o Verão na tentativa de descobrir quem salvou Portugal das multas.

Nem Passos Coelho ou António Costa têm estado bem. O primeiro não quer estar ao lado do primeiro-ministro, mas o segundo também evita reconhecer o esforço feito pelo anterior governo. Ou seja, as palavras que Costa utiliza são "esforço dos portugueses" e não mérito de Passos Coelho. Não poderia ser de outra maneira, já que, cairia o principal argumento que levou à formação da geringonça.

Neste tema  o único que tem estado bem foi Marcelo Rebelo de Sousa. Tenho a certeza que o jogo de bastidores do Presidente da República evitou sanções a Portugal. A carta do primeiro-ministro foi apenas uma formalidade. Não acredito que Costa seja bem visto em Bruxelas, pelo que, só Marcelo conseguiu ter influência. Desde o primeiro minuto que o Presidente teve uma postura acertada. Na minha opinião o mérito é apenas e só do Chefe do Estado. 

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Sócrates já nem sequer abre os telejornais

A queda da popularidade de José Sócrates é tanta que já nem sequer os telejornais dão atenção ao que o ex-primeiro-ministro diz. De facto, desde que começou a guerra contra a justiça, Sócrates tem vindo a perder espaço mediático porque aquilo que invoca não faz sentido. Não são as questões jurídicas porque isso será decidido em tribunal, mas as razões da detenção.

Ninguém quer saber se a justiça impediu Sócrates de chegar a Belém, voltar ao Largo do Rato ou outro sítio qualquer. Tudo o que diz não interessa a ninguém. O ex-líder caiu em desgraça e já não a comunicação social a acompanhar as supostas perseguições.

A única maneira de atrair a atenção dos meios de comunicação social e os militantes socialistas passa por ter ideias políticas, mas também já ninguém quer a opinião política do antigo líder socialista. É verdade que o lançamento do novo livro pode ajudar a ter alguma publicidade, mas será sempre efémero devido ao constante conteúdo que preenche a vida diária de Sócrates.

A manutenção do governo liderado por António Costa também não favorece Sócrates. 

Mais uma saída do Coelho

As declarações de Passos Coelho à SÁBADO sobre o convite que fez a António Costa para vice-primeiro-ministro após as eleições de Outubro são mais uma machadada que vai prejudicar o líder social-democrata. A entrevista não caiu bem nos dirigentes do PP que se sentiram traídos, já que, o antigo líder era quem deveria ocupar a cadeira. 

No PS as declarações também não podem ser vistas como uma ameaça porque todos percebem o jogo de Passos Coelho.

O líder social-democrata pretende afastar-se dos centristas, deixando Assunção Cristas sem apoio quando formos a eleições. Estamos perante um sinal óbvio que o PSD vai sozinho a jogo nas próximas legislativas. No entanto, Passos Coelho também quer deixar o PS e o primeiro-ministro numa situação de desconforto por não ter participado num governo de bloco central que seria a melhor solução para o país e a defendida por Cavaco Silva. O problema é que Costa nunca assumiu vontade de se coligar com o PSD. 

Neste momento, Passos Coelho tem vontade de atingir os adversários políticos onde também se inclui o CDS, revelando pormenores da anterior governação. Note-se que os sociais-democratas recolhem para si os aspectos positivos dos últimos quatro anos. 

Após um ano de governo socialista, é certo que os partidos da direita terão de trilhar caminhos diferentes até ao final da legislatura. 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Democratas unidos dificilmente serão vencidos

A Convenção Democrata mostra que o partido está todo com Hillary Clinton, mesmo o adversário das primárias. A atitude de Bernie Sanders não teve nada a ver com o discurso de Ted Cruz em Cleveland. 

O aparecimento das principais figuras dos democratas, falta Obama, coloca Clinton numa excelente posição para atacar o candidato republicano, sem que tenha de responder às acusações que tem sido alvo. O establishment criou um escudo protector para a candidata se concentrar apenas nas eleições. 

Neste momento a única vantagem de Clinton sobre Trump é a união do partido, mas as eleições gerais irão ser decididas pelas pessoas. Nesta eleição não acredito que qualquer establishment tenha capacidade de convencer o eleitorado porque estamos perante uma mudança na forma como os Estados Unidos irão ser governados nos próximos quatro anos. Os baixos níveis de popularidade dos candidatos podem alterar a lógica da eleição. As pessoas não estão descontentes apenas com a personalidade de Trump e Clinton, mas com o establishment dos dois partidos. 

Apesar de tudo, importa sair de Filadélfia mostrando mais unidade que os republicanos, o que cai sempre bem no início das campanhas e os media também realçam as diferenças entre os dois partidos. Na minha opinião, o apoio de Bernie Sanders acaba com eventuais dúvidas. O eleitorado do Senador do Vermont não vai ter a tentação de votar Trump. 

Hillary Clinton não precisa de fazer um grande discurso para sair em ombros da Convenção. 

terça-feira, 26 de julho de 2016

Discutir números

No nosso quotidiano político passamos a maior parte do tempo a discutir números. A boa ou má governação depende das estatísticas, o que não é bom porque como se costuma dizer "há números para todos os gostos". De facto, o governo ou a oposição podem pegar em qualquer coisa para justificarem o sucesso ou os falhanços políticos.

A polémica em torno da redução do défice cai sempre em saco roto porque existe uma obrigação moral, além do cumprimento das metas europeias, de ter menos despesa pública. Neste aspecto, não se percebe a luta partidária quando deveriam estar todos do mesmo lado porque quem beneficia com menos despesa é o país. Não será certamente o partido A ou B. É verdade que conta muito a questão de saber quem gastou mais e porquê. No entanto, nesta altura ninguém tem a coragem de gastar, sendo que, a ordem será sempre para reduzir. 

O actual executivo só tem de continuar o trabalho do anterior governo, embora esteja sempre condicionado pela vigilância de Bruxelas. Nenhum governo consegue escapar ao radar das instituições europeias, pelo que, a discussão sobre quem é a culpa não tem cabimento. 

Os números são sempre um pau de dois bicos para os governos porque não existem apenas conclusões positivas. Contudo, na hora de votar o eleitor espreita sempre as estatísticas oficiais, em particular os indecisos. 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Todos querem vingar-se das políticas europeias

Não há dúvida que as políticas europeias estão a ser atacadas, seja através de ataques em pequena ou grande escala, mas também por via da revolta dos Estados. A ameaça de António Costa processar a União Europeia caso as sanções contra Portugal venham a ser implementadas.

Os recentes ataques terroristas contra a França são uma forma de vingança contra a participação militar do país na Síria e no Mali. A Alemanha está a ser atingida pelos refugiados, o que vai desencadear mais problemas internos que trarão dificuldades a Merkel. 

No plano político existe insatisfação pela decisão da UE em sancionar Portugal. Não se justifica haver retirada de apoios por causa de duas décimas. Contudo, as instituições europeias não têm medo em demonstrar que não concordam com a solução governativa. 

À medida que a União Europeia revela incapacidade para lidar com os novos desafios abrem-se fissuras na sociedade com consequências mortais. 

domingo, 24 de julho de 2016

Olhar a Semana - A Convenção da desilusão

A semana política fica indubitavelmente pela Convenção Republicana que confirmou Donald Trump como o candidato do partido à Casa Branca, embora por razões negativas do que positivas. 

A maioria dos oradores optou por discursos vingativos que falar sobre os problemas do país e do Mundo. Não se entende a forma como alguns republicanos pediram a prisão de Hillary Clinton. O Partido Republicano tem de fazer muito melhor e a culpa não é só de Trump, quando há generais que vão ao palco para dizer que a candidata democrata deve ser detida. 

A Convenção também teve mais dois momentos negativos. Em primeiro o discurso de Melania Trump que foi copiado de Michelle Obama e a vendetta por parte de Ted Cruz. Durante o segundo dia não se falou de outra coisa senão do plágio de Melania, enquanto no encerramento o tema recorrente era o não apoio de Cruz a Trump. 

Não admira que o Partido Republicano esteja em queda. Ninguém discute política nem os problemas dos Estados Unidos. Nota-se que existem várias facções nos republicanos que complica a vida aos principais dirigentes. Paul Ryan e Mitch Mcconnell foram os únicos que tentaram criar um ambiente positivo numa convenção em que se falou mais das ausências do que dos presentes, sendo que, os últimos não estiveram à altura das circunstâncias.

Na próxima semana tem início a reunião dos democratas e Clinton irá tirar partido da diversão ocorrida em Cleveland, o mesmo acontecendo com Barack Obama que vai falar como democrata e não Presidente dos Estados Unidos. 

sábado, 23 de julho de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Theresa May - A primeira-ministra britânica começa positivamente o mandato com viagens importantes a Berlin e a Paris. O objectivo passa por descansar as principais figuras europeias relativamente ao Brexit, mas também assumir uma nova posição do Reino Unido face aos países europeus. A viagem à Alemanha correu bem, só que em Paris recebeu avisos por parte de Hollande.


No Meio

Donald Trump - O empresário garantiu a nomeação para ser o candidato republicano à Casa Branca. No entanto, não houve unanimidade e alguns momentos menos positivos em vésperas da campanha para as eleições gerais. A escolha do Vice-Presidente também não entusiasma as grandes figuras. A partir de agora existe respeito pelo candidato, mas nunca será alguém consensual.


Em Baixo

Ted Cruz - O senador do Texas fez má figura na Convenção Republicana. Não se trata de criticar Trump num momento que deveria ser de unanimidade, mas o problema tem a ver com o modus vingança. Cruz esperou vários dias para se vingar do empresário. A justificação do senador não colhe porque todos sabem que se tratou de um atitude por ter perdido a nomeação. O momento triste só o vai prejudicar no futuro com ou sem Trump na Casa Branca.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Quando as vinganças (politicas e não só) correm mesmo muito mal

O discurso de Ted Cruz na Convenção Republicana estava cheio de vingança. A explicação não foi feita no local, mas após a atitude ter sido vista em todo o mundo. Ted só teve coragem de dizer porque fez aquilo nas costas de Trump.

A justificação do senador do Texas não cola porque existe mais rancor em relação a Trump do que apenas uma zanga por causa de palavras menos correctas entre os dois. Recorde-se que Cruz não teve palavras simpáticas para Melania Trump. O insulto não devia fazer, mas infelizmente continua a ser uma arma política, sobretudo para os desesperados. Quem perde são os eleitores que não sabem o valor político de cada candidato.

O problema de Cruz relativamente a Trump também tem a ver com a escolha dos republicanos. O senador do Texas nem sequer deu luta ao empresário, acumulando várias derrotas. A culpa não é apenas dele, mas do Tea-Party que continua sem dominar os republicanos. 

A vingança de Cruz sobre Trump é uma daquelas que correu mal ao vingador. Isto é, quem teve a iniciativa do acto de prejudicar outrem. Não só pela reacção dos delegados em Cleveland. A partir de agora não há mais espaço de manobra para o senador do Texas voltar a ser candidato à Casa Branca. Se o fraco valor político tinha sido rejeitado nas primárias, o público em geral conheceu o carácter. No Senado a situação não fica famosa porque se Trump chegar à Casa Branca tem de gerir o relacionamento com o Presidente. No entanto, se o milionário perder o Congresso deve ficar nas mãos dos republicanos, o que também constitui um problema porque Cruz mostrou mais uma faceta negativa. 

Talvez estejamos perante a queda do Tea-Party enquanto corrente dos republicanos. Pode ser que nasça um partido autónomo com Ted Cruz à cabeça. Contudo, a partir de hoje ninguém vai esquecer o discurso em Cleveland. já que, as ideias políticas foram zero. 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Continuam quase todos contra Trump

A Convenção Republicana não serviu para Donald Trump conseguir unanimidade do partido. As inúmeras demonstrações de desagrado ao candidato mostram que a campanha para as eleições gerais vão ser complicadas. Mesmo que algumas figuras votem no empresário em segredo, conseguiram fazer ruído à volta da nomeação. 

A ausência de figuras importantes não é o mais relevante porque acontece em todo o lado. A maioria não apareceu por inveja política, já que, perderam a nomeação para o empresário. No entanto, o maior problema foram as contestações dentro e fora do pavilhão e alguns discursos menos favoráveis. 

O apoio do establishment com Paul Ryan e Mitch McConnell à cabeça será importante, mas não irá calar as vozes discordantes. Não acredito que os dois estejam sempre ao lado do candidato nos próximos meses. De certeza que os derrotados nas primárias irão apoiar Hillary Clinton. 

As análises durante a Convenção não favorecem o candidato. Existiu bastante ruído por causa do discurso de Melania Trump, sendo que, o nome do vice-presidente também não entusiasma. Na minha opinião, o apoio de Chris Christie, Ben Carson e Rudolph Giuliani são escassos para fazer face aos democratas. O maior apoio de Trump são a população, mas nem todos puderam estar em Cleveland. 

O momento mais caricato foi a intervenção de Ted Cruz. O senador do Texas interveio para não apoiar Trump, provocando assobios. Ted Cruz saiu por baixo da campanha nas primárias e mete-se no primeiro buraco após a intervenção na Convenção. De certeza absoluta que ninguém vai voltar a ouvir falar dele. Um político miserável sem uma única ideia.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Previsível e sem emoção

A nomeação de Donald Trump como candidato oficial do Partido Republicano às eleições gerais em Novembro decorreu sem emoção, apesar de algumas faltas. No entanto, lá como cá, também se costuma dar mais importância aos que não apoiam do que aqueles que estão ao lado do empresário. 

A frustração de alguns, em particular dos derrotados Jeb Bush e John Kasich revelam que há maus políticos em qualquer lado, mesmo na quase perfeita democracia norte-americana. O problema é que Trump não precisa de pessoas que façam figura de corpo presente porque é precisamente contra isso que o discurso acentua. 

O caminho de Trump desde o início até ao dia de confirmação oficial foi irrepreensível com vitórias sucessivas, pelo que, não estranha o apoio do establishment republicano. Neste particular, Paul Ryan esteve muito bem ao tentar unir o partido. Na minha opinião, os republicanos não precisam dos ex-presidentes Bush, principalmente de George W. A população ainda não perdoou alguns erros cometidos pelo último presidente republicano. Quanto a Mitt Romney, os números dizem que falhou duas eleições presidenciais. Nem vale a pena lembrar que Jeb Bush e John Kasich tiveram exibições sofríveis nas primárias, sendo que, se os dois tivessem tido a mesma atitude de Owen Smith e Angela Eagle no Partido Trabalhista britânico, talvez o empresário não vencesse a eleição ou tivesse de mudar o chip. Isso não aconteceu porque cada um pensou unicamente no umbigo. A manutenção de Kasich após o último lugar em cada primária foi surpreendente. 

Neste momento, o Partido Republicano é de Donald Trump e nem sequer pertence ao establishment.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Orçamento decisivo para Costa

As notícias sobre a execução económica e a necessidade de medidas adicionais não favorecem a geringonça de António Costa. O primeiro-ministro sempre pensou que tinha tudo controlado, mas as exigências de Bruxelas falam mais alto que as promessas eleitorais. 

Duvido que o primeiro-ministro tenha a capacidade de dar a volta à situação e o orçamento para 2017 vai passar, mas com avisos por parte dos parceiros internos, o que será bom para o PSD em termos eleitorais, porque pode garantir a vitória nas autárquicas que confere legitimidade para reclamar legislativas antecipadas em 2018. 

A economia e as questões orçamentais irão definir o resultado das autárquicas daqui a um ano, pelo que, o PS tem de apresentar resultados positivos antes e após o orçamento do Estado para 2017. Qualquer questão que coloque em causa o rumo traçado prejudica Costa e oferece novamente o primeiro lugar a Passos Coelho. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O maior dilema do mandato de Barack Obama

A tentativa de golpe de Estado na Turquia abriu um enorme problema para Barack Obama. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, colocou o homólogo norte-americano entre a espada e a parede ao pedir a extradição de Fethullah Gulen, que se encontra na Pensilvânia. 

Os Estados Unidos não podem prescindir de um aliado como a Turquia por causa do combate ao Estado Islâmico, mas também porque são o único amigo naquela região do globo, que tanto odeia a bandeira norte-americana. No entanto, se Obama cede às pressões de Erdogan também vai enfurecer a Europa, mas sobretudo, ser responsável por um eventual banho de sangue na Turquia. 

Nesta situação, Obama não pode deixar de decidir, sendo que, qualquer medida será negativa para os Estados Unidos. Ou seja, uma dor de cabeça que nenhum presidente quer ter, e, talvez o maior dilema do mandado do actual presidente em vésperas de abandonar a Casa Branca. A opção de passar o problema para Trump ou Clinton não está em cima da mesa porque a população e o governo turco pretendem rapidez porque é necessário calar a oposição. 

As relações entre a Turquia e os Estados Unidos estão em causa devido à pressão de Erdogan. 


O poder crescente de Erdogan

A tentativa de golpe de Estado contra o Presidente Recep Tayyip Erdogan é mais um sinal de instabilidade na região provocado pelas guerras no Iraque e na Síria. As revoltas nos dois países perto da Turquia estão a ter consequências. 

Há muito que existe a necessidade de mudança de regime, pelo que, Erdogan tem feito tudo para controlar a oposição porque a possibilidade de haver um efeito dominó na Turquia relativamente ao que se passa na Síria é cada vez maior, em particular devido ao aumento do terrorismo. Os actos terroristas em solo turco são provocados por quem está insatisfeito com o actual regime. 

O problema para a oposição é a popularidade de Erdogan, como se viu no último fim-de-semana. Enquanto tiver apoio popular dificilmente os generais da oposição conseguem ter sucesso porque inevitavelmente irão ter que disparar sobre as pessoas. Enquanto existe ou não mais golpes, o Presidente vai reforçar os poderes, tornando o país cada vez mais autoritário. No fundo, tudo joga a favor do Chefe do Estado.

A partir de agora, o poder judicial também fica na esfera do Presidente. É impressionante como as ordens para a população encher as ruas teve um efeito negativo nos revoltosos. A principal defesa do Presidente contra os golpistas é a população. Erdogan não se esconde só nas leis, mas também atrás das pessoas, o que causou a primeira vitória. 

A tentativa falhada do fim-de-semana também garante mais respeito a nível internacional porque todos ficam com a certeza que Erdogan é o único capaz de controlar o país. 

domingo, 17 de julho de 2016

Olhar a Semana - A culpa é do Brexit

Desde que os britânicos votaram na saída do Reino Unido da União Europeia que o Mundo tem sido alvo de várias transformações.

A vitória de Portugal no Euro 2016 é uma novidade no desporto, em particular no futebol, mas as grandes movimentações aconteceram com mais um atentado e a tentativa de golpe de Estado na Turquia. 

Os sucessivos acontecimentos mostram que a escolha dos britânicos acelerou alguns processos. Talvez a desunião europeia tenha sido um factor para haver mais um atentado e desestabilizar ainda mais a Europa que já se encontra sem saber o que fazer. No entanto, o que se passou em Nice tem mais efeito na política francesa. 

A Turquia também iniciou um processo de modificação política com a tentativa de golpe de Estado. Os revoltosos conseguiram ser bem sucedidos em alguns aspectos, embora Erdogan ainda esteja no poder. Uma guerra civil naquele país era tudo o que a Europa menos precisa. 

Os primeiros sinais de instabilidade política nalguns pontos europeus foram provocados pelo referendo britânico porque abriu uma janela de oportunidade aos que pretendem uma União Europeia sem saber como reagir aos acontecimentos. 

sábado, 16 de julho de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Recep Tayyip Erdogan - O presidente turco vai reforçar a simpatia popular e os poderes presidenciais após a tentativa de golpe falhada pelos opositores. O cenário caótico já está montada, mas o presidente continua a ter tudo do seu lado. Uma vitória clara de Erdogan que tem sido contestado internamente e no plano internacional. Apesar de tudo, a manutenção do actual Chefe do Estado ainda é a melhor solução.

No Meio

Theresa May - A nova primeira-ministra britânica iniciou o mandato, mas a escolha de Boris Johnson para a pasta dos Negócios Estrangeiros pode ter sido um erro, embora tivesse bem em afastar Michael Gove. Talvez o antigo presidente da Câmara de Londres seja mais confiável que o ex-ministro da Justiça. Veremos quais são os passos de Johnson quando os trabalhistas reclamarem eleições antecipadas. Pode ser uma nova oportunidade para chegar ao poder...

Em Baixo

Marcelo Rebelo de Sousa - As críticas aumentam de tom à medida que o presidente português continua a querer ser o centro das atenções. A forma como pretendeu ter o protagonismo após a vitória da selecção no Europeu 2016 envergonha qualquer pessoa. O pior é o constante comentário sobre qualquer assunto. Marcelo ainda não despiu o fato de comentador ou quer controlar os meios de comunicação social. 

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Aceitar ou lutar?

As palavras do Presidente francês após os ataques em Nice são preocupantes porque fica a ideia que temos de aceitar viver com a ameaça terrorista, mesmo lutando no plano externo e aumentando as sanções contra os suspeitos que se passeiam tranquilamente nas nossas cidades. 

O terrorismo quer transformar a nossa sociedade, tornando-a mais violenta, agressiva, não só contra o poder político, mas também em relação ao nosso vizinho. 

As vítimas do terrorismo não são apenas os que morrem ou os mais próximos daqueles, mas todos nós porque existem inúmeras consequências, desde as notícias e imagens nos meios de comunicação social, como na forma como vivemos e nos relacionamos com as outras pessoas. O objectivo também passa por causar mais violência dentro da sociedade.

A solidariedade e a união são dois aspectos que podem ser decisivos para combater o fenómeno, embora a apreensão que vai tomar conta das pessoas vai gerar intolerância, agressividade e outros problemas. Neste momento, a França tem sido o país mais afectado, sendo que, outros países já foram ameaçados. Em Nice nem sequer foi preciso armas para matar 84 pessoas....

O futuro dirá se são apenas as políticas sociais e económicas francesas que estão a originar o caos no país.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

O primeiro erro de Theresa May

A nova primeira-ministra britânica, Theresa May, concedeu a Boris Johnson um prémio pela vitória no Brexit, mas também por não ter sido candidato à liderança do Partido Conservador. 

A pasta dos Negócios Estrangeiros será fundamental para o governo britânico num contexto em que as relações internacionais vão ser bilaterais e não através da União Europeia. O que Johnson vai fazer com os homólogos europeus para contrariar o discurso anti-Europa demonstrado na recente campanha eleitoral. 

Ao mesmo tempo, o antigo presidente da Câmara Municipal de Londres também fica numa posição para ser mais um elemento de contestação, à semelhança do que aconteceu na era David Cameron. Ninguém duvida que Johnson ainda pretende ser líder do partido. As próximas eleições são em 2020, mas existe possibilidade de serem antecipadas, podendo haver um desejo de conquistar a liderança. 

Tenho a certeza que o barulho provocado por Johnson irá continuar, apesar das constantes promessas de união. O mais engraçado é o facto de estar sozinho no governo, já que, Michael Gove não integra o novo executivo. 

A saída de David Cameron traz novos desafios para o Partido Conservador. 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Marcelo abriu um precedente

A polémica em torno das condecorações desportivas tem novamente Marcelo Rebelo de Sousa como protagonista. Não está em causa as normais felicitações à selecção portuguesa de futebol. O problema é o aproveitamento político que se fez da vitória no Euro 2016, o que não acontece com as outras modalidades. 

É normal que os atletas que se esforçam em nome do país também queiram ser reconhecidos, embora isso não acontece porque o futebol está sempre nas primeiras páginas. Basta ver as tradicionais recepções nas Câmaras municipais das equipas que ganham campeonatos ou taças. 

O Presidente da República esteve mal porque quis ter o primeiro protagonismo assim que a selecção aterrou em Portugal. Comparecer em Belém era uma obrigação para os novos campeões europeus devido à ânsia de Marcelo ter o foco. A cerimónia correu mal e o Presidente não sabia qual era o grau a atribuir aos campeões. 

O mais grave acontece quando Marcelo cede às pressões para receber e condecorar os campeões europeus de atletismo e canoagem. A partir de agora todos vão querer um minuto em Belém. No entanto, isso não vai acontecer, já que, os outros desportos não têm a mesma visibilidade reclamada por Marcelo no cargo que ocupa. A questão é que Marcelo será criticado por não ter a mesma atitude dos últimos dois dias. 

Impressiona como o Presidente da República consegue estar no centro das atenções por todos os motivos. Qualquer atitude que toma tem de ser analisada por culpa das posições em que o próprio se coloca. Se é assim nestas pequenas questões, o que será quando tiver de tomar decisões importantes....

O adeus de um grande líder político

Ao fim de seis anos no poder, David Cameron abandona a liderança do Partido Conservador e do país. Nos últimos dois anos acompanhei a liderança de Cameron enquanto jornalista e apercebi-me da qualidade do ex-primeiro-ministro. 

As qualidades políticas e pessoais são muito importantes num líder, embora as primeiras sejam fundamentais para o desenvolvimento de um país. No entanto, com o escrutínio dos meios de comunicação social as características pessoais começaram a ser importantes. 

O trabalho desenvolvido por Cameron foi fantástico, sobretudo a nível económico. A grande façanha foi o abandono do velho conservadorismo que marcou as lideranças de Thachter e John Major. Em muitas áreas, os governos tiveram preocupações sociais, mas também por culpa das pressões dos trabalhistas. 

No plano político, Cameron dizimou os rivais ao ter ganho todas as eleições. A vitória sem maioria absoluta em 2010 permitiu aos Liberais-Democratas chegarem ao poder. O anterior executivo conseguiu cumprir o mandato. Pelo meio venceu o referendo sobre a independência da Escócia. A grande vitória foi nas eleições legislativas do ano passado com a conquista da maioria absoluta. Um enorme triunfo que acabou com as lideranças dos trabalhistas e liberais-democratas. Por causa da qualidade de Cameron, o Partido Trabalhista ainda se encontra bastante debilitado, estando perto de ter novas eleições um ano após a substituição de Ed Miliband. Os líderes da oposição são fracos, mas em grande parte devido à competência de David Cameron. 

Neste ano ainda conseguiu que os conservadores fossem a segunda força política na Escócia, embora não tenha reconquistado a Câmara de Londres. 

A principal e única derrota política não deixou outra hipótese a Cameron senão apresentar a demissão. O primeiro-ministro esteve bastante empenhado na manutenção do Reino Unido na União Europeia, mas os britânicos deram uma resposta diferente. Não havia condições para o chefe do governo conduzir as negociações para a saída. Mesmo sendo eurocéptico, Cameron cumpriu a promessa de realizar o referendo e colocou os interesses do país à frente das convicções políticas. Como disse na despedida, o Reino Unido deve estar o mais próximo possível da União Europeia. 

O Reino Unido fica sem mais um grande líder político, mas a verdade é que Cameron cumpriu o trabalho, não tendo mais nada melhorar a nível interno, pelo que, era tempo de dar lugar a outro. 

David Cameron será lembrado como o homem que deu força económica ao país, obteve grandes vitórias políticas internas, mas também permitiu aos britânicos optarem pela saída da União Europeia. 

terça-feira, 12 de julho de 2016

Japão quer ser mais uma potência mundial

A intenção do primeiro-ministro Shinzo Abe alterar o Artigo 9 da Constituição é um passo para o Japão se afirmar como potência mundial, não apenas no plano económico, mas também militar. A ameaça da China e e da Coreia da Norte na região, além do novo mapa geopolítico são motivos para os nipónicos pretenderem um novo estatuto.

O articulado diz que o Japão tem de optar uma posição pacifista nos conflitos, o que significa não entrar ou participar em guerras. Numa altura em que na Ásia, a ameaça norte-coreana é cada vez mais real, faz sentido alterar a norma. No entanto, Tóquio quer mais do que evitar ser atacado, procurando ser uma força maior na região e no mundo. Ou seja, a possibilidade de recorrer à força tira dividendos diplomáticos.

O Japão quer voltar a ser uma potência mundial com influência nas grandes decisões. Embora tendo lugar nas cimeiras dos principais líderes, é preciso algo mais para assustar os inimigos, mas também alertar os aliados. 

A Ásia corre o risco de se transformar em mais um local de conflito e de difícil resolução como acontece no Médio-Oriente. 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Estamos mal representados

Não me canso de escrever que estamos mal representados pelo Chefe de Estado e Chefe do governo. Os dois parecem dois miúdos à procura de popularidade fácil e que utilizam o poder de forma discricionário. 

A forma como Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa utilizaram os feitos da selecção nacional de futebol não dignificam o cargo que representam. Os dois comportaram-se como meros adeptos de futebol sem terem em conta que falam em nome das instituições. O pior é a maneira como reclamam para eles a grande vitória de Portugal no Euro 2016. 

Não se percebe porque razão a selecção nacional vai primeiro ao Palácio de Belém em vez de festejar com a população. Marcelo sempre em busca da popularidade fácil e o abuso de poder. Certamente que António Costa não irá perder a ocasião para também tirar uma fotografia ao lado dos novos campeões da Europa. 

Há muito tempo que não existia um vazio de poder em Portugal. 

domingo, 10 de julho de 2016

Olhar a Semana - Heróis do Mar

A presença da selecção nacional de futebol na segunda final da história dos campeonatos europeus é mais um marco positivo no desporto português, em particular na modalidade. No entanto, a forma apaixonada com que se vive o futebol em Portugal não deixa ninguém indiferente ao momento, mesmo os que não apreciam futebol. 

A união em torno da selecção nacional foi algo conquistado durante os últimos anos, num país onde o clubismo é mais forte do que a equipa das quinas. Os meios de comunicação social tiveram um papel fundamental em promover o afecto à marca Portugal. É verdade com que algum excesso, mas o que se passa no nosso país já acontece noutros sítios. Note-se como a Islândia ou o País de Gales foram recebidos após a participação no campeonato da Europa.

As vitórias desportivas por parte de atletas portugueses são raras devido a uma política desportiva errada e pouco ambiciosa. O futebol pode dar um empurrão para haver vencedores num país que praticamente não tem heróis a não ser Amália Rodrigues, Eusébio e Cristiano Ronaldo. De facto, o país precisa de mais heróis do mar que façam o nobre povo estar unido em torno de algo para fazermos uma Nação mais valente, que seja Imortal perante os outros. 

O momento histórico só chega com a vitória porque a derrota volta a colocar todos no 8. Contudo, hoje é o dia para o "quase" deixar de ser o nosso destino. 

sábado, 9 de julho de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Theresa May/Andrea Leadsom - As duas ministras do actual executivo britânico são as finalistas da corrida à liderança do Partido Conservador. A escolha dos membros do partido também terá em conta as posições reveladas no recente referendo. May esteve a favor da manutenção e Leadsom contra, embora tenha mudado de opinião. Uma coisa é certa. O Reino Unido vai voltar a ter uma primeira-ministra depois de Margaret Thachter.


No Meio

Hillary Clinton - A candidata democrata conseguiu escapar a procedimentos criminais por causa da utilização do email pessoal para assuntos de Estado. No entanto, o FBI confirmou que houve descuido por parte da antiga secretária de Estado. Só isso será suficiente para os republicanos atacarem Clinton durante a campanha para as eleições gerais.


Em Baixo

Michael Gove - O ministro da Justiça tirou o tapete a Boris Johnson, mas acabou por ser eliminado na segunda ronda. Gove quis ser o protagonista da campanha pelo Brexit nas eleições para a liderança do partido, o que lhe garantia vantagem. No entanto, as jogadas de bastidores terminaram mal. Como acontece com Boris Johnson, Gove já não tem uma segunda oportunidade. 

sexta-feira, 8 de julho de 2016

A saída limpa para Hillary Clinton

A declaração do FBI a ilibar Hillary Clinton de um processo criminal não espanta, apesar de estarmos a falar de matéria confidencial. No entanto, a confirmação que houve um descuido não abona muito em favor da candidata democrata, mas isso não é suficiente para o tema ser falado durante muito tempo na campanha eleitoral. Curiosamente, os candidatos republicanos que foram desistindo reagiram com mais dureza do que Donald Trump. 

Apesar de tudo, tudo correu de feição para a antiga secretária de Estado que pode ir para a Convenção com o único objectivo de apelar ao votos de todos os democratas, não tendo oposição dentro do Partido Democrata para questionar a legitimidade, nem mesmo recear o discurso de Bernie Sanders. Após a nomeação oficial, começam a contar os dias para as eleições gerais em Novembro. Nessa altura irão aparecer as principais figuras, com Barack Obama à cabeça. 

As polémicas durante as campanhas eleitorais são difíceis de gerir porque não se pode fingir a existência de um problema, mas também tem que se dar pouca importância para evitar as especulações. Neste aspecto, Clinton deveria ter sido mais inteligente na forma como evitou responder às questões de Bernie Sanders durante as primárias. Talvez se admitisse que se tratou de um descuido.......

Neste momento é mais fácil falar porque o FBI admitiu o erro, mas Clinton não ficava a perder se tivesse dito algo sobre o assunto. 

O habitual passar a culpa para o outro

A imposição de sanções a Portugal pela Comissão Europeia devido ao défice excessivo não uniu os partidos políticos. Em vez disso temos assistido ao habitual passar as culpas, como é natural no nosso país. Numa altura em que todos deviam defender os interesses de Portugal, a direita e a esquerda prefere atacar-se mutuamente. O único que mantém uma boa atitude é o Presidente da República e tenho a certeza que será a voz que vai defender Portugal, através do Primeiro-Ministro.

A verdade é que não existe nenhum assunto que consiga unir as principais forças ideológicas. Mais uma vez o discurso do passado ou do "De quem é a culpa" sobressai para esconder responsabilidade, seja antigas ou actuais. O anterior governo não atingiu as metas do défice, mas o actual também não conseguiu resolver alguns problemas. 

Nesta altura todos deviam estar interessados na defesa dos interesses do país, delegando em Marcelo Rebelo de Sousa falar com as instituições europeias. Talvez seja isso que está a fazer nos bastidores, pelo que, não são necessárias cartas. Duvido que Costa consiga convencer a Comissão Europeia. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Regresso ao conservadorismo de Thachter

A segunda ronda da corrida à liderança do Partido Conservador garantiu a passagem à final de Theresa May e Andrea Leadsom. O ministro da Justiça, Michael Gove, acabou por ser eliminado depois de ter sido o responsável pela desistência de Boris Johnson, mas também um dos rostos da campanha elo Brexit.

No dia 9 de Setembro, os conservadores irão saber quem lidera o partido e o Reino Unido fica com um novo primeiro-ministro. Ou seja, uma nova chefe do governo porque a escolha será entre Andrea Leadsom e Theresa May. As duas têm ideias conservadoras, apesar de terem estado em diferentes pólos no último referendo, além de também serem membros do actual governo britânico. 

O Reino Unido voltará a ser governado por uma mulher, mesmo durante pouco tempo, se houver eleições gerais antes de 2020, o que significa um novo estilo em Downing Street. As mudanças poderão ter algum significado externo se Hillary for eleita presidente dos Estados Unidos. No entanto, é óbvio que a abertura demonstrada por David Cameron durante o mandato e meio não tem a mesma expressão com a nova liderança. Haverá quem faça comparações com Margaret Thachter, em termos políticos e estilo. 

A saída do Reino Unido da União Europeia obriga a mudanças nas políticas internas e nas relações externas. Dificilmente iremos contar com o Reino Unido na Europa. 

A avaliar pelas primeiras impressões temos duas candidatas que vão fazer regressar o velho conservadorismo britânico dos anos 80.

Brincar ao jornalismo

A recente propaganda que o Correio da Manhã fez ao microfone atirado por Cristiano Ronaldo a um lago antes do Portugal-Hungria é uma forma de brincar com a profissão. Ora, não cabe na cabeça de ninguém promover um passatempo, mesmo solidário, para ficar com um microfone. 

Numa altura em que o jornalismo passa por uma crise não se percebe as manobras de diversão promovidas por alguns órgãos de comunicação social. Num país em que vale tudo, também é possível contratar profissionais para brincarem. As entidades reguladoras andam a dormir, mas deviam ter atenção sobre esta situação. 

Nos dias que correm tudo vale, mesmo desrespeitar regras deontológicas e da sociedade. 

As audiências são importantes, mas deve haver critério e rigor em defesa dos valores do jornalismo e não arranjar qualquer coisa para divertir os profissionais e os telespectadores. 

O excitamento em torno da participação de Portugal no Euro 2016 deu a possibilidade aos adeptos transformarem-se em comentadores. O que interessa é saber a opinião dos adeptos e não daqueles que sabem, porque o que dá audiências é a festa do povo. Alguns profissionais também violam a postura em nome da pátria futebolística. 

A situação do microfone e os festejos populares do Euro 2016 em que só interessa saber a voz do povo mostram a mediocridade do jornalismo em Portugal e que nada é levado a sério. 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A revolta europeia

Nos últimos dias surgiram apelos para a realização de um referendo europeu em Portugal e a Hungria vai colocar os cidadãos a votar a questão dos refugiados. 

Os primeiros sinais de revolta em alguns países europeias surgiram após duas semanas após o Brexit. Nem sequer sabemos quais as consequências do referendo britânico e já existem alguns países com vontade de efectuarem consultas populares. O efeito dominó acaba por se rápido.

A União Europeia não tem maneira de controlar a onda de reivindicações que vão surgir nos próximos anos durante o processo de saída do Reino Unido da União Europeia. A partir de agora, os responsáveis europeus não podem ignorar as discussões sobre o projecto europeu ou mesmo relativamente a questões que envolvam a interferência europeia. As sanções a Portugal e o problema dos refugiados na Hungria não estão ao nível do Brexit, mas são um pequeno passo para criar instabilidade. 

Cada vez que uma medida proveniente de Bruxelas for referendada em qualquer país, as autoridades europeias estarão a ser colocadas em causa e os resultados negativos deverão levar a outro tipo de consequências. 

O denominado efeito dominó não terá efeitos numa escala parecida ao Brexit, embora qualquer ameaça cause desconforto em Bruxelas. 

terça-feira, 5 de julho de 2016

Abandonar o barco

As posturas de Boris Johnson e Nigel Farage face à vitória do Brexit não podia ter sido pior, uma vez que, não souberam assumir responsabilidades após o poder ter caído nas mãos. Ou seja, a campanha para o referendo foi apenas uma forma dos dois fingirem que eram bons políticos e que o futuro do Reino Unido estava assegurado.

Os dois deram cabo do executivo, mas também acabaram por sucumbir politicamente. Se Cameron mostrou dignidade ao se demitir, Johnson e Farage revelaram que são políticos fracos, não aproveitando as boas circunstâncias de tentar chegar ao poder, como aconteceu com Michael Gove. No fundo, o ministro da Justiça matou três coelhos com uma cajadada porque tirou do caminho David Cameron, Boris Johnson e Nigel Farage. Nenhum deles vai voltar a pisar os terrenos políticos no Reino Unido, enquanto Gove pode ser primeiro-ministro.

De facto, Johnson e Farage tinham uma oportunidade fantástica de ganharem votos, mas os dois sentiram que internamente podiam não ser capazes de apresentarem propostas políticos. Por exemplo, o líder do UKIP podia ter como única ideia, propor o dia 23 de Junho como o da independência. Nota-se que existe um vazio de ideias nos dois homens que desertaram após a vitória do Brexit, dando lugar a outros. Perante o cenário, se o vencedor da eleições nos conservadores for Theresa May é possível que haja espaço para nova discussão sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia porque os defensores do Brexit estão todos fora de combate. Tem que se ir até ao fim do percurso. 

As desistências de Johnson e Farage também pode ser uma boa notícia para Jeremy Corbyn. 

segunda-feira, 4 de julho de 2016

As sanções mais estúpidas da Europa

As possíveis sanções a Portugal por défice excessivo de 0,2% confirmam que a União Europeia continua a funcionar muito mal, estando nas mãos de dois países. 

Não faz sentido penalizar Portugal por causa de um número pequeno, sobretudo tendo em conta o esforço que o país faz. A regra dos 3% devia ser meramente indicadora e não uma forma de penalizar quem não cumpre. Qualquer dia a meta são os 0%. 

O valor imposto tem de servir para os Estados-Membros manterem as contas públicas equilibradas quando não existem problemas. É um facto que a França não pode respeitar as regras orçamentais por causa das questões ligadas ao terrorismo, pelo que, a partir desse momento tem de haver flexibilidade para outros. Ainda por cima, o anterior executivo português fez um enorme esforço para chegar às metas propostas. 

Neste momento, as grandes decisões da União Europeia estão a prejudicar os Estados-Membros que a integram. 

domingo, 3 de julho de 2016

Olhar a Semana - A oportunidade perdida de Boris Johnson

O Brexit ainda não produziu efeitos na União Europeia, mas já provocou mudanças nos dois principais partidos britânicos. Nos conservadores a corrida para a liderança já começou com inúmeras surpresas, enquanto os trabalhistas continuam a tentar demitir Jeremy Corbyn para justificarem a realização de eleições antecipadas e voltar ao poder após 6 anos de ausência e duas fracas lideranças. Neste momento, o homem que tem protagonismo dentro do Labour é Tony Blair.

Nesta semana, os britânicos ficaram a saber o quão pouco vale Boris Johnson enquanto político. Após uma excelente campanha a favor do Brexit, o antigo presidente da Câmara de Londres tinha tudo para ser o candidato da facção que venceu o referendo. No entanto, a decisão de Michael Gove acabou com as esperanças de Johnson. As más línguas no Reino Unido dizem que o problema foi a candidatura de Theresa May, mas o golpe do ministro da Justiça foi mais fatal. 

Os britânicos e os seguidores da política ficaram a saber que Johnson não tem coragem para enfrentar desafios difíceis e tentar contrariar o favoritismo de May e Gove, perdendo uma oportunidade única de chegar ao poder. Não haverá segunda oportunidade nem melhor momento como este. 

A inteligência de Gove que soube aproveitar a campanha pelo Brexit foi acompanhado por um acto de cobardia política ou falta de coragem de Boris Johnson. 

sábado, 2 de julho de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Michael Gove/Theresa May - A desistência de Boris Johnson coloca Gove e May como os principais candidatos à liderança dos conservadores, sendo provável que os dois passem à ronda final. Os ministros do actual executivo são nomes fortes com capacidade para liderar os conservadores.

No Meio

Boris Johnson - O rosto da campanha pelo Brexit não irá disputar a liderança do Partido Conservador. Ora, se por um lado a decisão é compreensível, por outro, representa um acto de cobardia porque não está disposto a ir à luta. É verdade que o avanço de Michael Gove foi um golpe que o antigo autarca de Londres não estava à espera, mas também é preciso lutar quando se acredita em algo e não se pode esperar que o poder caia no colo.

Em Baixo

União Europeia - As reacções dos dirigentes europeus, em particular de Jean-Claude Juncker, à vitória do Brexit demonstram mau perder, mas também falta de capacidade para reagir a um problema porque pensavam que o resultado seria favorável, como tem acontecido noutros países. No entanto, desta vez os britânicos trocaram as voltas à União que não tem nenhum plano de contingência sempre que existe uma crise. 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Medo na sociedade

Os recentes ataques ao aeroporto de Istambul confirma que não podemos estar seguros, seja num café ou num qualquer check-in. 
O que mais preocupa é a facilidade com que se colocam bombas ou se anda com uma metralhadora na mão em plena Europa do século XXI. O combate ao terrorismo tem falhado em algumas zonas do globo, em particular na Turquia. 

Neste momento, a vantagem é do Estado Islâmico porque consegue realizar ataques e causar pânico nas pessoas. O principal objectivo passa por instalar um clima de medo que altere o funcionamento normal de uma sociedade. A questão mais importante para responder é perceber se continua a ser fácil fazer explodir um autocarro, uma estação de comboios ou mesmo as estruturas dos aeroportos que deveriam ser as mais seguras do mundo. Em Bruxelas tivemos explosões no check-in, mas em Istanbul também ocorreram nas chegadas. Ou seja, parece que existe sempre um local onde é possível meter um bomba para causar o maior número de mortos. 

Não há dúvida que estamos perante um problema sério e de resolução muito difícil. Infelizmente estamos perto de também viver como algumas sociedades orientais em que os ataques terroristas são o pão nosso de cada dia. Caso não haja intervenções militares rápidas, pode ser esse o nosso dia-a-dia. O mais grave é continuarmos a ouvir Barack Obama dizer que o Estado Islâmico está mais fraco sempre que há um atentado. 

Há qualquer coisa que não bate certo.....
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