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domingo, 29 de novembro de 2015

Olhar a Semana - Tempo das presidenciais

A indigitação de António Costa para primeiro-ministro acaba com a incerteza política ao nível do executivo. Nos próximos tempos vamos ter acérrima discussão, mas a proximidade das eleições presidenciais acaba com alguma quezília. 

A partir de agora temos as eleições para a presidência da República que se realizam dia 24 de Janeiro de 2016. A diversidade de candidatos à esquerda, garante a Marcelo Rebelo de Sousa conquistar a direita e o centro-direita, bem como alguns sectores do centro-esquerda, que se sentem descontentes com a opção tomada por António Costa. Com tudo isto o professor deve conseguir chegar aos 50% na primeira volta. A dispersão de votos que se verificou nas legislativas não deve acontecer nas presidenciais, já que, o PS decidiu não apoiar nenhuma candidatura. A indefinição é benéfica para Marcelo Rebelo de Sousa. 

Durante este período a coligação de direita parlamentar deve ter um comportamento sereno e criar o menos barulho possível também em torno do futuro Presidente da República. Não acredito que Cavaco Silva queira complicar a governação de Costa quando faltam poucos meses para a saída. No entanto, à medida que forem visíveis as divergências nos partidos de esquerda o tema da dissolução tem que merecer uma resposta clara por parte dos candidatos. Nenhum pode ir para Belém sem confessar o que vai fazer. 

sábado, 28 de novembro de 2015

Figuras da Semana

Por Cima

António Costa - O secretário-geral socialista conseguiu ser nomeado primeiro-ministro de Portugal. Após uma luta que travou depois de ter perdido as eleições, o líder socialista alcançou os objectivos. Independentemente da forma ninguém pode questionar a legitimidade, como aconteceu com Pedro Santana Lopes em 2005. No entanto, à semelhança do que sucedeu relativamente a Santana Lopes, o executivo do PS também será escrutinado ao milímetro, não só por toda a oposição, como pelo novo Presidente da República. Isso é algo que não incomoda Costa porque, neste momento, a prioridade é calar os possíveis críticos internos.

No Meio 

Jeremy Corbyn -  O líder do Partido Trabalhista não vai passar um cheque em branco ao primeiro-ministro, David Cameron, nos bombardeamos aéreos contra a Síria. Embora o Reino Unido também esteja debaixo de olho do Estado Islâmico, Corbyn mantém as suas convicções políticas. Pode ser um tempo novo no Labour, mas, a Europa necessita de unidade. Neste momento é mais importante união porque do outro lado estão pessoas que não estão preocupados com nenhuma convicção política.

Em Baixo 

Turquia - O país liderado por Erdogan continua a ser ambivalente e a jogar nos dois lados. Nesta semana abateu um caça russo, o que provocou a zanga de Vladimir Putin. O avião estaria a combater alvos do Estado Islâmico. Erdogan deve explicar de que lado está.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Os artistas ainda são ostracizados


Os artistas em Portugal sofrem com a falta de apoio por parte do Estado e dos privados. No entanto, também há algum estigma em relação às actividades como a pintura, escultura e música. A sociedade ainda não aceita certos e determinados modos de vida, que passam por ganhar a vida através do desenvolvimento de uma arte. Ou seja, apesar de não haver falta de oferta e do público aderir às exposições, concertos, espectáculos humorísticos, todos questionam como conseguem viver os nossos talento se não têm um salário fixo no final do mês. 

A percepção com que fico depois de ter entrevistado alguns artistas das mais diversas áreas é esta. Nos dias que correm ainda não se aceita totalmente que uma pessoa viva exclusivamente do talento que é oferecido. Penso que as queixas de alguns artistas são compreensíveis se tivermos em linha de conta que a cultura é um bem que não pode ser ostracizado. A discussão sobre se ela deve ser paga pelo Estado ou por privados fica para outra altura, mas a desconfiança do público ao modus vivendi dos artistas reflecte na relação com os empresários e mesmo junto da comunicação social. Por estas razões existe alguma reivindicação para o Estado se chegar à frente. 

Na minha opinião, Portugal é um país que consome cultura e prefere o lado lúdico do que estar a ouvir um debate no parlamento. O problema é que a relação entre artista e público nem sempre é séria. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Labour não apoia mais intervenções militares

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, pretende apoio por parte do Partido Trabalhista para os bombardeamentos aéreos na Síria. No entanto, o líder trabalhista garante que não vai dar o apoio, mas que os deputados podem ter liberdade de voto quando a proposta for votada na Câmara dos Comuns durante a próxima semana. 

A posição de Corbyn marca uma viragem no Partido Trabalhista. Ou seja, os trabalhistas deixaram de ser favoráveis a intervenções militares, independentemente dos motivos. Não se trata de mais uma mudança de paradigma. As alterações são significativas porque os trabalhistas, como partido de centro-esquerda, sempre foram favoráveis e apoiaram a utilização da força para combater o mal, sobretudo quando o território britânico estava a ser atacado. Neste momento, o chefe de governo assegura que já foram evitados vários atentados em Londres. 

O exemplo mais evidente do posicionamento do Labour foi a guerra no Afeganistão em 2001 e no Iraque dois anos depois. Tony Blair nunca teve dúvidas que as intervenções foram a melhor forma de combater o terrorismo. Uma década depois, e numa altura em que o Reino Unido vai entrar noutra guerra, embora diferente; os trabalhistas não mostram disponibilidade. Não percebo a atitude do líder Jeremy Corbyn porque o que está em causa é a segurança do país e não causar destruição noutro país. Contudo, o mais importante é perceber o que mudou no Labour. 

A viragem do partido para a esquerda parece estar quase consumada. Ed Miliband deu um passo nesse sentido, mas Jeremy Corbyn parece que vai confirmar a tendência, mesmo que tenha contra si a maior parte dos deputados trabalhistas eleitos para a Câmara dos Comuns. Aos poucos o líder surpreendentemente eleito em Setembro tem conseguido mudar o partido. 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Os governos devem ser conhecidos nas campanhas

A conclusão que se pode chegar depois do país ter conhecido dois governos diferentes é que nenhum deles serviria o país. O executivo apresentado por Pedro Passos Coelho e o governo que vai entrar em funções plenas de António Costa podiam ser muito melhores, mas os condicionalismos com que os dois líderes formaram o elenco não permitiram ir mais além. Se o líder social-democrata nomeou pessoas para serem governo durante 28 dias, o secretário-geral socialista tem de lidar com a instabilidade dos acordos estabelecidos com os partidos de esquerda. 

Apesar de alguma fraca qualidade é possível fazer comparações. O governo que mantém a esperança de voltar a ser formado era composto por personalidades técnicas e com experiência profissional. Passos Coelho e Portas preferiram encher as secretarias de Estado com os militantes de ambos os partidos. A estrutura assentava num ciclo duro junto do primeiro-ministro e algumas pessoas com qualidade profissional. Ao invés, António Costa chamou o aparelho socialista, em particular aqueles que estiveram ligados aos governos de José Sócrates. Também convidou académicos que podem ser uma boa surpresa, mas será a sua entourage que fará o combate político contra a direita. A experiência de Capoulas Santos, Augusto Santos Silva, João Soares, Ana Paula Vitorino, Eduardo Cabrita serão fundamentais para abafar as críticas provenientes do PSD e CDS. 

Os portugueses votam para eleger deputados à Assembleia da República, sendo que o governo responde perante o Parlamento, daí a necessidade de apresentação do programa do governo e do mecanismo da moção de rejeição, que foi utilizado pela esquerda. No entanto, a tradição diz que também se vota para eleger um primeiro-ministro. O problema é que ninguém sabe quem são os restantes membros do governo. Nos futuros actos eleitorais, os candidatos a chefe de governo deveriam apresentar as pessoas com quem pretendem trabalhar para clarificar melhor o eleitor das opções que estão em jogo. Não basta escolher em função do programa eleitoral. Na minha opinião os partidos ficavam a ganhar se derem este passo em frente, já que, as pessoas sabiam ao que iam. Outra medida seria imitar o sistema britânico que só permite a escolha dos ministros entre os deputados eleitos para a Câmara dos Comuns. 

Tenho a certeza que a formação do governo originava menos dúvidas relativamente à capacidade e qualidade se os principais líderes apresentarem as caras que vão tomar conta do país nas diversas pastas. 

Quem nos lidera contra o terrorismo e as alterações climáticas

Os atentados de Paris provocaram uma nova onda de guerra contra o terrorismo. A forma como a coligação internacional estava a atacar o Estado Islâmico, sobretudo depois do fuzilamento contra o Charlie Hebdo, permitiu aos jihadistas voltarem a causar medo em toda a Europa. 

O tiro de partida foi dado pela França, mas os Estados Unidos, Rússia e o Reino Unido também querem estar na linha da frente, em particular os russos que sofreram um atentado após a queda de um avião no Sinai com vários turistas russos. Os Estados Unidos e o Reino Unido pretendem ter um papel importante na destruição do grupo e na saída de Bashar al-Assad do poder. Neste aspecto, Cameron e Obama estão unidos, enquanto Moscovo quer o governante na liderança do país. No entanto, há uma diferença entre os dois velhos aliados Unidos. Os americanos recusam falar com Putin, enquanto Cameron mostra disponibilidade para dialogar com a potência. Uma atitude sensata por parte do primeiro-ministro britânico que não faz fantasmas sobre uma eventual invasão russa à Europa Ocidental. 

A cimeira do clima que se realiza em Paris na próxima semana é um importante acontecimento no futuro do planeta. Nesta questão parece haver um consenso entre os principais líderes mundiais para a necessidade de se alcançarem metas. Não será fácil, mas os responsáveis políticos asseguraram que iriam contribuir. Tal como acontece na questão do terrorismo, as alterações climáticas estão a ser discutidas um pouco tarde. Ou seja, perdeu-se tempo a discutir em vez de agir. 

Os dois assuntos que necessitam de resposta imediata estão a unir as principais potências mundiais, apesar de haver alguns pontos de discórdia. No entanto, o compromisso parece ser uma certeza, tendo em conta as últimas posições públicas perante os parlamentos nacionais. Isto é, as oposições internas também têm conhecimento e opinião sobre o caminho que se tem de trilhar. 

A França tem tido um papel activo nas questões referidas porque está a ser afectada. Paris foi o alvo dos ataques terroristas e será a cidade que vai acolher a cimeira do clima. Há muito tempo que os gauleses não tinham a postura de colaborar com os aliados, como se viu na invasão do Iraque e Afeganistão. Na minha opinião, a França só age quando é atingida. Pelo contrário, os Estados Unidos e Reino Unido costumam estar sempre na primeira linha do combate. A novidade chama-se Rússia. Moscovo não se importa de juntar ao Ocidente, mas cumprindo as próprias regras. 

Neste momento a liderança cabe à França, mas apenas porque se sentem ameaçados no território. No antigamente não houve por parte de Paris a solidariedade que Londres e Washington necessitaram, sobretudo após os ataques terroristas do 11 de Setembro de 2001 e em 7 de Julho de 2007. 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Um governo que regressa ao passado

A lista de ministros apresentada por António Costa é a continuação de antigos governos liderados pelo Partido Socialista, sobretudo no executivo de José Sócrates. Ora, o futuro primeiro-ministro não conseguiu chamar para o governo aquilo que conseguiu fazer na escolha dos deputados para o parlamento. 

A inclusão de Augusto Santos Silva, Capoulas Santos, Vieira da Silva, Maria Manuel Leitão Marques, João Soares e Eduardo Cabrita pode ajudar Costa no difícil combate político que vai travar, mas representa um défice de qualidade, em particular a nomeação de Santos Silva para Ministro dos Negócios Estrangeiros. Outro erro foi dar um lugar no governo a João Soares. 

O novo chefe do governo preferiu estar rodeado da velha tralha socialista que levou o país e o partido a um túnel sem luz. Apesar de algumas caras com qualidade e competência, não serão essas que estarão na linha da frente. O PS habituou os portugueses a não trazer pessoas mais novas e com qualidade para a acção política, preferindo manter os mesmos de sempre, os que já provaram não ter capacidade para governar o país. 

O PS continua a ser um partido que serve de refúgio para muitos antigos dirigentes ficarem à espera de serem novamente chamados. 

As escolhas de António Costa reforçam a ideia que o governo despesista de José Sócrates regressou ao poder.  

Qual é o papel de Sócrates

O antigo primeiro-ministro José Sócrates continua a luta pela sua verdade junto do público e comunicação social, enquanto aguarda pela acusação das autoridades judiciais. De acordo com as notícias a notificação jurídica deverá só acontecer em Setembro de 2016. 

Nas três intervenções públicas desde que terminou a prisão domiciliária, Sócrates age como se fosse líder da oposição, mesmo que deixe cair algumas frases que indicam um apoio a António Costa. Neste momento, a acção de Sócrates tem mais impacto do que a de António Costa, que deverá ocupar o cargo de primeiro-ministro. 

O ex-secretário geral socialista age como se fosse o verdadeiro líder da oposição, tendo em conta o discurso, os banhos de multidão que incluem figuras importantes do Partido Socialista. No almoço de Domingo estiveram Almeida Santos e o secretário-geral da UGT. 

Não acredito que Sócrates queira voltar a ser líder do PS, nem queira candidatar-se ao Palácio de Belém, mas.....

Na eventualidade do governo liderado por António Costa cair no Verão obriga a antecipação das eleições. Se o PS não vencer, mesmo que a direita não tenha novamente maioria absoluta, tem de haver um congresso para definir a liderança. Nessa altura é uma boa oportunidade para Sócrates aparecer. Quem não se lembra de Sílvio Berlusconi e Nicolas Sarkozy que também foram alvos de processos judiciais, mas nunca se furtaram ao debate político partidário e não só. Aliás, os anteriores líderes francês e italiano também optaram por um discurso de vitimização enquanto decorriam processos judiciais. 

O objectivo final de José Sócrates é susceptível de várias leituras porque a imprevisibilidade continua a ser uma das principais características do antigo chefe de governo. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

As várias facetas da Turquia

A Turquia tem sido um elemento importante na guerra civil síria, bem como no ataque às acções do Estado Islâmico. A forma como Ancara tem estado nos dois lados da questão também tem consequência, sobretudo na intenção de vir a ser membro da União Europeia. Ora, o governo turco não pode querer apoiar algumas organizações e ter o respeito da maioria dos países europeus. Não tenho dúvidas que Erdogan joga em dois campos para conservar os alianças que mantém a ocidente e oriente. 

O território turco tem sido um espaço para milhares de europeus chegarem à Síria, sem que haja preocupação nas medidas a tomar para um eventual regresso de jovens radicalizados. A desconfiança em relação aos curdos não permite mais apoio no terreno contra os guerrilheiros do Daesh. Os únicos que combatem o Estado Islâmico com tropas terrestres são os curdos e o exército de Bashar al-Assad. Se a Turquia oferecer mais apoio os curdos têm mais sucesso no campo de batalha. Também falta um esclarecimento de Erdogan relativamente ao presidente da Síria. Parece haver um apoio pouco visível para não chatear a União Europeia e os Estados Unidos. Ao contrário do que acontece com Moscovo, Ancara não é explícita. 

No plano europeu, Erdogan quer juntar-se à União Europeia, mas continua a mostrar pouca solidariedade e falta de vontade em fazer reformas no país para ser aceite na comunidade democrática. A economia não é um problema, embora as questões políticas mereçam desconfiança por parte dos líderes europeus. 

As várias facetas da Turquia suscitam dúvidas sobre o caminho que quer trilhar. Não pode estar com um pé dentro e outro fora das regras políticas, económicas e sociais exigidas pela Europa do Século XXI. A actual postura também pode custar perder aliados no Médio-Oriente. 

domingo, 22 de novembro de 2015

Olhar a Semana - Alerta máximo

A Europa vive um estado de alerta máximo devido à ameaça terrorista. Os atentados de Paris não foram os únicos que estavam programados. Na terça-feira passada estava previsto a explosão de três bombas durante o Alemanha-Holanda, num autocarro perto do recinto e numa estação de comboio alemã. Na Bélgica também foi cancelado Bélgica-Espanha, mas o pior é o estado de sítio em que se encontra a capital belga. 

Em Londres, onde já foram evitados vários atentados, também foram detidos três pessoas que estavam dentro de um carro e aparentemente seriam suspeitos. Um pouco por todo o continente sucedem-se as ameaças de bomba nos aviões, metro e outros lugares públicos. 

Os países europeus em conjunto com a Rússia e os Estados Unidos tentam destruir o Estado Islâmico no território que ocupam na Síria e Iraque. A única forma de acabar com o terror que os jihadistas pretendem implementar nos países europeus é responder com o arsenal militar bem mais elevado do que o possuído pelos guerrilheiros.

A resposta tem de ser máxima para não se repetir na Europa o que costuma acontecer nos países do Médio-Oriente. 

No interior da Europa o bom trabalho dos serviços secretos tem evitado males maiores, mas é preciso uma frente internacional para que o terror fique onde costuma ser bem aceite. 

sábado, 21 de novembro de 2015

Figuras da Semana

As nossas figuras da semana

Por Cima

François Hollande - O presidente francês tem tido uma boa resposta aos ataques de Paris na semana passada. O chefe de Estado não perdeu no contra-ataque aos terroristas que provocaram 130 vítimas na capital francesa. Há muito que a França não obtinha uma postura firme na defesa dos direitos, liberdades e garantias. O mais importante foi o apelo de Hollande ter sido acompanhado pela Rússia e Estados Unidos. A acção política e militar da França foi rápida e eficaz. Na quarta-feira o cérebro dos ataques também já tinha morrido. 

No Meio

Cavaco Silva - Na próxima semana o Presidente da República vai tomar uma decisão sobre o futuro político do país. No entanto, qualquer que seja a opção nunca merecerá a concordância de todos. Ou seja, a sociedade vai ficar dividida porque metade quer o governo de gestão e a outra pretende a esquerda no governo. O pior não são as reacções das pessoas, mas dos partidos e seus protagonistas. O que vem depois será a consumação de vendettas políticas que não beneficiam o país. O Chefe de Estado prolongou durante muito tempo a agonia dos líderes.

Em Baixo

Donald Trump - O milionário norte-americano que se candidata pelo Partido Republicano às eleições presidenciais do próximo ano lidera as sondagens, mas tem vindo a perder votação. O discurso do concorrente após os atentados de Paris revelam pouca inteligência, já que a população pretende um Presidente que saiba lidar com a política externa. Ora, Trump mostra todos os dias que não sabe orientar o país nesta matéria. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A hora de Belém


Um mês e 19 dias depois das eleições legislativas o Presidente da República deve anunciar a solução política para os próximos meses. Seja um governo de gestão ou liderado pelo Partido Socialista e apoiado no parlamentos por Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português e Verdes, nos próximos seis meses temos de viver com a decisão presidencial. 

Nenhuma das opções em cima da mesa garantem estabilidade ao país, mas não há nenhuma terceira via que saia fora do espaço partidário. Não haverá nenhum governo de iniciativa presidencial porque também tem vida curta, já que será chumbado no parlamento. 

Cavaco Silva opta pelo mal menor ou deixa a batata quente para o próximo Chefe de Estado? A verdade é que as duas soluções não garante estabilidade, mas isso não é Presidente da República que vai sair do Palácio de Belém dentro de três meses. Uma coisa é certa. A decisão nunca será consensual e tem como efeito imediato causar frustração num dos blocos. 

Temos circo político para os próximos meses porque o mais provável é estarmos em eleições daqui a muito pouco tempo, tendo em conta o ambiente de gritaria que se vive no nosso país.  

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O discurso belicista de Donald Trump

O candidato republicano à Casa Branca continua na liderança das sondagens, mas as percentagens estão a cair. O problema é que os seus rivais também não conseguem aumentar a votação, apesar do apoio proveniente da estrutura partidária. 

O discurso belicista contra os imigrantes ilegais e os islamistas nos Estados Unidos provam que Donald Trump não tem ideologia para servir a população norte-americana. Ao contrário do que acontece no Reino Unido, nos EUA não existe um sentimento anti-imigração. 

Numa altura em que faltam dois meses para o arranque das primárias, Trump acredita que vai conseguir a nomeação, mas dificilmente isso irá acontecer. A política externa é um tema importante para a população, sendo que, nesta matéria, o milionário não consegue estabelecer uma orientação, além de não ser o líder que vai conduzir os Estados Unidos ao triunfo numa situação semelhante ao massacre que ocorreu em Paris na semana passada. Ninguém sabe se Trump pretende voltar a reatar laços com a Rússia ou manter Bashar al-Assad no poder. 

Normalmente as questões externas são fundamentais para uma eleição presidencial. Os restantes como Jeb Bush entendem que os Estados Unidos devem assumir uma posição de liderança no mundo. Ou seja, as mesmas políticas adoptadas pelo irmão George W.Bush. Não tenho dúvidas que os democratas ganham vantagem nas matérias sobre a capacidade política e militar dos Estados Unidos em relação ao resto do mundo. A posição de Obama em não enviar tropas terrestres para a Síria mostra diferenças relativamente aos republicanos. 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

As más jogadas políticas de Cavaco Silva

O Chefe de Estado também participa nas jogadas políticas dos partidos que começaram no dia 4 de Outubro. Cavaco Silva também tem contribuído para um clima tenso, já que faz tudo ao contrário daquilo que devia fazer. Não se percebe porque razão prefere ouvir em primeiro lugar os parceiros sociais, os banqueiros e só depois volta a ter contacto com as forças representadas na Assembleia da República. Cavaco desvaloriza o papel dos partidos, dando importância a quem detém o poder financeiro e aos que podem controlar as manifestações. Se calhar quis saber o que iria acontecer em termos sociais e financeiros com um governo de gestão ou se indigitar António Costa. 

Os dois cenários são instáveis, mas o primeiro é pior do que o segundo. 

As bocas que Cavaco decidiu mandar na Madeira também não ajudam à serenidade porque criam desconfiança no partido que pretende tomar o poder e mantém esperança naqueles que não o querem largar. A posição do Presidente devia ser mais contida, mas todos percebemos que, em final de mandato, nada melhor do que ser o protagonista do futuro do país, além de condicionar a actuação do próximo inquilino do Palácio de Belém. 

Não tenho dúvidas que Cavaco Silva desceu ao nível dos partidos.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

A importância da Rússia na estratégia europeia

A actual política norte-americana de afastar a Rússia das grandes questões internacionais tem sido um autêntico fracasso. O presidente Barack Obama percebe agora que não pode agir sozinho na luta contra o inimigo, independentemente da sua localização. A forma como os Estados Unidos impediram a Rússia de estar presente nas reuniões do G8 é a prova do falhanço da política externa norte-americana. 

A questão ucraniana não deveria ter servido para afastar Moscovo de um lugar que lhe pertence por direito, já que nunca vai deixar de ser uma super potência. Obama continua com a fantasia que vai haver uma invasão russa aos países do leste europeu. O reforço da presença militar da NATO em vários locais significa um receio infundado. 

Numa altura em que o mundo ocidental luta contra o Estado Islâmico a Rússia e os Estados Unidos devem estar lado a lado porque só assim é possível eliminar a ameaça, embora as divergências sobre a manutenção de Bashar al-Assad no poder seja uma questão que divide. No entanto, o problema urgente não é esse, mas acabar com o crescimento do ISIS. Washington não consegue nada sem Moscovo e vice-versa. 

Neste capítulo a França e Alemanha têm tido uma atitude mais inteligente relativamente a Moscovo, procurando encontrar pontes. É uma realidade que, quase dois anos depois, ninguém fala do conflito na Ucrânia e na conquista da Crimeia pela Rússia. 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Republicanos ganham votos no discurso contra a imigração


A imigração tem sido um dos temas fortes da pré-campanha para as presidenciais norte-americanas que se realizam durante o próximo ano. Os republicanos querem profundas alterações, sobretudo aos imigrantes que chegam aos Estados Unidos pelo México. O milionário Donald Trump defende a construção de um muro na fronteira, bem como a expulsão dos imigrantes ilegais. Por seu lado, Ted Cruz pretende aprovar uma lei que não permita aos imigrantes ilegais que foram deportados de voltar aos Estados Unidos. 

As diferenças entre os vários candidatos republicanos mostram que nem tudo é mau no debate da direita. O assunto não está relacionado apenas com os refugiados sírios, mas pela presença dos cubanos e mexicanos no território norte-americano. O discurso dos candidatos identificados começa a ganhar adeptos, mesmo entre aqueles que não votam nos republicanos, o que poderá ser decisivo na eleição geral. Não há dúvida que existe um sentimento de mudança em relação à política de acolhimento nos Estados Unidos. Ou seja, também neste aspecto haverá uma alteração após a eleição presidencial. 

Não é por acaso que os discursos de Donald Trump ganham cada vez mais consistência e adeptos, em particular dos que se sentem afectados pelas medidas de acolhimento. A Europa não é o único local que tem registado mudanças quando se fala dos imigrantes. 

A imigração diferencia mais os republicanos dos democratas do que as matérias relativamente à política externa. 

Portugal em gestão

Os timings das decisões políticas em Portugal deveriam ser mais curtos, mas a nossa Constituição permite ao Presidente da República margem para escolher quando quiser. Numa altura em que o país espera uma resposta, Cavaco Silva foi reflectir para a ilha da Madeira. Cavaco mostra ter tudo estudado, mas demora uma eternidade a optar por uma solução. 

Uma situação que deveria mudar na nossa lei fundamental é a eternidade com que se demora a indigitar um primeiro-ministro e respectivo governo. As eleições foram no dia 4 de Outubro e não é previsível que tenhamos uma decisão final no mês de Novembro. O Chefe de Estado tem de voltar a ouvir os partidos para manter Passos Coelho em gestão. Durante a vacatura que se instalou no poder em Portugal os três partidos da esquerda já manifestaram ou vão manifestando discordâncias em relação a vários temas essenciais, que comprometem a viabilização do acordo que foi apresentado sem popa nem circunstância. 

A bola fica do lado de Passos Coelho que revelou várias vezes não querer ficar em gestão. 

domingo, 15 de novembro de 2015

Interview by Olhar Direito


A partir de hoje damos um passo em frente neste projecto. Vamos lançar um site dedicado exclusivamente às entrevistas, deixando o blogue para as opiniões e pensamentos. As entrevistas incidirão sobre várias áreas e não tem nenhum alvo particular. 

O Interview by Olhar Direito passa a ser visita obrigatória

Olhar a Semana - O poder da democracia e do medo



A semana começou com a queda do governo na Assembleia da República graças à histórica união de esquerda que o secretário-geral do Partido Socialista conseguiu para se tornar primeiro-ministro. Passos Coelho caiu, mas Cavaco Silva ainda não decidiu se mantém o governo em gestão ou indigita António Costa. O Presidente da República entende que o acordo à esquerda não dá garantias de sustentabilidade. A privatização da TAP confirmou as dúvidas de todos. O PCP vai tentar a reversão do negócio, enquanto o PS acredita que o melhor é ficar livre de um encargo para o Estado. Costa já fala como chefe de governo sem ter sido indigitado, o que tem levado a algumas contradições.Não vai ser fácil os três partidos entenderem-se durante a legislatura, mas não deve ser esse o objectivo de António Costa, já que prefere eleições antecipadas. O ainda primeiro-ministro veio reclamar uma revisão extraordinária da Constituição para ser possível realizar novo acto eleitoral. Passos Coelho começa a revelar algum mau perder após a perda do poder. 

No final da semana os atentados de Paris mostraram que o poder também se pode conquistar através do medo. O terrorismo e as sociedade ocidentais travam uma guerra de civilizações em defesa dos seus valores. Num planeta extenso não pode ser impossível viverem todos com tolerância. O mundo presta solidariedade a uma sociedade que inventou os conceitos de liberdade, fraternidade e igualdade. 

sábado, 14 de novembro de 2015

Fim de Schengen está próximo

Os atentados de Paris reforçam a minha convicção que o Acordo de Schengen está por um fio. Os Estados-Membros mais poderosos como a Alemanha e a França desejam alcançar segurança interna através do encerramento das fronteiras. A crise de refugiados deu pretexto aos alemães para acabar com o acordo. Neste momento são os franceses que pretendem fechar as fronteiras para evitar a saída ou entrada de presumíveis terroristas.

Durante o ano os atentados ao Charlie Hebdo e os de ontem, bem como a crise de refugiados foram suficientes para levantar a questão de Schengen. Além das questões relacionadas com o terrorismo, o acordo de livre circulação de pessoas na União Europeia tem sido sistematicamente colocado em causa, por aqueles que anteriormente eram favoráveis à sua implementação. 

O encerramento de fronteiras nunca será motivo para questionar a liberdade existente na União Europeia, já que se trata de uma medida para proteger as pessoas. Neste momento, aqueles que criticaram a postura dos países de leste quando montaram barreiras para protecção do território percebem agora o que estava em causa. O acordo de Schengen não tem qualquer razão de existir numa Europa ameaçada por todos os lados. 

Aos poucos assistimos ao fim do princípio da livre circulação de pessoas, bens e mercadorias no espaço da União Europeia. Na minha opinião continuamos a ser livres e a usufruir dos nossos direitos democráticos mesmo com as fronteiras encerradas. 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Os caminhos da discussão política


As diversas formas de conquistar o poder político estiveram em cima da mesa durante toda a semana. Uns querem governar porque o povo lhes deu legitimidade, mas outros utilizam os instrumentos os defeitos constitucionais para chegar ao poder. As tradições democráticas estiveram em confronto com as regras da Constituição República Portuguesa. 

A discussão política verificada na Assembleia da República permite concluir que só vamos ter descanso quando se realizarem novas eleições legislativas. No entanto, ainda há que escolher o novo Chefe de Estado que vai decidir sobre o futuro político do país. Durante o período em que não será possível dissolver o parlamento, nenhum dos partidos vai tirar ilações internas porque o burburinho é para durar, independentemente da decisão do actual inquilino em Belém. 

A altura é a melhor para discutir a velha constituição portuguesa repleta de vários conceitos pré-históricos, bem como a estrutura interna dos partidos no nosso país. Contudo, não vai acontecer uma coisa nem a outra. 

O país volta a assistir a uma divisão política entre a esquerda e a direita, o que provoca problemas ao centro onde costumam estar localizados os dois maiores partidos portugueses. 

Verão quente de 2016 sem partidos no centro

Os próximos meses vão ser quentes devido à situação política instalada após as legislativas. Os dois principais partidos do arco da governação, PSD e PS, perderam votos que se traduziram numa redução significativa do número de deputados na Assembleia da República. Nenhum conseguiu chegar perto dos 100 deputados, o que se traduziu num aumento para os restantes partidos, em particular o Bloco de Esquerda, além de permitir a entrada de um novo partido que elegeu um deputado pelo círculo de Lisboa. 

O líder do PSD pediu uma revisão constitucional extraordinária para ser possível realizar eleições antecipadas. Ora, Passos Coelho começa mal como líder da oposição, já que mostra mau perder e quer a todo o custo obter uma maioria absoluta que lhe permita governar à vontade. O ainda primeiro-ministro não percebeu que o país também castigou as políticas de austeridade do governo anterior. Quem não fizer uma leitura adequada dos resultados eleitorais pode vir a ser prejudicado no futuro. Neste momento, o coração de Passos Coelho fala mais alto do que a razão de deixar o Partido Socialista e os restantes partidos de esquerda desfazerem-se nos próximos meses.

A estratégia de António Costa também passa por convocar eleições antecipadas invocando o não cumprimento por parte de PCP e BE dos acordos. À medida que o líder socialista for percebendo que está a ser condicionado pelos restantes parceiros vai invocar que não tem condições para governar. Sócrates também utilizou a estratégia para tentar a maioria absoluta. Costa vai culpar os partidos à esquerda, mas também os da direita por não terem colaborado. 

O quadro político português não se vai alterar, mesmo que os maiores partidos utilizem as respectivas estratégias para conquistar a maioria absoluta nas próximas eleições que deverão ocorrer em Setembro 2016. Ou seja, a última maioria conquistada por um destes partidos foi em 2005 pelo PS liderado por José Sócrates. Não é crível que PS e PSD estejam em condições de reclamar esse estatuto numa altura em que fogem cada vez mais do centro para as extremidades. O desvio para a direita ou esquerda não é só deles, mas dos partidos com que se têm coligado. A Coligação PAF tornou o PSD menos social-democrata e o PS irá virar à esquerda por causa do PCP e BE. Não acredito que os dois partidos recuperem o centro na próxima década a não ser que apareça algum candidato com ideologias antigas. Francisco Assis já assumiu uma corrente diferente dentro do PS, enquanto os sociais-democratas esperam avanços por parte de Rui Rio. No entanto, os actuais líderes do PSD e PS fecharam os partidos em torno de si para não haver críticas internas. Um dos sinais que conferem realidade à análise é o discurso radical do protagonistas.Isto pode fazer com que apareça um partido moderado para aproveitar o espaço deixado pelas lideranças de Costa e Passos Coelho.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Passos segue cartilha de cavaco

O primeiro-ministro em gestão apareceu com um novo discurso. Pedro Passos Coelho quer fazer uma revisão extraordinária da Constituição para convocar eleições antecipadas antes de Marcelo Rebelo de Sousa ter plenos poderes constitucionais. 

A tentativa de Passos Coelho condicionar a legitimidade do futuro executivo liderado por António Costa passa pela convocação de novas eleições para obter uma maioria absoluta que lhe garante plenos poderes. O líder do PSD vai utilizar a mesma estratégia de Cavaco Silva em 1987, quando a esquerda também derrubou o governo, embora Mário Soares não tenha dado posse ao PS, PRD e PCP. A história é conhecida, mas o problema é que em 2015, Cavaco Silva não tem poderes constitucionais que lhe permitam convocar eleições antecipadas, pelo que, a pressão de Passos é para o futuro chefe de Estado. No caso de Passos ficar em gestão, é um sinal claro que vamos ter novo acto eleitoral. 

A partir de agora a luta de Passos Coelho vai ser esta devido à sua crença em repetir o mesmo resultado de Cavaco Silva. Na minha opinião é uma táctica arriscada porque a coligação perdeu muitos votos que se traduziram numa perca de mandatos para, no mínimo, chegar perto dos 115 deputados. A maioria de esquerda tem uma enorme vantagem  no parlamento, pelo que, só uma zanga entre PS, BE e PCP pode tornar o jogo favorável para a direita. Passos não deve cometer o mesmo erro que Costa ao tentar chegar ao poder demasiado cedo e em condições políticas desfavoráveis. 


Portugal respira política

Os resultados das eleições legislativas trouxeram um novo quadro político, ou tempo como lhe chama António Costa, no país. A política nunca dividiu os portugueses como aconteceu no pós-revolução. Na minha opinião penso que é um bom sinal a população voltar a se interessar pelas questões do país através das ideologias. 

O debate do programa do governo também ficou marcado pelas divisões ideológicas entre os blocos que se constituíram no parlamento. No entanto, na rua também se registam manifestações a favor dos dois lados. A direita deixou de ter vergonha em organizar concentrações de apoio, equilibrando a balança. A esquerda esperava uma atitude passiva da direita, mas não foi isso que aconteceu. 

A instabilidade política vai permitir o aparecimento de correntes de opinião, mesmo dentro dos partidos, que procuram acrescentar mais debate na sociedade portuguesa. Há muito tempo que não se discutia política em cada esquina, café ou família em Portugal. A imprensa também vai começar a mostrar as tendências ideológicas. 

Temos pela frente uma série de modificações que vão beneficiar o debate político no nosso país. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Mandato de Costa vai ser igual ao de Santana Lopes

O governo caiu e o país espera à decisão do Presidente da República, sendo que a indigitação de António Costa é a solução mais acertada para o país. A esquerda parlamentar decidiu optar por esse caminho no sentido de mudar a orientação política relativamente aos últimos quatro anos. No entanto, a questão da ilegitimidade política e não constitucional para António Costa ser primeiro-ministro será um fardo que a direita recorda todos os dias ao actual secretário-geral socialista. 

Recuando um pouco na história verificamos que Costa está na mesma situação de Pedro Santana Lopes quando Jorge Sampaio o escolheu para substituir Durão Barroso na chefia do governo em 2005, quando também tinha na Assembleia da República. Contudo, Costa tem apenas apoios parlamentares assegurados por partidos com pensam de maneira diferente e não garantem estabilidade política e económica, face aos compromissos que Portugal tem de assumir no exterior. 

O problema de Costa será o mesmo que Santana Lopes enfrentou na altura, embora com a garantia que o parlamento não pode ser dissolvido até Junho do próximo ano. O facto de quem liderar o governo não ter ganho eleições faz toda a diferença, mesmo num quadro parlamentar como o português. Contudo, o nosso regime semi-presidencialista garante ao Presidente da República demitir um governo e dissolver a Assembleia quando "não estejam reunidas as condições políticas necessárias para o funcionamento das instituições". Ou seja, a bomba atómica pode ser accionada sem fundamentos constitucionais. 

A narrativa contra a nomeação de Costa será sempre a mesma e o novo chefe de Estado terá sempre o olho em cima do líder socialista, o que não é bom para um governo minoritário que terá um apoio residual no parlamento. 

As estratégias políticas de Costa também visam garantir a sobrevivência política para não ficar esquecido na escuridão do Partido Socialista, como aconteceu com Ferro Rodrigues quando perdeu a batalha contra Santana Lopes. 

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Passos cai de pé, Costa entra por baixo

O debate do programa de governo provou que António Costa efectuou o arranjinho político com o BE e PCP para chegar a primeiro-ministro e garantir a sobrevivência política. No entanto, também é verdade que isto não acontecia se a dupla Passos Coelho/Paulo Portas não estivessem no governo. Os dois partidos de esquerda querem mudanças de políticas, que são legítimas e lançam Costa para o poder, mesmo que isso represente não terminar a legislatura.

A forma como António Costa encarou os últimos dois dias merece reflexão, já que estamos perante o futuro primeiro-ministro caso Cavaco Silva proceda à indigitação. O líder socialista não debateu o programa de governo, preferindo lançar os seus benjamins. O único discurso de Costa foi feito nas declarações finais dos partidos quando não havia direito a resposta. Os outros líderes partidários, como Pedro Passos Coelho, explicaram as razões das políticas e debateram os diferentes pontos de vista. Costa entendeu que não deveria trocar argumentos com os restantes deputados porque já se sente no papel de chefe do governo. 

A dignidade com que Passos Coelho cai do governo não é a mesma com que Costa irá entrar. Passos cai de pé e Costa entra por baixo, sendo previsível que não saia bem na fotografia. É espantoso que o secretário-geral não tem ninguém com ele. Os partidos que lhe dão a mão só querem o derrube de Passos Coelho e Portas, estando atentos ao que se passa  na governação. O acordo firmado entre os três partidos nunca envolveu uma reunião à mesa, dando sinais de instabilidade sobre aquilo que poderá acontecer. As pessoas não vão no engodo que está a ser feito. O Presidente da República também não. Por isso tenho dúvidas que Cavaco Silva aceite esta solução. 

Não há um sinal de união entre os partido que assinaram o acordo, nem o Partido Socialista se mostra unido nesta solução, porque tudo acontece para salvar a face de António Costa, que se comporta como primeiro-ministro sem ser indigitado pelo Chefe de Estado. 

Os portugueses podem não ter dado a maioria absoluta à direita, mas foram claros ao não querer Costa como chefe de governo. O voto nos outros partidos da esquerda também teve esse significado.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Os partidos não receberam a mensagem das legislativas

A discussão do programa do governo é apenas o começo de uma legislatura atribulada que o país vai conhecer. Não só a nível político, mas também económico e social. Os egoísmos partidários e ambições políticas vão prejudicar o país e os portugueses. No entanto, aquilo que está a acontecer não é culpa de uma só pessoa. Os portugueses castigaram o actual sistema português ao não dar qualquer maioria absoluta. A mensagem foi para os partidos se entenderem em nome de Portugal e não para se esconderem atrás de objectivos políticos pessoais. Quem fica a perder com a actual situação são aqueles que continuam eternamente agarrados ao poder. Nas próximas legislativas, os portugueses não vão esquecer o que se está a passar agora. 

O problema é que os resultados das eleições deveria ter servido para uma reflexão interna, mas não. Tudo continuou na mesma com as figuras partidárias agarradas às velhas ideias do costume. A continuidade dos mesmos líderes não permite a renovação de ideias, políticas, atitudes e novas posturas perante as dificuldades. 

domingo, 8 de novembro de 2015

Olhar a Semana: Portugal tem três primeiro-ministro em funções

A conturbada situação política em que vivemos permite concluir que o país tem três primeiro-ministros. O primeiro dos primeiros chama-se Pedro Passos Coelho que venceu as eleições legislativas. Independentemente do que acontecer nos próximos tempos, a direita vai sempre reclamar esse título. O segundo chefe de governo é o aspirante mor ao cargo. António Costa está perto de chegar onde sempre quis, mas dificilmente será reconhecido como tal. O líder socialista trará consigo o crivo de ter perdido as eleições e só ter conseguido chegar ao cargo devido a manobras de bastidores que são totalmente legítimas. Por fim, o ex-primeiro-ministro José Sócrates voltou à vida política activa com as últimas intervenções. Os auditórios estão cheios, a comunicação social divulga a excelente oratória do ex-PM que quer voltar a ser protagonista, mais até do que o actual e futuro primeiro-ministro. As recentes tertúlias mostram que a justiça não é o único alvo de Sócrates, já que existem motivações políticas. 

Os próximos meses, Passos Coelho, António Costa e José Sócrates vão ser os principais actores de uma novela política para conquistar as diversas vertentes do poder. O formal, material e da comunicação social. Cada um procurará o seu espaço para defender as posições, mas também para atacar os restantes. 

As três personagens estão ligadas. Senão vejamos: Costa tem que se preocupar com Passos Coelho na oposição e Sócrates na tentativa de condicionar o aparelho socialista. As distritais do partido preferem o ex-primeiro-ministro, sendo que o futuro chefe de governo será comparado a Sócrates, em particular, no discurso, na capacidade de conquistar público, além de atrair as bases do partido. Passos Coelho estará na oposição, mas para isso tem ligar as intervenções de Sócrates à liderança de António Costa. A direita não vai deixar escapar o erro que Sócrates comete apenas por ambições políticas. A própria governação do futuro governo socialista será condicionado pelas alterações que serão necessárias fazer na área da justiça por causa da Operação Marquês. 

O país fica em suspenso até ao dia em que tenhamos um único primeiro-ministro com legitimidade formal, material e política. 

sábado, 7 de novembro de 2015

Figuras da Semana

Por Cima

Jeremy Corbyn - O actual líder do Partido Trabalhista britânico conquistou um importante apoio contra a renovação do programa nuclear Trident. Os nacionalistas e trabalhistas escoceses aprovaram uma resolução no parlamento da Escócia para acabar com o programa. A proposta que passou em Holyrood é mais um motivo para Corbyn continuar a luta em prol da não renovação do Trident, mesmo que cause desconforto junto da bancada trabalhista em Westminster. Aos poucos, o líder trabalhista começa a ganhar argumentos para defender a sua eleição.


No Meio

Acordo à Esquerda - Na semana passada o acordo estava em baixo porque não se conhecia nada. Nesta sobe um degrau porque tivemos a certeza que o BE e o PCP aprovaram as negociações com o Partido Socialista. No entanto, ainda falta os dois rivais da esquerda negociarem um com o outro, mas penso que isso não vai acontecer, já que o acordo não é para quatro anos e não inclui membros dos partidos de esquerda no governo liderado por António Costa, Ou seja, o secretário-geral socialista pretende antecipar as eleições quando perceber a embrulhada em que se meteu porque as negociações não foram feitas a três, mas a dois. Algumas políticas económicas já são conhecidas, como o aumento do salário mínimo. O acordo tem como único objectivo impedir a direita de governar e não criar condições estáveis ao país. Por estas razões, penso que Cavaco Silva vai manter Passos Coelho em gestão.

Em Baixo

Barack Obama - O presidente norte-americano continua a pressionar a Rússia sem estabelecer qualquer contacto diplomático. O modus operandi de Obama contra Putin passa pela constante ameaça e não pelo diálogo natural com uma potência mundial. O líder norte-americano não pode só estabelecer pontes com aqueles que lhe dá mais jeito. Tem de procurar equilíbrio para o mundo com os que não estão sempre do seu lado. O grande problema dos últimos quatros em matéria de política externa foi ter ignorado Moscovo, estando sistematicamente a pressionar o outro bloco.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Sinal verde para o talento



O nosso país pode estar agradecido pelo sucesso do talento nacional fora de portas. Nas várias áreas da sociedade, em particular na cultural, Portugal tem uma carteira de artistas que representam dignamente as nossas cores. Não é apenas o futebol que garante visibilidade à bandeira nacional. No entanto, o feito de artistas, escultores, músicos, não tem o devido retorno em termos de marketing. Ou seja, muitos poucos sabem se uma cantora teve direito a aplausos de pé no final de uma actuação ou se a exposição de um português conseguiu atrair inúmeros visitantes. 

A sorte é que os artistas que brilham cá dentro, mas também lá por fora não medem o sucesso consoante o número de vezes que aparecem nos jornais ou nas televisões. Isso não é importante para a maioria. As boas prestações são registadas consoante o interesse do público. No fundo, trabalham para as pessoas e não em função das agendas dos jornalistas. 

A quantidade e qualidade dos artistas tem aumentado em Portugal. Temos cada vez mais actuações no estrangeiro seja na música, moda, teatro, pintura. A língua não é nem nunca será um obstáculo à afirmação de alguém que pretende conquistar o mercado internacional. A ambição também passa por aí. Hoje já não têm medo de competir com os grandes nomes mundiais. 

Um exemplo disto é o sucesso de festivais como o Misty Fest que traz grandes nomes da música internacional, sobretudo brasileira, além da carreira fantástica de Mafalda Arnauth fora de Portugal. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Não há almoço na Meta dos Leitões

O líder do Partido Socialista decidiu marcar uma reunião da Comissão Política para sábado, na mesma altura em que Francisco Assis organizava um almoço na Mealhada com apoiantes do seu projecto para o partido. Nem o candidato a secretário-geral deveria ter a iniciativa nesta altura, nem a marcação da Comissão Política poderia ser realizada nas vésperas do debate do programa do executivo. A não ser que António Costa traga debaixo do braço o acordo com os dois partidos de esquerda. 

O mais curioso é o PS estar mais activo do que nunca, numa altura em que se coloca a hipótese de voltar ao governo. Quem deveria estar com guerras internas e tentativas de assalto ao poder eram os partidos da coligação por também falharem os objectivos eleitorais, além do poder cair a qualquer momento. 

O Largo do Rato continua em guerrilha constante desde a saída de José Sócrates. Todos querem o poder, mas o partido continua na oposição. 

O repasto de Francisco Assis e apoiantes tinha sentido, embora o timing fosse o pior porque é possível uma reviravolta, já que, não há fumo branco relativamente ao acordo. Os primeiros movimentos das tropas franciscanas só deveriam ser conhecidos após a decisão final de Costa. Assim sendo, a estratégia do secretário-geral beneficia as intenções do ex e futuro candidato à liderança do PS. 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Paul Ryan para 2020



O novo Speaker do Congresso norte-americano prepara-se para lançar uma reforma fiscal, que promete gerar discussão nos próximos anos, independentemente de quem for eleito Presidente em Novembro de 2016. Paul Ryan começou o seu mandato como se fosse um congressista ou mesmo o chefe de Estado. 

A reforma ideológica que reforça as despesas militares, mas corta nos impostos individuais e colectivos parece ideia de um futuro candidato à Casa Branca. O cargo que ocupa suscita o cumprimento dos deveres de independência e isenção, mas o novo líder da Câmara dos Representantes prefere continuar a fazer política partidária. 

As propostas de Paul Ryan também servem para unir os vários sectores do partido, que foram responsáveis pela queda de Joe Boehner. Não é de estranhar que o republicano tenha pedido unidade antes de ser escolhido pelo aparelho para o cargo mais alto no capitólio. A campanha para as eleições presidenciais 2020 já começou.....

As razões da minha suspeita prendem-se com o discurso e a forma como Paul Ryan iniciou o seu mandato. Podia ter apelado à união do parlamento nas vésperas das presidenciais, mas preferiu optar por colocar a sua agenda pessoal na ordem do dia. A recepção que as medidas tiveram no seio do partido, sobretudo dentro do Congresso, e na comunicação social revelam que temos candidato daqui a cinco anos. 

PS dividido entre os leitões da Mealhada e as salas obscuras de Lisboa

Os detractores do acordo entre o Partido Socialista e os restantes partidos de esquerda reúnem-se no sábado na Mealhada. Nada melhor do que um sítio conhecido pela gastronomia para aguçar o apetite pelo poder. As movimentações de Francisco Assis e dos seus alinhados tem como objectivo colocar o PS no centro. 

O timing da reunião é precioso, já que, coincide com a apresentação do programa do governo e antes da discussão do mesmo no Parlamento. Ou seja, antes que seja António Costa a ter o protagonismo, o melhor é lançar algo para a praça pública de modo a pressionar o secretário-geral socialista. 

O que se vai passar na Mealhada não é apenas um encontro entre descontentes com a liderança. Estamos perante um grupo considerável de socialistas que pretende tirar o poder ao actual aparelho partidário, que tomou conta do partido e prepara-se para conquistar o país através de uma coligação instável, sem nexo e pouco fiável. 

Tudo aquilo que deveria ser discutido nos órgãos partidário tem como pano de fundo uma mesa num qualquer restaurante da Mealhada e em lugares obscuros da capital portuguesa. 

Aos poucos os militantes que votaram PS, mas não a favor de uma coligação com comunistas e bloquistas, saem das trincheiras e aparecem na comunicação social contra o acordo que ainda não está assinado, mas que serve só para evitar novo mandato da dupla Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. 

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Barack Obama aperta Putin



As relações entre os Estados Unidos e a Rússia estão cada vez mais complicadas. Nem o  provável entendimento para derrubar o Estado Islâmico na Síria fará com que as duas potências voltem a apertar as mãos. Talvez com a saída de Barack Obama da Casa Branca poderá haver uma inversão dos acontecimentos, mas apenas se os republicanos venceram as eleições gerais. A vitória de Hillary Clinton deixará tudo na mesma, já que, Hillary Clinton tem posições mais duras do que o actual Chefe de Estado norte-americano. 

As notícias dão conta que a Rússia planeia atacar a Estónia, Letónia e Lituânia devido à presença de várias comunidades russas naqueles países. A NATO e os EUA continuam atentos ao processo porque, ao contrário do que acontece com a Ucrânia, os três países fazem parte da aliança atlântica. Ou seja, qualquer intervenção para defender é legítima. 

Não acredito que haja mais movimentações no leste da Europa por parte de Moscovo. No entanto, a distância entre Rússia e Estados Unidos prejudica o equilíbrio de forças no mundo. A situação militar, política e humanitária causada pela guerra na Síria poderia ser melhor resolvida caso as duas potências não estivessem de costas voltadas. Neste ponto critico o presidente norte-americano por ter protegido demasiado o regime de Kiev, que também chegou ao poder através de um golpe de Estado. Barack Obama deveria ter dado um sinal de compreensão, à semelhança do que aconteceu com Angela Merkel e François Hollande. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O lado negro da ideologia

O resultado eleitoral do dia 4 de Outubro já provocou a criação de dois blocos. As movimentações para um governo de esquerda com a participação de Partido Socialista, Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português alertou a direita portuguesa. Nos próximos dias estão marcados várias manifestações por parte daqueles que se dizem "democratas" contra os "reaccionários". As palavras são dos organizadores de um protesto que terá lugar na quarta-feira. No dia 9 e 10 de Novembro haverá uma concentração junto da Assembleia da República para contestar as moções de rejeição ao programa de governo.

A forma como se tratam os adversários políticos está ao nível das guerrilhas futebolísticas que temos vindo a assistir. A esquerda não gosta das políticas "retrógradas" da direita, enquanto esta apelida de "reaccionários" todos aqueles que não partilham a mesma visão ideológica e ganham no parlamento o direito a conquistar uma maioria que garante estabilidade ao governo. O bom senso é algo que não faz parte das reacções exageradas que revelam mau perder. 

O combate ideológico não pode ser feito desta forma. No entanto, são alguns sectores da sociedade civil que apelam a um mau estar entre a população. A nossa sorte é não termos partidos extremistas com implementação significativa na sociedade porque senão teríamos alguns problemas. Os partidos não se podem rever neste tipo de discurso ou chamamento, sendo necessário condenar todo o tipo de incentivo à desordem pública na hora da derrota. O problema é que o mau estar começa no próprio parlamento, mas também quando os políticos não assumem as responsabilidades, em particular nas situações de apego ao poder. Nos últimos anos temos vindo a assistir a este tipo de situação que se agravou com a chegada à liderança dos partidos de Pedro Passos Coelho e António Costa, porque Paulo Portas já cá anda há muito tempo. As tácticas políticas de assalto ao poder e manutenção dos mesmos também originam sentimentos negativos nas populações. 

A culpa não é só do povo. 

domingo, 1 de novembro de 2015

Olhar a Semana - A luta pelo poder

Os problemas que se levantaram após as últimas eleições legislativas têm como objectivo a conquista do poder por parte dos representantes partidários. A Constituição permite três formas de chegar ao poder, sendo que, os blocos eleitos tentam por todas as vias ganhar a batalha da nomeação. 

Também já se percebeu que nenhum dos actores políticos responsáveis pela crise tem intenção de se afastar, apesar das derrotas infringidas no dia 4 de Outubro. A dupla Pedro Passos Coelho e Paulo Portas não quer ficar abandonar o governo, mesmo que fiquem a gerir o poder nos próximos meses. Por seu lado, António Costa joga em todas as direcções para não ser afastado definitivamente. Neste triângulo ainda há José Sócrates, que se comporta como dono da verdade absoluta contra os poderes judiciais defendidas pelos três principais rostos dos nossos partidos. No entanto, o único que detém o poder de decisão é o Presidente da República. Cavaco Silva também faz questão de mostrar que é o dono e senhor do futuro do país, mesmo que se encontre em final da mandato. 

Nos próximos meses as movimentações nos partidos e na própria República farão parte do dia-a-dia. Numa altura em que ninguém tem o poder absoluto, mas apenas a capacidade de tomar decisões temporárias, iremos ter momentos de tensão política, que revelam a verdadeira face dos protagonistas. A procura de um sinal que prejudique qualquer actor político não beneficia a qualidade da democracia, nem os seus representantes, o que causa revolta nos representados. 

A recente crise política pode ser uma oportunidade para os partidos pensarem nas formas com estão inseridos na sociedade. O problema é o jogo de "tachos e panelas" que oculta qualquer possibilidade de esclarecimento interno. Os lugares são sempre dos mesmos, dos que perderam, mas também daqueles que ganharam com maioria relativa. 


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