Etiquetas

terça-feira, 31 de março de 2015

As entranhas da (in)consciência humana

Por mais evoluídos que sejam os processos médico-científicos e a investigação a mente humana permanece, e há-de permanecer, um verdadeiro mistério, uma constante incógnita e enigma.
A tragédia recente, ainda “fresca” na memória de todos nós, da queda do avião da Germanwings nos Alpes franceses é disso um claro exemplo. A capacidade do co-piloto Andreas Lubitz para a dissimulação de eventual depressão e a frieza para levar a cabo o atentado, são o espelho perfeito do mistério da mente humana (reforço a questão do atentado, já que o suicídio afigura-se-me como um acto individual e não o “arrastar” de cerca de centena e meia de inocentes).
Mas há ainda outras realidades psíquicas misteriosas com mais ou menos impactos trágicos. Por exemplo, a capacidade ou a incapacidade para a tolerância, para a aceitação de realidades e convicções diferenciadas, para o valor da inclusão e da igualdade de oportunidades e direitos. Bastaria recordar os acontecimentos, também em França, da tragédia no Charlie Hebdo, se, infelizmente, com mais ou menos regularidade, esta incapacidade não tivesse também consequências trágicas e não se revestissem de actos bárbaros ou de convicções e pensamentos que levem, na prática, a esse destino.
Ainda na semana passada, nos Estados Unidos, terra fértil nos extremos e extremismos, um advogado do Estado da Califórnia apresentou ao gabinete da Procuradora uma proposta de lei - a Lei da Supressão Sodomita – que, entre sete medidas contra a homossexualidade, entre as quais prevê algo como a execução através de um tiro na cabeça (“qualquer pessoa que voluntariamente toque noutra pessoa do mesmo sexo para fins de gratificação sexual deve ser morta com balas na cabeça ou por qualquer outro método conveniente”). Se a proposta é, em si mesma, completamente absurda, abominável, reprovável e criminosa, a sua sustentação, fundamentada num conjunto de pressupostos e convicções, é inaceitável numa sociedade justa e de plenos direitos.
O advogado Matthew Gregory McLaughlin sustenta que a homossexualidade é "um mal monstruoso que Deus todo-poderoso, que dá liberdade e independência, nos ordena a suprimir sob pena de nos destruir". Independentemente da minha opção e orientação sexual não tenho qualquer direito, moral ou superioridade para julgar quem, por opção e convicção próprias, tem outros rumos e orientações de vida (de regresso à tolerância e liberdade do caso “Charlie”). Mais, como cidadão, defendo por convicção liberal de costumes e princípios, a liberdade de cada um em escolher a sua orientação sexual, sem que isso me dê qualquer direito de julgar ou marginalizar.
Por outro lado, como católico, não conheço um Deus todo-poderoso que me ordene matar, marginalizar, inferiorizar, limitar nas liberdades e convicções de cada um. Mais ainda, conheço sim um Deus todo-poderoso, a quem apenas cabe julgar, que, de facto, dá a cada um de nós a liberdade e a independência, não para condenar, mas para fazermos as nossas opções, convicções e princípios de vida.
Mas se pouco me espanta este mistério da intolerância nos norte-americanos, pela (in)cultura, pelos extremismos, fundamentalismos e radicalismos (mesmo que acusem outros, apesar das diferenças serem poucas), o que me assusta verdadeiramente é o “silêncio falacioso e traiçoeiro” de muitos portugueses que, ao lerem esta notícia, interior e silenciosamente batem palmas e rejubilam de gozo. E essa “misteriosa” atitude mental, assusta tanto como alguém que tragicamente leva consigo para a morte centena e meia de inocentes.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Obra do engenheiro

As pessoas tinham razão para pedir a substituição de Paulo Bento após o desastre no Mundial 2014.  Após três jogos oficiais e um particular o saldo do engenheiro do Penta é de 4 vitórias, 0 empates e nenhuma derrota, tendo defrontado adversário como a Dinamarca e a Sérvia, em termos oficiais, e a Argentina num particular. O terceiro jogo oficial foi contra a Arménia. Uma equipa de valor semelhante à Albânia que nos venceu no primeiro jogo da fase de apuramento para o Euro 2016 sob o comando de Paulo Bento.

A selecção é outra e nota-se um crescimento positivo. Embora ainda não tenha produzido grandes resultados já se vê os jogadores a meter o pé, correr atrás da bola e a não se remeter totalmente à defesa quando marca o primeiro golo. O que mudou num ano não foi apenas o treinador porque o regresso de algumas caras com qualidade também ajuda. No entanto, o desaparecimento de Ricardo Carvalho, Bosingwa, Tiago e Danny deveu-se ao feitio irascível do antigo seleccionador. 

A vontade de ganhar está bem presente nesta equipa. A formação não joga apenas para o empate e adiar tudo para o play-off, mas assume que quer ser primeira classificada no grupo para entrar no europeu com estatuto de candidato. Há muito tempo que Portugal fazia as contas com o pensamento na possibilidade de jogar um play-off e nunca ambicionava a primeira posição. Com Fernando Santos no leme isso mudou. Existe ambição, vontade e qualidade para vencer em qualquer partida. 

De facto, já não se vê a equipa remetida na sua defesa quando vence uma partida. Agora há mais controlo do jogo e tentativas de marcar o segundo, mas com cabeça. 

Ainda bem que a selecção mudou de rumo. Acredito que a equipa fique mais forte à medida que os jogos passam porque o espírito vai ser construído sob espírito de vitória. Outro aspecto importante é o aparecimento de alguns jogadores, como é o caso de José Fonte. Afinal não há falta de jogadores portugueses. Contudo, o problema do ponta-de-lança mantêm-se. 

A Madeira como primeiro teste

O PSD obteve uma vitória esmagadora nas eleições da Madeira. O segundo partido mais votado foi o CDS, enquanto o PS registou um terceiro lugar. Na ilha o principal partido da oposição é o CDS e não os socialistas. 

A 11ª vitória dos laranjas na região autónoma é uma importante notícia para o primeiro-ministro, mesmo que, Miguel Albuquerque não tenha sido o candidato a líder do partido escolhido pela actual direcção. Também na Madeira os sociais-democratas enfrentaram críticas devido às dificuldades e ao programa de ajustamento que foi necessário fazer nos últimos quatro anos. À semelhança do que aconteceu no continente, os madeirenses também sofreram. 

As circunstâncias e características das eleições regionais e legislativas no continente são diferentes. Em Portugal a vitória do PS pode estar assegurada, mas a maioria absoluta é uma situação duvidosa. Duvido que algum partido tenha maioria no clima social e económico em que vivemos. Normalmente costuma-se fazer leituras nacionais quando após um acto eleitoral de natureza diferente, como foi o de ontem. 

Não obstante a vantagem socialista ainda está tudo em aberto para Setembro/Outubro porque muita coisa vai acontecer. A subida do partido de Marinho Pinto significa uma perda de votos para o PS e o PSD. Os dois do bloco central vão sofrer devido à acção governativa do segundo e por causa do passado do primeiro. Por tudo isto, ainda é cedo para os socialistas cantarem vitória ou os partidos do governo deitarem a toalha ao chão. As próximas eleições serão as mais imprevisíveis, porque como acontece na Madeira, o partido de protesto será mesmo o único vencedor. 


sábado, 28 de março de 2015

Figuras da semana

Por cima

David Cameron -  O primeiro-ministro saiu claramente vencedor do primeiro combate televisivo, ainda que o modelo utilizado não permitiu um frente a frente com Ed Miliband. Cameron sentiu-se apertado no momento das perguntas feitas pelo jornalista da Sky News, mas saiu-se bem nas questões colocadas pelo público. O facto das pessoas utilizarem "primeiro-ministro" antes de realizarem qualquer pergunta e não terem o mesmo tratamento com Miliband mostra que os conservadores ainda são a primeira força política no Reino Unido. 

No Meio 

Ed Miliband - O líder da oposição não teve uma exibição muito feliz no primeiro teste televisivo quando faltam dois dias para a dissolução do parlamento britânico. Ed Miliband foi confrontado com perguntas pouco simpáticos do público, além de ter sido apertado pelo entrevistador da Sky News. Os estudos não mentem. As pessoas consideram Miliband um "geek". No entanto, o pior é que a opinião pública entende que o líder do Labour ficou mal na fotografia aquando da disputa pela liderança do partido com o seu irmão. Quando um político diz "não me interessa o que dizem os jornais"; está claramente a fugir. Apesar de tudo, as sondagens ainda lhe dão uma pequena vantagem que poderá não ser suficiente para alcançar a maioria absoluta que deseja. 

Em Baixo

Andreas Lubitz - O Co-piloto do avião da Germanwings foi responsável pela morte de 150 pessoas nos Alpes. Lubitz tinha intenção de ficar na história ao se ter suicidado, mas levando consigo mais pessoas para a morte. Sabe-se que o piloto escondeu os atestados médicos que provam a sua insanidade mental. O problema deste caso é se existem muitos Andreas Lubitz à solta nos céus do mundo.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Cameron com discurso vencedor

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, deixou no ar a possibilidade de abandonar o governo em 2020, na hipótese de vir a ganhar as próximas eleições legislativas no Reino Unido. Na entrevista que deu à BBC o chefe de governo também anunciou os seus prováveis sucessores. Entre eles estão Boris Johnson, Theresa May e George Osborne. 

A posição de Cameron não deixa de ser curiosa tendo em conta que ainda não venceu o acto eleitoral que se realiza no próximo dia 7 de Maio. Por isso mesmo é que os comentários mereceram críticas da oposição, mas também do parceiro de coligação. Se atendermos às sondagens, percebemos que os conservadores não estão em primeiro lugar e quando se encontram na liderança é só com um ponto de vantagem sobre os trabalhistas. Cameron estará a pensar num novo acto eleitoral que se realizará muito perto das legislativas? Se o resultado for um empate técnico...

A escolha dos sucessores também não foi feliz. Talvez tenha sido meio feliz porque George Osborne tem capacidades para ser líder do partido. No entanto, tanto o presidente da Câmara de Londres como a actual secretária de Estado do Interior são pessoas pouco recomendáveis, tanto política como pessoalmente. Penso que sem Cameron o Partido Conservador vai atravessar um vazio como está a acontecer com o Labour após a saída de Tony Blair. O pior que um líder pode fazer é indicar um ou mais sucessores. Deve ser o próprio partido a caminha sozinho sem um ombro amigo. 

Não tenho problemas em aceitar que David Cameron feche a porta a um terceiro mandato, ainda que isso tenha sido precipitado e não arrogante ou presunçoso como acusa a oposição e os Liberais-Democratas. Em relação à sucessão deveria ser um pouco mais democrático.

terça-feira, 24 de março de 2015

jornada 26

Nesta jornada o FC Porto encurtou para 3 pontos a distância para o Benfica. Os encarnados perderam em Vila do Conde, mas os dragões não foram além de um empate na Choupana. Tanto águias como dragões não mostraram estofo de campeões e nenhuma delas confirma que está um passo acima da outra. Ou seja, até ao final será difícil prever quem irá ganhar porque nenhuma está a jogar melhor futebol do que a outra. Talvez o clássico na Luz esclareça qualquer este mistério.....

Não há dúvidas que Rio Ave e Nacional estiveram muito bem contra os grandes, não se deixando pressionar pelo facto dos gigantes terem a necessidade de vencer. Nota-se ansiedade quando FC Porto e Benfica jogam fora de casa. 

A luta pelo Europa ganhou novo ânimo devido à vitória do Rio Ave e ao empate do Paços de Ferreira que aproveitaram a derrota do Vit.Guimarães que perdeu um ponto para o Sp.Braga na luta pelo quarto lugar. Os vimaranenses só sabem o que é vencer uma vez nesta segunda volta e têm a equipa de Pedro Martins e Paulo Fonseca à perna. O Beleneneses é outra formação que vai perdendo qualidades.

Gil Vicente e Penafiel ficaram mais perto da descida já que Arouca, Académica, Boavista e V.Setúbal ganharam pontos. A vida complica-se para os dois clubes, mas ainda há luta pelo 16º lugar que vai obrigar uma equipa da primeira liga a disputar um play-off com o terceiro classificado da segunda liga.

Positivo
Vitória do Rio Ave, goleada do Arouca, exibição de Brito frente ao Belenenses, resultado do Sporting frente ao Vit.Guimarães, exibições de Yuri Medeiros e Diego Lopes, atitude do Nacional na segunda parte frente ao FC Porto

Negativo
Postura de Benfica e FC Porto nos respectivos jogos, desperdício de Lucas João que assegurava a vitória frente aos dragões, mais uma derrota do Vit.Guimarães, derrotas comprometedoras de Gil Vicente e Penafiel na luta pela permanência

Jogador da jornada: Brito (Boavista)
Treinador da Jornada: Pedro Emanuel (Arouca)
Melhor jogador do campeonato: Hassan com seis nomeações

segunda-feira, 23 de março de 2015

Ted Cruz

O republicano Ted Cruz é candidato à Casa Branca. De acordo com a imprensa norte-americana o senador do Texas representa a ala mais conservadora do partido, o que significa ter o apoio do Tea Party. Em termos de anúncios presidenciais o Partido Republicano vence os democratas. Neste momento Ted Cruz e Jeb Bush estão praticamente garantidos na corrida do próximo ano. No lado democrata existe apenas a hipótese Hillary Clinton, que não passa disso mesmo. 

O avanço da oposição é natural, uma vez que existe um desgaste enorme em relação aos oito anos de Partido Democrata, mas sobretudo em relação a Barack Obama. Nota-se que as primárias nos republicanos vão ser renhidas, enquanto que do outro lado pode haver uma única figura a sobrepor-se em relação às demais. Na minha opinião isso pode ser prejudicial para Hillary Clinton porque só vai saber o seu verdadeiro potencial no mano a mano que ocorre em Novembro de 2016. 

sábado, 21 de março de 2015

Figuras da semana

Por Cima

António Costa -  O secretário-geral do Partido Socialista tem aumentado o tom contra a acção governativa. As sucessivas aparições de Costa mostra que o líder está confiante num bom resultado, apesar da maioria absoluta ter sido difícil. O PS tem beneficiado de algumas trapalhadas por parte de elementos do governo e aproveitado muito bem os casos em torno das dívidas do primeiro-ministro à segurança social e a questão das listas VIP

No Meio

David Cameron - A campanha eleitoral para as eleições legislativas está quase a começar. O escrutínio é no dia 7 de Maio. Os conservadores e os trabalhistas estão empatados na frente das sondagens. O problema em torno do referendo da manutenção do Reino Unido da União Europeia pode ajudar ou não o primeiro-ministro a conseguir a reeleição. Por um lado o eurocepticismo britânico joga a favor de Cameron, mas por outro a pressão por parte da ala direito do Partido Conservador e do UKIP é suficiente para criar confusão na sua cabeça. 

Em Baixo

Governo - A polémica em torno das listas VIP no fisco provocou a demissão dos dirigentes de topo da administração tributária. O mesmo tinha acontecido com os vistos Gold. No entanto, ao contrário do que aconteceu no caso que estava sob a alçada do Ministério da Administração Interna, desta vez não houve demissões ao nível de ministros ou secretário de Estado responsáveis pela pasta das finanças. Percebo que Passos Coelho não queira mostrar fragilidades quando estamos em vésperas de eleições. O problema é que a não demissão também provoca críticas da oposição.

sexta-feira, 20 de março de 2015

O perfil presidenciável

presidencia da republica.jpgHá poucos dias Cavaco Silva pronunciava-se quanto ao perfil do próximo Presidente da República, na sua opinião.
Houve quem bradasse aos céus porque Cavaco Silva estava a fazer lembrar a "herança ao trono" nos tempos da monarquia, que estava a reduzir e a menorizar o papel e a função do Presidente da República; etc., etc.
É já significativamente extensa a lista "vip" de candidatos a candidatos à "cadeira" de Belém: Rui Rio, Santana Lopes, Marcelo Rebelo de Sousa, Maria de Belém, Ferro Rodrigues, António Vitorino, Sampaio da Nóvoa, Fernando Nobre, Marinho e Pinto, Carvalho da Silva, ... .
Para Cavaco Silva o próximo Presidente da República "deve ter experiência em política externa".
O erro do actual Presidente da República não foi o de expressar a sua, legítima, opinião sobre o próximo Chefe de Estado. Para além de todo o perfil constitucional (até a questão de ter mais de 35 anos) Cavaco entende que deve saber movimentar-se e conhecer os corredores internacionais.
Com esta observação, Cavaco Silva condicionou, é certo, a lista de candidatos a candidatos, nomeadamente, nomes como Santana Lopes e Marcelo. Só que o principal erro do Presidente da República foi esquecer-se, tal como em muitas coisas da nação, infelizmente, que o perfil traçado apenas se projectava em dois nomes: Durão Barroso e António Guterres. Erro? Ambos os nomes que encaixam no perfil "experiência em política externa" são os menos disponíveis (se não mesmo "carta fora do baralho") para o cargo.

Será apenas uma questão discursiva?

Podemos concordar ou discordar das políticas e medidas implementadas pelo Governo de Pedro Passos Coelho. Inclusivamente, elogiá-las ou criticá-las. É fácil, basta ter opinião, exercer a legitimidade do direito de cidadania, de liberdade de expressão, e de expressar convicções, ideologias e conceitos.
Mas não é fácil perceber a enorme dificuldade expressa por este Governo, desde 2011, em explicar-se, em explicar, em ser claro, verdadeiro e transparente, em relação a questões mais (ou menos) polémicas. Embrulham, negam, confirmam, deixam tudo no ar e na suspeição, ... .
Irrevogabilidade... TSU... Emigração (vão e agora voltem, mesmo que pouquinhos)... Impostos... Vistos Gold... Pensões vitalícias... Tecnoforma... Segurança Social... o caos nas Urgências Hospitalares e as Listas de Espera... o arranque do ano lectivo e a colocação dos professores... o caos nos Tribunais e o programa Citius...
São demasiadas injustificações, demasiados ditos e não ditos, embrulhadas discursivas que, das duas uma: ou revelam alguma falta de transparência na gestão da coisa pública; ou revelam uma enorme inconsistência discursiva e uma notória falta de assessoria de imprensa e comunicação. Cresce a dificuldade dos cidadãos, dia após dia, factos após factos, de acreditarem no que quer, e em quem quer, que seja.
E como se tudo isto não bastasse e não fosse, por si só, mais que preocupante e suficiente, eis que nova trapalhada surge no mediatismo do Governo: a lista (bolsa, pacote) VIP da Autoridade Tributária. E tal como no caso do Citius, entre a maior das contradições e embrulhadas políticas, depois das confusões explicativas, eis que surge a "versão final" sempre com sabor a pouco ou quase nada e com a perfeita noção de "gato escondido com rabo de fora". E tal como no Cituis, na Educação, volta à ribalta a sabedoria popular: "quando o mar bate na rocha quem se lixa é (sempre) o mexilhão", mesmo que seja um "mexilhão graúdo".
lista vip financas - rtp.jpg

quinta-feira, 19 de março de 2015

Melhor Portugal, mas pior os portugueses

À medida que as eleições se aproximam o discurso vai endurecendo. O governo e a oposição já mostraram como vai ser. Enquanto que o executivo irá enaltecer o esforço feito durante a legislatura para mandar a troika fora do país, os socialistas contrariam essa tese e dizem que os portugueses estão a viver pior. Nesta semana assistimos a um facto curioso. Enquanto que a Ministra das Finanças afirmou que os cofres do Estado estão cheios, António Costa salientou que os bolsos dos portugueses continuam vazios. 

Confesso que o secretário-geral do Partido Socialista esteve bem melhor do que a governante. António Costa apela ao sentimento dos portugueses. Por seu lado, o governo garante que não vai haver mais resgates financeiros no futuro porque foi possível poupar bastante. Em que discurso se apoiarão os portugueses? No mês de Setembro se verá, mas neste momento vence o Partido Socialista que aproveita o descontentamento dos portugueses.

Infelizmente não vamos sair muito deste tipo de discurso durante a campanha eleitoral, já que existem poucos temas com interesse para serem colocados na agenda. 

quarta-feira, 18 de março de 2015

Reino Unido lidera grupo dos descontentes

A campanha para as próximas eleições britânicas mostram que o Reino Unido está com um pé atrás em relação à União Europeia. As desconfianças não nasceram hoje, mas é um facto que a supremacia da Alemanha incomoda Londres. Não se trata apenas de questões económicas, embora estas sejam importantes. O problema tem a ver com a supremacia política. É curioso que os britânicos criticam o que se está a passar com o euro, mesmo nunca se tenham interessado por deixar a libra. 

Apesar de tudo, o prometido referendo que assusta os países continentais também não terá resultados significativos. Não obstante euro-cépticos, os britânicos não querem deixar de fazer parte da União Europeia e liderar um grupo de países, no qual se encontra Portugal, que estão descontentes com a actual política liderada pela Alemanha e França. Neste prisma, Londres é vista como uma autoridade de bem que vai derrotar Berlim, Paris e os países do Norte da Europa. No entanto, dificilmente os pequenos do Sul, em conjunto com o leste conseguirão obter resultados favoráveis. 

O discurso britânico é o que deve haver maior solidariedade entre todos, o que neste momento, não acontece. Acredito que David Cameron após vencer as eleições tem como missão criar confusão e divisões em Bruxelas. Neste aspecto tenho a convicção que vai contar com o apoio da oposição interna. A Europa reage com indiferença ao referendo, mas quando estivermos perto de 2017 a postura vai ser outra. Como se está a ver no caso grego, Berlim fica com medo sempre que se aproxima alguma força de bloqueio aos seus interesses.

terça-feira, 17 de março de 2015

Virou-se o feitiço contra o feiticeiro.

Ontem foi assunto do dia, de todo o dia, as reacções do advogado de José Sócrates, João Araújo, em relação à imprensa, nomeadamente à forma como tratou a jornalista do Correio da Manhã e CMTV, Tânia Laranjo, no seguimento da decisão do Supremo Tribunal de Justiça em rejeitar o quinto pedido de Habeas Corpus para o ex Primeiro-ministro José Sócrates.
Primeira nota. É inadmissível e inqualificável os termos e a forma com que o advogado João Araújo se dirigiu à jornalista Tânia Laranjo que apenas se encontrava no exercício das suas funções profissionais. É conhecida a relação tempestuosa de João Araújo com o Correio da Manhã e a CMTV, baseada na conflitualidade há muito existente entre José Sócrates e aquele órgão de comunicação social. Independentemente do lado no qual esteja a razão, nada justifica o comportamento do advogado. Nada justifica e não pode deixar de ser criticado, goste-se ou não do CM e da CMTV… e eu, já por mais do que uma vez tornado público, não gosto. Mas, tal como nos acontecimentos em França, continuo “Charlie”.
Apesar da conflitualidade das relações advogado/imprensa desde a primeira hora do processo, nada justificando os acontecimentos de ontem, a verdade é que a própria imprensa alimentou esta relação e deu palco a estes acontecimentos, mais por interesse próprio (da imprensa) do que jornalístico (público).
Segunda nota. É muito interessante e curioso verificar as reacções do universo da advocacia nacional. Uns mantêm-se indiferentes, outros assobiam para o lado, e há quem, publicamente, se insurja e se indigne com tais comportamentos por parte do colega de profissão João Araújo. E a pergunta impõe-se: destes, quantos tomaram alguma posição junto da Ordem? Quantos afrontaram o sistema que alimentam e criaram? Quantos confrontam o corporativismo que reina?
Terceira e última nota. É perfeitamente legítima a posição da jornalista Tânia Laranjo em defender as suas competências, a sua dignidade profissional e pessoal. Qualquer um se sentiria ofendido e impulsionado a reagir judicialmente face à gravidade dos acontecimentos. O que aconteceu, independentemente das razões subjacentes, foi muito mau. Péssimo. Quanto a isto não há muito mais a dizer.
Mas o que “espanta” é a reacção pronta do director do CM, Octávio Ribeiro, saltando logo para a ribalta e para a praça pública em defesa da sua jornalista e contra o advogado. Considerando uma situação (realidade) normal isto seria algo expectável em qualquer órgão de comunicação social. Só que há muitas diferenças de realidades. Primeiro, um outro qualquer órgão de comunicação social teria optado por muito mais recato, não preenchendo e enchendo linhas e linhas de texto e minutos e minutos de imagens em defesa de causa própria. Segundo, finalmente, tendo em conta as reacções de Octávio Ribeiro (não confundir com a posição da jornalista Tânia Laranjo), parece que o Correio da Manhã provou do próprio veneno. É que a moralidade não é bonita apenas nos outros ou dos outros para connosco. E, finalmente, o CM descobriu o papel dos tribunais, da ofensa à dignidade e à honra, à privacidade, da preservação da inocência, da verdade e da veracidade dos factos. Finalmente…

segunda-feira, 16 de março de 2015

Esgotado

A insistência de José Sócrates em tentar a sua libertação deixa-o numa posição fragilizada. Em termos políticos porque o ex-primeiro-ministro pretende com os pedidos de Habeas Corpus ter mais tempo de antena junto da opinião pública. A atitude de João Araújo perante uma jornalista da CMTV mostra que o José Sócrates está esgotado e começa a perder a batalha. Não só política, mas também jurídica. 

A decisão que pode acabar com a prisão preventiva será conhecida amanhã pelo Tribunal da Relação que julgará o recurso sobre as medidas de coacção. Ora, se Sócrates perdeu tempo ao fazer uma campanha na comunicação social em sua honra, será que vai recolher os frutos em termos jurídicos? Penso que não porque a justiça também tem de avaliar o barulho que o antigo chefe de governo está a fazer em torno deste caso. Não pode o tribunal ficar alheio a tudo o que se passado relativamente à "Operação Marquês". Sócrates tem todo o direito à sua defesa, mas deve-o fazer em sede própria porque depois oferece trunfos a quem decidiu esta medida. 

Tenho a certeza que Sócrates também já perdeu credibilidade junto da opinião pública, único factor que lhe garantia alguma motivação para continuar a enviar cartas desde a prisão. Como seria de esperar este processo está a ser mediático e também político. 

domingo, 15 de março de 2015

jornada 25

O Benfica venceu categoricamente o Sp.Braga na Luz. A nota artística tem estado presente nos jogos em casa, sendo que fora da Luz os encarnados têm optado por uma estratégia de espera. Os bracarenses perderam o comboio do terceiro lugar após as derrotas com os dois primeiros classificados, já que o Sporting aproveitou para ficar com sete pontos de vantagem. Nem no caldeirão dos Barreiros os leões perderam pontos. 

O Vit.Guimarães também não aproveitou as escorregadelas do rival. Nesta jornada mais uma derrota que compromete as aspirações porque o Belenenses, Rio Ave, Paços Ferreira estão a conseguir ganhar pontos, ainda que poucos. O maior problema tem a ver com as exibições. Muito fracas para quem produziu um futebol de excelência na primeira volta. 

Na cauda da tabela uma nota para a Académica e Vit.Setúbal que venceram os seus jogos, colocando Gil Vicente e Penafiel com dificuldade em respirar. Torna-se claro que os resultados das primeiras jornadas da segunda volta foram mais um epifenómeno. Há pouca evolução em Barcelos e no 25 de Abril. 

Positivo:
bom jogo entre Belenenses e Estoril, golos do Benfica frente ao Sp.Braga com intervenção de Nicolás Gaitán, postura do Arouca no Dragão, vitórias de Setúbal e Académica

Negativo
Gil Vicente e Penafiel cada vez mais últimos, mais uma derrota do Vit.Guimarães, falta de Fabiano no Dragão,

Jogador da Jornada: Nico Gaitán
Treinador da Jornada: Bruno Ribeiro (Vit.Setúbal)
Melhor jogador do campeonato: Hassan com 6 nomeações

sábado, 14 de março de 2015

Figuras da semana

Por Cima

Pedro Passos Coelho - Na semana passada coloquei Pedro Passos Coelho em baixo. Hoje está no topo devido à forma como, mais uma vez, encarou uma polémica em torno do seu nome. O primeiro-ministro foi ao Parlamento e não se furtou a responder, mesmo que isso o tenha prejudicado nas sondagens divulgasdas ontem pelos meios de comunicação social. A honestidade e a coragem de Passos não foram beliscadas com este caso. O resto são problemas políticos. Como escrevi no post "antes um prevaricador fiscal do que um cobarde político". Nem mais.

No Meio

José Mourinho e Carlo Ancellotti - As equipas treinadas pelos dois tiveram destinos diferentes nos oitavos-de-final da Champions League. O Chelsea caiu em casa perante o PSG e o Real Madrid seguiu em frente, mas esteve a um golo de ser eliminado pelo Schalke 04. Os técnicos foram alvo de críticas ferozes, apesar de continuarem com hipóteses de vencer os respectivos campeonatos. Ninguém coloca em causa a sua capacidade de treinador. No entanto, estão sempre sob a mira das críticas. Talvez por causa da sua personalidade.

Em Baixo

Yannis Varoufakis - Os dias passam e as notícias que saem são contraditórias. As responsáveis europeus dizem que a Grécia não se vai safar e o governo admite a possibilidade de não poder cumprir com as suas promessas eleitorais. Por sua vez, o ministro da Defesa ameaça a Europa com a abertura da fronteira aos jihadistas. Por último, a cereja em cima do bolo foi a reportagem do ministro das Finanças grego à Paris-Match em que mostrava o seu lado mais pessoal. Enquanto a Grécia sofre todos ficamos a saber o bom gosto de Varoufakis. O problema é que as soluções para combater a crise são zero. 

quinta-feira, 12 de março de 2015

Contra o regime de exclusividade

Em Portugal e no Reino Unido a questão da exclusividade dos deputados é um tema que vem na altura certa em ano de eleições nos dois países. 

A maioria parlamentar e o PS apoiam o facto dos deputados poderem ter outros empregos e que não sejam exclusivamente membros do parlamento. Ou seja, a experiência acumulada nas várias profissões deve ser trazida para a esfera pública. No mesmo sentido está o Partido Conservador de David Cameron que não vê qualquer problema na acumulação de cargos. 

O debate que se assiste na Assembleia da República e na Câmara dos Comuns faz sentido e é importante discutido. Concordo com as posições adoptadas pelo maiores partidos portugueses e por uma das forças que está no poder no Reino Unido. Embora estejam ao serviço do país e a exercer funções públicas, os deputados também devem ter uma vida profissional autónoma que lhes permita adquirir conhecimento e trazer para a esfera pública. Em Portugal isto faz mais sentido do que no Reino Unido porque os membros do Parlamento não se ocupam diariamente do círculo que representam. Ou seja, não estão em contacto diário com a respectiva população que supostamente os elegeu. O sistema não permite que assim seja. 

No Reino Unido o sistema é diferente. 

Não vejo mal nenhum que cada deputado tenha a sua profissão, mesmo que isso possa colocar alguns conflitos de interesses. No entanto, esses são do domínio da ética e não legal. Não podemos estar sempre a criar leis restritivas e depois queixar que os deputados têm falta de visão. 

quarta-feira, 11 de março de 2015

Antes um prevaricador fiscal do que um político cobarde

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, deu as explicações sobre as suas dívidas à segurança social no Parlamento, tendo sido alvo de protestos por parte de cidadãos que se manifestaram nas galerias. Os vários manifestantes que foram ao parlamento falaram por muitos milhões de portugueses que se sentiram indignados com as notícias dos últimos dias. 

À semelhança do que aconteceu com o caso Tecnoforma, Passos respondeu perante a pergunta dos deputados, não tendo fugido a nenhuma. Tenho a certeza que nos próximos dias o caso vai morrer porque, goste-se ou não, a palavra do primeiro-ministro tem de ser tido em conta pelos mesmos que criticaram a atitude do chefe de governo. 

É importante destacar a atitude de Passos Coelho que não se refugiou noutros locais, como fazia Sócrates que preferia as televisões, e respondeu a todas as perguntas colocadas pelos deputados. Sem medo de dar a cara. Como está escrito, é preferível ser um prevaricador fiscal do que um político cobarde. Com a deslocação ao Parlamento, o primeiro-ministro, também sai por cima daqueles que queriam um pedido de desculpas aos portugueses. Ora, o que os comentadores da nossa praça pretendem é o rebaixamento. Um assumir de culpa para Passos Coelho sair por baixo. Mais do que explicar, alguns querem é ver o PM fragilizado perante esta situação. Só mais um caso político. 

O país deve muito a Passos Coelho pelo esforço enorme que deu tirar a troika do país. A coragem e a honestidade sempre foram as duas principais características do primeiro-ministro, tendo alguns defeitos normais. Como disse Pedro Pestana Bastos na conferência "Mudar a Bem", que se realizou no sábado passado no Fórum Lisboa, o país deve a Passos Coelho o facto do BES não ter tido ajuda do governo quando Ricardo Salgado pensava que iria ter mais um bónus proveniente da política. 

Não tenho dúvidas que as pessoas saberão recompensar o actual primeiro-ministro. Nota-se que existe algo a mudar que começou precisamente com a saída de troika. Algo diferente.  Passos Coelho não vira a cara à luta nem foge da verdade política. 

terça-feira, 10 de março de 2015

jornada 24

A luta pelo título mantém-se à distância de quatro pontos. Com maior ou menor dificuldade o Benfica e o FC Porto venceram os respectivos jogos. A fase mais difícil dos dragões foi ultrapassada com sucesso, sendo Cristian Tello o principal protagonista nos três desafios. O espanhol fez duas assistências e marcou quatro golos dos seis que os dragões marcaram a Boavista, Sporting e Sp.Braga. 

O Sporting também saiu beneficiado porque venceu o Penafiel e os bracarenses perderam, pelo que a vantagem foi reposta nos 4 pontos, sendo possível aumentar para 7. No entanto, caso os leões continuam a jogar desta forma não terão vida fácil nos Barreiros. Por seu lado, o Sp.Braga terá que fazer muito mais frente às águias para tentarem sair da Luz com pontos. O Vit.Guimarães não aproveitou o deslize do rival ao ter perdido copiosamente no Estádio do Bessa. A grande figura da jornada foi o Boavista que cilindrou os vimaranenses e praticamente garantiu a manutenção, até porque a evolução no seu futebol permite descansar os seus adeptos neste regresso à primeira divisão. 

Na luta pela manutenção o Estoril parece ser o novo membro. Os estorilistas ficaram mais perto dos lugares de descida. Outro fenómeno, mas positivo, é a Académica que tem duas vitórias e um empate na era José Viterbo. A esperança voltou à cidade dos estudantes. Para já, os novos treinadores estão a conseguir bons resultados. 

Positivo
Mais um golo de Cristian Tello, vitória da Académica, exibição do Boavista frente ao Vit.Guimarães, Lima e Jonas são a dupla perfeita

Negativo
Fraca temporada do Vit.Guimarães na segunda volta, postura negativa do Sp.Braga frente ao FC Porto, expulsões no Sporting- Penafiel

Jogador da Jornada: Lima (Benfica)
Treinador da Jornada: José Viterbo (Académica)
Melhores jogadores do campeonato: Hassan, Marco Matias

Onde param as palmas e os foguetes?

Ruas da Grecia 01.jpgQuando o Governo de Passos Coelho implementou a "Factura da Sorte" choveram raios e coriscos sobre o tema: porque é transformar o contribuinte num fiscal das finanças; porque é invasão da vida privada; porque é enganar os contribuintes; porque a economia paralela comparada com o "grande capital" são peanuts; etc., etc., etc.
Expressei, por várias vezes, a minha concordância com o conteúdo (objectivo) da proposta governativa, embora fosse sempre discutível a sua forma. A verdade é que o aumento do número de facturas emitidas, a possibilidade de controlo fiscalização em relação à economia paralela e à invasão e fraudes ficais, justificaram a medida implementada que, ao que tudo indica, terá continuidade.
O que estaria à espera, principalmente dos partidos e movimentos com significativa afinidade política e ideológica com o Syriza e o novo governo grego (casos do BE, Livre e afins), era uma reacção clara e corajosa a esta mais recente medida do Governo de Aléxis Tsípras, apresentada pelo ministro das Finanças, o popular e mediático, Yanis Varoufakis.
Onde se lê algo como isto: «Domésticas, estudantes e até turistas vão ser contratados pelo governo grego para ajudar no combate à evasão fiscal. No terreno, estes inspectores fiscais à paisana serão equipados com sistemas de captação de som e imagem para ajudar à produção de prova contra quem fugir ao pagamento de impostos, em especial o IVA.
Esta é uma das medidas – “as primeiras de muitas mais” – que o ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, propõe numa carta enviada ao presidente do Eurogrupo e com a qual procura concluir o segundo programa de assistência e começar a trabalhar não num memorando mas num “Contrato para a Recuperação e Crescimento da Economia Grega
Infelizmente, à esquerda, sobre isto nem uma palavra.
Um silêncio cobarde ou a sensação que o "mundo ruiu" e a ilusão deu lugar à realidade?

Esqueletos no armário

Todos nós temos esqueletos no armário porque ninguém é perfeito. No entanto, a gravidade desse esqueleto e a repetição é que nos tornam mais ou menos sérios. Nos últimos dias tem-se levantado a questão de saber se os políticos não podem ter nenhum esqueleto para exercer funções públicas. Ou seja, se por qualquer razão as pessoas vão meter tudo no mesmo saco porque o primeiro-ministro não pagou as dívidas à segurança social, se o António Vitorino obtém rendimentos de 12 empresas ou se António Costa também deixou passar o prazo no pagamento da sua habitação. 

A questão não pode ser resolvida à base do "ele tem mais imperfeições do que nós" ou "o que ele fez foi mais grave do que o meu erro". Este caminho leva a que o discurso político baixe a um nível que é difícil de recuperar. Quem perde com as acusações é a opinião pública que não fica esclarecida. 

Tendo em conta que temos uma comunicação social rigorosa e atenta vai ser difícil escapar ao escrutínio popular. Na minha opinião os alegados conflito de interesses ou problemas no passado não devem colidir com o exercício de funções. Ou seja, deve ser feito uma separação entre aquilo que se chamam "erros do passado" com o exercício do cargo. O choque só acontece quando a violação ocorre em funções. No entanto, acho que qualquer política deve explicar a origem e natureza daquilo que é uma evidência. Em relação a este aspecto, penso que Passos Coelho tem de dar uma explicação mais convincente. 

Outro problema que se levanta é saber se um discurso político fica afectado pelas alegadas imperfeições. Ou seja, se um político continua a ter moral para pedir que o seu povo, por exemplo, continue a pagar os impostos. Não se pode confundir as coisas. Uma coisa é a obrigação de um governante, neste caso, de um primeiro-ministro no cumprimento do seu cargo, uma vez que a sua função obriga a que seja colocado na praça pública essa mesma intenção. Pelo facto de um político não ter cumprido não vai dizer aos seus súbditos que façam o mesmo. O sentido da orientação é pelo cumprimento das normas. 

Por tudo isto, penso que não deve ser feito um alarme social por causa das últimas notícias e que afectam pessoas ligadas ao PSD e PS. O escrutínio feito pelas pessoas deve ter em conta a actuação política nas mais variadas vertentes, na qual se inclui também a honestidade no exercício das suas funções. 

segunda-feira, 9 de março de 2015

UM ROTEIRO RUMO AO BLOCO CENTRAL 2.0: Presidenciais 16'



Seria cómica se não fosse trágica esta tentativa de definição de um perfil Presidencial para o seu sucessor imposta à opinião pública, como se de Cátedra estivesse autorizado a pronunciar-se nesta matéria enquanto vulto maior de uma Política supra- partidária e referencial de independência da Presidência. Cavaco Silva inventou a segunda bomba atómica não prevista na CRP, a definição estanque do perfil político de que o PR terá de ter para exercer o mandato Presidencial face às exigências que o cargo lhe impõem, sendo uma delas o domínio da política externa e da diplomacia económica. Poderia ter assumido desde logo que está a relançar a candidatura do recém- chegado Durão Barroso no tabuleiro 2016, face a esta tentativa de virar o tabuleiro quando não se gosta do jogo onde não se é Rei porquanto o Xeque- Mate se torna cada vez mais complicado, Cavaco Silva decidiu, tragicamente, arremessar o tabuleiro ao chão, inviabilizando qualquer candidatura de consenso da Direita às Presidenciais, preferindo dividindo- la e obrigando-a a discordar cada vez mais de si, decido a unir o PSD definitivamente à Esquerda moderada e às figuras do antigo Regime que poderão ainda gerar consenso no Bloco Central, que desde que é PR tantas vezes defendeu publicamente. Face a isto, assolam-me as seguintes dúvidas face a esta actuação principesca do PR:
-Será esta a resposta às críticas de Marcelo Rebelo de Sousa ao mandato Presidencial de Cavaco Silva?
-Estará o PR concertado com o PM para definir o candidato Presidencial apoiado pelo PSD?
-Porque parece Cavaco Silva desejar Durão Barroso na Presidência?
-Ou será que estão ambos a tentar formar um bloco central PS/ PSD no Governo para depois apoiar um candidato único às Presidenciais, que bem poderá ser Guterres em caso caso de consenso?
A única resposta que posso oferecer é que o principal rosto do actual Regime, tentou atomicamente afastar os melhores candidatos da Direita de uma vez só, abrindo lugar ao seu preferido, Durão Barroso. Uma interferência nítida na sua sucessão que se deseja natural e sem intromissões políticas, por se tratar de uma eleição directa a escolha do candidato que deve emanar apenas e só dos cidadãos eleitores, sendo censurável qualquer definição de perfil político sobretudo em matéria de política externa para justificar uma escolha pessoal que parece há muito já ter sido tomada entre Belém e Belém. Definitivamente, um Roteiro numa Presidência sem rumo esta de Cavaco Silva, resumido a um estilo dinástico.
Quanto à postura a tomar por Pedro Passos Coelho,​ deve submeter a decisão da CPN do PSD para um Congresso Nacional extraordinário a marcar expressamente para o efeito, no qual as bases do Partido devem poder escolher livremente o seu candidato depois das eleições legislativas.
Texto da autoria de João Pedro Galhofo

UKIP

O partido liderado por Nigel Farage pretende fazer um corte radical com a União Europeia. Ou seja, se o UKIP conseguir chegar ao poder através de uma coligação ou ser necessário efectuar acordos parlamentares, tanto os trabalhistas como os conservadores, terão de fazer algumas cedências para governarem durante os quatro anos com estabilidade. 

Um dos assuntos em cima da mesa é a manutenção do Reino Unido na União Europeia. Este vai ser um problema muito grande porque o UKIP não quer apenas sair da União. Pretende abandonar a EFTA e o Tribunal Europeu de Direitos Humanos. No fundo, trata-se de ficar isolado e ser governado apenas pelas regras britânicas. Não penso que a população britânica queira um corte radical em relação a estes aspectos até porque o problema de David Cameron tem a ver com uma questão de mais direitos e influência para o Reino Unido nas decisões europeias. Papel que, neste momento, cabe à França e Alemanha. 

A política seguida pelo UKIP em relação à UE não lhe vai dar muitos votos porque as propostas são excessivas. Nem o próprio David Cameron vai na conversa de Nigel Farage. No entanto, os 15% do UKIP nas sondagens podem obrigar os britânicos a virar as costas à Europa. De vez.

sábado, 7 de março de 2015

Figuras da Semana

Por cima

Filipe Anacoreta Correia - A conferência "Mudar a Bem" correu bem. A iniciativa que tem o objectivo de lançar uma discussão interna dentro do CDS decorreu em Lisboa e teve uma forte adesão, tendo sido um bom espaço de reflexão e debate sobre o mundo, a economia e os partidos. É óbvio que, neste momento, é difícil destronar Paulo Portas do poder, mas não é novidade nenhuma que a saturação é enorme. Os governos, os partidos, a vida das pessoas é feita de mudanças. A altura certa para o CDS mudar de vida será após as eleições legislativas, haja ou não uma coligação de direita no futuro. Tendo em conta as sondagens, todos os partidos vão fazer uma reflexão interna profunda após o acto eleitoral. Espero que o CDS não seja o único que adopta a mesma atitude do Bloco Esquerda em relação à liderança. 

No Meio

David Cameron - O primeiro-ministro britânico tem um dilema. Não quer participar num frente-a-frente com Ed Miliband, mas a direcção da estação televisiva que vai organizar o confronto garante que vai realizar o debate e que não tem problemas em ter uma cadeira vazia. Não se percebe as razões de Cameron fugir aos debates porque se apresenta no Parlamento os brilhantes resultados da economia também o devia fazer perante as câmaras de televisão.

Em Baixo

Pedro Passos Coelho - Não foi uma semana fácil para o primeiro-ministro por culpa própria. Em primeiro lugar continua a não explicar muito bem o que se passou. Em segundo entrou na campanha suja ao falar sobre a detenção de Sócrates. O único aspecto positivo foi o facto de ter respondido aos partidos, em particular ao PS. No entanto, isso pode não chegar para convencer os portugueses.

sexta-feira, 6 de março de 2015

O baixo nível da campanha

Concordo com aquilo que foi escrito pelo Miguel no último post. Em Portugal a tendência é para baixar o nível e não para elevá-lo. Na política como nas outras áreas da sociedade, em particular nas relações, é isto que acontece. Nos últimos anos as campanhas eleitorais temos vindo a assistir a um vazio de debate político sobre questões importantes para meter na agenda questões menores.

O problema é que neste ano eleitoral temos dois temas que vão alimentar os principais partidos e a comunicação social. A detenção de Sócrates e os assuntos fiscais de Passos Coelho serão tema para os intervenientes baixarem o nível. E não estou a falar das segundas ou terceiras figuras dos nossos partidos. Digo mesmo que, tanto Costa como Passos Coelho, vão cair na tentação de dizer o que não querem, mas que tem de ser dito porque isso significa mais votos. Uma vez que a detenção de Sócrates já está na pré-campanha não há nada a fazer. Pior foi mesmo o ex-primeiro-ministro ter entrado na corrida eleitoral quando respondeu através de uma carta.

O que vai acontecer até Setembro não é uma novidade? É precisamente por isso que as pessoas não votam.

quinta-feira, 5 de março de 2015

O grau (menos) zero da política...

Isto não tem a ver com ideologias, com militâncias ou simpatias partidárias. Isto tem a ver com política, com ética política, com a necessidade e obrigação de renovar e de devolver a dignidade a uma causa nobre, a uma função vital para a solidificação da democracia e de um Estado de direito. Tudo, aliás, o que não tem acontecido nos mais recentes anos, eventualmente, na última década.
A imagem que alguns políticos e partidos transmitem para os cidadãos é péssima, degradante e obscena. O afastamento dos eleitores em relação à política cada vez é mais forte e evidente (basta recordar os recentes números de abstenções e do crescente número de candidaturas independentes e de movimentos). Não é um chavão, como muitos querem fazer crer para esconder a realidade… é a constatação de factos e de reacções/sentimentos generalizados. Muitos responsabilizam os abstencionistas e os indiferentes à “cousa política” pelo estado das coisas, por não participarem, por não votarem. É legítimo o afastamento quando nada atrai ou motiva à participação cívica e à votação, face ao que é o comportamento e a imagem dos partidos e dos políticos. Isso é sacudir a “água do capote”.
E não vale a pena taparmos o sol com a peneira. Não vale mesmo a pena…
Quando se espera dos partidos e dos políticos sensatez, sobriedade, responsabilidade, transparência, e acima de tudo, ética e dignidade, eis que não há dia em que tudo se destrói como um “castelo de cartas”.
É, com toda a legitimidade, questionável toda esta polémica em torno das dívidas à Segurança Social do Primeiro-ministro, por todas e mais algumas razões já aqui apontadas.
Mas quando se esperava de um Primeiro-ministro, envolto numa polémica desta natureza, explicações céleres e cabais, com o assumir pleno de responsabilidades (ou apontar responsabilidade a quem de direito), mas ao mesmo tempo (a posteriori) algum bom-senso, recato e sensatez política, eis que temos Pedro Passos Coelho a debitar argumentos e justificações diariamente e contraditórias (ou pelo menos nada convincentes e atabalhoadas). Pior ainda… temos um Primeiro-ministro a disparar contra tudo e contra todos, sem olhar a quem, e a pôr-se, nitidamente, a jeito. Pior ainda… a colocar a imagem dos políticos no grau menos zero da decência e da ética.
Como eu, aqueles que ainda acreditam na Justiça, aqueles que não condenam na praça pública, aqueles que não fazem juízos de valores até que a Justiça se pronuncie/julgue (independentemente das simpatias ou aconiventes com uma realidade que condenamos e deploramos.
ntipatias) não podem, nem devem, ficar indiferentes aos factos e às afirmações, sob pena de sermos Há alguns meses atrás, quando rebentou a “bomba” da detenção do ex primeiro-ministro José Sócrates, a maior preocupação (não só política, mas também da sociedade) era a separação de poderes, deixar à justiça aquilo que é da justiça, evitando a transformação política do processo.
Não é possível que Passos Coelho tenha descido tão “baixo” na retórica política e tenha caído na rasteira e na tentação do ataque político a quem nada tem a ver com o processo. Mais… com a posição e afirmação assumida, em jeito de combate político falhado, Passos Coelho transformou o processo judicial que envolve José Sócrates num processo político, esvaziando a componente e a vertente da Justiça.
Quando na passada terça-feira, nas jornadas parlamentares do PSD, no Porto, Pedro Passos Coelho respondia aos ataques da oposição sobre as suas dívidas à Segurança Social, poderia ter usado todas e quaisquer armas e retórica políticas, menos cair na tentação de trazer para o debate político, para a polémica pública, o nome de José Sócrates. E não vale a pena querer fazer passar por burros e estúpidos os portugueses. Já o deixámos de ser há muitos anos. Quando Passos Coelho afirmou nunca ter usado o cargo (de Primeiro-ministro, que é o que ocupa) para “enriquecer, para prestar favores ou para viver fora das suas possibilidades", obviamente que só se estava a referir ao ex primeiro-ministro preso em Évora. O resto é conversa fiada.
E com isto Pedro Passos Coelho retira a componente da Justiça do processo e envolve-o na vertente Política.
E com isto Pedro Passos Coelho dá mais uma enorme machadada na imagem, já paupérrima, dos partidos e dos políticos.
E com isto Pedro Passos Coelho condiciona o debate político nas próximas legislativas, para além de limitar a esperança do PSD num eventual sucesso eleitoral.
Triste… muito triste e deplorável.

Um país com dois governos

A entrevista que Bashar al-Assad deu à RTP mostra como a Síria é um país dividido, mas pior do que isso, que não há solução diplomática e política para o conflito. A BBC já tinha realizado uma entrevista com o presidente da Síria a dizer exactamente a mesma coisa. Através das palavras do chefe de Estado percebe-se onde e porque nasceu o Estado Islâmico. De facto, os EUA não estão minimamente preocupados com o que se passa dentro do país, nem deveriam estar, porque o foco está no combate ao grupo terrorista. 

Os únicos que vão conseguir derrotar Assad serão os grupos que actuam dentro da Síria, ou seja, o Exército de Libertação da Síria que instituiu um país dentro da Síria. Talvez Bashar al-Assad tenha o mesmo fim que Kadaffi, embora o exército sírio esteja mais capacidade do que as forças protectores do antigo ditador líbio. É provável que a Síria se transforme em dois. Compreendo que a comunidade internacional não esteja preocupada com o que se passa no território. A situação que merece atenção é a catástrofe humanitária que se vive no país. Essa tem de ser encarada com importância pelas Nações Unidas, até porque a Europa pode vir a sofrer com o número de pessoas que atravessam o mediterrâneo todos os dias para fugir à guerra. 

A entrevista de ontem e a da BBC deu para perceber que a paz só chegará pela via do conflito armado.

quarta-feira, 4 de março de 2015

A culpa é (sempre) do mordomo

publicado na edição de hoje, 4 de março, do Diário de Aveiro.



Diz-se que “mais vale a dura verdade que a melhor das mentiras”. Tomara que alguns sectores da nossa sociedade tivessem esta frase como referência, como, por exemplo, o sector económico, o financeiro e o sector político.
No primeiro caso temos um “ex” gestor de topo e de referência empresarial, Zeinal Bava, que, em plena Comissão Parlamentar de Inquérito, afirma não ter memória, consegue desresponsabilizar-se de tudo e tornar-se (para além do ridículo e viral) um simples e mero ‘amador’ na gestão. No segundo caso, o “ex-dono disto tudo” e o banco de referência nacional tornam-se arma de guerra familiar e num verdadeiro enredo siciliano. Ninguém usurpou nada, ninguém faliu nada, a responsabilidade de tudo era do “contabilista”. No caso da política, a realidade é demasiado frustrante e angustiante. Nada que nos admire tal é a imagem de fragilidade ética transmitida por parte da classe política. A verdade é que, salvo raras excepções, os discursos e as retóricas políticas não correspondem às realidades conhecidas e vividas. Mais… a seguir a uma constatação e a uma dúvida tornadas públicas, raramente surge um esclarecimento capaz e factual ou o assumir as responsabilidades. Os exemplos são muitos e vêm de muitos quadrantes políticos, seja a nível partidário, seja a nível governativo.
Ao caso, não vale a pena Pedro Passos Coelho vir lamentar-se de que está em ano eleitoral e que há quem se preocupe publicamente muito com ele. Essa é a história da política em anos eleitorais e da pressão pública sobre os candidatos. Sempre foi e sempre será, com toda a naturalidade. Até porque, como diz a sabedoria popular, quem não deve não teme. Fosse ele candidato norte-americano, nem que fosse à comissão de moradores do bairro, e seria “esfolado vivo”. Fosse ele deputado ou primeiro-ministro de um país nórdico (p. ex. Suécia ou Noruega) e à primeira contribuição não paga seria exposto em praça pública.
Mais do que a averiguação de eventuais responsabilidades é a forma como Passo Coelho, em jeito de “conto ou fábula infantil”, explica os factos. Lembremo-nos, por exemplo, a trapalhada com a Tecnoforma (explicações tardias, faltas de memória - agora chamadas de “Bavas” em vez de “brancas” - quanto a exclusividades e valores recebidos, documentos desaparecidos). Agora, veio a público nova polémica envolvendo o nome do Primeiro-ministro (raio do ano eleitoral) com a dívida, acumulada durante cinco anos, à Segurança Social (2880 euros, acrescidos de juros de mora, perfazendo o total de 3914 euros). Mas mais do que a polémica factual é a falta de respostas cabais para perguntas simples/pueris: erro processual da Segurança Social (palavras do ministro da tutela) ou incapacidade da Segurança Social (palavras do próprio Primeiro-ministro). Nem uma palavra em relação ao que, de facto, aconteceu; porque não foi paga a contribuição (como qualquer trabalhador), sendo esta uma obrigação mais que conhecida e da sua inteira responsabilidade; porque não foi o contribuinte Passos Coelho notificado, como são milhares e milhares de portugueses; porque é que falta capacidade processual e tributária à Segurança Social; porque é que o facto surge, só agora, em pleno ano eleitoral. Estas são, entre muitas outras, algumas questões que deveriam preocupar Passos Coelho numa explicação cabal ao país, porque a deve por força do cargo que ocupa.
Mas não se pense que à oposição basta vir de bandeira em riste a terreiro bradar a sete ventos que o “rei vai nu”… porque, no caso da imagem e ética política, são poucos os que ainda vestem roupa. Nem ao PS recorrer a todas as pedras que lhes surgem no caminho, porque os telhados de vidro são imensos e ainda frescos. Por exemplo, basta recordar o episódio de António Costa quando comprou uma habitação com recurso a crédito bancário e não pagou a contribuição autárquica nem a SISA (à data). Justificação do actual líder socialista: “tudo se deveu a meros lapsos do banco e da secretária que lhe preencheu a declaração”. E mais… nem a “arma socialista” do ex-presidente do Instituto da Segurança Social (do tempo da governação de José Sócrates), Edmundo Martinho, que acusa Passos Coelho de evasão contributiva, é mortífera e muito menos causará qualquer beliscão ou arranhão. Porque o feitiço vira-se contra o feiticeiro. Primeiro saber se uma dívida de cinco anos à Segurança Social, no valor de 2800 euros, é evasão contributiva ou fruto de algum recálculo. Segundo, importa questionar o ex-presidente o porquê do ISS não ter cobrado, atempadamente, nem notificado, a dívida ao cidadão Pedro Passos Coelho, precisamente quando Edmundo Martinho, era o responsável máximo pela competência da estrutura que dirigia.
Depois admiram-se da malta não votar....

De caso em caso até ás legislativas

Quanto estamos muito perto das eleições legislativas temos assistido ao surgimento de vários casos nos dois principais partidos que são alimentados pela comunicação social e depois alvo de discussão nas redes sociais. Nos dias de hoje já não são os media que alimentam a intriga com os seus debates e colunas de opinião, mas o cidadão anónimo que comenta tudo e mais alguma coisa. 

Os principais candidatos a São Bento têm estado sob fogo cruzado por causa de declarações que deixaram o aparelho socialista em choque e devido a um pagamento "esquecido" à Segurança Social de Passos Coelho. Estes dois casos têm feito as manchetes, mas não só. As respectivas estruturas partidárias ficaram indignadas com as palavras de Costa aos chineses em que, indirectamente, elogiava o executivo e agora a alegada falta de contribuição do primeiro-ministro ao Estado há uns anos atrás. 

Infelizmente vai ser assim até ao próprio dia da eleição. O problema é que as acusações não se vão ficar por aqui uma vez que novos casos vão aparecer, além de uma coisa mais grave. O caso Sócrates renascerá várias vezes, em particular se o PS insistir neste tema do esquecimento do primeiro-ministro na altura do voto. 

Quem vai ser o grande beneficiado disto tudo? O partido liderado por Marinho Pinto pois claro. 

terça-feira, 3 de março de 2015

Quem quer tramar Passos Coelho

A polémica em torno da falta de pagamento de Passos Coelho à segurança social é mais uma manobra de bastidores para atingir o Primeiro-ministro em vésperas de eleições. Tal como aconteceu várias vezes com José Sócrates, o actual chefe de governo também está a ser alvo de denúncias anónimas que chegam à comunicação social. No entanto, ao contrário do que sucedia com o ex-primeiro-ministro, os problemas envolvendo Passos Coelho são apenas de natureza fiscal. Ou seja, não declaração de rendimentos enquanto era trabalhador dependente e independente ao mesmo tempo. Após o caso Tecnoforma surge este caso. 

Não é por acaso que o objectivo para destruir a credibilidade política do líder social-democrata passa por encontrar telhados de vidro em matéria fiscal, ou não fosse ele o grande combatente da evasão fiscal como forma de manter as contas públicas em ordem. Passos Coelho vai dar os esclarecimentos no Parlamento, à semelhança do que aconteceu com o caso Tecnoforma que desapareceu no seguinte a ter aparecido. Considero mais grave os casos que tiveram o nome de Sócrates em pano de fundo porque eram questões de natureza criminal. De facto, o actual chefe de governo pode ter arranjado forma de não pagar. Isso não justifica o alarido que se tem feito. Talvez Passos Coelho não contasse que os seus "problemas" com a administração tributária viessem alguma vez a público. É pena que só venha o nome do primeiro-ministro nesta embrulhada que deve envolver ainda mais pessoas com responsabilidades. 

Na minha opinião, e apesar de considerar que Passos Coelho deveria ter cumprido as suas obrigações fiscais na altura, penso que o primeiro-ministro tem respondido à altura e é por isso que o assunto morre à nascença. Coisa que não acontecia com o prisioneiro José Sócrates. 
Share Button