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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A obsessão de Miguel Relvas

A questão da privatização da RTP não tem a ver só com questões de ordem financeira e rigor orçamental. Tem muito mais do que isso. Não falo da tentativa de controlo por parte do governo, mas de um desejo enorme de Miguel Relvas ficar com a pasta da propaganda política. Desde cedo temos visto o braço direito de Passos Coelho empenhado em encontrar a melhor solução de forma a garantir uma superintendência estatal. 
Não me admirava que o destino do actual Ministro depois de ser remodelável fosse a estação pública. Relvas é uma espécie de Joseph Goebbels mas que tem de viver num sistema democrático, logo está sob escrutínio daqueles que o colocaram lá. A sua obsessão em tornar a televisão pública num canal privado levou Paulo Portas a impedir a concretização do negócio. O líder do PP sabe muito bem o que seria deixar Relvas mandar numa estação de televisão, já que não era a imagem do PM que aparecia todos os dias mas a do próprio Ministro. Miguel Relvas tem um sede enorme pelo protagonismo, comparável àquela que Sócrates possuía há uns tempos atrás. 
Enquanto Paulo Portas estiver na coligação, o sonho de Relvas não se cumprirá. Talvez no segundo mandato, o Ministro poderá efectuar o seu plano. 

Como tramar um líder segundo António Costa

António Costa definiu um prazo para Seguro unir o partido: 10 de Fevereiro. Daqui a 10 dias, o candidato socialista à Câmara de Lisboa anunciará a sua candidatura a secretário geral do PS. Como era de esperar, os abraços ao actual líder bem como a reunião entre os dois no dia de ontem não passou de propaganda para socialista ver. 
Costa utiliza os mesmos argumentos e métodos de Sócrates, já que este ultimato foi feito no programa Quadratura do Círculo que será emitido logo à noite. Mais umas audiências para a SIC....

O manual de maldade política que falei há dias, está a ser aplicado por António Costa na perfeição. Primeiro apoia-se e elogia o líder dizendo que não será rival na luta interna, deixando o adversário pensar que tem o caminho livre. Depois combina-se com ele uma estratégia comum "a bem da nação", neste caso a bem do PS. Em terceiro lugar, coloca-se um prazo para que o adversário efectue as mudanças necessárias a fim de satisfazer as pretensões alheias. Por último, e tendo em conta que essas pretensões não foram satisfeitas ( em 10 dias????), anuncia-se uma candidatura alternativa para evitar o descalabro do partido. 

António Costa é um mestre da política portuguesa, já anda nisto há muito tempo e aprendeu com os melhores. Enganem-se os seguristas que o actual secretário-geral ia concorrer sozinho depois daquele burburinho levantado pelos apoiantes do actual presidente da CML. Gostava de saber o que significa para Costa unir o partido. 

Este Costa sabe as jogadas todas. Uma coisa é certa, vamos ter uma corrida renhida e muito interessante à liderança do PS, como há muito não se via. Quem ganha é o governo que vai "passar" este primeiro trimestre sem oposição no Parlamento. É neste primeiro semestre que os portugueses vão sentir o enorme aumento de impostos e a dupla Coelho-Gaspar vai ter tempo para respirar. 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Vai Seguro para não dar à Costa


Quem tira o protagonismo a quem?

A luta para secretário geral do PS está em marcha, mesmo que Costa não tenha para já admitido entrar na corrida à liderança, preferindo esquivar-se à Câmara Municipal de Lisboa. Esta estratégia do número 2 de Sócrates pode custar-lhe a liderança do PS bem como a CML. Acho que as pessoas estão fartas de tacticismos eleitorais, preferindo aquilo que Seguro fez. O actual Secretário geral socialista disse que vai a jogo já nas próximas eleições, respondendo assim às críticas de que tem sido alvo. Em meu entender Seguro esteve bem e Costa muito mal. 

A atitude do líder socialista é positiva na medida em que calou os críticos, enfrentou o seu possível adversário e deu cara pelo seu projecto, embora ainda ninguém conheça muito bem o que Seguro quer. É de louvar que, perante as críticas internas e externas o líder socialista não tenha medo do confronto partidário e ao mesmo tempo dá um sinal a Passos Coelho que ainda vai ter de o enfrentar no Parlamento. António Costa fugiu mais uma vez da responsabilidade. Eu acho que o número 2 de Sócrates quer ir a eleições sem ter adversários pela frente e assim unir o partido em volta da sua figura, tal como o ex-PM fazia muito bem. Costa receia Seguro porque este controla o aparelho partidário. É por esta razão que Costa ainda se refugia na CML quando o quer é o Partido. É verdade que a Câmara pode servir de trampolim para o Largo do Rato, no entanto não vejo os militantes socialistas escolherem um secretário geral em part time. Além do mais, o combate ao PM no Parlamento será feito pela velha ala socialista que ainda persiste nos passos perdidos da AR. Se Costa fugir deste combate eleitoral nunca mais chega ao Largo do Rato. Em política é preciso aproveitar o momento certo e este é o tempo de António Costa chegar à frente. Senão o fizer não terá mais oportunidades porque Seguro ganha as eleições autárquicas e reforça a sua posição, e mesmo perdendo as legislativas outras figuras tomarão conta do Partido Socialista em 2015. O PS pode ganhar as autárquicas, mas sem António Costa é dificil vencer em Lisboa. Perdendo Porto e Lisboa, a vitória do PS de Costa não terá o mesmo impacto e efeito nas sondagens para as legislativas. E se o governo mandar a troika embora, o melhor é o PS esquecer as legislativas. Por tudo isto, Costa tem de assumir a candidatura, vencer as eleições e provocar uma crise política para que haja eleições legislativas antecipadas. Se chegar a PM poderá ter o céu, no entanto se não fizer nada disto estamos perante mais um político que fala muito mas não inseguro perante as suas capacidades para liderar. 


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Manual da Maldade Política

Podemos definir o que se passa dentro do PS como uma marosca ou sacanice política.
A forma de "sacanear" um líder político é sempre a mesma, não tem segredo e o truque já é mais velho do que as barbas do Pai Natal. 
Normalmente um líder de um partido que vai substituir um ex-PM e tem de estar pelo menos 4 anos na oposição, tem a cama feita desde o primeiro dia em que tomou posse. 

Em primeiro lugar, porque é normal um ex-PM deixar no ar a ideia que vai "andar por aí". O grupo parlamentar foi eleito nas listas escolhidas por esse mesmo líder, pelo que é normal o novo Presidente ou secretário geral não conseguir atrair a confiança de todos os deputados. 
Em segundo lugar, um líder da oposição desgasta-se politicamente muito mais do que o próprio governo. Tendo o governo por norma maioria absoluta, todas as tentativas de destituir o executivo antes do final do mandato cairão em saco roto, especialmente o uso de instrumentos constitucionais que mais não são do que oportunidades para mostrar descontentamento. 
Em terceiro lugar, o líder que substituirá um ex-PM na liderança de um partido é sempre menos carismático, porque vive na sombra dos êxitos do seu antecessor. 
Em quarto e último lugar, o ex-PM e antigo líder do partido controla a máquina partidária, mas também tem o seu número 2 pronto para ser o futuro número 1. 

O que escrevi tem acontecido nos últimos tempos com o PSD e PS quando estão na oposição, embora os sociais-democratas tenham sofrido com 6 anos na oposição por causa da força enorme do antigo PM José Sócrates. Os partidos há muito que funcionam assim e não se prevê mudanças para o futuro. Por causa dos lobbies políticos, nomes como Fernando Nogueira, Luís Marques Mendes, Ferro Rodrigues nunca aguentaram muito tempo na oposição, não conseguindo sequer disputar uma eleição. O mais curioso foi o facto de Marques Mendes ter caído por uma eleição intercalar em Lisboa. 

É por estas razões que o destino de António José Seguro está traçado. Quando no final do ano passado e o príncipio de 2013 se falava em eleições legislativas, hoje só se comenta o acto eleitoral dentro do PS. Tudo porque o aparelho partidário do PS estava à espera da primeira vitória do governo para cair em cima da actual liderança socialista. As situações tornam-se rápidas porque há muito está montado o assalto ao poder no Largo do Rato, da mesma forma que aconteceu no passado na São Caetano à Lapa.

O problema está nas pessoas mas também na forma como os partidos estão organizados, sobretudo os dois maiores. Repare-se que no CDS, BE e PCP não há facções porque estes três partidos são controlados pelos seus líderes e não havendo muitos militantes é muito fácil acalmar as marés. Nos dois partidos de governo a realidade é outra, porque são de poder. Essa é a única razão para que haja movimentos internos à espera da primeira oportunidade eleitoral. Ao contrário do que se esperava, nem o facto de se realizarem directas para eleger o líder acabou com esta promiscuidade e conflito de interesses. 

Duvido que no futuro a realidade seja diferente daquela que foi até hoje. No entanto, mantendo-se esta organização haverá menos interesse pela vida política e muitos tenderão a afastar-se. Não havendo forma de  acabar com o ciclo vicioso, vai ser díficil proceder a alterações. 

Conflitos territoriais no sudeste asiático e o papel da ASEAN


É longa a tradição de conflitos territoriais no sudeste asiático.
Legado da História, de conflitos bélicos mal resolvidos, da colonização de vários países da região, de lutas pela dominação deste espaço geográfico e estratégico entre potências europeias e os Estados Unidos.
Esta conflitualidade, sempre presente, sempre latente, assume por vezes contornos mais problemáticos e mais próximos do olhar do cidadão.
Do olhar ao coração, a distância é pequena.
Com a memória de conflitos sangrentos ainda bem presente, com feridas por fechar, é fácil que o coração fale mais alto que a razão e se atinjam pontos de ruptura como os que actualmente conhecemos com as disputas que envolvem a China, o Japão, Taiwan e as Filipinas acerca da soberania de ilhotas ricas em hidrocarbonetos no Mar do Sul da China.
China, Japão e Taiwan reclamam direitos sobre as ilhas a que os chineses chamam Diaoyu e os japoneses Senkaku.
O mesmo se passa com a China e as Filipinas, agora tendo as Huangyan (chinês) e  Panatag Shoal (filipino/tagalog) como cenário.
Se pensarmos que a China, o Japão e as Filipinas fazem parte do fórum ASEAN+3 (ASEAN, China, Japão, Coreia do Sul) poderia estar aqui a resposta para solucionar as disputas territoriais que envolvem estes países.
Até porque, no contexto internacional, Taiwan ficará um pouco isolada nestes conflitos por razões que todos muito bem conhecemos.
Dois problemas se levantam, no entanto:
- O mecanismo ASEAN+3, pese embora as declarações de intenção em sentido contrário, não passa de um mecanismo de cooperação económica;
- Essa falta de peso e densidade políticas, aliada à absoluta incapacidade das nações asiáticas de, de alguma forma, darem a possibilidade a que terceiras entidades se envolvam em conflitos em que são parte, uma vez que, aos seus olhos, tal implica uma inaceitável perda de soberania, levam ao arrastar e ao intensificar destes conflitos.
E a um cenário que agrada à China e que as Filipinas recentemente tentaram inverter ao apelar à intervenção da ONU no conflito.
Esse cenário é o da negociação bilateral, na qual a China claramente leva vantagem pelo peso político e económico crescente que representa à mesa das negociações.
Neste impasse, com provocações constantes da parte de chineses e japoneses e com o crescimento do sentimento anti- sínico no interior das Filipinas, aliado a uma retórica bélica poucas vezes testemunhada nos anos mais recentes, o perigo de conflito é real, existe.
Mitigado, apenas teórico, apenas como cenário, mas real.
Era bom que, para que não se passe da teoria à prática, e face à absoluta irrelevância da ASEAN neste cenário, os líderes políticos das nações envolvidas se lembrassem das palavras sábias acerca da guerra, de todas as guerras - sabemos como começam, ignoramos como e quando terminam.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Dois problemas

O PSD vai jogar forte nas eleições autárquicas. Para evitar levar uma banhada eleitoral que se anuncia, os sociais-democratas apostam tudo na vitória nas Câmaras de Porto e Lisboa. Menezes tem a vitória assegurada no Porto se Rui Moreira não avançar com o apoio do CDS. Caso o empresário consiga o apoio dos centristas, haverá uma divisão à direita que pode muito bem beneficiar o PS, embora o seu candidato seja desconhecido para a maioria dos portugueses, contudo é possível que tenha alguma notoriedade em terras portuenses. 

Em Lisboa Fernando Seara é a grande esperança laranja para reconquistar uma câmara que já não tem desde 2001. Após a troca de Santana por Carmona, o PSD nunca mais venceu em Lisboa. Seara pode ter uma vantagem caso António Costa se decida por candidatar-se à liderança do PS, mas também pode beneficiar desta indecisão do actual Presidente. Uma eventual candidatura a secretário geral só será resolvida lá mais para o verão, no entanto nessa altura poderá ser tarde para Costa anunciar a sua intenção. No entanto, tendo em conta que o "Presidente" leva sempre vantagem não será por aí que poderá perder as eleições. Seara pode aproveitar-se desta "reflexão" para deixar Costa sem possibilidade de resposta, porque uma coisa é responder como candidato a Presidente da Câmara e outra é estando no papel de candidato a secretário geral socialista. Em meu entender, António Costa não pode estar a jogar nos dois tabuleiros, tem que se decidir rapidamente qual é a sua real intenção. Essa dúvida só vai ficar esclarecida no Congresso Socialista.

Muito do futuro deste governo joga-se em Lisboa e Porto. O que acontecer nestas duas Câmaras vai definir muito daquilo que serão os próximos dois anos do governo, em particular se haverá ou não remodelação do governo. 

Estas duas candidaturas levantam um problema. De legalidade e legitimidade. Se a candidatura de Seara for travada pelo tribunal, no Porto não haverá legitimidade para Menezes avançar. Da legalidade tratam os orgãos competentes, no entanto a lei da limitação de mandatos não se aplica aos concelhos vizinhos. Trata-se sim de uma questão de legitimidade. Em primeiro lugar porque dá a entender que tanto Menezes como Seara estiveram em Gaia e Sintra com objectivos mais altos. Condena-se a atitude mas também a possibilidade dada a estes e outros autarcas de poder dar o salto. A ambição local não deve ser igual à que se tem em termos nacionais. Ser Presidente de Câmara deve ser antes de mais uma questão sentimental, histórica e cultural. Não tem nada a ver com a ambição de se tornar líder de um partido com vista a se tornar PM. São realidades completamente diferentes. 

Se a candidatura de Seara for chumbada nos tribunais, politicamente a de Menezes acaba. E nesta altura do campeonato, todos os argumentos políticos para derrubar o governo e os partidos da coligação são válidos. Outra questão que não se entende nestas duas candidaturas é a atitude do CDS. No Porto, os centristas terão um candidato próprio, em Lisboa apoiam em conjunto com o PSD Fernando Seara. Acho que o CDS tem de pensar pela sua cabeça, contudo com os rumores de uma eventual crise na coligação, seria bom passar uma imagem de união e solidariedade. Ao menos que não apoiassem nenhum dos candidatos escolhidos exclusivamente pelo PSD. 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Olhar a Semana

Terminou a semana em apoteose para a Imprensa a levar ao cadafalso a Justiça por causa do que não conhecem.
 
Uma mãe ao fim de 6 anos de ser acompanhada, de lhe ser pedido, ensinado, esclarecido, implorado que cuidasse dos seus filhos, viu 5 deles serem-lhe retirados.
 
Depois do Tribunal ter acompanhado, ter analisado, ter solicitado meios, ter pedido acordos, ter acreditado em promessas que não foram cumpridas e deveres que foram ignorados, é-lhe atribuída uma decisão que a ser verdadeira seria absolutamente ilegal.
 
Mas não é verdadeira. Não é verdade o que foi dito e encheu as redes sociais.
Quem ler a sentença, se ela vier a ser publicada, verá que, caíram num enorme logro, na precipitação da escrita opinativa, todos os que fizeram juízos de valor só para condenar um Tribunal.
 
Portugal voltou aos mercados.
Esperamos que em apoteose também embora, como diz o Primeiro Ministro, a crise ainda não tenha terminado.
Perfilam-se os que têm fome e sede não de Justiça mas de Poder.
Esperamos que o bom senso não leve a eleições antecipadas quer porque pouco seria alterado, quer porque não há dinheiro para eleições, quer porque já estamos muito cansados de propagandas.

Luso descendente é nomeado conselheiro do Presidente Obama. Isto é bom para Portugal? Não sabemos. Mas um descendente Luso é uma mais valia em qualquer lado. Um descendente de um Mundo que deu novos Mundos ao Mundo, só pode ser um olhar sobre e para o Futuro.
 
 
No Egipto ainda há pena de morte e, não sabendo como foi feito o julgamento e apurada a prova tremo com a notícia da condenação à morte de quase duas dúzias de pessoas. Estremeço ainda mais quando sei que é um "tribunal religioso" que dará a ultima decisão.
Em nome de Alá? Um nome que deveria significar Luz, abertura, perdão?!
 
 
Coreia do Norte continua a testar as suas armas nucleares e o Mundo globalizado continua a fechar os olhos porque os jogos de forças são perigosos.
 
 
Por cá a energia eólica deu que falar na noite do vendaval. Novas energias que segundo constam foram desenvolvidas pelo anterior Governo. Temos de reconhecer que Deus viu e achou que isto era bom.
 
 
Agora deixem-nos descansar ao 7º dia embora se avizinhe uma semana de luto para os professores.

 
ACCB 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A liberdade está em causa

Em todo o lado existe uma câmara de vigilância. Por norma costumam estar escondidas em locais públicos como centros comerciais, lojas ou bombas de gasolina. No entanto, a intromissão destes pequenos aparelhos já chegou ao nosso local de trabalho e à nossa casa. A nossa vida está a ser vigiada 24 horas por dia. 
Pensamos que estamos mais seguros porque existe uma câmara, mas não é bem assim. A falta de privacidade começa no momento em que temos alguém permanentemente a vigiar-nos, além do mais as câmaras de vigilância não impedem os prevaricadores de pensarem duas vezes antes de iniciar o assalto. 

Não é bom estar no local de trabalho e saber que os nossos movimentos estão constantemente a ser seguidos, isto para além de poder provocar curiosidade alheia. A dita segurança por vídeo ainda não chegou a nossa casa, mas em breve acontecerá. A insegurança que existe no nosso dia-a-dia não nos permitirá viver tranquilamente em família. 

Ninguém gosta deste tipo de vigilância, nem mesmo os donos de estabelecimentos comerciais que estão mais vulneráveis a estas situações. Contudo, este é o preço a pagar para manter o negócio aberto. É impossível ter privacidade com as câmaras presentes, no entanto sem estas o risco de vulnerabilidade é maior. Hoje em dia ninguém dorme seguro sem ter um sistema de video-vigilância por perto, o problema é que com esta adesão não faltam motivos para não se poder dormir descansados. Quem gosta de saber que por detrás da câmara está alguém a seguir os nossos passos? a nossa vida? E que isso será tema de conversa num qualquer almoço ou muito provavelmente poderá tirar partido dessa situação?

A insegurança que se vive hoje em dia não justifica câmaras de video-vigilância em cada esquina. A liberdade da pessoa humana tem de ser respeitado e é um valor jurídico mais elevado do que a segurança material, porque o que está em causa é proteger bens materiais, espaços físicos. É verdade que sem segurança não há liberdade, mas não se pode querer controlar tudo através do sistema "Big Brother". 

Infelizmente este sistema veio para ficar e agrava-se com as tensões sociais que têm surgido nos últimos tempos. Não será difícil fintar as câmaras, ainda para mais quando é obrigatório o uso do "sorriso amarelo", já que a lei é implacável nesse aspecto. A liberdade é que continua por estar assegurada.

A eterna guerra ibérica


Portugal e Espanha sempre foram mais inimigos do que amigos. Nunca houve uma grande paixão entre portugueses e espanhóis, porque os primeiros tentam-se defender constantemente dos ataques dos segundos. A história está cheia de guerras entre os dois países vizinhos, felizmente para Portugal o poderio espanhol nunca se impôs em território nacional. Para nuestros hermanos deve ter sido um sapo muito díficil de engolir até aos dias hoje, pelo que não é de espantar que alguns espanhóis sintam inveja do sucesso dos portugueses por terras espanholas. O que o Jornal Marca e alguns jogadores principais do Real Madrid estão a fazer ao técnico português é inaceitável. Um clube de futebol que nos últimos 5 anos venceu um campeonato ao rival de sempre tendo sido pela mão de Mourinho devia ter outro tipo de comportamento. Bem sei que a imprensa espanhola não está conectada com a direcção, mas é óbvio que tem informação sobre o que se passa dentro do balneário madridista graças às mensagens de San Iker Casillas e Sérgio Ramos. Esta não é uma guerra por causa de uma bola de futebol, mas pelas questões históricas entre os dois países, veja-se a forma como Carlos Queiroz também foi corrido do clube. É dificil a qualquer português ter sucesso em Espanha mesmo que esteja à frente de um dos melhores clubes do Mundo. No entanto, depois de Mourinho sair vai ser complicado ao clube madrileno vencer algum campeonato e não me admirava nada se o técnico português daqui a uns anos fosse treinar o Barcelona!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Conservador pois claro!

O anúncio de David Cameron sobre a realização de um referendo em Inglaterra sobre a permanência na União Europeia soa mais a campanha eleitoral do que outra coisa, no entanto importa analisar a intenção Primeiro-Ministro britânico.
A Inglaterra continua a guiar à esquerda e não está no Euro. Não fazendo parte da moeda única não beneficia nem é prejudicada pelas circunstâncias económicas da moeda única. Se a política da União está virada para a moeda europeia, que sentido faz aos britânicos continuarem a colocar-se de parte? Daqui a 10 anos, todos os países que aderirem à UE estarão no Euro, é esse o caminho. Os britânicos têm todo o direito a seguirem por caminhos diferentes, contudo se estão num clube não podem actuar como se não fizessem parte dele. A Inglaterra apoia a união bancária mas não quer fazer parte dele, afirma David Cameron. O Reino Unido é parte integrante da União Europeia mas não pretende ajudar os países em dificuldade. 

A posição de Cameron não me surpreende. O seu estilo conservador e muito "british" faziam prever este desfecho. O actual PM inglês isolou os britânicos do resto da Europa, porque é a França e Alemanha que dirigem as políticas europeias, não havendo espaço para uma liderança inglesa. Sendo os ingleses a única força aliada dos países com menos voz no seio da União e com capacidade para "travar" algumas políticas absolutistas do eixo Paris-Berlim, a sua saída de Bruxelas implica mais poder para os países do centro e norte da Europa. Considero que o referendo prometido por Cameron, que só virá depois das eleições de 2015, não tem a ver só com a manutenção na União Europeia. Acho que o PM inglês quer arranjar uma forma de perceber se os ingleses estão interessados em entrar para a moeda única. Se o resultado do referendo for favorável à continuidade na UE, se for reeleito, Cameron terá legitimidade política para entrar na Zona Euro. Contudo, o líder conservador corre um grande risco porque se o resultado da consulta popular for a saída, quem fica a perder é o próprio Reino Unido, ficando isolado na sua ilha. 

Note-se que os vizinhos da República da Irlanda até ao Euro aderiram, pelo que não percebo a razão pela qual os ingleses continuam de fora. Na minha opinião, poderá estar relacionado com questões de identidade, cultura, conservadorismo ou mesmo de isolamento político. A crise que vivemos está a dar razão ao Reino Unido, no entanto os ciclos económicos invertem-se e além do mais foi em Londres que a crise na Europa começou , muito por culpa da "liberdade económica" concedida por Gordon Brown aos bancos. 

Ao contrário do que acontecia com Tony Blair, David Cameron não é um fervoroso adepto do Ideal Europeu, basta ver a cara com que vai para as reuniões do Conselho Europeu. O ego do líder conservador não consegue fazer a ligação com as ambições de Merkel e qualquer líder francês que se preze. Não crítico Cameron pelas suas políticas que visam unicamente defender o seu país, o que na minha opinião faz muito bem, porque em primeiro lugar é preciso proteger a soberania nacional. No entanto, se todos querem que a Europa seja forte politica e economicamente é preciso remar para a mesma maré. Estar com um pé na União Europeia e com o outro nos Estados Unidos não é uma boa jogada política.


O Prometido foi cumprido!

4,6%

Já imaginou uma casa de fados em Macau?


Na noite de 19 para 20 de Dezembro de 1999, às 24.00 horas, Portugal deixava oficialmente de administrar Macau e nascia a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).
As vozes mais agoirentas imediatamente vaticinaram, com o fim do império, o fim da presença portuguesa em Macau, o repelir dos portugueses e da sua cultura num Macau agora sob administração chinesa.
A ajudar a consolidar este sentimento, uma debandada que se sentiu especialmente nos anos de 1998 e 1999 de quadros portugueses que durante muitos anos tinham trabalhado em Macau.
E a conduta, imediatamente após a transferência de administração, de alguns mandarinetes tontos que não perceberam o que iria ser a RAEM.
O transcorrer do tempo cura estes desvarios, acalma os espíritos mais inquietos e mais irrequietos.
Um tempo que fez aparecer em força o Governo Central a deixar claro o que pretendia para a RAEM, intenções que têm sido frequentemente repetidas, e que tiveram eco e voz a nível local no primeiro Chefe do Executivo Ho Hau Wah (Edmundo Ho).
Filho de Ho Yin, durante anos o elemento de ligação entre as comunidades portuguesa e chinesa, Edmundo Ho desde tenra idade foi convivendo com as duas comunidades e estabelecendo fortes laços de amizade dentro de ambas.
A poeira assentou, a RAEM consolida-se e a comunidade portuguesa, que tinha ficado mais reduzida, tem vindo a expandir-se.
Com a chegada de gente nova, bem preparada em termos académicos, com espírito de aventura, com projectos, com ideias, sem o espírito do colonizador que caracterizou algumas pessoas e algumas épocas em Macau.
Um bom exemplo deste novo empreendorismo pode ser encontrado no Restaurante Porto de Macau.
Cozinha portuguesa, com um toque de modernidade (o dono do restaurante e chef  foi, durante alguns anos, chef  do Four Seasons em Lisboa) no coração da ilha da Taipa.

O mesmo Porto de Macau que, por estes dias, apresenta a fadista Luísa Rocha, a mesma que encarnou a personagem de Ercília Costa no filme "Amália, a Voz do Povo", acompanhada por Guilherme Banza na guitarra portuguesa e Nelson Aleixo na viola.
Um êxito, que poderá prolongar-se para além da data prevista, porque está a ser acolhido com entusiasmo pela clientela do restaurante.
E não, não é só clientela portuguesa.
Nem nada de semelhante.
Ontem mesmo,  via uma reportagem na TDM (Teledifusão de Macau) em que se dava conta de pessoas que vinham propositadamente de Hong Kong para jantar no Porto de Macau e ouvir Luísa Rocha cantar.
Uma excelente iniciativa do Porto de Macau que me leva a perguntar - já tinham imaginado uma casa de fados em Macau?
Por estes dias, esse espaço existe.
No Restaurante Porto de Macau.
A comida é excelente, a música toca a alma.
Dos que a ouvem e dos que a sentem como parte da sua cultura. Mas também dos que, e são muitos, apreciam a cozinha portuguesa e o fado. 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Afinal dormiu com ela ou não?

Quando um boato é lançado a sua transmissão torna-se rápida e eficaz, chegando num instante a qualquer lado. Hoje em dia é muito fácil lançar uma mentira, mesmo que a fonte não seja um órgão de comunicação social creditado para o efeito, nos blogues também se escreve e opina sobre factos que não correspondem à realidade. 
Perante o boato, o visado pode tomar duas atitudes: Adopta o tradicional desmente ou confirma, no entanto se optar pela segunda via o facto deixa de ser pura especulação para ser uma plena confirmação. Normalmente os boatos têm o poder de criar curiosidade, o que dá para depois fazer inúmeras caricaturas e acrescentar sempre um ponto à principal versão( quem conta um conto acrescenta um ponto). Por outro lado, quando é necessário desmentir um boato, a história nem sempre acaba aí. Quando surgem notícias como esta, fico a pensar se a vontade de vir a público justificar algo não é para esconder a verdade. 
Não me quero cingir a este caso, prefiro falar na generalidade. Certa pessoa visada num boato pode sentir a necessidade de acabar com o mesmo, justificando-se de outra forma. A não ser que se trate de algo muito grave, mas para isso é que existe a figura jurídica da "difamação", na maioria dos casos ninguém está preocupado com os boatos. Ora, o treinador do Olympiacos estava no primeiro lugar, pelo que é estranho a sua demissão, ainda mais curiosa é a sua explicação que dá para o facto: porque a equipa estava a jogar mal. 
Para não criar ainda mais "especulação" o melhor é não perder tempo com boatos, a não ser que haja algum fundo de verdade na história que por aí circula. Eu acho muito estranho este caso e pior ainda são as justificações dadas. Para completar esta história só falta ouvir a versão do Presidente, mas tendo em conta que a sua mulher está envolvida neste caso não é previsível que venhamos a ter declarações para muito breve. O melhor é estar atento ao registo civil de Atenas para saber se há novidades.

Viragem

A emissão de dívida por parte do Estado português está a ter um efeito positivo. Todos congratulam-se com  este regresso aos mercados, embora ainda seja cedo para percebermos o que vai acontecer daqui em diante relativamente ao programa de ajustamento da troika. Ainda há metas a cumprir e é preciso não esquecer a reforma do Estado que tem de ser feita sob pena de, daqui a uns anos voltarmos à estaca zero. 
Para já, este passo teve dois efeitos importantes. A nível externo é a concretização da credibilização do país perante as instituições políticas e financeiras. Lá de fora sempre vieram com a mesma musica: Portugal não é a Grécia. Ninguém acreditou e todos pensámos que iríamos ter o mesmo destino dos Gregos. Agora sabemos que as palavras de Merkel aquando da sua visita a Portugal não foram em vão e que não nos estavam a mentir, enquanto por cá continuavam as manifestações legítimas de desagrado. Este regresso não é por acaso já que há muito estava a ser preparado e resulta da persistência do Ministro das Finanças em não se ter desviado um milímetro das suas opções, por muito que custe ao bolso das pessoas. 

Com esta antecipação dá-se uma viragem política no nosso país. O PS que andava a pedir maioria absoluta tem agora um problema interno para resolver. O ex Ministro de Sócrates já vem pedir eleições internas. Sempre afirmei que Seguro estava a dar um passo maior que a perna, ao em apenas três meses ter pedido eleições antecipadas, ameaçar com uma moção de censura e agora vir falar em maioria absoluta. Primeiro porque não tem uma posição confortável nas sondagens e além do mais não sabe como é que estaria a popularidade do governo após uma previsível derrota nas autárquicas, e mantinha-se a dúvida se Portugal iria conseguir entrar nos mercados face à conjuntura negativa em que ainda nos encontramos. O segundo factor pode até mudar o primeiro e ser o PS o principal derrotado nas eleições de Setembro/Outubro. Eu acho muito curioso esta repentina mudança de posições no Partido Socialista, tendo bastado a primeira emissão de dívida para soar o alarme no Largo do Rato. Este é um dado novo que vamos acompanhar até Junho. Ninguém fala nisso, mas o PS vai a eleições já este ano porque o actual secretário-geral cumpre os dois anos de mandato. Porventura será realizado um congresso antes das directas, à semelhança do que aconteceu em 2010 no PSD. Assim, António Costa pode mudar de planos e ser desde já candidato a secretário geral socialista, até porque novas eleições internas no PS só ocorrerão em 2015 em cima das legislativas, a não ser que antecipem o acto eleitoral. A oposição interna a Seguro já percebeu os ventos da mudança e não quer deixar o governo fugir porque correm o risco de perder as autárquicas o que seria  histórico, já que nenhum governo costuma vencer estas eleições "intercalares". Antes que a maioria suba nas sondagens é preciso encontrar um novo líder...

O ciclo político deu uma volta, cedo demais ao contrário do que seria de esperar. É importante realçar a confiança e certeza com que Passos Coelho tem vindo a falar sobre este tema. Como se viu, este regresso já estava planeado há algum tempo. Aplaudo a forma calma e serena com que o governo tem enfrentado a contestação na rua e na opinião pública, transmitindo sempre uma imagem de segurança naquilo que estava a fazer, apesar de alguns problemas de comunicação que nesta área são importantes. 

Para finalizar, concordo inteiramente com o texto de José Manuel Fernandes que a Maria Teixeira Alves colocou no post em baixo. O meu texto só confirma tudo aquilo que tem sido o comportamento do PS numa altura de dificuldades e ainda para mais estando outro partido a cumprir aquilo que inicialmente foi assinado pelos socialistas. 

Alargamento do prazo da dívida e a falácia do discurso do PS


Publico aqui um comentário de José Manuel Fernandes (ex-director do Público) , sobre o alargamento da maturidade da dívida e os discursos oportunistas dos socialistas:

Como tenho ouvido e lido muitos disparates, vou tentar explicar por partes, pois o tema é difícil.
Primeiro ponto: É verdade que Vítor Gaspar foi pedir a Bruxelas "mais tempo", como diz o líder do PS? Não, não é verdade. Quando o PS falava de "mais tempo", falava de mais tempo para baixar o défice orçamental, e não é isso que está em causa. Em 2013 o nosso défice terá de ser de 4%, conforme acordado com a troika, e aí não há novidades. Segundo ponto: Mas então Vítor Gaspar não pediu "mais tempo" para pagar os empréstimos? Pedir, pediu – é isso que significa "alargar a maturidade da dívida" –, mas isso não representa que vamos pagar a dívida em prestações mais suaves, como sucederia se estivéssemos a falar de um empréstimo à habitação. A triste verdade é que, apesar de todos os sacrifícios, nós não estamos a pagar nem grandes, nem pequenas, amortizações da nossa dívida, nós até continuamos a acrescentar dívida à dívida pois continuamos a gastar mais dinheiro do que aquele que temos (é isso o défice). Terceiro ponto: Para que serve então ter mais anos para pagar os empréstimos europeus? Para, como disse o ministro, "facilitar o regresso aos mercados". Vou tentar explicar. Ao contrário do que sucede com os nossos empréstimos particulares, quando uma das dívidas do Estado vence e tem de ser paga (o que está sempre a acontecer), o Estado vai aos mercados buscar dinheiro para pagar essa dívida mais o que necessita para financiar o défice corrente. Ou seja, substitui uma dívida antiga por uma dívida nova. Ora o que sucede nos próximos anos, sobretudo em 2016, é que há muita dívida para "trocar", logo uma enorme necessidade de "ir aos mercados". Ao ganhar tempo nos prazos de devolução dos empréstimos europeus, Portugal adia algumas idas ao mercado com a esperança de que, lá mais para o final desta década, já não exista a actual turbulência (o gráfico mostra as nossas necessidades de financiamento nos próximos anos). Quarto ponto: Mas não ganhamos mesmo nada em termos financeiros? Ganhar, ganhamos, mas não muito e espalhado no tempo. Como há inflação, quando pagarmos as dívidas que forem prolongadas no tempo, pagaremos menos em termos reais porque o dinheiro valerá menos. Como os montantes são muito grandes, ainda é um ganho que vale a pena. Mas não altera nada de essencial no que toca às actuais dificuldades orçamentais. Quinto ponto: Mesmo assim, Vítor Gaspar não se contradisse quando disse que não ia pedir as mesmas condições da Grécia? Para responder a esta pergunta, é preciso recordar as suas palavras exactas, quando esclareceu a posição portuguesa depois de toda a polémica e das contradições de Juncker. Que foram: "Portugal está atento a oportunidades nessa matéria e solicitará a discussão destas questões quando oportuno no contexto da sua estratégia global de regresso ao mercado" da dívida. Ou seja, foi exactamente isso que Portugal e Gaspar fizeram, numa jogada de mestre que nos permitiu aparecer ao lado da Irlanda e que talvez permita regressarmos já amanhã aos mercados. Internamente, Vítor Gaspar perdeu a opinião pública. Mas externamente, no que toca ao cumprimento dos objectivos portugueses, continua com uma folha de serviços impecável. Eu diria até que ele hoje começou a renascer das cinzas para o cidadão comum. Vamos ver o que nos reservam os próximos dias.




terça-feira, 22 de janeiro de 2013

ESTADO SOCIAL


Taro Aso refere que “o problema não se resolve a não ser que os deixemos morrer”. No Japão, um quarto dos 128 milhões de habitantes está acima de 60 anos. 

Portugal já está no mercado

A prometida luz ao fundo do túnel de Passos Coelho parece estar a surgir. Não obstante o enorme aumento de impostos previsto para este ano, mas que resultaram do chumbo do Tribunal Constitucional; alguns indicadores confirmam que os sacrifícios não foram feitos em vão.
O regresso aos mercados pode acontecer ainda antes do inicialmente previsto, Setembro. Se há algum tempo o juro da dívida portuguesa a 10 anos baixou dos 7%, o que na altura foi considerado histórico, é de extrema relevância o facto deste indicador estar agora abaixo dos 6%. Este sinal mostra a confiança dos investidores no nosso país, e reforça a nossa credibilidade lá por fora. Sem a confiança e credibilidade é impossível haver crescimento económico no nosso país, embora alguns falem neste tema mas sem apontar medidas concretas e nunca mencionando dois factores vitais do jogo económico. 

Gaspar prometeu e cumpriu. O défice vai ser mesmo de 5% como estava planeado com a troika. Ganha o Ministro mas também os portugueses que contribuíram para este resultado que se considera histórico, porque há muitos anos que o valor do défice não é rigorosamente cumprido. Estabelecendo objectivos e metas é sempre mais fácil alcançar o sucesso. 

É já amanhã que Portugal vai regressar aos mercados....

Jogador chave

Em todas as equipas há sempre um elemento que se destaca. Questões técnicas ou de personalidade fazem com que haja sempre um líder a quem os outros olham como um exemplo a seguir. Muito se diz que o importante é o colectivo e nunca os individualismos, no entanto há sempre um fora de série capaz de fazer a diferença.
Este é um discurso que normalmente se aplica nos meios futebolísticos, mas que está pouco ligado à política.
O governo PSD-CDS também tem o seu "número 10", ou "key player". É da sua vontade política e pessoal que depende a continuidade ou não deste executivo. Se vamos ter ou não uma crise política nos próximos tempos depende da sua actuação. O Presidente do CDS tem a responsabilidade de apoiar ou não as constantes medidas de austeridade impostas por Passos Coelho e Vítor Gaspar, pelo que o país assiste com interesse ao que o número 3 do executivo fará nos próximos tempos. Até às autárquicas nada será modificado, contudo nesse período já temos dados suficientes para saber se Portugal vai ou não livrar-se da troika já em 2014 e aí já poderemos ter uma resposta mais clara por parte do CDS. Confesso que as previsões do governo são demasiado optimistas e não será no próximo ano que a troika nos deixará a governar sozinhos. 

Como o actual Ministro dos Negócios Estrangeiros é politicamente imprevisível, todas as dúvidas são legítimas. Quem não se lembra da AD com Marcelo Rebelo de Sousa e dos conflitos com Durão Barroso e Santana Lopes. Ao mesmo tempo que se diz um patriota, Portas é também um camaleão político constantemente a mudar de cor, neste caso de orientação. Não serve os interesses do país nem do partido, actuando sempre em função dos seus desejos particulares. Como PSD e CDS vão sozinhos nas próximas eleições legislativas, não vejo razão para Paulo Portas segurar Passos Coelho no poder por muito mais tempo. 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Que justicia

O eterno PM italiano Sílvio Berlusconi está a braços com dois problemas. Um positivo e outro negativo. O negativo tem a ver com o processo denominado de "Rubygate". O factor positivo é que Sílvio vai apresentar-se a eleições no dia 24 de Fevereiro.  O regresso de Il Cavaliere ao poder, pelo menos a tentativa; faz lembrar muitos autarcas ou dirigentes desportivos cá do burgo.

Ora, a decisão do caso judicial está dependente dos resultados políticos. Berlusconi só vai conhecer a sentença do escândalo "Rubygate" após as eleições de 24 e 25 de Fevereiro.

Todos os dias se fala em mistura entre justiça e política. Aqui está um caso flagrante de conluio entre poder político e tribunais. Berlusconi não só vai conhecer a sua sentença após as eleições, como é candidato mesmo estando a decorrer as audiências relativas a este processo. 

É óbvio que a sentença está dependente de uma eventual eleição de Berlusconi e o resultado eleitoral já está condicionado por este facto. Torna-se difícil saber se estamos perante um caso político ou judicial, embora possam ser os dois, contudo as ligações são evidentes de mais que é impossível não suspeitar de nada. Por cá também temos os nossos "Berlusconis", no entanto situações destas nunca chegaram a cargos como o de PM ou PR. o antigo PM italiano sempre usou a política para se esconder da justiça e este regresso inesperado é mais uma tentativa de adiar aquilo que o povo há muito pede. Que o PM seja responsabilizado pelo que fez. 

Não sei como funciona a justiça italiana nem me interessa. O que mais me preocupa é o facto de na União Europeia ainda haver excepções. Esta situação só revela que a UE só se preocupa com questões políticas e económicas deixando outros temas importantes para segundo plano. E a Justiça tem de estar no topo das prioridades. 

Os "amigos" do Coelho

Ainda se fala muito sobre a conferência sobre a Reforma do Estado que decorreu à porta fechada e sem jornalistas por perto. As opiniões são diversas não havendo um consenso nacional sobre se a atitude tomada foi a mais correcta ou não.Há quem diga que estas atitudes não são dignas de uma democracia, no entanto esta tem de ser preparada fora dos olhares mais curiosos de uma imprensa nem sempre imparcial.
O que importa aqui discutir é saber quem foi o responsável por esta decisão e se não estamos aqui perante um caso de oportunismo político. Os dois grandes promotores deste debate foram o Secretário de Estado Carlos Moedas e a nova contratação do governo, Sofia Galvão. A advogada trocou o escritório para ajudar o país nesta refundação do memorando de entendimento. Acho que o PM não teve controlo sobre as condições em que a conferência se realizou, pelo que só a intervenção da advogada é que pode ter contribuído para a não divulgação do debate nos Media tradicionais. Entendo que a atitude tomada tem uma leitura política clara. Há quem queira aproveitar-se desta nomeação para causar impacto junto da opinião pública. No entanto, estas decisões só vão prejudicar terceiros, que é como quem diz o Primeiro-Ministro, porque não sabe rodear-se das melhores pessoas. 
Passos Coelho tem nomeado "amigos" para serem responsáveis por algumas "pastas" não executivas mas que politicamente são relevantes. Aconteceu com António Borges e foi o que se viu. Não estou a colocar em causa a qualidade das pessoas, porque nesse aspecto não merecem qualquer reticência. O problema tem a ver com o oportunismo e frases proferidas que só prejudicam o executivo. António Borges fartou-se de dizer disparates durante a questão da TSU. Não sendo membros do governo, os amigos do "Coelho" não estão preocupados com a imagem nem com a comunicação que um Executivo tem de ter para passar a mensagem. O que revelam estas duas nomeações é a falta de preocupação com que se lida com as pessoas, não existindo a mínima vontade em querer passar uma imagem positiva cá para fora. 

domingo, 20 de janeiro de 2013

Olhar a Semana

Semana iniciada com Sol e expectativas de fim do mês

Fim do mês, fim de caminhos, inícios logo a seguir mais à frente com cortes ou acertos em reformas e vencimentos que ninguém sabe adicionar, só subtrair.

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Depois de uma mala Chanel ter sido o centro das atenções pelo país fora, por causa de uma campanha publicitária virada à moda e talvez aos sonhos, caiu o Carmo e a Trindade porque o pessoal é todo fútil e afectado e ninguém se lembrou que sonhar ainda não paga imposto.


Independentemente de ter havido um crescendo de apelos a que a "Pepa" se explicasse e quase desse o dito por não dito, o que ela não fez e muito bem, porque também ninguém pede explicações aos negócios dos mercados económicos como se fossem seres voláteis e sem responsabilidade criminal, lá seguimos em frente que atrás vem gente.


Muito semelhante ao discurso da Filipa foi o do Líder do PS. Quer maioria absoluta como se a Crise alguma vez permitisse maioria do que quer que fosse, a não ser de cortes, e logo ao líder do PS.


Lance Armstrong confessa que se dopou porque queria ganhar a todo o custo. Bem pior que a Pepa que apenas quer ganhar a mala como o dinheiro do seu trabalho


Quase me esquecia do cão que todos querem condenado à morte e que, segundo contam os mais próximos, terá sido o causador da morte de um bébé que deambulava sózinho com 18 meses por uma cozinha às escuras.


Ao lado da venda das armas nos EUA e da assinatura de Obama para que seja controlada essa venda, levanta-se em Portugal, País que aboliu a pena de morte para os animais racionais que cometem homicídio, a discussão da "culpa" do animal e a Lei dos animais, os seus sentires e sentimentos, que quer queiramos quer não, eles têm.


O primeiro debate sobre a reforma do Estado decorreu à porta fechada. Sem jornalistas e não havendo direito a perguntas nem a imagens, e portanto nem a respostas . Tudo secreto como manda o figurino de quem sabe que a situação é séria e não admite sugestões ou discussões disparatadas que, uma vez cá fora, são rastilho de dinamite.
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Não sei se no fim deram entrevistas.


Mário Soares depois de ter dito, como há muito tempo não ouvia, algo de absolutamente certo sobre a responsabilização dos mercados pelos Estados, adoeceu e foi hospitalizado.

Desejamos ao Dr Mário Soares rápida recuperação.


No Mali despoletado conflito com islamitas, aguardamos que não alastre a violência ao resto da Europa. Já chega de tropas que são feitas de homens de carne e osso, sabiam? Pois e  vai haver cooperação militar portuguesa. Penso que em regime de voluntariado.


Estreou 'Zero Dark Dirty' sobre a captura de Bin Laden que promete ser um filme polémico.


Aguardamos agora o primeiro vencimento de um ano que tem um nº mágico, o 13, numa época de crise a necessitar de regulamentação.

Com alerta vermelho desde ontem a passar a amarelo tenham uma

Boa semana.


Adelina Barradas de Oliveira

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Alguém que demita o líder do PS

António José Seguro entrou em 2013 a atacar o PM em todas as frentes, não dando 20 dias para o governo respirar. Tudo por causa das tabelas de IRS que foram conhecidas esta semana que geraram pânico em toda a sociedade portuguesa. Deve ter sido a primeira vez em muitos anos que os portugueses olharam para  a tabela do IRS com relativo interesse. Pelo menos uma vez na vida os portugueses preocupam-se com o IRS.

O candidato a PM que quer menos despesa pública mas sem fazer cortes, vem agora ameaçar com uma moção de censura. Não se sabe bem porquê já que o ano começou mesmo agora e os números só começarão a aparecer lá para Março-Abril. No entanto, o líder do PS não quis esperar pelos primeiros resultados e precipitou-se ao ameaçar censurar o governo. Isto quando no final do ano passado já vinha com o discurso de eleições antecipadas. Seguro está a jogar antecipadamente para provocar uma crise política e o poder lhe caia no colo. A maior barbaridade do actual secretário geral socialista foi ter pedido uma maioria absoluta. Pedir maiorias absolutas é uma característica das lideranças socialistas quando estão na oposição. Como a coligação PSD-CDS não se tem aguentado muito tempo no poder nos últimos anos, há que começar a criar divisões no governo para que este caia. No fundo, os socialistas acham que têm a fórmula mágica e por isso estão constantemente a pedir o braço inteiro. Isto porque os governos de direita nunca hão de conseguir resistir num país ainda fortemente marcado pelos governos de esquerda. 

Seguro não tem neste momento garantida a maioria absoluta, pelo que só conseguirá formar governo se vencer as eleições com a maioria dos votos ou então fazendo parcerias à esquerda, o que na política portuguesa seriam inéditas. Eu não vejo nem quero um PS coligado com BE ou PCP. Ao pedir a maioria absoluta, o líder do PS está a cometer um erro muito grave: condiciona toda e qualquer coligação à sua esquerda, pelo que se não obtiver o pretendido, ou governa sozinho o que nunca será uma solução estável ou terá de procurar aliados à direita que se recusarão de imediato fazer parte de um governo socialista ainda para mais com Seguro à cabeça. Não tendo hoje a garantia que o PS vencerá com maioria absoluta, Seguro não pode estar com esse discurso, a não ser que mais tarde as sondagens lhe venham dar razão, mas só quando isso vier a acontecer é que o líder socialista deveria pronunciar-se sobre o tema. 

Se o líder do PS não tem vitórias categóricas nas eleições internas de Junho e principalmente nas autárquicas, é motivo para o Partido Socialista começar a pensar num novo líder que será muito provavelmente António Costa. O presidente da Câmara de Lisboa vai aproveitando estes deslizes do seu secretário geral, ganhando tempo e espaço para sair da Praça do Município e entrar no Rato quando bem lhe apetecer. Seguro bem pode vencer as autárquicas, mas se essa vitória não for categórica e logo a seguir o governo consiga que Portugal regresse aos mercados a sua liderança acaba de imediato, começando um novo ciclo de contestação não ao governo mas ao secretário-geral.

A demagogia de Seguro não é nova no panorama político nacional. Sempre que o líder de um partido na oposição sente o poder cair nas mãos começa a pedir eleições antecipadas, demissão do governo, que o PR fale e actue, apresentando sempre a famosa moção de censura. Este instrumento só tem utilidade política nos governos de minoria....
Pensava que Seguro era capaz de fazer diferente mas enganei-me. Além do mais há muitas razões para que o pedido do líder socialista caia em Presidência rota. 

Em primeiro lugar é Cavaco Silva que está em Belém e não Jorge Sampaio. Se o actual PR fala pouco não é de esperar que se mexa muito. Por outro lado, Portugal vive uma situação de emergência e ninguém no seu perfeito juízo quer ficar sem governo. Após a saída da troika, a oposição pode argumentar que o esforço foi feito à custa dos mais pobres e assim vencer as eleições em 2015, não coloco essa hipótese de parte. Mas no dia de hoje o que se pretende é estabilidade governativa. Além do mais, o governo vai ganhando pontos apesar da contestação social e algumas previsões pouco acertadas. O dinheiro tem sido sempre aprovado e hoje já podemos falar em regresso aos mercados e ainda nem sequer passou o primeiro mês do ano. O terceiro argumento é que já ninguém acredita que o líder do PS vá fazer diferente daquilo que o actual governo está a executar, porque simplesmente estamos amarrados a um programa da troika. Seguro esquece-se facilmente desse pormenor, mas as pessoas não têm memória curta e sabem quem negociou e assinou em primeiro lugar estas medidas. Pelo facto do povo não ser burro e não ir em cantigas é que a estratégia de Seguro tem os dias contados, no caso de não ter maioria absoluta, sendo que internamente isso vai criar divisões dentro do PS que espera por um líder mais qualificado. 

O secretário geral do PS ganhava muito mais em esperar por 2015, contudo a ânsia pelo poder é algo que ninguém consegue esperar eternamente. Todos menos um, que se chama Passos Coelho. O actual PM e anterior líder do PSD esperou pelo momento certo para ver Sócrates cair. Ajudou o ex-PM no OE e em dois PEC´S, tendo criado a ilusão que tinha o apoio do PSD para a execução das suas políticas. Sócrates abusou e o Coelho disse basta, obrigando o PM a demitir-se e o resto da história já todos a conhecemos. Mas esta precipitação de Seguro tem uma razão: chama-se António Costa. A pressa de mostrar serviço e acabar com a sombra do Presidente da autarquia lisboeta está a levá-lo para o abismo político. Pena que assim seja porque Seguro tem qualidades que muitos dirigentes socialistas jamais um dia virão a ter. Contudo, no Largo do Rato faz-se pressão para que o líder caia na asneira de continuar a fazer disparates.


"Dopei-me porque queria ganhar a todo o custo"

Ora aqui está uma frase surpreendente sobre as 7 mentiras de Lance Armstrong

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Acaba-se com o Tour, legalize-se o doping

Estou pasmado com a confissão de Lance Armstrong relativamente ao uso de doping. Não retiro uma linha sobre o que escrevi aqui, no entanto convêm deixar algumas reflexões. Para mim Armstrong continua a ser um herói porque ultrapassou todos aqueles obstáculos por sete vezes consecutivas e além do mais o que interessa é que com ou sem doping, o americano foi o melhor na estrada. É natural que alguns fiquem aborrecidos com o campeão contudo é muito estranho que este relatório venha anos depois da sua retirada por completo da modalidade. Porque razão na altura não se fez esta acusação? Duvido muito que só depois de Armstrong abandonar o ciclismo é que se lembraram desta papelada toda.

Burocracias à parte há uma questão que é importante analisar: acabe-se com o tour ou então legalize-se o doping. Sim, legalize-se o doping, que mal  tem? 

Se o Tour continuar a ser uma prova dura com etapas de montanha impossíveis de ultrapassar sem ajuda de "drogas", vamos ter mais casos destes. Recordemos que outros vencedores da prova como Jan Ullrich e Alberto Contador foram acusados de recorrer às mesmas substâncias. O Tour há muito que se tornou mais uma prova mediática do que desportiva. As suas audiências levam a que seja eleito o evento mundial do mês de Julho, levando ao delírio mesmo aqueles que pouco ligam ao fenómeno do ciclismo. Tendo em conta que a prova não sobrevive sem os patrocínios e publicidade, é recomendável que se faça um itinerário para causar espectáculo da primeira à última etapa. Assim sendo, a organização obriga os ciclistas a subirem as montanhas mais altas dos Alpes e Piréneus. Todos sabemos que humanamente é impossível "subir" àquelas montanhas, pelo que é frequente o uso de doping para fazer face às adversidades. Aqui não se trata de "o outro fez também faço", mas de preservar a competitividade da prova e é lógico que os que costumam andar na frente utilizem substâncias proibidas. No entanto, estas deviam ser legalizadas para criar condições de igualdade entre todos os atletas, sendo que a técnica fará a diferença na luta pela camisola amarela. Se não permitirem o uso de doping casos como o de Armstrong vão ser frequentes ano após ano. No entanto, se quiserem manter o nível de exigência das etapas de montanha, os organizadores vão ter que abrir o uso do doping à competição, sob pena de no futuro criarem-se mais Armstrongs e a prova cair em descrédito completo. É a própria sobrevivência do Tour que está em causa após este episódio, porque eu duvido que alguém queira meter dinheiro para depois estar ligado a acontecimentos negativos. 

Chamei mentiroso a Alberto Contador mas não o faço em relação a Armstrong. Por uma simples razão: não acredito que a UCI ou quem quer fosse demorasse tanto tempo a descobrir o uso de doping por parte da US POSTAL, equipa de Armstrong. O relatório da USADA visa a equipa toda mas o objectivo é atingir o ciclista individualmente. Os franceses e alguns detractores do ciclista tiveram a sua pequena vitória, no entanto acho ridículo as organizações quererem os prémios de volta. Com ou sem doping a vitória dentro de campo nunca deve ser menosprezada.

INSTANTES


Apaixono-me mais facilmente por palavras do que por pessoas, não sei porquê mas sempre foi assim. Ultimamente tenho andado embeiçada pela palavra “instante”, talvez por sentir que mais do que viver um dia de cada vez, vivo instantes ao longo dos dias. O instante em que encontro alguém na rua que já não via há muito tempo. O instante em que começa a chover e reparo que me esqueci do chapéu-de-chuva algures. O instante em que alguém me diz “gosto de ti”. O instante em que entro no livro que estou a ler e quase deixo de saber quem sou. O instante em que estou a correr e me sinto feliz. Neste preciso instante, estou a escrever e a tomar o pequeno-almoço na mesa da minha cozinha, a olhar para o relvado e as árvores através das portas de vidro, e a ouvir um mocho que ainda não adormeceu.
Guardo instantes na memória que me ajudam a superar instantes que preferia esquecer. Nem sempre é fácil ver-me livre de alguns instantes, mas logo a seguir esbarro com um instante que me ajuda a seguir em frente, para outro instante do dia.

Vive o instante que passa. Vive-o intensamente até à última gota de sangue. É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro. […]”      
Vergílio Ferreira, in: Contra-Corrente IV

Maria Teresa Loureiro 

Analisando as previsões de The Economist para o ano 2013


No dia 5 de Janeiro, p.p., o insuspeito The Economist deu a conhecer as previsões relativamente ao crescimento  económico para 2013.
Aqui publicadas em quadro de fácil e rápida consulta.
Olhando para as economias que se prevê venham a ter melhor desempenho no corrente ano, fácil é concluir que estamos perante um panorama muito semelhante ao do ano 2012.
Panorama em que temos a China novamente em plano de grande destaque.
Não só porque a economia chinesa se apresenta como uma das mais robustas e com melhores perspectivas de crescimento (7º lugar entre as 10 primeiras) mas também porque, entre as 10 economias que apresentam maior índice de crescimento, cinco estão fortemente dependentes do investimento chinês, como aliás aconteceu em 2012 - Macau, Mongólia, Angola, Timor-Leste e Moçambique.
Macau vive quase exclusivamente do Jogo e das actividades a este associadas.
Jogo, bem como as outras actividades associadas, que são dinamizados em cerca de 90% por visitantes provenientes da China.
O resultado prático da política de visto individual, e do mecanismo das excursões organizadas, que trazem até Macau, um território com menos de 30 kms2, cerca de trinta milhões de visitantes por ano.
Batido e rebatido, o argumento não perde validade - se a China  fechar a torneira, ou a apertar, Macau ou fica com sede ou morre de desidratação.
Se a dependência de Macau do investimento e da política chineses é virtualmente total, nos restantes países mencionados a situação difere muito pouco.
Mongólia (carvão), Angola (petróleo, diamantes), Timor-Leste (petróleo, café, turismo), e Moçambique (gás natural e petróleo), são destinos de fortíssimo investimento, em termos de capital e de recursos humanos, proveniente da China.
Curiosamente, com alguma participação de Macau.
Fórum para a Cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa em plano de destaque, isto no que se refere aos países africanos de expressão portuguesa e a Timor-Leste, obviamente.
No reverso da medalha, uma Europa em profunda depressão, e não é só económica, acompanhada neste indesejado ranking por duas economias sujeitas a severas sanções económicas  e política a nível internacional, subjugadas por regimes políticos totalitários, despóticos, por líderes dementes.
No caso da Síria, uma situação ainda agravada por uma guerra civil sem fim à vista.
Não deixa de ser curioso, e  simultaneamente dramático, que a Europa tenha voltado as costas a África, tenha esquecido a ligação histórica ao continente africano, e que seja agora a China a explorar as imensas riquezas naturais ali existentes.
Isto tudo num cenário em que a economia europeia definha, os mercados europeu e americano estão em profunda recessão.
Uma lição para o futuro, para a necessidade de procurar mercados alternativos, nomeadamente no sudeste asiático e aproveitando as relações já existentes entre a União Europeia e a ASEAN?
Confesso que tenho visto prestar muito pouca atenção a esta zona do globo por parte de uma Europa ensimesmada.
Talvez a gravíssima crise económica que agora se vive represente o  despertar das lideranças europeias para a necessidade supracitada.
Talvez....

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

ELEGIA AO DESEMPREGO

Antes não tinha tempo para nada. Era trabalho casa. Casa trabalho. Duas horas de transportes. Engarrafamentos. Acidentes. Chegava estoirado. Via a telenovela e adormecia num torpor de exaustão. Não tinha tempo para ler, para sair, para ir ao cinema. Não arranjava espaço para brincar com as crianças. Quase esquecia de amar a mulher. Os fins-de-semana eram dentro do shopping a fazer compras, na ânsia de gastar dinheiro. As prestações da casa para pagar. As férias chegavam sem nada planeado. Pacotes comprados à pressa. Idas à praia naqueles magotes sazonais de gente a granel. A vida era uma monotonia. Um cansaço permanente.
Agora, desde que estou desempregado, tudo mudou. Tenho tempo para tudo. Até para nada. Posso gozar o Sol. O ar livre. Os jardins da cidade. Os dias da semana deixaram de interessar. Vejo os jogos de futebol naqueles cafés ranhosos com Sportv. Tenho tempo para ler os jornais gratuitos. Estou muito mais magro. Perdi a barriguinha de cerveja. O colesterol baixou imenso. Tenho tempo de ir buscar as crianças à escola. Esqueço-me das horas. Nunca mais andei engarrafado. Deixei de ir ao supermercado. Não preciso de me preocupar com o saldo bancário. Acabaram-se os cartões de crédito. Já não sinto aquele peso de responsabilidade social. Deixei de ter o chefe a chatear. Os colegas com anedotas parvas. Só é pena que a minha mulher ainda tenha emprego. Nem sempre quer o mesmo que eu. Espero que em breve tudo se resolva e ela possa estar tão livre como eu.
 
Jorge Pinheiro

Declaração do Drácula dos Impostos

A publicação das tabelas de retenção na fonte veio informar os senhores cidadãos de nacionalidade portuguesa dos impostos que terão de ser pagos durante este ano. Para ajudar a cumprir o défice e assim diminuir a dívida pública que nos permita regressar aos mercados já em Setembro, todos os portugueses serão forçados a contribuir de forma excessiva para que possamos todos em conjunto voltar a financiar-nos sem necessidade de ajuda externa. 

Se não sabe quanto vai pagar, basta consultar um qualquer jornal que ele indica-lhe o montante a pagar conforme o regime em que estiver inserido. Convêm recordar que só tem 5 escalões e não 8 como antigamente. Para compensar esta brutalidade alguns terão no seu vencimento o subsídio de férias e natal espalhados ao longo de 12 meses. Vê como o seu salário não é tão curto como aparentava?

Estamos perante uma situação excepcional e transitória, pelo que pede-se a compreensão de todos e ajudem o país nesta situação difícil, já que estamos todos no mesmo barco e se formos ao fundo não há bóias de salvação especiais para ninguém. Ou entramos todos no paraíso ou "morremos" todos afogados, portanto o melhor é contribuir para que Portugal não vá ao fundo do fundo. 

Estou eternamente grato por esta contribuição, espírito de sacrifício e sentido patriota. Como dizia alguém há uns tempos atrás, o que se está a pedir é para "bem da Nação". Tendo em conta esta vossa participação digna no cumprimento dos objectivos assinados, tenho a certeza que não será difícil no futuro contar com a colaboração. É por esta generosidade que os portugueses são o melhor povo do mundo. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sem jornalistas

O primeiro debate sobre a reforma do Estado decorreu à porta fechada. Sem jornalistas e não havendo direito a perguntas nem a imagens.
Acho bem o governo estar a querer proteger este debate, para depois não haver frases retiradas do contexto que serão imediatamente aproveitadas pela oposição para fazer politica de baixo nível. Este debate tem de ser sério mas também tem de o parecer, porque o que está em jogo é o futuro do nosso Estado. Abrir as portas à livre opinião pública e publicada é um erro que só chamuscaria o trabalho do governo. Apesar da imprensa ser importante no nosso país não acho que devem estar sempre presentes em todo e qualquer evento. Aqui não se trata de um evento mas de uma discussão nacional sobre soluções importantes para o nosso país. Evitar fugas de informação também faz parte do trabalho de Miguel Relvas....

Liberalização económica

Há cerca de um ano escrevi que Álvaro Santos Pereira seria o primeiro Ministro a sair do governo. O Ministro da Economia não estava a fazer parte da solução ao não procurar investimento que ajudasse a economia a crescer. 
Um ano depois Santos Pereira conseguiu que a lei do trabalho portuário fosse aprovada e em matéria de IRC a redução de 10%. Ao contrário do que muitos apregoam as manifestações e greves nem sempre têm efeitos políticos positivos. Apesar de quase seis meses de greve, os estivadores não conseguiram que o governo recuasse nas suas intenções. A nova lei é importante para aumentar a competitividade mas também para acabar com um certo "comodismo" que ainda existe nalgumas profissões controladas pelos sindicatos. Sim, os mesmos que andam na rua a contestar as políticas governativas também exercem uma influência excessiva que não permite a liberalização de alguns sectores importantes para o nosso desenvolvimento. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A confissão

Na entrevista que Lance Armstrong vai dar a Oprah vamos ficar a saber se o ciclista norte-americano usou ou não substâncias dopantes e se em que medida teve repercussões no seu rendimento desportivo, nomeadamente no que diz respeito aos títulos conquistados na volta a França.
É a credibilidade do campeoníssimo atleta que está em causa mas também de todo o ciclismo. Nunca a história da modalidade conheceu um super atleta capaz de subir as montanhas dos Alpes e Piréneus da forma como Lance fazia. Talvez a vitória contra o cancro lhe tenha dado uma moral diferente, o que acaba por ser natural. 
Nos últimos tempos vários ex-vencedores do Tour foram apanhados nas malhas do doping. Um outro campeão chamado Alberto Contador também viu o seu nome manchado por questões referentes ao uso de substâncias proibidas durante o Tour. Perante isto, não me espanta que o nome de Lance tenha vindo a lume, em particular por causa de denúncias de seus ex-colegas de equipa. Daqui retiro a inveja dos companheiros que nunca lidaram bem com o sucesso alheio. Fartos de ter que ajudar Armstrong a subir as montanhas, muitos deles decidiram acusá-lo de práticas imorais e ilegais. O que se constata é que ninguém pode ter sucesso porque ao lado há sempre alguém pronto a prejudicar-nos que costuma ser sempre aquele que em tempos fôra o nosso maior suporte. 
Falta ouvir da boca de Armstrong toda a verdade. Eu prevejo dois caminhos consoante as respostas dadas pelo heptacampeão do tour. Se o ciclista confessar o mundo do desporto vai ficar chocado, no entanto os seus fans não vão esquecer as tiradas magnificas e passarão uma esponja sobre o assunto. Apesar da gravidade da situação, não acredito que não haja um limite mínimo para que os atletas se preparem em conformidade com as dificuldades. O problema está quando se abusa dessa abertura.... 
Caso o americano não confesse, Armstrong será devolvido ao reino dos heróis. Não que os seus fans o condenem, mas o linchamento que se está a fazer ao campeão é inaceitável. Repor a verdade pela boca de Armstrong não vai apagar o que se anda a fazer há quase um ano, contudo a palavra do ciclista vale muito mais do que depoimentos falsos, documentos esquisitos ou invejas napoleónicas. 
O mais importante foi que ele cortou a meta em primeiro, por sete vezes!

Rethinking the System

O recente relatório com que o FMI nos brindou tem como título "ReThinking the State". Ora, repensar o Estado é o mesmo que o reformular ou refundar, nas palavras do Primeiro-Ministro.

Mais do que repensar o Estado, é necessário mudar o Sistema, a organização da democracia, as instituições, o sistema partidário e eleitoral. Para além da nossa dívida ser muito grande, e de necessitarmos de ajuda para a pagar, o problema agrava-se pelo facto de forma como o sistema está organizado. A nossa dívida é grande porque o nosso sistema está caduco, velho e já não responde aos desafios de hoje. Ainda vivemos fechados neste círculo vicioso, sendo que o funcionamento das nossas estruturas são um bom exemplo disso. O passado é visto como a grande solução para os nossos problemas, por isso é que continuamos sistematicamente a cantar grândola vila morena e a gritar "povo unido jamais será vencido". Isto só mostra como as pessoas não estão preparadas para as mudanças necessárias para o desenvolvimento do país. 

Na minha óptica, a organização dos partidos e o próprio sistema eleitoral são dois aspectos que necessitam de ser alterados. O primeiro senão for repensado pode levar ao surgimento de mais responsáveis pouco qualificados para responderem aos problemas do país. Muitos criticam o actual executivo por ter muitos técnicos e poucos políticos. Durante anos criticámos o facto de ninguém de fora dos partidos fazer parte dos executivos. Não há nenhuma fórmula correcta, no entanto quem vem de fora não faz o seu trabalho a pensar em carreiras políticas. Se o "sistema" continuar a promover o surgimento de pessoas sem credibilidade, este está condenado ao insucesso tornando-se num círculo vicioso, afastando das responsabilidade públicas os mais qualificados. Não entendo como é que a troika neste aspecto não foi mais longe, no entanto como se trata de uma matéria constitucional penso que deveria ser importante começar o debate para que se alcancem soluções. Em meu entender, caso o Governo Passos Coelho consiga atingir uma segunda legislatura deveria focar a sua governação neste ponto. 
É curioso que fala-se muito em "se as coisas estão mal, então que se mudem os políticos". Na minha opinião, o problema não está "nos políticos" mas no sistema que é pouco transparente e credível. E isto tende a piorar se nada for feito. O sistema eleitoral também deveria ser mudado, mas para isso é importante uma revisão constitucional que alterasse o número de deputados. 

Se nada disto for feito, de nada valerá a ajuda da troika, porque os vícios manter-se-ão até que nova ajuda seja requerida.

domingo, 13 de janeiro de 2013

A luta pela supremacia

O duelo porque todos esperavam. Nesta luta entre dois gigantes quem vai levar a melhor?

Olhar a Semana - A primeira crise do ano

Bastaram 8 dias para que a primeira crise do ano chegasse. O relatório do FMI sobre os cortes na despesa vem dar ânimo a um ano que já prometia muita incerteza mas emoção para quem gosta de intriga política. No entanto, não podemos deixar de ter em conta que estamos perante uma situação de crise e que cada decisão a tomar terá influência na vida das pessoas. Por cada tinta que se gaste a escrever sobre isto, pode estar uma pessoa a passar fome ou uma empresa a falir, pelo que é necessário bom senso quando se analisa o momento político e social que estamos a viver.

O relatório do FMI veio dividir tudo e todos. O governo aceita as recomendações, a oposição como é natural critica, o CDS continua contra mas não diz na cara do PSD e o Presidente da República continua no seu silêncio a reflectir se deve ou não acalmar o povo pelo facebook. Para confundir ainda mais a situação vem o Presidente do Parlamento Europeu criticar a postura do FMI, ou seja é um alemão a condenar as políticas do Fundo Monetário Internacional. Perante tanto caos só nos resta esperar pelo próximo passo a ser dado. Se cá dentro ainda se admite alguma desordem mas que é facilmente reposta por algumas mensagens, a confusão que se vive lá por fora é preocupante, porque são eles a determinar as reformas mas também quem nos empresta o dinheiro. Se nos estão a emprestar para depois não acertarem nas decisões, o melhor é mesmo deixarem-nos ir à nossa vidinha, que é como quem diz, voltar ao escudo. 

O Governo não consegue falar a uma só voz porque é composto por dois partidos. Um dos partidos diz não aceita as condições, enquanto o outro baixa a cabeça ao FMI. O maior partido da oposição quer eleições antecipadas, mas sabe que vai ter de cumprir com o programa que o próprio assinou e além do mais nunca conseguirá atingir a maioria absoluta porque o povo não quer uma política absolutista e sem que haja debate sobre as reformas a introduzir. Eu não acho que seja o PS o principal entrave à implementação destes cortes, mas é o CDS quem vai ter aqui um papel fundamental. Passos Coelho já disse que iria haver debate sobre a reforma do Estado, no entanto em Berlim não costumam dar ouvidos a ninguém. Paulo Portas e o seu grupo parlamentar têm a responsabilidade de haver crise ou não. Neste momento, o PSD colocou nas mãos do CDS a batata quente de arranjar alternativas às recomendações do FMI. A atitude do PS é deplorável ao recusar-se entrar no debate e pedir de antemão eleições antecipadas mesmo estando em permanente conflito interno. António José Seguro tem aqui uma excelente oportunidade para mostrar fair play e que está realmente interessado em resolver os problemas no país e não em receber o poder nas mãos sem ter feito nada para o merecer, até porque nestas condições não há Primeiro-Ministro que dure mais de 6 meses e assim repete-se o que se passou na Grécia. 

Por tudo isto, é impensável que Cavaco Silva deixe a sua sesta e comece a agir até em termos públicos. O Presidente tem a obrigatoriedade de zelar pelos interesses do país e uma reprimenda pública nunca fez mal a ninguém, antes pelo contrário. Ajuda os partidos a deixar de olhar unicamente para os seus interesses pessoais, porque é disso que se trata. PSD, CDS e PS estão unicamente a pensar nas suas lutas políticas, esquecendo o que é mais importante para o país. Confesso que o PM tem tentado unir as pontas, no entanto é dificil quando na liderança de dois partidos do arco governativo estão Paulo Portas e António José Seguro mais preocupado com a sombra de António Costa do que com os portugueses. 

Ao não haver eleições legislativas antecipadas, porque a acontecer só poderiam ser em 2014, Sinceramente não acredito como é que nos vêem no bom caminho quando cá dentro anda tudo à guerra uns com os outros. 




sábado, 12 de janeiro de 2013

16.1 Revoluções Políticas

O Iluminismo surgiu num contexto muito próprio em que predominava no mundo mas sobretudo na Europa o poder absoluto e a influência da Igreja nas decisões mais importantes. Quem sofria com a inexistência de separação de poderes era o povo que estava no último degrau de uma sociedade claramente hierarquizada. Acima do povo vinha a Igreja e a Nobreza. O Rei não fazia parte porque estava acima de tudo e de todos. 

Este conceito nasce da Burguesia que reclamava para si o lugar de destaque, daí que o seu propósito inicial fosse derrubar o antigo regime. Disse no post anterior que esta revolução era mais cultural do que política. É verdade que assim foi, no entanto tendo em conta a influência que esta corrente teve uma grande aceitação acabaram por surgir doutrinas políticas importantes na modificação da história. O aparecimento do Liberalismo é uma delas e a Revolução Francesa foi o ponto mais alto da aplicação dos novos pensamentos. 

A principal marca do iluminismo foi a liberdade de pensamento, facto que deixava muito incomodado os poderes instituídos como eram as cortes e principalmente a Igreja. Se houve preocupação da maioria dos intelectuais foi o de combater o poder que a Igreja tinha na sociedade. A separação de poderes era uma das  batalhas principais. 

Para além das batalhas políticas o que se também pretendia era mudanças profundas na economia. Condenava-se a intervenção do Estado na economia, a livre concorrência, a liberdade cambial e combatia-se o mercantilismo. Adam Smith foi um dos principais nomes que sugeriram alterações na vertente económica, ao passo que Montesqueiu, Voltaire e Diderot preocuparam-se mais com questões de natureza política e social, mas nos próximos capítulos iremos falar detalhadamente sobre os seus pensamentos. 

Penso que foi com o surgimento do Século das Luzes que se introduziram reformas a nível político e económico decisivas para a Europa. Na altura, o Velho continente era governado por regimes autoritários com grande ajuda da Igreja Católica, pelo que era dificil o aparecimento de correntes contrárias ao imposto.  No entanto, a simples divulgação e transmissão do pensamento de pessoas com um nível de intelectualidade acima da média, fez com que houvesse mudança radical e se estabelecessem novos paradigmas. Considero este período um dos mais excitantes e importantes da nossa história. 


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