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sábado, 30 de julho de 2011

OLHAR A SEMANA - SEGURO CONTRA TODOS

O Partido Socialista acabou de eleger o novo Secretário-Geral do partido. Um homem que não é carne, nem peixe. Que antes de o ser já o era. Um homem calmo, que faz adormecer qualquer um (pior só o Ministro das Finanças). A escolha recaiu num homem seguro. Tó Zé Seguro é amigo íntimo de Passos Coelho, actual Primeiro-Ministro. Ficamos contentes desta convergência social. Algo que a Troika exigia, acaba por se concretizar no segredo do voto. Na intimidade dos lares. Portugal é assim. Quando é preciso, juntamo-nos todos, mesmo sem querer. Afinal, somos todos primos. Há neste momento uma convergência política óbvia. Temo que as elites governativas, por se sentirem tão confortáveis com as oposições, se esqueçam do povo e se limitem a fazer contas. Tudo são números. Um dia os números vão entrar em raiz quadrada. Uma raiz que dificilmente encontrará a quadratura do círculo.

Sai da frente Guedes - like a boss

Ganda Guedes

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Duelos Intelectuais no parlamento - 11º e ultimo acto

Na Assembleia da Republica estrearam-se hoje dois intelectuais : Pela Direita Pedro Passos Coelho e pela Esquerda António José Seguro.
O segundo acusou o primeiro de não explicar bem o caso bairrão, mas o de Direita não se deixou enveredar pelo populismo e deu as todas as explicações. Confirmou que irá trazer ao Parlamento o inquérito sobre as secretas, coisa que nenhum outro Primeiro-Ministro Intelectual fez. Investigar a sério mesmo quando estejam em causa interesses.
O Intelectual de Esquerda acusou o PM de prometer o site com as nomeações governamentais mas não sabia que às 9:00h da manhâ essa informação já estava disponível.
Numa coisa o segundo esteve bem : conseguiu propôr uma alternativa às medidas da troika no combate ao desemprego e ao crescimento ecónomico. Conseguiu distanciar-se ideologicamente do Primeiro.
O primeiro garantiu a subida das pensões em 2012, o fim de alguns institutos publicos, começar a cortar já na despesa entre outras alterações. Nada de mais para quem desde a primeira hora tem cumprido com o memorando vindo dos Intelectuais de Bruxelas....
De registar o tom sereno e cordial de todos os Intelectuais presentes no hemiciclo português, dando garantias de honestidade intelectual e política.
Sinal da mudança dos tempos....

Duelos Intelectuais : Direito a uma Nova Constituição 10º acto

Ao longo da semana trouxemos várias questões de cariz sociológico e político a propósito do futuro do país após o acto eleitoral do passado dia 5 de Junho.
Falámos da Europa, da crise do Estado Social e até da implementação de um novo partido político. O nível do debate foi tão elevado que chegámos ao ponto de questionarmos se uma nova força politica partidária teria força na sociedade portuguesa.
É fácil de concluir que dificilmente isso vai acontecer pelas razões já invocadas, mas nada impede que os cidadãos entrem na cena política com maior regularidade.

Esse deve ser o caminho seguido pela nova Constituição da República Portuguesa : dar mais poder aos cidadãos de participar na vida política do país, sob pena do fosso entre eleitos e eleitores ser maior e não se conseguir num futuro próximo eliminar o desinteresse popular. Devia ser dado a possibilidade aos cidadãos de poderem fazer projectos de lei mas com menos burocracia e dificuldades. Por exemplo, a obrigatoriedade de ter 3500 assinaturas e entregar ao Presidente da AR a petição. Cada vez que um grupo de cidadãos apresentasse uma iniciativa, deveria ter a possibilidade de apresentá-la em plenário, para maior compreensão e atenção dos partidos políticos. Assim evitava que o projecto fosse logo para a gaveta. Na minha opinião, apenas os movimentos de cidadãos deviam ter esta possibilidade, aumentando assim a cidadania e a participação cívica.

Este é apenas uma das milhares de ideias que se pode ter para que a participação cívica aumente no nosso país. Que ela é necessária e urgente ninguém tem dúvidas.

Mas uma nova Constituição não se poderia ficar por aqui. Os poderes do Presidente da Republica deviam aumentar, nomeadamente em leis que são vetadas e depois que voltam à AR para serem confirmadas, não podendo o PR vetar uma segunda vez. Esta é uma manobra política que devia ser repensada, sendo o Presidente da Republica o ultimo decisor da aprovação de uma lei.

A nível de direitos fundamentais também deveria haver uma reforma. Hoje não faz sentido que estejam previstos na CRP, visto que são direitos e deveres que ultrapassam a própria lei. Também a nivel de direitos económicos, sociais e culturais deveria haver uma transformação. Não faz sentido que no Século XXI ainda estejam garantidos numa constituição quando vivemos uma economia de mercado.

São estas medidas que transformariam os direitos sociais e políticos na nossa sociedade. Tudo tem de começar de cima, pela revisão da Lei Fundamental.

Aliás, este debate tinha de acabar no ponto mais importante de toda a discussão realizada esta semana.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

9º Acto: Um Sexto Partido?

Um sexto partido; primeiro seria difícil que um partido novo emergisse na cena política portuguesa capaz de galvanizar o eleitorado necessário para entrar no parlamento - o sistema encontra-se de tal forma saturado que seria difícil. Além disso, e como tu bem disseste ou o partido seria liberal ou de esquerda; tanto num caso como noutro nenhum teria capacidade para chegar ao eleitorado e garantir assento no parlamento; depois, mesmo com assento, teria de se consolidar localmente, o que, com a consolidação local dos atuais partidos torna a prova quase impossível.
Vejamos o exemplo de um partido liberal ao centro: como poderia ele tirar votos ao PS e ao PSD? Ou mesmo de um partido à esquerda, talvez da ala esquerda do PS juntando-se com alguns bloquistas descontentes: seria um partido, tal como o BE, muito dependente do tipo de voto de descontentamento e não tanto de um partido com mobilização concentrada.
O problema do nosso sistema é também a sua força: sendo muito esquerdista e ao centro torna os partidos muito parecidos, o que poderia ser uma mais-valia em caso de coligações e arranjos pós-eleitorais, no entanto, como os partidos querem fazer diferenciar-se uns dos outros para evidenciar a sua identidade (que na raíz é a mesma: social-democracia), sendo as diferenças muito pequenas, eles acabam por entrar nas guerrilhas da pequena política, para se parecerem demasiado diferentes.

Duelos Intelectuais : Haverá espaço para um sexto partido? 8ºacto

O nosso espaço partidário está resumido a apenas 5 partidos com assento parlamentar. Durante anos, só quatro é que eram responsáveis pela politica portuguesa. PCP, PS,PSD e CDS são os partidos com maiores tradições portuguesas.

Em 1999, um quinto partido estreou-se no parlamento : O BE conseguiu a sua primeira votação e desde então tem reforçado a sua presença no eleitorado tradicional. Com ou menor dificuldade, os bloquistas já são uma referência do nosso sistema.

Restam uns poucos partidos que vão aparecendo em campanha eleitoral. Alguns existem por mera "sobranceria" dos seus líderes mas outros tentam a todo o custo aparecer na cena parlamentar.

Tendo 5 partidos com assento parlamentar e fortemente ideológicos, o Parlamento dificilmente comportará outra força politica, para além que a sociedade portuguesa é marcadamente centrista e um novo partido só se fosse Liberal ou de Esquerda. Tanto num caso como noutro, haveria pouca margem de manobra para ter sucesso. A não ser que essa força política viesse com intenção de alterar valores e mentalidades, para além de ter uma profunda convicção ideológica e que não se demarcasse dela em tempo algum, algo que falta nos actuais partidos políticos. Não conseguem assumir uma ideologia, indo ao sabor do vento na maioria das ocasiões.

A nossa história fala por si. PS e PSD alternam no poder e das ultimas vezes com maioria absoluta, recorrendo poucas vezes a uma coligação. Se falarmos da Esquerda é dificil de imaginar PS e PCP ou PS e BE juntos no governo. Já aconteceu em Câmaras Municipais mas no poder central é impossível.

O grande problema é que os actuais partidos tornaram-se numa autêntica salada russa em que se promove a cunha, o negócio, o clientelismo e a procura de lugares em que não se faz nenhum. Esta é uma moda que envergonha os fundadores dos partidos e da própria democracia mas que se tornou moda no principio desta década. E que veio para ficar se não se mudar rapidamente de paradigma.

É possível a um sexto partido, de natureza liberal tanto na economia como nos valores, de conseguir chegar ao Parlamento? Que futuro terão os nossos actuais partidos? Continuarão a servir tachos e panelas ou voltarão à sociedade civil?

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Duelos Intelectuais : a politica da troika cá dentro 7ºacto

Depois da Europa finalmente Portugal.
Várias questões interessantes se colocam .....

Quanto à questão das diferenças programáticas não podia estar mais de acordo. Até parece que todos defendem o mesmo, optam pelos mesmos caminhos. Infelizmente isso é verdade no que toca aos três partidos que costumam estar no poder e o pior é que parecem se ter esquecido do Estado Social e dos mais desfavorecidos. Esse é o grande problema, porque foi a defender as pessoas e os seus problemas que nasceu a democracia. Mas como já abordámos, a implementação das politicas hoje depende mais de Bruxelas do que São Bento e por isso torna-se dificil a um Partido Socialista voltar aos tempos de Mário Soares, daí que o anteriormente Primeiro-Ministro Socrates não tenha conseguido alcançar acordos com a Esquerda. E muitas vezes foi acusado de ser de Direita. É essa semelhança de valores que faz com que a politica em Portugal tenha perdido interesse, até porque a esquerda é mais radical. Daí que seja necessário aparecer no nosso espaço político um partido liberal-democrata, muito parecido com o que existe em Inglaterra.

Há um ponto em que discordo : o CDS não defende o Estado Social, mas é populista. É um partido de elites com valores conservadores que hoje já não se usam : a familia em primeiro lugar e o catolicismo como religião predominante no nosso país. Mas em campanha eleitoral, o seu lider está sempre nas feiras e nos mercados, mas nestas eleições aconteceu um dado curioso : muitos jovens que votavam no BE "passaram" para o CDS.

Quanto ao PCP continua com o seu eleitorado porque está na linha da frente na defesa dos trabalhadores e a isso não é alheio o importante papel dos sindicatos. Especula-se que o próximo lider comunista seja um actual sindicalista. É este o papel que o BE quer ter, mas devido ao seu discurso anti-capitalismo situa-se na extrema esquerda. Também por isto os bloquistas perderam nestas eleições de 2011 : os portugueses estão fartos de radicalismo.

Não foram só as politicas desajustadas que derrubaram Socrates, mas sim o discurso de mentira em que afirmava não ser preciso mais austeridade. A grande diferença para o governo de direita é que desde o primeiro momento Passos Coelho assume que é necessário "mais medidas".

Já todos percebemos que estamos perante um governo de cortes e que vai mudar muita coisa. Da esquerda mais à esquerda não devemos esperar mudanças. Assim é o PS que tem de definir a sua linha ideológica. Conhecido o seu lider, notamos que não haverá grandes mudanças. De discurso ou políticas, não só porque estão amarrados ao memorando da troika mas devido ao facto do PS há muito se ter esquecido das pessoas, ou do Estado Social, para além que na oposição irá ter o velho discurso demagógico. Pelo menos aparente....

Uma coisa é certa : Tanto os discursos como as políticas estarão condicionadas.....

depois se verá...

terça-feira, 26 de julho de 2011

6º Acto: O que fica do que já cá estava - Segundo Argumento

O segundo argumento que nos pode apresentar um cenário eleitoral diferente do de 2005 é a percepção do eleitorado acerca do verdadeiro cenário económico-financeiro nacional. Como disse anteriormente, os partidos europeus - incluindo os portugueses - estão demasiado centrados no papel do Estado-social, cenário que vem desde o final da II Guerra Mundial e que acompanhou o final da chamada política de classes. A manutenção e mobilização do eleitorado é essencial para a conquista do poder, dinâmica que é muito querida dos partidos de tipo catch-all, preocupados em monopolizar um eleitorado volúvel, sem identificação classista, ideológica ou simplesmente partidária. Com o Estado-social diminuíram também as diferenças programáticas entre os partidos, e a social-democracia impõe-se agora como um movimento a-ideológico, defensor único do Estado distribucionista.
Cinismo à parte, o Estado-social é a maior conquista da Europa civilizada, como um todo; o maior projeto onde se empenharam todos os países e todos os partidos da governação à direita e à esquerda. Em Portugal, o CDS, PCP e Bloco defendem o Estado-social, muitas vezes de uma forma mais veemente que os partidos do centro. É talvez por essa razão que o PCP continua de pedra e cal com o seu eleitorado quase intocável desde finais da década de 1980, mesmo depois da queda do Muro e da absorção continuada dos comunistas europeus pelos partidos socialistas ou social-democratas na França, Itália e Espanha. E é talvez por isso que o Bloco perdeu o eleitorado que conquistara em 2005.
Partidos e sistemas partidário à parte, o eleitorado vai para as eleições de 2011 com a Troika já em Portugal. Com o PS a reboque de um líder desgastado por políticas desajustadas e que apenas adiantaram a vinda inevitável do apoio externo, o eleitorado preferiu aceitar uma discussão do futuro que envolva factos, preterindo o logro e o evitável.

DUELOS INTELECTUAIS - 5º ACTO

A questão do federalismo, neste momento, é uma falsa questão. Seria um aprofundamento evidente há uns 10 anos. Agora é tarde. Ninguém faz um federalismo feito de desigualdades, sabendo de antemão que uns países vão ter de suportar os outros. O alargamento a leste comprometeu o federalismo. A Europa está num impasse. Portugal tem um problema grave: alheou-se de si e concentrou-se na captação de "fundos estruturais" que, a bem dizer, foram "fundos conjunturais". O país não tem uma estratégia de desenvolvimento. Não definiu sectores prioritários e, consequentemente, não se organizou em conformidade. Não faz sentido apostar em sectores ineficientes. Temos de fazer opções. Já as devíamos ter feito. O ensino e a formação deveriam ser organizados em função desses objectivos. Os capitais mobilizados para uma estratégia de longo prazo. Ainda continuamos dependentes da construção civil. O falado turismo de qualidade e as indústrias associadas (que são muitas, imensas) e o retorno à pesca e a uma certa agricultura, parecem óbvios. Porque se espera? O problema é que tudo é demorado. Não se podem matar gerações. Podem é preparar-se os jovens para outro modelo, mais afinado, mais sustentado. Não é isso que se vê. Era preciso um "desassossego económico" que nos desse novo fôlego. Só vejo contabilistas.

Duelos Intelectuais :A Europa ali tão longe - 4º acto

Concordo quando se afirma que o alargamento foi feito à pressa e não houve o necessário aprofundamento das matérias. Aprendi na faculdade que existia uma dicotomia aprofundamento vs alargamento.
Embora os muitos tratados europeus trouxessem várias alterações de cariz positivo, acho que não acompanharam a evolução da sociedade europeia e muito menos a integração dos países de Leste, economicamente apetecíveis para se investir apesar da aproximação russa. Houve sem duvida um menor crescimento dos países do sul com a entrada de 10 novos estados-membros. E não foram só os pequenos a terem dificuldades : Itália e Espanha também vão sofrer as consequências e de uma forma mais dura. Como será quando a UE se alargar aos balcâs? A Croácia entra em 2013, a Sérvia depois de ter entregue os assassinos de Sebrenica para lá caminha e a Turquia está a pressionar, embora o tal eixo franco-berlim não queira. Mas isso não significa que com a mudança de lideranças tal não se venha a verificar.

Bruxelas tem vontade mas não pode. Ou melhor, não tem a força suficiente para impor a sua vontade, até porque lhe falta o apoio dos ingleses. Coisa que nunca vai ter. Como já referi nos comentários, com a vaga de eleições que se avizinham pode ser que haja mudanças a nível de lideres europeus e voltemos aos tempos de Mitterand e Jaque Delors. Porque verdade seja dita, Durão Barroso é um lider europeu fraquíssimo que apenas corresponde à vontade do tal eixo. De nada valeu ter fugido de Portugal.

Eu não acho que seja preciso repensar o Estado Social na Europa. O que é mais importante é criar um Estado forte europeu em que alguém mande verdadeiramente.. mas que seja eleito pelos cidadãos da Europa. Muito se tem falado da criação de um Orçamento comum e um Ministro das Finanças europeus, acho que são boas ideias. Pelo menos em termos económicos a Europa precisa de caminhar lado a lado para fazer face às outras grandes potências.

Com ou sem federalismo?

deixo a pergunta no ar....

segunda-feira, 25 de julho de 2011

3º Acto: O que fica do que já cá estava - Argumento Primeiro

O Portugal das eleições de 2011 é um Portugal bastante diferente daquele de 2005. Novos factores de análise teremos em conta e risco: entrada da Troika como consequência das sucessivas e desastrosas governações (1), reconhecimento, por parte do eleitorado, do novo cenário económico-financeiro que foi escondido aos portugueses na última década e meia (2) e, finalmente, as últimas e possíveis alterações ao sistema partidário, com o consequente reposicionamento dos partidos (3). Comecemos pelo primeiro.
As causas da chegada da Troika são muitas e, numa análise abstracta e alargada teremos de ser todos vistos como culpados, porque vivos e actuantes neste mundo globalizado. Prefiro ver o problema do ponto de vista político e do peso da responsabilidade da governação. Os problemas inerentes à despesa pública são, para além de vastos, contínuos no tempo e no espaço. Desde que acordámos como nação que o problema do endividamento público tem sido uma constante. Basta recordarmos o que aconteceu em 1889 depois das obras públicas do Fontismo ou a queda definhante da I República. Os dois problemas centrais do endividamento em Portugal derivam, em termos gerais de dois factos ainda mais profundos: a tardia introdução das formas capitalistas de produção de que resultou a iniciativa estatal que sempre se propôs fazer aquilo que cabe aos privados - produção e industrialização -, e a gestão de dependências. Debrucemo-nos sobre o primeiro.
Para gáudio próprio não reflicto sobre a intervenção estatal de um ponto de vista liberal, socialista ou marxista; prefiro não pôr o pé em nenhuma dessas poças, pois se pretendo analisar a política, enquanto a arte de nunca pôr o pé em poça alguma, não o deverei fazer com pena de que me afastarei da realidade nacional. A intervenção estatal em Portugal não aconteceu nem acontece enquanto forma ideológica mas como falta de capital, factor necessário numa economia capitalista.
No seu ensaio recente sobre a economia nacional, Luciano Amaral elenca algumas das razões do problema económico nacional; um dos mais relevantes é, sem dúvida, a falta de capital necessário para alavancar o processo produtivo e daí dependermos da atracção do investimento estrangeiro. A nossa bem-vinda revolução democrática, enquanto consequência do isolamento de Portugal no clube dos países ocidentais aconteceu a meio da primeira crise petrolífera. Caso quiséssemos, como quisemos, ter como objectivo acompanhar os países europeus onde o Estado social tinha já sido implementado desde o final da década de 1940, teríamos de preparar a nossa economia tal como fizeram esses mesmos países. A forte industrialização que os acompanhou a par de uma economia feita em fronteiras fechadas, permitiu-lhes o florescimento do que aprendemos a chamar keynesianismo e da consequente social-democracia europeia que inundou ambos os centros à esquerda e à direita. Ora a revolução de 1974 aconteceu no início de uma nova era global que levou ao aparecimento, na década de 1980, dos governos Thatcher e Reagan, que propiciou a queda do muro de Berlim e o consequente fim da guerra fria e, entre as décadas de 1990 e 2000, o aparecimento de novas potências mundiais como a China, a Índia ou o Brasil.
Durante estas quase quatro décadas Portugal tentou copiar a Europa do social e do bem-estar, desvalorizando a moeda, desmantelando o já pequeno tecido industrial não preparado para a competição global, apostando na "terceirização" do sector económico e aumentando, de legislatura para legislatura os gastos do Estado. Com a consolidação do sistema partidário em 1985 os três governos de Cavaco (1985-1995) apoiados pela descida do preço do petróleo e os fundos comunitários acabaram por apostar num neo-fontismo de monocultura com proliferação de auto-estradas, desmantelando as pescas e a agricultura, aumentando o peso das importações, num processo que continuou até hoje e que António Sérgio, talvez como profeta, afirmava na primeira metade do século passado: "supusemos que todo o progresso económico estava em construir estradas e caminhos de ferro (...) Não pensámos que as facilidades da viação, se favoreciam a corrente de entrada de saída dos produtos indígenas, favoreciam igualmente a corrente de entrada dos forasteiros, determinando internacionalmente condições de concorrência para que não estávamos preparados."
Entretanto, com o fim da política de classes, acresceu o aparecimento dos chamados partidos catch-all que, muito centrados na mobilização baseada no Estado-social, apresentam-se dependentes das promessas eleitorais, de forma a satisfazer o maior número de eleitores. E, tal como na Europa do bem-estar - e decididamente mais acentuado -, o que o eleitor português procura é aceder às grandes conquistas do século XX: emprego temperado com ócio, acesso ao crédito e ao produto final da produção. Isto apareceu bem espelhado no estudo realizado em 2009 pela SEDES onde Pedro Magalhães concluiu que os portugueses vêem, no essencial, que a democracia é uma forma de equidade económico-social e não um sistema onde se obtêm plenas liberdades cívicas. Este último dado confirma que a socialização dos partidos portugueses teve, infelizmente, resultados péssimos pois lhes permite o rotativismo habitual e o discurso suicida do Estado Social, contra os sempre aclamados fantasmas de esquerda e de direita em versão importada.
O Estado-social, enquanto a grande conquista político-social do pós-guerra definha. É necessário repensá-lo na Europa. Mas é necessário, principalmente, reestruturá-lo em economias como a nossa que nunca chegaram a alavancar os processos que permitiram a construção desse mesmo Estado-social na Europa central e do norte. É necessário, por isso, reconhecer e gerir a nossa dependência.

DUELOS INTELECTUAIS - 2º ACTO (CONTINUAÇÃO)

Para mim não há uma evidente contradição entre liberalismo social e social democracia. Haverá sistemas diferentes de financiar a "coisa pública". E é disso que estamos a falar quando alternámos de partidos no poder, a seguir às últimas eleições. Para mim é deprimente pensar que o modelo social europeu possa ser posto em causa. Seja qual fôr a ideologia política que estiver no poder, o estado social é um aquisição fundamental do post-industrialismo selvagem. Houve abusos? Sem dúvida. Cedências excessivas ao poder laboral? Sem dúvida. Mas em termos civilizacionais, é o sistema mais bondoso do mundo. A questão é outra. Será que podemos manter esse modelo numa época de globalização? Como se financiam todas as "conquistas"? Será que a especulação e manipulação dos mercados globais se compadecem com um excesso garantístico? A deslocalização da mão-de-obra permite manter padrões sociais tão elevados? Será que estas "conquistas" sociais se podem manter com o excesso demográfico actual? O mundo está a mudar. A mudar muito e depressa. Conseguirá a Europa acompanhar? O modelo português é o modelo europeu. Por isso, mais do que falar de Passso Coelho, importa falar da Europa. Da União Europeia. Dos impasses e desmandos. Da falta de vontade de Bruxelas. Da irrelevância da Comissão Europeia. Do eixo Paris-Berlim. Dos interessas alemães. Da falta de nível da Sra Merkel. Era para aí que gotava de levar a discussão...
Jorge Pinheiro

Duelos Intelectuais - 1º acto

No dia 5 de Junho Portugal virou à Direita e deu um sinal forte que queria mudar de políticas. As eleições legislativas recentemente realizadas trouxeram uma estabilidade parlamentar que há muito não se via no nosso panorama. Mesmo nos anos Socrates não se via uma força assim.

Os portugueses souberam interpretar bem o momento que estavam e estão a ultrapassar e qual a forma necessária para sair desta crise. A maioria dada à Direita social e não Liberal foi um claro castigo às politicas sociais que se praticaram ao longo de décadas em Portugal, com PSD incluido.

Ao fim destes anos de todos de socialismo e de opções tomadas em favor do despesismo publico é altura de dar lugar a politiicas mais liberais e que promovam o investimento. Já não é possivel gastar rios de dinheiro em empresas publicas que não dão lucro e são fontes de desperdício de dinheiros publicos. Há que tomar decisões neste capítulo.

Com as medidas adoptadas pelo governo, é claro a opção ideológica tomada por Passos Coelho. É de salutar esta mudança de caminho que se vai fazer em Portugal nos próximos 4 anos.

É um caminho que Portugal há muito devia ter adoptado.... e com o FMI a governar...?

domingo, 24 de julho de 2011

Encontro de Intelectuais em Lisboa

Reunidos num café no centro da Capital portuguesa, três intelectuais vindos da esquerda e da direita decidem intervir neste momento delicado para o país.

Ainda não refeitos das recentes eleições, com a entrada do FMI nas nossas vidas e com a situação na Europa a piorar cada dia, três ilustres decidiram juntar-se para discutir o futuro após a eleições e apontar caminhos e soluções, substituindo nesta tarefa aqueles que realmente têm responsabilidades.

Por variadíssimas razões, o local do encontro não foi desvendado para que a comunicação social não deitasse tudo cá para fora e os "outros" pudessem aproveitar algum do trabalho realizado.

Apesar do barulho, os Intelectuais conseguiram falar e trocar ideias. Sempre baixinho para que ninguém ouvisse o que dali saía....

Sem qualquer amarras e com pontos de vistas totalmente diferentes, os Intelectuais conseguiram chegar a um entendimento quanto ao futuro.

Após o final de um pequeno repasto, os Intelectuais saíram todos ao mesmo tempo mas cada um seguiu o seu caminho, guardando as suas ideias e soluções para mais tarde...

É um verdadeiro Duelo de Intelectuais aquele que se inicia nesta semana.

Convidamos todos os que se atrevem a concordar, criticar ou simplesmentar ler, a participar neste Duelo de consequências imprevisiveis......

Seguro até 2013....

António José Seguro é o novo Secretário Geral do PS sucedendo assim a José Socrates, o homem que os oculos escuros mais estranhos que alguma vez vi na minha vida.
Após anos de oposição ao homem dos óculos esquisitos, Seguro tem a dificil batalha de fazer oposição a uma maioria consolidada e ainda por cima apoiada pelo Presidente da Republica. Tem a seu favor o facto das medidas governativas virem a ser impopulares e com isso provocar um enorme desgaste ao governo. Veremos como reagem os portugueses à forte crise que aí vem. Apesar de tudo, Seguro tem um papel dificil visto que o Homem dos Óculos esquisitos assinou um acordo com a troika, mesmo sabendo que iria perder as eleições que raiavam...... foi para tramar o outro homem dos óculos esquisitos? Não sabemos, mas a tarefa de Seguro vai ser complicada.
As europeias e sobretudo as Autárquicas de 2013 vão ser o grande teste de Seguro, se falhar a sombra do Homem dos Óculos Azuis Esquisitos começa a pairar......
Era importante para o país que o PS voltasse ás suas origens, isto é, estar mais virado para as pessoas e defender politicas sociais verdadeiras....

sábado, 23 de julho de 2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Causas & Coisas - a pressa

A pressa é uma terrível doença nacional.

De manhâ, saímos de casa com pressa para trabalhar porque inevitavelmente se continuarmos a amolecer vamos chegar atrasados. Saímos depressa porque já vamos atrasados e há que evitar a fila do trânsito que já é bastante comprida. Na maioria das vezes, não tomamos o pequeno-almoço porque estavámos com pressa.

No centro comercial, ainda nem sequer entrámos numa loja e já estamos a pensar qual será a visita seguinte, sem nunca conseguir apreciar o conteúdo devidamente, porque o que interessa mesmo é o que se vai passar a seguir, nunca gozando "o momento".

Estes são dois casos da pressa nacional, mas poderia exemplificar outros. Há qualquer coisa em nós que nos faz sempre andar a mil á hora, daí que andamos sempre aos encontrões e nem reparamos na cara conhecida que acabou de passar por nós e de acenar alegremente. Depois esse ser vai ficar zangado connosco porque passámos sem lhe dizer palavra. Mas a culpa não foi nossa foi da pressa, essa terrível inimiga que nos deixa exausto ao fim do dia. Não do trabalho ou do lazer ( sim porque este também cansa...), mas porque estivemos o dia todo a pressa na cabeça.

O que fazer a seguir? Onde ir? Com quem ir?........

É estranho que assim seja, até porque os portugueses são dos piores da Europa a cumprir com horários e a cumprir compromissos. Mas isso é tema para a próxima semana....

Agora é tempo de acabar a crónica porque estou com pressa....

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Passos de Astúcia e Coragem

Neste mês de governo Socrates, confesso que é com satisfação que vejo as mudanças e os compromissos com troika estritamente cumprido. Não falando mais das medidas de exemplo que já abordámos neste espaço, passamos para as medidas importantes. O país livrou-se das golden shares que davam ao governo uma espécie de poder de decisão nas empresas públicas. A maioria das empresas publicas que eram vistas como poleiros para os boyus dos partidos vão ficar na mão dos privados. Maior concorrência no mercado da electricidade e energia é imperioso que se venha a verificar. As contas da Electricidade podem começar a ficar mais baratos. A venda da Galp também vem trazer uma possível descida no tão polémico mercado dos combustíveis. Já o correio pode chegar mais cedo a casa. Finalmente a lei laboral vai ser alterada, rompendo assim com a ideologia que teima em prejudicar as empresas e favorecer os trabalhadores. Se querem igualdade então metam as duas partes no mesmo patamar. E o BPN vai deixar de ser um encargo para todos os contribuintes. Todas as medidas tomadas pelo governo foram acordados com a troika e com o Partido Socialista que vai a votos neste fim de semana, daí que as criticas a estas medidas têm sido quase nulas. Mas o PS tem pouca margem, porque o governo está a fazer aquilo que foi assinado pelo anterior PS. Passos Coelho ( ou a troika...) está a mexer em áreas consideradas nevrálgicas em que existem muitos interesses económicos instalados, acabando o contribuinte por pagar aquilo que já devia fazer parte da concorrência económica. Podia o PM ficar-se pelo meio trabalho mas não. A Passo e Passo, Coelho está a deixar o Estado mais livre da sua principal função : regular, fiscalizar e ajudar os mais necessitados.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Na Católica, nada de xanatos ou Camisolas à Benfica!

http://www.publico.pt/Educação/catolica-cria-regras-de-vestuario-para-alunos-e-professores_1503662

Anedotas: Eu levo ou Dêxo? (III)

Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Foi averiguar e constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus patos, disse-lhe: - Oh, bucéfalo anácrono!!!...Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica, bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada. E o ladrão, confuso, diz: - Dotô, rezumino... Eu levo ou dêxo os pato???...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

populismo vs exemplo

O novo governo de Passos Coelho tem, nestes primórdios avançado com algumas medidas que não têm grande impacto a nível orçamental, mas que são vistas por alguns como exemplos. Principalmente por aqueles que estão fartos do "despesismo publico" a que os nossos governantes costumam estar habituados.

Primeiro foi a mudança de executiva para económica do PM nas viagens para a Europa, bem como da redução do número de pessoal que costuma viajar. Seguiu-se a famosa "tratem-me por Álvaro". Logo depois foi noticiado que carros para uso particular nem pensar....ah e que os Ministros comunicavam por gmail.... Esta semana foi novidade o facto de no Ministério da Agricultura ninguém usar gravata para poupar energia. E o Álvaro à Sexta feira vai a uma empresa nacional dar um "empurrãozinho".

Começo a achar que os Ministros querem estar ao nível das pessoas e isso não tem graça nenhuma tendo em conta o papel público que eles têm na sociedade.

Há quem ache estas medidas populistas, outros aplaudem o facto de quem está por cima dar o exemplo.

Pode muito bem acontecer que isto não passe de fogo de vista e daqui a uns meses, quando já ninguém se lembrar tudo volta à normalidade, ou então, isto é mesmo para ser regra e no Governo de Passos não há mesmo "tachos for the boys".

Seja o que for, a verdade é que estas medidas estão a ter impacto na opinião pública e por isso são de salutar, já que neste país estavamos habituados ao conforto de quem está no poder. Tem tudo o que lhe apetece.

Esta atitude só revela uma enorme humildade, principalmente por parte do Primeiro-Ministro que no básico está a dar o exemplo...

Veremos no resto....

sábado, 16 de julho de 2011

Olhar a Semana - Providência na gaveta

Na próxima segunda feira, cerca de 800 advogados estagiários vão começar uma semana de exames para que possam prosseguir o seu estágio e assim tornarem-se advogados. Este foi um ano de mudanças, tanto a nível lectivo como financeiro.

Para acabar com a entrada de mais advogados no mercado de trabalho, o Bastonário exigiu que cada candidato pagasse cerca de 700 euros de inscrição, mais as dificuldades que acarretarão ao terem de enfrentar 6 exames numa semana, dois por dia.

Para reagir a esta injustiça, os estagiários intentaram uma providência cautelar há cerca de dois meses e meio, para que lhes fosse reposta justiça e que o dinheiro dos exames lhes fosse devolvido.

A cerca de um dia de iniciarem os exames, os candidatos a advogados não obtiveram nenhuma resposta. Sabendo o tribunal da urgência do assunto e da delicadeza da matéria, até ao ultimo dia disponivel os estagiários ficaram na expectativa se tinham de pagar ou não aquela quantia. Houve mesmo quem não pagasse à espera de uma decisão judicial em tempo útil. Depois de fazer os exames é que vão decidir? Após tanto tempo se calhar alguns já nem se lembram do assunto e muitos desmotivados por terem chumbado nem sequer vão ligar a isso.....

Este é mais um caso da nossa justiça lenta e morosa. A providência ficou na gaveta e sabe-se lá quando é que vai ser proferida uma decisão. O país não comporta uma justiça destas, nem aos portugueses lhe são dadas garantias de salvaguarda dos seus direitos com a morosidade no nosso sistema jurisdicional. Com isto, a vontade para recorrer aos tribunais é cada vez menor e assim se cometem muitas injustiças. Era bom que com a prometida avaliação dos magistrados, também se tenha em conta o número de dias que se leva a tomar uma decisão a partir do momento em que ela é entregue ao juiz.

Resta aos advogados estagiários na próxima semana de mostrarem que querem fazer parte de um sistema justo e equilibrado. E rápido também!

O beijo da Girafa

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Anedotas : o gato (II)

Um dia frio de inverno, chega o Joaquim na loja do Manuel.

- Manuel, quero uma dessas bolsas de borracha em que a gente coloca água quente e que serve para aquecer a cama e manter os pés quentinhos. - Que azar, Joaquim ; hoje de manhã vendi a última à Dona Maria.

- E o que é que eu faço com este frio do diabo que faz à noite?

- Fique tran...quilo, eu posso emprestar-lhe o meu gato.

- O teu gato?

- Meu gato é gordinho, podes colocá-lo nos pés na hora de deitar, e vais ver como ele vai te aquecer a noite toda. Na próxima terça-feira chegam as bolsas, vens cá, devolves-me o gato e levas uma bolsa.

- Tudo bem. Obrigado.Joaquim pega no gato e vai-se embora para casa. No dia seguinte, volta com a cara toda desfigurada, arranhada pelo gato.

- Manuel, vim devolver o gato de merda, ele não vale nada! Olha como me deixou, o filho da puta!

- Mas como! O que aconteceu? Ele é tão manso!

- Manso? Uma ova! O funil no cú, até aguentou bem, mas quando comecei a deitar a água a ferver, aí ficou uma fera

"tás tramado, pá"

Foi o que Durão terá dito a Passos Coelho aquando deste aperto de mão. Muito diferente do "porreiro, pá" a José Socrates!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Orgulho

Orgulho Miguel Henriques *

"A vaidade é dos mesquinhos, o orgulho é dos grandes." - Lord Byron (1788 – 1824), poeta inglês

A classificação, pela agência Moody´s, da nossa dívida e situação, como "lixo", veio desencadear uma onda de protestos por parte de empresários, banqueiros, políticos e cidadãos comuns. Um dos focos mais activos, desta indignação, têm sido as redes sociais, onde, a cada minuto, surgem comentários, vídeos, cartoons e tudo o mais que a fértil imaginação lusa seja capaz de conceber.

O jornal “i” promoveu, através do seu site, uma petição, intitulada "A Europa não é um lixo", que conta já com mais de 2.000 assinaturas. Pedro e Hugo, uma dupla de criativos da BBDO, aproveitou algum do seu tempo livre e mandou uma carta, com um pedaço de Portugal, como é visto pela Moody's (lixo), para a sede da agência em Nova Iorque.

A nível institucional, as suspensões de relações contratuais com a Moody’s foram em catadupa, sendo exemplos as Câmaras de Lisboa e Sintra. Só em contratos com as agências de rating o Estado Português gasta cerca de 9 milhões de Euros por ano.

A contestação institucional, no nosso país em Portugal, não começou agora. Em Novembro de 2010, o BES rompeu o contrato com a Fitch na sequência de downgrade que considerou injusto.

Uma ideia que ganha cada vez mais adeptos, na Europa, é a criação de uma ou mais agências europeias de rating. A criação de uma agência de rating não é instantânea e esta levará tempo a conquistar credibilidade nos mercados, pelo que, nos tempos mais próximos, continuaremos dependentes do trio (Fitch/Moody's/S&P).

A classificação de Portugal como “lixo” fez sobressair o orgulho em oito séculos de história e um património cultural, científico, linguístico e humano, que são os nossos maiores activos. Nas últimas três décadas, depois de “orgulhosamente sós”, passámos a viver, vaidosamente, numa Europa que nos abriu a porta a baixas taxas de juro e subsídios para tudo e para nada.

A crise internacional veio colocar a nu a nossa, já longa, crise interna. Agora que já não vale a pena esconder o “lixo” debaixo do tapete, temos de implementar as reformas necessárias à redução do défice e corrigir aqueles que são os nossos problemas estruturais.

Na passada semana, Vítor Bento criticou, em entrevista à SIC Notícias, o discurso hipócrita de responsáveis políticos e financeiros sobre as agências de rating. O economista considerou que a carta enviada pelo Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público aos investidores, a pedir para ignorarem a avaliação da Moody's , foi “uma reacção mais dominada pela emoção do que pela razão" e que as reacções deveriam ser consubstanciadas por factos.

O esforço e trabalho, que temos de levar a cabo, não se destinam aos analistas de risco, mas devemos estar conscientes da sua constante observação. Temos de mostrar que somos capazes de fazer aquilo que prometemos fazer e, se possível, ir ainda mais longe.

Não podemos ser hipócritas, como diz Vítor Bento, para com as agências de rating, mas também não podemos ser ingénuos.

* Deputado Municipal eleito como independente em lista do CDS-PP e colaborador do Blog “Olhar Direito” http://www.facebook.com/henriques.miguel e http://olhardireito.blogspot.com

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