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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz 2012 para os Samoanos mas não só.

Hoje o mundo inteiro celebra o dia 30 de Dezembro de 2011....excepto um país que decidiu saltar do dia 29 para 31 de Dezembro.
Estamos a falar da Ilha de Samoa que se situa entre o Hawai e a Nova Zelândia. Isto para que a pequena ilha fique com o mesmo fuso horário que os seus vizinhos Austrália e Nova Zelândia, que são também os seus principais parceiros comerciais.
Deste modo, enquanto o mundo inteiro ainda se prepara para festejar a passagem de ano, os samoanos já estão a poucas horas de entrar em 2012. Ganham assim a corrida aos seus rivais daquela região que costumam ser sempre os primeiros a festejar o NEW YEAR.

Com esta história a equipa do Olhar Direito deseja um feliz ano novo para os Samoanos mas também para o resto do Mundo, independentemente do dia em que se encontrarem neste momento.

Feliz 2012!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Recordar 2011 a pensar no futuro

O ano de 2011 que agora finda foi fértil em mudanças. Politicas, económicas, sociais e até humanas.
Num ano vários foram os acontecimentos que "mudaram" Portugal e o Mundo.
Não falamos apenas de meras situações de circunstância mas de alterações profundas no modo como iremos viver nos próximos 10 a 15 anos. O que se passou este ano a nível politico, económico e social terá repercussão e influência nos anos vindouros.
Em nossa casa, o pedido de ajuda financeiro ao FMI veio modificar o nosso quadro a nível económico, social e político. Desde logo provocou a queda de um governo. Nem com a eleição de um novo elenco governativo foi possível criar estabilidade. Antes pelo contrário. É este governo que teve e terá de enfrentar a instabilidade social que começou no fim do ano e será enorme no próximo. A situação financeira do país irá levar a uma mudança de vida de todos nós. Não só cá dentro mas também lá por fora, mas mais em Portugal.
A consciência e a necessidade de poupar fará parte de cada português. O "podemos gastar" irá dar lugar ao "temos de poupar".

Lá por fora também existiram mudanças que irão alterar a geografia mundial. A Primavera Árabe veio dar um impulso às grandes manifestações. Não só às que se realizaram nos países Árabes mas sobretudo as pessoas perderam o medo de se reunir em massa a protestar até aos limites para que os seus desejos sejam alcançados. Veja-se o caso da Russia. E aqui as redes sociais tiveram grande importância na divulgação e concentração das pessoas. Nos próximos tempos, as manifestações serão tidas em conta por aqueles que detêm o poder. São a partir de agora uma arma política.

A situação na Europa vem trazer grandes mudanças, sobretudo a nível político e económico. Os governos estão enfraquecidos e não é de descurar mudanças profundas no futuro. Em relação ao dinheiro, a Europa será um mercado bastante apetecível para os BRIC e com isso conseguirão bater os Estados Unidos. Com ou sem Euro, a Europa perderá definitivamente a locomotiva das grandes potências mundiais.

Vistas do céu

Peninsula Ibérica vista do espaço

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Factos da Década (22) : Cimeira das Lajes

A 16 de Março de 2003, Durão Barroso recebia em Portugal George W.Bush, Tony Blair e José Maria Aznar para dar o tiro de partida à Guerra no Iraque. Esta foi também a cimeira conhecida como a Cimeira da Guerra. Três dias depois as forças da coligação estavam a invadir o Iraque, no fundo o que se passou nas lajes foi uma espécie de ultimato a Saddam Hussein. Este não respondeu e assim W.Bush iniciou uma guerra que seria criticada por muitos.
Não há muito para dizer sobre este encontro que foi um bom tema de conversa para muitos analistas e que colocou Portugal nas bocas do Mundo.
Apesar de anfitrião, Durão Barroso quase nunca apareceu.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O Brasil já é a 6ª economia do mundo

Um estudo do CERB (Centro de Investigação em Economia e Negócios), uma consultora britânica especializada em análises econômicas, o Brasil tornou-se a 6ª economia do mundo, ultrapassando o Reino Unido.

Notícia de grande destaque na imprensa britânica, o estudo revelou que, pela primeira vez na história, uma economia sulamericana ultrapassou a economia britânica no ranking das economias mundiais.

É de conhecimento comum o excelente momento econômico que vive o Brasil, assim como a péssima situação que vive a Europa, de maneira que não foi a apenas o sucesso de um que causou esta ultrapassagem, mas também o fracasso do outro.

Abaixo coloco uma excelente reportagem do Jornal da Globo sobre o tema, que deixa bem claro que a notícia é boa, entretanto, tamanho não é documento:



Feliz 2012 a todos e que tudo esteja melhor tanto no lado de cá, quanto no lado de lá do Atlântico!

Larissa Bona

The Tiger and the Princess

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Who will face Obama on the 2012 USA Election?

No próximo ano estão de volta as eleições norte-americanas. O Presidente Barak Obama recandidata-se e desta vez apenas terá interesse a votação republicana, já que do lado democrata não há opositores ao actual Presidente.
A eleição começa já no próximo dia 5 com o Caucus do IOWA. Seguir-se-ão alguns Estados antes da Super Terça Feira marcada para principios de Fevereiro. Vai ser curioso saber se a crise financeira, as promessas cumpridas em relação ao Iraque e Afeganistão terão efeitos na reeleição de Barack, até porque este tem sido contestado. Por certo, que os adversário de Obama irão utilizar a crise financeira como arma eleitoral.

Do lado Republicano candidatam-se alguns repetentes como Huckabee e Mitt Romney. Há a estreia de Sarah Palin e de uma nova mulher chamada Michele Bachmann. Mas é Newt Gringrinch antigo Presidente da Câmara dos Representantes quem reune maior favoritismo. Como sempra acompanharemos o espectáculo norte-americano in loco

Plataforma Chinesa

A vitória do Chinese Three Gorges corporation na privatização da EDP foi vista por muitos como um problema e uma ameça. Quando tudo apontava para a escolha da alemâ E-ON; até por razões políticas, o Governo decide abrir a um grupo chinês as portas da Europa.

As boas relações entre os dois governos, apesar de não existir democracia na China, algo que nunca irá acontecer; pode abrir uma nova frente de investimento no nosso país que depois será aproveitado pelo resto da Europa. Veja-se o que aconteceu em Angola onde a abertura às empresas chinesas tranformaram aquele país num local muito apetecível em termos financeiros. Portugal pode beneficiar com o interesse chinês nas suas empresas e com isso recuperar a sua economia, podendo até mesmo tornar-se num caso sério. O Governo de Passos Coelho fez bem em aproveitar esta oportunidade. Hoje a EDP amanhâ a REN.

O Executivo seguiu o conselho de Paulo Futre e trouxe os chineses para se instalarem cá. Definitivamente.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Ceia de Natal

Hoje é dia de Natal. O dia 25 é especial para todos. A família reune-se, aqueles que já não se vêem há muito contam histórias, as crianças esperam e desesperam pelo abrir dos presentes. O ritual é o mesmo há quase 2011 anos e assim se manterá ad eterno até que a sociedade encontre outra forma de festejar esta quadra. Sim, porque mudam-se os tempos e também as cerimónias. A Ceia de natal hoje já não é a mesma que hà 10 anos atrás. Por força das circunstâncias e do evoluir da sociedade o significado do Natal vai-se alterando. Inevitavelmente, as conversas de hoje irão centrar-se naquilo que se passará no futuro. A crise, o Euro, a europa, a economia, a instabilidade social que se irá forçasamente sentir. Para uma ceia de natal, estes são temas tristes e pouco animadores, e na cabeça dos mais novos, vai um sentimento de desilusão porque há-de chegar o Natal em que não haverá um presente. Ninguém sabe como será no futuro, mas aos poucos o Natal vai mudando para muitas pessoas e tendo uma importância mínima. É apenas mais uma data para comemorar. Até o presépio e a arvore de Natal já deixaram de fazer parte da decoração da casa, porque hoje o Natal é vivido nas redes sociais. A história do Menino Jesus é contada pela net. Os desejos de bom natal são agora postados no facebook, e assim não distinguimos de quem gostamos ou não, pois até o simples anónimo nos dá o "feliz natal". Até o Pai Natal desapareceu por completo...alguém o viu este ano?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O dever de silêncio do Advogado

Muito se discute sobre se um Advogado deve ou não falar em publico sobre as questões processuais. O Estatuto da Ordem dos Advogados proíbe expressamente esta possiblidade mas há muitos Advogados que violam constantemente esta norma.
Com este preceito, pretende-se salvaguardar a posição do cliente mas também o trabalho que o Advogado está a executar. Ao emitir uma opinião publica sobre uma decisão judicial o Advogado está a revelar ao "adversário" a táctica que pretende utilizar numa ocasião futura.

O principal problema desta questão reside com o sigilo profissional. O Advogado deve abster-se de comentar questões relacionadas com o processo, com a "actividade processual" do seu cliente bem como com outras situações. Os meios de comunicação social procuram o advogado para que este revele algo, mas o advogado não deve nunca se pronunciar através dos media.

Aquilo que muitas vezes assistimos nos julgamentos mais mediáticos é a total quebra desta norma deontológica. E ainda para mais, são os Doutores das Leis mais conhecidos da nossa praça que usam e abusam do poder que a comunicação social pode ter num caso destes. É curioso verificar que nem o Bastonário da Ordem dos Advogados resiste aos microfones cada vez que morre uma mosca.

É que opinar sobre um processo judicial em curso é claramente tentar influenciar a opinião publica.

Causas & Coisas - Lutar é uma alegria

Muitos são os provérbios portugueses que fazem alusão ao facto de na vida ter que se lutar por aquilo que desejamos e queremos muito.
Conquistar algo tem várias fases e a primeira de todas é o sofrimento causado pela primeira resposta negativa.
Nesse percurso encontramos pessoas que nos querem afastar dos objectivos propostos e que arranjam tudo e mais alguma coisa para desistirmos. Na grande maioria dos casos aqueles que nós achamos que são nossos amigos podem vir a ser os piores inimigos.

Na maioria das vezes o caminho para conquistar algo é longo e dificil, mas depois de alcançado o objectivo o sabor é dez vezes melhor do que a conquista fácil. A inveja alheia também se revela quando alguém está disposto a ir até ao fim por alguma coisa. Porque essas mesmas pessoas desisitiram facilmente e pretendem o mesmo para os outros : ficar pelo caminho.....

Ao longo da nossa luta vamos ultrapassando obstáculos e conquistando caminho..... tal como fazem os caracois.

Depois de alcançado o objectivo vem a melhor parte : partilhar com quem nós mais gostamos o sucesso obtido.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Eutanásia

O termo Eutanásia deriva do grego e significa "boa morte", "eu" (bem) e "thanátos" (morte).

A eutanásia é um conceito ético muito debatido e que faz-nos explorar os nossos valores morais, os nossos sentimentos, a nossa dignidade e a nossa vida.

É um procedimento que tem por objectivo pôr fim à vida de alguém que esteja em permanente sofrimento físico ou psicológico ou que prevejam um fim doloroso.

A nível histórico, Platão, no livro “A República”, abordava este tema definindo-o como “uma forma para eliminar pessoas com doenças incuráveis”.

Outros autores, defenderam igualmente a eutanásia, com argumentos de caracter económico, de forma a evitar despesas desnecessárias.

Na minha opinião, o valor vida humana jamais deve ser comparado ao valor material. Não creio que os argumentos económicos devam ser tomados em conta num procedimento deste. A dignidade humana deve ter sempre a maior das importâncias aquando de um acto de desespero, como é a eutanásia.

Outra crítica à eutanásia, é o facto de esta ser comparada à eugenia.

Na eugenia, existe um homicídio que apenas tem por objectivo o bem-estar e prazer do homicida e não o superior interesse da pessoa que morre.

Um exemplo muito marcante da História moderna, aconteceu na Alemanha, no qual os nazis eliminaram seres humanos de diferentes etnias ou religiões, a fim de fazer uma limpeza étnica.

Mas, a mentalidade humana foi evoluindo com o passar dos tempos, e tais práticas como o aborto, eutanásia e a eugenia foram sendo erradicados “no sentido de preservar a vida, independentemente das condições do ser”.

A decisão de não tolerar estes actos, é muito apoiada pelos avanços da medicina que, com o avançar das tecnologias e conhecimentos, consegue proporcionar uma maior duração de vida a pessoas doentes. Estes avanços não têm em conta as condições em que o doente se encontra.

O duelo Medicina vs Dignidade nunca poderá ser vencido pela parte da ciência, ou não deve. Isto porque um doente que não se encontre com todas as suas faculdades mentais e físicas operacionais, não deve ser “mantido a respirar” (e eu penso que o termo é mesmo este – não se pode dizer que uma pessoa vive sem estar a viver), por uma via artificial e que não trará nenhum beneficio nem dignidade ao paciente.

A linha que separa “o viver” do “manter a respirar” deve ser uma linha marcante. Que possa dar dignidade ao Homem. Que não faça com que a sua alma e esplendor estejam mortos e que os seus órgãos doam.

A "cessação irreversível das funções do tronco cerebral" (artº. 2, do Dec-Lei 141/99, 28/8), prevista na lei portuguesa, vem defender a integridade moral do individuo que se encontre em situações extremas. Ou seja, todas as pessoas que se encontrem em morte cerebral ou em estado vegetativo, têm que ser desligadas dos meios artificiais de suporte de vida, passado um número pré-definido de dias. Em caso de incumprimento por parte dos profissionais de saúde, esse acto corresponde a um crime punido por lei.

A eutanásia levanta muitos problemas morais. O valor da vida acima de todos os outros interesses, o suicídio vs homicídio, a banalização do acto e, para os mais cépticos, o porquê de uma pessoa querer pôr fim à vida (é de notar que os profissionais de saúde opositores a este procedimento, tentam ajudar os doentes, minimizando a sua dor, recorrendo aos Cuidados Paliativos), entre muitos outros que assolam a nossa mente e que fazem-nos mergulhar até ao fundo da questão.

Na minha opinião, a eutanásia deve ser um procedimento medicamente aprovado, em situações esporádicas, tendo sempre em conta o superior interesse da dignidade humana.

Deve ser realizado em condições de extrema gravidade, nas quais o doente se encontra num estado de sofrimento profundo irreversível e sem cura prevista ou possível.

É um tema que afecta os valores morais e éticos da Humanidade, porque a batalha entre a vida e a morte é travada todos os dias, sem cessar, e os interesses em cada uma das partes variam dependendo das situações.

A meu ver, deve ser um procedimento tratado com a maior das sensibilidades e consciência, de forma a não se sobrepor ao superior interesse da vida humana.

Emigrar

No passado fim de semana, o Primeiro-Ministro proferiu umas declarações sobre o desemprego dos professores em que aconselhava estes a emigrar para os países lusófonos. Nomeadamente Angola e Moçambique onde existirá maior oferta de trabalho.
Como não poderia deixar de ser, lideres sindicais e comentadores televisivos; e estou-me a referir a Mário Nogueira e a Daniel Oliveira ficaram indignados e proporam que seja Passos Coelho a emigrar. Já anteriormente, o Secretário de Estado da Juventude afirmou que os jovens que não encontrassem trabalho em Portugal deveriam procurar a sorte lá fora. Na altura também houve um chorrilho de comentários contra o secretário de Estado.

Em relação às reacções nada de novo, porque já estamos habituados a que as opiniões dos de sempre sejam motivo de notícia e de grande repercussão nos meios de comunicação social. Só mesmo no nosso país é que o lider da FENPROF tem o tempo de antena que os media lhe dão. Porque é este senhor que está a atrasar o desenvolvimento da educação com o constante bloqueio das medidas implementadas por qualquer governo no sentido de melhorar. Hoje realiza-se uma manifestação de professores por causa das declarações do PM. É inaceitável que um PM que fala verdade e coloca em pratos limpos as questões de governação seja alvo de um ataque deste género. É algo que já estamos habituados em Portugal.

Pior seria PPC alimentar uma esperança que neste momento não existe em Portugal. Ao proferir tais declarações, PPC está a alertar as pessoas para os tempos dificeis que aì vêm e que resultará numa menor oferta de trabalho, pelo que a melhor solução é tentar a sorte no estrangeiro e um dia voltar. Até porque nos países lusofonos a situação financeira é bem melhor.

Se Passos Coelho fosse como Socrates, estaria a ser acusado de enganar as pessoas, mas não. Como fala a verdade ele é que tem de sair do país.

Em Portugal ainda custa a muitas pessoas ficarem sem o seu "confortozinho".

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Por que no Brasil tudo é mais caro?


Fonte: www.arrobazona.com

Quanto você acha que eu paguei pelo notebook através do qual eu escrevo este post? Ele me custou algo como 900€, sendo que nos Estados Unidos, o mesmo computador, com a mesma configuração e marca, custa 420€.

Um carro Gol da Volkswagen, considerado carro popular, com a configuração mais simples possível, custa 12.600€, enquanto que o mesmo carro, no México, custa 6500€, isto é, quase metade do preço.

Em Portugal, um Novo Polo, da mesma Volkswagen, custa 13.900€. Já no Brasil, o tal automóvel custa 18.300€. É uma diferença de quase 5000€!

E este tipo de discrepância não se aplica somente aos automóveis da Volks ou a computadores, mas sim a todo e qualquer produto que é comercializado neste país.

Fica a pergunta: por que no Brasil tudo é mais caro? Eu comecei a refletir sobre isso ao ler uma reportagem sobre o aumento do IPI para os carros importados, na sexta-feira passada.

Mas o que é o IPI? É a sigla para Imposto sobre Produtos Industrializados. Trata-se de um imposto federal cobrado sobre mercadorias industrializadas, estrangeiras ou nacionais, com caráter não somente arrecadador, mas também parafiscal, ou seja, regulador de mercado, pois a alíquota do imposto varia de acordo com cada produto e o governo a majora ou a diminui de acordo com a política econômica que deseja adotar para cada setor produtivo.

Contudo, o IPI não é o único tributo incidente sobre a cadeia produtiva, já que há o IR, PIS, COFINS, CSLL, ICMS, CIDE e muitos outros que não cito sob o risco de acabar cozinhando uma sopa de letrinhas.

Ah! Matamos a charada. Tudo é caro no Brasil por conta dos zilhões de impostos que sobrecarregam a produção, certo?

Correto, porém, em partes. É certo que a carga tributária no Brasil sobre a produção é uma das mais pesadas no mundo. Ser empresário no Brasil é quase um ato heróico diante da voracidade do fisco brasileiro, tão voraz que foi apelidado de Leão.

Todavia, há algo mais na carestia dos produtos brasileiros, porque se você analisar bem, a diferença do preço do mesmo carro em Portugal e no Brasil é de quase 5000€, isto é, quase 40%.  Não é possível que tudo isso seja apenas imposto!

Esse algo mais se trata de uma característica cultural do brasileiro: a passividade. O brasileiro é muito pacífico, ele não tem o costume de brigar ou questionar, mas sim de dizer amém a tudo.

A concessionária de carros coloca o preço nas nuvens e o brasileiro, em vez de recusar-se a ser extorquido, aceita o preço estratosférico com a mesma parcimônia de um cordeirinho que se encaminha ao abate.

Costumo brincar que isso é culpa de D. Pedro I do Brasil ou D. Pedro IV de Portugal, porque se ele tivesse deixado os brasileiros fazerem uma revolução pela independência, como os americanos e os da América espanhola, talvez hoje o brasileiro tivesse um pouco mais de brio. Mas não, até a nossa independência foi pacífica, feita pelo filho do Rei, fomos incapazes de brigar por ela!

Assim sendo, conhecendo o comportamento do brasileiro médio, voltamos ao caso dos carros. Presidentes de várias montadoras estrangeiras já deram muitas entrevistas anunciando que o mercado automotivo brasileiro é a cereja do bolo, justamente porque os brasileiros não reclamam de pagar mais do que todo mundo.

Aliás, o brasileiro paga duas vezes, pois como a renda da população é baixa, pouca gente consegue comprar automóveis ou até mesmo roupas à vista, tudo é parcelado no país de maior taxa de juros do mundo, inclusive a compra do supermercado!

E o pior, o brasileiro não se importa de saber qual o valor total que vai pagar ao final de tudo, mas sim se aquela prestação cabe no orçamento do mês. Então, você vende um carro e o consumidor paga dois! Grande negócio não?

Só que com a concorrência dos carros asiáticos, principalmente os chineses, que produzem carros completos mais baratos que os nacionais populares sem direito nem ao tapete do automóvel, as pessoas começaram a comprar mais carros importados do que os produzidos no Brasil.

E o que fez o governo? Aumentou a alíquota do IPI sobre os automóveis que não eram fabricados no Brasil, sob a justificativa de proteger a indústria automotiva nacional da invasão dos importados chineses, coreanos e japoneses.

Para começar, o que seria a indústria automotiva nacional? A Volkswagen da Alemanha, Ford e Chevrolet dos EUA e Fiat da Itália, que são as montadoras instaladas no país? Nacional mesmo no Brasil, meus amigos, só a Caipirinha, o Samba e Pelé.

Será que esta medida de aumentar o IPI dos importados realmente visa beneficiar a população? Acredito que não!

Ora, mesmo com os valores astronômicos de impostos pagos, a indústria automotiva nacional aufere lucros galácticos não só com a venda de carros em si, mas também com os seus bancos de financiamento de carro (além da Fiat, há Banco Fiat, além da Volkswagen, há o Banco Volkswagen e etc.).

Logo, a concorrência dos importados asiáticos, bem mais baratos, não prejudica em nada a indústria nacional, muito pelo contrário, ajuda o consumidor a cair na real e observar que os preços praticados são absurdos.

O risco aqui não é de quebra, mas sim de diminuição de lucro. E como nenhuma das montadoras estabelecidas no país pensa em trabalhar com uma margem de lucro menor para tornar o seu produto mais competitivo, resolveram apelar para o governo para tentar passar a perna nos asiáticos. Isso sim é concorrência desleal, não só com o pessoal de olho puxado, mas também com o consumidor brasileiro.

E enquanto isso, o brasileiro corre para as concessionárias, para tentar comprar aquele carro chinês ou coreano baratinho antes que o estoque de produtos não afetado pela alta do IPI se acabe e o sonho do carro Okm se acabe junto.

Larissa Bona

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Qual o acontecimento do ano 2011?

À semelhança do que fizemos com a figura do ano, em 2011 vamos eleger uma nova categoria. Queremos saber qual foi o acontecimento do ano de 2011. Eis aqui a lista que também nós acompanhámos:
  • Eleições em Portugal
  • Primavera Árabe
  • Confusão na Europa
  • Escandâlo Strauss-Kahn
  • Morte de Usama Bin Laden

Manifestantes Somos Todos Nós

A Revista homenageou as revoluções sociais que ocorreram durante este ano um pouco por todo o mundo. A Primavera Árabe, a revolução dos indignados, os protestos na Grécia e as manifestações na Russia anti-putin foram algumas das principais revoluções que tiveram lugar em 2011 mas muitas mais ficaram por noticiar ou mesmo foram silenciadas.

A transformação da nossa sociedade e as alterações que ocorreram durante o ano tiveram uma causa : a indignação das pessoas e a necessídade que é preciso mudar. As consequências foram o derrube de governos ditatoriais e opressores, a mudança de politicas governamentais. A sociedade tomou consciência que era preciso fazer alguma coisa e a melhor forma de exprimir essa revolta foram a realização de manifestações em massa. Não se tratam de protestos ocasionais mas sim de revoltas contínuas. Como se viu no Egipto,Tunisia e Libia os protestantes levaram a melhor mesmo que para isso algumas pessoas tenham pago com a própria vida a coragem de enfrentar o poder instalado.

Se 2011 foi o principio da indignação e revolta popular, 2012 promete continuar a ser um ano de muita luta. Agora a luta não se faz só dentro dos orgãos políticos, chegou à rua.

Mas também não foi só através de manifestações que as pessoas demonstraram o seu descontentamento durante o ano. As redes sociais como o facebook e os blogues foram ferramentas importantes nos combates que se fizeram na rua. Aliás, foi devido à publicidade feita no facebook que foi possível juntar milhares de pessoas para aderirem às causas.

O que aconteceu durante este ano foi um aviso ao poder politico e aos seus governantes. Ficou provado que ninguém consegue estar agarrado ao poder se não tiver o povo do seu lado. Por muito que tenham as forças militares controladas.

Os manifestantes são milhões.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Nobre Povo - Jaime Nogueira Pinto

Nobre Povo....Eis a República.
Jaime Nogueira Pinto conta-nos num extraordinário toda a história da Republica. Os antecedentes, a Revolução e os passos seguintes.
A história que muitos conhecem apenas pelo Regícidio está muito bem escrita neste livro. Nele ficamos a saber os planos para derrubar o rei, as divisões que marcaram profundamente os quase 15 anos de Republica e depois o golpe militar que levou à implantação do Estado Novo.
Também é feito um enquadramento histórico a nivel europeu e mundial. Durante o período em que Portugal passava por estes momentos conturbados, o Mundo vivia em plena guerra Mundial.
Nesta obra vimos o quão problemáticos foram os primórdios do novo regime. Em pouco mais de 15 anos, a Republica teve inumeros governos e primeiro-ministros. As questões de corrupção, compadrios, influências e jogos de poder eram frequentes e foi por estes factores acima referidas que a República democrática caiu.
Se fizermos uma comparação com os dias de hoje, sempre podemos afirmar que nos dias de hoje existe maior transparência.
Mas é de assinalar a excelente obra de um grande historiador.

Olhar a Semana - Consumismo natalício

Este ano o Natal vai ser mais pobre para muitas familias portuguesas. O despoletar da crise e o corte no subsídio de Natal para algumas familias vem trazer pouca cor nesta quadra. Podemos pensar assim se acharmos que nesta altura o mais importante é oferecermos alguma lembrança a quem mais gostamos. Se tivermos em consideração o ambiente familiar, então os cortes e o facto de estarmos em crise não seja assim tão mau. Até porque muitos já não acreditam no Pai Natal. Mas o que se está a passar nesta quadra é apenas o principio daquilo que irá acontecer num futuro muito próximo, especialmente em 2012. O pouco dinheiro que os portugueses e os europeus terão na carteira irá afectar o comércio e consumo. Mas se alguma coisa a austeridade tem é a mudança de mentalidades que vai provocar neste país. Era sobretudo nesta quadra festiva que muitos aproveitavam para gastar mais do que aquilo que possuíam. E o dito subsídio também servia para os presentes em vez de guardar para poupar. Nota-se também um menor entusiasmo em relação ao Natal, porque os portugueses estão a sentir na pele a crise e olham para o futuro com muita preocupação. Até a Leopoldina e a Popota parecem menos entusiastas. Perante isto, é possível que os valores que se perderam devido à loucura dos presentes voltem nesta quadra. Para isso ter sido possível só mesmo o estado de crise em que vivemos e alguém que tenha tido a coragem de colocar bom senso na mentalidade das pessoas. Apesar da troika nos ter tirado os presentes, o espirito familiar manter-se-à em cada casa portuguesa. Assim, com ou sem austeridade, desejamos um bom natal prometendo voltar em 2012 com mais crónicas semanais.

sábado, 17 de dezembro de 2011

FAZ HOJE 50 ANOS


Naquele ano de 1947 a situação na Índia era particularmente instável. Ghandi tinha um sonho: “Converter as pessoas britânicas à não-violência e, assim, fazer-lhes ver o mal que tinham feito à Índia”. A Índia tornou-se independente em 15 de Agosto de 1947. Ghandi foi assassinado a 30 de Janeiro de 1948. A instabilidade no sub-continente indiano era enorme. Hindus e muçulmanos combatiam-se. Para uns a Índia, para outros o Paquistão. A mensagem do movimento Satyagraha assustava os portugueses. A não-violência, a não agressão. O protesto como meio de revolução pacífica. O apelo à desobediência civil… Os goeses residentes na União Indiana que não renegassem a nacionalidade portuguesa, começaram a ser perseguidos. O movimento Azad Gomantak Dal inicia ataques à bomba em esquadras policiais fronteiriças, cortando vias de comunicação e fios de telefone. O Acto Colonial restringia as reuniões e associações políticas. O Estado da índia foi reduzido a uma “colónia”. A conscrição da população foi tornada obrigatória. As perseguições e as prisões começaram. Nerhu afirmava: “Goa é parte integrante da União Indiana e a ela deve regressar”. Portugal não queria ser o Reino Unido. Portugal não sabia o que fazer. Por isso, não fez nada. Recusou iniciar negociações diplomáticas. Deixou que a guerra política e verbal subisse de tom, até à Operação Vijay. A 17 de Dezembro de 1961, deu-se a invasão. A 19 de Dezembro a guarnição rendia-se. Trinta e seis horas que acabaram com uma presença de 451 anos. Goa, Damão e Diu, jóias da coroa portuguesa, eram, agora, saudades do Império. Um Império caduco. O primeiro e o último império europeu. Um império que em breve desabaria.

In "Há Biscoitos no Armário", de Jorge Pinheiro.

NATAL - PRESENTES E AUSENTES


O Natal é uma quadra de contrastes. Sentimos mais a família e a falta dela. O Natal transporta consigo um cortejo de mortes. Familiares que recordamos na sépia dos retratos gravados na nossa memória distante. Fantasmas que passam por nós nos corredores infinitos da saudade. Há um Natal presente e um Natal ausente. Um Natal em que recebíamos presentes e um outro em que somos nós a pagar. Dantes suspirávamos por uma data mágica que descia pela chaminé. Hoje corremos na fúria da compra inútil. Já não há Pai Natal. Há uma ilusão desgastante que se queima no altar egoísta do consumo. Um furor de consoada que se rasga nos papéis de embrulho na véspera do perú assado. Há um Natal de mensagens pré-gravadas e SMS. De jantares comemorativos feitos de rotina irremediável. O Natal é um engano que persistimos em manter. Um engano em que mantemos vivos os presentes ausentes.
Jorge Pinheiro

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

As Ultimas de Bagdad

Hoje os soldados norte-americanos guardaram a bandeira dos EUA que estava hasteada em Bagdad. Este foi o ultimo acto antes da partida definitiva e da entrega da soberania total aos iraquianos. Já antes Obama foi dar aquele abraço às tropas estacionadas naquela zona do globo.
A promessa foi cumprida, e os Estados Unidos deixam o Iraque em condições de ser governado por si próprios. Nove anos depois, a Guerra no Golfo terminou e para sempre, porque o principal objectivo está cumprido : Saddam não volta.
Mais de 4500 soldados norte-americanos morreram e cem mil iraquianos perderam a vida no seu próprio país sem saberem porquê.

A Guerra no Iraque iniciada por W.Bush em 2003 não teve o efeito desejado : encontrar armas de destruição massiva. Esse falhanço foi recompensada pela captura e morte de um dos inimigos dos Estados Unidos. Apesar disso, muitos consideraram esta guerra fora do objectivo final : a luta contra o terrorismo. Se o Iraque era uma ameaça à segurança mundial, então que dizer do Irão.
Talvez por seu pai não ter conseguido destruir Saddam, W.Bush pensasse que ao eliminar o ditador poderia ser melhor que o pai. A guerra no Iraque correu mal e foi a partir daí que o terrorismo aumentou. Sejamos ou não a favor da guerra esta é uma verdade la paliciana.
Não teria o povo iraquiano força suficiente para derrubar o ditador? Não sabemos, mas a realidade é que se a Primavera Árabe tivesse chegado a Bagdad talvez se tivessem evitado sofrimentos familiares. Se os restantes povos árabes tiveram coragem para enfrentar lideres temidos (por ex Kadafi), não haveria razão para que o povo iraquiano não conseguisse também derrubar Hussein. Afinal a força do povo é bastante superior que as leis ditatoriais.
Se W.Bush tivesse esperado 9 anos...............

terá valido a pena tanto sangue?

Figuras da Década (20) : Dan Brown

Dan Brown, nasceu a 22 de Junho de 1964 em Exeter, USA.
O escritor norte-americano alcançou na ultima década um êxito enorme devido ao livro que em cima colocamos como imagem. O Código Da Vinci foi um sucesso em todo o Mundo por causa das questões que Brown levantou em relação a Jesus e a Maria Madalena. Por este motivo, foi alvo de críticas por parte da Igreja Católica que não viu com bons olhos o apego dos leitores a este thriller. Mas não foi só por causa de Da Vinci que Brown foi contestado. Também o livro Anjos e Demónios criticava o papel da igreja na sociedade. Os seus livros também versam sobre a maçonaria, Opus Dei e outras entidades.
Dan Brown lançou até ao momento 5 livros, quatro dos quais na ultima década.
São eles : Fortaleza Digital em 1998, Anjos e Demónios em 2000, Ponto de Impacto em 2001, O Código Da Vinci em 2003 e finalmente Simbolo Perdido em 2009.
O Mundo aguarda ansiosamente pelo novo romance de Brown sendo certo que o efeito surpresa há muito que se perdeu.

o ano politico : Mudanças na continuidade II

(...)

Chegámos ao Verão com um novo governo, a troika bem instalada no nosso país e com um futuro negro à nossa frente. O país não pôde respirar de alívio a saídad e Socrates porque logo depois da eleição de Passos Coelho veio uma má noticia : o governo iria introduzir um novo imposto extraordinário sobre parte do subsídio de Natal. Não estava no memorando da troika, mas isso não interessa nada. O que era preciso era entrar a cortar porque a troika estava cá e queria resultados imediatos.

Entretanto o PS mudou para um lider Seguro mas que brevemente dará à Costa porque é assim que acontece a todos os lideres na oposição, mesmo assim ainda vai dando bons contributos para a resolução da crise. Sem férias para a malta porque a vida está cara, o Governo anunciou medidas para entreter os portugueses e levá-los também a praticar medidas de austeridade. Nada de viagens em executiva e no Ministério da Agricultura ninguém usa gravata porque faz calor e gasta electricidade. Com isto se vão poupando uns cêntimos ao Estado. Quanto a medidas de corte na despesa nada e para relançar a economia também zero.

Foi um Verão diferente porque a malta não pode ir de férias porque não tem dinheiro, e fica a saber que no Natal também não há férias ou presentes para a criançada. Assim se alcança o principio da igualdade.

O Orçamento de Estado para 2012 foi anunciado e o país entrou em depressão. Se é que já não estava. Desta vez o corte foi total : não há subsídios para ninguém nas férias e no Natal, pelo que o melhor nestas alturas é todos ficarem a trabalhar porque o país precisa de produzir, até porque já se começava a discutir o fim de alguns feriados que fizeram de Portugal aquilo que ele hoje é.

Com a aprovação do OE 2012 começaram a surgir as primeiras manifestações de enorme proporção. De lá saíram os indignados, os sindicatos, o pessoal que gosta de ir curtir para as manifs e todos aqueles que estão revoltados não se sabe muito bem com o quê. O país parou na greve geral que juntou os dois lideres políticos que mais longevidade têm na nossa democracia. Nem os dinossauros autárquicos estão há tanto tempo em posição de influência. A greve foi o mesmo de sempre, números contraditórios e a promessa que a luta vai continuar.

Para distrair os portugueses pelo facto de não terem este ano dinheirinho para as megacompras, veio a questão dos feriados. O governo quer acabar com dois dias para que a malta trabalhe. O pior é que os republicanos e os monárquicos exigem descanso nas datas históricas porque é bom estar sempre a lembrar o passado heróico. E não estar a pensar no presente e futuro catastrófico que o belo Portugal tem e vai ter. A falta de auto-estima é tanta que a discussão em torno dos feriados durou dias e dias e mais dias. Foi preciso entrar a Leopoldina e a Popota para que as pessoas entrassem no espirito natalício, mas mesmo estas já estão diferentes e bem mais comedidas nos preços baixos. A troika não deixa.

No meio destes acontecimentos, Alberto João voltou a ganhar na Ilha mas desta vez sem maioria absoluta dos votos. Todos criticam Jardim mas este leva sempre a melhor. Mesmo que por uma margem mínima.

Antes das celebrações natalícias e da festa de passagem para um ano "horribilis", a Europa reuniu-se numa cimeira do tudo ou nada, mas em que se decidiu "nada", para assim continuar na incerteza.

"Há que estar preparado para tudo" - dizem em uníssono os habitantes da Terra.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A NOVA ERA JÁ COMEÇOU

Por contraste com o post anterior do Francisco, acho que a continuidade acabou definitivamente. Uma nova era já começou. Estamos a assistir ao estrebuchar da velha ordem. Ninguém sabe para onde vamos. Mas havemos de ir para algum sítio. Um sítio incógnito e incerto. Um sítio que nos amedronta e exaspera. As certezas acabaram. As dúvidas ainda agora começaram. Portugal é absolutamente irrelevante para o que quer que seja. A única coisa que tem de saber é aguentar-se no barco em plena tempestade. Temos fama de bons marinheiros. Teremos comandantes à altura? A verdade é que a nova era mundial está a acontecer na nossa rua e à nossa volta. Anda tudo preocupado com subsídios e a questão é que em breve nada haverá para subsidiar. Estamos a viver um Revolução. Há três ou quatro meses começaram a dar-se alterações profundas. É um processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos! Vejamos as alterações de alguns dos factores principais que sustentam a sociedade actual:

A CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injectado (eufemismo que quer dizer: "emprestado virtualmente à taxa zero") montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas.
A CRISE DO PETRÓLEO: desde há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o compram e amealham) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de serviços, com efeitos devastadores no turismo e na mobilidade em geral, que sofrerá enorme contracção..
A IMIGRAÇÃO: a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rentáveis. A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e melhor estatuto sócio-económico.
A DESTRUIÇÃO DA CLASSE MÉDIA: quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias está de facto a "varrer" o Velho Continente. Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França, os problemas das classes médias são comuns e (descontados alguns matizes e diferenças) as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, a perder força social e capacidade de intervenção.
A EUROPA MORREU: a Europa está moribunda, sem projecto, sem liderança e já não consegue definir quaisquer objectivos num "caldo" de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns. Os egoísmos e falta de solidadriedade institucional e social são evidentes... O Cidadão Europeu já não acredita na "Europa", nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro.
A CHINA AO ASSALTO: todos os estaleiros navais do Mundo têm toda a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios da China. O gigante asiático vai agora "atacar" o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke...). Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel mundial os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças. A tomada de participações sociais ou take overs em grandes empresas ocidentais é já uma evidência.
O RESSURGIR DA RÚSSIA/ÍNDIA: para os menos atentos, a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante. Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha.
A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA: nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos.

A Revolução está aí. O resultado é imprevisível. As nossa vidas vão mudar drasticamente. Nada disto tem a ver com o pobre tio Cavaco ou com o esforçado Sr. Coelho.

Nota: este texto baseia-se num excelente resumo que recebi por mail, de autor anónimo.

O ano político : Mudanças na continuidade I

O ano político de 2011 foi marcado pela realização de dois actos eleitorais : As presidenciais e as legislativas que não estavam previstas mas que toda a gente sabiam que iriam acontecer. Só não se sabe quando, onde, como e porquê.

O maior facto relevante do ano foi o pedido de ajuda financeira internacional ao FMI pela terceira vez na nossa curta história democrática.

Mas voltemos um pouco atrás:

Em Janeiro, Cavaco Silva ganhou as presidenciais por uma maioria absoluta menor que na sua primeira eleição mas mesmo assim foi melhor que Manuel Alegre. Este teve uma votação aquém do esperado mas fê-lo perceber que era muito melhor a escrever poemas. Volvidos estes meses Alegre desapareceu do mapa já ninguém se lembra dele. Foi uma eleição marcada pelo Caso BPN. Passados 12 meses já ninguém quer saber do caso, o que só comprova qual a intenção destas notícias. E isto também vale para Socrates quando estava em campanha no ano 2009 e lhe apareceu pela frente o caso freeport. Cavaco ganhou, Alegre perdeu e Nobre sorriu. O ex-médico da AMI era o candidato do povo e este deu-lhe um nobre segundo lugar. O que é que iria fazer com tantos votos a pergunta que se fazia. Nobre disse "Não" à política mas um talvez à Presidência da Assembleia da República. Não fazia a ideia que meses mais tarde lhe aparecia um Coelho com um convite aquele orgão. Hoje Nobre tem muitos votos mas nenhum cargo político.

Enquanto isso iamos caminhando alegremente de austeridade em austeridade rumo ao abismo final, como hoje se constata. Apesar dos avisos, das notícias, do aperto dos mercados, o Primeiro-Ministro Socrates achava que estava no país das maravilhas. Onde fazia sol e tudo era bonito, apesar de um Ministro das Finanças com um discurso bem diferente. Era sempre o ultimo, dizia o ex-PM. Até que um dia houve um Coelho que se chateou e disse não a mais sacrificios. Esse mesmo Coelho que hoje ficará na história como aquele que tirou subsídios a grande parte dos portugueses. Tudo em bom nome da austeridade. Foi em meados de Fevereiro que as palavra austeridade e crise começaram a entrar em casa de muitos portugueses, já de si muito pobres.

Até que num dia de sol os mercados começaram a cortar o rating de tudo o que era empresa e banco português. O aviso estava dado mas a culpa era da crise internacional e das agências de rating. Nunca é nossa. Ninguém sabia quem era Moody´s, Standard e Poor´s. Num ápice elas começaram a jantar connosco. Foi num dia de chuva e quando já ninguém esperava que Socrates anunciou ao país o pedido de resgate ao FMI. Este há muito que já estava preparado para salvar Portugal, até porque já tinha feito o mesmo na Grécia e na Irlanda, pelo que a experiência e as medidas não iriam ser muito diferentes. Tratar tudo por igual é o lema do FMI. Socrates a dizer que a culpa era da situação internacional e Teixeira dos Santos mal disposto pelo Primeiro não ter ouvido o Segundo.

O FMI aceitava o pedido de resgate mas com condições. Que a ajuda financeira não fosse executada pelo Primeiro-Ministro da altura. Ora, Socrates não aceitou esse facto porque ele era o Primeiro e sempre o Primeiro. Mais ninguém ficava bem no papel de PM que não fosse ele. Assim, o FMI teve que se contentar com a realização de eleições antecipadas. Mas Socrates concorreu porque sempre a teve a certeza que os portugueses o amavam e os mercados é que davam facadinhas nas costas. Contra ele, concorria um Coelho que não desistiu do sonho de ser PM e lutou com todas as forças contra os barões e baronesas do PSD. Ganhou o Coelho mas sem a maioria absoluta o que o obrigou a formar governo com o CDS e ter que aturar Portas. O Coelho foi um buscar um Nobre que estava só e abandonado à espera de um cargo político e convidou-o para Presidente da Assembleia da República. Só que o CDS, recente parceiro de governo; não foi de modas e disse não à nobre candidatura, ajudando a que o Coelho tivesse a sua primeira derrota política. Assim, Nobre foi à sua vida e à espera de uma melhor oportunidade para usar os seus votos conquistados nas ultimas presidenciais. Para o seu lugar, foi eleita uma mulher de nome Assunção Esteves que ficará na história como a primeira mulher Presidente da Assembleia da Republica. Estava dado o tiro de partida para o crescimento do movimento feminista no nosso país.

Entretanto chegou a Portugal a tão famosa troika composta por membros do FMI, BCE e UE e que nos meses seguintes nos ajudariam a ser ainda mais pobres do que aquilo que já somos.

(continua....)

Para nascer pouca terra, para morrer toda a terra: Cadernos de Estocolmo

Quando se dá o encontro entre duas almas logo as outras que as rodeiam se dispersam e desviam numa dança que é de corpos, mas que atinge o espírito. Uma vez atingido o espírito, o corpo lhe cede e a dança é por este ditado. Do corpo se esvai a vontade espasmódica e nele se imbui a vontade espiritual - imperador logo que cai república. Apenas subsiste o instinto espiritual, essa ânsia de ter o amanhã que o espírito dita e o instinto corporal nele se integra para que desse objetivo se inteire o corpo. Mas o espírito também aprisiona a mente; tornando-a servil, transforma a sua missão, transformando a sua missão logo lhe parece que tudo comanda não vendo nem reconhecendo os fios de marioneta que o ligam a algo que se supõe mais alto, mais sublime e matricial. É aí que a vida se confunde com o espírito e o espírito dela tudo faz. Nesta confusão de existências vive o indivíduo que se vê sublimado, de missão em punho, pé e cabeça, mãos, dedos e olhos. A nenhum meio se exclui para atingir tal fim mas nenhum fim, finalmente, o firma na terra.

Lá começou a nevar, se bem que timidamente. Às escondidas, só os amantes noctívagos são sua testemunha.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Grupos de Pressão

Não deixa de ser intrigante que um país pequeno, pouco povoado, com uma sociedade pouco dinâmica e com falta de exigência, insignificante a nível europeu e desconhecido a nível mundial consiga, no entanto, ter criado tantos grupos de pressão com capacidade de afectar os processos legislativo e executivo. Hoje foram os emigrantes, descontentes com o encerramento de unidades consulares, a ameaçar não enviar mais remessas para Portugal. Em termos médios, os valor total ascende a 2400 milhões de Euros.
É mais um revés para o investimento, variável imprescindível ao crescimento económico, para o qual era canalizado o volume de remessas vindas do exterior.

2.2.1.1. Ciclo da cana-de-açúcar: a expedição colonizadora (não tão colonizadora assim) de Martim Afonso de Sousa – parte I


Martim Afonso de Sousa, de bobo, nem o olhar

Desde 1528 que D. João III já sabia que era impossível defender a posse do território brasileiro sem povoá-lo, mas isso não mudava a grande falta de entusiasmo que sentia pelo Brasil, já que Portugal havia mandado várias expedições ao novo território e ninguém nunca havia encontrado o que os espanhóis acharam em abundância no México: ouro e prata.

Seguramente, em seu íntimo, o Rei pensava: “malditos espanhóis sortudos, encontraram ouro e nós somente pau-brasil, porque não desviamos mais ao norte, ai que raiva”.

Em 1530, mesmo sabendo há dois anos que, se não colonizasse o Brasil, Portugal iria perdê-lo, D. João III ainda não tinha feito nada para tanto, porque o comércio com as Índias ainda era interessante, mesmo decadente.

Contudo, naquele ano chegou-lhe aos ouvidos uma notícia que reacendeu a chama da paixão portuguesa pelo novo território: os espanhóis acharam Prata no Peru.[1]

Imediatamente, o Rei chamou Martim Afonso de Sousa, amigo de infância e homem de sua confiança e deve ter-lhe dito:

“Martim, os espanhóis encontraram prata no Peru. Só que quem vai ficar com essa prata é a gente, porque eles estão ocupados brigando com os franceses, então dá tempo da gente chegar lá primeiro do que eles e ficar com tudo. Presta atenção que eu tenho um plano. Como o Cristóvão Jacques disse que não há como proteger o território sem colonizá-lo, eu quero lhe mandar ao Brasil para fazer isso. Oficialmente, vamos dizer que você vai para expulsar os piratas, explorar o rio que o Vicente Pizón encontrou, defender e colonizar o território, para enganar os espanhóis, porque na verdade você vai é aumentar o nosso domínio até o Rio Prata, porque essa é a porta de entrada para as riquezas dos Incas. Dane-se Tordesilhas! Danem-se os espanhóis. Quem chegar primeiro leva. E aí topa?!” Martim Afonso de Sousa respondeu: “tô dentro” [2].

Assim sendo, em 03 de dezembro de 1530, partiu de Lisboa, com 05 navios e 400 homens, a primeira expedição “colonizadora” do Brasil, comandada por Martim Afonso de Souza, acompanhado de seu irmão Pero Lopes de Sousa, e no final de janeiro de 1531 chegou ao litoral de Pernambuco, já dando de cara com três navios piratas franceses.

Próximo post em 27.12.2012: 2.2.1.2. Ciclo da cana-de-açúcar: a expedição colonizadora (não tão colonizadora assim) de Martim Afonso de Souza – parte II



[1] A história de como D. João se inteirou da descoberta espanhola é bastante interessante, se os meus amigos que contam a História de Portugal não contaram ainda, me avisem nos comentários, que eu faço um adendo e conto para vocês.
[2] Este diálogo não é uma reprodução fidedigna da conversa entre D. João III e Martim Afonso de Sousa. É apenas uma maneira mais bem-humorada de contar a história. Muito embora, este diálogo seja uma ficção, ele retrata mais ou menos o raciocínio do Rei quando mandou Martim Afonso de Sousa ao Brasil.

Um ano de vida?

A julgar por aquilo que vem veiculado na Imprensa, a Cimeira Europeia e o acordo alcançado em nada vieram trazer de positivo para a moeda unica.
Ao que parece a Moody´s prepara para cortar o rating de alguns países da Zona Euro logo no príncipio do ano, dando assim uma espécie de presente pela entrada em 2012.
A situação italiana e espanhola é bastante grave e ao que tudo indica vai ser necessário intervenção do FMI nestes dois gigantes europeus. A acontecer será o fim do euro, como já avisaram vários dirigentes europeus.

Não se percebe no entanto, a importância que estas agências têm no mercado europeu, ainda por cima sendo a sua sede nos Estados Unidos levanta maiores suspeitas. Era importante que uma entidade europeia tratasse de regular estas questões relacionadas com o rating. Mas na cimeira nada foi decidido.

Já há notícias de países que estão a imprimir moeda local, antecipando uma eventual quebra do Euro.

Perante isto, e tendo em conta que 2012 será um ano de recessão para a zona euro, estamos em crer que o fim do euro começou mesmo quando a Grécia pediu ajuda financeira ao FMI. Podemos andar de cimeira em cimeira ou de tratado em tratado que tudo terá de pensado de novo e construído de raiz.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Se dúvidas houvessem. Ou então Britain Save Euro....

12 - A Restauração da Independência

Chegamos então a um tema que tem enorme importância na nossa história mas que infelizmente vai deixar de ser festejada como feriado nacional. Infelizmente para os Monárquicos ainda resistentes e com indiferenção relativamente aos Republicanos.
Mas aqui não vamos discutir isso até porque já foi dissecado noutras ocasiões.

A Restauração da Independência deu-se a 1 de Dezembro de 1640 quando os Conjurados tentaram recuperar a independência nacional que estava sob o domínio filipino havia já alguns anos. Foi em 1581 que Filipe II de Espanha foi aclamado Rei jurando os foros, privilégios e mais franquias do Reino de Portugal.

Um dos primeiros sinais de descontentamento foi a revolta portuguesa contra o centralismo castelhano, na recusa do regimento português de obedecer às ordens do Marquês San-Germano.

O dominio filipino bem como a revolta dos portugueses serão analisadao em post autónomos mas convêm frisar que devemos muito a todos aqueles que lutaram para que o dominio espanhol no nosso território tivesse os dias contados e acabados.

Sendo assim esta foi sem duvida alguma uma data marcante e muito importante na história de Portugal e que para sempre será recordada como o dia da vitória.

Próximos post : 26 Janeiro - Restauração; 27 Janeiro - Domínio Filipino

domingo, 11 de dezembro de 2011

Olhar a Semana - A Pen vai para Bruxelas

Esta semana muito se falou da Europa, do futuro do Euro, da crise da União Europeia e da situação de Portugal.
Com a tão esperada cimeira do tudo ou nada a dominar a agenda informativa e opinativa, ficámos com a confirmação que a nossa soberania terá de ser partilhada com Bruxelas segundo a Lei de Merkozy.
Das medidas anunciadas e que não tiveram o apoio do Reino Unido salta à vista a imposição de um limite constitucional da dívida pública situada nos 0,5 %. Digamos que é uma medida impossível de cumprir e que será violada por todos. Alemanha incluido.

A mais gravosa e que será alvo de grande discussão a nivel interno é o facto dos Orçamentos de cada país terem que ser inspeccionados minuciosamente por Bruxelas antes de serem aprovados nos Parlamentos Nacionais. O que quer dizer que em caso de governos de maioria relativa, o Partido na oposição terá obrigatoriamente que votar a favor do diploma, porque Bruxelas assim o decidiu. O mesmo vale se lá em cima rejeitaram o proposto pelo Governo. Ora, a discussão em torno do OE e as medidas alternativas que serão propostas acabarão por ser desnecessário porque já estará tudo decidido quando a pen estiver em Lisboa. Após o OK ou a nega de Bruxelas tudo o resto será mero formalismo. Acaba-se assim com o jogo democrático e a especulação que estes momentos trazem à vida política portuguesa.

Estamos assim perante uma enorme perda de soberania ou de alguma autonomia financeira, ainda não sei bem qual delas é que descreve melhor a situação que teremos de enfrentar num futuro muito próximo, já que o clâ Merkozy promete alterações ao tratado já para Março.

Assim, e perante o cenário colocado, o melhor é enviar um email para Bruxelas em vez de inserir tudo na Pen.

HINOS NACIONAIS


Os hinos nacionais definem os povos. "Deutschand uber alles/Uber alles in der Welt" (Alemanha sobre todos/ Sobre todos no mundo). A Canção dos Alemães é um hino à megalomania e à sobranceria. Um hino de conquista e de hegemonia. Um povo que se julga o maior. Que se julga mais que o mundo. Que julga que o mundo são eles. Um povo que sempre ganhará mesmo perdendo. Já os britânicos colocam tudo em cima da rainha. Uma visão simbólica e salvífica da pátria. "God save our gracious Queen/Long live our noble Queen". Havendo rainha está tudo safo. Uma redenção sebastiânica de ilhéus enovoados pelas brumas de Avalon. As aspirações estão na rainha. A rainha está City. Os italianos, esses, alegram-se pelo simples facto de poder ser um país. Coisa que, diga-se de passagem, não foi nada fácil. "Frateli d'Italia/L'Italia s'è desta" (a Itália levantou-se). Roma há muito se perdeu no passado. Os italianos orgulham-se de estar levantados depois de tantas invasões bárbaras. Na França, a Marselhesa é bem reveladora da confusão mental dos franceses. Um povo que "tem o rei na barriga". Julgam-se grandes e são apenas chauvinistas. Um povo convencido e desconfiado que vê maquinações em todo o lado. "Tremei tiranos! e vós pérfidos/O opóbrio de todos os partidos/Tremei! vossos projectos parrícidas". Uma semântica só para gauleses entenderem. Já a Espanha é um paradoxo (ou talvez não). Ora sentimental, ora irreverente. Ora violenta, ora poética. A Espanha não tem um povo. Tem vários. Talvez por isso, o hino não tem letra. Assim todos podem assobiar. Portugal é um país de contra-ataque. "Às armas, às armas/Contra os canhões marchar, marchar". Portugal deixa-se invadir e só depois dá o contra golpe. Um povo de guerrilha e de emboscadas, na melhor tradição de Viriato. Os hinos são isso mesmo: a auto-análise de um povo. Uma síntese da genética nacional.
Jorge Pinheiro
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