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domingo, 4 de janeiro de 2015

2014... um ano negro.

Num ano em que morreram mais de 7000 pessoas infectadas com o Ébola...
Num ano em que ocorreram, para além de muitos outros, três acidentes de aviação envolvendo o Grupo AirAsia e Malaysian Airlines...
Num ano em que se registaram centenas de naufrágios envolvendo emigrantes clandestinos, nomeadamente no mediterrâneo e às portas da Europa...
Num ano em que, depois da aclamação e do regozijo pela Primavera Árabe, surge o o "inverno árabe" com flagelo e a morte impiedosa pelas mãos do Estado Islâmico...
Num ano em que conflitos como os que ocorrem na Ucrânia ou ocorreram na Faixa de Gaza 'ceifaram', entre inúmeros inocentes, milhares de vidas...
Num ano em que Portugal regista o vergonhoso e inqualificável número de 40 mulheres mortas em resultado da violência doméstica...
Eis que 2014 se torna, igualmente, um ano de muitos e tristes desaparecimentos:
em Portugal (ou em Português)
  • política: Soares Carneiro (candidato da AD às presidenciais de 1980); Meneres Pimentel (ex provedor da justiça); Veiga Simão (ex ministro); Medeiros Ferreira (ex ministro) e dois militares de Abril (Pires Veloso e Vítor Crespo).
  • jornalismo: Miguel Gaspar (jornal Público); Rui Tovar (RTP); Emídio Rangel; Alexandra Vieira (RTP); Fernando Sousa (SIC); Nuno felício (Antena 1).
  • personalidades: D. José Policarpo; Anthímio de Azevedo (meteorologista); Sousa Veloso (eng. - Tv Rural).
  • cultura: Vasco Graça Moura (escritor e ensaísta); António Montez (actor).
  • desporto: Eusébio e Mário Coluna.
lá fora
  • política: Ariel Shalon (ex primeiro-ministro israelita); Adolfo Suarez (ex primeiro-ministro espanhol); Eduard Chevardnaze (ex ministro russo e presidente da Geórgia)
  • jornalismo: 60 jornalistas morreram por motivos relacionados com a profissão (a maioria cobria temas como política, guerra e direitos humanos).
  • personalidades: Maya Angelou (activista)
  • cultura: Pete Seger (músico); Paco de Lucia (músico); Seymour Hoffman (actor); Mickey Rooney (actor); Robin Williams (actor); Lauren Bacall (actriz); Gabriel García Márquez (escritor e jornalista); Joe Cocker (cantor).
  • desporto: Di Stéfano (futebolista); Luis Aragonés (ex seleccionador espanhol futebol).

domingo, 28 de dezembro de 2014

"Olhar a Semana...": as 52 semanas de 2014

Flashback Portugal 2014
Chegados ao final de mais um ano é inevitável recordar alguns dos momentos mais marcantes de 2014. Não nos podemos queixar da “riqueza” factual e de acontecimentos durante este ano que agora termina.
A Política em 2014. As eleições europeias marcaram uma aproximação entre as duas grandes forças políticas europeias: o Partido Popular Europeu e o Partido Socialista Europeu. Mas o acto eleitoral de 25 de maio ficava marcado pelo crescimento dos grupos mais extremistas, radicais e antieuropeístas. Em Portugal, as eleições para o Parlamento Europeu resultaram numa crise interna no Partido Socialista que não descolou do PSD/CDS e colocou em causa a liderança de António José Seguro. Apesar da sua característica europeia os resultados eleitorais de maio tiveram um forte impacto nacional. O PS, mesmo tendo sido o partido mais votado (e ter ganho as eleições), foi o que mais “sofreu” com o processo eleitoral: a inovação do processo das primárias para a escolha do candidato socialista a primeiro-ministro, em 2015, resultou na destituição de António José Seguro e na confirmação de António Costa à frente dos destinos dos socialistas. Além disso, 2014 ficou marcado pelas trapalhadas governamentais surgidas nos ministérios da Justiça e da Educação, através do novo mapa judiciário e da polémica envolvendo o programa Cituis, ou da surreal colocação de professores no início de mais um ano lectivo. Inacreditavelmente, os dois ministros “sobreviveram”.
A Economia em 2014. O ano é marcado pelo fim do programa de ajuda externa e a saída da Troika. O Governo mantém o discurso da recuperação financeira e económica do país, mas a UE, mesmo após o fim do resgate mantêm-se preocupada quanto às reformas necessárias para a consolidação das contas públicas e a melhoria da economia nacional. Entretanto, em 2104, Portugal terá despendido mais de sete mil milhões de euros com encargos com a dívida (juros e comissões no âmbito do empréstimo de resgate). Mas o colapso do BES, considerado o maior banco português, marcou definitivamente todo o panorama financeiro nacional com a queda da instituição bancária tida como o motor da economia portuguesa e a queda do maior mito da gestão bancária, Ricardo Salgado, envolvido numa teia infindável de ilegalidades e crimes, bem como numa guerrilha familiar. E o fim da influência do “dono disto tudo” (apresentando agora como “vítima disto tudo”) não teve apenas impactos no BES. Entre muitas empresas há a destacar, por exemplo, os danos colaterais provocados na PT e na Oi com as demissões de Henrique Granadeiro e de Zeinal Bava, e a incerteza quanto ao futuro da empresa de telecomunicações até então intocável.
A Justiça em 2014. Este foi, clara e indiscutivelmente, o ano do poder judicial. Com vários processos ainda em curso, como por exemplo os do BPP e BPN, o primeiro “abanão” da justiça veio através do acórdão do processo “Face Oculta”: o Tribunal de Aveiro condenou o antigo ministro e ex-vice-presidente do BCP Armando Vara é a cinco anos de prisão efectiva, o ex-presidente da REN José Penedos a cinco anos de prisão efectiva, em cúmulo jurídico, e o sucateiro Manuel Godinho a 17 anos e seis meses de prisão. Pouco tempo depois a ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues é condenada a três anos e seis meses de prisão com pena suspensa, por prevaricação de titular de cargo político. Pelo meio surgia o caso dos Vistos Gold envolvendo cúpulas da administração central e que levou à demissão do então ministro da Administração Interna, Miguel Macedo. Não esquecendo ainda o arquivamento, por falta de provas e eventual prescrição, do processo da aquisição dos submarinos e que envolvia o nome do ministro Paulo Portas; ou ainda a total trapalhada do caso Tecnoforma que levou Pedro Passos Coelho a surreais “cambalhotas explicativas”. Mas a confirmação de que algo (resta saber se positivo ou não) estava a mudar na Justiça portuguesa surgiu nesta parte final do ano, no âmbito da operação “Marquês”, com a detenção nunca imaginada (nem vista) do ex-primeiro ministro José Sócrates, actualmente detido no estabelecimento prisional de Évora, em prisão preventiva, enquanto se desenrola a fase de instrução e o culminar das investigações. Processo que funde a justiça com a política, por mais que se queira delimitar as duas realidades: o envolvimento de ex-governante e ex-político; a “originalidade” na detenção de um ex-primeiro ministro; os impactos político-partidários que podem, eventualmente, influenciar as próximas eleições legislativas; entre outros. Mas não queiram, alguns, partidarizar a acção judicial, sendo que qualquer ‘vanglorização’ face aos acontecimentos acaba por ter o reverso da medalha. Basta que olhemos para outras investigações em curso envolvendo figuras políticas relevantes (Paulo Campos, PS; Filipe Menezes e Marques Mendes, PSD; como meros exemplos).
Que 2014 foi o ano da Justiça, pelas mais diversas e distintas razões, não haja qualquer dúvida.
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