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domingo, 27 de novembro de 2016

Olhar a Semana - O fim da história

O falecimento de Fidel Castro representa o início do fim do poder nas mãos de figuras que foram responsáveis pela história política na segunda metade do século XX.

O líder cubano foi responsável pela criação e manutenção do actual regime socialista e comunista. O desaparecimento de Fidel não significa alterações em Cuba, mas servir para alguns líderes políticos perceberem que não vão eternamente no poder. Fidel fez parte de uma geração que conseguiu conquistar os objectivos através de revoluções e discursos anti-sistema, como aconteceu com Nelson Mandela e muitos líderes em países africanos. 

Nesta altura, já sobram poucos, sendo que, a maioria ainda se mantém no poder. 

A história política do Mundo está a mudar com o desaparecimento destas figuras que "nasceram" após a segunda guerra mundial e a guerra fria, além da necessidade dos países europeus terem que se livrar das antigas colónias. 

Os "velhos" líderes estão a ser substituídos por pessoas com carisma, que continuam a ter discursos anti-sistema para justificar as acções. O problema é que muitos estão a ser vítimas da importância da comunicação social. Um elemento que não tinha influência há 40 anos....

domingo, 20 de novembro de 2016

Olhar a Semana - Todos os números jogam a favor de Costa

Os ventos correm a favor do governo socialista. Nesta semana todos os números económicos reforçaram a posição do executivo, pelo que, não é estranho que as sondagens sejam favoráveis a António Costa.

O governo socialista está a recolher os frutos do trabalho realizado pelo anterior executivo. A redução do défice resulta num grande esforço efectuado desde 2011, assim como os níveis do desemprego. 

O único factor que pode ter sido mérito total do actual governo é o crescimento da economia. As reformas levadas a cabo são o único trunfo de António Costa. Também é verdade que a saída do procedimento de défice excessivo anunciada pela Comissão Europeia e a não existência de sanções têm mão dos socialistas. 

Como as notícias surgiram todas ao mesmo tempo, ninguém vai conseguir saber quais foram os verdadeiros méritos do actual executivo, pelo que, Costa fica com todos os louros. 

Os anúncios desta semana taparam as dificuldades sentidas pelos socialistas na elaboração do Orçamento para 2017 devido ás exigências do PCP. Os comunistas vão ceder apenas mais uma vez, não estando previsto mais cedências, já que, no final do próximo ano haverá eleições autárquicas onde o PCP costuma fazer campanha eleitoral contra o governo. 

Numa altura em que tudo corre bem a favor de Costa, veremos se a arrogância demonstrada por Sócrates durante alguns anos também vai atingir o actual primeiro-ministro.

domingo, 13 de novembro de 2016

Olhar a Semana - A utilização da tecnologia

A semana fica marcada por vários acontecimentos em que se revela o poder da comunicação. 

A realização da Web Summit, a vitória de Trump nas presidenciais norte-americanas e a entrega de Pedro Dias à autoridades policiais têm como aspecto comum serem acontecimentos provenientes da força que a internet tem nos nossos dias.

A Web Summit é um acontecimento mundial que se realizou pela primeira vez em Lisboa. O mundo dos negócios tem mais impacto no mundo virtual, sendo possível, divulgar projectos e arranjar sustentabilidade sem estar cara a cara. As entrevistas presenciais são cada vez mais desnecessárias. Numa altura em que a tecnologia pode ter tirado alguns empregos e aberto uma crise em vários sectores, também não há dúvidas do crescimento de empresas que estão totalmente presentes na rede. 

A vitória de Trump na corrida à Casa Branca também se deveu aos meios de comunicação social. O empresário apostou forte nos media para passar as ideias que tinha para a presidência. A duvida é saber se a comunicação social continuará a ter acesso ao Presidente como aconteceu no mandato de Barack Obama. Ainda é cedo para perceber qual será a linha traçada, mas as eleições ficam marcadas pelo envolvimento das redes sociais na campanha.

Por fim, o grande acontecimento em Portugal foi a detenção de Pedro Dias que andou fugido durante quase um mês. O fugitivo também utilizou a comunicação social para se entregar, já que, falou à RTP para registar a ocasião. Isto tudo sucedeu no dia da grande eleição, talvez para desviar as atenções do que se passava nos Estados Unidos. O momento só podia ter sido escolhido por Pedro Dias com o intuito de ser mais importante em Portugal que Clinton ou Trump. 

As três situações descritas revelam a importância da comunicação social e da tecnologia, sendo que, todos os actores utilizaram-na para passar a mensagem. 

domingo, 6 de novembro de 2016

Olhar a Semana - Surpresa

A semana termina com incerteza relativamente ao vencedor das eleições norte-americanas. Apesar da tímida vantagem de Clinton, ninguém arrisca um prognóstico para a próxima terça-feira.

Iremos ter uma eleição renhida e interessante até final da noite para saber quem será o próximo Presidente dos Estados Unidos. Quem vencer terá legitimidade para ocupar o cargo, mas o escrutínio vai ser constante por causa das polémicas que envolveram os dois candidatos durante a campanha. Se Clinton tem alguns problemas com a ética na política, Trump fala demasiadamente mal para quem quer ser candidato à presidência. 

A decisão está nos eleitores norte-americanos. As análises que se fizeram no mundo inteiro já não servem porque é a população americana a escolher. No último ano, o Mundo posicionou-se contra Trump, mas também não gosta de Clinton, embora a democrata encaixe mais no perfil de Chefe do Estado porque o republicano diz verdades que ninguém gosta de ouvir ou costuma engolir.

A entrada de Barack Obama na campanha também revela desespero por parte dos democratas. O actual Presidente podia ter ficado de fora, mas sente que a colega precisa de um último empurrão. Nas várias intervenções que fez, Obama esqueceu-se que ainda é o líder de todos os norte-americanos. 

Os elementos para uma grande noite eleitoral estão todos reunidos, restando saber quem fica a sorrir e a chorar.

domingo, 23 de outubro de 2016

Olhar a semana - A insatisfação dos sindicatos

Os primeiros sinais de descontentamento dos sindicatos contra o actual executivo surgiram neste semana por causa do não aumento dos salários dos trabalhadores da função pública. 

A reivindicação de sempre não está a ser ouvida pelo governo que iria acabar com a austeridade e baixar-se perante as exigências dos sindicatos. Afinal há mais espinhos do que rosas...

O PCP também vai insistir no aumento de 10 euros das pensões, medida que foi aceite pelo governo, mas abaixo da metade. 

As propostas da esquerda que suporta o primeiro-ministro já não fazem parte das preocupações de Costa, apenas um ano depois da tomada do poder. Os problemas não poderiam ter surgido em pior altura por causa das eleições autárquicas, onde candidatos comunistas vão apelar ao voto com base nos incumprimentos dos socialistas. 

A esquerda reclama mais aumentos e a direita está insatisfeita pelo aumentos de impostos e a manutenção da sobretaxa. De que forma vai escapar o governo?

Talvez fazendo acordos com o PCP para calar os sindicatos, embora a paciência começa a esgotar-se. O chefe do governo começa a ter pouca margem para justificar o não cumprimento daquilo que foi prometido, sendo que, as obrigações com Bruxelas são uma desculpa que o BE e o PCP não engolem. O cumprimento do défice também é pouco porque isso é uma tarefa obrigatória de todos os executivos.

domingo, 16 de outubro de 2016

Olhar a Semana - Ano complicado para o governo

O Orçamento de Estado para o próximo ano não deverá ser chumbado, mas é o primeiro teste de António Costa como primeiro-ministro porque algumas exigências do BE e do PCP, como o aumento das pensões não foram totalmente cumpridas.

Em vésperas de eleições autárquicas também vai subir o tom de contestação contra o governo. A gestão das candidaturas do BE e do PCP tem de ser feito com cuidado para não estragarem a relação com o governo e não deixar que a direita aproveite qualquer problema. 

A única forma do PS manter bloquistas e comunistas calados nos próximos meses passa por estabelecer coligações em várias Câmara Municipais, à semelhança do que PSD e CDS fizeram sempre que estavam no governo. No entanto, isso vai ser complicado devido à actual natureza do acordo entre os três partidos porque não se trata de nenhuma coligação pré ou pós-eleitoral. 

A vontade do PCP manter alguns municípios também impede qualquer aliança com o PS e mesmo com o Bloco de Esquerda. Nunca haverá entendimentos entre comunistas e bloquistas. 

Se o primeiro-ministro conseguir obter uma vitória nas autárquicas e conseguir a aprovação do OE para 2018, a legislatura será cumprida na totalidade. Caso contrário, a pressão para eleições antecipadas começa no final de 2017. Costa também pode fazer uma jogada à la Sócrates e pedir a demissão culpando os partidos pela crise política que se avizinha. 

domingo, 18 de setembro de 2016

Olhar a Semana - Justiça contra política

A operação Marquês parece o processo judicial contra iniciado no Brasil contra Dilma Rousseff com políticos a falarem mal de magistrados e vice-versa. Ora, a entrevista do juiz Carlos Alexandre à SIC incendiou o ambiente entre a justiça e a política, em particular entre o ministério público e o ex-primeiro-ministro. 

Os sucessivos adiamentos patrocinados pela Procuradoria-Geral da República é mais um motivo para José Sócrates fazer barulho. Não se percebe porque razão o arguido ainda não teve conhecimento da acusação, se é que alguma vez será notificado de alguma coisa. Sócrates anda à espera de uma notificação há três anos. Tendo em conta que se trata de um assunto envolvendo um antigo chefe do governo, o processo deveria ser mais célere. Enquanto não conhece o veredicto, Sócrates tem margem para continuar a influenciar o processo por todas as vias, em particular por aquela que gosta mais, a comunicação social. 

O novo membro desta polémica é Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente da República foi metido ao barulho por Sócrates ou meteu-se na confusão por vontade própria. Ninguém sabe. 

Não há ninguém que fique por cima do outro. Ou seja, nem os agentes da justiça ou o político em causa podem apontar a culpa ao outro lado, sendo que, a comunicação social, e não as redes sociais, serve de veículo para transmitir a mensagem. 

Impressiona a forma como Sócrates tenta condicionar a justiça, mas o pior é a justiça se ter deixado entrar nesse jogo. 

Sem dúvida que já faltou menos para igualarmos o Brasil.

domingo, 11 de setembro de 2016

Olhar a Semana - Autárquicas

Nesta semana tivemos notícias sobre candidaturas à Câmara Municipal de Lisboa. 

A imprensa pressiona Pedro Santana Lopes a decidir, enquanto Assunção Cristas anunciou que vai concorrer à principal autarquia do país.

O PSD tenta lançar Santana Lopes em Lisboa e o CDS confia na candidatura de Assunção Cristas. Ora, os sociais-democratas podem ter um bom candidato para colocar em causa as actuais obras na cidade de Lisboa. Não existe justificação para a capital se ter transformado num estaleiro. O avanço de Cristas não é uma boa jogada apesar de ser uma forma de testar a popularidade da nova líder. Durante um ano, Cristas vai ter que falar para os eleitores lisboetas quando se pretende conquistar votos em todo o país. Não sou adepto desta forma de fazer política. 

O primeiro-ministro já disse que o PSD não volta ao governo. Costa tem a certeza que as actuais políticas vão resultar. Ou seja, não haverá demissão se as autárquicas correrem mal aos socialistas. 

domingo, 31 de julho de 2016

Olhar a Semana - Protegida pela elite

A Convenção Democrata demonstrou que o Partido Democrata vai dar o corpo às balas por Hillary Clinton para disfarçar alguns problemas de popularidade. 

O apoio de Barack Obama será muito importante porque o actual presidente norte-americano ainda tem níveis alto de aceitação junto da população. Numa altura em que a Casa Branca pode ficar entregue a alguém que não reúne as características essenciais de um Chefe do Estado, a mensagem de Obama tem mais impacto do que a da candidata. No entanto, a grande novidade surge do lado de Bernie Sanders.

Durante as primárias, o senador do Vermont prometeu ir à Convenção para defender as ideias da campanha, mas houve uma reviravolta devido à influência de Obama. Neste momento, a mensagem tem de ser sempre a mesma e Sanders foi claro quando disse que a vitória de Clinton seria importante para evitar que Trump conquiste o poder. 

Na Convenção de Filadélfia verificamos que Clinton continua bem protegida pela elite democrata, o que será fundamental nas alturas em que Trump estiver ao ataque. De facto, os democratas responderam muito bem aos ataques dos republicanos que pediam a prisão da candidata por causa do escândalo do email. 

A entrada em cena de dois antigos presidentes democratas, um deles é Bill Clinton, é um trunfo sobre o adversário que não tem qualquer ex-presidente republicano consigo. 

Apesar de todos os erros cometidos, dos escândalos que surgiram em público e da falta de popularidade, Clinton tem garantida a defesa por parte dos aliados, preocupando-se apenas em fazer passar a mensagem nos comícios. 

domingo, 24 de julho de 2016

Olhar a Semana - A Convenção da desilusão

A semana política fica indubitavelmente pela Convenção Republicana que confirmou Donald Trump como o candidato do partido à Casa Branca, embora por razões negativas do que positivas. 

A maioria dos oradores optou por discursos vingativos que falar sobre os problemas do país e do Mundo. Não se entende a forma como alguns republicanos pediram a prisão de Hillary Clinton. O Partido Republicano tem de fazer muito melhor e a culpa não é só de Trump, quando há generais que vão ao palco para dizer que a candidata democrata deve ser detida. 

A Convenção também teve mais dois momentos negativos. Em primeiro o discurso de Melania Trump que foi copiado de Michelle Obama e a vendetta por parte de Ted Cruz. Durante o segundo dia não se falou de outra coisa senão do plágio de Melania, enquanto no encerramento o tema recorrente era o não apoio de Cruz a Trump. 

Não admira que o Partido Republicano esteja em queda. Ninguém discute política nem os problemas dos Estados Unidos. Nota-se que existem várias facções nos republicanos que complica a vida aos principais dirigentes. Paul Ryan e Mitch Mcconnell foram os únicos que tentaram criar um ambiente positivo numa convenção em que se falou mais das ausências do que dos presentes, sendo que, os últimos não estiveram à altura das circunstâncias.

Na próxima semana tem início a reunião dos democratas e Clinton irá tirar partido da diversão ocorrida em Cleveland, o mesmo acontecendo com Barack Obama que vai falar como democrata e não Presidente dos Estados Unidos. 

domingo, 17 de julho de 2016

Olhar a Semana - A culpa é do Brexit

Desde que os britânicos votaram na saída do Reino Unido da União Europeia que o Mundo tem sido alvo de várias transformações.

A vitória de Portugal no Euro 2016 é uma novidade no desporto, em particular no futebol, mas as grandes movimentações aconteceram com mais um atentado e a tentativa de golpe de Estado na Turquia. 

Os sucessivos acontecimentos mostram que a escolha dos britânicos acelerou alguns processos. Talvez a desunião europeia tenha sido um factor para haver mais um atentado e desestabilizar ainda mais a Europa que já se encontra sem saber o que fazer. No entanto, o que se passou em Nice tem mais efeito na política francesa. 

A Turquia também iniciou um processo de modificação política com a tentativa de golpe de Estado. Os revoltosos conseguiram ser bem sucedidos em alguns aspectos, embora Erdogan ainda esteja no poder. Uma guerra civil naquele país era tudo o que a Europa menos precisa. 

Os primeiros sinais de instabilidade política nalguns pontos europeus foram provocados pelo referendo britânico porque abriu uma janela de oportunidade aos que pretendem uma União Europeia sem saber como reagir aos acontecimentos. 

domingo, 10 de julho de 2016

Olhar a Semana - Heróis do Mar

A presença da selecção nacional de futebol na segunda final da história dos campeonatos europeus é mais um marco positivo no desporto português, em particular na modalidade. No entanto, a forma apaixonada com que se vive o futebol em Portugal não deixa ninguém indiferente ao momento, mesmo os que não apreciam futebol. 

A união em torno da selecção nacional foi algo conquistado durante os últimos anos, num país onde o clubismo é mais forte do que a equipa das quinas. Os meios de comunicação social tiveram um papel fundamental em promover o afecto à marca Portugal. É verdade com que algum excesso, mas o que se passa no nosso país já acontece noutros sítios. Note-se como a Islândia ou o País de Gales foram recebidos após a participação no campeonato da Europa.

As vitórias desportivas por parte de atletas portugueses são raras devido a uma política desportiva errada e pouco ambiciosa. O futebol pode dar um empurrão para haver vencedores num país que praticamente não tem heróis a não ser Amália Rodrigues, Eusébio e Cristiano Ronaldo. De facto, o país precisa de mais heróis do mar que façam o nobre povo estar unido em torno de algo para fazermos uma Nação mais valente, que seja Imortal perante os outros. 

O momento histórico só chega com a vitória porque a derrota volta a colocar todos no 8. Contudo, hoje é o dia para o "quase" deixar de ser o nosso destino. 

domingo, 3 de julho de 2016

Olhar a Semana - A oportunidade perdida de Boris Johnson

O Brexit ainda não produziu efeitos na União Europeia, mas já provocou mudanças nos dois principais partidos britânicos. Nos conservadores a corrida para a liderança já começou com inúmeras surpresas, enquanto os trabalhistas continuam a tentar demitir Jeremy Corbyn para justificarem a realização de eleições antecipadas e voltar ao poder após 6 anos de ausência e duas fracas lideranças. Neste momento, o homem que tem protagonismo dentro do Labour é Tony Blair.

Nesta semana, os britânicos ficaram a saber o quão pouco vale Boris Johnson enquanto político. Após uma excelente campanha a favor do Brexit, o antigo presidente da Câmara de Londres tinha tudo para ser o candidato da facção que venceu o referendo. No entanto, a decisão de Michael Gove acabou com as esperanças de Johnson. As más línguas no Reino Unido dizem que o problema foi a candidatura de Theresa May, mas o golpe do ministro da Justiça foi mais fatal. 

Os britânicos e os seguidores da política ficaram a saber que Johnson não tem coragem para enfrentar desafios difíceis e tentar contrariar o favoritismo de May e Gove, perdendo uma oportunidade única de chegar ao poder. Não haverá segunda oportunidade nem melhor momento como este. 

A inteligência de Gove que soube aproveitar a campanha pelo Brexit foi acompanhado por um acto de cobardia política ou falta de coragem de Boris Johnson. 

domingo, 26 de junho de 2016

Olhar a Semana - Clube dos Seis

A resposta da União Europeia à vitória do Brexit foi marcar uma reunião entre os países fundadores da União Europeia. É verdade que haverá reuniões com os 27 na próxima semana, mas o primeiro sinal dado foi negativo. Não há dúvida que os países que mandam na União Europeia não querem ondas provocadas pelos outros países. Neste momento, a dupla Hollande-Merkel controla os corredores europeus, só aceitando países que estejam alinhados. O mesmo é dizer que os contestatários não têm lugar no clube europeu, como sempre aconteceu com o Reino Unido.. 

O Brexit poderá ter contagiado alguns países, sobretudo no Norte da Europa onde o eurocepticismo também é muito forte, o que vai dificultar a acção dos países do centro e sul do continente. No entanto, o que se vai tentar contrariar por via das consultas internas é a forma como o Clube dos Seis domina as instituições e não qualquer sentimento anti-europeu presente nas sociedades nórdicas porque também foi contra isso que os britânicos votaram. 

O denominado Clube dos Seis pretende que a Europa caminhe para o federalismo, mantendo regras iguais para todos, independentemente das diferenças em cada sociedade. Isso não será possível num continente onde cada país defende o seu canto na Europa. Se o Clube dos Seis quer uniformizar legislação, culturas, economias e valores vai por um mau caminho, que não se esgotou apenas na vitória do Brexit. 

domingo, 19 de junho de 2016

Olhar a Semana - O futuro da Europa

O referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia é mais decisivo para a coesão europeia que para a estabilidade política e económica no Reino Unido. O que está em jogo não é apenas a saída de um Estado-Membro, mas as relações que se vão criar. As alianças regionais parecem ser cada vez mais uma realidade no espaço comunitário, em vez de se pensar como uma união. 

Haverá mais desconfiança relativamente às decisões que chegam de Bruxelas e a tendência para criar várias divisões também vai aumentar. 

Não tenho dúvidas que as regras vão mudar, bem como a importância das instituições. Em vez de se caminhar rumo ao federalismo desejado por alguns países, é provável que a desintegração seja a regra devido ao aparecimento de forças anti-Europa com representação parlamentar mais forte, chegando ao ponto de ajudar alguns movimentos extremistas conquistarem o poder em países fundamentais para o desenvolvimento europeu. 

A instabilidade que se vai criar favorece as nações emergentes que olham para a Europa como uma oportunidade para se enriquecerem, mas também originar divisões políticas. Em termos económicos a China pode ficar a ganhar e a Rússia espreita uma oportunidade política com a vitória do Brexit. 

O cenário não é favorável aos europeus por causa destes factores. Quanto aos britânicos continuarão a viver tranquilamente na ilha. 

domingo, 12 de junho de 2016

Olhar a Semana - Dupond e Dupont

A cumplicidade entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro é algo que nunca vimos no passado. Os dois parecem ser da mesma área política quando estão em extremos opostos. Ora, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa parecem viver uma união duradoura. A relação entre os dois é mais do que as obrigações institucionais. No entanto, a paz irá durar pouco devido ao feitio dos dois. 

Apesar das aparências, existe algo que não desaparece, que tem a ver com a personalidade por isso não acredito que a relação dure muito.

Neste momento, Marcelo e António são inseparáveis como eram os famosos detectives da série Tintim. Dupont e Dupond faziam sempre tudo juntos, como acontece com Costa e Marcelo na defesa dos interesses nacionais. Curiosamente os dois também sentem enorme necessidade de aparecer na comunicação social, pelo que, não se estranha a presença dos dois sempre que abandonam os respectivos locais de trabalho. 

A questão é saber quando as posições individuais irão ficar acima dos problemas do país porque os dois provaram que são instáveis. Não tenho dúvidas que a aparente amizade vai ser quebrada no momento em que as leis socialistas não passarem em Belém ou Marcelo mandar indirectas para São Bento.

domingo, 5 de junho de 2016

Olhar a Semana - As várias vozes da União Europeia

Na campanha eleitoral para o referendo britânico sobre a saída da União Europeia, Michael Gove disse que a União Europeia fala a cinco vozes. Nesta semana verificámos que as instituições europeias não estão coordenadas e que cada representante tem uma opinião pública diferente. Não há mal nenhum ter visões distintas, mas o que se passou não augura nada de bom.

O presidente da Comissão Europeia, Jean Claude-Juncker afirmou que a França estaria livre de sanções porque simplesmente é a França. Por seu lado, o líder do Eurogrupo revelou que não havia excepções à regra. Por fim, Martin Schulz veio ao congresso socialista dizer que Portugal não tinha que pagar as sanções.

Na Europa também não há consenso sobre algumas questões importantes, nomeadamente o tratado orçamental. Os líderes das instituições não conseguem chegar a uma solução, estando dependente dos interesses que representam. A Comissão defende a França, o Eurogrupo a igualdade e o Parlamento Europeu está com Portugal. Quem fala a verdade?

Ninguém sabe, mas o mais grave é existir uma troca de argumentos nos media por parte dos responsáveis europeus, sem se sentarem à mesa. A União Europeia está a ficar igual a um Estado com os vários órgãos a caminharem pelo próprio pé, sem se importarem com a colaboração. É verdade que todos têm competências, mas verificamos que cada órgão se quer sobrepor ao outro. 

O bloco europeu está a fragmentar-se em várias uniões. 

domingo, 29 de maio de 2016

Olhar a Semana - Receber os turistas com obras

As recentes obras iniciadas pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, são uma forma de eleitoralismo que prejudica a vinda de mais turistas. Não se percebe porque razão o autarca decidiu fazer de Lisboa um estaleiro. Não fazia mal fazer obras em determinados pontos da cidade de forma faseada, mas mudar o figurino da cidade a um das eleições levanta sempre a suspeita. 

Os milhares de turistas que chegam à capital não devem gostar de ver zonas como a zona ribeirinha ao pé do Cais do Sodré em obras, ao mesmo tempo que têm de aturar o mesmo filme em outras zonas da cidade. Seria mais inteligente fazer uma coisa de cada vez, mas Medina é exactamente como António Costa. Tem medo de perder eleições. O mais curioso é verificar o percurso do actual autarca. Medina também é comentador televisivo enquanto gere uma Câmara Municipal. As coincidências com o actual líder socialista são muitas. É impressionante como alguém consegue ser Presidente da Câmara e comentador da actualidade política. Não há dúvida que Costa actua sempre em primeiro lugar pelos interesses partidários ao colocar Medina como delfim. No entanto, o país verga-se à tomada de poder de um dos políticos mais fracos que Portugal conheceu desde a implantação da República. 

Após as eleições de 2017 não tenho dúvidas que iremos começar a ouvir notícias sobre uma eventual sucessão à liderança do PS por parte de Medina. Nessa altura Costa não vai gostar...

domingo, 22 de maio de 2016

Olhar a Semana - Dos líderes fracos não reza a história

Nos últimos tempos verificamos a ascensão ao poder de vários líderes fracos. Nos Estados Unidos a campanha eleitoral para a Casa Branca foi desastrosa e mesmo que os norte-americanos tenham de escolher entre Hillary Clinton não vão ficar bem servidos. É provável que seja apenas por 4 anos. O pior aconteceu nos primeiros meses em que assistimos a uma falta de qualidade gritante. 

No Reino Unido, Cameron mostra-se um líder forte, mas Jeremy Corbyn continua a ser contestado dentro do Partido Trabalhista sempre que tem uma derrota política. Em Portugal, o primeiro-ministro chegou ao cargo após ter perdido as eleições do ano passado. 

A história não recorda aqueles que perderam ou os que fazem mau trabalho. A situação portuguesa e da oposição britânica diferem do caso norte-americano. Será complicado para os norte-americanos serem governados por Clinton ou Trump. Nenhum apresentou até ao momento qualquer qualidade para ser Chefe de Estado, mas um deles vai chegar ao lugar mais alto da nação. 

Em Portugal o actual governo não deve durar muito e uma segunda derrota de Costa atira-o para fora do Partido Socialista, enquanto Corbyn não consegue ir às eleições gerais no Reino Unido em 2020. Neste caso, nem a saída de Cameron e a mudança de candidato a primeiro-ministro serão suficientes para o actual líder trabalhista vencer. 

domingo, 15 de maio de 2016

Olhar a Semana - Os planos escondidos de António Costa

Nesta semana ficámos a saber que António Costa tem um plano B para acertar as contas orçamentais. A confissão foi feita na televisão, contrariando o que sempre disse no Parlamento. Ora, o primeiro-ministro desvaloriza o papel da Assembleia, mas só para o que lhe convêm, já que, o parlamento deu uma maioria para poder derrubar o antigo governo e estar agora a governar. 

O Chefe do governo tem vários planos para cada situação que enfrentar. Quer o apoio da esquerda, mas não deixa de piscar o olho à direita quando tiver em dificuldades. Na altura em que tem a esquerda a seu lado, critica a direita. Contudo, quando lhe falta o apoio do BE e PCP responsabiliza PSD e CDS. Um jogo de sombras por parte do actual líder socialista para manter o cargo, mas sobretudo, para preparar o discurso nas próximas eleições. Como aconteceu com Sócrates, António Costa nunca vai admitir que errou quando as coisas correrem mal e for necessário ir a eleições. O jogo escondido passa por culpar tudo e todos, à semelhança do que fez Sócrates na altura em que após o chumbo do PEC 4 apresentou a demissão, mas voltando a candidatar-se.

Nos primeiros meses notamos que Costa é um verdadeiro player político, tendo conseguido obter o que queria após as legislativas, mas perdendo claramente nas presidenciais. As questões em torno do orçamento são graves porque todos desconfiam das metas do executivo. Costa confirmou porque razão não há razões para acreditar. 
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