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terça-feira, 26 de maio de 2015

Estaremos mais violentos?

Tem sido foco de atenção (em alguns casos, demasiada atenção) mediática e presença na agenda pública os casos de violência que têm assombrado os últimos dias ou as últimas semanas. Deixo, por razões mais que óbvias, o óbvio (passe a redundância semântica) condenável caso do cidadão agredido por um subcomissário da PSP, frente aos filhos e ao seu pai, em Guimarães, no passado domingo. Apenas uma nota: independentemente da revolta, não faz sentido tomar a floresta pela árvore.
O que me prende a atenção tem a ver com o caso de bullying numa escola na Figueira da Foz tão mediatizado. Só quem não frequentou o liceu nos finais da década de 70 e até meados da década de 80 (incluindo colégios internos) pode achar a situação divulgada como novidade: ofensas corporais, agressões psicológicas, humilhações, suicídios, sempre foram realidades do universo escolar. Uns anos com mais ou menos incidências, num ou noutro ambiente ou numa ou outra região com maior preponderância. E não apenas no ensino secundário se nos reportarmos a realidades noticiadas e outras escondidas no universo universitário. Passe a metáfora semântica sempre houve um “caixa de óculos”, “o gordo que só ia à baliza”, “um minorca”, “um beto”, “a fulana dos dentinhos de coelho”, “o machão com mais fama que proveito”, “a que ia com todos”, “os que fumavam e os que não fumavam”, “o marrão”, o “graxista”, “…”. Contextos de agressão (física ou psicológica), de segregação social, de pressão e chantagem fazem parte da história do ensino e da vivência escolar. Não são exclusividade das realidades sociais de hoje. E digo realidades sociais porque aqui se pode incluir, para além do universo escolar, por exemplo, o universo profissional e o corporativo (a título de exemplo: o militar). Tudo isto é aceitável? Não. Tudo isto deve ser minimizado? Não. Estes contextos devem ser criminalizados? Sempre. Mas a verdade é que nada disto é novidade e consequência apenas dos dias de hoje (com tudo o que isso signifique). Há, no entanto, uma diferença: a da dimensão do mediatismo e a facilidade com que são publicitadas e divulgadas. E esta realidade dá, de facto, uma outra dimensão ao problema. Face às novas tecnologias e ao acesso à internet, um contexto de bullying comporta impactos até há poucos anos inimagináveis e não calculáveis, não só pelo efeito que tem sobre a vítima, mas também pela noção de poder que dá ao agressor e pelo efeito multiplicador. No caso do aluno de uma escola da Figueira da Foz, não bastava o condenável ato em si mesmo, para ser ainda mais criticável a gravação e divulgação do vídeo na rede e nas plataformas sociais. Mas o que também se tornou preocupante foi a reação negativa ao episódio: os muitos que rapidamente vieram a público condenar e criticar o inaceitável ato, acabaram, por força do meio, por terem a mesma postura dos agressores, quer em palavras (ameaças, tom das críticas), quer em atos (divulgação do vídeo – republicação – sem a preocupação em encobrir os rostos dos envolvidos, já que se tratava de menores… algo que tem implicações legais). Por outro lado, a própria comunicação social (aí com o cuidado da divulgação ‘limpa’ das imagens) acabou por dar uma “ajuda à festa” pela forma massiva com que tratou o caso.
É óbvio que tudo isto é condenável, que o bullying deve merecer especial cuidado e tratamento. Mas aí é que reside a questão. É que de ambos os lados da “barricada” a única coisa que se conseguiu foi redimensionar o problema para níveis que não favorecem nada o seu combate. Veja-se, por exemplo, o efeito multiplicador no conjunto de notícias que vieram a público na imprensa, nos dias imediatos, de casos semelhantes, como se não tivesse havido um “ontem” (passado) em toda esta realidade.
Curioso é que não vimos os jovens, pais ou encarregados de educação, comunidade escolar, autarquias, governo/Estado (principais organismos e ministérios relacionados com a problemática), comunidades, autarquias, a tomarem medidas, posições públicas e reforço das políticas de combate à agressão, à exclusão e segregação, à violência, ao bullying. Só nos lembramos de Santa Bárbara quando troveja.
Nota final para os acontecimentos no Marquês, no passado domingo. Por alguma razão cada vez há menos gente nos estádios e a ligar ao futebol. Por mais que queiram fazer ver o contrário, o que se passou é futebol. E é-o demasiadas vezes. Se não fosse não acontecia sempre que o futebol envolve dimensão humana e fanatismos clubísticos. E acontece demasiadas vezes.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Em pleno sec. XXI mas na Idade da Pedra

Tal como o Francisco referiu (e bem) neste post há muito mais que noticiar para além das cheias, caos de trânsito ou as primárias no PS.
Há um país que teima em retroceder e em regressar ao paleolítico.
A guerra traz-nos imagens e realidades cruéis. Facto.
A fome traz-nos imagens e realidades que abominamos e dificilmente compreendemos face aos recursos que existem no mundo e nos países. Facto.
A morte, por mais natural que seja, afigura-se-nos sempre “estúpida”. Facto.
Portugal tem todas as potencialidades para ser um país exportador de serviços de inovação e tecnologia. Facto.
O 25 de Abril de 74 trouxe-nos liberdade, democracia, mais educação, mais saúde, mais emprego (mesmo que a taxa de desemprego esteja a níveis insuportáveis), mais igualdade, mais justiça. Não vale a pena esconder o que era a realidade antes e pós 1974. Facto.
Não consigo entender que em 2014, com tudo o que nos rodeia e nos é proporcionado, cultural e socialmente vivamos, em Portugal, ainda em plena Idade da Pedra.
Factos:
Em seis meses (1º semestre de 2014) 24 mulheres foram mortas e 27 vítimas de tentativa de homicídio (apesar da violência doméstica não ter como vítima exclusiva a mulher).
Tudo isto a juntar a outros dados resultantes de estudos referentes a 2012 e que não vislumbram redução significativa ou, preferencialmente, a sua extinção.
Tudo isto é estúpido, inaceitável, cruel, abominável… e não são apenas os tempos de crise, de desemprego, de problemas financeiros domésticos e pessoais, que sustentam os actos em si.
Há questões nacionais mais prementes que as primárias no PS ou o regresso do mais degradante lixo televisivo que é a Casa dos Segredos. Há questões nacionais que mereceriam um "olhar mais a direito" da comunicação social.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Será?

Viktor Yanukovich e a oposição terão chegado a acordo para criar um governo de unidade nacional até às eleições presidenciais que se realizarão em Dezembro. Pelo menos é isso que está prometido. Apesar das medidas anunciadas a tensão continua e ninguém abandonou a Praça da Independência. A oposição mantêm-se irredutível até porque ninguém solicitou a proibição do actual presidente poder recandidatar-se. E tendo em conta que ele está no poder devido aos votos que teve no oriente do país, pode muito bem acontecer que Yanukovich seja reeleito. 

O que se passa na Ucrânia é exactamente o mesmo que aconteceu no Egipto onde os manifestantes só largaram a Praça Tahrir depois de Mubarak sair do poder. Na altura isso aconteceu devido à pressão dos militares, mas na Ucrânia não há força do exército e Yanukovich está dividido em relação à opinião da UE mas também da Rússia, pelo que não vai ser fácil destitui-lo do poder. Enquanto isso não acontece mais mortes vão acontecer.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Muro de Kiev

A praça da Independência em Kiev parece a Praça Tahrir no Egipto quando foi alvo dos protestos que originaram a queda de Hosni Mubarak. A primavera árabe chegou à Europa mas com proporções gigantescas. Os manifestantes montaram as suas tendas, construíram barricadas e lançaram fogo para mostrar ao mundo que quem manda no país são os apoiantes de uma adesão à União Europeia.

Por seu lado, e apesar das várias tentativas de negociação com a oposição, Yanukovich não consegue demover as pessoas da rua, tal como aconteceu com Mubarak há três anos. Lembro-me que o líder egipcio também anunciava medidas para tentar acalmar o povo, mas este mostrava-se irredutível: só saímos da Praça Tahrir quando Mubarak for embora. Por muito que Yanukovich anuncie acordos com a oposição, faça cedências as pessoas não vão sair dali até o actual presidente sair. O problema é que se o líder baixa os braços a outra parte ucraniana pró-Rússia vai iniciar protestos porque não quer um governo pró-Europa. Tendo em conta os resultados das últimas eleições há quem queira Yanukovich no poder e rejeite os actuais líderes da oposição.

Perante este cenário é provável que Viktor Yanukovic fique no poder até que a situação descambe. O presidente vai lançar o seu exército sobre os manifestantes e depois logo se verá, pelo que o melhor é construir um muro em Kiev para separar territorialmente um país que se encontra dividido politica e socialmente. 


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Moscovo é o responsável

O conflito que se verifica na Ucrânia está relacionado com o apoio dado pela Rússia a Viktor Yanukovich para que este não dê a mão à União Europeia nos tratados comerciais. Estes tratados são vistos por Moscovo como uma possibilidade de Kiev aderir ao clube europeu a breve trecho. Este facto incomoda Moscovo já que isso significa perder um aliado na manutenção do seu poder mundial. 

O facto é que a maioria dos ucranianos quer ser membro da UE, mas os russos que vivem no país temem que isso relativize a sua presença nna Ucrânia. O presidente ucraniano é um aliado de Putin e anti-europeu, mas a oposição alinha pela Europa e não pela Rússia. Embora a oposição tenha chegado a acordo com o presidente recente, não se admite que ontem tenha havido um agravar da violência e lançar o país para uma guerra civil que só vai prejudicar a Europa. 

O poder não ficar nas mãos de Yanukovich mas a oposição responsável pelo cenário de guerra em Kiev também não pode ser responsável pela condução do país. A terceira via nestas situações refazer tudo de novo, mas isso levaria a uma questão pertinente: o novo líder seria escolhido por Moscovo ou pela UE?

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Acabem com a violência gratuita

Concordo com o Henrique Raposo.

O que se passou no último domingo no estádio do Dragão foi vergonhoso. A violência gratuita continua a entrar nos estádios de futebol e nem o equipamento da polícia é capaz de travar alguns energúmenos. Se a polícia não consegue impedir estas pessoas de se portarem bem nos campos, que se feche a porta aos adeptos durante alguns jogos.

No policiamento do último clássico, a PSP utilizou um helicóptero para vigiar a entrada da claque sportinguista. Porque razão tem o contribuinte de pagar o uso de um heli apenas e só para vigiar uma cambada de idiotas? Penso que não há nenhuma explicação para este facto, a não ser a paranóia securitária que as nossas autoridades têm em relação às claques.

É difícil acabar com as claques, ainda para mais quando há presidentes de clubes que financiam os ultras. A melhor de controlar os grupos é permitir o acesso do adepto normal aos lugares destinados a supostos membros de organizações que estão na absoluta ilegalidade. 

As cenas de violência não acontecem por acaso, já que a necessidade de ter espaço mediático leva a alguns excessos. Há situações que são excessivamente relatadas pela comunicação social, no entanto tem de haver medidas que proíbam certas pessoas de frequentar estádios de futebol. Nos dias de hoje a cobertura que é dada às claques é superior ao que se passa no relvado. É desta forma que se cria monstros violentos e dependentes de uma actividade que em tempos foi um divertimento de família. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A história de Malala

Malala Yousafzai é uma jovem paquistanesa que foi atingida na cara o ano passado. Enquanto se dirigida da escola para casa, Malala foi vítima de um ataque. Um militante Taliban disparou contra a cara de Malala. A menina pagou um preço por ter falado sobre o direito das jovens à educação. 

A rapariga oriunda do Paquistão sobreviveu, no entanto o mundo inteiro ficou chocado com a sua história. No dia 9 de Outubro de 2012, a vida desta mulher mudou.

Um ano depois dos acontecimentos, Malala deu uma entrevista à BBC. Em vez de mostrar rancor e vingança pelos talibãs, preferiu seguir outro caminho. 

"o melhor caminho para resolver os problemas do terrorismo é o diálogo". Esta frase é o primeiro sinal dado não só aos Estados Unidos mas também aos que a tentaram silenciar. Acrescentou que os próprios talibãs devem optar pela via do diálogo. Fico pasmado como uma miúda de 16 anos tem esta visão do mundo. Yousafzai poderia optar pelo apoio aos EUA e à morte da organização, no entanto preferiu falar na paz. 

Já sabíamos que matar e torturar pessoas é contra o Islão, pelo que a organização terrorista não actua em nome do islão mas sempre em nome próprio. 

Yousafzai falou nas Nações Unidas em Julho. O seu desejo é regressar ao Paquistão e iniciar a vida política.  O seu desejo é tornar "o Paquistão num país livre".

Ao ter lido as palavras de Malala, lembro-me de Benazir Bhutto, outra mulher que foi silenciada pelas autoridades de Peshawar. Podemos estar aqui perante uma nova defensora da liberdade no Paquistão, contudo o que mais impressiona é a sua calma com que enfrenta a sua própria dor. Além do mais, a capacidade com que fala é notável numa mulher de apenas 16 anos. Malala vai mudar conforme for crescendo, no entanto, tenho convicção que na sua região não haverá o mesmo tipo de crescimento social.

terça-feira, 18 de junho de 2013

e a Copa?

O Brasil está a ferro e fogo. Milhares de pessoas protestam nas ruas de todo o país. A um ano do Mundial, e em plena Taça das Confederações, a resposta do povo brasileiro é negativa. Quando se esperava união até pelo menos o fim dos Jogos Olímpicos de 2016, acontece precisamente o contrário. O sinal dado pela população ao governo Dilma é inequívoco e tem apenas um sentido. 

Ao contrário do que seria esperar de um país fanático por futebol, eis que a revolta popular contra o certame surge. Para além das manifestações em massa, muitos dos estádios que vão acolher o campeonato do mundo ainda estão por terminar, ficando a faltar a realização de testes durante o próximo ano. Seria sensato a FIFA mudar o local do torneio, para que em 2014 não haja confusões com os adeptos estrangeiros que vão invadir o Brasil. Sem segurança garantida e alguns estádios sem tempo para serem testados, há razões fortes para que a FIFA mude de ideias o mais rapidamente possível. Seria uma tristeza o Mundial do Brasil ser marcado por questões de segurança e não pelo futebol jogado, até porque era bonito ver um campeonato onde o povo da casa mostrem a sua verdadeira paixão que têm pelo futebol, ao invés de estarem na rua a protestar. 

Manter ou não a edição de 2014 no Brasil é uma questão delicada que a FIFA vai ter de decidir nos próximos tempos. Para já, os primeiros dias da Taça das Confederações não está a correr nada bem.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Há quem culpe a polícia e o governo....

Este texto de Daniel Oliveira é inaceitável. Não que justifique a violência, como ele escreve, esteve na manifestação e tentou parar os desordeiras, mas porque quer fazer crer que a polícia agiu mal e sob as ordens directas do Governo.

Em primeiro lugar, qualquer pessoa que esteja a ser agredida tem o direito de reagir. Foi o que aconteceu ontem. A Polícia, mesmo tendo o ius imperi, só pode actuar de acordo com as regras. E neste campo, o Henrique Monteiro explica muito bem as directrizes que a Polícia tem de obedecer antes de entrar em carga. 
Naquela situação, todos vimos que a Polícia não podia fazer mais nada senão reagir contra pedradas! Já acompanhei muitas manifestações porque elas decorrem à porta de minha casa e nunca vi pedras a voar sobre a cabeça dos polícias. Se atirar petardos é mau, e a polícia nunca reagiu a isso, o aparecimento de pedras é uma novidade nas manifestações.

Em segundo lugar, a polícia bateu em manifestantes pacíficos  É claro, mas só ficou lá quem quis, porque antes de entrar no terreno, a polícia avisou que ia carregar. E depois é o natural: vai tudo à frente. Mas então a Polícia vai escolher consoante o aspecto? 

Em terceiro lugar, a polícia teve de ir até ao Cais do Sodré porque foi para lá que aqueles que andaram à pedrada fugiram mal viram o movimento dos polícias. Noutros países os manifestantes lutam com a polícia (veja-se o exemplo italiano); cá em Portugal atira-se a pedra e depois corre-se para o pé da mamã. Repare-se que a maioria dos manifestantes são miúdos  Acho indecente como neste país se culpa a polícia por agir em conformidade com o interesse público. Se a polícia não for atrás deles, então aí sim está a pôr em causa a segurança de todas as pessoas, porque na próxima manifestação vai acontecer o mesmo. É impressionante que só neste país é que a autoridade não pode dar umas bastonadas. Sorte a deles que ainda não chegámos ao tempo dos canhões de água e ao gás lacrimogéneo  porque quando chegar estes senhores vão ficar horrorizados. Outro dado levantado. Então mas se no meio da multidão está um grupo desordeiro, como é que se isola esse grupo que se protege precisamente da multidão? É inacreditável. Nem mesmo a polícia mais avançada do mundo consegue realizar tal táctica, até porque ao mais pequeno gesto, os desordeiros desatam a fugir, como se viu ontem...... 

Ao ler o texto fico escandalizado com a parte final. Como não poderia deixar de ser a culpa é do governo. Ora, foi o governo que mandou a polícia provocar os manifestantes, para que estes se revoltassem e assim houvesse distúrbios de forma a que a greve geral fosse ofuscada. No fundo, o plano do governo foi um sucesso porque só se falou nos desacatos e não do mais importante: que foi a greve geral. Esta atitude de criticar o governo chegando ao ponto de o acusar de ter "provocado" os distúrbios é típico da esquerda radical. Confesso que sinto triste com este tipo de texto. Nem Francisco Louçã se atreveria a tanto, no entanto, ainda vivemos num país onde se discute a utilidade da intervenção da Polícia. 

Juro que não percebo, que numa hora difícil para o país não se aplauda o esforço e coragem de pessoas que arriscam as suas próprias vidas para proteger o bem comum, esse valor tão importante para a nossa esquerda.

Concluo com uma questão para análise. Se as manifestações têm originado violência porque razão continuam os sindicatos a insistir nestes protestos, sabendo de antemão que vai haver problemas? Será que dia 27 vamos ter mais pedradas?


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