Na
edição de segunda-feira do Observador, num trabalho assinado pela
jornalista Rita Dinis, existe a referência à disponibilidade de alguns
partidos/movimentos da Esquerda para dialogarem com António Costa,
após este ter vencido as primárias socialistas de domingo passado e
afirmar-se, convictamente, como alternativa ao governo de Pedro Passos
Coelho. Pelos argumentos apresentados quer por Daniel Oliveira (Fórum
Manifesto), quer por Rui Tavares (Livre), não será muito difícil
extrapolar os mesmos fundamentos e as mesmas condições para eventuais
idênticas posições do BE e do PCP.
Só
que esta disponibilidade para o diálogo tem um "preço" (condição): "ou
vira à esquerda ou governa ao centro (bloco central". A decisão está nas
mãos de António Costa, que, há cerca de dois ou três meses, afirmava
que tinha a convicção de conquistar uma maioria ou que o PS não tinha
receio em governar sozinho.
Mas
o que os partidos à esquerda do PS têm é outro problema: a memória
curta. O PS, António Costa, os seus apoiantes, à ala socrática, não
esqueceu ainda o cenário político de 2011, quando a tal esquerda toda
disponível pactuou com a direita, fazendo cair o governo de José
Sócrates e dando o "poder" ao PSD e ao CDS.
Esta tal esquerda parece ter esquecido esse colossal pequeno pormenor.
Eu não acredito que António Costa e o PS tenham esquecido.

