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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Erdogan todo poderoso

As novas reformas constitucionais de Erdogan são uma resposta à tentativa de golpe de Estado de 2016. 

A maior segurança que o Presidente tem para conservar o poder é reforçá-lo através de um referendo que venceu. A Turquia transformou-se num Estado autoritário com as medidas aprovadas. 

O líder turco garantiu legitimidade interna e respeito externo. A comunidade internacional já não tem possibilidade de exigir mudanças porque a população votou favoravelmente às propostas de Erdogan. Os terroristas também devem sentir-se impelidos de atingirem a Turquia, sabendo que vão sofrer consequências. 

Num único acto, o Presidente abafa qualquer crítica à forma como dirige o país. A oposição fica sem meios humanos e financeiros, além de não ter qualquer apoio exterior. Como se viu no recente golpe de Estado, a comunidade internacional não emitiu qualquer condenação contra a tentativa de destituição de Erdogan. 

O único aspecto negativo da vitória presidencial é a possibilidade de se fechar a porta de entrada na União Europeia, mas, neste momento, o melhor é ficar fora do que estar dentro. As novas reformas colocam os turcos mais perto do Médio-Oriente do que da Europa.

A Turquia pode subir ao nível das outras grandes potências que concentram os poderes numa única personagem, como a Rússia e a China. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O maior dilema do mandato de Barack Obama

A tentativa de golpe de Estado na Turquia abriu um enorme problema para Barack Obama. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, colocou o homólogo norte-americano entre a espada e a parede ao pedir a extradição de Fethullah Gulen, que se encontra na Pensilvânia. 

Os Estados Unidos não podem prescindir de um aliado como a Turquia por causa do combate ao Estado Islâmico, mas também porque são o único amigo naquela região do globo, que tanto odeia a bandeira norte-americana. No entanto, se Obama cede às pressões de Erdogan também vai enfurecer a Europa, mas sobretudo, ser responsável por um eventual banho de sangue na Turquia. 

Nesta situação, Obama não pode deixar de decidir, sendo que, qualquer medida será negativa para os Estados Unidos. Ou seja, uma dor de cabeça que nenhum presidente quer ter, e, talvez o maior dilema do mandado do actual presidente em vésperas de abandonar a Casa Branca. A opção de passar o problema para Trump ou Clinton não está em cima da mesa porque a população e o governo turco pretendem rapidez porque é necessário calar a oposição. 

As relações entre a Turquia e os Estados Unidos estão em causa devido à pressão de Erdogan. 


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

As várias facetas da Turquia

A Turquia tem sido um elemento importante na guerra civil síria, bem como no ataque às acções do Estado Islâmico. A forma como Ancara tem estado nos dois lados da questão também tem consequência, sobretudo na intenção de vir a ser membro da União Europeia. Ora, o governo turco não pode querer apoiar algumas organizações e ter o respeito da maioria dos países europeus. Não tenho dúvidas que Erdogan joga em dois campos para conservar os alianças que mantém a ocidente e oriente. 

O território turco tem sido um espaço para milhares de europeus chegarem à Síria, sem que haja preocupação nas medidas a tomar para um eventual regresso de jovens radicalizados. A desconfiança em relação aos curdos não permite mais apoio no terreno contra os guerrilheiros do Daesh. Os únicos que combatem o Estado Islâmico com tropas terrestres são os curdos e o exército de Bashar al-Assad. Se a Turquia oferecer mais apoio os curdos têm mais sucesso no campo de batalha. Também falta um esclarecimento de Erdogan relativamente ao presidente da Síria. Parece haver um apoio pouco visível para não chatear a União Europeia e os Estados Unidos. Ao contrário do que acontece com Moscovo, Ancara não é explícita. 

No plano europeu, Erdogan quer juntar-se à União Europeia, mas continua a mostrar pouca solidariedade e falta de vontade em fazer reformas no país para ser aceite na comunidade democrática. A economia não é um problema, embora as questões políticas mereçam desconfiança por parte dos líderes europeus. 

As várias facetas da Turquia suscitam dúvidas sobre o caminho que quer trilhar. Não pode estar com um pé dentro e outro fora das regras políticas, económicas e sociais exigidas pela Europa do Século XXI. A actual postura também pode custar perder aliados no Médio-Oriente. 
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