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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Despeço-me com amizade... R.I.P. Engenheiro

Sousa Veloso - TV Rural.jpg
Faz parte das memórias... de muitas e muitas memórias. Sejam as da televisão, sejam as de infância e juventude, sejam as relacionadas com razões profissionais (mesmo que familiares).
Não tenho registo de um programa ter durado tanto tempo numa televisão como o TV Rural. Com uma regularidade irrepreensível, dominicalmente, o Eng. Sousa Veloso foi companhia de muitas casas durante cerca de 30 anos (desde 1959).
Resistindo às mudanças fortes das realidades e transformações sociais e políticas (antigo regime, revolução, prec, pós 25 de novembro) acabaria por deixar, no início da década de noventa, um enorme legado sobre tudo o que envolve a agricultura.
familia prudencio - tv rural.png
O TV Rural tinha particularidades significativas: a agricultura, percorrida de lés-a-lés, muitas vezes pelos lugares mais recônditos, era "apresentada" na sua vertente técnica, legislativa, associativa, social e também de forma pedagógica. Era produzido, realizado e apresentado para todos, fossem ou não do sector primário. Quem não se recorda da "Família Prudêncio"?
Aos 88 anos, aquele que foi a imagem exclusiva do Tv Rural faleceu: R.I.P. Eng. Sousa Veloso.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Absurdos do serviço público: despesismos.

Segundo o Jornal de Negócios apurou, neste trabalho da jornalista Ana Luísa Marques e do jornalista Diogo Cavaleiro, a RTP terá conseguido um acordo com a UEFA para o exclusivo da transmissão dos jogos da Liga dos Campeões para as próximas três épocas. Muitos estariam agora a esfregar as mãos mas, em consciência, a "festa" acaba rápido. É que a estação pública de televisão, com recurso a receitas do Estado e dos contribuintes, "ameaçada" inúmeras vezes nestes três/quatro últimos anos com processos de reestruturação, despedimentos e privatização, vai desembolsar cerca de 18 milhões de euros.
Pagar cerca de 6 milhões por época (18 milhões/3 épocas), por uma dúzia (mais coisa menos coisa - 16) de jogos é um absurdo, um exagero, uma má estratégica de gestão concorrencial (ao que a notícia apura este valor é 40% superior à oferta da TVI, actual detentora dos mesmos direitos).
Se a RTP está assim tão cheia de dinheiro, mais vale investir esse valor na sua estruturação e nos seus profissionais.
Ou então, se é assim tão importante o desporto, que invista esses 18 milhões noutras modalidades e nos jogos da Liga Portuguesa... ainda sobraria muito dinheiro.
Péssimo negócio e péssima gestão que o retorno publicitário dificilmente cobrirá.
Mais uma machadada na imagem de serviço público que a administração da RTP teima, em alguns momentos, querer deitar completamente por terra.
Que regresse a Troika, novamente... estamos de novo sozinhos é um tal regabofe de despesismo.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sócrates e José Rodrigues dos Santos: um deles vai desistir

José Rodrigues dos Santos e José Sócrates vão chegar a vias de facto um dia destes. Ontem o ex-primeiro ministro acusou o jornalista de "fazer o papel de advogado do diabo mas de forma pouco inteligente". Por seu lado, JRS considerou que se tratou "de um insulto ao qual não ia responder". No convém não esquecer que Sócrates lembrou ao jornalista que o programa tinha como título "A opinião de José Sócrates". 

A entrada do jornalista para moderar a entrevista foi um erro da RTP porque JRS tem feito um ataque continuado ao antigo PM. Das duas uma, ou JRS está a agir em nome pessoal, ou então, a estação pública arranjou uma forma para colocar o ex líder socialista em xeque. Não sabemos porque razão a RTP mudou de moderador propositadamente, mas uma coisa é certa: a intenção é fazer cair Sócrates. 

Contudo, o antigo PM não quer ser visto como alguém que desiste; por isso é que foi a eleições depois de ter sido o principal responsável pela crise financeira em 2011.Tendo em conta que Sócrates não é homem para cair facilmente, o que temos assistido desde a entrada de JRS é um autêntico debate entre um jornalista e o entrevistado. O que se passou ontem foi um episódio rumo a uma certeza: um dos dois vai desistir porque vai ser impossível continuar com aquele clima de crispação e ataque pessoal. 

Duvido que seja Sócrates o primeiro a abandonar o barco até porque ele acredita piamente naquilo que diz e fez no passado, mas também considero que José Rodrigues dos Santos não deixará de fazer o papel de advogado do diabo porque nota-se que o jornalista está a ter prazer ao colocar Sócrates em riste. Uma coisa é certa, Sócrates está sozinho e ninguém no PS o vai defender até porque ele é uma voz incómoda para o actual líder. Por seu lado, José Rodrigues dos Santos terá o apoio da RTP porque se assim não fosse o jornalista já tinha marchado do programa. 

Por fim, tanto um como o outro estão a prestar um mau serviço público.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

RTP e EDP, duas empresas a crescer à custa do contribuinte

Este tipo de medidas só beneficia as empresas públicas portuguesas governados por "boys" dos dois maiores partidos portugueses. A RTP e a EDP vivem à custa do contribuinte e da vontade política. É inaceitável que as pessoas tenham de dar mais do seu dinheiro a empresas dirigidas por pessoas incompetentes e que nunca tiveram o mérito profissional.

Acho no mínimo estranho, que um governo defensor do fim da RTP esteja agora a alimentar a televisão pública com mais dinheiros dos contribuintes. Além do mais, a EDP, outra empresa com fortes ligações ao Estado vai beneficiar com esta medida, pelo que os preços da electricidade serão mais caros. Eu percebo que Passos Coelho queira salvar a RTP, mas isso devia passar por mais despedimentos e cortes nalguns salários extraordinariamente altos que se verificam naquela estação. 

A partir deste momento, o governo fica sem autoridade moral para querer mexer na estrutura da televisão, porque está a dar argumentos para ela se tornar economicamente mais viável. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Independência dos órgãos estatais

Uma boa solução para a RTP e a Caixa Geral de depósitos é que as dois organismos passem a ser geridas por entidades fora da órbita do governo. A proposta do governo para a RTP devia ser alargada ao banco como forma de impedir a instrumentalização e politização dos dois organismos. 
A privatização não é uma má escolha, contudo para se tornarem independentes basta saírem da órbita do governo. Este é um primeiro passo para que não haja qualquer tipo de pressões susceptíveis de condicionar a actuação da estação pública e do banco que cuida das nossas economias. Qualquer governo deve estar fora da escolha de qualquer administração para evitar qualquer tipo de suspeição. A importância destes dois organismos na vida política e económica do país é enorme, pelo que tem de estar acima de qualquer governo, Primeiro-Ministro ou Ministro da tutela. É errado tanto a RTP como a Caixa serem tuteladas por alguém, antes devem ser presididas. 
A questão que se coloca é saber quem é o responsável pela nomeação dessa entidade. Será sempre o governo, seja ele laranja ou socialista, pelo que voltamos ao princípio da questão. Não se pode pedir transparência total, no entanto o passo que o governo quer dar em relação à RTP já é enorme e vem colocar um ponto final nas questões de imparcialidade. Uma solução semelhante deve ter a Caixa já que nos últimos anos o banco foi gerido por pessoas ligadas aos governos de então. 
Faço uma vénia a Miguel Poiares Maduro que em pouco tempo conseguiu arranjar um solução que Miguel Relvas durante quase dois anos não conseguiu sequer equacionar. 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Seguir o exemplo grego

A ideia de acabar com a televisão pública para criar um serviço público mais eficaz do ponto de vista social mas também financeiro é uma excelente ideia que deve ser seguida cá em Portugal. O fim da ERT decretado pela troika deveria servir de exemplo para todos aqueles que defendem a manutenção da RTP nos actuais moldes. 

Talvez por não ter tido a coragem de fechar o canal público é que Miguel Relvas andou meses a fio a pensar na solução para a RTP, não tendo encontrado um modelo capaz de ser sustentável e que a ideia de acabar com a estação pública tenha passado pela cabeça do anterior ministro. No entanto, isso seria trágico para o governo e a oposição caía em cima de Passos Coelho num instante, já que dificilmente isso seria aceitável na nossa sociedade. Contudo, por força dessa falta de coragem para decidir em momentos críticos é que a crise perdura. Em Portugal é preciso combater determinado tipo de lobbys antes de avançar com uma decisão. 

Tenho a plena convicção que uma reformulação da RTP era benéfica para o país. Não se entende como é que uma empresa gasta tanto no Orçamento de Estado ainda para mais quando recebe dinheiro extra vindo da conta de electricidade. O que aconteceu com a televisão pública grega deveria ser aplicado em muitas empresas portuguesas. 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Sócrates não percebe que ninguém o quer

Não vi a entrevista de Sócrates ontem. Não tenho interesse em ouvir a opinião de alguém que deixou o país de pantanas e além do mais mente descaradamente a tudo e a todos. O país não merece ter que ouvir Socrates ao domingo à noite só porque fartou-se do Professor Marcelo. A RTP devia pensar mais na qualidade dos comentadores do que nas audiências, até porque em primeiro lugar está o serviço público e não a guerra pelo melhor share. 
Do que li da entrevista nada de novo. O habitual em José Socrates, no fundo o fadango do costume. O mais triste é o facto do ex PM ainda não ter percebido que o país, para além de o não querer ver mais, incomoda-se com o seu regresso. Pelo que se sabe as audiências de Socrates foram menores do que as de Marcelo Rebelo de Sousa. O professor venceu a primeira batalha, nesta telenovela que os portugueses irão seguir todos os domingos.

Sócrates parece alguém que quer conquistar o outro mas que não percebe os sinais negativos, no entanto continua a insistir. Lembro-me que o mesmo aconteceu a Pedro Santana Lopes quando se recandidatou à liderança do PSD em 2010, após uma derrota histórica nas eleições de 2005. Com esta sua jogada, o ex lider socialista pode estar a hipotecar a sua candidatura a Belém, no entanto a sua presença vai desgastar a imagem de Seguro colocando em causa a continuidade deste como secretário geral do PS até final do ano. Mesmo que ganhe as próximas eleições internas, até porque não parece que o governo irá cair antes de 2015. Pelo menos enquanto for essa a vontade de Cavaco Silva.

terça-feira, 26 de março de 2013

antecipar o que Sócrates vai obviamente dizer

O ex-PM quebra amanhã o silêncio. Regressado de Paris onde supostamente iria leccionar um curso de Filosofia, José Sócrates vai à RTP explicar tintim por tintim porque deixou Portugal no estado em que se encontra e qual foi a razão que o levou a pedir a intervenção da troika. Mais do que justificar o memorando, Sócrates terá de explicar porque demorou tanto tempo a ouvir os conselhos de Teixeira dos Santos e de dez milhões de portugueses. 

No entanto a entrevista tem um objectivo principal: antes de entrar em cena como comentador político, Sócrates tem de aparecer uma primeira vez para acalmar os ânimos que se exaltaram logo no próprio dia do anúncio.

Sócrates tem muito que explicar, no entanto como é seu apanágio vai fazer de conta que não era nada com ele. Não estou à espera que o antigo PM faça um mea culpa, já que a sua governação foi baseada em erros cometidos por não saber escutar quem estava mais próximo. Sobre a actual situação do país, o ex secretário geral socialista vai naturalmente dizer que está preocupado, procurando encontrar mais justificações e desculpas pela crise económica e financeira. 

Numa altura em que o governo justifica as suas opções com o passado, nada melhor que chamar o passado para responder ainda que indirectamente, às acusações do executivo. Sereno e tranquilo como sempre, com o ar mais sério que o caracteriza e com um discurso muito bem preparado, a entrevista será uma mão cheia de nada, prometendo fazer campanha presidencial apenas e só nos seus comentários semanais.

Sócrates já tinha saudades do país mas o país não estava com saudades de Sócrates, pelo que este regresso antecipado só o vai prejudicar. Os portugueses arranjaram mais um ódio de estimação para além de Passos Coelho. Sorte para António José Seguro passar ao lado da opinião pública, mas isso num lider da oposição que ambiciona ser PM não é nada bom.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A obsessão de Miguel Relvas

A questão da privatização da RTP não tem a ver só com questões de ordem financeira e rigor orçamental. Tem muito mais do que isso. Não falo da tentativa de controlo por parte do governo, mas de um desejo enorme de Miguel Relvas ficar com a pasta da propaganda política. Desde cedo temos visto o braço direito de Passos Coelho empenhado em encontrar a melhor solução de forma a garantir uma superintendência estatal. 
Não me admirava que o destino do actual Ministro depois de ser remodelável fosse a estação pública. Relvas é uma espécie de Joseph Goebbels mas que tem de viver num sistema democrático, logo está sob escrutínio daqueles que o colocaram lá. A sua obsessão em tornar a televisão pública num canal privado levou Paulo Portas a impedir a concretização do negócio. O líder do PP sabe muito bem o que seria deixar Relvas mandar numa estação de televisão, já que não era a imagem do PM que aparecia todos os dias mas a do próprio Ministro. Miguel Relvas tem um sede enorme pelo protagonismo, comparável àquela que Sócrates possuía há uns tempos atrás. 
Enquanto Paulo Portas estiver na coligação, o sonho de Relvas não se cumprirá. Talvez no segundo mandato, o Ministro poderá efectuar o seu plano. 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Fim do Top

Um dos programas mais conceituados e populares de música vai ter o seu fim no final do mês. Um dos programas mais duradouros de sempre e também com recordes de audiências vai acabar. Sou um adepto do Top + já que é o único programa que nos dá música. Infelizmente nos últimos anos tem vindo a "cortar" o seu tempo de duração. Se há coisa que o TOP + fazia era serviço público, verdadeiro serviço público ao apresentar a tabela dos discos mais vendidos em Portugal, no entanto com a queda das vendas discográficas por causa da Internet, este programa já não cumpria o seu papel. É uma pena ver cair um dos programas-ícones da televisão portuguesa, no momento em que assistimos a um corte na despesa. A crise tem destas coisas, o problema é que quando os bons programas acabam raramente voltam. E assim continuaremos sem nenhum programa que nos dê música, a única alternativa viável ao estado de depressão em que nos encontramos.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O motivo para vender a RTP

Neste caso em torno da demissão de Nuno Santos ainda não há dados concretos e tudo se baseia em conspirações e incertezas. Não sei quem e o que é que esteve por detrás da demissão do antigo director de informação, no entanto esta história cheira a Relvas. Se assim for, é mais um caso de intromissão em que o braço direito de Passos Coelho está envolvido, e tendo em conta que é o segundo no mesmo ano envolvendo Orgãos de comunicação social, começam a escassear os argumentos para que Passos Coelho o mantenha no Executivo.

Perante esta dúvida que paira no ar, o melhor é o governo livrar-se o quanto antes da estação pública. Por alguma razão, quando na SIC ou TVI acontece algo semelhante, não há estas suspeitas. O problema aqui tem a ver se descobrimos alguma mãozinha do poder central. Miguel Sousa Tavares afirma que o governo não tem motivos para vender a RTP. Aqui está um bastante importante!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

De confusão em confusão

A história em torno da privatização da RTP é uma autêntica confusão que em nada beneficia o governo. Acho que um dos problemas do governo é a comunicação (ou falta dela), mas também a falta de certeza nas opções que toma. Isto só acontece por falta de experiência revelada por alguns membros do governo que se estreiam nestas andanças, à semelhança do PM, além do mais os membros mais velhos do Executivo não têm sido propriamente uma grande ajuda para os novatos.

À semelhança do que aconteceu com os impostos, a questão da RTP não está resolvida e dificilmente se chegará à melhor solução. O problema é que se a RTP for "privatizada" ao desbarato pode custar muito às pessoas mas também aos cofres do Estado um dia mais tarde, porque pode ser necessário fazer alterações no futuro devido a um erro político que se pode estar a cometer.

Já foram avançadas várias soluções mas nenhuma delas avançou, pelo que é melhor a RTP não ser "vendida" por questões meramente ideológicas e de poupança para o Estado.

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