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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Ninguém ganhou em Portugal e Espanha

As eleições legislativas realizadas nos países ibéricos tiveram praticamente o mesmo resultado. Ou seja, nos dois países a direita esteve no poder nos últimos quatros, desde 2011, e havia uma enorme expectativa para saber se conseguiriam vencer os actos eleitorais após quatro anos de austeridade. O resultado foi o mesmo para os governos que perderam as maiorias absolutas nos respectivos parlamentos. 

O Partido Socialista e o PSOE tentavam regressar ao poder em Portugal e Espanha, mas obtiveram maus resultados eleitorais. Não venceram a direita e os partidos à sua esquerda roubaram votos que se traduzem no redução do número de deputados. No parlamento espanhol, o Podemos só tem menos 21 deputados do que os socialistas. No entanto, António Costa conseguiu ser primeiro-ministro após a obtenção de acordos com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português. Em Espanha, Pedro Sánchez pode conseguir o apoio do Podemos, embora necessite ainda de outro partido para alcançar a maioria absoluta de 174 deputados. A única possibilidade é convencer o Ciudadanos que já mostrou a indisponibilidade de fazer parte de um governo que inclua o Podemos. Caso não consiga convencer Albert Rivera, Sánchez tem de procurar entendimentos com os partidos regionais. Não tem tarefa fácil. No país vizinho, o PSOE não tem um partido comunista para fazer uma geringonça. 

Neste momento a situação em Espanha é mais incerta porque, nem Podemos ou Ciudadanos prometeram chumbar o programa de governo liderado por Mariano Rajoy no parlamento. Em primeiro lugar será feito uma discussão e debate e depois "veremos..."

Os actos eleitorais realizado em Outubro e Dezembro confirmam dois aspectos. Em primeiro lugar nenhum partido conseguiu atingir os objectivos, embora o Bloco de Esquerda e o Ciudadanos tenham sido os partidos políticos mais satisfeitos. Em segundo haverá a necessidade de novo acto eleitoral num curto período de tempo. 


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O azar de Rajoy

Como se sabe José Maria Aznar marcou uma era na política espanhola. Ao ter substituído o socialista Felipe González no executivo, o líder do PP quis abrir uma nova fase na vida do país. Os anos de prosperidade tiveram a marca do ex primeiro-ministro, no entanto as bases foram destruídas por José Luis Zapatero. A direita espanhola teve de refazer o que os socialistas deram cabo.

O mandato de Mariano Rajoy está a ser marcada pela crise financeira. Apesar de Espanha ter evitado o espectro de um resgate semelhante ao de Portugal e da Grécia, as dificuldades de tesouraria ainda são muitas. Além do mais, o actual chefe de governo espanhol tem um problema acrescido: a independência da Catalunha. Em meu entender o governo regional quer enfraquecer o actual líder popular com esta questão. Não estamos só perante uma reinvindicação nacionalista, mas também numa "vingança" pessoal. Não é por acaso que os catalães se lembrarem de accionar todos os meios políticos à sua disposição.

José Maria Aznar apresentou recentemente as suas memórias. Com este gesto, o antigo líder popular abriu a questão de quem é o melhor: ele mesmo ou Mariano Rajoy. O segundo sempre foi um fiel escudeiro do primeiro, no entanto de quem os espanhóis gostam mais é de Aznar. Rajoy não tem firme pulso e é um líder tibuteante, em recorrer sempre ao diálogo em vez de impor as suas opiniões políticas. Se a autonomia da Catalunha vai a referendo no próximo ano é o fim político de Rajoy e o regresso do PSOE ao poder. 

Aznar não volta à política espanhola, até porque em Espanha não é possível uma candidatura à Presidência após a experiência como primeiro-ministro. No entanto, a entourage do anterior primeiro-ministro pode arranjar alguém que faça oposição interna a Rajoy, mesmo antes das próximas eleições legislativas. 
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