Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Passos Coelho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Passos Coelho. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Dos cobardes não reza a história

A demissão de Paulo Portas do Governo significa a queda do mesmo. Apesar da tentativa de Passos Coelho tentar segurar as pontas ao não aceitar a demissão do MNE, a verdade é que o executivo entrou em coma, faltando apenas a sentença de Cavaco Silva para decretar a sua morte. Como o PR tem estado calado durante todo este tempo, ninguém sabe o que vai fazer Cavaco, contudo é de esperar que desta vez, e só mesmo desta vez faça alguma coisa, tome uma decisão seja ela qual for. 

Portas tanto ameaçou que roeu a corda no melhor momento político para ele mas no pior para o país. O líder do CDS sabendo da substituição de Vítor Gaspar quis arranjar um facto político para criar instabilidade e colocar as culpas no PSD. Além do mais, nota-se o descontentamento pelo facto do líder centrista não ter ficado com a pasta das finanças o que lhe daria carta branca para cumprir aquilo que vem defendendo há algum tempo. Na minha opinião esta demissão de Portas trata-se de uma encenação política para se vitimizar e culpar o parceiro de coligação. Lembram-se da famosa AD com Marcelo Rebelo de Sousa?  No próximo fim de semana veremos qual é o estado de espírito do ainda MNE. 

O líder centrista fez mal em demitir-se e abandonar o barco numa altura destas, no entanto esta é uma situação recorrente em Portas e só surpreende quem não está atento aos pormenores. Passos Coelho fez bem em não aceitar a demissão e obrigar Portas e o CDS a assumirem o compromisso de cumprirem o mandato pelo menos até à saída da troika. Aplaudo a coragem de Passos Coelho que não abandona o barco em situação díficil, como fizeram Guterres, Barroso e Sócrates. Para o PM seria fácil pedir a demissão e entregar a responsabilidade a outro, já que o próximo que vier vai durar pouco tempo. Mas não, Passos Coelho não só continua a dar a cara como obriga os outros a continuar o trabalho que está a meio e não pode de forma nenhuma ser travado por uma crise de egos ou birras de miúdos crescidos. 

Voltando a Portas, há quem diga que o líder centrista tem sete vidas, no entanto as suas fugas terão como consequência um resultado mau para o CDS. Como se explica que Portas se candidate a novo mandato no partido e se demita do governo logo a seguir? Para mim é claro como a água. Portas está novamente a brincar aos governos e a fazer uso de uma estratégia para roubar votos ao PSD e voltar a São Bento desta vez acompanhado pelo Partido Socialista. O que Portas não contava é que Passos Coelho lhe pregasse a partida de não ter aceite o pedido de demissão. E agora o que faz o líder do CDS?

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Gaspar, Swaps, Portas e o resto da história

Vítor Gaspar sai do governo após um enorme desgaste causado pela política de austeridade com que brindou os portugueses durante estes dois anos. A sua política fiscal redundou num imenso fracasso que deixou o país à beira de um segundo resgate. Além do mais vai ficar na história as tentativas do ex-Ministro em acertar as previsões económicas, coisa que nunca conseguiu fazer. Apesar do país não aguentar mais austeridade a verdade é que o Ministro sempre se orientou pela sua cabeça, o que não é condenável já que é conhecido a tendência para os Ministros das Finanças governarem consoante a vox populi. É de realçar a independência com que Gaspar conduziu a sua política financeira, ainda que com austeridade a mais e crescimento económico a menos. Há umas semanas, o Ministro avisou que tinha chegado uma nova fase no cumprimento do programa da troika, no entanto Gaspar não fará parte dela. A sua credibilidade internacional e nacional não pode ser colocada em causa, o problema é que Vítor Gaspar não se apercebeu do impacto das suas medidas junto dos portugueses. Tendo em conta que não veio das bases partidárias mas da Universidade, o ex-Ministro demorou a perceber aquilo que era óbvio. A sua preocupação estava relacionada apenas com o cumprimento do programa da troika custe o que custar, independentemente do impacto que as suas políticas teriam junto da população portuguesa. Por se tratar de um técnico e não de um político profissional, Gaspar levou a sua consciência até ao fim. Por isso é que se tramou e já não vai fazer parte da eventual mudança que todos esperamos mas que tarda em chegar. 

A saída de Gaspar é um alívio para os portugueses e uma vitória para a oposição, sindicatos mas também para o próprio Presidente da República que há muito vinha alertando o Ministro. Em meu entender Pedro Passos Coelho sai derrotado e mais fragilizado, porque a saída de Gaspar é o reconhecimento do falhanço da política assumida pelo governo mas também um sinal que algo irá mudar no futuro. Saindo Gaspar após a demissão de Relvas, o PM fica sozinho num governo dominado cada vez mais por Paulo Portas e o CDS. Portas é outro dos vencedores já que sem os dois homens mais importantes de Passos Coelho, passa a número 2 faltando pouco para chegar à sua cadeira de sonho. Nestes termos, Portas fica com margem de manobra para exigir a Passos Coelho o que bem entender e quando quiser. A partir deste momento, Passos Coelho fica refém de Portas até final da legislatura. 

Considero que Gaspar já não tinha mais margem de manobra. Sair agora ou depois das autárquicas era o mesmo para o governo mas não para o país, porque isso implicaria que o OE 2014 fosse desenhado por um Ministro cuja porta de saída estava mais do que aberta. No entanto, não faz sentido o governar nomear como Ministra das Finanças uma pessoa que está implicada no caso das SWAPS. O governo deveria aprender com a saída de Gaspar e não oferecer à oposição mais um motivo para contestação. 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Um governo, dois primeiro-ministros

Passos Coelho contraria a vontade de Paulo Portas e anuncia em pleno Parlamento que não há margem para reduzir os impostos em 2014. Palavra de PM é para respeitar, contudo está aberto mais um conflito dentro da coligação que tem vindo a aguentar-se firmemente desde 2011. Não sei quem tem o ego mais alto, contudo esta guerra CDS-PSD parece feita à medida dos seus líderes. Ora é Passos Coelho quem provoca, ou cabe ao líder do CDS arranjar um tema para colocar entre a espada e a parede o PM. 

Ao haver divergências entre os líderes dos dois partidos, é natural que as duas bancadas parlamentares tenham a mesma vontade de belicismo político existente no seio do Conselho de Ministros. Desde o início da legislatura que são vários casos em que CDS e o PSD estiveram em desacordo, bem como os seus líderes que por acaso coabitam no mesmo governo. O problema é que Portas quer ser Passos Coelho, e o Primeiro-Ministro não dá importância ao seu Ministro, preferindo Vítor Gaspar como aliado das suas lutas. 

O cenário é este: A coligação vai sofrer uma pesada derrota nas autárquicas, sendo que após o desaire é necessário tomar alguma medida em termos orçamentais, daí que Portas tenha lançado a proposta já a pensar no resultado eleitoral. Se a porta para reduzir o IRS estiver fechada, não tenho dúvidas nenhumas que Portas bate com a porta, até porque pressionado pela oposição vai ser obrigado a fazer alguma coisa. Quem ganha com este desentendimento?

quinta-feira, 30 de maio de 2013

fica-lhe mal senhora eurodeputada

Ana Gomes denunciou, a UE investigou. A relação entre a empresa de Passos Coelho, a Tecnoforma e o Centro Português para a Cooperação, que já foi dirigido por Miguel Relvas está a ser alvo de uma investigação por parte do gabinete anti fraude da União Europeia. Quem fez a denúncia foi a eurodeputada e sempre atenta a questões de ética, Ana Gomes. 

A militante socialista, tal como Helena Roseta há uns tempos; decidiu fazer justiça pelas próprias mãos. Já que o PR e o CDS não se decidem a derrubar o actual PM, nada melhor do que bufar cá para fora situações menos sérias em que o Primeiro-Ministro poderá estar envolvido. Não percebo o que pretendem estas duas senhoras com o espalhar das notícias. Com o governo em queda total, é de lamentar este tipo de atitudes, já que o descrédito político do executivo é enorme e não meras notícias que o vão fazer cair. É difícil algum governo cair pelos supostos telhados de vidro do seu PM ou de um Ministro influente. Tal situação nunca aconteceu no nosso país, pelo que não acredito que alguma venha a suceder, a não ser que se tratem de condutas muito pouco claras. O único PM que poderia ter caído devido aos rumores era José Sócrates, que como sabemos resistiu a tudo e a todos, caindo apenas pelo seu quadragésimo PEC. 

Nunca gostei desta forma de fazer política, no entanto esta é uma situação que começa a ser recorrente em Portugal. Lançar a suspeita da honestidade de um PM é fazer jogo sujo, porque não mais se discutem questões de carácter técnico ou político. É verdade que a idoneidade de um governante é matéria relevante, contudo esta só deve ser colocada em causa nos orgãos próprios. É bem verdade que Ana Gomes denunciou em local próprio, no entanto escusava de informar os media das suas queixas. Ficando tudo em silêncio dava maior credibilidade às suspeitas da eurodeputada. Sendo assim, quem fica descredibilizada é a própria denunciante. 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Responsabilizar pela gestão danosa do Estado

Muito se fala em responsabilizar criminalmente aqueles que tiveram responsabilidades governativas e deixaram o país nesta situação. A gestão danosa é um crime, sendo mais grave quando se trata de questões relacionadas com o Estado. 
Responsabilizar os responsáveis pela austeridade cega em que nos encontramos seria díficil, já que apenas se podia apontar o dedo aos Primeiro-Ministros. 
Os governos vêm e vão mas quem paga a factura é sempre o zé povinho, como se costuma dizer. As consequências das irresponsabilidades só se verificam anos mais tarde e numa altura em que não se pode fazer rigorosamente mais nada para se evitar a catástrofe. Geralmente são pessoas bem intencionadas e que pretendem recuperar o país os bombeiros de serviço. Passos Coelho é o bombeiro de Portugal que tenta apagar os fogos que foram criados durante anos na máquina do Estado. A sua missão é de louvar mas impossível de ser compreendida pelas pessoas, é natural que assim seja porque o bolso está cada vez mais vazio e não há maneira de o ver crescer. Quem paga a factura é o que está sentado na cadeira, porque é ele que tem de tomar as decisões mais complicadas. Não o faz de ânimo leve e apresenta-se com cara de poucos amigos. As medidas duras têm de ser implementadas custe o que custar, não para benefício próprio mas porque o país está em primeiríssimo lugar. Não se pode crucificar alguém que com coragem toma decisões difíceis e em nome da colectividade, alguém que procura a todo o custo evitar que o futuro seja bem mais negro. O enorme corte na despesa que se anuncia vai demorar anos a produzir efeitos, os mesmos  que levaram a tornar a situação insustentável. Será duro para todos mas principalmente para aqueles que viveram à grande e à portuguesa à custa do Estado. 

Podem julgar politicamente o PM por inúmeras opções que tomou de forma errada, no entanto não se pode querer a sentença criminal a alguém que tem a coragem de prejudicar a sua imagem em detrimento do que é melhor para o país. 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Parecem um casal de namorados

Tal como era de prever não houve acordo entre Governo e Oposição. O encontro promovido pelo PR resultou numa distância cada vez maior entre os principais protagonistas da nossa política. Estranho a ausência de Paulo Portas, já que embora estando no governo ele é o líder de um dos maiores partidos com assento parlamentar. Era bom que o diálogo também se estenda ao CDS enquanto partido autónomo e não ficar numa conversa entre os dois lados da barricada. 

Não se percebe porque razão tanto Passos Coelho como António José Seguro perdem tempo em reuniões quando já sabem de antemão que não vão concordar um com o outro, parecendo um casal de namorados que tenta reatar uma relação sem sucesso. Embora seja de louvar a iniciativa, o país fica a perder mais com este folclore do que com as expectativas frustradas. Em boa verdade, o governo não precisa do apoio do PS para nada, chamando a si o maior partido da oposição apenas por patriotismo. Quanto a Seguro vai a São Bento para depois fazer o número que tanto gosta: mostrar ao país a irredutibilidade do partido socialista como força que tem as suas próprias ideias e não abdica delas. O problema é que o país já sabe que Seguro não tem uma única ideia, não vê no PS uma alternativa, pelo que estes números de circo são evitáveis por parte do actual secretário geral. No entanto, compreende-se o sentido de oportunismo até porque quem ganha pontos nas críticas ao governo é José Sócrates. 

Sem consenso político é natural que comece a pairar na cabeça de Cavaco Silva o cenário de uma crise após as autárquicas. Este é a hipótese que mais agrada ao Presidente, já que assim ele consegue assumir o protagonismo que tanto gosta. 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

têtê-à-têtê II

Saúdo este encontro bilateral entre Passos Coelho e Seguro. Não estou céptico em relação às conclusões da reunião como o Pedro Coimbra, no entanto considero que não será por aqui que vai nascer o "consenso nacional". Desde logo porque o líder do PS nunca se mostrou disponível para nada, ao contrário do que acontece com o PM. Quem tem o discurso bélico e derrotista como Seguro não pode pedir uma solução nacional para resolver o problema da crise. O líder do PS perdeu a credibilidade política quando apresentou  uma moção de censura a reboque da decisão do TC. 

É bom que Seguro dê alguns sinais de compreensão para cair no goto dos portugueses, se assim não for o povo continuará sem a possibilidade de escolher uma alternativa a estas políticas e o PR vai manter o executivo em funções mesmo que as previsões voltem a falhar, ou numa situação de segundo resgate. 

O encontro vem numa boa altura para fazer marketing político, contudo só será útil caso surja uma solução de futuro. Essas hipóteses são: Ou os dois aceitam um governo de salvação nacional que integre PS, PSD e CDS, mas nesse caso Paulo Portas teria que estar presente. Escolha de uma figura que comandasse o país até às próximas eleições, ou então a saída de Portugal da zona euro. Nenhum destes três cenários parece plausível porque o PM não é homem para desistir e o líder da oposição é demasiado vaidoso para perceber que não tem competência sequer para ser secretário geral de um partido politico. Perante esta indefinição cabe a Cavaco Silva a última palavra. 

Portugal precisava de um consenso alargado sobre os cortes a efectuar para cumprir as metas acordadas e regressar aos mercados de forma plena. O cumprimento destes objectivos "mandaria" a troika para casa já no próximo ano. Infelizmente, e à semelhança do que acontece noutros países europeus, a vontade partidária sobrepõe-se aos interesses nacionais, o que é de lamentar. 

Quem tomou a iniciativa para a realização do tête-à-tête entre Passos Coelho e Seguro?


Pedro Passos Coelho convidou António José Seguro para um encontro a dois, um tête-à-tête que pretende trazer o líder da oposição, e o partido a que este preside, para o grande consenso nacional que se julga necessário para tomar as medidas drásticas que, supostamente, o chumbo do Tribunal Constitucional a algumas normas do Orçamento impõe.
Isto é o que podemos ler na imprensa, é o que nos foi oficialmente comunicado.
Mas terá sido efectivamente assim tão linear e tão simples?
Não creio.
Pedro Passos Coelho convida António José Seguro, eles que têm uma relação no mínimo tumultuosa, para um encontro a dois porquê?
Desde logo, há que perceber que o Pedro Passos Coelho que convida António José Seguro, é o Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal.
Porque se fosse o Pedro Passos Coelho, líder do maior partido da coligação governamental, teria que estar presente nesse encontro o líder do outro partido da coligação, Paulo Portas.
Não o Paulo Portas ministro, o Paulo Portas líder do CDS/PP.
Trata-se, portanto, de um encontro formal entre o líder do governo e o líder da oposição numa altura que o país está confrontado com tantos problemas que é tarefa complicada elencá-los na sua totalidade.
Nesse contexto, dois inimigos figadais têm que se encontrar para tomar um chá amargo.
A primeira pressão nesse sentido partiu, discretamente, do Presidente da República.
Como se esperava, teve pouca ou nenhuma receptividade da parte de ambos.
Em seguida, e atento o mutismo de ambos, veio a ordem.
Esta foi dada de modo bem audível pela omnipresente troika.
A mesma troika que se reunirá com António José Seguro amanhã.
Como poderia António José Seguro apresentar-se com alguma credibilidade perante os representantes da troika se recusasse o convite que lhe foi dirigido pelo primeiro-ministro?
E como poderia o primeiro-ministro ter alguma margem de negociação com a troika se não recebesse o líder da oposição?
A teimosia de um e outro, o profundo desprezo que sentem um pelo outro, tiveram que ser colocados na sombra perante a lei do mais forte.
É bom sempre lembrar a sabedoria milenar de Sun Tzu (A Arte da Guerra) - "estuda o teu inimigo; se o teu inimigo é mais forte, evita-o, evita a confrontação".
E, em bom rigor, o que é que podem os dois protagonistas perder com este encontro?
Pedro Passos Coelho poderá (deverá)  dizer que estendeu a mão ao inimigo apenas para este a recusar.
António José Seguro poderá (deverá) dizer que tentou uma aproximação ao líder do governo mas que este se mostrou intransigente e irredutível nas suas políticas inviabilizando qualquer margem de acordo possível.
Com esta postura, um e outro ganham espaço, ganham tempo, podem apresentar-se como vítimas da teimosia do parceiro.
Perante a troika e os portugueses.
E pensam que poderão capitalizar essa vitimização a seu favor já com as eleições - as autárquicas e as europeias -  no horizonte.
O que é que espero do tête-à-tête entre Pedro Passos Coelho e António José Seguro que a troika forçou?
Em bom rigor, rien de rien!
Ou, na língua de Shakespeare, o célebre same same but different.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O escolhido de Cavaco

A demissão de Relvas e o anúncio do chumbo do OE marcam o início de uma nova era. O governo antecipou-se ao TC com a demissão do braço direito de Passos Coelho. O PM percebeu que não tinha margem  de manobra com um segundo chumbo orçamental. 
Mesmo que haja mais austeridade, o povo vai ficar mais sereno porque a vontade popular de ver Relvas fora de jogo foi cumprida, o que evita para já uma intervenção do Presidente da República. No entanto, a tarefa de Passos Coelho é hercúlea porque tem de convencer os portugueses da necessidade de mais austeridade em vésperas de autárquicas. Por outro lado, PPC já fez a vontade à maioria ao mandar Relvas para casa, o que dará ao PSD um maior número de votos nas próximas eleições, ainda que insuficientes para derrotar António José Seguro.

Apesar de considerar que o chumbo do OE é uma derrota para o governo, é o Presidente da República quem fica com a responsabilidade de ter originado uma crise política que resultará numa contestação social. Cabe a Cavaco Silva resolver o imbróglio por si criado. Caso o governo não tiver condições para continuar a cumprir a legislatura ou decida demitir-se, o PR não vai convocar eleições mas nomear um novo governo. Aliás, penso que esse sempre foi o desejo de Cavaco Silva. Nomear um governo para orientar a política do país desde Belém e voltar a ter o poder concentrado no próprio Presidente. O actual PR nunca gostou de Socrates, não morre de amores por Passos Coelho, pelo que é legítimo sonhar nomear um PM do seu contentamento. 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Viragem

A emissão de dívida por parte do Estado português está a ter um efeito positivo. Todos congratulam-se com  este regresso aos mercados, embora ainda seja cedo para percebermos o que vai acontecer daqui em diante relativamente ao programa de ajustamento da troika. Ainda há metas a cumprir e é preciso não esquecer a reforma do Estado que tem de ser feita sob pena de, daqui a uns anos voltarmos à estaca zero. 
Para já, este passo teve dois efeitos importantes. A nível externo é a concretização da credibilização do país perante as instituições políticas e financeiras. Lá de fora sempre vieram com a mesma musica: Portugal não é a Grécia. Ninguém acreditou e todos pensámos que iríamos ter o mesmo destino dos Gregos. Agora sabemos que as palavras de Merkel aquando da sua visita a Portugal não foram em vão e que não nos estavam a mentir, enquanto por cá continuavam as manifestações legítimas de desagrado. Este regresso não é por acaso já que há muito estava a ser preparado e resulta da persistência do Ministro das Finanças em não se ter desviado um milímetro das suas opções, por muito que custe ao bolso das pessoas. 

Com esta antecipação dá-se uma viragem política no nosso país. O PS que andava a pedir maioria absoluta tem agora um problema interno para resolver. O ex Ministro de Sócrates já vem pedir eleições internas. Sempre afirmei que Seguro estava a dar um passo maior que a perna, ao em apenas três meses ter pedido eleições antecipadas, ameaçar com uma moção de censura e agora vir falar em maioria absoluta. Primeiro porque não tem uma posição confortável nas sondagens e além do mais não sabe como é que estaria a popularidade do governo após uma previsível derrota nas autárquicas, e mantinha-se a dúvida se Portugal iria conseguir entrar nos mercados face à conjuntura negativa em que ainda nos encontramos. O segundo factor pode até mudar o primeiro e ser o PS o principal derrotado nas eleições de Setembro/Outubro. Eu acho muito curioso esta repentina mudança de posições no Partido Socialista, tendo bastado a primeira emissão de dívida para soar o alarme no Largo do Rato. Este é um dado novo que vamos acompanhar até Junho. Ninguém fala nisso, mas o PS vai a eleições já este ano porque o actual secretário-geral cumpre os dois anos de mandato. Porventura será realizado um congresso antes das directas, à semelhança do que aconteceu em 2010 no PSD. Assim, António Costa pode mudar de planos e ser desde já candidato a secretário geral socialista, até porque novas eleições internas no PS só ocorrerão em 2015 em cima das legislativas, a não ser que antecipem o acto eleitoral. A oposição interna a Seguro já percebeu os ventos da mudança e não quer deixar o governo fugir porque correm o risco de perder as autárquicas o que seria  histórico, já que nenhum governo costuma vencer estas eleições "intercalares". Antes que a maioria suba nas sondagens é preciso encontrar um novo líder...

O ciclo político deu uma volta, cedo demais ao contrário do que seria de esperar. É importante realçar a confiança e certeza com que Passos Coelho tem vindo a falar sobre este tema. Como se viu, este regresso já estava planeado há algum tempo. Aplaudo a forma calma e serena com que o governo tem enfrentado a contestação na rua e na opinião pública, transmitindo sempre uma imagem de segurança naquilo que estava a fazer, apesar de alguns problemas de comunicação que nesta área são importantes. 

Para finalizar, concordo inteiramente com o texto de José Manuel Fernandes que a Maria Teixeira Alves colocou no post em baixo. O meu texto só confirma tudo aquilo que tem sido o comportamento do PS numa altura de dificuldades e ainda para mais estando outro partido a cumprir aquilo que inicialmente foi assinado pelos socialistas. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

jogada de risco

Daqui até ao anúncio do acordão do Tribunal Constitucional não se vai falar noutra coisa. Cavaco jogou mal e agora está metido numa embrulhada. Se o TC considerar inconstitucionais algumas das normas  do Orçamento vamos ter toda a oposição e a sociedade portuguesa a pedir a cabeça de Passos Coelho, mas também a do PR, além do mais iremos necessitar de mais austeridade o que coloca em causa tudo o que temos vindo a sofrer para além de atrasar o regresso aos mercados.
Este é o único cenário que consigo visualizar porque não estou a ver a oposição aceitar de bom grado o chumbo das normas orçamentais sem haver consequências. Ainda para mais, nessa altura já estarão cá fora os primeiros números relativos ao desemprego, recessão e défice, assim estão reunidos todos os ingredientes para que o Governo bata no fundo. Em meu entender será uma boa altura para Passos Coelho remodelar o governo para não levar uma banhada nas legislativas, sendo que a cabeça de Gaspar terá de ser necessariamente a primeira a rolar para acalmar as águas.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Demasiado optimista face à realidade

Passos Coelho apresentou ontem um discurso optimista na sua mensagem de Natal. Na minha opinião, foi optimista demais em relação ao que vai ser o próximo ano. Com este enorme aumento de impostos, ninguém vai ter razões para sorrir, até porque os serviços básicos também vão sofrer alterações. Todos os anos a história repete-se e não há maneira de sermos presenteados com reduções de preços.

O próximo ano que se segue será difícil mas pior que isso é a incerteza que vai pairar durante todo o ano, especialmente no que diz respeito a dois aspectos: Será que Portugal vai conseguir regressar aos mercados e se isso terá implicações na nossa vida. O outro aspecto tem a ver com as eleições na Alemanha. Já defendi que uma derrota de Merkel trará uma equidade na aplicação do programa, mas será que isso não implica o fechar da torneira? 

No entanto já sabemos de algumas coisas que vão acontecer: as metas do défice e da recessão não serão alcançadas, pelo que haverá um enorme burburinho à volta deste assunto. A oposição já pensa em eleições e no próximo ano recordará este tema diariamente, tendo Cavaco Silva a bomba atómica nas mãos. Não acredito que o PR demita o governo porque Gaspar falhou nas previsões e além do mais não há alternativa política e económica possível.

Acho que Passos Coelho não devia ter prometido um futuro próspero para todos, porque todas estas incertezas levam à desconfiança dos consumidores e investidores. É incrível como muitos deixam de fazer planos por não saber se vai ser necessário uma corrida louca aos depósitos. Se fosse PM teria optado por não iludir muitos os portugueses, preferindo um discurso prudente e de bom senso, contudo acho que Passos Coelho tentou passar uma mensagem de esperança, o que é sempre bom nestes momentos.

Resta-me esperar que aquilo em que o PM acredita seja de facto o que realmente vai acontecer.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Solidariedade institucional

Num governo de maioria é o partido que obteve maior votação, o responsável pela definição das políticas a seguir. Isto não quer dizer que o partido menos votado tenha de ter uma atitude de submissão e passiva dentro da coligação. No entanto, como a sua responsabilidade é maior deve procurar arranjar alternativas quando não concorda com a política definida. Para criticar tudo e mais alguma existe a oposição, que na maior parte das vezes não está com o governo, mesmo quando acredita numa política.

Um dos deveres principais numa coligação é a solidariedade institucional. Nenhuma maioria sobrevive sem este principio fundamental, sendo que para cumprir este desiderato, nenhum dos partidos deve agredir o parceiro de coligação sob pena de criar uma fractura que seja prejudicial para a estabilidade política, não significando  isto que tenha de haver uma subserviência. A existir divergências, elas deverão ser resolvidas dentro de portas e nunca através da maneira mais eficaz de mandar recados: os jornais. 

Nem o partido mais votado tem a supremacia sobre o outro porque teve mais votos, nem aquele que "sustenta" uma maioria pode estar constantemente a ameaçar sair do governo porque se considerar essencial para o garante da estabilidade política necessária. Os dois necessitam de criar empatia um com o outro, e para isso é necessário que haja proximidade política entre os dois líderes. 

Se há coisa que parece não haver entre Portas e Passos Coelho é essa empatia. Nenhum dos dois deverão ser grandes amigos pessoais, nem até politicamente. Além do mais a questão do protagonismo é chave para a manutenção da coligação que sustenta o nosso governo. Se há coisa que Portas gosta é de ter protagonismo, ao contrário de Passos Coelho que prefere o recato. Tem-se constatado estas duas maneiras de estar na política com esta crise na coligação. Portas manda recados através dos seus colaboradores enquanto Passos Coelho cala-se para não criar ruído de fundo que possa prejudicar o bom funcionamento do governo e assim dar mais um motivo para a oposição pedir a sua demissão. Portas e grande parte do CDS estão a agir mal, enquanto o PM segue a sua linha de coerência, porque se assim não fosse há muito que esta coligação já tinha ido à vida em termos formais. Ao contrário do que se diz, é o PM que está a segurar o fio para que tenhamos governo até 2015. Não adianta disfarçar, até porque o CDS sabia perfeitamente as condições com que ia para o governo, pelo que se aceitou fazer parte da maioria quando foi alertado para as dificuldades deve cumprir o acordado e não estar a dar constantes facadas nas costas do Primeiro-Ministro. 

Se quem não está contente com este governo, com as políticas seguidas mas tem de engolir sapos no Parlamento e depois vem para os jornais mandar recados, devia sair imediatamente porque a sua atitude só revela um mau estar com toda esta situação. Se assim é, porque se mantêm a suportar a maioria? Não tem a ver só com os interesses do país, mas sobretudo com razões partidárias e para não ser visto como alguém que fugiu. 

O que tem faltado nestes últimos meses nesta maioria é a solidariedade institucional. Quem tem quebrado este importante valor democrático é o CDS. A razão para que isso aconteça é a sede de protagonismo do seu Presidente, que há anos joga em vários tabuleiros, conforme as necessidades e interesses pessoais. A sua linha de conduta nos últimos meses tem levado a que haja um suspense enorme sobre se vai haver eleições antecipadas. Portas não se contenta com o número 3 na hierarquia do governo, quer ser mesmo número 1 pela mão de Cavaco Silva.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Qual é a opinião do governo? Ninguém sabe!

Portugal há cerca de uma semana tinha a garantia que iria usufruir das mesmas condições da Grécia. No entanto, o ministro das finanças alemão desautorizou o Presidente do Eurogrupo e disse que Portugal e a Irlanda, como estavam a cumprir não necessitavam de mais folga. Também não é com amigos no Eurogrupo que Portugal consegue boas condições, já que quem manda mesmo é Wolfang Schauble e Angela Merkel.

Se o governo não tem capacidade de negociação perante a troika, o melhor é admitir isso e uniformizar o discurso para que os portugueses possam saber com o que contar mas também tirar as devidas ilações políticas  nas próximas eleições, se bem que o nosso futuro depende mais do que se passar nas próximas eleições alemãs do que propriamente nas nossas. Este é um dado bem elucidativo de como os tempos mudaram rapidamente e o mais grave é que o comum dos mortais ainda não se apercebeu disso.

Que o governo esteja atado a um programa que nem sequer negociou, eu compreendo e aceito. Que os nossos negociadores não consigam ter coragem para negociar um bom pacote para o nosso país, compreendo em certa medida até porque sempre fomos um povo subserviente. Lá fora mas também cá por dentro. É uma característica muito portuguesa baixar a cabeça quando aquele que tem poder ordena. É por isso que há corrupção, inveja, intrigas na nossa sociedade. 

Estas duas situações ainda são relativamente aceitáveis, já que Portugal depende muito do investimento alemão, contudo não se pode aceitar que o governo fale a várias vozes e não tenha um discurso uniforme, coerente e acertivo. Lá está o problema da comunicação que já falei neste espaço. Sobre esta questão das condições falaram Miguel Macedo, Aguiar Branco, Paulo Portas e o Primeiro-Ministro. Todos  disseram coisas diferentes e o pior de tudo é que em nenhuma delas se percebeu qual é o caminho a seguir. Para agravar ainda mais a situação, o PR veio meter a sua colherada e lançar a confusão total, porque é sempre assim que acontece quando Cavaco decide fazer de PM.

Já todos percebemos que o programa é este e não haverá folga. Já se entendeu que o governo não é bom a negociar. O que não se aceita é a forma infantil como o governo tem transmitido a sua mensagem. Esta baralhada toda só prejudica o próprio PM, porque é ele quem vai a jogo nas eleições e tem a cabeça a prémio. Não é o CDS que sai chamuscado, já que a sua atitude de entra e sai é normal no seu líder.

A questão é que apenas Passos Coelho deveria falar, mas como parece que há dois primeiro-ministros dentro do executivo e é difícil calar o CDS, não há coerência nem uma mensagem definida para transmitir. Senão se tem uma atitude lutadora no inicio, quando Passos e Gaspar acordarem já pode ser tarde e depois nessa altura estão a contar os votos que perderam por causa desta descoordenação total entre membros do governo do mesmo partido, mas também entre Ministros de partidos diferentes. É caso para perguntar o que anda Relvas a fazer no governo, não tem ele a pasta da coordenação política?

O que se está a passar só revela amadorismo e falta de experiência política. O governo só pode falar a uma só voz. Os Ministros não se podem pronunciar todos sobre a mesma matéria, ainda para mais quando se trata de questões económicas, matéria essa muito sensível e que não está no domínio de qualquer um.
Share Button