A demissão de Paulo Portas do Governo significa a queda do mesmo. Apesar da tentativa de Passos Coelho tentar segurar as pontas ao não aceitar a demissão do MNE, a verdade é que o executivo entrou em coma, faltando apenas a sentença de Cavaco Silva para decretar a sua morte. Como o PR tem estado calado durante todo este tempo, ninguém sabe o que vai fazer Cavaco, contudo é de esperar que desta vez, e só mesmo desta vez faça alguma coisa, tome uma decisão seja ela qual for.
Portas tanto ameaçou que roeu a corda no melhor momento político para ele mas no pior para o país. O líder do CDS sabendo da substituição de Vítor Gaspar quis arranjar um facto político para criar instabilidade e colocar as culpas no PSD. Além do mais, nota-se o descontentamento pelo facto do líder centrista não ter ficado com a pasta das finanças o que lhe daria carta branca para cumprir aquilo que vem defendendo há algum tempo. Na minha opinião esta demissão de Portas trata-se de uma encenação política para se vitimizar e culpar o parceiro de coligação. Lembram-se da famosa AD com Marcelo Rebelo de Sousa? No próximo fim de semana veremos qual é o estado de espírito do ainda MNE.
O líder centrista fez mal em demitir-se e abandonar o barco numa altura destas, no entanto esta é uma situação recorrente em Portas e só surpreende quem não está atento aos pormenores. Passos Coelho fez bem em não aceitar a demissão e obrigar Portas e o CDS a assumirem o compromisso de cumprirem o mandato pelo menos até à saída da troika. Aplaudo a coragem de Passos Coelho que não abandona o barco em situação díficil, como fizeram Guterres, Barroso e Sócrates. Para o PM seria fácil pedir a demissão e entregar a responsabilidade a outro, já que o próximo que vier vai durar pouco tempo. Mas não, Passos Coelho não só continua a dar a cara como obriga os outros a continuar o trabalho que está a meio e não pode de forma nenhuma ser travado por uma crise de egos ou birras de miúdos crescidos.
Voltando a Portas, há quem diga que o líder centrista tem sete vidas, no entanto as suas fugas terão como consequência um resultado mau para o CDS. Como se explica que Portas se candidate a novo mandato no partido e se demita do governo logo a seguir? Para mim é claro como a água. Portas está novamente a brincar aos governos e a fazer uso de uma estratégia para roubar votos ao PSD e voltar a São Bento desta vez acompanhado pelo Partido Socialista. O que Portas não contava é que Passos Coelho lhe pregasse a partida de não ter aceite o pedido de demissão. E agora o que faz o líder do CDS?

