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sexta-feira, 12 de junho de 2015

Maioria sobe, Partido Socialista desce

A última sondagem divulgada coloca o PS com mais três pontos percentuais do que a coligação formada pelo PSD e CDS-PP. 

Nos últimos meses assistimos a uma confiança desmedida dos socialistas numa vitória eleitoral em Setembro ou Outubro. Quando faltam 4 meses para o acto eleitoral, verificamos uma tendência de subida na coligação e descida no Partido Socialista. Ainda falta os partidos da direita apresentarem uma lista de independentes que estará na Assembleia da República nos próximos quatro anos para subir mais nas intenções de voto. Ou aproximarem-se de Marinho Pinto para formar uma coligação de três partidos. Neste momento tudo joga a favor de Portas e Passos Coelho, já que os partidos de esquerda, em particular o PCP, não querem apoiar António Costa. 

Em Setembro este cenário era impensável pois Costa tinha tudo para ser eleito primeiro-ministro. Venceu Seguro nas primárias e o governo caminhava para o seu fim. É impressionante como tudo mudou em poucos meses. A culpa não é dos ventos desfavoráveis aos socialistas nas últimas eleições em vários países europeus. O secretário-geral do PS ainda não percebeu que não pode adoptar o mesmo discurso de antigos líderes socialistas, em particular de José Sócrates na campanha eleitoral em 2009. Também não convém ameaçar que vai rasgar todos os compromissos estabelecidos pelo governo durante o mandato, como foi a reforma da justiça, a privatização da TAP e outros assuntos. As pessoas não acreditam neste discurso porque procuram alternativas políticas e não discursos fáceis. 

A maioria tem optado pela melhor estratégia. Não muda uma vírgula às opções tomadas ao longo do mandato. Seria fácil dizer que optavam por um caminho diferente só para conquistar mais votos. Ainda bem que em Portugal a forma de fazer política começa a ser diferente, sobretudo nas campanhas eleitorais. O único ainda não percebeu isso foi o candidato a primeiro-ministro do Partido Socialista. 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Ainda há espaço para Marcelo Rebelo de Sousa

A candidatura de Rui Rio à presidência da República tira espaço a Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes para se afirmarem como a alternativa que a direita tem a António Sampaio da Nóvoa e Henrique Neto. O apoio do PSD ao antigo autarca da Câmara Municipal do Porto retira as legítimas aspirações dos dois antigos presidentes em contarem com a ajuda de Passos Coelho ou da nova direcção social-democrata que vier a ser eleita na eventualidade de uma derrota nas próximas legislativas. Neste aspecto, Santana Lopes estava mais à espera de ser o candidato oficial do que Marcelo Rebelo de Sousa. 

O professor ainda vai a tempo, mas tem de se decidir rapidamente. Na minha opinião fica a ganhar se for sozinho a jogo do que esperar por algum milagre. Devido à sua popularidade e pela forma como consegue cativar as pessoas com os seus comentários, Marcelo Rebelo de Sousa não deve ficar dependente de uma decisão que parece ser irrevogável. Neste momento o único dilema de Marcelo é saber se avança ou não pelo seu próprio pé. Penso que tinha todas as vantagens porque só há um candidato da direita e um de esquerda. Não há muita dispersão de candidaturas nos dois pólos. Nem o professor académico nem Rui Rio ocupam o centro e conseguem ir buscar votos aos apoiantes e militantes mais fervorosos do PSD e PS, ficando em aberto o espaço ocupado pelo CDS e aqueles que variam o seu sentido de voto entre os sociais-democratas e socialistas. 

terça-feira, 28 de abril de 2015

Aceita para... "Sim. Aceito".

coligacao PSD-CDs 2015.jpgMas qual é o espanto político? Novidade e algo surpreendente seria o anúncio de apresentação às próximas legislativas separadamente.
O tão badalado "casamento político" anunciado no sábado (forma estranha de celebrar "abril") entre PSD e CDS para as próximas eleições legislativas (finais de 2015), coligação pré-eleitoral, só tem a originalidade para quem anda distraído.
Já o tinha firmado várias vezes por aqui... não haveria outra de forma de ser.
De forma telegráfica:
1. Havendo a constante emissão, para a esfera pública, de uma imagem de sucesso da governação, candidaturas separadas só deitariam por terra qualquer sentido de unidade governativa. Aliás, face ao que foram, ao longo destes quatro anos, vários episódios de clara rotura de direcções e objectivos governativos, PSD e CDS em listas separadas às legislativas de 2015 só reforçariam a imagem de fragilidade que, a espaços, deram durante o período de governação.
2. Apesar das sondagens manterem a incerteza quanto ao desfecho final eleitoral (sendo óbvia a quase impossibilidade de algum partido alcançar a maioria) e de confirmarem o não distanciamento do PS nas intenções de voto, a verdade é que um PSD isolado nos boletins de voto seria o garante da vitória socialista e um CDS sem a "muleta social-democrata" regressaria, na melhor das hipóteses, aos tempos do "partido do táxi".
3. Não tendo o anúncio da coligação pré-eleitoral PSD-CDS qualquer originalidade ou algo de surpreendente, há ainda duas notas temporais e que condicionaram o anúncio público (curiosamente, isto sim, algo de supreendente, antes das respectivas aprovações dos órgãos nacionais dos partidos). A primeira tem a ver com o momento da agenda mediática política que discute, minuto a minuto, o documento estratégico que o PS apresentou ("Uma década para Portugal") não deixando palco político para os socialistas "brilharem". A segunda, ainda relacionada com o documento referido, tem mais a ver com a estratégia e a esfera eleitoral. Ao contrário do que muito afirmam, o documento apresentado pelos socialistas colocam o PS mais longe da esquerda e mais perto do centro (sendo que em algumas áreas não muito distante do Governo). Sendo certo que tal realidade significa que o PS não cria alternativa eleitoral ao actual Governo, o descontentamento e o desgaste governativos, poderão permitir ao PS o "pescar" votos num eleitorado demasiadamente flutuante e indeciso.
(créditos da foto: Mário Cruz / LUSA)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Portas está a ir para Belém

A possibilidade de Paulo Portas avançar para uma candidatura a Presidente da República foi avançada por Pedro Santana Lopes numa entrevista ao Diário de Notícias. Apesar do líder centrista ter dito que "tou nem aí", temo que isso seja tão verdade como as decisões "irrevogável". 

O cenário tem pernas para andar na eventualidade do próprio Pedro Santana Lopes ter o apoio do PSD, o que parece mais provável, e se o PSD e CDS não consigam obter maioria absoluta. Nesta última hipótese os dois partidos só deverão impedir o PS de alcançar os deputados suficientes para governar sozinho. Caso isto aconteça tanto sociais-democratas como centristas vão provocar a queda do novo executivo o mais breve possível até porque o Presidente da República não tomará qualquer iniciativa de entendimento porque está de saída, sendo que as presidenciais 2016 são logo a seguir. Outro aspecto tem a ver com o processo interno dos partidos. Mesmo que os socialistas não consigam a maioria absoluta, o PSD e o CDS vão ter eleições internas para escolher uma nova liderança, que pode passar por uma candidatura dos actuais líderes. Neste cenário Portas não se recandidata e deixa o lugar para outro, embora sempre com o seu controlo. 

Uma derrota nas legislativas deixa Portas com a possibilidade de ser candidato a Presidente da República com o apoio do partido, da direita e de parte do PSD que não escolheu Santana Lopes para Belém. Caso o PSD tenha novo líder, Santana Lopes pode perder o apoio do partido, mas como já se anunciou a candidatura antes da legislativas e sem saber o destino de Passos Coelho, não vai desistir. Ora, Portas quer ocupar o espaço de Santana. Este cenário ganha força se Marcelo Rebelo de Sousa não for a jogo. O professor não vai ter o apoio do PSD com ou sem Passos Coelho, pelo que, só a sua iniciativa pode baralhar as contas de Portas. Como o comentador está à espera de um apoio partidário para avançar, acho que desperdiçar a única oportunidade que tinha para conquistar todo o espaço do centro-direita. 

Com o caminho livre, Pedro Santana Lopes e Paulo Portas serão os senhores que representarão o PSD e CDS, que estarão na oposição e com novas lideranças. 

quinta-feira, 19 de março de 2015

Melhor Portugal, mas pior os portugueses

À medida que as eleições se aproximam o discurso vai endurecendo. O governo e a oposição já mostraram como vai ser. Enquanto que o executivo irá enaltecer o esforço feito durante a legislatura para mandar a troika fora do país, os socialistas contrariam essa tese e dizem que os portugueses estão a viver pior. Nesta semana assistimos a um facto curioso. Enquanto que a Ministra das Finanças afirmou que os cofres do Estado estão cheios, António Costa salientou que os bolsos dos portugueses continuam vazios. 

Confesso que o secretário-geral do Partido Socialista esteve bem melhor do que a governante. António Costa apela ao sentimento dos portugueses. Por seu lado, o governo garante que não vai haver mais resgates financeiros no futuro porque foi possível poupar bastante. Em que discurso se apoiarão os portugueses? No mês de Setembro se verá, mas neste momento vence o Partido Socialista que aproveita o descontentamento dos portugueses.

Infelizmente não vamos sair muito deste tipo de discurso durante a campanha eleitoral, já que existem poucos temas com interesse para serem colocados na agenda. 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Não dizer "sim" sem dizer "não"

A propósito do meu artigo publicado hoje (15 de outubro) no Diário de Aveiro, "O efeito sistémico das primárias", o Jornal i, na sua edição de segunda-feira, destaca uma nota da Lusa em que são transcritas algumas afirmações de Rui Rio a propósito do movimento e das estratégias públicas que pretendem a sua candidatura à liderança do PSD e às legislativas de 2015. Sob o título "Rui Rio garante não estar envolvido em estratégias para chegar a líder do PSD" são tornadas públicas afirmações e posições do ex-autarca do Porto onde afirma o seu não envolvimento directo neste processo, é totalmente alheio ao movimento e não teve nenhuma interferência nesta campanha.
Mas o que Rui Rio não disse, ou, pelo menos, a Lusa e o Jornal i não o referem, é se está ou não disponível para liderar o PSD e ser o próximo candidato a primeiro-ministro nas legislativas de 2015. Ou até se, face a uma eventual derrota do PSD no próximo acto eleitoral, está ou não disponível para substituir Passos Coelho à frente dos sociais-democratas.
E só após a definição desta realidade é que fazem sentido as interrogações sobre a possibilidade de um entendimento com o PS e António Costa.
Até lá... apesar de "eu não tenho nada a ver com isso", este processo tem contornos bem definidos na sabedoria popular: "gato escondido com rabo de fora".
(créditos da foto: jornal público / paulo ricca)

O efeito sistémico das primárias

Publicado na edição de hoje, 15 de outubro, do Diário de Aveiro.

O efeito sistémico das primárias
É comummente aceite que existe na democracia portuguesa actual um desgaste do sistema político-partidário, em parte pela imagem negativa que alguns políticos transmitem sobre a coisa pública e a política, em parte também pela blindagem interna dos aparelhos partidários favorecendo os “instalados”, e ainda pelo alheamento dos cidadãos em relação à política.
Há uns anos, alguns dos partidos políticos (casos do PSD, CDS e PS) optaram por implementar o processo de directas para a eleição do líder partidário, reservando para os “tradicionais” congressos questões programáticas e a eleição da estrutura nacional. Há quem entenda que retira fulgor político aos congressos e à representatividade dos delegados congressistas, há, por outro lado, quem entenda que esta é uma forma de dar voz directa e participativa aos militantes de base. Mais recentemente, a propósito da contestação interna à liderança socialista de António José Seguro, surgiu a novidade no sistema democrático português da eleição de um candidato a primeiro-ministro através de primárias, envolvendo não só militantes mas também simpatizantes. Cerca de 190 mil cidadãos votaram e escolheram um dos candidatos, o socialista António Costa, para ser indigitado como o candidato do PS ao cargo de primeiro-ministro, nas eleições de 2015.
O processo, curiosamente proposto e implementado pelo candidato derrotado, mereceu os maiores elogios públicos, de vários quadrantes da vida política e pública. Ao ponto de haver já movimentações no sentido de destronar Passos Coelho da liderança do PSD tentando, através do mesmo processo das primárias, eleger Rui Rio. Para a plataforma Fórum Cidadania e Sociedade, grupo que apoia a candidatura de Rui Rio a primeiro-ministro, o ex-presidente da Câmara Municipal do Porto afigura-se como um verdadeiro social-democrata e a melhor alternativa a Passos Coelho.
Só que há pormenores e contornos neste processo das primárias que importa referenciar.
Sendo certo que a participação o envolvimento dos cidadãos na vida partidária e política, é uma mais-valia para a consolidação da liberdade, do direito ao exercício da cidadania, da consolidação da democracia, não foram propriamente estas preocupações que estiveram na génese do processo. António José Seguro sobrevalorizou a sua liderança, quis provar a solidez do seu papel à frente do PS e como alternativa a Passo Coelho, quis ultrapassar as fronteiras do aparelho partidário tentando, com isso, recolher apoios no eventual eleitorado socialista (simpatizantes) e na sociedade descontente com o actual Governo. Mas correu mal. Primeiro porque o processo foi um atropelo de acontecimentos processuais, segundo porque muitos dos eleitores nas primárias confundiram a candidatura a primeiro-ministro com a eleição de secretário-geral do PS, e, por último, o risco, concretizado, de personificação do poder levou a uma campanha desastrosa e, em momentos, nada dignificante.
Se este processo das primárias fosse uma realidade permanente, constante, indiferente a oposições e conflitos internos nos partidos, ainda aventaria a possibilidade de afirmação no sistema político-partidário português, nomeadamente transformando o actual processo das directas e a respectiva eleição das lideranças dos partidos. Para mera contestação de lideranças ou escolha de candidaturas presidenciais ou governativas não se afigura como capaz de criar raízes.
Este foi um processo pontual, com muitas interrogações, com muitos “casos”, que não me parece ter capacidade, actualmente, para produzir um efeito sistémico nos restantes partidos. Mesmo naqueles que, como o PSD, têm por tradição e génese uma conflitualidade interna latente e permanente.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Mais uma nega

Como não poderia deixar de ser o PS recusou a proposta de Passos Coelho para fazer uma reforma da segurança social antes das eleições para entrar em vigor depois das legislativas. Não entendo como é que os socialistas querem ganhar as eleições sem se apresentarem ao eleitorado com uma atitude positiva. Na minha opinião António Costa é uma pessoa capaz de estar mais aberto a entendimentos com o executivo uma vez que tem mais bom senso. Por seu lado, António José Seguro não pensa noutra coisa que não as legislativas, sendo que pretende ganhá-las a todo o custo, ou seja, se for necessário estar contra tudo, então que seja essa a imagem para passar à opinião pública. Em meu entendimento penso que é por isto que Seguro não tem sido muito bem aceite nas bases do PS e nas elites. Por força da sua história, o Partido Socialista sempre foi uma força política dialogante e que colocou sempre os interesses do país em primeiro lugar. Com Seguro não tem sido assim. Espera-se melhorias a este nível a partir do próximo dia 28 de Setembro.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Lançamento para as legislativas

Quem acompanha os discursos de Passos Coelho nota que o arranque da temporada política em vésperas de eleições foi bastante diferente do habitual porque o estado de espírito do primeiro-ministro é de esperança, crença, mas também de satisfação por ter ultrapassado os últimos três anos contra tudo e todos. É fácil perceber porque razão Passos Coelho está contente e confiante. Ao longo dos últimos tempos decretou-se a morte do PM, deste governo, da maioria e até da possibilidade de um novo resgate. Ora, nada disso aconteceu e hoje o desemprego está a baixar e a economia a crescer. 

Daqui para a frente as posições vão estar invertidas uma vez que caberá ao PSD atacar o PS sem que este possa defender-se nem ter números para contra-atacar o executivo. Acho estranho que na actual campanha para as primárias no PS não tenha havido nenhuma proposta ao governo para haver um consenso. Passos Coelho jogou forte e pediu aos socialistas para se sentarem à mesa com o governo para uma reforma da segurança social. Como vão os actuais candidatos a primeiro-ministro do PS responder a este pedido?

Nunca vi Passos Coelho tão seguro de si e determinado. Nem podia ser de outra maneira já que os números dão-lhe motivos para estar confiante. E o mais importante é que o actual primeiro-ministro não recolhe para si, nem para o governo os louros da vitória, preferindo aplaudir a capacidade de esforço dos portugueses. Outra coisa não seria de esperar de um chefe de governo que têm sido coerente com a sua linha política porque não é por acaso que hoje já só se fala em recuperação e a palavra crise vai ficando para trás. 

Na minha opinião Passos Coelho quis hoje no Pontal fazer um espécie de "vingança política" com todos aqueles que duvidaram das suas capacidades para enfrentar uma das piores crises de sempre em Portugal. Também não é por acaso que a partir de agora o discurso contra o PS vai ser cada vez mais cerrado.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Quem fala a verdade

O Tribunal Constitucional decide amanhã sobre a constitucionalidade de mais medidas propostas pelo governo sobre cortes nas pensões e salários para incluir no orçamento rectificativo. A importância das medidas é tanta que o líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, disse que Passos Coelho poderia vir a demitir-se caso houvesse novo chumbo do juízes do Palácio Ratton. No entanto, estas medidas estão relacionadas com algumas metas propostas aquando do mandato de José Sócrates. 
O problema é que o vice-presidente do PSD, Marco António Costa, veio desmentir as afirmações de Luís Montenegro.

Em que ficamos?

Na véspera do anúncio de mais uma decisão que pode ser desfavorável ao governo ( e também aos portugueses), os sociais-democratas deviam falar a uma só voz para que os eleitores percebam qual a linha a seguir por este executivo. É que se o governo quiser as eleições isso dará uma vitória a António Costa ou António José Seguro, ou seja, a maioria não pode, por causa de uma birrinha, entregar o país de bandeja aos socialistas, ainda para mais quando as duas forças estão praticamente coladas uma à outra nas sondagens. 

É pena que o executivo não tenha corrigido o problema de comunicação que se tem verificado ao longo de todo o mandato. Não se percebe como um pormenor de fácil resolução ainda perdura. Ou então, estamos perante um caso de pessoas que querem protagonismo e não querem proteger a imagem do primeiro-ministro. 

Seja como for, amanhã vamos ficar a saber qual a posição do TC e na sexta-feira o que tem Passos Coelho a dizer (e a fazer) após o anúncio de amanhã. 

domingo, 10 de agosto de 2014

Olhar a semana - Desafios de Passos Coelho

No próximo fim-de-semana o PSD faz a sua reentré política com o habitual discurso de Passos Coelho na festa do Pontal. O próximo ano vai ser muito importante para os laranjas porque temos legislativas. Tendo em conta que o PS está em campanha eleitoral interna e não só, está na altura para desvendar alguns mistérios como é o caso da possibilidade das eleições virem a ser antecipadas e se o PSD vai efectuar uma coligação pré-eleitoral com o CDS. Em relação a este tema, deve haver uma sintonia de timing entre os líderes dos dois partidos da coligação, mas também é preciso desvendar um pouco o véu.

Com o desemprego a baixar e a economia a recuperar o Primeiro-Ministro tem motivos para acreditar numa vitória. Os comentadores que costumam andar ao sabor do vento (veja-se como deram a morte antecipada do Benfica esta temporada) estão a ser apanhados de surpresa com a evolução dos números relativamente à economia e que dão folga ao executivo. 

Numa altura em que o PS está profundamente dividido é altura para o PSD mostrar união. E o seu líder tem de fazer um apelo nesse sentido uma vez que o Partido Socialista pode muito bem vir a ficar fracturado após as primárias do próximo mês de Setembro. Por outro lado, a rápida resolução do caso BES também ajudou ao governo ser visto com confiança pelos eleitores. Não se trata apenas de falar para os sociais-democratas, mas também ter uma visão mais eleitoralista. 

As sondagens mostram que o PSD está a 5 pontos percentuais do PS e a actual maioria já consegue ultrapassar os socialistas. No entanto, para chegar à maioria absoluta é preciso mais, sendo que talvez seja preciso introduzir uma medida mais eleitoralista no próximo Orçamento de Estado. A dúvida é saber se baixa o IVA ou o IRS. Um deles vai ter que ser alterado. 

Estes são os desafios com que o líder do PSD enfrenta nos próximos tempos, quer como líder partidário e chefe de governo, pelo que o tema presidenciais vai ter que esperar para depois das legislativas, até porque esse vai ser um debate que irá abrir fissuras no seio do PSD.

terça-feira, 22 de julho de 2014

António Costa e Rui Rio pressionam Cavaco Silva

António Costa e Rui Rio querem eleições legislativas antecipadas para o próximo mês de Abril de 2015. Ora, se o primeiro pode vir a beneficiar com isso uma vez que tem hipóteses de vir a ser o próximo secretário-geral socialista bem como o candidato do partido a primeiro-ministro, já Rui Rio só tem interesses após o acto eleitoral. Por esta tomada de posição Rio assume que quer ser candidato a líder do PSD, mas caso Passos Coelho consiga formar uma maioria, o objectivo do ex-autarca do Porto passa por Belém. Concordo com a atitude de Costa porque quanto menos tempo tiver o governo para recuperar melhor. No entanto, acho que Rui Rio está a precipitar-se por querer acelerar uma candidatura a líder social-democrata. Nota-se nos dois que há um jogo de interesses, que em democracia é legítimo.

Considero que os pedidos dos dois resultam de pressões dentro dos respectivos partidos. Não tenho dúvidas que António Costa sente que tem o PS e o país a seu lado. Por seu lado, Rui Rio já garantiu apoios importantes para a São Caetano à Lapa. E se alguém quiser ser candidato a líder do PSD tem de o fazer agora, o problema é que a maioria dos laranjas ainda está unido em torno de Passos Coelho. 

Entendo que tanto Costa como Rui Rio têm possibilidades de ganhar os partidos em que estão filiados. Em relação ao país a conversa é outra. Quanto menos tempo tiver António Costa, pior será para ele, até porque se vai acumular a presidência da Câmara de Lisboa não irá ter disponibilidade política para ser líder em dois lados. Rui Rio não vai ter espaço parlamentar senão for incluído nas listas do PSD para a Assembleia e penso que lhe falta experiência em lugares no governo. Embora isso não seja fundamental, Rui Rio é político e não um técnico e por esse factor, não tem carisma para ser de caras um candidato a primeiro-ministro ganhador. 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Primárias laranjas para as presidenciais

O fim-de-semana que terminou revelou mais um candidato laranja à presidência da República. Pedro Santana Lopes deu uma entrevista ao Expresso em que mostrava disponibilidade para avançar a Belém e o Diário de Notícias acredita que o candidato favorito de Passos Coelho é o antigo primeiro-ministro que substituiu Durão Barroso na chefia do governo em 2004. Ora, o PSD como está no governo tem mais possibilidades de vencer as presidenciais e por isso é natural que haja mais pessoas com vontade de obter o apoio do partido. Apesar disto, considero que haverá um candidato da direita que vai avançar mesmo sem a vontade expressa dos sociais-democratas. Posto isto, nos próximos tempos vamos ouvir nomes de potenciais presidenciáveis como Marcelo Rebelo de Sousa, Santana Lopes, Durão Barroso e Rui Rio.

A direcção social-democrata deve estar hesitante entre apoiar Santana Lopes e Durão Barroso para Belém. O apoio ao segundo só será dado caso o primeiro decida não avançar. Isto é, o PSD vai esperar até à última por Durão e só depois irá bater à porta de Santana, sendo que este só segue em frente caso actue por detrás do partido. Sem a vontade e desejo de Passos Coelho, o actual provedor da misericórdia de Lisboa não vai a jogo porque sempre precisou da máquina partidária para obter resultados políticos. Desta vez não vai fugir à regra. Nos últimos surgiram notícias dando conta do desejo do CDS em apostar no antigo presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio. Esta seria uma boa forma dos centristas dividirem o PSD internamente bem como o seu eleitorado.

A única candidatura independente deverá ser a de Marcelo Rebelo de Sousa, mas que terá, obviamente, apoios por parte de figuras ligados ao PSD e à direita. No entanto, a intenção de Marcelo Rebelo de Sousa concorrer a Belém vai muito para além disto, porque precisa naturalmente de ter apoios financeiros e não só para fazer face às máquinas partidárias. A grande vantagem do comentador é ter um consenso muito forte na sociedade portuguesa. 

Embora o PSD ande preocupado para saber quem vai apoiar, o PS já tem esse problema resolvido porque António Guterres deverá ser o candidato apoiado pelo líder socialista. A dúvida está relacionada com o facto de saber quem vai ser o secretário-geral daqui por ano e meio, isto porque, quer António Costa ou António José Seguro vençam as primárias, caso percam as legislativas vão ter que dar lugar a outro. 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O risco de Passos Coelho se tornar impopular

O primeiro-ministro corre o risco de ser tornar impopular para sempre e com isso não ganhar as eleições do próximo ano, tudo por causa do duro programa de ajustamento. Mas não só. Tal como acontece com António José Seguro, o líder do PSD "mentiu" e "aldrabou" muitas vezes. No entanto, o líder da oposição tem essa prerrogativa: como não está no governo pode "prometer". Se vai cumprir é outra conversa que só será confirmada caso ganhe as eleições. 

Por muito que Passos Coelho quisesse fazer diferente não poderia devido à imposição da troika. Nesta imagem vemos um Passos Coelho que comanda uma nau que vai no caminho certo. O problema é saber se os portugueses confiam nessa narrativa e aceitam mais austeridade, por mínima que ela seja. A partir de agora, qualquer anúncio menos "popular" será aproveitado para fazer manchete ou uma notícia de última hora, facto que levará à revolta dos marinheiros. Como se pode verificar nesta imagem, noto um Primeiro-ministro muito confiante do caminho que traçou até ao momento. Não é por acaso que Passos vai à inauguração do museu dos descobrimentos no Porto. Também naquela altura a astúcia e vontade dos portugueses fez com que Portugal andasse pelas bocas do mundo devido aos seus feitos, tal como acontece em Bruxelas e um pouco por toda a Europa.

Com a troika fora de Portugal, a única dúvida é saber se o Primeiro-ministro não acabou com o projecto que tinha para o país no pós-troika.  

terça-feira, 18 de março de 2014

O que separa PS e PSD há 40 anos

Eu não percebo como é que em Portugal os dois maiores partidos políticos não conseguem chegar a acordo relativamente a várias matérias de interesse nacional. Não se trata de amarrar os partidos a documentos ou princípios estabelecidos, mas encontrar caminhos sustentáveis para que o presente e o futuro do país sejam melhores. Ao Governo cabe encontrar as soluções adequadas e a oposição é responsável por encontrar alternativas credíveis ao proposto pelo executivo. 

Em Portugal PS e PSD sempre foram mais inimigos do que partidos rivais. Esta rivalidade não faz sentido num quadro parlamentar onde apenas dois partidos podem governar o país quando conquistam a maioria absoluta. Acontece que numa situação de minoria parlamentar, aquele que estiver no governo vai necessitar sempre da ajuda do outro, em particular os socialistas que nunca irão fazer uma coligação com o BE ou o PCP. 

Não entendo esta atitude do PS relativamente ao futuro do país, já que o PSD de Passos Coelho por diversas vezes suportou o governo liderado por José Sócrates. Não custa nada ao PS dizer cá para fora que vai colaborar no sentido de conduzir o país a um futuro melhor, em vez de passar uma mensagem de pessimismo. 

É visível que o líder do PS pretende romper com algumas reformas que estão a ser feitas pelo governo PSD-CDS quando eventualmente chegar ao poder, contudo isso não vai ser possível pelo facto de isso em política ser difícil e também porque tem custos para o Estado. No entanto, o actual secretário-geral socialista jamais será primeiro-ministro deste país. Pelo menos, enquanto Cavaco Silva for Presidente da República.

segunda-feira, 3 de março de 2014

A exigência de Marcelo

O comentador televisivo, Marcelo Rebelo de Sousa, está quase a ser o candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa. Em política como na vida tudo muda num instante, e a súbita aparição no congresso da semana passada foi uma forma do professor mostrar que "quer ser" o candidato laranja. Marcelo não foi ao congresso "pedir" para ser candidato, mas exigir que o partido apoie a sua eleição.

Ao fim de muitos anos podemos ter MRS como o grande candidato da direita, mas também como o salvador da pátria. Inteligência não lhe falta, capacidade política também não, no entanto ser Presidente da República não é o mesmo que ser chefe de governo. Apesar da sua capacidade e inteligência, MRS será sempre uma figura de corpo presente enquanto PR. E será isso que o professor quer ser? Um mero espantalho?


Ser chefe de Estado seria uma forma bonita de MRS acabar a sua vida política, o problema é que o percurso político do actual comentador da TVI não foi brilhante e o próprio só se pode orgulhar da fundação do PSD, que verdade seja dita, foi da responsabilidade de três homens bem conhecidos, os outros eram paus mandados e figuras secundárias que subiram no partido devido às suas ideias e valores. 

Acho que MRS tem direito a pedir para ser candidato laranja em 2016, mas não pode exigir a Passos Coelho essa oportunidade só por causa do seu passado. Pedir é muito diferente de exigir, e em política a imposição do segundo termo pode ter consequências negativas para quem recusa. 

O mais hilariante é que estou convencido que os ex-líderes partidários que foram ao Congresso tiveram todos a mesma intenção de "exigir" a Passos Coelho que se lembre deles na hora de escolher o candidato presidencial. Tenho a certeza que na cabeça do primeiro-ministro não está ninguém que esteve presente no Coliseu, até porque a moção do líder diz que procura um candidato que não vá em busca da popularidade fácil. 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Três passos decisivos

O líder do PSD tem três desafios pela frente nos próximos anos. Em Maio tem as eleições europeias onde terá obrigatoriamente de ter um resultado melhor do que aconteceu nas autárquicas 2013. Uma vitória eleitoral era óptimo, no entanto importa reduzir a distância para o PS. Não é expectável que o PS venha a obter uma vitória contundente até porque uns dias antes a troika sairá oficialmente do país e isso vai ser um factor a favor do governo, além de que os socialistas ainda não apresentaram um cabeça-de-lista nem sequer há indicações de quem possa ser o escolhido por Seguro, enquanto no PSD tudo aponta para que seja Paulo Rangel. 

O segundo grande desafio de Passos Coelho são as eleições legislativas do próximo ano. Só uma vitória eleitoral em 2015 é que o primeiro-ministro consegue vencer a terceira, que se chama eleições presidenciais. Nas próximas legislativas a escolha dos eleitores vai ser entre dar uma maioria absoluta ao PSD ou manter a coligação que governou o país nos últimos quatro anos. 

O último desafio do actual líder social-democrata serão as presidenciais. No entanto, a apresentação das candidaturas presidenciais só deverá ocorrer após um bom resultado em 2015. Entre os nomes mais falados para suceder a Cavaco em Belém estão Durão Barroso, Santana Lopes e um nome surpresa que pode ser Rui Rio ou mesmo Paulo Portas. Contudo, a escolha do candidato presidencial pode ser importante para que o governo obtenha um bom resultado eleitoral nas legislativas e empurrar o partido para uma vitória com maioria absoluta. Na mente de Passos Coelho está a dúvida se anuncia o candidato a Belém antes ou só depois das legislativas, porque na minha opinião acho que o primeiro-ministro já tem o perfil e o nome que pretende para concorrer em 2016. 

É verdade que Passos Coelho perdeu a primeira batalha eleitoral após a derrota nas autárquicas em 2013, mas em Julho o primeiro-ministro conseguiu segurar o governo e isso é mais importante. Com a mudança do ciclo económico e a troika a ir embora Passos Coelho pode ter o seu ciclo dourado.

Ausência dos críticos frustrados

Os críticos do governo que estão na televisão a opinar sobre tudo e mais alguma coisa não vão ao congresso de amanhã. Ferreira Leite, Marques Mendes, Santana Lopes e o eterno Pacheco Pereira não estarão no Coliseu dos Recreios para aconselhar Passos Coelho qual a melhor forma de governar. Pelo menos os três primeiros gostavam de estar no lugar do primeiro-ministro, mas não conseguiram convencer o povo a votar neles. Todos eles sofreram derrotas eleitorais pesadas (internas e nacionais) com o agravante de terem o apoio da máquina partidária a seu lado, no entanto, Passos Coelho foi o único a derrotar Sócrates.

Percebo o incómodo dos ex-líderes, ou direi ex-comentadores?, em relação à actual direcção. Passaram meses a criticar a austeridade mas agora vão ter de engolir um grande sapo quando a troika sair do país. Em vez de serem verdadeiros militantes sociais-democratas parecem adeptos do PS e da política do bota-abaixo. O pior mesmo é o facto de terem descido um grau ao passarem de ex-líderes partidários para simples comentadores televisivos. Não é degradante? Esqueci-me de Marcelo Rebelo de Sousa, mas essa já não participa no partido desde que Portas o atirou para o desconhecimento político. 

Perante este cenário o congresso vai ser morno e normal até porque o "candidato" a candidato Rui Rio também não vai aparecer para falar...

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Conclave social-democrata

O PSD tem amanhã o seu congresso. Na reunião magna o líder social-democrata deverá anunciar Paulo Rangel como cabeça-de-lista às europeias e desvendar a ponta do véu sobre como vai Portugal sair do programa de ajustamento e financeiro. 

Não haverá grandes críticas à actual direcção, ao contrário do que aconteceu no conclave do CDS. O congresso poderá servir para o PSD definir a sua linha ideológica e mostrar ao país que ainda tem alguma base social e se preocupa com questões sociais. Outra questão a abordar será a coligação com o CDS, uma vez que os sociais-democratas não quererão ir às eleições legislativas 2015 coligados com os centristas se tiverem em perspectiva uma maioria absoluta. Em meu entender Passos Coelho acredita não só na vitória eleitoral mas num resultado histórico, no fundo o primeiro-ministro ainda confia nos portugueses.  

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Despropositado e inútil

Acho despropositado e inútil a proposta do PSD sobre referendar a co-adopção e adopção por casais do mesmo sexo. Em primeiro lugar penso que não é matéria para sujeitar o país a ir às urnas, fazia mais sentido sufragar o casamento gay. Depois em vésperas de congresso os sociais democratas deveriam publicitar medidas com mais interesse e sentido de forma a desviar as atenções das pessoas para a austeridade excessiva. 

Antes da reunião magna onde o país vai estar atento ao que Passos Coelho vai dizer ao partido mas não só, deveria haver um maior cuidado na relação entre o partido e os eleitores. Enfim....quem neste país quer saber da co adopção?
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