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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

A debandada ou o regresso de Passos Coelho

A eventual vitória de Rui Rio no Conselho Nacional vai ter consequências muito graves para o PSD. 

A melhor forma de acabar com o ruído seria realizar directas, mas também havia perigos  num ano em que se vão disputar vários actos eleitorais importantes para o futuro do país. 

O que está em causa na reunião social-democrata é a sobrevivência do partido em termos de liderança e definição ideológica, mas também sobre o papel na sociedade portuguesa, independentemente de quem estiver no poder. 

O risco de divisão aumenta com a manutenção de Rio e de uma viragem à esquerda. Contudo, um eventual suporte ao Partido Socialista na próxima legislatura, com o patrocínio de Marcelo Rebelo de Sousa, não é aceite por aqueles que perderam o poder depois da celebração da geringonça em 2015.  A estratégia dos ditos passistas, liderados por Luís Montenegro, passa por fazer o mesmo caso o PS não tenha a maioria absoluta em Outubro. O problema é que a Direita pode não alcançar a maioria de 116 deputados, mesmo com o surgimento de vários partidos no último ano.

Neste momento, são duas as consequências do triunfo da direcção. 

Em primeiro lugar vai haver uma debandada de muitos militantes para outras forças, ou mesmo criarem uma nova. O PSD pode ficar com o tamanho do CDS, sendo que, os votos dos eleitores que costumam votar no centro serão canalizados para o PS. 

A segunda consequência é o regresso de Pedro Passos Coelho após as legislativas para recuperar a matriz que possibilitou duas vitórias eleitorais. O antigo líder é o único com capacidade para criar alguma onda de entusiasmo, sendo que, o distanciamento desde a saída no ano passado, será entendido como um factor de mudança positiva.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

O regresso à Direita não é o melhor caminho para o PSD

A divisão das várias tendências no PSD é um facto consumado, sendo que, falta saber o que vai acontecer num ano em que deveria ser de foco nos actos eleitorais. Contudo, a facção mais radical exige o trono antes de ser despedida durante quatro anos após as eleições de Outubro.

A actual direcção não tem gerido da melhor forma a oposição ao Partido Socialista, mesmo que seja importante concordar com algumas medidas em nome do interesse nacional. O problema é que vários chavões como o do banho de ética, já se perderam. 

O que está em causa é a ideologia do partido. Os vários pensamentos que se criaram nos últimos anos, sobretudo com a chegada de novas caras durante as lideranças de Passos Coelho, baralha as prioridades e estratégia. O PSD não tem as mesmas condições que o CDS para abraçar muitas linhas de orientação, sendo que, os centristas também podem ser penalizados no futuro.

A manutenção da social-democracia é o melhor para o PSD conquistar o espaço que perdeu na sociedade portuguesa. Mudar a génese de uma força partidária traz sempre problemas como se percebeu pela forma como Passos Coelho governou à Direita. Os sociais-democratas sempre tiveram responsabilidades sociais, pelo que, colocar um rótulo liberal e com um discurso agressivo não é a melhor solução. 

Os dois maiores partidos portugueses sobreviveram por causa da ideologia social, e apresentando um discurso moderado. 

A última oportunidade dos militantes de Direita continuaram no partido passa pela conquista à força do poder, originando uma mudança radical, que possibilita ao PS ficar com os votos da classe média mais desprotegida, jovens com poucas oportunidades, e novos empresários que procuram oportunidades para lançarem mais projectos, além de manterem uma posição responsável relativamente às questões europeias.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Os números que dão a vantagem socialista nas legislativas

Os números das sondagens oferecem uma vantagem importante ao Partido Socialista nas próximas legislativas, embora ainda seja cedo para tirar conclusões definitivas. No entanto, a capacidade do governo gerir os problemas, bem como o último ano de estabilidade dos acordos parlamentares impossibilitam qualquer vitória do PSD, mesmo que seja por pouco. 

Nos próximos 365 dias não haverá razão para o executivo cometer erros, como aconteceu na gestão política dos incêndios do ano passado. A aprovação do Orçamento de Estado será considerada uma vitória para António Costa, que manteve uma estabilidade durante quatro anos contra todas as expectativas. No plano eleitoral, os grandes beneficiados serão sempre os socialistas. 

A principal questão nos próximos meses passa por perceber qual será o parceiro depois das eleições. O problema é que, mais uma vez, as coligações vão ser decididas após o acto eleitoral porque nenhum partido tem esperanças de obter um bom resultado. A estabilidade do país e a vontade do Presidente da República exigem um bloco central, mas Costa pode ter outras ideias, nomeadamente uma aliança com o Bloco de Esquerda. 

O resultado dos bloquistas também será essencial para perceber em que condições ficam os partidos de Direita. O CDS é uma autêntica incógnita, tendo em conta os últimos resultados eleitorais. 

O PSD encontra-se numa situação difícil. Os constantes ataques internos não vão acabar, mas os números dificilmente chegam para alcançar a prometida vitória. A liderança de Rui Rio tem uma tarefa complicada de escolher uma estratégia que permita subir nas sondagens sem causar a ilusão de um triunfo, sendo que, ao mesmo tempo não se pode importar com o ruído, que só prejudica o trabalho dos sociais-democratas.

As próximas eleições são as mais incertas dos últimos tempos porque existem várias possibilidades depois da noite eleitoral. Todos os cenários estão em aberto, mas os socialistas sentem-se confortáveis na primeira posição.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

A capacidade de lidar com as críticas pertence a Rui Rio

A liderança de Rui Rio começa a entrar numa fase em que sobrevive aos problemas diários, em vez de respirar tranquilidade para os desafios eleitorais. 

Os detractores do presidente pretendem tornar o caminho até às legislativas muito complicado, mas não haverá mudanças internas. Rui Rio tem razão ao apontar a instabilidade no partido como um factor que reforça a força eleitoral de António Costa. Contudo, existem situações da exclusiva responsabildiade do antigo autarca. 

As últimas respostas públicas aos críticos não são positivas porque geram imediatamente uma animosidade junto de uma sociedade que gosta de se exprimir livremente. As opiniões negativas podem tornar os líderes mais fortes, mas sempre que há uma tentativa de silenciar origina um efeito contrário. 

As razões para pedir a demissão do líder são maiores por causa da falta de capacidade de lidar com um grupo barulhento e mimado, já que, a perda de influência dentro do partido foi uma das consequências das eleições internas de Janeiro. Percebo que Rui Rio esteja com vontade de acabar com determinados sectores dentro do partido, nomeadamente aqueles que encontraram uma forma de vida no seio da política. O problema é que a maneira de indicar a saída não é a mais correcta numa altura em que todos precisam de remar para o mesmo lado.

A segunda atitude pouco inteligente do líder passa por oferecer votos de borla a Pedro Santana Lopes. A Aliança não é mais do que um projecto político para o antigo líder social-democrata voltar a ter influência real na política portuguesa. Contudo, também é uma forma de ajustar contas com um partido que o rejeitou várias vezes, pelo que, haverá bastantes votos sociais-democratas com destino garantido para a nova força política. Santana Lopes agradece a ajuda de Rio, que mostra sinais de preocupação face a uma debandada eleitoral. 

A falta de inteligência política de Rio na gestão de um aspecto muito sensível ao longo dos anos no PSD pode manter o actual ambiente de crispação insustentável. A capacidade de lidar com as críticas cabe ao presidente porque mais ninguém vai assumir as responsabilidades de disputar o cargo de primeiro-ministro com António Costa.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Sem acordos antes das eleições mas com intervenção pós-eleitoral do Presidente

A falta de acordos pré-eleitorais para a próximas eleições legislativas é um mau sinal que os partidos enviam para o eleitorado porque dificilmente uma força política conquista a maioria absoluta.

Os líderes dos principais partidos deveriam assumir com quem pretendem estabelecer entendimentos antes do acto eleitoral e nunca depois como aconteceu com a geringonça em 2015. As pessoas devem colocar o voto na urna tendo conhecimento de todas as estratégias. 

Durante o próximo ano todos vão colocar hipóteses em cima da mesa, consoante as sondagens, mas nenhum irá assumir a vontade de efectuar coligações, nem sequer optar por um parceiro. Nesta altura o ambiente político não permite que se realizem acordos. 

O Partido Socialista sonha com o poder absoluto. No entanto, caso falhe a maioria também não sabe qual será o principal parceiro, sendo que, não está disponível para partilhar o governo, limitando-se ao escrutínio parlamentar que na democracia portuguesa tem pouco significado. Os socialistas piscam o olho à esquerda e à direita para se manterem na liderança do país. O único partido que está fora das cogitações é o CDS, já que, Bloco e PCP podem voltar a serem amuletas e o PSD actuará sempre em nome do interesse nacional por causa da insistência do Presidente da República.

Os sociais-democratas ambicionam retirar margem de manobra ao PS na governação através de um bom resultado. Em caso de vitória precisam de obter o apoio do CDS cada vez mais egoísta. O bloco central é possível caso tenha a vigilância de Marcelo Rebelo de Sousa. 

O Bloco de Esquerda e o CDS têm vontade de regressar ao poder, embora de formas diferentes. Os bloquistas continuam com uma intervenção importante em vários sectores sociais, enquanto os centristas actuam dentro da máquina do Estado. Por fim, o PCP pode ser um elemento estratégico porque não deverá aceitar novos entendimentos políticos. 

As palavras do Presidente da República sobre os acordos pré-eleitorais são um engano político. A actuação presidencial vai começar logo na noite das eleições, não esperando pelo dia seguinte. O actual cenário político que se deve manter nos próximos 365 dias é o ideal para Marcelo exercer o papel de mestre de cerimónias.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

O PSD volta a viver a mesma confusão pós-2005

A possibilidade de Pedro Duarte se candidatar a líder do PSD em 2020 já era esperada, mas o timing da intenção surge na pior altura para o partido, mesmo havendo falta de visibilidade de Rui Rio. 

Neste momento, o partido não necessita de candidatos virtuais que espreitam uma possibilidade de eleições antecipadas para vencer as legislativas de 2019. O burburinho iniciado no dia da tomada de posse da nova direcção, mesmo antes do Congresso, ainda se percebe por provir de antigos apoiantes de Passos Coelho e que se juntaram a Pedro Santana Lopes. A facção de Lisboa também juntou-se por causa de eventuais perdas de lugares. 

No Congresso de Fevereiro, Luís Montenegro anunciou que iria para a televisão ser uma voz opositora à actual liderança. Passaram alguns meses e não se vislumbra qualquer força proveniente do espaço onde o antigo líder da bancada parlamentar costuma fazer xeque-mate. 

A chegada de um novo player abre novamente a discussão sobre as fraquezas do PSD na oposição. O PS agradece que, a força política que venceu as últimas legislativas esteja numa confusão até encontrar um novo líder com capacidade. 

A vida interna no PSD não pode ser semelhante ao que aconteceu depois da vitória de Sócrates em 2005, onde Luís Marques Mendes, Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite foram abatidos pelos diversos aparelhos partidários, sem possibilidade de transmitirem a mensagem ao eleitorado. 

Caso os sociais-democratas percam as legislativas 2019, mesmo por único voto, correm o risco de divisão através do surgimento de várias candidaturas, como acontece neste momento no Sporting.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O último amuo do menino guerreiro

Em sete meses, Pedro Santana Lopes ofereceu várias faces políticas. Em Janeiro disputou a liderança do PSD com Rui Rio, tendo mais uma derrota, embora com números interessantes. Um mês depois, integrou a lista do Presidente social-democrata do Conselho Nacional como cabeça-de-lista numa atitude de união dentro do partido. No entanto, a bomba chegou com a decisão de abandonar o PSD e criar um partido novo, sendo que, não faltaram críticas à actual liderança social-democrata.

As mudanças políticas de Santana Lopes foram constantes ao longo da carreira política, mas em poucos meses não se pode passar de número 2 de Rio a dissidente social-democrata, como aconteceu com várias personalidades em todos os partidos. As opções acabam por ser tomadas em função de uma estratégia futura. Isto é, caso o antigo primeiro-ministro não tivesse ao lado de Rio, neste momento não seria notícia por sair do partido porque já estaria esquecido no plano político. A criação de uma falsa união com o vencedor das últimas eleições serviu os interesses pessoais porque pode aproveitar o descontentamento de muitas pessoas no PSD para lançar o novo projecto com sucesso. No entanto, não existe margem para novo regresso.

Na minha opinião, Santana Lopes transmite uma imagem de perdedor, pelo que, nunca terá possibilidade de êxito com a criação de uma nova força. A possibilidade de dividir ainda mais o PSD nunca será aceite pelo eleitorado que gosta de lealdade. A intenção de um novo partido será sempre a de fragilizar um sector social-democrata que nunca possibilitou uma vitória interna. Apesar das várias candidaturas, os resultados foram sempre os mesmos, pelo que, nunca serão os portugueses a possibilitarem mais uma oportunidade.

O destino do menino guerreiro na política, dentro ou fora do PSD, está definitivamente traçado.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

A última vida política de Santana Lopes pode ser a melhor

O antigo líder social-democrata continua a surpreender no plano político. A recente decisão de terminar a ligação com o partido só pode ser entendido como um fim nas actividades políticas e nunca como um abandono depois de ter sido mais uma vez derrotada para a liderança. 

O problema é que Santana Lopes tem muitas vidas políticas, que emprestou ao país durante quase 30 anos, pelo que, não se pode descartar uma nova aventura. No entanto, teria que ser fora do PSD porque o futuro depois de Rui Rio será com uma geração mais jovem. 

A ideia de criar um partido político poderia ser uma solução interessante para Santana Lopes continuar ligado de forma livre. Em muitos momentos do percurso, o social-democrata mostrou capacidade para pensar pela própria cabeça. Recordo que foi o único antigo lider do PSD que colocou os pés no Congresso depois de Passos Coelho perder a chefia do governo, mesmo tendo ganho as legislativas de 2015. 

A mobilização nunca seria um problema porque muitas pessoas, sobretudo os mais novos e aqueles que não têm uma participação política activa, estão com vontade de aderir a um eventual novo projecto.  Neste momento, Santana Lopes é o único com capacidade para oferecer uma nova imagem à política portuguesa, como aconteceu com Albert Rivera em Espanha. O outro é Rui Moreira, mas as obrigações na Câmara Municipal do Porto devem adiar o compromisso com o país.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

O bloco mais desejado por Marcelo

Os constantes apelos de Cavaco Silva a entendimentos partidários nunca foram recebidos com agrado pela coligação de direita que governava o país, nem pelos socialistas que se encontravam na oposição, sobretudo com António José Seguro. 

O actual Presidente da República não costuma insistir nas mesmas ideias, embora tenha um desejo escondido de mais cooperação entre partidos, nomeadamente PSD e PS. 

Os sinais dados por Rui Rio prometem maior colaboração entre as forças ditas do bloco central. A aproximação das eleições muda o cenário de amizade porque os sociais-democratas pretendem recuperar o poder e os socialistas alcançar a maioria absoluta. 

O principal problema está no dia depois das legislativas. 

O único cenário que não admite a necessidade de colaboração parlamentar ou coligação governamental entre PSD-PS é a manutenção da actual maioria de esquerda. Contudo, o PCP pode ficar de fora de qualquer acordo parlamentar. 

Um entendimento de não agressão do PSD ao PS ou vice-versa seria a melhor forma de Marcelo Rebelo de Sousa ser o mestre de cerimónias da condução política do país. O papel cabia inteiramente a uma figura que consegue arranjar pontes nos bastidores, mas não tem problemas em mandar recados que são escutados por todos. 

O aumento da influência do Presidente da República no plano social, a nível da diplomacia, também se estende à política interna. Qualquer acordo entre os dois grandes partidos seria igualmente uma forma de ter a reeleição no bolso porque não haveria candidatos com um discurso capaz de conquistar os eleitores do centro que votam PS e PSD de forma alternada.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

A caminho de um bloco central com a benção de Marcelo

Os recentes acordos entre o PSD e o PS confirmam os receios daqueles que não pretendem um governo de bloco central, seja nos sociais-democratas ou nos socialistas. 

A possibilidade de Costa e Rio andarem lado a lado nos próximos anos aumentou bastante, sobretudo depois do primeiro acto de entendimento. 

O PS pode pedir a maioria absoluta colocando-se mais ao centro, mas vai concorrer com o novo PSD. Os dois partidos irão disputar o mesmo eleitorado, acabando por criar uma fragmentação, embora seja provável que os socialistas ganhem mais pontos. Perante o cenário, dificilmente haverá maioria absoluta suficiente para governar sozinho, pelo que, será preciso arranjar um parceiro. Os militantes socialistas não se importam com quem efectuam acordos, desde que se mantenham no poder.

A experiência da geringonça tem os dias contados por causa do PCP, que não aceita a nova posição ideológica dos socialistas, além de recear perder mais votos. Os bloquistas estarão com o PS nalgumas matérias, mas sempre com críticas pelo meio.

O PSD também não fará parte do executivo, embora adopte uma postura mais conciliadora e participante, colocando no eventual governo socialista todas as responsabilidades da má governação. 

A vontade de contribuir para o interesse nacional será a única forma de Rui Rio conseguir manter o eleitorado durante a próxima legislatura, para ambicionar chegar ao poder em 2023. O líder social-democrata já percebeu que tem de abrir mão das exigências dos militantes e contornar as consequências de um apaziguamento contra o executivo. Qualquer acção de má fé contra os socialistas será aproveitada pelos outros partidos para se aproximarem, por causa da capacidade camaleónica de António Costa.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Dois meses sem oposição é muito tempo

O início de Rui Rio na liderança do PSD prometia ser entusiasmante. As primeiras aparições logo a seguir ao Congresso representavam um sinal de vivacidade e vontade de mudança imediata relativamente ao passado. No entanto, o líder social-democrata preferiu arrumar a casa em primeiro lugar, em vez de marcar posição face ao governo.

A ideia de Rio para o novo PSD é interessante e promete uma viragem para o exterior, embora haja a certeza que o executivo vai ser condicionado em várias áreas. Os governos-sombras não são uma novidade, mas a estrutura apresentada nesta semana promete ser mais do que mera oposição. O objectivo também passa por envolver debates junto da sociedade civil. 

Apesar das últimas medidas serem positivas, o primeiro-ministro António Costa continua a gozar um período de acalmia inexplicável dois meses depois dos congressos do PSD e CDS. Em véspera de eleições exigia-se mais acção política dos dois aspirantes a chefiar o governo. No caso de Rio, tinha de marcar a agenda depois do congresso, o que ainda não aconteceu. O tempo do líder social-democrata é diferente do de Assunção Cristas.

Caso o PS chegue ao congresso com as sondagens em alta, será uma excelente oportunidade para unir o partido em torno da figura de António Costa. A oposição não está com força suficiente para contrariar os excelentes números económicos e as campanhas políticas como a recente limpeza das matas, em que os membros do governo deram dois passos à frente, enquanto a oposição ficou em casa nas habituais críticas que os eleitores cada vez mais detestam. 

Parece que os dirigentes sociais-democratas perderam vontade em disputar as legislativas.

quarta-feira, 28 de março de 2018

A cooperação partidária durou pouco tempo

A recusa de António Costa em efectuar um bloco central e a disponibilidade de Rui Rio chumbar o próximo orçamento de Estado são os primeiros sinais de ruptura da cooperação partidária prometida no último mês e meio.

Após o Congresso social-democrata os dois líderes partidários mostraram boa vontade e disponibilidade para cooperação, mas parece que o estado de empatia chegou ao fim. Rui Rio também se mostrou contra o bloco central, embora tivesse dado uma mão ao PS para os eleitores perceberem que tinha começado um novo ciclo político. 

A postura do secretário-geral socialista indica que vai fechar a porta ao diálogo no próximo ano e meio em que o mais importante passa por tentar conquistar a maioria absoluta. Não acredito que os socialistas deitem fora a oportunidade de recuperar o poder total, pelo que, precisam de fazer uma campanha dura. 

No consulado de Passos Coelho, a estratégia do executivo passava por culpar o maior partido da oposição de recusar o diálogo. Nos próximos meses, a prioridade será tornar o PS numa máquina vencedora, colocando Rui Rio numa situação inferior no plano político. 

A vantagem socialista pode estar na circunstância de culpar o PSD por eventuais mudanças de comportamento do principal adversário. Ou seja, Costa não tem que aceitar os pedidos de cooperação das restantes bancadas por causa dos bons resultados da governação, mas os outros precisam de mostrar que estão abertos ao diálogo sob pena de serem atacados politicamente, nomeadamente na campanha eleitoral.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Rio perdeu uma batalha importante

A demissão de Feliciano Barreiras Duarte como secretário-geral do PSD é um embaraço político para o novo líder.

Neste caso, Rui Rio ficou claramente a perder porque mostrou fragilidade em duas ocasiões. Em primeiro não apagou rapidamente o fogo, como sucedeu no caso de Elina Fraga. Em segundo acaba por ficar sem o braço direito apenas um mês desde a tomada de posse e de juras de fidelidade dos militantes do partido. 

A oposição interna encabeçada por Luís Montenegro ganhou um enorme motivo para contestar já a actual direcção, sem dar oportunidade de concorrer às eleições legislativas.

A continuidade do anterior secretário-geral dependia da rápida acção de Rui Rio, como aconteceu na crise com Elina Fraga. A intervenção do líder permitiu que hoje já não se fale em problemas com a antiga bastonária. 

A posição de Rio é ingrata porque se ficar calado perante os ataques vai fragilizar os membros mais importantes, mas também não pode dar "cavaco" a todas as notícias que saem na comunicação social. Vai ser complicado gerir a oposição interna que se mexe muito bem nos media portugueses. 

As intenções iniciais pareciam ser boas, sobretudo na força à resposta aos problemas que surgiram. Contudo, a saída do secretário-geral prova que o actual líder não é à prova de bala.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Reformar em primeiro lugar o PSD

O novo presidente social-democrata promete uma razia em termos de nomes para os cargos mais importantes do partido.

O congresso será o principal palco para o anúncio de inúmeras mudanças que se avizinham, sobretudo na tentativa de encostar os passistas e os santanistas que ainda resistem.

Na campanha eleitoral, notou-se que Rio estava agastado com o grupinho de pessoas que lançou novamente Santana Lopes na corrida à liderança do PSD. Não são apenas pessoas ligadas a Passos Coelho, mas também outros que não gostam do discurso contra Lisboa do actual líder.

O segundo grupo que precisa de ser afastado é a liderança da bancada parlamentar onde Luis Montenegro e Hugo Soares fizeram oposição no parlamento nos últimos dois anos. O primeiro bem melhor que o segundo, embora seja com Soares que Rui Rio tem de se preocupar. Não faz sentido o líder parlamentar pedir a demissão no dia a seguir à eleição do antigo autarca porque revela fraqueza política. Contudo, pode estar em vias de acontecer o primeiro problema do líder.

Rio só iria criar um problema antes do Congresso caso alterasse a bancada parlamentar sem ter apoio efectivo, mesmo fora da direcção. Neste momento, o objectivo passa por construir e não destruir, mas dificilmente irá acontecer. A falta de qualidade de bons parlamentares é um dos problemas do PSD, que tem de enfrentar um primeiro-ministro com experiência. A boa retórica de Hugo Soares não é suficiente para derrotar António Costa. 

A escolha imediata também não pode recair num apoiante, como António Leitão Amaro. Apesar de ter sido eleito há uma semana, Rio já tem um problema na resolução de uma liderança segura e leal no parlamento.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Mais um mito que vai durar pouco tempo na liderança do PSD

A eleição de Rui Rio como líder do PSD não representa uma mudança. Na campanha notou-se algumas semelhanças com Passos Coelho, sobretudo no plano económico. A promessa de apresentar uma alternativa será curta porque não é fácil criar  uma solução diferente do governo neste clima favorável.

O antigo autarca do Porto lutou pela oportunidade que tanto reclamava desde a saída de funções camarárias. A conquista da liderança resulta de um trabalho iniciado há um ano. 

Num curto espaço de tempo precisa de provar que merece a confiança dos militantes. As conclusões serão tiradas no final do ano tendo em conta que em 2019 existem eleições europeias e legislativas. Rio não terá um acto eleitoral antes das eleições gerais para testar a liderança, pelo que, a capacidade de levar o PSD à vitória no início de 2019 será decisivo na mobilização dos eleitores. 

Na eventualidade dos sociais-democratas concorrerem às eleições num clima de critica constante prejudica o trabalho do autarca porque os aliados rapidamente se transformam em adversários. 

A liderança de Rui Rio recorda-me a fraca presidência de Manuela Ferreira Leite, outro mito que rapidamente caiu na realidade. São figuras que sempre contribuiram positivamente para o PSD, mas sem capacidade de mobilizarem os militantes e os eleitores. Os dois sempre estiveram à espera das condições ideais para se chegarem à frente, contando sempre com apoios da máquina. 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A liderança de Passos Coelho ficou fora da campanha

Normalmente nas eleições internas de um partido costuma haver comparações entre o líder cessante e o futuro. Na campanha para as directas do PSD não houve uma tentativa de ofuscar a liderança de Passos Coelho por parte dos candidatos. 

Em primeiro lugar não há razões objectivas para criticar a liderança que termina funções em breve. A vitória nas legislativas dá um capital de confiança a Passos Coelho. Em dois meses nem Santana ou Rio se referiram à derrota nas autárquicas. Os dois podiam ter feito um diagnóstico muito negativo, sobretudo Rio que fez campanha interna através dos jornais nos últimos anos, mas optaram por um discurso mais suave.

Na apresentação das candidaturas, Rio e Santana começaram por saudar o trabalho realizado por Passos Coelho, lembrando as circunstâncias dificeis em que liderou o executivo de direita. Não seria inteligente iniciar uma campanha elogiando o líder do partido e depois estar constantemente a criticar, além de que Passos Coelho tem um capital muito grande junto do eleitorado social-democrata e no país. Os costumes dizem que as opiniões mudam como o vento, mas ninguém pode tirar mérito a duas vitórias em eleições legislativas.

A outra razão para o debate não ter ido por esse caminho está relacionado com a eterna questão da gestão de Pedro Santana Lopes, levantadas por Rui Rio. O que está em causa não é a possibilidade do PSD regressar ao passado mais recente, mas a 2004, altura em que Santana supostamente realizou diversas trapalhadas que o impediram de continuar como líder do executivo, tendo sido confirmadas pelos portugueses nas eleições de 2005. 

A liderança de Santana Lopes foi bastante mais escrutinada do que a de Pedro Passos Coelho.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Uma nova atitude contra o rigor orçamental

Os candidatos à liderança do PSD jogam uma cartada forte na última semana de campanha, havendo um debate que não deverá acrescentar nada relativamente à convicção dos militantes. A conversa dos concorrentes com as bases acaba por ser mais esclarecedora que as entrevistas e os debates, que servem apenas para mostrar as ideias aos eleitores em geral. 

O passado de Santana Lopes como primeiro-ministro tem sido bastante escrutinado, mais pelos comentadores do que por parte de Rui Rio, que perdeu uma excelente oportunidade de colocar o adversário a admitir que falhou. Apesar dos mau exercício das funções em 2004, nota-se uma vontade de fazer algo novo e de mobilizar as pessoas à volta de um projecto. As pessoas estão fartas dos representantes que se escondem atrás de uma secretária a fazerem contas de cabeça para equilibrar o orçamento.

O tempo em que o primeiro-ministro ou Presidente da República ganhava eleições porque tem as contas equilibradas terminou porque as pessoas pretendem uma palavra de ânimo, de esperança e motivação. As boas notícias são importantes, mas não substituem os afectos, sobretudo numa altura em que existe cada vez mais incerteza. 

Por estas razões, Santana Lopes pode estar vantagem sobre Rui Rio nos militantes sociais-democratas, apesar do país optar nas sondagens pelo antigo presidente da Câmara Municipal do Porto. O discurso nesta campanha não sai das opções económicas e da redução défice, semelhante às propostas do governo. 

A nova postura do ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa parece ser mais contagiante e inovadora porque o país necessita de alguém que aponte caminhos. Rio caiu no mesmo erro do governo, que ficou à espera de resolver os problemas sociais apenas e só com os bons números económicos. 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A questão que mais intriga os militantes sociais-democratas

A corrida para a liderança do PSD pode ser resumida a uma única questão. O que farão os candidatos caso o PS vença as próximas legislativas com maioria relativa e a relação parlamentar com os socialistas neste ano e meio antes do acto eleitoral.

Os concorrentes já disseram várias coisas, mas rapidamente são apanhados em contradição em cada entrevista ou debate. Nenhum militante pretende dar a mão ao PS porque o golpe de 2015 ainda está bem fresco na memória, mas também não se entende que o PSD continue a assumir uma atitude irresponsável como foram os dois anos de Passsos Coelho na oposição em alguns assuntos.

A primeira questão é saber que tipo de oposição será o PSD nos dois anos em que poderá ser chamado a ajudar o executivo tendo em conta o mau estar com os parceiros no parlamento. Neste aspecto, Rio e Santana Lopes garantem que vão adoptar outro tipo de postura porque o partido perdeu muito com a conversa da chegada do diabo e do passado. As contradições dizem respeito ao pós-eleições.

Os dois candidatos não podem assumir uma posição sem saber o resultado, pelo que, qualquer palavra corre o risco de ser alterada. Numa entrevista, Rui  Rio esteve bem ao dizer que ter a mesma atitude de António Costa em 2015 é dar argumentos para a criação de uma nova geringonça, embora o PCP esteja completamente fora de nova aventura porque não será necessário repor rendimentos. No entanto, o BE deverá ser um aliado dos socialistas. 

No passado, o PSD viabilizou inúmeros governos minoritários do PS, não sendo previsível que mude de atitude. A não ser que haja uma vingança política por aquilo que se passou em 2015, mas a nova direcção, com Rio ou Santana, não deverá optar pela mesma via porque também existe a influência presidencial. Marcelo Rebelo de Sousa é o primeiro a rejeitar uma situação dessas.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Candidatos com muitos telhados de vidro

O passado marcou o debate entre os dois candidatos à liderança do PSD. Um mau começo de Santana Lopes e Rui Rio, que dificilmente se distinguem pelas propostas económicas e sociais, embora o confronto tivesse sido dominado por assuntos que podem interessar mais aos militantes e pouco aos portugueses. 

No assunto mais discutido, Santana Lopes encostou Rio à parede por o ter confrontado com afirmações do passado, pedindo justificações sobre as eventuais trapalhadas que cometeu durante primeiro-ministro. No início da campanha, ficou a sensação que Rui Rio não tinha qualquer passado incómodo que o pudesse afectar, mas o adversário fez questão de puxar pela memória. 

Neste aspecto nenhum tem mais telhados de vidro do que o outro. Contudo, o antigo presidente da Câmara Municipal do Porto fechou o debate insistindo na mesma tecla, pelo que, poderá ser o principal e único argumento de distinção face ao adversário. No plano económico não tem mais ideias do que o habitual num candidato social-democrata. 

Os concorrentes tiveram dificuldades em explicar o que fariam diferente do executivo neste ambiente económico favorável, concordando com a redução do IRC nas empresas. Nem conseguirem ser muito diferentes da liderança de Passos Coelho. 

Os debates televisivos são cada vez mais inúteis, sendo mais importante o contacto directo com os militantes, como Rio e Santana Lopes estão a fazer desde o início.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

A tarefa do novo presidente do PSD

A tarefa do novo presidente social-democrata não será fácil tendo em conta os bons números económicos apresentados pelo governo, que deverão ser reforçados até final da legislatura. O aproveitamento político de uma eventual cisão entre a gerigonça também não vai ser possivel porque nenhum dos partidos pretende criar uma crise.

O próximo líder do PSD tem de apresentar melhores propostas que o executivo, sobretudo no plano económico. A receita de Passos Coelho em dois anos na oposição falhou, pelo que, mais discursos pessimistas serão rejeitados. O sucesso da liderança passa por aplaudir medidas do governo que levem o país no bom caminho, o que também aconteceu algumas vezes com o actual líder social-democrata.

O papel de líder que só diz mal está reservado a Assunção Cristas. Santana Lopes ou Rui Rio terão forçosamente de efectuar um contributo positivo para o país, em vez de alinharem pela crítica destrutiva, porque nenhum deles estará no parlamento.

O tom moderado da campanha eleitoral não dá para perceber quem vai ser mais agressivo com António Costa. Os dois concorrentes parecem calmos nas críticas ao executivo, já que, também defendem pactos de regime em benefício do país. 

A influência de Marcelo Rebelo de Sousa na persuasão de pensar no país em primeiro lugar do que nos interesses partidários durante ano e meio é decisiva para criar um ambiente favorável até às próximas legislativas.
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