A eventual vitória de Rui Rio no Conselho Nacional vai ter consequências muito graves para o PSD.
A melhor forma de acabar com o ruído seria realizar directas, mas também havia perigos num ano em que se vão disputar vários actos eleitorais importantes para o futuro do país.
O que está em causa na reunião social-democrata é a sobrevivência do partido em termos de liderança e definição ideológica, mas também sobre o papel na sociedade portuguesa, independentemente de quem estiver no poder.
O risco de divisão aumenta com a manutenção de Rio e de uma viragem à esquerda. Contudo, um eventual suporte ao Partido Socialista na próxima legislatura, com o patrocínio de Marcelo Rebelo de Sousa, não é aceite por aqueles que perderam o poder depois da celebração da geringonça em 2015. A estratégia dos ditos passistas, liderados por Luís Montenegro, passa por fazer o mesmo caso o PS não tenha a maioria absoluta em Outubro. O problema é que a Direita pode não alcançar a maioria de 116 deputados, mesmo com o surgimento de vários partidos no último ano.
Neste momento, são duas as consequências do triunfo da direcção.
Em primeiro lugar vai haver uma debandada de muitos militantes para outras forças, ou mesmo criarem uma nova. O PSD pode ficar com o tamanho do CDS, sendo que, os votos dos eleitores que costumam votar no centro serão canalizados para o PS.
A segunda consequência é o regresso de Pedro Passos Coelho após as legislativas para recuperar a matriz que possibilitou duas vitórias eleitorais. O antigo líder é o único com capacidade para criar alguma onda de entusiasmo, sendo que, o distanciamento desde a saída no ano passado, será entendido como um factor de mudança positiva.
