A vaga de populismo ou de novos estilos de liderança que atingiu várias democracias ocidentais dificilmente chega a Portugal neste ano. Apesar de haver três actos eleitorais, não será em 2019 que as novas forças políticas conseguem furar o sistema.
O esforço de algumas pessoas para mudarem o espectro partidário deverá ser recompensado apenas em 2023 caso mantenham os projectos após as legislativas de Outubro.
A necessidade de estabilidade política nos próximos anos como forma de manter o crescimento económico impede que se optem por soluções ainda desconhecidas. O descontentamento e desinteresse de algumas franjas da população pelo fenómeno não será canalizado totalmente para as novas forças que subitamente apareceram. A abstenção continuará a subir porque as propostas apresentadas são as mesmas que há quinhentos anos.
O grande problema continua a ser os rostos. Da Esquerda para a Direita não há mudanças desde 2015. As únicas novidades são as caras jovens dos novos player partidários, embora com um longo caminho para percorrer.
Neste ano eleitoral existe um motivo mais preocupante, como é a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa. A imagem dos afectos foi sempre construída num plano positivo, já que, o Presidente da República nunca teve problemas políticos. A falta de maioria absoluta do PS coloca um enorme desafio.
Não acredito que o Chefe de Estado fique à margem do futuro do país. Isto é, coloque a decisão de entendimentos e alianças nas mãos dos partidos, como costumava fazer Cavaco Silva. Marcelo Rebelo de Sousa vai assumir uma posição autoritária caso seja necessário efectuar coligações no Parlamento.

