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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

As legislativas não vão alterar o espectro político em Portugal

A vaga de populismo ou de novos estilos de liderança que atingiu várias democracias ocidentais dificilmente chega a Portugal neste ano. Apesar de haver três actos eleitorais, não será em 2019 que as novas forças políticas conseguem furar o sistema. 

O esforço de algumas pessoas para mudarem o espectro partidário deverá ser recompensado apenas em 2023 caso mantenham os projectos após as legislativas de Outubro. 

A necessidade de estabilidade política nos próximos anos como forma de manter o crescimento económico impede que se optem por soluções ainda desconhecidas. O descontentamento e desinteresse de algumas franjas da população pelo fenómeno não será canalizado totalmente para as novas forças que subitamente apareceram. A abstenção continuará a subir porque as propostas apresentadas são as mesmas que há quinhentos anos.

O grande problema continua a ser os rostos. Da Esquerda para a Direita não há mudanças desde 2015. As únicas novidades são as caras jovens dos novos player partidários, embora com um longo caminho para percorrer.

Neste ano eleitoral existe um motivo mais preocupante, como é a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa. A imagem dos afectos foi sempre construída num plano positivo, já que, o Presidente da República nunca teve problemas políticos. A falta de maioria absoluta do PS coloca um enorme desafio. 

Não acredito que o Chefe de Estado fique à margem do futuro do país. Isto é, coloque a decisão de entendimentos e alianças nas mãos dos partidos, como costumava fazer Cavaco Silva. Marcelo Rebelo de Sousa vai assumir uma posição autoritária caso seja necessário efectuar coligações no Parlamento.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Sem acordos antes das eleições mas com intervenção pós-eleitoral do Presidente

A falta de acordos pré-eleitorais para a próximas eleições legislativas é um mau sinal que os partidos enviam para o eleitorado porque dificilmente uma força política conquista a maioria absoluta.

Os líderes dos principais partidos deveriam assumir com quem pretendem estabelecer entendimentos antes do acto eleitoral e nunca depois como aconteceu com a geringonça em 2015. As pessoas devem colocar o voto na urna tendo conhecimento de todas as estratégias. 

Durante o próximo ano todos vão colocar hipóteses em cima da mesa, consoante as sondagens, mas nenhum irá assumir a vontade de efectuar coligações, nem sequer optar por um parceiro. Nesta altura o ambiente político não permite que se realizem acordos. 

O Partido Socialista sonha com o poder absoluto. No entanto, caso falhe a maioria também não sabe qual será o principal parceiro, sendo que, não está disponível para partilhar o governo, limitando-se ao escrutínio parlamentar que na democracia portuguesa tem pouco significado. Os socialistas piscam o olho à esquerda e à direita para se manterem na liderança do país. O único partido que está fora das cogitações é o CDS, já que, Bloco e PCP podem voltar a serem amuletas e o PSD actuará sempre em nome do interesse nacional por causa da insistência do Presidente da República.

Os sociais-democratas ambicionam retirar margem de manobra ao PS na governação através de um bom resultado. Em caso de vitória precisam de obter o apoio do CDS cada vez mais egoísta. O bloco central é possível caso tenha a vigilância de Marcelo Rebelo de Sousa. 

O Bloco de Esquerda e o CDS têm vontade de regressar ao poder, embora de formas diferentes. Os bloquistas continuam com uma intervenção importante em vários sectores sociais, enquanto os centristas actuam dentro da máquina do Estado. Por fim, o PCP pode ser um elemento estratégico porque não deverá aceitar novos entendimentos políticos. 

As palavras do Presidente da República sobre os acordos pré-eleitorais são um engano político. A actuação presidencial vai começar logo na noite das eleições, não esperando pelo dia seguinte. O actual cenário político que se deve manter nos próximos 365 dias é o ideal para Marcelo exercer o papel de mestre de cerimónias.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Marcelo melhor no segundo ano de mandato

O segundo ano do mandato de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República foi bem melhor que o primeiro. 

O comportamento no problema dos incêndios colocaram-no no topo dos políticos portugueses que mais se preocuparam com as pessoas, ao ponto de ser o único que não fez um aproveitamento político da situação.

A popularidade registada advém da forma como exageradamente aparece nos meios de comunicação social, mas também por causa da vontade genuína em ajudar. O circo montado em torno da sua presença nem sempre é positivo, embora haja alguma verdade na intenção. Nenhum político conseguiu imitar os afectos presidenciais, apesar de várias tentativas. 

A resposta à tragédia dos incêndios também deve ser destacada no plano político. A pressão de Marcelo sobre o governo resultou na queda da Ministra da Administração Interna. O discurso presidencial naquela situação foi dos melhores que se assistiu durante dois anos. 

O mandato não tem sido marcado por grandes problemas políticos porque a maioria parlamentar vai funcionar até 2019. O problema pode ser depois caso nenhum partido conquiste a maioria absoluta como tem sido regra desde 2009. 

Nessa altura  as candidaturas presidenciais estarão praticamente preparadas, sendo que, Marcelo confirmou o anúncio de uma decisão para o Verão de 2020. O chefe do Estado pode decidir a composição do novo executivo em função de uma reeleição. O bloco central parece ser a vontade presidencial, mas nenhum líder partidário tem noção que a realidade portuguesa no futuro será igual à de muitos paises na Europa.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Marcelo é o único que se preocupa com as vítimas dos incêndios

A onda de solidariedade da sociedade portuguesa na tragédia dos incêndios não está a chegar às populações afectadas como se queixam alguns autarcas. 

Num instante todos os intervientes políticos que se aproveitaram politicamente do problema não se lembram do que aconteceu em Junho e Outubro. Todos menos um. Nesta questão, Marcelo Rebelo de Sousa é a única figura política que não abandonou as pessoas que perderam tudo. O trabalho dos autarcas também tem sido importante, mas o Presidente da República mostra um enorme empenho em levantar o moral às pessoas e fazer com que o prometido seja cumprido. 

A sensibilidade social é uma das principais campanhas desta presidência. Contudo, Marcelo exagera em obrigar as pessoas a participarem num mediatismo nem sempre aceitável. Nesta situação, o Chefe do Estado manteve o afecto e o empenho na resolução do problema social mais grave do ano em Portugal. Pelo contrário, governo e partidos políticos colocaram o tema na gaveta. 

A forma como o Presidente da República acompanha as pessoas engrandece os políticos, mas o aproveitamento dos restantes torna a classe mais pequena. As preocupações sociais não são exclusivas de Marcelo, já que, a agenda de Cavaco Silva também promoveu inúmeras batalha, embora sem alarido mediático. 


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O poder do Presidente aumentou

A forte mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa depois dos incêndios originou a queda da Ministra da Adminstração Interna.

Não é muito comum um Presidente da República ditar o afastamento de um membro do governo publicamente e de forma tão dura como sucedeu no início da semana. 

A influência presidencial sobre o executivo começa a ser preocupante para o primeiro-ministro que pensava ter rédea solta devido à suposta amizade com o presidente. Marcelo não vai actuar em função de nenhum interesse específico, a não ser o dele próprio sempre sob a capa do melhor para o país.

O jogo de bastidores provenientes de Belém já fez duas vítimas política. A primeira foi Pedro Passos Coelho depois de Marcelo ter dito que se iniciava um novo ciclo a seguir às eleições autárquicas. A segunda chama-se Constança Urbano de Sousa, que saiu doze horas depois da mensagem presidencial. A terceira vítima pode ser Rui Rio, já que, o recente convite a Pedro Santana Lopes também significa um apoio pessoal.

Nos próximos tempos os avisos ao governo serão maiores e Costa não vai poder responder como gosta. Isto é, com indirectas públicas para Belém. Em dois anos, o líder socialista conseguiu derrubar Paulo Portas e Pedro Passos Coelho, mas dificilmente tem capacidade para eliminar o Presidente, mesmo que continue como chefe do governo na próxima eleição presidencial em 2021. 

Em pouco menos de dois anos de mandato, Marcelo Rebelo de Sousa tomou as rédeas do país.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Os tiques autoritários de Marcelo

As notícias que dão conta da eventual interferência de Marcelo Rebelo de Sousa no encerramento da Caixa Geral de Depósitos de Almeida revelam que temos um Presidente da República a roçar o autoritarismo. 

Aos poucos, Marcelo troca a presidência dos afectos por uma governação semelhante a alguns ditadores modernos que também começaram com pequenos gestos pouco mediáticos para acabarem em atitudes mais gravosas.

A comparação poderia ser exagerada se o poder do Presidente da República fosse limitado. Ou seja, caso não houvesse hipótese de interferir noutro tipo de situações, como a constituição de um governo. Por exemplo, se em 2019 nem PS ou PSD conquistarem maioria absoluta, serem obrigados a formarem um bloco central, tendo como primeira consequência a demissão de António Costa e Pedro Passos Coelho. 

O cenário não pode ser considerado irrealista porque a saída dos dois líderes partidários favorece as ambições de Marcelo Rebelo de Sousa em se candidatar a novo mandato em 2021. Tudo é possível numa pessoa que esteve dez anos como comentador político como única forma de conseguir vencer uma eleição. 

O mais grave é Marcelo se deixar envolver nesta questão por razões meramente mediáticas.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Um ano muito mau

Um ano após o exercício do mandato presidencial por Marcelo Rebelo de Sousa é possível concluir que se tratou de um ano muito mau.

A presidência da República passou a ter como inquilino alguém que procura apenas protagonismo político, embora tenha inúmeras qualidades políticas. Marcelo Rebelo de Sousa transformou o cargo num projecto pessoal. A intenção de tornar o presidente mais afectivo era boa, mas o excesso de protagonismo tirou relevância ao gesto.

Neste momento, existem dois aspectos negativos. O primeiro é o excesso de afecto e o segundo é a vontade de querer estar em todo o lado. A prática das duas situações só acontece devido a protagonismo que Marcelo pretende. 

Os comentários diários sobre tudo e mais alguma coisa tornam o Presidente num fala barato que se deixa seduzir por qualquer microfone, colocando-se ao nível do telespectador mais ferrenho das tardes televisivas dos programas de opinião pública. 

No plano político ainda não houve nenhuma crise grave, à excepção da tempestade Mário Centeno. Marcelo entendeu novamente que deveria chamar a si o protagonismo para mostrar quem manda no país e no governo. A colagem ao governo só espanta os distraídos, já que, até a oposição que apoiou o presidente estava a contar com suposta traição. 

O que aconteceu no último supostamente era previsível, mas ninguém esperava os excessos. Marcelo nunca vai conquistar o Papa Francisco ou Barack Obama em termos de popularidade porque bem lá no fundo está apenas preocupado com a sua pessoa.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Marcelo entra finalmente em cena

Na primeira dificuldade política para o governo, eis que entra em cena o Presidente da República. 

A história sobre a polémica em torno da Caixa Geral de Depósitos ainda tem muito para revelar, mas o nome de Marcelo Rebelo de Sousa também já está metido ao barulho por causa da eventual demissão de Mário Centeno.

A nuvem continua a ser grande para se perceber todos os pormenores, embora não haja grande dúvida sobre a interferência presidencial na manutenção ou futura demissão de Mário Centeno. Afinal a posição de árbitro durou apenas um ano depois das eleições e menos de 365 sobre a tomada de posse. 

É impressionante o número de notícias sobre o envolvimento do Presidente na escolha política de António Costa. A partir de agora começam a revelarem-se algumas dificuldades do primeiro-ministro em lidar com uma situação problemática. No momento em que Marcelo começa a tomar conta do jogo político ninguém perto de si vai conseguir sobreviver. 

Perante a confusão criada por Marcelo Rebelo de Sousa em torno da demissão de Centeno, não acredito que o ministro continue no cargo. O Chefe do Estado pretende mesmo estragar tudo....

Na minha opinião, António Costa também não tem capacidade para lidar com Belém, exceptuando nas alturas em que é preciso sorrir para a fotografia. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O "momentum" de Marcelo Rebelo de Sousa

Nunca se viu um Presidente da República agarrado ao governo como tem sido a prática de Marcelo Rebelo de Sousa. O Chefe do Estado faz bem em enaltecer os feitos do executivo porque isso é bom para o país, mas escusa de tirar o tapete à oposição.

O primeiro ano de mandato do Presidente da República fica marcado pela consonância com António Costa. Os dois gostam de aparecer como salvadores da pátria, reivindicando para si tudo o que foi feito de bom. 

O problema é que a relação Costa-Rebelo de Sousa também tem todos os ingredientes para estalar à primeira crise. Isto é, ao primeiro não que virá do primeiro-ministro. A personalidade de ambos tanto dá para almoçarem juntos como criarem uma crise institucional sem possibilidade de reconciliação. Tudo por causa do egocentrismo que paira no interior de cada um.

O Chefe de governo e de Estado têm outra semelhança perigosa para a nossa democracia. António Costa subiu a primeiro-ministro através de um acordo parlamentar depois de ter perdido as eleições, enquanto Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito com níveis baixos de votação, muito inferior à popularidade que tinha quando vestia unicamente a pele de comentador televisivo. 

O "momentum" obriga o Presidente a tirar fotografias com o primeiro-ministro e a dar pontapés no líder da oposição, que por acaso, conseguiu ser eleito chefe do governo, algo que nenhum dos dois representantes do Estado português obtiveram nas respectivas carreiras políticas. 

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Marcelo podia ser um Presidente perfeito

A mensagem de ano novo do Presidente da República foi perfeita. O Chefe do Estado tocou nos pontos principais e não actuou de forma parcial como se esperava por causa da relação que tem com o primeiro-ministro.

O Presidente não deixou de fazer alguns reparos importantes como a definição de uma estratégia para o crescimento económico. Pode ser que Marcelo ajude Costa neste tema...

A mensagem política tornam Marcelo um excelente inquilino de Belém, mas as constantes aparições junto dos microfones estraga tudo. Isto é, se Marcelo fizesse um esforço para ser mais institucional e respeitar o cargo que ocupa poderia ser brilhante, quiçá, melhor que Soares e Cavaco Silva. Se continuar a preferir as câmaras de televisão os actos mais importantes ficam em segundo plano.

As declarações de Marcelo tiveram o condão de unir todos os partidos políticos. Há muito que as forças políticas não estavam de acordo relativamente ao conteúdo da mensagem presidencial no primeiro dia do ano. No entanto, convém lembrar que Cavaco Silva também começou muito suave.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Estamos mal representados

Não me canso de escrever que estamos mal representados pelo Chefe de Estado e Chefe do governo. Os dois parecem dois miúdos à procura de popularidade fácil e que utilizam o poder de forma discricionário. 

A forma como Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa utilizaram os feitos da selecção nacional de futebol não dignificam o cargo que representam. Os dois comportaram-se como meros adeptos de futebol sem terem em conta que falam em nome das instituições. O pior é a maneira como reclamam para eles a grande vitória de Portugal no Euro 2016. 

Não se percebe porque razão a selecção nacional vai primeiro ao Palácio de Belém em vez de festejar com a população. Marcelo sempre em busca da popularidade fácil e o abuso de poder. Certamente que António Costa não irá perder a ocasião para também tirar uma fotografia ao lado dos novos campeões da Europa. 

Há muito tempo que não existia um vazio de poder em Portugal. 

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Os aspectos negativos do Presidente

O Presidente da República começa a revelar como vai exercer o cargo presidencial. Todos os dias sabemos o que pensa o Chefe de Estado porque não larga os microfones dos jornalistas. Através da comunicação social ficámos informados que Marcelo vai falar com António Costa na reunião semanal entre os dois. Com Cavaco Silva era impensável acontecer. Não existe nenhum Presidente que necessite dos media para passar a mensagem. Não são apenas os comunicados, mas as declarações diárias sobre tudo e mais alguma e a constante procura pelas câmaras de televisão.

O segundo aspecto negativo é a magistratura de influência. Durante a campanha ninguém sabia o que significavam as palavras do candidato. Três meses depois o país percebe que Marcelo pretende estar no centro da decisão, agindo como primeiro-ministro e não Presidente de todos os portugueses. Ora, a faceta começa a intervenção nos media e só depois será dito aos visados. Marcelo tem mandado bastantes mensagens pela comunicação social, como sempre fez enquanto era comentador. Obviamente que as juras de amor entre São Bento e Belém não vão durar muito tempo. Cavaco Silva também mandava alguns recados, mas era dentro de portas que exercia o poder. No entanto, há uma situação particular no actual Chefe de Estado que diz respeito à independência. Não tenho dúvidas que vai ser acima dos partidos e poderá exercer a função colocando os princípios antes do interesse nacional. O problema tem a ver com os preferidos e os alvos. Marcelo não irá fazer favores a ninguém. Pelo contrário, irá mostrar que está por cima de todos, sejam eles sociais-democratas, socialistas, centristas, sindicatos ou empresários. 

Em pouco tempo, os portugueses percebem porque razão Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito com pouco mais de 50%

sexta-feira, 25 de março de 2016

O primeiro sinal de interferência

O primeiro Conselho de Estado que Marcelo Rebelo de Sousa vai reunir será no dia 7 de Abril para discutir o Orçamento de Estado que chegou a Belém. A reunião irá contar com a presença de Mario Draghi a convite do Presidente da República. 

A primeira tentativa de Marcelo interferir na acção executiva está anunciada. Ninguém sabe o que vai sair da reunião, mas não deve ser para dar umas recomendações leves ao executivo. Não estou espantado com a decisão, embora seja estranho o Chefe de Estado convidar Mario Draghi. 

A partir de agora sempre que houver um dúvida sobre o rumo da governação o Conselho de Estado vai ser chamado a pronunciar-se. Um novo estilo em Belém, bastante menos discreto do que aconteceu com Cavaco Silva, mas tendo por intuito incomodar mais vezes o governo, não apenas com discursos, mas com recomendações concretas.

As constantes interferências de Belém em São Bento têm tudo para correr mal. No entanto, existe a garantia de imparcialidade nas decisões porque Pedro Passo Coelho também já experimentou o poder do PR. Marcelo concorda com as interferências de Costa na banca. 

A convocação do Conselho de Estado para discutir o orçamento é o primeiro sinal da vontade demonstrada pelo Presidente da República em se tornar Primeiro-ministro, embora também haja outra que se vai revelar nos próximos tempos.

quarta-feira, 9 de março de 2016

O primeiro dia do novo Presidente

Os desafios do novo Presidente da República não se resumem apenas a gerar consensos entre os partidos numa Assembleia da República, que pode demitir o governo antes da legislatura. Marcelo Rebelo de Sousa deve estar atento à falta de participação política dos portugueses, já que, o próprio Chefe de Estado foi eleito numas eleições em que houve 50% de abstenção. 

O novo Presidente diz que vai ser mais próximo das pessoas. Na minha opinião isso vai acontecer porque Marcelo tem mais capacidade de conquistar a popularidade, do que, por exemplo, Cavaco Silva. Ou seja, por diversas situações, nos discursos ou nos roteiros, os problemas das pessoas estarão presentes na sua mente. O objectivo não é procurar popularidade fácil, mas criar um novo ânimo junto das pessoas. 

Há um aspecto negativo que vai marcar a actual presidência. A constante procura pelo mediatismo e a presença da comunicação social em todos os eventos do Presidente da República torna o Palácio de Belém um lugar aberto a qualquer tipo de intriga, suspeita ou comentário. Nesse aspecto, Cavaco Silva soube estar à altura do cargo que ocupou durante dez anos. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Marcelo Rebelo de Sousa


O candidato à Presidência da República, Marcelo de Rebelo de Sousa, não podia ter escolhido melhor dia para lançar a sua candidatura. Em Lisboa, a Coligação e o Partido Socialista empurravam com a barriga as culpas do primeiro falhanço nas negociações para estabelecer um entendimento. Não tem que ser um pacto para aprovação do Orçamento até final da legislatura. Na minha opinião isso é pedir demais. 

Todos percebemos que as conversas entre os dois derrotados da noite eleitoral não vão ser fáceis. Por esse motivo, Marcelo Rebelo de Sousa quis chamar para si a atenção mediática e deixar a discussão partidária para segundo plano. Ou seja, o professor mostra que tem capacidade para mediar o conflito. O problema é que o país não pode esperar até Abril. 

Hoje era o dia pelo qual muitos portugueses esperavam e que ninguém acreditava ser possível. O mistério resultou numa certeza que só o próprio conhecia. 

O momento político que atravessamos garante que o candidato da direita passe à primeira volta porque não vai ter adversários. A tarefa mais difícil que lhe compete será acabar com as hipóteses de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém na primeira volta. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Cristo avança para Belém



A decisão de Marcelo Rebelo de Sousa de tornar público a intenção de se candidatar à presidência da república deve ser conhecida nos próximas dias. A intervenção de Cavaco Silva sobre o futuro governo não deixa margem de manobra ao professor. Marcelo tem de revelar a disponibilidade em garantir a estabilidade das instituições democráticas nos próximos anos. Não tenho dúvidas que o professor tem as qualidades necessárias para gerar consensos. 

O professor não pode desperdiçar a única oportunidade que tem para chegar a Belém. O momento político é favorável até porque sem maioria absoluta, os partidos da direita colam-se ao candidato mais popular. Neste momento, Marcelo não precisa de suporte político porque a direita está fragilizada e o Partido Socialista encontra-se dividido nas questões presidenciais. O comentador conquista votos na direita, além de entrar no centro e também em certos sectores da esquerda. 

O caminho está aberto, faltando apenas escolher a data para o início da mobilização. 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Marcelo e Santana

A corrida para as presidenciais já começou embora estejamos num ano marcado pelas eleições legislativas. Neste momento são as candidaturas do PSD que mexem mais porque há dois galos para um poleiro.Ou seja, há duas pessoas que estão à espera do apoio formal do partido para avançar. Santana e Marcelo são os mais falados, mas ainda há Rui Rio. Os dois primeiros dizem que avançam sozinhos mesmo sem o suporte partidário. Duvido que assim seja. Isto não passa de uma ameaça e forma de condicionar o aparelho partidário. No entanto, há outro problema. Caso os laranjas percam as legislativas quem será o responsável pela decisão de apoiar o candidato presidencial. Em 2016 não vai ser possível imitar o que se fez com Cavaco porque, nem Marcelo nem Santana têm o peso do actual Chefe de Estado. 

A questão presidencial para o PSD tem sido melindrosa porque os dois potenciais candidatos não recolhem a simpatia política de Passos Coelho nem da maioria do PSD, não obstante a popularidade do professor. Marcelo Rebelo de Sousa deveria avançar com uma candidatura nacional e travar os potenciais independentes. A hora de verdade chegou e o comentador não pode estar à espera de palmadinhas nas costas. 

No lado socialista a questão é saber quando António Guterres vai avançar porque ninguém acredita nas notícias que dão conta de uma desistência. 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Primárias laranjas para as presidenciais

O fim-de-semana que terminou revelou mais um candidato laranja à presidência da República. Pedro Santana Lopes deu uma entrevista ao Expresso em que mostrava disponibilidade para avançar a Belém e o Diário de Notícias acredita que o candidato favorito de Passos Coelho é o antigo primeiro-ministro que substituiu Durão Barroso na chefia do governo em 2004. Ora, o PSD como está no governo tem mais possibilidades de vencer as presidenciais e por isso é natural que haja mais pessoas com vontade de obter o apoio do partido. Apesar disto, considero que haverá um candidato da direita que vai avançar mesmo sem a vontade expressa dos sociais-democratas. Posto isto, nos próximos tempos vamos ouvir nomes de potenciais presidenciáveis como Marcelo Rebelo de Sousa, Santana Lopes, Durão Barroso e Rui Rio.

A direcção social-democrata deve estar hesitante entre apoiar Santana Lopes e Durão Barroso para Belém. O apoio ao segundo só será dado caso o primeiro decida não avançar. Isto é, o PSD vai esperar até à última por Durão e só depois irá bater à porta de Santana, sendo que este só segue em frente caso actue por detrás do partido. Sem a vontade e desejo de Passos Coelho, o actual provedor da misericórdia de Lisboa não vai a jogo porque sempre precisou da máquina partidária para obter resultados políticos. Desta vez não vai fugir à regra. Nos últimos surgiram notícias dando conta do desejo do CDS em apostar no antigo presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio. Esta seria uma boa forma dos centristas dividirem o PSD internamente bem como o seu eleitorado.

A única candidatura independente deverá ser a de Marcelo Rebelo de Sousa, mas que terá, obviamente, apoios por parte de figuras ligados ao PSD e à direita. No entanto, a intenção de Marcelo Rebelo de Sousa concorrer a Belém vai muito para além disto, porque precisa naturalmente de ter apoios financeiros e não só para fazer face às máquinas partidárias. A grande vantagem do comentador é ter um consenso muito forte na sociedade portuguesa. 

Embora o PSD ande preocupado para saber quem vai apoiar, o PS já tem esse problema resolvido porque António Guterres deverá ser o candidato apoiado pelo líder socialista. A dúvida está relacionada com o facto de saber quem vai ser o secretário-geral daqui por ano e meio, isto porque, quer António Costa ou António José Seguro vençam as primárias, caso percam as legislativas vão ter que dar lugar a outro. 

segunda-feira, 3 de março de 2014

A exigência de Marcelo

O comentador televisivo, Marcelo Rebelo de Sousa, está quase a ser o candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa. Em política como na vida tudo muda num instante, e a súbita aparição no congresso da semana passada foi uma forma do professor mostrar que "quer ser" o candidato laranja. Marcelo não foi ao congresso "pedir" para ser candidato, mas exigir que o partido apoie a sua eleição.

Ao fim de muitos anos podemos ter MRS como o grande candidato da direita, mas também como o salvador da pátria. Inteligência não lhe falta, capacidade política também não, no entanto ser Presidente da República não é o mesmo que ser chefe de governo. Apesar da sua capacidade e inteligência, MRS será sempre uma figura de corpo presente enquanto PR. E será isso que o professor quer ser? Um mero espantalho?


Ser chefe de Estado seria uma forma bonita de MRS acabar a sua vida política, o problema é que o percurso político do actual comentador da TVI não foi brilhante e o próprio só se pode orgulhar da fundação do PSD, que verdade seja dita, foi da responsabilidade de três homens bem conhecidos, os outros eram paus mandados e figuras secundárias que subiram no partido devido às suas ideias e valores. 

Acho que MRS tem direito a pedir para ser candidato laranja em 2016, mas não pode exigir a Passos Coelho essa oportunidade só por causa do seu passado. Pedir é muito diferente de exigir, e em política a imposição do segundo termo pode ter consequências negativas para quem recusa. 

O mais hilariante é que estou convencido que os ex-líderes partidários que foram ao Congresso tiveram todos a mesma intenção de "exigir" a Passos Coelho que se lembre deles na hora de escolher o candidato presidencial. Tenho a certeza que na cabeça do primeiro-ministro não está ninguém que esteve presente no Coliseu, até porque a moção do líder diz que procura um candidato que não vá em busca da popularidade fácil. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Quantos candidatos sobram?

Há medida que as presidenciais se aproximam os "candidatos" a candidatos à presidência da República vão anunciando a sua retirada do xadrez. O último a desistir foi Marcelo Rebelo de Sousa mas a esquerda também já não conta com José Sócrates. Por agora resta Paulo Portas e Francisco Louçã como nomes presidenciáveis e escolhidos pela opinião público. Ainda temos António Costa que é sempre uma possibilidade, embora esteja mais perto do Rato do que de Belém.

A mim não me surpreende que várias pessoas vão retirando as suas candidaturas. É lógico que se sentem pressionadas pela opinião pública e pelos media, contudo o entusiasmo à volta de um possível avanço é apenas mediático. Normalmente os "possíveis candidatos" não passam disso mesmo e o objectivo dessas figuras é criar um mistério à volta da sua pessoa. Arrisco a dizer que quem já está a pensar numa candidatura à presidência não lançou nenhuma pista e muito provavelmente é uma personalidade que surgirá fora do arco partidário. Depois os partidos apoiarão quem bem entenderem. 

Tem sido assim nos últimos anos com Cavaco e Manuel Alegre. É óbvio que os candidatos poderão ter uma força oculta que os fará avançar mas o apoio partidário só surgirá depois de ser anunciada a candidatura. 

Percebo o entusiasmo à volta das presidenciais 2016 mas antes ainda há legislativas em 2015. Estas últimas eleições serão decisivas para determinar o apoio dos candidatos que já estarão em marcha no final do próximo ano, até porque a composição do parlamento será outro e isso é fundamental no apoio a uma candidatura presidencial.

Depois da retirada de Marcelo e Sócrates já não há ninguém que possa fazer as capas dos jornais, no entanto após a saída da troika vai voltar o circo à volta da política nacional.
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