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segunda-feira, 22 de maio de 2017

O reforço das máquinas partidárias

A vitória de Pedro Sánchez nas primárias para a liderança do PSOE mostram a importância das máquinas partidárias. O mesmo acontece com Jeremy Corbyn no Labour.

Apesar das duas derrotas eleitorais e de vários erros estratégicos que impediram o apoio de qualquer outro partido a um governo liderado pelos socialistas, os militantes votaram na continuidade. Durante o longo processo eleitoral que decorreu em Espanha, Sánchez fez quase tudo errado, o que também costuma acontecer com Jeremy Corbyn.

Os pequenos descontentamentos que se costumam traduzir em actos eleitorais internos já não têm força suficiente para impedir o líder derrotado de se candidatar e muito menos originar uma derrota eleitoral. Note-se as várias tentativas para demover Jeremy Corbyn da liderança do Partido Trabalhista sem qualquer resultado positivo. 

À medida que vão ganhando eleições internas, Pedro Sánchez e o líder inglês reforçam o poder, mesmo com focos de instabilidade. O problema é que as vozes críticas não têm expressão nas urnas.

Os exemplos nos partidos socialistas espanhol e inglês revelam que nem sempre a melhor solução é realizar eleições internas para deitar abaixo as fracas lideranças porque, nestes casos, houve um reforço do poder. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Corbyn reforça o poder

Os trabalhistas reelegeram Jeremy Corbyn para continuar como líder num resultado que envergonha os deputados contestatários que aproveitaram a demissão de David Cameron após o referendo para lançarem a candidatura de Owen Smith. 

A diferença de votos não deixa margem para dúvidas. Corbyn ganhou respeito e poder sobre a bancada em Westminster. A partir de agora os que não estão com a actual liderança devem abandonar o cargo que ocupa. Mesmo uma vitória à tangente conferia legitimidade ao líder, sendo que, os números reforçam a estratégia. 

A jogada dos deputados trabalhistas foi um erro porque não fazia sentido colocar em causa a liderança só para aproveitar a suposta falta de legitimidade de Theresa May como primeira-ministra para convocar eleições antecipadas. Não conseguiram ocupar o poder dentro do partido e também não irão convencer Corbyn a pedir a antecipação das legislativas que se realizam em 2020, nem sequer a realização de um novo referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia.

O líder confirmou que iria seguir a mesma linha, pedindo união dentro do partido. Não sei se vai acontecer, mas aqueles que continuarem com os jogos de sombras devem ser afastados porque os resultados eleitorais têm de ser respeitados. Não se pode admitir mais uma revolução após a votação, tendo em conta que se trata de um grupo minoritário Corbyn tem o apoio dos sindicatos e dos militantes que construíram a força do Labour, embora as vozes de Tony Blair e Neil Kinnock, bem como de alguns dirigentes como Alan Johnson serão sempre ouvidas.  

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O dia do Partido Trabalhista

Os trabalhistas escolhem amanhã o novo líder. Não se trata apenas de uma opção entre a continuidade e a mudança, ou a divisão e a união no partido. O que está em causa é a ideologia. Ou seja, se continua a ser um partido de esquerda na defesa dos valores sociais contra o conservadorismo do governo, ou fica mais perto do centro.  

Neste momento, o mais importante para o partido é definir um caminho ideológico e os valores que vai defender, independentemente da orientação do executivo ou se vai ganhar eleições, porque no Reino Unido a política não gira em torno dos actos eleitorais. O actual líder manteve posições que não mereceram o apoio de alguns deputados como a questão dos bombardeamentos à Síria, a renovação do programa nuclear. Nestes dois aspectos, Corbyn colou-se à opinião pública e deixou os membros do Parlamento mostrarem discordância. Aliás, a forma como o líder se opôs aos ataques na Síria pode também estar relacionado com o passado, em particular com a ligação de Blair à guerra do Iraque. 

No último ano, Corbyn manteve uma postura de trazer problemas pessoais de alguns indivíduos para os debates parlamentares. As questões que levantava também tinham a ver com situações concretas de alguns sectores como os jovens médicos e a educação. No dia após as eleições na Escócia, Cameron disse que o Labour estava a desapontar os seus eleitores. 

A imagem que Corbyn trouxe é de um líder e partido muito preocupado com os problemas individuais em vez de se concentrar nos assuntos colectivos dos britânicos. Não acredito que Owen Smith seja o melhor candidato porque a única proposta que tem é a realização de um novo referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. Se o candidato começar por aí, é um mau sinal. 

O partido sabe que com Corbyn continua o mesmo caminho ideológico, embora com várias oposições, enquanto Smith tem pouco sumo para dar. 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Quem quer tramar Corbyn

A bancada parlamentar rebelde do Partido Trabalhista nunca esteve com o líder. É verdade que Jeremy Corbyn deu liberdade aos seus pares, mas o cacique dentro do parlamento foi evidente ao longo do último ano. 

O resultado do Brexit foi aproveitado pelos parlamentares para mudar a liderança do partido. Tendo em conta que os trabalhistas também estavam divididos entre a manutenção e a saída da União Europeia, não se pode culpar o líder pelos números. No entanto, houve outras situações que mereceram análise negativa, como as eleições locais e na Escócia. 

Na minha opinião, o grande problema de Corbyn foram as guerras que comprou relativamente a alguns assuntos como os bombardeamentos na Síria, a renovação do programa nuclear Trident e o serviço nacional de saúde. Nestas ocasiões, o líder nunca teve o apoio da bancada, sobretudo na questão da Síria onde se destacou o ministro sombra dos Negócios Estrangeiros, Hillary Benn. Sempre que alguém se destacava no parlamento, Corbyn entendeu que se tratava de uma ameaça ao lugar que ocupa. A verdade é que o opositor do líder é um desconhecido chamado Owen Smith.

Os trabalhistas não podem cair na tentação de pedir eleições legislativas antecipadas. Contudo, isso só deverá acontecer se Smith ganhar o acto eleitoral. 

As grandes divisões no partido aconteceram a nível parlamentar, sendo que, os anteriores líderes também ajudaram a denegrir a imagem de Corbyn. Neil Kinnock e Tony Blair têm sido os principais rostos da oposição interna, embora a actual liderança esteja segura no seio do establishment. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A semana mais importante para o Partido Trabalhista

No sábado o Partido Trabalhista escolhe o novo líder. Os trabalhistas vão optar entre a continuidade de Jeremy Corbyn ou a alternativa proposta por Owen Smith. 

Os dois são apoiados por diferentes facções do partido. O actual líder conta com o suporte dos membros mais importantes e dos sindicatos, enquanto Smith tem na mão a maior parte do grupo parlamentar, tendo sido, por esta via que nasceu a candidatura. 

O que está em causa nestas eleições é a unidade do partido porque em termos eleitorais não será possível antecipar as eleições legislativas que se vão realizar em 2020. A maioria conservadora está bastante sólida. Apesar de não haver união, o Labour continua a ser um partido forte, pelo que, a sua existência ainda não está em causa. O que separa as várias facções é a ideologia que o partido deve seguir, já que, as duas últimas lideranças foram criticadas por se centrarem muito à esquerda. Ed Miliband e Jeremy Corbyn tiveram de viver com a sombra de Tony Blair. 

Não havendo uma liderança para disputar eleições, resta atacar os problemas internos e ter uma posição sobre o Brexit. No primeiro caso, a política dos conservadores tem sido fantástica em diversos pontos. Não é fácil ao Partido Trabalhista liderar um assunto porque o governo está a fazer um bom trabalho desde o legado de Cameron e os primeiros sinais de Theresa May mostram preocupação com a imigração. No plano externo, os conservadores também vão recolher os frutos de cumprirem a vontade dos britânicos, mesmo que seja uma saída light como chamou a nova líder do UKIP.

O caminho dos trabalhistas não será fácil, independentemente de quem seja o líder. A opção por Owen Smith significa que tudo volta ao ponto zero, mas a manutenção de Corbyn só garante estabilidade no grupo parlamentar por pouco tempo.  

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Partido Trabalhista com pouco futuro

A entrada em cena de Owen Smith na corrida à liderança do Labour deveu-se à revolta de alguns deputados que aproveitaram a demissão de David Cameron de primeiro-ministro para substituir a liderança e pressionar os conservadores, a opinião pública e publicada para a necessidade de novas eleições gerais. 

O grupo de parlamentares, que se manifestou contra as posições de Jeremy Corbyn, quer assaltar a liderança do partido contra os militantes mais influentes e os sindicatos. 

Neste momento existe uma guerra cega pelo poder dentro do partido por várias facções. Os deputados são a facção menos poderosa, mas aquela que tem mais importância e responsabilidade. Não querem estar subjugados às decisões do establishment e à influência dos sindicatos, pelo que, decidiram abrir um conflito. 

O actual líder só está no poder por causa dos dois movimentos. Nem mesmo Ed Miliband teve hostilidade constante dentro do grupo parlamentar.

Na minha opinião o passo dado pelos deputados não vai resultar e terá consequências negativas. Se Owen Smith vencer não acredito que haja eleições antecipadas porque os conservadores estão mais fortes do que nunca e a decisão de respeitar o Brexit será recompensada nas urnas. Smith chega às eleições gerais sem ter feito oposição. No caso de Jeremy Corbyn continuar, os deputados não vão trabalhar com ele e os conservadores também continuam no poder com forte probabilidade de ganhar as eleições em 2020. 

O Partido Trabalhista corre um sério risco se não tiver uma agenda de esquerda mais virada para os problemas das pessoas. É verdade que Corbyn tem sido porta-voz de algumas medidas sociais, mas falta chegar a outro sector da sociedade e não apenas às classes trabalhadoras. 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Cada vez mais sozinho

O líder do Partido Trabalhista está cada vez mais sozinho na corrida à liderança. Os apoios mais importantes começam a juntar-se à candidatura de Owen Smith. 

Nos últimos dias Sadiq Khan e Kezia Dugdale manifestaram a intenção de votar em Smith. O caso do presidente da Câmara Municipal de Londres é mais interessante porque Corbyn esteve empenhado nas últimas eleições locais, reclamando uma vitória com a eleição de Khan para Londres. 

A campanha no referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia foi o fim de Corbyn, por causa da falta de empenho e não devido ao resultado final.

Apesar do isolamento, Corbyn tem o apoio dos membros do partido e dos sindicatos, dois sectores com importância nos trabalhistas e que são a principal força do partido. O problema é que a bancada parlamentar recusa trabalhar com a actual liderança, o que constitui uma vantagem para os conservadores, que se encontram unidos após as eleições internas. Sem o apoio dos deputados, o líder dificilmente consegue fazer oposição, já que, o parlamento é um palco importante na vida política britânica. As notícias mais importantes sobre os trabalhistas não podem ser as constantes rebeliões do grupo contra Corbyn. Aliás, foram os deputados que abriram o processo de liderança com uma moção de não confiança após a demissão de David Cameron.

A nível mediático e dos apoios, Corbyn está isolado sem conseguir passar uma mensagem de união, competência e empenho no cargo. 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Um novo referendo não resolve os problemas do Labour

A corrida à liderança no Partido Trabalhista não está a ser esclarecedora porque os candidatos colocam em cima da mesa alguns assuntos com pouca importância. Neste momento, o tema do dia é a possibilidade de um novo referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. 

Não faz sentido colocar novamente o assunto na ordem do dia porque os britânicos decidiram a favor do Brexit, apesar do equilíbrio. No entanto, Cameron não fez qualquer exigência para considerar o escrutínio vinculativo, porque se tivesse feito ainda estaria no poder, embora o Labour mantivesse o processo eleitoral. 

O candidato trabalhista Owen Smith defende um novo referendo para agradar às elites do partido, em particular os deputados. O problema é que o Partido Trabalhista também se mostrou dividido durante a campanha eleitoral. Não faz sentido trazer o tema para discussão pública, já que, os britânicos escolheram e a demissão de Cameron significa que o país necessita de ter uma orientação tendo em vista a saída da União Europeia. 

A estratégia de Smith passa por convencer os que não gostaram do pouco empenho de Corbyn na defesa da manutenção. O actual líder também é um eurocéptico, pelo que, era expectável não se preocupar com o Brexit. Smith tem tudo para conquistar o voto dos críticos de Corbyn após a campanha. Aliás, a marcação de eleições antecipadas pretende aproveitar a onda negativa relativamente ao actual líder, por causa das várias derrotas e não devido ao Brexit. Contudo, Smith começa mal por falar de um assunto que está encerrado. 

A campanha para a liderança do Partido Trabalhista não deve ser feita à custa dos temas fracturantes como aconteceu com o referendo. A melhor maneira de derrotar os conservadores será ter uma agenda de esquerda.

terça-feira, 28 de junho de 2016

A derrota dos socialistas

O resultado do referendo britânico e das eleições espanholas originaram críticas no Partido Trabalhista e no Partido Socialista Operário Espanhol. 

As convulsões internas no Labour e PSOE mostram que as lideranças de Jeremy Corbyn e Pedro Sanchez não convenceram os eleitores, apesar dos vários actos eleitorais que os dois já tiveram oportunidade de participar. Nos dois casos a derrota tem sido uma constante, em particular com o líder do Partido Trabalhista inglês. No entanto, o caso de Sanchez é mais escandaloso porque perdeu dois actos eleitorais em Espanha, sendo que, do primeiro para o segundo teve menos lugares no parlamento. Ou seja, mesmo com truques constitucionais, ninguém quer o líder do PSOE para ser primeiro-ministro. 

A vitória do Brexit não se deveu à falta de capacidade política de Corbyn, mas os trabalhistas querem que o actual líder saia porque a demissão de David Cameron abriu uma oportunidade de regresso ao governo. No entanto, para isso acontecer, Corbyn tem que sair.

Há muito tempo que os socialistas europeias estão em crise por falta de resultados. Por um lado, não conseguem vencer a direita, mas por outro estão condicionados pelo aparecimento de partidos ditos de extrema-esquerda que conseguem ficar com o eleitorado dos socialistas, nomeadamente os que estão descontentes com as políticas provenientes de Bruxelas. Após vários maus resultados em Espanha, Portugal, França e Reino Unido, ainda não deram a volta ao texto a nível eleitoral. 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A última oportunidade para Jeremy Corbyn

A recente remodelação do governo sombra operada por Jeremy Corbyn constitui a última oportunidade para o líder trabalhista ganhar apoio dentro do partido e no seio dos deputados parlamentares. A única forma do trabalhista vencer as eleições legislativas de 2020, mesmo sem a recandidatura de David Cameron, passa por colocar as principais figuras ao seu lado. No entanto, a tarefa não será fácil porque, desde a eleição em Setembro do ano passado, as críticas e os actos de discordância têm sido inúmeros. 

A massiva votação de deputados trabalhistas a favor dos bombardeamentos britânicos na Síria foi o primeiro momento de tensão da actual liderança. Corbyn teve de engolir perante o país o voto contra do ministro sombra dos Negócios Estrangeiros, embora Hillary Benn tenha sobrevivido à mais recente remodelação. 

A troca de pastas não caiu bem em alguns deputados que se demitiram por solidariedade com os colegas destituídos. Há cada vez mais facções contra a liderança de Jeremy Corbyn, sendo que a demonstração no parlamento britânico do desagrado desfavorece as hipóteses de uma eventual vitória nas eleições locais que se realizam em Maio. Numa altura em que a posição de Cameron será questionada por causa do referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia, Corbyn tem tudo para ganhar votos, mas só vai conseguir credibilidade junto da população se acertar na nova composição dos ministros sombras. Se não acontecer uma vitória, por mais pequena que seja, no Verão deverá iniciar-se um processo eleitoral no partido. Nem Ed Miliband teve problemas desta natureza ao longo do mandato. 

As constantes críticas de Tony Blair não ajudaam. É verdade que o antigo primeiro-ministro britânico não tem sido amigo dos líderes que lhe sucederam no Labour, mas existem razões para criticar duramente a actual liderança. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Labour não apoia mais intervenções militares

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, pretende apoio por parte do Partido Trabalhista para os bombardeamentos aéreos na Síria. No entanto, o líder trabalhista garante que não vai dar o apoio, mas que os deputados podem ter liberdade de voto quando a proposta for votada na Câmara dos Comuns durante a próxima semana. 

A posição de Corbyn marca uma viragem no Partido Trabalhista. Ou seja, os trabalhistas deixaram de ser favoráveis a intervenções militares, independentemente dos motivos. Não se trata de mais uma mudança de paradigma. As alterações são significativas porque os trabalhistas, como partido de centro-esquerda, sempre foram favoráveis e apoiaram a utilização da força para combater o mal, sobretudo quando o território britânico estava a ser atacado. Neste momento, o chefe de governo assegura que já foram evitados vários atentados em Londres. 

O exemplo mais evidente do posicionamento do Labour foi a guerra no Afeganistão em 2001 e no Iraque dois anos depois. Tony Blair nunca teve dúvidas que as intervenções foram a melhor forma de combater o terrorismo. Uma década depois, e numa altura em que o Reino Unido vai entrar noutra guerra, embora diferente; os trabalhistas não mostram disponibilidade. Não percebo a atitude do líder Jeremy Corbyn porque o que está em causa é a segurança do país e não causar destruição noutro país. Contudo, o mais importante é perceber o que mudou no Labour. 

A viragem do partido para a esquerda parece estar quase consumada. Ed Miliband deu um passo nesse sentido, mas Jeremy Corbyn parece que vai confirmar a tendência, mesmo que tenha contra si a maior parte dos deputados trabalhistas eleitos para a Câmara dos Comuns. Aos poucos o líder surpreendentemente eleito em Setembro tem conseguido mudar o partido. 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Os três desafios de Jeremy Corbyn


A eleição de Jeremy Corbyn para líder do Partido Trabalhista marca um novo ciclo na política britânica. Após o fracasso da liderança de Ed Miliband, o Labour decidiu apostar num homem ainda mais à esquerda do anterior líder. Os homens que colocaram o partido no poder durante 13 anos, Tony Blair e Gordon Brown, foram os maiores críticos durante a campanha eleitoral que começou a seguir à derrota histórica nas eleições legislativas de Maio. 

Os trabalhistas têm um desafio complicado pela frente. Não se trata apenas de regressar ao poder, mas, em primeiro lugar, tirar a maioria absoluta ao Partido Conservador. A primeira tarefa será essa. Talvez os trabalhistas regressem ao governo daqui a 10-15 anos. Na minha opinião, o partido escolheu Corbyn para desgastar o governo, embora não o vejam como um grande líder. Concordo que o Partido Trabalhista tenha de ter soluções de esquerda porque essa é a sua matriz política. No entanto, como se viu com Ed Miliband, a radicalização das propostas e, sobretudo, do discurso não agrada aos britânicos que são maioritariamente conservadores. 

O primeiro-ministro fica numa posição vantajosa se o caminho trilhado pela oposição continuar a ser o mesmo. No entanto, os trabalhistas têm outro problema com que se preocupar. As intervenções do Partido Nacional Escocês na Câmara dos Comuns têm sido mais responsáveis politicamente. 

O novo líder tem de vencer algumas batalhas se quiser chegar a primeiro-ministro. Em primeiro lugar apresentar medidas que garantam ao Labour voltar a conquistar os seus apoiantes tradicionais, deixando de estar dependente dos sindicatos que causaram problemas a Ed Miliband. O segundo trabalho passa por construir uma oposição no parlamento que seja melhor do que a dos nacionalistas escoceses. Por fim, chegar à população britânica.

Neste último ponto vai ser importante a posição tomada por Jeremy Corbyn em relação ao referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. Caso o actual líder decida ficar ao lado de Nigel Farage na campanha contra a saída, é mais um problema para o partido no plano interno. 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Partido Trabalhista

O novo líder do Partido Trabalhista estará escolhido em Setembro. O mandato de Ed Miliband não será recordado por ninguém, nem mesmo pelo próprio. A partir de agora as hipóteses de David Miliband candidatar-se à liderança do Labour são diminutas. O novo líder enfrenta uma dificuldade na oposição, mas também pode aproveitar um aspecto positivo. Os problemas dizem respeito à situação em que se encontra. Não é possível lutar contra uma maioria como aquela que os conservadores conquistaram na semana passada. Os debates no parlamento serão penosos para o próximo líder trabalhista. Mas não só. Uma vez que o Partido Nacional Escocês aumentou a sua representatividade em Westminster sobra pouco espaço para os trabalhistas, que têm de estar atentos às medidas do governo e evitar a importância dos escoceses na Câmara dos Comuns. No entanto, o mandato de dez anos dos conservadores servem para aproveitar um inevitável desgaste. É isso que também está em causa nas próximas eleições norte-americanas em 2016.


A questão que domina a actualidade trabalhista centra-se no novo estilo de liderança. O regresso ao "New Labour" só acontece se o staff de Tony Blair e Peter Mandelson decidir voltar a tomar conta do partido, lançando um nome para a corrida. Talvez o próprio Mandelson. O Partido manterá a sua ideologia, mas os erros do passado dificilmente serão repetidos. O discurso contra as grandes fortunas não teve sucesso nas eleições gerais. Isso foi uma evidência ao longo de toda a campanha, mas Ed Miliband quis manter a sua ideia.

É importante que os trabalhistas decidam qual o caminho que querem seguir. Uma ruptura com a última liderança passa por acabar com a influência dos sindicatos na eleição interna. O mais importante são as bases e os membros do parlamento que podem votar. No fundo, trata-se de efectuar um corte ideológico.


quarta-feira, 12 de março de 2014

A campanha para o referendo já começou

A campanha para o referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia já está em marcha, muito antes da campanha para as próximas legislativas britânicas que se realizarão em 2015. Caso o governo de David Cameron mantenha o poder a consulta popular vai ser uma realidade em 2017, como se pode notar pelo cartaz apresentado. 

Esta propaganda dos Conservadores surge depois de Ed Miliband, líder do Labour, ter vindo anunciar publicamente que não vai haver referendo caso o antigo partido de Tony Blair vença as eleições do próximo ano. Embora os Liberais-democratas liderados por Nick Clegg estejam no governo com os Conservadores, é público que o 2º partido da coligação governamental britânica entende que a "população vai votar contra a saída da UE". 

Há muitos analistas em Londres que entendem o eurocepticismo de Cameron, não para saír da UE mas para dar a oportunidade às pessoas de se pronunciarem. À semelhança do que fez em relação à independência da Escócia, o actual primeiro-ministro pretende uma clarificação popular sobre os temas que dividem a sociedade escocesa e inglesa. 

David Cameron está a usar esta questão para pressionar a Europa a fazer reformas, mas também para reforçar os poderes do Reino Unido na UE e juntar-se à França e Alemanha, mas o melhor seria mesmo expulsar os franceses da liderança europeia. 

Mesmo que o Labour vença as eleições, o que eu acho improvável, Ed Miliband não devia ter tomado esta posição quando ainda falta um ano para as legislativas e três para o dito referendo. É que se Miliband for o próximo primeiro-ministro vai ter a comunicação social e a população a exigir uma consulta popular sobre a matéria, até porque não há sinais de Miliband vir a ser um bom defensor do Reino Unido na UE. 


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