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quinta-feira, 28 de abril de 2011

8.7- Os instrumentos utilizados

Durante os descobrimentos vários foram os instrumentos utilizados pelos navegadores portugueses.
A maioria deles foram inventados pelos nossos compatriotas que se lançaram ao mar á conquista do Mundo. Bussola - Instrumento de navegação mais importante. Começou a ser utilizada no século XII. Foi a partir do século XIV em Nápoles que se pensa que este instrumento foi inventado. A agulha magnetizada está sempre apontada para Norte, de forma a que os navegadores se orientem.

Quadrante - Este instrumento foi utilizado pelos portugueses no ano de 1460, data da morte do Infante D.Henrique. Permitia determinar a distância entre o ponto de partida e o lugar da embarcação se encontrava, cujo o cálculo se baseava na altura da Estrela Polar. Tinha a forma de um quarto de círculo de 0º a 90º. Na extremidade onde estavam marcados os 90º tinha duas pínulas com um orificio por onde se fazia pontaria ao astro. No centro tinha um fio de prumo.

Astrolábio - Instrumento com o qual se media a altura dos astros acima do horizonte, permitindo descobrir a distância que ia do ponto de partida até ao lugar onde a embarcação se encontrava, mas descobria-se isso medindo a altura do sol ao meio dia, através de uma ampulheta.

Balestilha - Há quem diga que este instrumento foi inventado pelos portugueses. É constituida por uma régua de madeira, o virote, de secção quadrada e com três ou quatro palmos de comprimento, na qual se enfia a soalha que corre perpendicularmente ao virote. Apareceu após o astrolábio e o quadrante tendo sido o primeiro instrumento a usar o horizonte do mar.

Mas o grande instrumento que os portugueses inventaram para atacar os descobrimentos foi a caravela. Um novo barco. Possuía dois mastros e velas triangulares ( outra novidade....). Era veloz e o mais importante era que navegava à bolina.

( continua dia 9 Maio....)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

8.6.2 - DESCOBERTA DO BRASIL

Saber quem chegou primeiro ao Brasil revela-se tarefa quase impossível. Certo é que todos chegaram antes de Cabral.


1 – N última década do séc. XV, Portugal e Castela competiam ferozmente para obter a primazia no delineamento de uma rota para o Oriente. Foi um complexo processo político-diplomático, talvez dos mais empolgantes de sempre. Um processo que deu origem a vários Tratados: Alcáçovas, em 1479, definido a área de influência no Atlântico norte e sul, longitudinalmente; Tordesilhas, em 1494, de que resultou a partilha do Novo Mundo; Acordo de Saragoça, em 1529, na partilha do oceano Pacífico e Ásia Oriental.
Retirar o comércio levantino aos turcos e venezianos era o grande desiderato. Fazê-lo primeiro do que a Espanha era imperativo para Portugal.

2 – Bartolomeu Dias passou o Cabo da Boa Esperança em 1488. A rota que seguiu era, ainda, a tradicional. Uma rota junto à costa africana, com a terra à vista (ou quase). Bartolomeu apenas desceu mais um pouco, entrando nas águas do Antártico. Quando subiu, estava já no Índico. Mas, a partir de 1493 era já conhecida a chamada “volta pelo largo” que, a partir da zona da Mina, se entranhava pelo mar alto, aproveitando, depois, os ventos alíseos para descer. De facto, nesse ano, Abrãao Zacuto, apoiado por mestre Diogo e pelo médico José Vizinho, aperfeiçoara as tábuas quadrienais de declinações solares que permitiam a navegação em alto mar.

D. João II pretendia assegurar o domínio do Atlântico Sul, que lhe proporcionaria o exclusivo do Caminho Marítimo para a Índia, contornando a África pelo largo. A negociação do Tratado de Tordesilhas teve tudo a ver com isso. Daí a extensão de 100 para 370 léguas a Oeste de Cabo Verde, consideradas necessárias para efectuar a “volta pelo largo” com segurança. Secundariamente, havia o objectivo de obter novas terras a ocidente, de que se suspeitava (ou sabia…). Estes objectivos foram tão importantes que o rei não hesitou em fazer concessões a Castela: cedeu territórios no norte de África; permitiu a presença de pesqueiros espanhóis entre os cabos Não e Bojador (África); e, acima de tudo, renunciou ao projecto de indicar D. Jorge, seu filho bastardo, como sucessor (Castela não queria). Curioso, e abonatório da tese de que algo se sabia, é o facto de, prevendo o Tratado uma comissão mista para realizar uma expedição conjunta no sentido de determinar com rigor os marcos divisórios nele estabelecidos, nunca Portugal designou os seus representantes, pese embora as insistências de Castela.

Em Tordesilhas, devido à tenaz negociação de João II, ficou definido o futuro Brasil tal como o conhecemos hoje. Um território que ainda “não existia” e, no entanto, já lá estava.

3 – Morto João II, sobe ao trono D. Manuel I, seu primo. Em Outubro de 1497, D. Manuel casa com Isabel filha dos Reis Católicos. Quase simultaneamente morre o herdeiro dos tronos espanhóis. D. Manuel, por força do casamento, vê-se, de repente herdeiro de todos os tronos da Península. Embora com muitas vozes contra, D. Manuel acaba por aceitar as coroas de Castela e de Aragão. Parte para Espanha. Ainda jura o trono de Castela, mas já não o de Aragão. A mulher morre no parto. Manuel perde a qualidade de herdeiro presuntivo do trono e regressa rapidamente a Lisboa. Aqui, tudo se precipita. De novo a competição feroz. O rei quer impedir os Castelhanos, e até os ingleses que começavam com expedições a partir de Bristol, de ocupar terras que por direito (do Tratado de Tordesilhas) lhe pertenciam. Manda Duarte Pacheco Pereira em missão ao Atlântico Sul, para determinar com exactidão os limites da nossa zona de influência. Duarte, o “Aquiles Lusitano”, chega ao Brasil em Novembro de 1498, a partir da ilha de Santiago, em Cabo Verde. No seu escrito Esmerado de Situ Orbis, descreve, com grande detalhe e rigor, paisagens, gentes e costumes. Dá também indicações preciosas das latitudes e longitudes. Prova dessa descoberta é, também o Planisfério de Cantino, onde pela primeira vez aparece a representação cartográfica da região Brasílica.

4 – Mas se foi Duarte Pacheco Pereira o descobridor do Brasil, que se passou para não ter sido de imediato oficializada tal descoberta?

Pouco depois da descoberta de Pacheco Pereira, fundeava no Tejo a nau Bérrio, a 10 de Julho de 1499. Trazia a notícia da descoberta do caminho marítimo para a Índia. De imediato se desencadeou intensa actividade diplomática. Dois dias depois D. Manuel escreve aos Reis Católicos, a Maximiliano I e ao Papa, Alexandre VI. Em Castela o feito de Vasco da Gama convenceu os Reis Católicos a ignorar definitivamente as teses de Colombo, que caiu em desgraça. Rapidamente e em força decorreram os preparativos para a 2ª Armada à Índia. A 9 de Março de 1500 sai de Belém uma armada comandada por Pedro Álvares Cabral. Já não era um “pirata”, mas um nobre e um diplomata. Nove naus, três caravelas e uma naveta de mantimentos. Fazem a “volta do largo” e são arrastados para ocidente. A 10 de Abril passam no trecho da costa entre o cabo Calcanhar o rio de São Francisco. Os efeitos combinados das correntes “das Guianas” e “brasileira”, levam a frota para a Bahia de Todos-os-Santos. No dia 21 encontram ervas e aves. A 23 aproximam-se de uma embarcação com 18 ameríndios. A 25 de Abril a frota entra na baía, onde fundeia. Estava achada a Terra de Santa Cruz. Em terra ficariam dois grumetes e uns poucos degredados. Para aprendizagem da língua local e recolha de informações. A naveta, capitaneada por Gaspar Lemos, foi enviada para Lisboa, dando ao rei a boa nova. A frota segue para a Índia a 2 de Maio.

5 – Foi descoberta? Foi achamento? Puro acaso? Acção deliberado? Foi Cabral? Foi Duarte? A pergunta parece supérfula, porque o Brasil há muito estava descoberto. A questão é porque se demorou tanto a comunicar. A oficializar a descoberta. É estranho, se considerarmos que não havia dúvidas, face ao Tratado de Tordesilhas.

A verdade é que D. Manuel tinha receio. Receio de Castela. Quando a mulher morreu, o filho de ambos, Miguel de la Paz, ficou entregue aos avós, os Reis Católicos. Miguel passou a ser o herdeiro de todos os reinos da Península. D. Manuel ainda não tinha filhos. As insistências de Castela e outros factores “diplomáticos” que levariam muito tempo a contar, acabaram por vencer D. Manuel. Em Março de 1499, nas Cortes de Lisboa, Miguel de la Paz é jurado herdeiro de Portugal. Era o sonho de D. João II, agora invertido: um só rei peninsular, mas agora castelhano. É aqui que reside o segredo. Havia uma dívida de gratidão para com os Reis Católicos. Foram eles que defenderam o seu direito à sucessão contra o bastardo D. Jorge. Mais, Manuel precisava de comprar prata à Espanha par negociar as especiarias no Oriente. Sabia que a expedição de Gama tinha sido um enorme revés para Castela… Enfim, não lhe interessava dar a entender que para além de África e da índia, ainda tinha interesses a ocidente. Por isso, atrasou a informação. Não havia telejornais. Pode fazê-lo. Também por isso, terá dado instruções secretas a Cabral para simular um acaso, um “achamento” acidental, quando desde 1498 já sabia do Brasil, através da viagem de Pacheco Pereira. A reserva era tal que mesmo depois da naveta de Cabral ter chegado, a Junho de 1500, as primeiras notícias só circularam a partir de Junho de 1501. Um ano depois! Curiosamente, nessa altura já Miguel de la Paz tinha precocemente falecido, com apenas dois anos de idade.

O Brasil foi descoberto por Duarte Pacheco Pereira, em 1498, descoberta oficializada por Cabral, em 1500. O Brasil destinava-se apenas a operacionalizar a rota do Cabo. Hoje o Brasil é um continente e pode ser descoberto por todos nós.

Jorge Pinheiro

terça-feira, 12 de abril de 2011

8.6 - ÍNDIA

1 - Chegar à índia foi o mais fácil. Ficar lá é que foi pior. Nunca percebemos onde estávamos. Nunca estivemos onde queríamos. Uma cultura que pensámos bárbara. E os bárbaros éramos nós. Acossados. Odiados. Resistimos de raiva.
Entre 1384 e 1422, para variar, Portugal enfrentava uma brutal crise económica. D. João I, o Mestre de Aviz, o salvador da Pátria, inundou o país de “moeda desacreditada”. Um real de prata valia dezanove vezes menos do que no reinado de D. Fernando, seu antecessor e meio-irmão. Uma hiperinflação galopante que fez os preços quintuplicar. A bancarrota era certa, se o Mestre, acompanhado pelo perspicaz Infante D. Henrique, seu irmão, não tivesse decidido dar um salto em frente. Os conselheiros do rei reuniram-se em “congresso extraordinário”, em Torres Vedras (1412). Aí foi decidido desencadear o processo de projecção externa, com uma campanha de marketing nunca vista na Europa medieval. A primeira operação (de que aqui já falámos) foi a tomada de Ceuta, em Marrocos (1415). Avançar para o norte de África foi chegar às riquezas marroquinas e uma cruzada “pour épater les bougeois”, com aval do Papa. Os “títulos do tesouro”, naquela época, eram à base de saques, massacres, espoliações e a escravatura. A descida pela costa africana surgiu com naturalidade. Uma evolução na continuidade. Era até mais fácil. Os mouros revelaram-se duros de roer e com pouca carne. Os escravos negros saíam mais baratos. Eram um produto muito vendável. Revelaram-se pouco exigentes e de trato agradável. Juros garantidos. E o Preste João talvez existisse… Uma demanda utópica e rentável. O Papa aprovou novamente e a crise passou temporariamente. Só com D. João II, um imperialista entusiástico e de visão megalómana, houve uma estratégia concertada e abrangente para conquistar todo mundo (Espanha incluída). Ainda assim, não se tratava de criar riqueza, mas de aumentar o saque, como fazem hoje os principais bancos e especuladores. No final do século XV, o comércio oeste-africano que, ao tempo do Infante D. Henrique, se concentrara em Lagos, passa para Lisboa, onde era escoado pela Casa da Mina, situada no rés-do-chão do palácio real, junto ao estuário do Tejo, para permitir a fiscalização directa do rei. Mas D. João II queria mais. Queria apenas tudo…
2 - A Índia parecia evidente. Porque carga de água haviam de ser os turcos e os venezianos a beneficiar do comércio das especiarias? Ainda por cima, uns eram hereges e os outros… nem isso! Depois de Diogo Cão ter espalhado padrões por essa África abaixo, coube a Bartolomeu Dias passar o Cabo das Tormentas. Corria o ano de 1488. A rota do Índico estava aberta. O rei era cauteloso. Foi um dos precursores da moderna espionagem. Pêro da Covilhã parte por terra até à Índia, disfarçado de árabe e bom conhecedor do idioma. Ainda manda um primeiro relatório do Cairo. Depois… nada. Sabe-se que foi recebido com todas as honras pelo negus da Abissínia (Etiópia), mas impedido de sair do país. Desconhece-se se o rei recebeu mais relatórios. Nove anos decorrem desde que o Cabo da Boa Esperança fora dobrado. Porquê? Escreveram-se e escrevem-se rios de tinta sobre esses nove anos. Os nove anos mais importantes dos Descobrimentos portugueses. Os nove anos em que nada se descobriu. Entretanto, Colombo chega à América. Alguns dizem que estava ao serviço do rei português. Tudo seria manobra de diversão. O azar foi haver América. Entretanto, também, Afonso, filho de João II morre. Ele seria herdeiro de todos os tronos da Península. Facções internas achavam que se estava bem assim. Escravos. Algum ouro. Para quê gastar um dinheirão de retorno duvidoso? Que se passou ao certo? Não sabemos. Apenas especulações.
3 - Foi Vasco da Gama quem teve ordem de largada por mar, em Julho de 1497. A expedição marítima ocorre já no reinado de D. Manuel I, o Venturoso. Vasco era um rapazito ali de Sines, habituado a piratarias e arruaças. Um valdevinos, vagamente afidalgado. Ligeiramente bronco. Quando chegou a Calecut, em 1498, ficou admirado com o nível civilizacional atingido pelas cidades-estado indianas. Gama não foi sequer capaz de distinguir templos hindus de igrejas cristãs. Morreria convencido que se praticava, na índia, um culto aparentado com o cristão. É o mal de se mandar arruaceiros broncos a descobrir novos mundos. Mas este facto revela, também, que, se o relatório final de Pêro da Covilhã tivesse chegado, não se compreenderia este espanto do rapaz Gama. Enfatizamos este ponto, porque ele é vital. De facto, as relações com o Samorim de Calecut foram péssimas, desde o primeiro momento, e tornaram a nossa permanência na Índia um calvário. Onde teríamos de entrar diplomaticamente, acabámos por ter de entrar à força. Erro crasso, que viríamos a pagar caro.
4 – Vasco levava presentes sem valor. Umas contas de vidro; utensílios de latão; alguidares de plástico; pastilhas elásticas; enfim… E queria trazer pimenta, cravo e canela! O Samorim nem o recebeu. Não passou da antecâmara. Mais, quando desembarcaram foram imediatamente abordados por dois tunisinos que lhes perguntaram em bom espanhol: “Que diabo fazem vocês aqui?”. Os portugueses responderam: “ Viemos procurar cristãos e especiarias”. Cristãos, tiveram de os baptizar à força. As especiarias vieram a poder de canhão. De facto, irritado com a conduta do Samorim, Vasco bombardeou a cidade. Apenas o poderio militar de longo alcance e a rapidez das caravelas permitiram a entrada no mercado indiano e o domínio do Índico. A verdade é que o monopólio veneziano-muçulmano das especiarias e produtos de luxo asiáticos seria interrompido. D. Manuel podia honrosamente intitular-se “Rei de Portugal e dos Algarves, Senhor da Guiné e da conquista, da navegação e do comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia”. Durante um século, um país sem expressão territorial, feito de gente rude e pobre, dominaria o Índico… e em breve viria o Brasil! Uma proeza difícil de explicar e ainda mais de entender. Ainda hoje tentamos perceber. As riquezas chegariam a Lisboa e evitariam a bancarrota por mais umas décadas. Apenas por mais umas décadas…

( continua amanhâ com "Brasil")

Jorge Pinheiro

segunda-feira, 28 de março de 2011

8.4 - O cabo da Boa Esperança

A dobragem do Cabo da Boa Esperança foi um dos maiores feitos que a História de Portugal assistiu. Vencendo medos, receios, e mitos como o do Adamastor; os navegadores portugueses quiseram dobrar o cabo com toda a pompa e circunstância e assim começar uma nova fase : a chegada por via marítima à India e a conquista do Oriente. Em 1488, o navegador Bartolomeu Dias conseguiu o feito com ajuda dos ventos e marés que por ali se fazem sentir. Devido a esta instabilidade o marinheiro chamou-lhe cabo das Tormentos, mas D.Joao II quis que ele fosse da Boa Esperança porque unia o Oceano Atlântico e o Indico. Mas não só. Passar o cabo significava chegar à India e ao Oriente onde se encontravam as grandes especiarias e todo um mundo desconhecido por conquistar. Esta dobragem também foi importante porque permitiu aos portugueses se adiantarem aos espanhois. Com o tratado de Tordesilhas claramente favoralmente aos portugueses, havia que conquistar novos mundos até porque Africa já não era uma novidade.

Este cabo deu origem à Cidade do Cabo e é um dos locais mais visitados do Mundo. Como homenagem, existe uma estatua do navegador português na cidade.

Tendo apenas um significado histórico e não muito relevante em termos de factos e conteudo, a passagem do Cabo não podia deixar de ser esquecido na nossa passagem pela História de Portugla. Seria um crime de lesa-patria

(continua dia 11 de Abril)

segunda-feira, 14 de março de 2011

8.3 - D.João II e o Tratado de Tordesilhas

O Tratado de Tordesilhas
Foi no reinado de D.João II que se deu o apogeu dos descobrimentos. É ele que, ainda príncipe fica responsável pela pasta da India e também encarrega Duarte Pacheco Pereira para explorar ainda mais o Atlântico Sul.
Com o Rei, Diogo Cão e Bartolomeu Dias são lançados aos mares para prosseguirem o objectivo de conquistar mais terras, nomeadamente o Brasil. Perante tanta ousadia não é de estranhar que D.João II também seja conhecido pelo venturoso mas havia quem lhe chamasse o Principe Perfeito. Curioso é o facto de não ter colhido os frutos da sua campanha já que foi no reinado seguinte que Portugal atingiu o apogeu dos descobrimentos. Mas já lá vamos.

Não só de vitórias viveu D.João II. A nobreza por exemplo odiava o rei ao ponto de lhe dar o cognome de tirano. Foi também no seu reinado que Cristovão Colombo um mercador genovês apresentou um plano para a descoberta da América do Norte. O Rei não quis saber porque só tinha olhos para a África e o Oriente e rejeitou o plano. Colombo foi então bater à porta dos espanhois que se lançaram nesta aventura provocando uma enorme divisão dos oceanos que originou o Tratado de Tordesilhas.

Que não tenhamos dúvidas, D.João II foi dos monarcas mais importantes da história de Portugal. Sem ele, os descobrimentos não atingiriam grandes proporções e a economica portuguesa estaria de rastos. Sem medo de arriscar foi à América do Sul e ao Sul de África. Outros ficariam com o ónus de chegar à India, mas naquela época era em África que se encontravam os grandes materiais. Também foi neste continente que se iniciou o processo de cristianização. O Principe Perfeito morreu a 25 de Outubro de 1495. Conta a lenda que Isabel recebeu a notícia da morte do seu primo desta forma : "morreu o homem".

O Tratado de Tordesilhas

No dia 7 Junho de 1494 os Reinos de Portugal e de Espanha assinaram um tratado no qual estabeleciam a divisão das terras descobertas e por descobrir. Tudo porque com a rejeição do rei português, Cristovao Colombo se lançou sob a égide da bandeira espanhola. Este tratado surgiu para evitar que outros países que de certo se lançariam aos mares ocupassem territórios e assim Portugueses e espanhois seriam os novos donos do mundo.

A linha de demarcação era o meridiano 370 léguas a oeste da ilha de Santo Antao no arquipelago de Cabo Verde. Esta linha estava situada entre estas ilhas e as ilhas descobertas por Colombo nas Caraibas. Os territórios a leste deste meridiano pertenceriam a Portugal, a Oeste eram de Espanha.

Porém, para se chegar a este acordo foi necessário fazer várias cedências. E como qualquer negociação entre espanhois e portugueses, esta não foi uma divisão fácil, daí que tenha sido necessário a intervenção do Papa para que os dois Reinos se entendessem. Portugal ficou a linha oriental e preservou as suas conquistas de África permitindo-lhe navegar mais para Oriente. Já Espanha e Colombo ficaram contentes com a sua América. Contudo os espanhois não ficaram agradados e junto do Papa Alexandre VI exerceram pressão para que as linhas fossem alterados.

D.Joao II não aceitou os termos do acordo e quis reunir-se com os reis Católicos Fernando II e Isabel I para discutir a divisão. O local escolhido foi Tordesillas nascendo então a divisão referida anteriormente. O Papa Julio II ratificou o tratado em 1506. Foi efectivamente, um Tratado melhor para Portugal do que para Espanha.

De referir ainda que em 1524, nasceu um novo problema. A questão das Molucas que foi resolvida mediante o Tratado de Saragoça assinado em 22 de Abril de 1529.

Apesar de tantas alterações e problemas, Portugal ficou com a parte mais importante dos mares. A isso se deve a astúcia, perseverança e coragem de D.João II

( continua dia 28...)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

8.2. A Conquista de Ceuta

Jaime Cortesão em Os Factores Democráticos na Formação de Portugal assinala que desde o século XIII que os portugueses frequentavam os portos da Flandres, da Inglaterra, da França, da Espanha, do norte de África e também do Levante. Este comércio cresceu no século XIV graças ao tratado de 1353 com a Inglaterra de Eduardo III e com o privilégio dado aos portugueses em vários portos franceses no Mediterrâneo e no Atlântico. Em pleno reinado de D. Afonso IV os portos de Lisboa e do Porto tornam-se centros comerciais de monta na Europa; a burguesia comercial enriquece e torna-se uma classe importantíssima na viragem do país durante a crise de 1383-85, enquanto apoiantes do partido do Mestre de Aviz.
A segunda dinastia portuguesa alinha nos novos movimentos europeus em torno da burguesia comercial; esta presença é atestada pela contrariedades próprias dos séculos XV e XVI que se fizeram sentir entre os filhos de D. João I: o D. Pedro das sete partidas e do Tratado da Virtuosa Benfeitoria, o D. Henrique da estratégia dos descobrimentos ou D. Duarte o rei filósofo; é também nessa altura que a corte portuguesa passa a estar em contacto com a emergente cultura renascentista e que o comércio europeu intensifica os contágios culturais.
A conquista de Ceuta é normalmente considerada como o primeiro momento da grande saga dos Descobrimentos. No entanto, numa data incerta entre 1325 e 1336 já D. Afonso IV ordenara uma expedição às Canárias com ajuda de Genoveses. Este interesse pelas Canárias acompanha também o interesse pelo controlo das rotas do norte de África. A conquista de Ceuta representava também um importante marco na navegabilidade do Atlântico; atingir as ilhas da Madeira e do Porto Santo dependia, em grande parte, do controlo de uma área de terra no norte de África que permitisse fazer frente aos ventos e aos Corsários marroquinos. A conquista de Ceuta iria representar o controlo da entrada do Mediterrâneo, tornando-se possível entreposto entre o comércio do Levante e o comércio do Mar do Norte.
Apesar das múltiplas hipóteses historiográficas sobre a conquista de Ceuta em 1415, a verdade é que todos estes objetivos não foram concretizados. A conquista de Ceuta representou, como iria dizer o infante D. Pedro, uma autêntica perda de tempo, numa altura em que o Mar do Norte continuava animado pelos produtos trazidos pela rota do Levante através dos portos italianos do Mediterâneo. Será por essa razão que Portugal prosseguirá o seu interesse pelo controlo de entrepostos comerciais que possibilitassem o fim da rota do Levante e do monopólio das cidades italianas, eliminando os custos acrescidos de intermediários em produtos que vinham do Próximo Oriente, da Índia e do Extremo Oriente.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

8.1 - A preparação

Não se pense que os descobrimentos nasceram de um dia para o outro e que a vontade de Portugal se fazer ao mar foi devido a uma ideia de génio de qualquer rei português.

Após a Reconquista, D.Dinis interessou-se pelo comércio externo e era necessário arranjar meios para que este chegasse a Lisboa. Também com o intuito de defender o país dos actos de pirataria muçulmana, o Rei nomeou em 1317 Manuel Pessanha como o primeiro almirante da frota real. Nascia assim a Marinha Portuguesa. Era igualmente necessário explorar e encontrar outras alternativas de forma a criar fontes de rendimento.

Mas foi o sob o reinado de D.Afonso IV que se iniciaram as primeiras explorações maritimas, tendo acontecido em 1341 a primeira ocupação portuguesa. Foi nas Ilhas Canárias que o primeiro pedaço de terra conquistado pela bandeira portuguesa foi devolvido aos espanhois, pois em 1344 o Reino de Castela disputou-as. O rei português não contente protestou junto do Papa Clemente V mas em vão já que no acordo entre as dois países foi Castela quem venceu. Estava dado o sinal da ambição portuguesa.

Em 1386 é assinado o Tratado de Windsor que permite aos mercadores portugueses pescarem em terras inglesas. E um pouco por todo o país se vão estabelecendo mercadores com vista a lançarem a ancora o mais depressa possível.

Estes foram alguns episódios que antecederam o verdadeiro inicio dos descobrimentos.

Foi com a conquista de Ceuta, na qual falaremos no próximo capítulo, que a aventura começou....

(continua dia 28 : Conquista de Ceuta)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

8 - Descobrimentos

Retomamos hoje a História de Portugal com um dos períodos mais importantes e brilhantes de Portugal.
Talvez tenha sido com os descobrimentos que Portugal viveu os melhores tempos em termos de conquistas e projecção internacional. Quando se fala de Portugal lá fora, é dos tempos áureas da navegação que os portugueses são lembrados.
É uma realidade que desde essa altura, o poder português no Mundo foi-se perdendo e Portugal começou a diminuir influência no mundo.
As conquistas e explorações maritimos começaram em 1415 com a conquista de Ceuta e terminaram em 1543.
Pela primeira vez na História, Portugal lançou uma ideia e o resto do Mundo copiou, nomeadamente a Espanha.
Os descobrimentos envolveram a chegada a novos continentes como África, o Brasil e a descoberta do caminho marítimo para a India, tendo sido este ultimo o grande feito que abriu a Europa ao Oriente.
Pelo meio ficaram conhecidos homens como Vasco da Gama, Pedro Alvares Cabral e D.Joao II, o grande impulsionador dos descobrimentos. Cristovão Colombo também podia fazer parte da história portuguesa mas preferiu aliar-se aos espanhois.
Este tempo historico permitiu essencialmente que o Mundo fosse conhecido. Lugares como África, Brasil e a própria eram desconhecidos e muito se especulava sobre quem eram os seus habitantes e habitats. E foi aqui que se permitiu também descobrir novas riquezas e culturas totalmente distintas, tendo sido algumas delas incorporadas no nosso país.
Foi um maior período de riqueza a que o nosso país assistiu....
Sob todos os aspectos....

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

7.4 A Crise de 1580

A morte de Dom Sebastião em Alcácer-Quibir no ano de 1578 teve raízes na trama dinástica entre Portugal e o reino espanhol. Essa trama remontava à idade média e teve como objetivo assegurar a paz fronteiriça através dos casamentos entre famílias reais. Essa prática era tão usual que mesmo até em pleno século XVIII, o império Austro-Húngaro viveu da anexação de vários territórios a partir dessa mesma lógica. Em Portugal, o problema das sucessões tinha já sido fruto da crise de 1383-85.

Se bem que em moldes muito diferentes, as Cortes de Lisboa de 1579 tiveram de proclamar o Cardeal D. Henrique, filho de D. Manuel I, como regente provisório. Entre 1578 e 1580, colocava-se a disputa pela sucessão entre Catarina de Bragança, Filipe II e pelo Duque da Sabóia. A morte de D. Henrique em 1580, em plenas Cortes de Almeirim, provocou uma série de acontecimentos que levariam à aclamação de D. Filipe II de Espanha como Filipe I de Portugal.

De certa maneira 1580 repetia 1383: do lado de Filipe I estava grande parte do clero e da nobreza; os primeiros, para se porem ao lado do único rei cristão que fazia frente aos protestantes e capitalistas da Europa central; os outros, pela ambição de juntar ao império português, o império espanhol com projetos de elevar Lisboa a capital do Reino Unido da Ibéria; de tudo servia à nobreza portuguesa que, desde que fora descoberta a índia deixara de ter emprego. De novo, o povo e parte da burguesia apoiaram D. António Prior do Crato, que se tornava rei no dia 24 de Julho de 1580. Derrotado pelas forças espanholas e portuguesas na batalha de Alcântara, exila-se.

Mas 1580 não foi apenas fruto das disputas dinásticas europeias. A data radica, no essencial, em dois factores preponderantes. Primeiro, D. Sebastião, sem sucessão, convencera-se que era necessário assegurar o controlo do Atlântico através de um triângulo estratégico no qual coubesse Portugal, África e o Brasil. Nesse sonho fora apoiado pelos espanhóis que o convenceram a participar na frente de uma batalha que, sem dúvida, sairia vitorioso. Chegado a Alcácer-Quibir, as forças portuguesas tiveram de enfrentar um número muito maior de forças, já antes avisadas por espiões do “ataque-surpresa” português.

Segundo, com a anexação de Portugal, a Espanha crescera na sua luta contra os novos povos protestantes europeus. Para conseguir o controlo dos mercados mundiais, os reis de Espanha depois de Carlos V (1500-1558), tiveram de travar guerras de sucessão e de controlo territorial na Europa Central. A Espanha era, sem dúvida, a grande potência militar da altura mas nada conseguia fazer contra as sucessivas investidas militares na Flandres, na França, na Itália e na atual Alemanha. Tal como Paul Kennedy defende no primeiro volume de Ascensão e Queda das Grandes Potências, para que a Espanha continuasse a fazer guerra era, também necessário endividar-se brutalmente junto dos especuladores holandeses, contra quem depois fazia guerra. Com o final da dinastia dos Filipes em 1640, já a Espanha perdera todo o seu esplendor de potência mundial e via-se a braços com dívidas de altíssimos juros. Não fora mais do que vítima de si própria.

Portugal, com a anexação, manteve alguma da sua autonomia territorial face à Espanha, apesar das investidas holandesas ou francesas no Brasil e nas índias orientais. No entanto, foi também um marco que nos distanciou dos novos países protestantes, economicamente emergentes, que preparariam a europeização do mundo com o capitalismo e o método científico, contra os quais o nobre e o clero portugueses muito lutaram. É talvez por isso que D. Sebastião surge como o encoberto; como o passado que nunca se chegou a cumprir, mas que talvez já entrara em decadência mesmo antes de 1578.

( continua em Janeiro com os Descobrimentos, a Historia de Portugal regressa em 2011...)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

7.3 - A Conquista Arabe e a Reconquista

Foi por volta do ano de 711 que os Arabes invadiram a Peninsula Ibérica, vindo do Norte de África expulsando os Visigodos que já se tinham implementado na região.
Devido à questão da sucessão do Rei visigodo Vitiza é que os muçulmanos tiveram bilhete de entrada para a Peninsula.
Após a morte do rei, havia dois candidatos à sua sucessão : Ágila II e Rodrigo. O primeiro teve necessidade de pedir ajuda a Tarik Ibn Ziad, governador muçulmano de África e assim deu-lhe uma porta de entrada na Europa.
O dominio Muçulmano começou por se efectuar na Lusitânia e na Cartaginense. A unica provincia que resistiu às invasões foi o Reino das Asturias.

Em baixo um quadro com o dominio muçulmano na Peninsula :

A partir daqui deu-se aquilo a que se chama a Reconquista Cristâ:

No Século VIII começou a reconquista por parte dos visigodos cristãos das terras ocupadas pelos muçulmanos. Como já foi dito, as Asturias resistiram aos arabes e foi a partir daquele local que se começou a organizar a guerra. Pelágio foi o grande obreiro deste movimento. Ele e outros guerreiros esconderam-se nas montanhas das Asturias e sobreviveram ao dominio arabe.

A primeira grande vitória do exército de Pelágio foi na batalha de Covadonga em 722. Mas foi a batalha de Cangas de Onis que deu o impulso definitivo para que os Arabes saissem da Peninsula e regressassem a África.

Com os mouros fora da Península começaram-se a criar os primeiros Reinos Cristãos. O primeiro a nascer foi o das Asturias cujo fundador seria naturalmente Pelágio, depois veio o Reino de Leão e Navarra. Como já dissemos, Sancho de Navarra no século XI anexou o condado de Castela e quando morreu os seus estados foram divididos pelos seus três filhos.

A Reconquista cristâ, só fica concluída em 1492 com a conquista de Granada e em Portugal apenas com a ocupação de Silves por D.Afonso III em 1253.

Em baixo um quadro com a evolução da Reconquista cristâ:

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

7.2. - UNIÃO IBÉRICA - TENTATIVAS FALHADAS

1 – Ao longo dos séculos foram várias as tentativas falhadas para constituir a União Ibérica. A criação do Estado português, no séc. XII, tem motivações diversas e eventualmente acidentais. A independência surgiu contra o reino de Leão e fortificou-se na luta com Castela.

Uma geografia montanhosa e agreste, por um lado, e o Oceano Atlântico, por outro, podem justificar a criação geográfica do Estado. Uma economia frágil determinou a expansão ultramarina. Tudo isto nos divorciou da Europa e nos afastou da Espanha. Portugal não era uma nação. Nem disso tinha consciência. Portugal era um conjunto de tribos celtiberas, de visigodos, de romanos e judeus, a que se viriam a juntar, mais tarde, os mouros. Foi claramente por razões de poder entre senhores feudais e de intriga entre as Cortes de Leão e do Condado Portucalense (com a Galiza de permeio) que acaba por surgir Portugal. Tudo o que depois se disse sobre Viriato e os Lusitanos não passa de mistificação setecentista para consolidar uma identidade nacional permanentemente dividida entre Portugal e Castela.

2 – Desde os primeiros reinados portugueses houve sempre a preocupação de fazer contratos nupciais entre Portugal e os reinos de Leão, Aragão e Castela. Os casamentos cruzados começam logo na primeira dinastia e mantêm-se com a dinastia de Avis. Estes casamentos visavam garantir a paz, mas também colocavam questões de sucessão nos reinos envolvidos.
Se exceptuarmos as tentativas de reconquista militar ainda na primeira dinastia, podemos dizer que o Estado português se estabilizou a partir D. Dinis (1261-1325)) e que a partir daí todas as tentativas de “fusão” se devem a questões dinásticas, motivadas pelos referidos casamentos cruzados.

3 – Curioso é notar que com a dinastia de Avis (2ª dinastia) se começa por consolidar a independência (D. João I – 1385), para logo a seguir se tentar a “fusão”, até se perder a independência, após a morte de D. Sebastião. Tudo nesta dinastia. Ora vejamos:

- D. João I – Na sequência da morte do rei D. Fernando, sem herdeiros, a regência foi entregue à mulher, Leonor de Teles. As ambições desta e as inimizades que motivou, mais a sua ligação ao conde galego João Fernandes Andeiro, conspirando para entregar o reino ao rei de Castela (tb. de seu nome João), criaram um movimento nacionalista, para o qual foi fundamental o apoio da burguesia, com o Mestre da Ordem de Avis, D. João, à frente. Deram-se as batalhas de Aljubarrota e Atoleiros e a independência é garantida, com o apoio fundamental dos ingleses. Em 1386 o Tratado de Windsor, o mais velho tratado internacional do mundo, é celebrado, juntamente com o casamento de D. João com Filipa de Leichester (Lencastre). E nunca mais nos vimos livres dos ingleses.

- D. Afonso V – em 1446, com 14 anos, toma conta do governo que já então se tinha estendido ao norte de África (Ceuta), no reinado do pai, D. Duarte. Afonso V é um rei “fora do seu tempo”: um cruzado e um cavaleiro. Depois de tomar várias praças-fortes em Marrocos, dando expressão à sua faceta de “cruzado”, resolve defender a sua dama e envolver-se numa patética luta com Castela que se viria a desastrosa, não fora a intervenção do filho.

- D. João II – filho de Afonso V e desde muito novo associado ao governo de Portugal, foi ele que deu alguma sanidade à gestão do pai e foi o responsável pelo planeamento dos Descobrimentos. O “Príncipe Perfeito” tinha um sonho: ser rei do Mundo! Para isso tinha de conseguira coroa de Castela. As duas potências ibéricas começavam a descobrir outros continentes e outros caminhos marítimos. Alternativas comerciais e expansão de mercados. Se Portugal e Castela se juntassem, esse novo reino seria o “dono do Mundo”. Esta política de fusão foi deliberadamente conduzida por ele e pelos Reis Católicos. Havia esse desejo por parte de ambas as Casa Reais. Em 1490 casa-se Afonso, herdeiro do trono português, com Isabel, herdeira de Castela. Em breve haveria um único rei na Península. Era a época das “fusões”. Castela tinha já incorporado Leão e estava em “operação de aquisição” com Aragão, fruto do casamento de Fernando de Aragão e Isabel de Castela (os Reis Católicos). Em breve, também, os mouros iriam ser totalmente expulsos, com a tomada de Granada, último bastião do Islão na Península. Não quis, porém, o destino. O príncipe Afonso cai do cavalo em Almeirim e morre sem herdeiros. D. João segundo deixa de sonhar com o Mundo todo e força o Tratado de Tordesilhas (1494), para assegurar meio Mundo.

- D. Manuel I – primo de D. João II sobe ao trono e sem saber ler nem escrever herda tudo o que o antecessor tinha planeado. Por isso é o “Venturoso”. De qualquer forma não desiste do objectivo da “fusão” dos tronos. E, novamente, com o acordo dos Reis Católicos, casa com a mesma Isabel viúva do príncipe Afonso, ela que continua a ser a herdeira do trono de Castela e Aragão. Um verdadeiro “déjà-vu”. Com a mulher em adiantado estado de gravidez, vai a Espanha para jurar a sucessão. Chega a jurar o trono de Castela, em Toledo. A sua garantia era a mulher, Isabel. Mais uma vez o destino não quis. A mulher morre de parto ainda em terras de Espanha e D. Manuel não chega a tomar posse de Aragão. Volta para Portugal com o rabo entre as pernas, mas deixa lá uma semente de união: o filho D. Miguel de la Paz, herdeiro jurado dos três tronos. Era a derradeira esperança de união… Mas não! Também este morre com pouco mais de 2 anos de idade.

- D. Sebastião – mais um homem fora do tempo e, aliás, fora de tudo. Neto de D. João III, inicia o reinado em 1568. Deixa-se matar com 24 anos, em Marrocos, na “Batalha dos Três Reis” (nome dado pelos marroquinos, pois morreram dois reis mouros e um português), na sequência de uma loucura cruzadística. Lança o país na maior confusão dinástica. O quadro sucessório era complexo, mas acabaram por triunfar as razões jurídicas puras e duras. A sucessão competia a Filipe de Espanha. Não houve resistência militar à altura e, com a clara complacência, e até vontade, da alta nobreza e clero, o trono passa para o monarca da Casa de Habsburgo. De 1580 a 1640 Portugal foi mais um país governado por essa “holding” europeia de gestão de reinos. Nunca chegou a haver verdadeira fusão. Nunca houve uma identidade conjunta. Apenas uma gestão conjunta. A independência voltaria por detalhes mesquinhos relacionados com a nobreza e impostos necessários ao esforço de guerra espanhol. Nunca mais haveria outra hipótese…

4 – Na actualidade Portugal e a Espanha estão reunidos na EU. Mas a União Ibérica nunca saiu da nossa cabeça. Uns; para se oporem; outros, para a desejarem. Só isso significa que há uma genética comum. Uma nostalgia de separação. De facto, a verdadeira nação é a Ibéria. O resto, são regiões.

Jorge Pinheiro

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

7.1 UNIÃO IBÉRICA - ERRO OU DESTINO?

1 - Alguns consideram a independência de Portugal um acaso contra-natura. Outros acham que por ter havido tantas tentativas falhadas de junção, é porque tinha mesmo de ser. Outros, acham um exemplo patriótico que criou a nação mais antiga da Europa que deu novos mundos ao mundo. Outros, ainda, um projecto Templário dirigido, desde o início, a partir de Cluny, com ideais inconfessáveis que acabam sempre no “Quinto Império”... Enfim, há para todos os gostos. Para mim é absolutamente irrelevante a motivação. A questão é saber se um Estado tem viabilidade. E aqui as leituras não são só economicistas, nem podem ser aferidas em termos conjunturais. Há que perspectivar esse país. Olhar o seu passado e o seu futuro. Esquecer um patriotismo que, sendo natural e estimável, pode ser utópico e nos pode precipitar na falência. Mais do que saber se devíamos ser independentes, importa perguntar, hoje, o que é ser independente. O mundo mudou muito e vai mudar muito mais. Acima de tudo, importa fazer uma análise liberta de passadismos heróicos e mistificação poética-pastoril.
Para mim, Portugal independente fez sentido até ao final ao séc. XVI. Depois, passou a teimosia e, finalmente, a erro crasso.
2 – A situação agrava-se neste princípio de século. Uma situação muito difícil. Sem qualquer projecto, sem qualquer estratégia, com as finanças públicas e privadas num caos, com a recessão a chegar e o desemprego a aumentar. O único projecto português conhecido é, e será, nos próximos anos, pagar dívidas acumuladas a juros incomportáveis e ser alvo de especuladores de todo o tipo. Dir-se-à que é uma situação europeia. Sim, mas Portugal tem muito menos condições de aguentar, porque não tem riqueza própria e não sabe cria-la. Está, portanto, em excelentes condições para um “take-over”.
Este cenário é cíclico. Existe desde a fundação de Portugal. Sempre o fomos ultrapassando, com mais ou menos sorte,, mas sempre nos fomos empenhando e hipotecando com essa inépcia. Primeiro aos ingleses (dos quais fomos praticamente colónia a partir das Guerras Napoleónicas); depois, à União Europeia, da qual somos pedintes, desde 1986. Longe vão os tempos da EFTA, em que houve ainda tentativa de criar indústria nacional, aliás, mal aproveitada.
Portugal foi sobrevivendo, desde a fundação, primeiro com os impostos cobrados aos mouros, aos servos da gleba e com as rapinas fronteiriças; depois foram os escravos da Guiné; as especiarias da índia; o ouro do Brasil; mais tarde o contrabando para Espanha; os Fundos Comunitários… Nunca, mas nunca, se criou riqueza de forma sustentada. Tudo foi dissolvido em palácios; conventos; embaixadas ao Papa; faustos; fontanários; Ferraris e luxos pacóvios.
A dimensão do mercado interno não ajuda. Não sabemos exportar e o nosso mercado natural (lusófono) ou não quer saber de nós (Brasil), ou não tem dinheiro (África), ou, então, quer-nos comprar de atacado (Angola).
3 – Parece haver uma inépcia natural para tomarmos conta dos nossos destinos. De facto não nos sabemos governar e não nos deixamos governar! A Europa podia ter sido o nosso elã. Infelizmente ando descrente do projecto europeu. Penso que perdeu o timing e perdeu a embalagem. Ainda vamos ter de pagar o desmantelamento da Comissão e de toda a “comitologia” associada. O nosso destino natural será voltar à Mãe-Ibéria. Um país geograficamente coerente, demograficamente atraente e economicamente consistente. Porque nos separámos? Que importa isso agora. Importa, sim, saber como nos vamos juntar.
Jorge Pinheiro

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

7. Uma Uniao Iberica

Ao longo da história Portugal e Espanha foram aliados mas também adversários.
Foram várias as situações em que as duas Nações travaram batalhas, quiseram conquistar o vizinho mas também assinaram tratados.
O dominio dos Filipes em 1580, quando Filipe II de Espanha, filho de D.Isabel de Portugal e de Carlos V, veio a ser o sucessor ao trono de D.Sebastião. Como este ultimo não tinha descendência, levantou-se o mesmo problema aquando da crise de 1383-1385 como já relatámos nas nossas crónicas.
O dominio espanhol durou até 1640 altura em que se deu a restauração da independência.
Esse foi sem duvida um momento de vitória espanhola, mas já em Aljubarrota os portugueses tinham levado a melhor e com menos efectivos.
Outra questão que levou "nuestros hermanos" e portugueses a se lançarem numa competição foram os descobrimentos. Os portugueses iniciaram uma nova forma de conquista, mas os espanhois não quiseram mais uma vez ficar atrás e pela mão do genovês Cristovão Colombo ( rejeitado por D.Manuel), conquistaram a América, enquanto que Portugal ficou com África e as Indias. Desta divisão nasceu um dos muitos tratados que Portugal e Espanha celebraram : o tratado de Tordesilhas.
Antes tinha sido escrito entre as duas jovens nações a 1411, um acordo, após a Batalha de Aljubarrota em que Castela reconheceu a independência de Portugal.
Mas o primeiro acordo de significativa importância para o nosso país foi o Tratado de Zamora de 1143 que reconheceu D.Afonso Henriques como Rei de Portugal e a "primeira" independência de Portugal em relação a Castela.
O ultimo tratado conjunto com Espanha foi o Tratado de Olivenza. Ainda hoje não se sabe se é Olivença ou Olivenza.....
É um facto que na história dos dois países houve mais guerras entre ambos do que consensos.
Talvez por existir inveja entre os dois povos....
Mas a verdade é que foram estes dois países que conseguiram ficar neutros durante a II Guerra Mundial devido à astúcia de Salazar e Franco, entraram para a Comunidade Europeia no mesmo ano, irão organizar o Mundial 2018 em conjunto bem como coincidirem quase sempre com a mesma cor partidária nos respectivos governos.....
Esta é uma união que dura há seculos, mas como será que se desenrolaram?

(continua dia 25...)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

6.4 Laços de Vassalagem - vários tipos

Hoje vou falar ainda de alguns impostos e tributos da época bem como dos laços de vassalagem.,.... Assim, existiam na Idade Média os seguintes impostos que os senhores recebiam:
  • corveia : trabalho compulsorio nas terras do senhor alguns dias da semana.
  • talha : parte da produção do servo que deveria ser entregue ao senhor.
  • Banalidade : tributo cobrado pelo uso de instrumentos ou bens do feudo como o moinho, forno, celeiro, pontes
  • capitação : imposto pago por cada membro da familia ( por cabeça)
  • tostão de pedro ou dizima : 10% da produção ia directamente para a capela local.
  • censo : tributo que os vilões ( pessoas livres) deviam pagar em dinheiro, á nobreza
  • taxa de justiça : os servos e os vilões deviam pagar para serem julgados tribunal do nobre.
  • formariage : quando o nobre se ia casar, todo o servo devia pagar para ajudar no casamento.
  • mão morta: era um pagamento para permanecer no feudo no seio da familia servil, em caso de falecimento de pai ou familia.
  • albermagem : obrigação do servo em hospedar o senhor feudal.

como viviam os servos? quais eram condições que os senhores lhes davam?

Viviam em choupanas de barro e palha, onde a chuva e a neve chegavam facilmente. Trabalhavam ao sol ou à chuva. Como a sua sobrevivência dependia das colheitas, muitos houve que passaram fome durante este período. Como tinham de pagar taxas aos senhores, não lhes restava nada. Alguns acabariam mesmo por morrer. Estavam também sujeitos a serem chamados pelo senhor feudal em caso de guerra, já que este possuia também o poder militar. O gado podia ser requisito como moeda de troca e as suas plantações por vezes, eram selvaticamente destruídas pela cavalaria pertencente ao próprio feudo.

(continua dia 11 Outubro)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

6.3 - D. HENRIQUE E O CONDADO PORTUCALENSE - II

1- Como já vimos no post anterior sobre este tema, a linhagem dos condes de Portucale extingui-se em 1071. O vazio provocado por esse desaparecimento acabou por destacar os chamados infanções, um estrato intermédio da nobreza que actuava por delegação régia ou condal, numa lógica de vassalagem. Com o desaparecimento dos condes, os infanções foram assumindo crescente poder à escala regional, garantindo a defesa, administrando a justiça e apropriando-se de todos os poderes públicos.
Esta alteração de forças nas relações políticas e sociais, com a parcelarização e privatização dos poderes públicos que passam a ser exercidos a uma escala local, configura aquilo a que se costuma designar por "revolução feudal". Os infanções passam a depender directamente do rei, sem intermediação do conde. Esta situação muito peculiar iria conferir-lhes um papel vital na evolução dos acontecimentos na região portucalense e distinguir, de forma asbsoluta, o "feudalismo" português do verdadeiro feudalimo do norte da Europa.

2 - Em 1086 Afonso VI, de Leão, sofre em Zalaca (região de Badajoz) uma pesada derrota contra os Almorávidas (recém chegados de Marrocos). Esta derrota teve fortes repercussões na Península e além-Pirinéus. A segurança da Europa era de novo posta em causa. Roma afligiu-se. França inquietou-se.
Entrou em jogo o Mosteiro Beneditino de Cluny (zona da Borgonha). As ligações com Borgonha existiam já: Afonso VI era casado com Constança, filha do Duque de Borgonha e sobrinha do abade Hugo de Cluny. No séquito de Constança vieram para a Península muitos cavaleiros franceses. Importará recordar que nesta região francesa foram, por esta altura, criados os alicerces da futura Ordem dos Templários.
A pregação anti-muçulmana de Cluny, o início da peregrinação massiva a Santiago de Compostela, através do "caminho francês", o número crescente de cavaleiros francos na corte de Leão, a expansão de mosteiros clunisenses na Península e a nomeação de inúmeros bispos ligados à Ordem em Braga, Porto ou Coimbra, contribuiu para influenciar toda a política Ibérica. Até aí havia uma tolerância para com os moçárabes e mesmo para com os mouros que deixou de haver.
Por lado, a carreira das armas era uma das poucas hipóteses de fazer fortuna para os pequenos nobres ou para os segundos filhos de reis de duques.

3 - É assim que, de uma forma perfeitamente natural, Afonso VI casa as suas duas filhas, Urraca e Teresa (filha bastarda), com dois cavaleiros ligados à casa ducal de Borgonha: Raimundo e Henrique, respectivamente. Raimundo viria a ser Conde da Galiza (por morte de Garcia, irmão de Afonso VI, e aprisionado por este). A Galiza integrava nessa época terras portucalenses. Assim, o território inicial de Raimundo estendeu-se bem para sul, atingindo Santarém e Lisboa, entretanto entregues pelos mouros. Só que Raimundo não deu conta do recado. Não conseguiu assegurar a a defesa desses vastos territórios.
Terá sido esse o motivo porque, em 1096, Afonso VI concedeu a Henrique de Borgonha o Condado Portucalense, agrupando os antigos condados de Portucale e de Coimbra. A concessão foi feita a título hereditário, com óbvias características de um contrato feudo-vassálico e em que eram patentes as práticas borgonhesas. Henrique passou a estar directamente dependente do rei, sem qualquer dependência de Raimundo, separando-se Portucale da Galiza.

4 - O sucesso de Henrique na defesa e administração das "suas" terras foi evidente. E isso permitiu-lhe estabelecer com Raimundo o chamado "Pacto Sucessório" (1105), um acordo secreto patrocinado por Cluny que fixava uma futura partilha de poderes entre eles nos reinos de Leão e Castela, incluindo na Galiza, após a morte de Afonso VI.  De facto, por esta altura, as intrigas eram tremendas: um partido francês, cada vez mais forte e apoiado por Cluny e, de certa forma, pelo Papa; uma nobreza leonesa descontente que se sentia secundarizada e defendia Sancho para suceder no trono, embora fosse filho de uma ligação de Afonso VI com a moura Zaida.
Mas a vida é curta. Então na Idade Média nem se fala. As intrigas correram atrás das mortes. De 1005 a 1112, nenhum dos intervenientes está já vivo: morre Afonso VI; morre o infante Sancho; falece Raimundo; até o abade de Cluny não escapa... Em 1112 fina-se Henrique. O Pacto Sucessório nunca se cumpriu. Mas D. Henrique deu um impulso decisivo à criação de uma diferenciação e mentalidade portuguesa., na prossecução de uma política que não diluía o Condado Portucalense no âmbito da Galiza. O caminho político para um Portugal autónomo estava aberto.
Jorge Pinheiro

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

6.3 D. HENRIQUE E O CONDADO PORTUCALENSE - I

1 - Na segunda metade do séc. VII estabeleceu-se nas Astúrias uma linhagem de chefes guerreiros que reividicavam a descendência de Pelágio (o vencedor de Covadonga). Intitulavam-se principes ou reis. E assim começa o processo conhecido por Reconquista. Um movimento cristão que irá progressivamente expulsar os invasores mouros, entrados na Península em 711.
No reinado de Afonso III das Astúrias (866-910) os cristãos chegaram à linha do Douro que nunca mais seria perdida, salvo raras incursões muçulmanas. O seu povoamento ficou a cargo de Vimara Peres (que terá dado o nome a Guimarães). Tratava-se de uma unidade polítíca-administrativa cuja área, com centro em Portucale (perto do Porto) se estendia do sul do rio Minho, até à Terra de Santa Maria, já abaixo do rio Douro.
2 - A partir do séc. X o reino transferiu a sua capital para Leão e passa a usar essa denominação. A sua expansão não pára. O território dividia-se em condados, à frente dos quais está o conde (comes), com poderes delegados do rei. À frente do condado Portucalense estiveram membros da família descendente de Hermenegildo Gonçalves e Mumadona Dias (926 - 968), até 1071. Estes terão sido os pais fundadores de um reino. Mas ainda não o sabiam. A sua relação era então de total vassalagem para com o rei, embora a distância e as particularidades da região fossem cavando o fosso da independência.
O condado Portucalense foi tendo avanços e recuos até chegarmos ao reinado de Afonso VI de Leão (1065- 1109). Este, depois de conquistar Santarém e Lisboa, teve de retirar devido à investida Almorávida, recém chegada de Marrocos e que iria perturbar durante mais de um século a reconquista cristã.
Entretanto, havia-se extinguido a linhagem dos antigos condes portucalenses. O último terá sido Nuno Mendes que, tendo-se revoltado contra Garcia, rei da Galiza, foi morto num reencontro perto de Braga, corria o ano de 1071... Jorge Pinheiro
(continua 4ªfeira)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

6.2 - O feudo - Importancia e caracteristicas

O feudalismo acentou sobretudo nas relações entre o senhor e o servo. Era essencialmente uma relação de submissão, trabalho, dependência do servo em relação ao senhor. Em troca este dava-lhe trabalho, abrigo e comida. As classes sociais estavam muito bem delineadas. Quem nascia senhor, sê-lo-ia para o resto da vida, enquanto que os servos nunca poderiam sonhar em ser Senhor um dia. Todos sabiam o papel que representavam na Sociedade, nunca havendo dúvidas de quem mandava e obedecia. Não havia mínima possibilidade de um servo conseguir almejar o estatuto de senhor, mesmo que a sua dedicação ao trabalho fosse excelente. A época não era de promoções nem recompensas a nivel de estatuto. Para o mais exemplar dos servos, havia a garantia de comida e trabalho, nada mais. E infelizmente, os servos tinham que pagar certos impostos aos Senhores como vimos no subtema anterior. Os Senhores Feudais tinham um poder imenso sobre o seu Feudo. Para além de serem Administradores, eram também Juizes e Chefes Militares. Quer isto dizer, que quem decidia o destino de um servo era o Senhor Feudal bem como assumia a liderança do exército em caso de conflito. Ainda de referir, o facto de o servo ao aceitar trabalhar para o Senhor, estava a dar a vida por ele. A relação de submissão era eterna. Os servos tinham de dar a sua fidelidade ao Senhor ad eternum.......

continua dia 13 de Setembro............

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

6.1 As Ordens do Feudalismo.

Foi neste período que se intensificou na Europa mas também na em Portugal as distâncias entre as várias ordens.
O feudalismo consagrou a nobreza, o clero e os vassalos como parte integrante da Sociedade Medieval.
A Sociedade Feudal era estática e hierarquizada. A nobreza feudal era detentora das terras e arrecadava os impostos aos camponeses.
Os Nobres era quem mandava nas terras. Possuíam uma imensidão de terras. Tinham muita riqueza e exerciam uma forte influência junto do Rei. Fosse ele qual fosse. Os senhores feudais eram constituidos por cavaleiros, duques, nobres, condes. Pessoas que se passeavam nas Cortes Reais e que tinha uma vida abastada. Eram no fundo guerreiros mas também conselheiros pessoais do Rei.
Eram a eles que os servos prestavam vassalagem. Em troca de abrigo e comida, a camada mais baixa da sociedade feudal trabalhava nas terras dos nobres. Pagava impostos aos nobres.
Metade do fruto do trabalho dos camponeses tinha que ser partilhado com os Senhores.
Cada Feudo podia possuir as suas leis, meios de produção e até podiam ter lingua própria.
O Clero também tinha muito poder. Igualmente muito influente junto da realeza, era o orgão da ultima decisão. Esta Ordem conseguia impedir o Rei de realizar certas reformas. Também dominava os nobres e a sociedade através do espiritualismo. Tudo o que a Igreja pregava era para ser aceite e seguido. Influenciava o modo de pensar, a psicologia e as formas de comportamento na sociedade feudal. Na Idade Média a Igreja Católica dominava no nosso país. E em quase toda a Europa Real.
Os Reis procuravam junto dos Clérigos, nomeadamente Bispos e Papas; aconselhamento psicológico e certas vezes militar.
A Igreja possuía também grande poder económico. Para além de ter terras. Tal como os nobres.
Estava isento de impostos e arrecadava o dizimo.
Os servos eram compostos pelos camponeses e artesões. Eram a camada mais baixa da população. Tinham que pagar impostos por trabalhar nas terras dos Nobres.
Entre os vários impostos estavam os seguintes:
  • Corveia : o servo deveria prestar trabalho gratuito ao senhor Feudal
  • Banalidade : Pagamento de uma taxa por utilizar os instrumentos do senhor feudal
  • Capitação : Imposto anual pago por cada individuo ao senhor feudal.
  • Talha : Parte da produção do servo que tinha de ser entregue ao nobre
  • Heriot : taxa a pagar pelo servo ao assumir o feudo no lugar de seu pai que veio a morrer.

Com muitas obrigações e quase nenhum direito, os camponeses eram como escravos. Faziam de tudo só para poder trabalhar nos Feudos....

A sociedade feudal era constituida desta forma. Mais tarde iremos dar a conhecer as várias formas de vassalagem. E explicar mais detalhadamente o "feudo" português.

Mas esta era uma sociedade em que alguns rezam, outros guerreiam e a maioria trabalha......

(continua dia 30 Agosto)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

6. Portugal e o Fim do Feudalismo

Em Portugal a emergência do fim do feudalismo assume caraterísticas que podem ser comparáveis com as do mesmo período na Europa central e do norte. Até ao século XIV, a Europa assumira o seu caráter católico não só a título da pregação, mas também como definidor de fronteiras e de constantes guerras, as quais se avolumavam junto com as de sucessão. E essa Europa dos séculos XII e XIII foi também aquela que preparou o Renascimento, com a Magna Carta (1215) e a fundação de Universidades como as de Pádua (1222), Salamanca (1238), Oxford (1249) ou ainda Coimbra (1308).
O equilíbrio social que se conseguira através da produção agrícola e da fixação de povoados, sofre um primeiro abalo com a crise demográfica do início do século XIV, agravada pelos sucessivos maus anos agrícolas. A isto juntar-se-ia a crise interna da Igreja e a crise do papado com a eleição do Papa de Avinhão, consequências da intromissão do político no religioso e do religioso no político; a peste negra, introduzida através do comércio no mediterrâeno; a guerra dos cem anos.
Mas o século XIV é também o tempo de Dante Alighieri, de Petrarca e de Bocácio, homens que sintetizariam o que de melhor existia no pensamento medieval, que mais não era do que a revisitação da obra de Platão e Aristóteles. Pois que o fim do feudalismo não foi um fim do obscuro para se entrar na luz da renascença, mas sim um outro período transitório, onde parecia que se podia encontrar a harmonia entre o que existia forte nas universidades e no coração dos homens de poder e de religião, e o que estava para vir que emergia agora forte na cabeça dos homens de cultura.
No nosso país, esta dualidade apresenta caraterísticas muito interessantes, pois que particulares. Ao mesmo tempo que, tal como considerou João Pinto Ribeiro, 1249 caraterizava o símbolo da "Republica mayor" nascida de "várias Republicas menores, das Cidades & Villas", o que nos colocava como Estado-Nação - confirmado pela crise de 1383-85 -, também passámos a viver à custa das dependências externas, de que o Atlântico tentou ser a primeira fuga.
Seria também a fuga que nos colocava nesta dualidade europeia, de experimentar um anti-Aristóteles, de ser método dedutivo sem o saber, e ao mesmo tempo basear a nossa independência na dependência do papado, o que foi o nosso génio inventor de descoberta, ou seja, do que mais tarde foi Padre António Vieira e Padre Bernardes e ao mesmo tempo ser Inquisição e introdução tardia do método científico com as consequentes resistências do milenarismo e do gótico tardio a que se chamou manuelino.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

5.4 INGLESES EM PORTUGAL

A culpa foi dos romanos que chegaram tarde e timidamente às Ilhas Britânicas. Uma implantação quase simbólica que nunca os tirou da condição de “ilhéus” e vagamente bárbaros. Depois, para agravar, vieram normandos e vikings. Enfim, uns séculos mais tarde ainda andavam em plena Idade Média já nós, cá pelo sul, sonhávamos com a globalização. A sorte para Portugal foi também o azar para Portugal. Com Castela à porta e a França na entreporta, restou a aliança com esses “ilhéus” distantes. Uma aliança política e totalmente contra natura, já que nada tínhamos a ver com aqueles bárbaros.
Assim, vimos o país invadido, ao longo dos séculos, não por espanhóis ou franceses, mas por hordas de britânicos que, alegando as velhas alianças, ainda hoje fazem o que querem e foram, em bom rigor, os colonizadores de Portugal. Retiraram daqui todo o proveito e deixaram pouca riqueza.
A Aliança Luso-Britânica remonta a 1373 e é formalmente confirmada em 1386 (Tratado de Windsor). É a mais antiga do mundo e ainda está em vigor, ninguém sabe para quê. Naquele tempo ela serviu os desígnios da Casa de Avis na sua luta pela sucessão e independência do trono de Castela. A vitória de Aljubarrota seria impossível sem essa ajuda. Foram, de facto, as tropas inglesas que derrotaram o fraco exército castelhano e as bravatas nacionais ficaram por conta do Condestável, Nuno Álvares Pereira, recentemente erigido a santo, vá-se lá saber porquê. É claro que os ingleses queriam um trade-off: tinham pretensões ao trono de Castela, através do duque de Lencastre, João Gante. Não conseguiram. Ficaram por cá e deram ao mundo a Ínclita Geração e os seus Alencastres, resultado da união entre D. João, Mestre de Avis e Filipa de Leicester. Sangue novo que seguramente teve reflexos nos Descobrimentos e no comércio que os ingleses montaram a partir de Lisboa. Os riscos eram nossos, os proveitos eram ingleses.
Depois, foi a ajuda na época da Restauração (1642) e da expulsão do domínio espanhol dos “Filipes”. Em contrapartida ficámos tão amigos que celebramos um tratado de total liberdade de comércio aos ingleses nos domínios portugueses (incluindo ultramar) e ainda levaram de dote Tânger, em Marrocos, e Bombaim, na Índia.
O Tratado de Methuen (nome do embaixador inglês), deu livre entrada dos lanifícios ingleses em Portugal e redução drástica das tarifas à importação de vinhos em Inglaterra, em especial Vinho do Porto. O país de joelhos agradecia aos normandos…
Esta Aliança foi, ainda, invocada, aquando das Invasões Napoleónicas. (cerca de 1800). Novamente ganhámos, mas quem ganhou foram os ingleses que mantiveram no país um poderoso contingente militar e, aproveitando a fuga do rei para o Brasil, governaram de facto o país muito para além expulsão dos franceses e com igual crueldade e desmando, ao ponto de o povo já preferir os franceses.
Finalmente, na sequência da divisão de África pelas potências europeias (Tratado de Berlim - 1815), a relação com Inglaterra entrou em crise, dando origem a um Ultimatum inglês para imediata saída de Portugal dos territórios africanos entre Angola e Moçambique. Portugal, mais uma vez de joelhos, cedeu, mas não sem ter uma gloriosa atitude patriótica. Matou a tiro o rei D. Carlos ali no Terreiro do Paço, culpado de todos os males e, finalmente, a Aliança Inglesa serviu para qualquer coisa de jeito: instaurou-se a república que foi coisa que os “ilhéus” ainda não conseguiram.
Jorge Pinheiro
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