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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

ELEGIA AO DESEMPREGO

Antes não tinha tempo para nada. Era trabalho casa. Casa trabalho. Duas horas de transportes. Engarrafamentos. Acidentes. Chegava estoirado. Via a telenovela e adormecia num torpor de exaustão. Não tinha tempo para ler, para sair, para ir ao cinema. Não arranjava espaço para brincar com as crianças. Quase esquecia de amar a mulher. Os fins-de-semana eram dentro do shopping a fazer compras, na ânsia de gastar dinheiro. As prestações da casa para pagar. As férias chegavam sem nada planeado. Pacotes comprados à pressa. Idas à praia naqueles magotes sazonais de gente a granel. A vida era uma monotonia. Um cansaço permanente.
Agora, desde que estou desempregado, tudo mudou. Tenho tempo para tudo. Até para nada. Posso gozar o Sol. O ar livre. Os jardins da cidade. Os dias da semana deixaram de interessar. Vejo os jogos de futebol naqueles cafés ranhosos com Sportv. Tenho tempo para ler os jornais gratuitos. Estou muito mais magro. Perdi a barriguinha de cerveja. O colesterol baixou imenso. Tenho tempo de ir buscar as crianças à escola. Esqueço-me das horas. Nunca mais andei engarrafado. Deixei de ir ao supermercado. Não preciso de me preocupar com o saldo bancário. Acabaram-se os cartões de crédito. Já não sinto aquele peso de responsabilidade social. Deixei de ter o chefe a chatear. Os colegas com anedotas parvas. Só é pena que a minha mulher ainda tenha emprego. Nem sempre quer o mesmo que eu. Espero que em breve tudo se resolva e ela possa estar tão livre como eu.
 
Jorge Pinheiro

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

NOBRE POVO


Para lá dos aumentos de impostos, dos cortes salariais, dos desempregados e da insustentabilidade do estado social, nos últimos tempos começam a ser notícia realidades que nos escapavam, talvez por preguiça dos jornalistas para quem a desgraça vende mais. Afinal, há centenas de empresas portuguesas que exportam mais de 70% da respectiva produção. São empresas com incorporação de tecnologia e inovação, reconhecidas internacionalmente. Afinal, a agricultura que todos julgávamos perdida, está florescente e a dar cartas. Os melhores vegetais da Europa. A fruta extraordinária que se exporta diariamente para o norte do continente. O vinho absolutamente excelente. O melhor azeite do mundo. O primeiro produtor de cortiça mundial. É uma agricultura nova e tecnologicamente evoluída. Não se trata de românticos projectos de voltar à terra, mas de projectos empresarias de sucesso. Afinal, no turismo temos uma marca fortíssima, feita de sol, variedade paisagística, cultura, boa comida e enorme hospitalidade. Afinal, parece que há imenso ouro por explorar em minas abandonadas, espalhadas um pouco por todo o país. Afinal, começam a aparecer projectos de pesca modernos, explorando o melhor peixe do mundo e com intenção de ocupar a nossa enorme plataforma continental. Afinal, parece que a destruição da frota pesqueira artesanal e o abandono da agricultura medieval, negociada aquando da adesão à UE, pode revelar-se uma vantagem. Afinal, parece que estão a aparecer um conjunto de novos empresários e emprendedores que não se queixam e fazem. Afinal, parece que a saída de jovens qualificados para o estrangeiro pode ser benéfica para criar uma rede internacional que expanda a marca Portugal. Afinal, a crise parece ser uma grande oportunidade de mudança. Portugal tem uma resiliência de nove séculos. Já caímos muitas vezes e sempre nos levantamos. A nossa flexibilidade pode dar-nos uma posição muito mais vantajosa do que outros países que hoje parecem pujantes, mas pela mentalidade e pela dimensão são muito "duros de rins". Afinal, a coisa não está assim tão preta. Só falta que o governo nos deixe em paz.
 
Jorge Pinheiro

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A GANÂNCIA É BOA?

Michael Douglas protagonizou em "Wall Street" (1987) e "Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme" (2010), a personagem de Gordon Gekko, um tubarão da finança que se tornou num símbolo da ganância sem limites. A personagem deu origem ao fenómeno cultural dos geeks, gente que utiliza métodos matemáticos para controlar as finanças mundias. Em 2006 o PIB mundial era de 48,6 triliões de dólares, mas o valor incluindo acções e derivados era de 67,9 triliões. Ou seja, havia uma diferença de 40% que não correspondia a verdadeira riqueza. Os "activos tóxicos" escondiam-se (e ainda se escondem) nesses 40%. As finanças mundiais são hoje comandadas por algoritmos e fórmulas matemáticas do tamanho de camionetas TIR e só entendidas por 0,000001% da população. Criaram-se mecanismos que pensam por si próprios. Que decidem sozinhos. O sistema de algoritmos (High Frequency Trading - HFT) controlava, em 2008, 25% das transacções em bolsa dos USA. Hoje, já depois da crise do "sub prime", controla 70% das transacções americanas e 40% das europeias. A compra e venda de milhões de acções e obrigações é feita por decisão de um computador, sem intervenção humana. Para os geeks, esta é a forma de governar o mundo. O método quantitativo levado ao surreal. A matemática condenou o capitalismo. Somos absolutamente irrelevantes. Números de algoritmo num qualquer computador. A ganância deixou de ser imoral. Hoje a ganância é amoral.

sábado, 14 de abril de 2012

25 DE ABRIL - II



Foi com os generais que tudo começou. Costa Gomes, em Angola. Kaúlza de Arriaga, em Moçambique. Spínola, na Guiné. Em 1970, Marcelo Caetano conferiu-lhes poderes que até aí nenhum comandante militar tinha tido. Salazar tinha reduzido a guerra a uma rotina barata, que se arrastava sem consequências de maior. Caetano precisava de obter resultados. Precisava de uma posição de força na frente militar para poder implementar as reformas de reconversão do regime. Para isso deu maiores poderes aos comandantes militares, na expectativa que a guerra se resolvesse. Um erro crasso. A rivalidade entre os três generais vinha de longe. As suas ambições políticas focavam-se nas eleições de Julho de 1972. Marcelo Caetano, porém, acabou por apoiar a reeleição de Américo Tomás. Caetano não quis arriscar equilíbrios entre os duros do regime e, porventura, desconfiava já dos “senhores da guerra”. As ambições e rivalidades dos generais transformaram a guerra de uma rotina relativamente consensual, numa matéria polémica, objecto de crescente guerrilha política e de sucessivas conspirações. Mas, como nenhum dos três generais reunia consenso na hierarquia militar para tomar o poder por dentro, acabaram por dar cobertura a movimentos de contestação entre as patentes mais baixas, visando aumentar a pressão sobre o governo.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

AUSTERIDADE?

Speaking to the National Governors Association, Barack Obama implored governors from across the country to stop cutting spending: “Too many states are making cuts that I think are too big. Budgets are by choice, so today I’m calling on all of you: invest more in education, invest more in our children.”
Read more at NetRightDaily.com: http://netrightdaily.com/2012/02/obama-blasts-states-for-cutting-spending/#ixzz1nhCm9dyn

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A UE É "UMA EXPERIÊNCIA MUITO INSPIRADORA"

Estamos a construir um barco salva-vidas no meio de uma tempestade. Não é uma tarefa fácil", disse o presidente do Conselho Europeu aos cerca de 800 estudantes e professores que enchiam o anfiteatro da Universidade de Economia e Comércio Internacional de Pequim (UIBE), onde inaugurou uma exposição. Van Rompuy afirmou que há 10 anos, quando a moeda única foi lançada, os responsáveis europeus "subestimaram" a necessidade de uma "unidades fiscal".
E ELES FALAM, FALAM E NÃO DIZEM NADA

QUE RAIO DE ALTURA

De acordo com uma nota de imprensa emitida pelo gabinete do deputado europeu eleito pelo CDS-PP, a Organização Mundial do Comércio acaba de aprovar um “waiver” (tratamento preferencial às exportações de produtos de um país específico), aos produtos têxteis e do vestuário oriundos do Paquistão.
Nuno Melo apresentou já um projecto de resolução em que apela ao Conselho e à Comissão Europeia de quem partiu a proposta, para que “ponderem a extraordinária situação de crise vivida em Portugal e na Europa” e em que exorta a que impeçam a abertura do mercado comunitário, na base do ‘waiver’, a estes produtos paquistaneses.
Segundo denuncia o eurodeputado português, “a decisão é errada e será letal para um enorme número de empresas e postos de trabalho em Portugal e na Europa”. Isto porque terão de concorrer com empresas paquistanesas “que recorrem ao trabalho infantil, não suportam custos sociais, ambientais, utilizam matérias-primas proibidas na União Europeia e subvertem as normais regras de mercado”.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A EUROPA TEM HIPÓTESE?


Há quem diga que a Europa tem futuro. Mais do que uma crise, o mundo está a viver uma “viragem radical”. A rivalidade entre a Europa e os EUA, com o início de uma “guerra cambial”, dita o início do século XXI. Considerações da casa de investimento francesa CM-CIC Securities, numa nota de “research” para o BNP Paribas garantem esta teoria.
“Não tenhamos dúvidas: entrámos numa nova era de conflito aberto entre os EUA e a Europa”. Os actuais confrontos “geoeconómicos” vão substituir os confrontos "geopolíticos" do século XX. A oposição global continuará a ser entre a Europa e os Estados Unidos. A China vai desempenhar um papel importante no futuro, mas permanecer como figura secundária, por estar ocupada a recuperar o tempo perdido.
E quem vai ganhar a guerra cambial? Os EUA estão a substituir um império protestante anglo-saxónico por uma república protestante hispânica, escreve a CM-CIC, o que não irá facilitar a manutenção do papel central da maior economia do mundo.
“Pensamos que o actual caminho para a globalização, sem precedentes desde a era do Neolítico, dá mais garantias de progresso do que ameaça uma recessão. A Europa, cujo ADN está repleto de genes universais, humanísticos e científicos, tem tudo o que é preciso para voltar para o primeiro plano”, salienta Pierre Chedeville. Se é para evitar o colapso europeu, a Alemanha terá necessariamente de partilhar os benefícios advindos da união monetária. Até porque se não tem a quem vender, enão não tempos Europa.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

GRÉCIA MODERNA


A História da Grécia moderna é iniciada quando revoltas contra o domínio turco estouram e um reino independente é estabelecido, em 1832. Guerras entre a Grécia e a Turquia em 1913 levam à anexação da Macedônia e da Trácia por parte dos gregos. Divergência entre o rei Constantino I e o então primeiro-ministro Elefthérios Venizélos adiam a entrada da Grécia na I Guerra Mundial, o que ocorre somente em 1917, quando o país ingressa no conflito ao lado dos Aliados. Sucessivas derrotas na Ásia Menor, obrigam o rei a se exilar e Venizélos a renunciar. Em 1920, um plebiscito restaura a monarquia e Jorge II assume o trono em 1922. De 1924 a 1935 segue-se um curto período republicano. Ao final do ano de 1935, Jorge II é recolocado no trono graças a um novo plebiscito. Em 1941 a Grécia é ocupada pelos alemães, e o rei é obrigado a se exilar em Londres. Em 1944, a União Soviética expulsou os nazis de todo Bálcãs. Um novo plebiscito reinstala Jorge II no trono em 1946.
Jorge II favorece o estabelecimento de um governo de extrema direita, o que dá início a uma guerra civil entre monarquistas e comunistas. Os direitistas, com o apoio dos Estados Unidos, derrotam os comunistas em 1949, dando-se início à repressão anticomunista. Desta forma, a Grécia tornou-se o modelo capitalista nos Balcãs, predominantemente dominado pelos comunistas soviéticos. A disputa política na Grécia, a partir de 1955 resume-se à oposição de Konstantínos Karamanlís, do partido conservador Nova Democracia, e Andreas Papandreou do partido socialista PASOK. Em 1967, com o apoio dos Estados Unidos, militares liderados por Georgios Papadopoulos dão um golpe de Estado e instauram uma ditadura militar, que ficou conhecida como o ditadura dos coronéis, período em que aumentou a repressão anticomunista e a perseguição aos seguidores do partido de Papandreou.
Os militares, numa decisão unilateral, decidem abolir a monarquia em 1973, o que desencadeia a uma onda de protestos no ano seguinte, obrigando os militares a devolver o governo aos civis, iniciando-se a redemocratização, liderada por Konstantínos Karamanlís, que leva os militares a julgamento e consequente condenação por crimes cometidos durante a ditadura. Em dezembro de 1974, um plebiscito rejeita o retorno da monarquia e torna-se, então, uma república parlamentarista. Em 1980, Karamanlís é eleito presidente do país. Em 1981 entra para a União Europeia.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

GERAÇÕES

A cultura é uma sedimentação geracional. Feita de estratificações sucessivas ao longo de milénios. O Estado, a Sociedade, o Mundo, tal com os conhecemos hoje, são fruto de avanços e recuos. De sucessos e crises. De paz e de guerra. Quando nascemos herdamos um "acquis". Algo que a geração anterior nos passa. Algo que temos obrigação de questionar e de melhorar. A certa altura da vida acomodamo-nos. Consolidamos o adquirido. Entramos numa espécie de "mainstream" social. Calçamos as pantufas. Podemos (e devemos) continuar a ser intelectualmente críticos e socialmente curiosos. Mas já não somos nós que vamos mudar nada. Limitamo-nos a gerir o passado. Cabe às novas gerações esse papel de mudança, como já coube à nossa. Uma mudança que pode ser uma continuidade ou uma disrupção. E qualquer paralelismo com o Maio de 68, o 25 de Abril ou a queda do Muro não colhem. As novas gerações têm de escolher o seu próprio caminho. As comparações são armadilhas da memória. O que é diferente nos dias de hoje é que as pessoas duram muito mais e arrastam consigo esse "acquis". Ocupam cargos de gestão "ad infinitum". Perpetuam-se na política. Tiranizam a cultura. Os filhos do "baby boom" que nós fomos questionavam tudo. Queriamos mudar o mundo. Agora não saimos de cima. As novas gerações têm um problema: nós.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

JOGO DE MORTE


Há alguns anos que o Deutsche Bank tem disponível o produto DB Life Kompass, baseado em apólices de seguro de vida, que permite aos clientes do banco alemão apostarem indirectamente na esperança de vida de pessoas da terceira idade. O banco compra apólices de seguros de vida de norte-americanos e assume a responsabilidade pelo pagamento dos seus futuros prémios. Quando o segurado morre, o dinheiro da apólice vai para o fundo do Deutsche Bank. São escolhidos norte-americanos com idades compreendidas entre os 70 e os 90 anos. Se as pessoas de referência viverem muito tempo, ganha o banco. Se morrerem prematuramente, ganha o investidor.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

PRODUTIVIDADE E FERIADOS

De acordo com um recente estudo do Eurostat, Portugal está a meio da tabela dos países que trabalham mais horas. A França e a Finlândia, por exemplo, trabalham menos horas. O estudo conclui pela impossibilidade de estabelecer uma relação entre crescimento económico e número de horas de trabalho. O problema não é trabalhar pouco. É trabalhar mal. É indispensável uma boa gestão e reformas estruturais adequadas a um enquadramento económico favorável.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

UMA LEI QUE AFECTA O MUNDO


Google e Wikipedia são algumas das empresas que estão hoje em protesto, contra duas propostas de lei anti-pirataria em discussão nos Estados Unidos da América

Ao entrar, hoje, na Wikipedia, na versão inglesa, não se consegue aceder aos seus conteúdos. "Imagine o mundo sem livre conhecimento", é a mensagem que chama a atenção para o protesto.

"Nada como isto aconteceu, anteriormente, na Wikipedia inglesa", explica o "site", acrescentando que os wikipedistas "escolheram fechar o site inglês pela primeira vez, porque estão preocupados que o SOPA e o PIPA limite severamente o acesso à informação online. Isto não é um problema que afectará apenas as pessoas nos Estados Unidos: Vai afectar toda a gente no mundo".

O SOPA (Stop Online Piracy Act) e o PIPA (Protect IP Act) são as duas propostas em discussão.

Também o Google associou-se ao protesto, que pode ser seguido em sopastrike.com, deixando a mensagem: "Diga ao Congresso: Não censurem a web" e apela: "Combatam a pirataria, não a liberdade".

Segundo o "New York Times", as duas propostas de lei, o SOPA, na Câmara dos Representantes, e o PIPA, no Senado, são apoiadas pelos grandes grupos de media e pretende travar os "downloads" ilegais e o "streaming" de vídeos e de canais de televisão. Mas a indústria tecnológica teme que estes grupos fiquem com poder para encerrar "sites" alegando que estão a abusar dos direitos de autores.

De acordo com a proposta legislativa, se um detentor dos direitos de autor, como a Warner Brothers, descobre que um site está a oferecer cópias ilegais de uma música ou de um filme, esse autor pode pedir em Tribunal que os motores de busca, como o Google, removam o link a esses sites e obrigar que se retire a publicidade desses mesmos sites. As companhias de internet teme, por isso, e dada a amplitude da definição do termo "motor de pesquisa" que sites grandes e pequenos possam ter de monitorizar todo o material nas suas páginas, procurando alegadas violações. Uma tarefa complexa e dispendiosa.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

REFUNDAÇÃO DA REPÚBLICA

Acho estranho que nos últimos dias se acuse PPC de deixar cair a máscara, de ter perdido o estado de graça... Tudo isto porque fez umas nomeações partidárias com critérios de competência pouco claros. Acresce que o homem tinha prometido ser a ética em pessoa. Ainda por cima muitos vão "trabalhar" para órgãos que não servem para nada e ganham 600 mil euros por ano. Tudo isto parece ser uma provocação em tempos de austeridade. Mas não é! Foi uma medida profundamente estudada e que visa, em genérico, o seguinte efeito estratégico: poêm-se todos os comentadores a dizer mal; os líderes dos partidos a pedir audições parlamentares; os jornais em caxas gordas a dizer mal de tudo; atiram-se com uns números comparativos com o Governo Sócrates e espera-se embrulhar o povoléu, tal a profusão de opiniões. As medidas de austeridade, essas, já estão no terreno e nada as pode mudar.  A estratégia do "lobo mau"/Troika vai até ao fim. E povo agarrado à TV discute acaloradamente os salários dos Catrogas e dos Frexes e as Maçonarias patéticas, enquanto tiver dinheiro para pagar a electicidade. Depois a TV deixa de funcionar e as notícias deixam de existir. As elites assumem-se, então, livres de peias numa atitude salvífica que vai finalmente resgatar a nação... que são eles. A austeridade vai criar um país a várias velocidades. Sendo que a mais baixa é mesmo ponto-morto. Estamos à beira de uma refundação.
Jorge Pinheiro

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

MAÇONARIA - UM INQUÉRITO URGENTE

A Maçonaria pode ter sido politicamente relevante na luta social e no combate ao absolutismo. O secretismo faria sentido naqueles tempos sem "iluminismo". A disseminação por Lojas autónomas é normal para evitar a delacção, tal como acontece hoje na Al Qaeda. Hoje em dia, porém, a  Maçonaria é, obviamente, um centro de poder e um local adequado para tráfico de influências e negociatas. Não estão em causa os "bons maçons" que querem saber o que é o Grande Arquitecto. Estão em causa as mais valias que se reunem sob o Templo de Salomão. Os vendilhões que se acobertam com mantos e aventais para iludir o povo e a democracia. Aqueles que rezam a qualquer coisa para que essa Coisa lhes dê proveitos. Estão em causa aqueles que juram obediência e fidelidade uns aos outros, que traficam lugares, influências e poder. Toda a gente sabe que eles existem e que estão disseminados pelo poder. A novidade é que agora sabemos que infiltraram os Serviços Secretos de Portugal. Que traficaram informações para empresas privadas. Que foram protegidos pela liderança maçónica do Parlamento. Para além do PM ter perdido estado de graça neste triste episódio, pergunta-se: que espera o Procurador-Geral da República para abrir um inquérito? Também será maçon?
Jorge Pinheiro

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ELES

Eles não somos Nós. Mas Nós podíamos perfeitamente ser Eles. Eles mandam. Nós gostaríamos de mandar. E mandando Nós éramos Eles. Mandar é infinito. Um verbo sem sujeito. Um futuro sem condicional. O divórcio entre Nós e Eles é muito mais do que um conflito de personalidades. É uma angústia democrática. Uma dicotomia perversa. Sempre que pagamos impostos, sempre que aumentam os preços, sempre que somos multados, são Eles os culpados. A nossa culpa esgota-se no voto eleitoral. A transformação majestática do Nós em Eles é uma representação de sombras, como num teatro chinês. Uma ilusão que nos desculpa. Que nos remete para uma “oposição” permanente. Para uma indignação protocolar. Para um desespero compulsivo. Um estatuto de verdadeira indigência política. Não nos revemos Neles. Mas Eles somos Nós. Mandar não é poder. Mandar é dever. E quando Nós não queremos ser Eles, porque quererão Eles ser Nós?

sábado, 17 de dezembro de 2011

FAZ HOJE 50 ANOS


Naquele ano de 1947 a situação na Índia era particularmente instável. Ghandi tinha um sonho: “Converter as pessoas britânicas à não-violência e, assim, fazer-lhes ver o mal que tinham feito à Índia”. A Índia tornou-se independente em 15 de Agosto de 1947. Ghandi foi assassinado a 30 de Janeiro de 1948. A instabilidade no sub-continente indiano era enorme. Hindus e muçulmanos combatiam-se. Para uns a Índia, para outros o Paquistão. A mensagem do movimento Satyagraha assustava os portugueses. A não-violência, a não agressão. O protesto como meio de revolução pacífica. O apelo à desobediência civil… Os goeses residentes na União Indiana que não renegassem a nacionalidade portuguesa, começaram a ser perseguidos. O movimento Azad Gomantak Dal inicia ataques à bomba em esquadras policiais fronteiriças, cortando vias de comunicação e fios de telefone. O Acto Colonial restringia as reuniões e associações políticas. O Estado da índia foi reduzido a uma “colónia”. A conscrição da população foi tornada obrigatória. As perseguições e as prisões começaram. Nerhu afirmava: “Goa é parte integrante da União Indiana e a ela deve regressar”. Portugal não queria ser o Reino Unido. Portugal não sabia o que fazer. Por isso, não fez nada. Recusou iniciar negociações diplomáticas. Deixou que a guerra política e verbal subisse de tom, até à Operação Vijay. A 17 de Dezembro de 1961, deu-se a invasão. A 19 de Dezembro a guarnição rendia-se. Trinta e seis horas que acabaram com uma presença de 451 anos. Goa, Damão e Diu, jóias da coroa portuguesa, eram, agora, saudades do Império. Um Império caduco. O primeiro e o último império europeu. Um império que em breve desabaria.

In "Há Biscoitos no Armário", de Jorge Pinheiro.

NATAL - PRESENTES E AUSENTES


O Natal é uma quadra de contrastes. Sentimos mais a família e a falta dela. O Natal transporta consigo um cortejo de mortes. Familiares que recordamos na sépia dos retratos gravados na nossa memória distante. Fantasmas que passam por nós nos corredores infinitos da saudade. Há um Natal presente e um Natal ausente. Um Natal em que recebíamos presentes e um outro em que somos nós a pagar. Dantes suspirávamos por uma data mágica que descia pela chaminé. Hoje corremos na fúria da compra inútil. Já não há Pai Natal. Há uma ilusão desgastante que se queima no altar egoísta do consumo. Um furor de consoada que se rasga nos papéis de embrulho na véspera do perú assado. Há um Natal de mensagens pré-gravadas e SMS. De jantares comemorativos feitos de rotina irremediável. O Natal é um engano que persistimos em manter. Um engano em que mantemos vivos os presentes ausentes.
Jorge Pinheiro

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A NOVA ERA JÁ COMEÇOU

Por contraste com o post anterior do Francisco, acho que a continuidade acabou definitivamente. Uma nova era já começou. Estamos a assistir ao estrebuchar da velha ordem. Ninguém sabe para onde vamos. Mas havemos de ir para algum sítio. Um sítio incógnito e incerto. Um sítio que nos amedronta e exaspera. As certezas acabaram. As dúvidas ainda agora começaram. Portugal é absolutamente irrelevante para o que quer que seja. A única coisa que tem de saber é aguentar-se no barco em plena tempestade. Temos fama de bons marinheiros. Teremos comandantes à altura? A verdade é que a nova era mundial está a acontecer na nossa rua e à nossa volta. Anda tudo preocupado com subsídios e a questão é que em breve nada haverá para subsidiar. Estamos a viver um Revolução. Há três ou quatro meses começaram a dar-se alterações profundas. É um processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos! Vejamos as alterações de alguns dos factores principais que sustentam a sociedade actual:

A CRISE FINANCEIRA MUNDIAL: desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injectado (eufemismo que quer dizer: "emprestado virtualmente à taxa zero") montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas.
A CRISE DO PETRÓLEO: desde há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o compram e amealham) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de serviços, com efeitos devastadores no turismo e na mobilidade em geral, que sofrerá enorme contracção..
A IMIGRAÇÃO: a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rentáveis. A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e melhor estatuto sócio-económico.
A DESTRUIÇÃO DA CLASSE MÉDIA: quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias está de facto a "varrer" o Velho Continente. Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França, os problemas das classes médias são comuns e (descontados alguns matizes e diferenças) as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, a perder força social e capacidade de intervenção.
A EUROPA MORREU: a Europa está moribunda, sem projecto, sem liderança e já não consegue definir quaisquer objectivos num "caldo" de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns. Os egoísmos e falta de solidadriedade institucional e social são evidentes... O Cidadão Europeu já não acredita na "Europa", nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro.
A CHINA AO ASSALTO: todos os estaleiros navais do Mundo têm toda a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios da China. O gigante asiático vai agora "atacar" o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke...). Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel mundial os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças. A tomada de participações sociais ou take overs em grandes empresas ocidentais é já uma evidência.
O RESSURGIR DA RÚSSIA/ÍNDIA: para os menos atentos, a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante. Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha.
A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA: nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos.

A Revolução está aí. O resultado é imprevisível. As nossa vidas vão mudar drasticamente. Nada disto tem a ver com o pobre tio Cavaco ou com o esforçado Sr. Coelho.

Nota: este texto baseia-se num excelente resumo que recebi por mail, de autor anónimo.
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