Mostrar mensagens com a etiqueta Esquerda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Esquerda. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Unida no governo, dividida nas presidenciais

A esquerda portuguesa surpreende todos os dias. Num dia apoio um governo liderado pelo PS, mas depois apresenta candidatos próprios à presidência da república para impedir os concorrentes socialistas de ganharem votos que lhes permita passar à segunda volta. 

Tanto o PCP como o BE querem travar uma vitória de Marcelo Rebelo de Sousa dividindo a esquerda, numa altura em que o eleitorado socialista se parte em duas opções. Não faz sentido os dois partidos apresentarem Edgar Silva e Marisa Matias. No entanto, tem sido a prática nos últimos anos. 

O mais estranho é a diferença de postura face aos dois momentos eleitorais. Numa ocasião apoiam o PS para viabilizar um governo de esquerda, mas não estão com nenhum dos dois candidatos presidenciais que se apresentam no centro-esquerda. 

Ora, não há uma coerência política no PCP e BE a não ser derrotar a direita. Se fosse assim teriam ficado quietinhos e deixar a esquerda inteira votar em Maria de Belém ou Sampaio da Nóvoa. A fragmentação de candidatos prejudicou a esquerda nas últimas eleições presidenciais. Perante este cenário, Marcelo só tem mesmo continuar o seu caminho. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A Esquerda com memória curta

Na edição de segunda-feira do Observador, num trabalho assinado pela jornalista Rita Dinis, existe a referência à disponibilidade de alguns partidos/movimentos da Esquerda para dialogarem com António Costa, após este ter vencido as primárias socialistas de domingo passado e afirmar-se, convictamente, como alternativa ao governo de Pedro Passos Coelho. Pelos argumentos apresentados quer por Daniel Oliveira (Fórum Manifesto), quer por Rui Tavares (Livre), não será muito difícil extrapolar os mesmos fundamentos e as mesmas condições para eventuais idênticas posições do BE e do PCP.
Só que esta disponibilidade para o diálogo tem um "preço" (condição): "ou vira à esquerda ou governa ao centro (bloco central". A decisão está nas mãos de António Costa, que, há cerca de dois ou três meses, afirmava que tinha a convicção de conquistar uma maioria ou que o PS não tinha receio em governar sozinho.
Mas o que os partidos à esquerda do PS têm é outro problema: a memória curta. O PS, António Costa, os seus apoiantes, à ala socrática, não esqueceu ainda o cenário político de 2011, quando a tal esquerda toda disponível pactuou com a direita, fazendo cair o governo de José Sócrates e dando o "poder" ao PSD e ao CDS.
Esta tal esquerda parece ter esquecido esse colossal pequeno pormenor.
Eu não acredito que António Costa e o PS tenham esquecido.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Bloco em vias de extinção

Tal como está a acontecer com o PS, o Bloco de Esquerda também deveria abrir um processo eleitoral. Não com primárias já que os bloquistas não têm esse espírito de abertura, mas talvez numa reunião da direcção para tentar encontrar uma solução que salve o partido nas próximas legislativas. 
Com uma direcção bicéfala que não resulta, ex-militantes com peso dentro da organização a se irem embora e com simpatizantes do partido a insultarem-se nos jornais é provável que a aventura iniciada em 1999 esteja perto do fim. É possível que depois da extinção deste pequeno partido que já foi médio a esquerda mais radical encontre um espaço para desenvolver as suas ideias políticas e até quiça, com os mesmos rostos. É impressionante como um projecto que se afigurava sólido neste momento sobrevive apenas pela sua exposição parlamentar.

De facto, a saída de Francisco Louçã da liderança do partido acabou por ser o golpe fatal porque as suas intervenções na comunicação social têm mais visibilidade do que as ideias apresentadas pelos membros da direcção e do grupo parlamentar. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Crise ideológica e uma questão de egos

Não sei o que se passa na Esquerda portuguesa, mas esta atravessa uma das fases mais complicadas da sua história enquanto força importante e consolidada na democracia portuguesa. Primeiro é o PS a estar em pé de guerra todos os dias em vez de se concentrar no combate ao governo. Agora é o BE que quer ser mais LIVRE, embora este ainda não tenha a força para substituir o partido fundado no princípio do século XXI. 

E o pior é o facto desta confusão instalado nos partidos da esquerda ter começado numa altura em que a Direita é contestada sob as mais diversas formas e feitios. Na rua, no parlamento e um pouco por toda a Europa. Sempre disse e volto a reafirmar que a crise da Esquerda, sobretudo a portuguesa, está relacionada com a falta de identificação ideológica e de argumentos válidos para defesa dessa mesma ideologia. 

Uma coisa é certa: há muitos valores que pertencem à esquerda portuguesa que estão a abandonar o PS e o BE. Este é um sinal preocupante porque confirma a crise ideológica, mas ao mesmo tempo parece que se trata apenas de uma questão de egos já que esta é outra característica predominante quando se sente o poder ali mesmo à mãozinha. Mas que raio, se tanto o PS como o BE querem o poder, porque razão não se conseguem coligar quando já o têm na mão?

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

As novas esquerdas

A esquerda portuguesa tem realizado movimentações no sentido de se encontrarem alternativas aos partidos que estão no Parlamento. Os movimentos que têm aparecido podem ser uma escolha em detrimento do Partido Socialista e não ao PCP e BE, embora muitos militantes desalinhados com as opções tomadas pelos dois últimos estejam na linha da frente da fundação do Partido Livre e do movimento 3D ( o nome deste último é igual ao de uma famosa discoteca lisboeta). 

Bem sei que a esquerda está em crise há bastante tempo, no entanto não era preciso lançar movimentos à velocidade da luz, até porque quem fica a ganhar com a clivagem ideológica são os partidos de direita. Não é por acaso que a esquerda não consegue subir nas sondagens ao ponto de formar uma maioria que garanta a estabilidade necessária numa altura como a que vivemos, além da falta de popularidade que este governo enfrenta. 

Na minha opinião os "desalinhados" como Rui Tavares, Daniel Oliveira, Carvalho da Silva e alguns notáveis socialistas pretendem estar na linha da frente para ser um apoio ao Partido Socialista em 2015. O primeiro teste à confiança será nas europeias, o que para mim parece boa ideia, já que muitos dos "candidatos" têm trabalho feito em Bruxelas e podem retirar apoios para a sua integração em termos nacionais. É preciso saber que espaço vão ocupar os novos partidos e isso ainda não está totalmente esclarecido. Depois é necessário verificar senão vão ser cópias do PCP e BE. Tenho dúvidas neste aspecto para além de entender que o sucesso destes partidos vai ser o fim do BE e reduz o PCP a um partido que apoia a classe operária. 

O aspecto positivo dos movimentos de esquerda é a mudança de mentalidades e a forma como olham para os problemas. Se calhar tem sido esse um dos problemas do BE e PCP que não conseguem ultrapassar a barreira ideológica em que vivem. Se isso é difícil para os comunistas não percebo como é que o BE, liderado por pessoas jovens, não tem outro tipo de ambições políticas. Foi esta falta de vontade que retirou espaço a pessoas como Daniel Oliveira e Rui Tavares. 

Apesar das movimentações dos últimos tempos, se o PS regressar à sua origem, estes partidos têm a morte anunciada. Para que os socialistas voltem a ser o que era, seria necessário Seguro ser retirado da liderança e aparecer um novo Soares ou Guterres. No entanto, até às europeias nada disto vai acontecer mesmo com a troika fora do país, pelo que o Livre e o 3D terão a sua primeira oportunidade para conquistar o eleitorado português.

domingo, 17 de novembro de 2013

Livre nunca é de esquerda

Já afirmei aqui que a ideia de Rui Tavares é positiva. No entanto, o Partido Livre não deverá ter grande sucesso. Não vou repetir as razões que apontei no post anterior, mas vou acrescentar dois pontos. 

Em primeiro lugar o nome não tem grande saída, ainda para mais quando se trata de um partido com objectivos de conquistar o eleitorado de esquerda. Livre é sinónimo de liberdade que está associada a liberal, além do mais qualquer partido de esquerda que se preze tem de ter a palavra mágica na sua designação. Poderia designar-se Partido da Esquerda Livre. 

Em segundo lugar as pessoas que estiveram ontem na apresentação são militantes descontentes com o Bloco de Esquerda. O principal obreira da nova força também é um "frustrado" bloquista. Este factor é importante já que por aqui se nota a queda do BE. 


Na minha opinião não haverá um partido que vai evitar o desaparecimento Bloco de Esquerda.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A vontade Rui Tavares é positiva

A ideia é boa e parece ter pernas para andar. No entanto, o sucesso da iniciativa de Rui Tavares depende da forma como o ex-bloquista seduzir a ala socialista mais descontente. Aquela que esteve ao lado de Soares e António Guterres, mas que teve desilusões com Sócrates e Seguro. 

Defendo há algum tempo a existência de um partido de esquerda em Portugal que saiba lutar e representar os ideais de esquerda bem como servir de suporte às classes mais desfavorecidas. O PCP e o BE não têm sabido lidar com o desenvolvimento do país e das ideologias, por isso é que ficam perdidos no velho discurso. 

Saiba Rui Tavares fundamentar a criação da nova força partidária e com isso agarrar alguns socialistas, o país pode vir a ter um novo partido. Mais importante do que isso, é o facto do Partido Socialista poder ter um aliado no governo. 

Caso a nova força obtenha um bom resultado nas europeias, o PS já tem com quem se coligar em 2015.

terça-feira, 2 de julho de 2013

A esquerda quer um novo partido ou um novo PS?

Nos últimos tempos muito se tem falado sobre a possibilidade de nascer um novo partido à esquerda. Os partidos tradicionais como PS, PCP e BE não preenchem o campo ideológico que lhes está destinado, por razões distintas. O PCP é um velho partido que sobe e desce em cada acto eleitoral mantendo o discurso de há 40 anos atrás. Até a forma de votação dentro da estrutura continua a mesma.......
O BE perdeu o seu líder carismático e hoje está entregue a uma solução bicéfalo. Normalmente as lideranças partilhadas acabam mal. Ou os dois zangam-se e vai cada um para seu lado acabando por partir o partido ao meio, ou então está para aparecer um novo líder com mais carisma, sendo que João Semedo e Catarina Martins estão apenas a tratar da transição. No entanto a solução do BE pode significar o fim do partido, isto porque à falta de um bom líder escolhem-se dois medianos. 

O futuro do BE ainda é mais incerto do que o do PCP porque os bloquistas não fizeram o percurso desde o 25 de Abril e corre o risco de ser um fenómeno raro se não mudar de liderança ou se porventura esse novo partido venha mesmo a nascer. Estou convencido que algumas pessoas estão fartas do BE e pretendem criar uma alternativa democrática mais forte, que possa inclusive ser uma solução governativa no futuro, coligado com o PS. O grande problema do BE é este. O partido não serve os interesses no PS numa eventual coligação. E os socialistas necessitam de alguém que lhes dê a mão, da mesma forma que o CDS sempre ajudou o PSD. 

Mas é no PS que está o problema central. Os socialistas há muito que se estão afastar dos valores que marcaram a sua história, sobretudo no período 25 de Abril e com Mário Soares ao leme. O PS tem virado um pouco à direita e a isso não é alheio o facto de Sócrates ter vindo da JSD. O ex-PM já não é líder do PS mas os últimos 6 anos de governação socialista mais parecia um governo de direita, já que foram os mais desprotegidos que sofreram com a austeridade e desgoverno socialista. Guterres foi o último líder socialista que estava mais à esquerda. Tanto Sócrates como Seguro não são líderes que se possa dizer de "esquerda".  

Perante o exposto não é admirar que tenha sido Mário Soares o responsável pelos movimentos de esquerda contra as políticas do governo, e a ausência de figuras do PS revela bem o estado em que o partido está, pelo menos no campo ideológico. A esquerda precisa de um novo PS e não de um novo partido, já que não há espaço para mais partidos, não só com capacidade para entrar no "arco" parlamentar mas que sejam uma opção de governo em caso de coligação. Falta à esquerda, o que a Direita tem. No entanto, o necessário é uma transformação radical do Partido Socialista e dos seus valores.  

terça-feira, 4 de junho de 2013

Porque não se cala Mário Soares?

Mário Soares continua um político activo bastante influente. A sua intervenção no congresso das esquerdas foi notável e teve um enorme brilhantismo. A sua força mental e física para continuar a batalha política é respeitável e merece o nosso aplauso. Nota-se que falta um grande líder na esquerda portuguesa. Na Direita também, mas a esquerda em Portugal habituou-nos a que tivesse um rosto único. Cunhal, Soares, Guterres, Carvalhas, Francisco Louçã e mais recentemente José Sócrates foram os grandes líderes que representaram a esquerda no nosso país. Apesar de no círculo parlamentar existirem 3 partidos de esquerda contra apenas dois de direita, só uma grande figura consegue levar o PS ao poder e com isso arrastar os outros dois partidos. 

Nem António José Seguro, nem Jerónimo de Sousa nem a dupla Catarina Martins/João Semedo têm a importância que Sócrates, Carvalhas e Louçã tiveram nos respectivos partidos. Mário Soares continua a ser o grande líder histórico socialista mas representa também aquilo que todos os socialistas desejam: voltar a ter um secretário geral com carisma. Não é à toa que Sócrates regressou e tem um comentário televisivo e Soares é o protagonista das iniciativas anti-governo. E é lamentável que o PS tenha feito notar a sua ausência. 

Percebo a intenção de Soares, já que ele sente o PS a perder peso na sociedade portuguesa. Não direi que se trata do partido mas da falta de garra política com que os seus responsáveis têm feito o combate ao governo. Normalmente quando o PS está na oposição faz um discurso mas virado para as pessoas e não tanto contra o executivo. Em minha opinião, António José Seguro tem optado por um combate de crítica constante, roçando a demagogia. Daí que a entrada em cena de Mário Soares é importante para que haja um regresso ao passado no que diz respeito a valores e ideologias defendidas pelos socialistas. 
Share Button