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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Não Podemos

Após as recentes eleições gregas, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, disse que "não podemos", fazendo uma referência ao ambiente eleitoral que se vive na Europa, em particular em Espanha.

Ora, a primeira força política nas sondagens acaba de ver dois dos seus dirigentes mais prestigiados envolvidos numa fuga ao fisco. De facto, é constrangedor verificar que o partido moralista está envolvido em problemas com impostos, além de aconselhar o governo da Venezuela. A esquerda sempre teve este tipo de atitude quando se trata do combate político. Não é nada de novo por aquelas bandas porque, segundo consta, o Podemos encomendou uma sondagem falsa. Embora continue em segundo à frente do PSOE. 

Não tenho dúvidas que a sociedade espanhola vai repudiar este comportamento e os partidos acusarão a liderança de Pablo Iglésias de hipocrisia e falsa moralidade. 

Não podemos compactuar com este tipo de soluções políticos nem discursos enviesados. A arte e os cidadãos não merecem que falsas promessas acabam por nos atingir. A partir de agora, qualquer coisa que Pablo Iglesias diga vai ser contestado por causa dos últimos escândalos. Tudo por causa disto.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Fim do sonho catalão

O Tribunal Constitucional espanhol proibiu a realização do referendo sobre a independência da Catalunha que se realizaria no próximo dia 9 de Novembro. Isso não vai acontecer e parece que Artur Mas deitou a toalha ao chão ao anunciar uma consulta que não tem efeitos vinculativos. Serve apenas para catalão expressar um desejo. Possivelmente, nem no referendo nem nesta consulta opinativa a Generalitat venceria. 

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, ganhou a batalha jurídica e política, pelo que se vai apresentar nas próximas eleições legislativas com mais votos. Rajoy venceu em toda linha, não só sobre rivais catalães, mas também em relação à esquerda espanhola, apesar do PSOE ter estado sempre ao lado do chefe de governo. 

O que se segue vai ser igual ao que aconteceu na Escócia. Nada. A luta pela autonomia vai ficar pelas manifestações de rua que se organizam todos os anos para mostrar ao mundo que existe uma causa nacionalista em Espanha. Tal como acontece no País Basco. No entanto, desta vez os nacionalistas estiveram muito perto de conseguir uma vitória. A realização do referendo era só o primeiro passo, depois haveria outros métodos. 

Apesar de tudo vamos voltar a ouvir falar de divisões internas no país vizinho. Nem outra coisa seria de esperar numa Nação que nasceu dividida e assim ficará durante muitos séculos. Os mecanismos políticos e jurídicos são fortes, mas a vontade popular está a ganhar dimensão. É certo que ainda não é suficiente para fazer cair um governo no seio da Europa, em concreto na União Europeia, mas tem conseguido algumas pequenas vitórias, como se viu na Ucrânia.

Com o fim da luta pela independência da Catalunha acaba também o sonho de Artur Mas se tornar uma referência política em Espanha. Na minha opinião ficará para sempre conhecido como aquele a quem Mariano Rajoy aplicou um golpe duro. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Portugal e Espanha não estão "ombro a ombro"


Há muito que se fala uma União Ibérica entre Espanha e Portugal. Do ponto de vista político, económico e social lá está, mas isso seria impossível de acontecer se estivéssemos a falar de uma fusão de regimes. Esta fotografia é bem elucidativa de que é muito difícil Portugal e Espanha virem a tornar-se num só. Espanha será sempre uma monarquia e Portugal nunca deixará de ser uma república. Em ambos os casos os regimes estão sólidos e as instituições funcionam de maneira a dar aos cidadãos as liberdades e garantias que são reclamadas. 


Portugal e Espanha sempre tiveram uma rivalidade saudável. Os primeiros porque se sentem pequeninos e querem ser maiores, além de não gostarem da arrogância dos segundos que chegam aqui e tomam conta de tudo. Repare-se que as maiores instituições bancárias em território português são espanholas, bem como algumas empresas no ramo da advocacia e indústria. Os segundos olham para os portugueses com desprezo e falta de educação apenas e só por causa do tamanho do vizinho ibérico. Posto isto as diferenças culturais e económicas nunca poderão convergir num só, pelo que o caminho político também não poderá ser o mesmo, apesar das orientações políticas quase sempre coincidirem no poder. Dificilmente haverá uma estratégia ibérica para ter uma voz na Europa ou mesmo nos interesses relacionados com a América Latina porque tanto no primeiro caso, como no segundo, Portugal e Espanha estão muito longe dos centros de decisão. Isto é, do poder. 


Em Espanha têm surgido vários movimentos a favor da realização de um referendo sobre a implementação da república. Portugal não fez nenhum e preferiu a via das armas para consolidar um regime que dura há mais de 100 anos. Mesmo assim ainda há vozes monárquicas a pedir o mesmo tipo de discussão que existe neste momento no país vizinho. É curioso verificar que a história dos dois países tenha sido completamente diferente, embora estejam condenados a viver juntos para sempre. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Está aberta a Secessão

A par da crise económica e social, nuestros hermanos têm no próximo domingo um teste de fogo à união territorial e política que nestes últimos anos tem marcado a história de Espanha. Era de esperar que algum dia, alguma das regiões que há muito lutam pela independência de Madrid conseguissem as suas reivindicações. Se o governo espanhol teve durante muito tempo de lutar contra o terrorismo da ETA, hoje tem um problema político que se chama Catalunha. 

As divergências entre aquela região e o Governo espanhol são enormes, no entanto nunca como agora a possibilidade de independência da Catalunha está tão perto. Basta que a CIU vença as eleições no domingo e cumpra a promessa da realização de um referendo sobre a autonomia daquela região. Pelo que se tem visto nas ruas, as pessoas são favoráveis a uma secessão do governo sediado em Madrid. 


Tendo em conta que estamos perante duas regiões completamente diferentes, com culturas e pessoas distintas, o mais óbvio que cada um siga o seu caminho. Tal como aconteceu no Kosovo, Montenegro e em muitos locais do Mundo, aqueles que não se identificam com uma nação, preferem seguir o seu caminho sozinhos, acabando no fim por ganhar a luta. Seja ela feita através das armas ou por meios democráticos perfeitamente legítimos. 

Concordo que não se pode pedir a uma região que siga os mesmos caminhos financeiros, económicos e políticos quando há outro tipo de culturas e vontade de autonomia. Ainda para mais, é estranho que Madrid seja o alvo da ira de Bascos, Catalães, Maiorquinos, Galegos.....
No entanto, para que um povo consiga a autonomia de outro, é necessário algo mais que a identificação e a luta política. Tem de haver uma história por detrás desse povo. Sem isso é impossível distinguir quais os aspectos porque razão os catalães anseiam pela autonomia. 
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