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sexta-feira, 13 de maio de 2016

Quanto tempo dura o Estadão brasileiro

A tomada de posse do Presidente interino do Brasil foi marcada por promessas de união, ordem e progresso. No entanto, também Michel Temer tem problemas com a justiça. Ora, nada melhor para os argumentos de Dilma Rousseff que o antigo vice-presidente também seja visado pela população.

O discurso da antiga presidente chegou aos brasileiros e quem vai pagar isso é a nova liderança. Dilma não está preocupada com o país, mas em manter o status quo e voltar para o Planalto. Não tenho dúvidas que vai fazer a quem está no poder as mesmas jogadas que originaram a saída porque, neste momento, não tem nada a perder. De facto, tudo o que Dilma tinha e precisava era o poder absoluta e a impunidade. 

Nesta semana saíram notícias que o antigo candidato presidencial do PSDB, Aécio Neves, também estaria implicado no Lava-Jato. É impressionante que ninguém está imune a notícias que podem ou não ser verdadeiras. O problema é esse. Ninguém sabe o que corresponde à realidade ou o que são jogadas de bastidores. No entanto, ficamos a saber que o Brasil é controlado pelo Estadão que garante milhares de empregos e ajuda muitas pessoas a enriquecerem, enquanto o zé povinho sofre. O Brasil está mais perto das ditaduras absolutas africanas do que dos vizinhos da América Latina que se desenvolvem social, económica e politicamente. 

Dilma não é a solução, mas também não será o único problema. 

terça-feira, 10 de maio de 2016

Brasileirão

Numa semana tudo se alterou no Brasil. Coincidência ou não, Eduardo Cunha também foi suspenso do lugar que ocupava como Presidente da Câmara dos Deputados por suspeitas de corrupção. Isto é, no Brasil ninguém escapa, desde o antigo presidente até ao líder do congresso. 

O pior aconteceu a seguir.

O substituto de Cunha pretende repetir a votação do processo de impeachment a Dilma. Será que o novo líder também tem as mãos pouco lavadas? Ninguém sabe....O dono do Senado disse que não devolve o documento ao Congresso, mas será que vai conseguir isso? Também não sabemos...

No meio disto a única que continua incólume perante a justiça é a Chefe de Estado. No entanto, ocupa um cargo que não pode ser alvo da justiça, sendo necessário o impeachment para a levar à justiça. O problema é que se tem defendido muito bem e volta a ficar por cima do processo. 

Os brasileiros são conhecidos pelas boas novelas e futebol com qualidade. Estamos a assistir a autênticos dribles políticos que só vemos nas séries brasileiras, embora mais viradas para os dramas familiares. 

O que se passa na política brasileira é a degradação de um sistema que passou incólume durante anos, sem a justiça ou a população intervirem. Ainda não consigo perceber como a maior parte dos brasileiros pretendeu a mudança em 2014, mas mesmo assim, Dilma conseguiu vencer. 

Apesar das polémicas não conhecemos o próximo capítulo, não obstante sabermos que algo mais vai acontecer.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Final infeliz para Dilma Rousseff e Lula da Silva

As acusações envolvendo Lula da Silva e a família é o princípio do fim para Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores brasileiro. O sentimento anti-Rousseff que começou durante a campanha eleitoral para as eleições ainda perduram. Ao contrário do que diziam os governantes, as manifestações tinham razão de ser, já que, também não eram organizados pelo partido liderado por Aécio Neves. O social-democrata não tem sido o rosto da oposição contra a actual Presidente. Há muito tempo que a população é a principal adversária do poder instalado. 

O caso Petrobras coloca a nu todas as fragilidades do sistema político e financeiro do Brasil. O envolvimento de Lula é pior para a Chefe de Estado em termos políticos do que para o ex-Presidente, apesar das várias aparições ao lado do poder instituído. 

Não há escapatória possível para Dilma Rousseff. A Presidente tem de ser submetida a um processo de impeachment para resolver a legitimidade política. Neste momento, não tem condições para liderar o país. 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Fim de linha para Dilma Rousseff

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, enfrenta um processo de destituição, conhecido como impeachment, iniciado pelo líder do Congresso, que se tornou recentemente oposição à Chefe de Estado. Um ano depois de ter sido reeleita, Dilma tem de se defender na justiça das acusações que vai ser alvo. No ano passado eram as ruas, apesar do voto lhe ter dado algum tempo, mas agora os problemas são bem maiores. 

O processo que ainda será longo é uma derrota política para Dilma porque a sua governação esteve sempre em causa, mesmo depois de ter sido eleita no final do ano passado. A legitimidade de um político também se afere nestas situações, independentemente do cargo que ocupa. Dilma nunca teve descanso ao longo da governação. Os brasileiros pedem mudança porque sabem as consequências dos malabarismos iniciados por Lula da Silva e continuaram com a actual presidente. 

A grande lição deste caso que começou agora também pode servir para o actual momento político português. O parlamento é mesmo a casa da democracia.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Brasil sem acordo para o futuro

A instabilidade social e política que se vive no Brasil após a reeleição de Dilma Rousseff deve ser para continuar porque dificilmente haverá acordo entre a Presidente e Aécio Neves. Nenhum dos dois parece estar disposto a abdicar da sua estratégia para chegar a um consenso. 
Neste momento Dilma não quer dar nada pelo que Aécio não pode fazer qualquer exigência. A tarefa do ex-governador de Minas Gerais fica mais difícil porque 4 anos na oposição é muito tempo e há vários candidatos ao seu lugar. Ou seja, em primeiro lugar deve ocorrer uma reflexão interna no Partido da Social-Democracia Brasileiro antes de se avançar para um candidato em 2018.

Eu percebo a vontade e ânsia de Aécio Neves em querer fazer parte da solução nos próximos tempos. A margem foi tão pequena que dá o direito ao tucano de sonhar. No entanto, em democracia quem fica com o poder são os que ganham. No caso do Brasil também vai ser assim. É uma pena porque Aécio Neves parecia ter qualidade para ocupar o Palácio do Planalto. A única esperança do tucano é que haja uma questão "tipo" Watergate que leve ao impeachment de Dilma. Neste caso Aécio tinha hipóteses? Talvez, mas acho que o Partido dos Trabalhadores tem um domínio bastante acentuado nos meios de comunicação social, grupos económicos e propaganda. 

Cabe a Aécio Neves fazer uma oposição responsável e coerente com aquilo que foi durante a campanha eleitoral para as recentes presidenciais. Dessa forma poderá alimentar a esperança que lhe foi retirada por tão pouco....

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O que preocupa os brasileiros

A poucos dias dos brasileiros irem pela segunda vez às urnas é preciso fazer uma reflexão sobre o que deve mudar quando o próximo presidente tomar posse. 

Embora o governo Dilma Rousseff tenha tirado da pobreza mais de 22 milhões de pessoas ainda há muito a fazer, sobretudo em matéria de segurança e educação. No Brasil estes dois factores não têm permitido que o crescimento económico seja sustentado, pelo que tanto Dilma ou Aécio terão de trabalhar nestes aspectos. 

De facto, se a educação não for uma aposta do governo isso vai gerar desigualdades sociais no país que depois têm como consequência a falta de segurança. Mas não é só. Também burocracia e as condições de alguns equipamentos estão a ser colocados a nu pela imprensa internacional ao mesmo tempo que corre a campanha para a segunda volta das presidenciais. 

É curioso verificar que os dois candidatos não têm abordado estes problemas nos debates que têm realizado, preferindo ocupar grande parte do tempo a falar sobre o caso Petrobras. É óbvio que a corrupção no Estado preocupa qualquer cidadão deste mundo, mas há problemas mais importantes que os brasileiros querem ver resolvidos a partir de segunda-feira. 

A criação da recente delegação inter-parlamentar entre o Parlamento Europeu e as instituições brasileiras pode ajudar a desenvolver alguns dos problemas que mais inquieta a sociedade brasileira. 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Taco a taco


Entramos na última semana de campanha da segunda volta das presidenciais brasileiras e as sondagens revelam que Dilma e Aécio estão empatados, sendo previsível que a eleição no Domingo seja uma das mais renhidas de sempre. Ou não. Nestas coisas das sondagens o número final acaba por ser diferente. Veja-se que durante semanas Marina Silva tinha a eleição garantida. No entanto, os dois actuais candidatos estão têm estado muito perto desde que decorreu a primeira volta do escrutínio. 

Tal como acontece em Portugal, no Brasil os debates têm sido pouco esclarecedores e a única coisa que passa cá para fora são os ataques pessoais. Isso não é sinal da fraca qualidade dos concorrentes porque tanto Dilma como Aécio são políticos qualificados que têm servido da melhor maneira a administração pública brasileira. 

Na agenda mediática continua o caso Petrobras com Dilma e o seu partido a serem acusados de favorecimentos e tráfico de influências. Com isso pode muito Aécio Neves que tem mantido uma excelente postura ao longo de toda a campanha. 

Neste primeiro dia da última semana de campanha regista-se o debate, as sondagens e uma reviravolta surpreendente. Os principais líderes da Igreja Evangélica tornaram público o apoio ao social-democrata. Em 2010 as mesmas figuras ajudaram Dilma na obtenção da vitória. Após a socialista Marina Silva ter dito que iria votar em Aécio, eis mais um importante suporte para aquele que tem sido uma revelação em todo o processo eleitoral brasileiro. 

domingo, 12 de outubro de 2014

De baixo para o Palácio do Planalto

À hora que escrevo a socialista Marina Silva confirmou o apoio a Aécio Neves. O candidato social-democrata conta com mais poder para enfrentar as últimas duas semanas de campanha eleitoral. No final desta semana surgiram sondagens em que davam Aécio Neves à frente de Dilma Rousseff, apesar de esta ter ganho a primeira volta com bastante margem sobre o segundo classificado. No entanto, em poucos dias tudo mudou. 

A razão desta mudança pode surpreender muitos analistas internacionais, mas os brasileiros já esperavam que Aécio conquistasse popularidade porque desde o final do Mundial que o candidato tem vindo a ganhar pontos. Neste momento a escolha é entre a continuidade e a mudança, sendo que o único rosto da alternativa é Aécio Neves. 

Na campanha da primeira volta muito se falou da influência de Marina Silva, mas não. Como se viu seria sempre o social-democrata a esperança dos brasileiros descontentes com a governação Dilma. 

Neste momento a actual presidente tem a seu favor as políticas sociais que implementou bem como o crescimento económico alcançado pelo Brasil nos últimos. O problema é que as questões de corrupção envolvendo o Partido dos Trabalhadores e a Petrobras voltaram a ser notícia no final desta semana. Isso pode ser uma vantagem para Aécio que tem estado muito bem nos debates e passa uma mensagem positiva para a opinião pública. E agora conta com o apoio formal de Marina Silva. 

Nas próximas duas semanas as sondagens vão dar quase um empate técnico pelo que será difícil fazer um prognóstico quanto ao vencedor de dia 26. No entanto, a gradual subida de Aécio Neves mostra que em política é possível começar de baixo e acabar por cima. Até nas sondagens. 
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