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quinta-feira, 19 de julho de 2018

A Catalunha tem mais possibilidade de exigir cedências a Espanha

Os primeiros sinais de entendimento entre as novas lideranças da Catalunha e de Espanha parecem abrir um novo capítulo nas relações entre as duas entidades.

A prioridade de Quim Torra e Pedro Sanchez deve ser o regresso da união entre todos os catalães, evitando uma fragmentação que permita actos de violência, mais graves do que aqueles registados no último ano. A forma como Carles Puigdemont dividiu a sociedade catalã necessita de um trabalho conjunto entre todas as partes envolvidas no processo. Os actuais responsáveis da Generalitat não podem violar a lei, mas os líderes nacionais, governo e oposição, precisam de entender a vontade política da região. 

A desistência dos mandados de detenção europeu contra o antigo líder da Generalitat pode ser o início de uma mudança, embora ainda se mantenham os processos judiciais contra os restantes membros do governo. Puigdemont continua em risco de detenção caso regresse a Espanha. 

O maior problema no eventual novo relacionamento entre Madrid e Barcelona está na possibilidade do PSOE permitir um referendo na região ou efectuar algum movimento político que satisfaça ainda mais a vontade dos catalães se tornarem independentes. A abertura ao diálogo não pode significar uma forma dos partidos independentistas ficarem com o PSOE nas mãos e sem possibilidade de recuar sob pena de mais manifestações sociais contra Madrid. 

No último ano as forças responsáveis pelo sucesso do processo independentista utilizaram a fractura na sociedade para alcançarem os objectivos, que foram reforçados nas eleições de Dezembro com a maioria no parlamento, apesar da vitória do Ciudadanos.

A saída de Mariano Rajoy do governo central é uma vitória para os apoiantes da independência porque podem manobrar com mais eficácia um líder que se tem revelado bastante fraco sem qualquer vitória eleitoral e capacidade de conduzir uma maioria.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Os maus ventos políticos de Espanha

A queda de Mariano Rajoy como líder do governo espanhol estava anunciada desde Outubro. A forma como geriu a crise na Catalunha foi a última gota num mar de problemas que colocavam em causa a autoridade política. 

As vitórias nas duas últimas legislativas possibilitaram a legitimidade de chefiar o executivo, embora sem grande apoio parlamentar. O Ciudadanos nunca confiou no líder do Partido Popular, além de se mostrar independente de acordos ou negociações contrárias aos valores que defendem. 

A interpretação demasiada restritiva da lei para impedir o golpe separatista na Catalunha acaba por ditar a morte política do governo popular em Espanha. As eleições regionais provaram que a população se sentia magoada com o primeiro-ministro, mesmo não sendo apoiantes dos partidos nacionalistas. 

A problemática catalã continua na agenda, embora com novos rostos devido ao exílio de Puigdemont e à demissão de Mariano Rajoy. 

Não acredito que o novo chefe do governo, Pedro Sánchez, tenha capacidade para aguentar o barco, sendo previsível que se realizem eleições no início do próximo ano, onde o Ciudadanos pode conquistar a primeira vitória eleitoral em todo o país. Contudo, ao contrário do que sucede na Catalunha, terão condições para governar. O líder do PSOE também não apresenta uma visão clara sobre o que pretende para a região catalã.

Devido à actual agitação, o primeiro encontro político entre Madrid e Barcelona só deverá acontecer em 2019 numa altura em que as tempestades estejam terminadas.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

A amnistia que nunca vai chegar

O pedido de diálogo às autoridades espanholas por parte de Carles Puigdemont depois de ter sido libertado na Alemanha não será aceite pelo executivo. 

O novo apelo para se encontrar uma solução política na crise da Catalunha visa ganhar mais tempo para a causa independentista. Neste momento, os defensores da independência falam a várias vozes dentro e fora da região, embora todos divulguem a mesma mensagem.

O problema é que o executivo liderado por Mariano Rajoy conseguiu uma boa desculpa para não se sentar à mesa com os representantes, seja Puigdemont, Jordi Turull ou outro. A vitória do Ciudadanos nas últimas eleições regionais deram espaço de manobra ao primeiro-ministro porque pode invocar falta de legitimidade dos interlocutores que não foram escolhidos pelos eleitores. O próprio Rajoy também sentiu dificuldades em formar governo, mesmo tendo vencido as eleições legislativas em Espanha, mas sem conquistar maioria absoluta. 

A única maneira dos independentistas conseguirem alguma cedência será mudarem os rostos da luta. Contudo, os actuais responsáveis vão continuar a liderar a causa porque pretendem terminar aquilo que iniciaram há bastante tempo, além de conquistarem pequenas vitórias que permitem manter a chama acesa, mesmo com alguns dirigentes no exílio e outros presos.

As pessoas que dividiram a Catalunha no plano político e social dificilmente aceitam sair para ser possível dialogar com Madrid.

segunda-feira, 26 de março de 2018

O fim do independentismo catalão

A detenção de Carles Puidgemont coloca um ponto final nas aspirações dos independentistas conseguirem arranjar um líder para chefiar o executivo. Todos os rostos que poderiam ser uma solução, após o resultado eleitoral de 21 de Dezembro do ano passado passaram à história, sobretudo devido a problemas ligados à justiça. 

O governo central que comanda as autoridades judiciais espanholas não cedeu qualquer milímetro nas intenções de dar o benefício da dúvida aos dirigentes catalães. Por outro lado, não houve sinal de que a agitação iria terminar na Catalunha. 

Tendo em conta que não se conseguiu encontrar o diálogo, só a força iria impedir o avanço de qualquer um dos lados. Madrid colocou os dirigentes catalães na prisão, embora possa vir a perder o poder central. Contudo, nessa altura a ordem já estará reestabelecida na região. 

O cenário de novas eleições favorece os partidos unionistas, particularmente o Ciudadanos que se mantém coerente nas decisões, estando em condições de aumentar a votação.

Os rostos principais da causa independentista foram afastados, pelo que, será difícil encontrar substitutos com o mesmo carisma, determinação e capacidade de sacríficio para continuar a lutar. A revolta da população está relacionada com a detenção de figuras que tinham todos os elementos para concretizar a independência. A fuga de Puigdemont só foi aceite porque se tratou de um acto com vista à manutenção do sonho de famílias inteiras.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

O rumo definido pelos independentistas catalães

O recente resultado eleitoral na Catalunha confirma a divisão da sociedade, embora ainda não tenham havido situações de violência, como costuma acontecer em casos semelhantes, onde os separatistas ganham pela via das armas. 

Os deputados que os independentistas têm de vantagem sobre os defensores da manutenção da região em Espanha não conseguem ter força suficiente para manter a mesma estratégia. Os erros do passado não podem voltar a serem cometidos porque existe uma maioria relativa de pessoas que optou pelas ideias unionistas do Ciudadanos.

Nenhuma facção pode ignorar a outra, sob pena do Estado espanhol voltar a intervir politicamente, o que poderá ter consequências mais graves do que a própria declaração de independência. 

As eleições mostram também que os catalães pedem alterações ao actual estatuto autónomico e mesmo na constituição espanhola. As urnas deram um aviso forte a Mariano Rajoy com a insignificância política do PP, que obteve apenas 4 deputados. Inés Arrimadas nem sequer pode contar com os populares para tentar formar uma coligação. 

O sinal do presidente do governo espanhol na noite eleitoral é bastante preocupante e incita os independentistas a optarem pela via ilegal para obterem a realização de um referendo. O primeiro passo de Rajoy foi ignorar que poderia haver outro líder catalão em vez de Inés Arrimadas, pelo que, receberá uma resposta igual caso a vencedora das eleições não consiga formar maioria no parlament.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Pau de dois bicos para Rajoy

Os próximos dias deverão definir o futuro governo da Catalunha, sendo que, dificilmente Inés Arrimadas consegue o apoio dos socialistas para liderar o executivo. Nem vale a pena somar os poucos deputados conquistados pelo PP.

Os independentistas vão voltar a tomar conta da Generalitat, embora sem a presença física de Puigdemont, mas com um rosto que deverá executar ordens directamente de Bruxelas. 

O resultado eleitoral de dia 21 de Dezembro reforçou a legitimidade de Puigdemont para continuar a luta pela independência, aproveitando a prisão de membros importantes, como Oriol Junqueras. O protagonista será sempre o líder catalão que conseguiu ir mais longe no processo de independência, mesmo depois de ter fugido. Os eleitores não o penalizaram pela falta de coragem em enfrentar as autoridades espanholas. 

A pouca abertura demonstrada por Mariano Rajoy também é um factor que une os partidos independentistas e os que são contra o primeiro-ministro espanhol. Caso o governo continue a recusar o diálogo, mesmo com Arrimadas no poder, pode ser o primeiro passo para novas eleições gerais em Espanha porque o Ciudadanos deixará de suportar o executivo minoritário no parlamento. 

A maior fatia de responsabilidade está na forma como Rajoy encara o novo líder catalão, independentemente de defender as ideias independentistas.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

A vontade de Puigdemont permanecer na ilegalidade

A proposta de Madrid em realizar eleições antecipadas na Catalunha foi a melhor jogada política de Mariano Rajoy nesta crise aberta pelos independentistas. 

A medida poderá ter sido decisiva na conquista da opinião pública e também no apoio internacional. O presidente do governo espanhol transferiu a responsabilidade da divisão da sociedade catalã e espanhola para os separatistas. 

Os partidos políticos que apoiam a independência devem ir a jogo porque uma vitória também reforça a legitimidade de realizar o referendo. O grande erro de Puigdemont, além de ter revelado ser um líder fraco, foi ter avançado sem apoio institucional e pouco suporte popular. Os recuos das últimas semanas deveriam ter sido concretizados para ganhar mais suporte na defesa da causa independentista. 

A resposta do ex-líder da Generalitat confirma a vontade de permanecer em rebelião e continuar a luta nas ruas, o único palco onde ainda tem algum apoio. Contudo, qualquer acto de Puigdemont vai continuar a dividir.

A partir de agora a luta pela independência far-se-à no plano político e através do voto. A divisão dos catalães no próximo dia 21 pode ser expressa nas urnas, como notam as sondagens, mas haverá sempre mais legitimidade para iniciar um novo caminho.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Madrid continua a ignorar o problema fundamental na Catalunha

O governo espanhol confirma que mantém a suspensão do artigo 155 da autonomia da Catalunha, mesmo que Carles Puigdemont anuncie novas eleições até final do ano. 

A convocação de eleições autonómicas seria um bom passo para esclarecer a questão da independência. A maior parte dos partidos como o Ciudadanos e o PSOE acreditam na clarificação da situação através de um acto eleitoral em que a independência seria o tema principal, mas Madrid continua irredutível em livrar-se à força do líder catalão.

A ausência de Puigdemont no Senado espanhol para se defender é um sinal que não haverá cedências de Barcelona enquanto Madrid continuar a ignorar o problema social e político. O líder catalão tentou através da suspensão da declaração de independência e da convocação de eleições, construir um diálogo que nunca foi possível obter pela via pacífica. Na minha opinião, o discurso extremado e a realização do referendo naquelas condições foram uma afronta desnecessária, embora Puigdemont tivesse alterado um pouco a postura. O problema é que Madrid mantém o uso da força.

O executivo espanhol utiliza a fragilidade política do líder catalão para tirar o poder ao independentista ou golpista. A única via para Puigdemont conseguir legitimidade política para realizar uma consulta popular que proporcione um esclarecimento é chamar os catalães às urnas porque perdeu força institucional no parlamento catalão, em Espanha e mesmo na União Europeia. Contudo, à medida que Madrid aplica as leis constitucionais, Puigdemont ganha força popular na região, o que poderá ser suficiente para vencer as eleições com maioria absoluta.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A grande batalha pela soberania da Catalunha

O referendo da Catalunha provocou mais uma reacção forte por parte do governo central. As inúmeras detenções e a apreensão de boletins de voto são a única resposta que Mariano Rajoy tem para dar à Generalitat.

O que importa analisar é a questão política, nomeadamente a autonomia da região face a Espanha. Os catalães pretendem mais poder e não o conseguem porque estão ligados ao governo central. 

O executivo sediado em Madrid começa a dar bastantes razões para a Catalunha se afastar ainda mais. A utilização da força serviu para terminar com o problema no País Basco, mas a dureza e a determinação catalã são suficientes para a história ter um desfecho diferente. 

Tendo em conta que a realização da consulta popular é um acto de protesto contra o governo de Rajoy e não para fazer frente à unidade do país, qualquer atitude dentro da Catalunha por parte do executivo espanhol será entendido como um acto de conflito político. 

As duas partes consideram que a força é a melhor solução para resolver o problema, já que, os dirigentes catalães também insistem num acto que já foi chumbado. A repetição do referendo é uma nova provocação a Madrid e à coroa espanhola. 

Os próximos capítulos não vão ser pacíficos porque já se instalou um clima de vingança.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A desintegração política de Espanha

A realização de um novo referendo sobre a independência da Catalunha é um passo decisivo na desintegração política de Espanha. Aliás, a forma como se reagiu aos atentados em Barcelona demonstra falta de unidade, apesar de todas as cerimónias em prol da liberdade.

A autonomia da região relativamente a Espanha só precisa de ser confirmada em termos práticos porque na teoria já existe há bastante tempo. A consulta popular é apenas mais uma desculpa para criar um fosso entre Espanha e a Catalunha sobretudo no plano político e económico. O nacionalismo é uma boa forma de cimentar divisões dentro do mesmo Estado. 

A eterna recusa de Rajoy aceitar a realização do referendo irritou os dirigentes catalães, mas também a população que se sente amordaçada por Madrid. A Catalunha pretende maior progresso e investimento do que o permitido pelo executivo central. 

Não se pode acreditar que a luta dos catalães tem a ver apenas com a identificação dos símbolos porque a bandeira e o hino já existem há bastante tempo. O problema é que tudo começa com uma defesa acérrima dos emblemas que distinguem uma região do resto do país. 

O referendo que se realiza no dia 1 de Outubro só vai servir para aumentar as divisões, independentemente do resultado. As exigências serão sempre iguais, mesmo em caso de derrota. 

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Fim do sonho catalão

O Tribunal Constitucional espanhol proibiu a realização do referendo sobre a independência da Catalunha que se realizaria no próximo dia 9 de Novembro. Isso não vai acontecer e parece que Artur Mas deitou a toalha ao chão ao anunciar uma consulta que não tem efeitos vinculativos. Serve apenas para catalão expressar um desejo. Possivelmente, nem no referendo nem nesta consulta opinativa a Generalitat venceria. 

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, ganhou a batalha jurídica e política, pelo que se vai apresentar nas próximas eleições legislativas com mais votos. Rajoy venceu em toda linha, não só sobre rivais catalães, mas também em relação à esquerda espanhola, apesar do PSOE ter estado sempre ao lado do chefe de governo. 

O que se segue vai ser igual ao que aconteceu na Escócia. Nada. A luta pela autonomia vai ficar pelas manifestações de rua que se organizam todos os anos para mostrar ao mundo que existe uma causa nacionalista em Espanha. Tal como acontece no País Basco. No entanto, desta vez os nacionalistas estiveram muito perto de conseguir uma vitória. A realização do referendo era só o primeiro passo, depois haveria outros métodos. 

Apesar de tudo vamos voltar a ouvir falar de divisões internas no país vizinho. Nem outra coisa seria de esperar numa Nação que nasceu dividida e assim ficará durante muitos séculos. Os mecanismos políticos e jurídicos são fortes, mas a vontade popular está a ganhar dimensão. É certo que ainda não é suficiente para fazer cair um governo no seio da Europa, em concreto na União Europeia, mas tem conseguido algumas pequenas vitórias, como se viu na Ucrânia.

Com o fim da luta pela independência da Catalunha acaba também o sonho de Artur Mas se tornar uma referência política em Espanha. Na minha opinião ficará para sempre conhecido como aquele a quem Mariano Rajoy aplicou um golpe duro. 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Previsões 2014: O povo vai poder votar a independência

O final do ano vai ser marcado por dois acontecimentos regionais de grande importância. No dia 18 de Setembro a Escócia vai referendar a sua independência e a 9 de Novembro os catalães vão ser chamados a se pronunciar sobre o mesmo assunto. 

Embora pareçam semelhantes os problemas são substancialmente diferentes. Na Escócia a independência está relacionada com questões territoriais e de um certo modo compreende-se a tentativa de desagregação do resto do Reino Unido. Não faz sentido que países com língua própria, moeda e culturas diferentes ainda se mantenham ligados a Londres. Tendo em conta que a Escócia e o País de Gales têm os seus próprios orgãos políticos faz sentido a desagregação. 

Na Catalunha é diferente. Os problemas são culturais mas também financeiros, sendo que a região autónoma é a mais rica de Espanha e nem sempre Madrid recompensa o Estado Catalão como deve ser. Não aceito que por causa de aspectos culturais e linguísticos se altere a fisionomia de uma nação, embora seja verdade que em Espanha são várias as autonomias que estão em desacordo com o governo de Madrid. 

Penso que na hora da verdade tanto os escoceses como os catalães vão votar contra a independência. Na Escócia mais de 50% é a contra a autonomia, mas na Catalunha os resultados são incertos. Mais do que uma birra cultural os referendos são uma jogada política do partidos nacionalistas escocês e catalão. Em Espanha isso é evidente porque a decisão de Artur Mas surgiu após um desacordo com Mariano Rajoy. 

Embora o "NÃO" seja o resultado mais provável nos dois locais a primeira batalha está ganha. Tanto num lado como no outro o povo vai poder exprimir a sua opinião, no que é considerado um passo importante para que outras regiões pensem na mesma solução política para alcançar objectivos separatistas. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Artur Mas é mais um Alberto João

Artur Mas continua a sua luta para oferecer aos catalães a possibilidade de escolheram a via da autonomia para o seu futuro. O líder da Generalitat já escolheu as perguntas que deverão constar do referendo. Mas quer que a Catalunha siga o mesmo caminho da Escócia e do Quebec. Os escoceses vão a jogo daqui a um ano, e neste momento o sim vai á frente. Contudo, as mentalidades são diferentes no Reino Unido e no sul da Europa. A independência da Escócia relativamente à Inglaterra é apenas uma questão de orgulho e identidade nacional. Em Espanha tem muito mais a ver com isso. Trata-se de uma luta política que o actual líder está a tentar travar contra Madrid, o PP e Mariano Rajoy. Não falo da crise económica ou dos valores hispânicos, mas da sua própria guerra política. Mas está em desacordo com o actual chefe de governo espanhol em muitos assuntos e este batalha pela independência não é mais do que uma guerra particular que Mas está a travar. 
Espero que a Catalunha não escolha a via do referendo, até porque em termos constitucionais isso não será possível. A constituição espanhola não permite nenhum mecanismo que altere o actual quadro autonómico. Tenho a convicção que a luta de Mas acabará rapidamente por ser esquecida, até pelos próprios catalães. 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O direito ao referendo

Eu percebo a revolta dos catalães mas não entendo o objectivo. Ganhar a autonomia em termos políticos ainda me parece razoável, no entanto a Catalunha fica melhor se depender economicamente de Madrid. A questão da autonomia catalã é um motivo de orgulho nacionalista, tal como acontece no país basco, mas também para concorrer contra a capital. Existe um certo "ódio" ao governo espanhol porque, como acontece em todos os países, a capital é sempre mais favorecida: é lá que estão as grandes empresas, os principais bancos bem como a realeza. No resto de Espanha não há nada disso. Um dos problemas dos catalães tem a ver com a questão monárquica. Na minha opinião, a Catalunha não se revê no regime que Madrid adopta como seu. É tudo uma questão de fachada, que não serve para nada mas que os madrilenos gostam porque é uma forma de se sentirem importantes. Acho que os catalães são mais republicanos e preferem estar dominados por uma república. Este é um aspecto importante na reclamação da independência, daí que as manifestações sejam cada vez mais recorrentes e a convocação de um referendo esteja iminente. Não acredito que Madrid consiga suportar este problema durante muito mais tempo, daí que considere a necessidade de um consulta popular o quanto antes, até para clarificar de uma vez por todas a posição dos catalães perante este problema. Ao mesmo tempo os madrilenos também deveriam ser consultados, mas para comparar os resultados com os homólogos catalães. O que quer que aconteça daqui para a frente, as relações entre Madrid e Catalunha já não serão as mesmas....

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Está aberta a Secessão

A par da crise económica e social, nuestros hermanos têm no próximo domingo um teste de fogo à união territorial e política que nestes últimos anos tem marcado a história de Espanha. Era de esperar que algum dia, alguma das regiões que há muito lutam pela independência de Madrid conseguissem as suas reivindicações. Se o governo espanhol teve durante muito tempo de lutar contra o terrorismo da ETA, hoje tem um problema político que se chama Catalunha. 

As divergências entre aquela região e o Governo espanhol são enormes, no entanto nunca como agora a possibilidade de independência da Catalunha está tão perto. Basta que a CIU vença as eleições no domingo e cumpra a promessa da realização de um referendo sobre a autonomia daquela região. Pelo que se tem visto nas ruas, as pessoas são favoráveis a uma secessão do governo sediado em Madrid. 


Tendo em conta que estamos perante duas regiões completamente diferentes, com culturas e pessoas distintas, o mais óbvio que cada um siga o seu caminho. Tal como aconteceu no Kosovo, Montenegro e em muitos locais do Mundo, aqueles que não se identificam com uma nação, preferem seguir o seu caminho sozinhos, acabando no fim por ganhar a luta. Seja ela feita através das armas ou por meios democráticos perfeitamente legítimos. 

Concordo que não se pode pedir a uma região que siga os mesmos caminhos financeiros, económicos e políticos quando há outro tipo de culturas e vontade de autonomia. Ainda para mais, é estranho que Madrid seja o alvo da ira de Bascos, Catalães, Maiorquinos, Galegos.....
No entanto, para que um povo consiga a autonomia de outro, é necessário algo mais que a identificação e a luta política. Tem de haver uma história por detrás desse povo. Sem isso é impossível distinguir quais os aspectos porque razão os catalães anseiam pela autonomia. 
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