Mostrar mensagens com a etiqueta Brasil. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Brasil. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A violência e a revolta da Polícia




Muito se fala sobre o enriquecimento do Brasil, como o país cresce e torna-se uma das grandes potências econômicas do mundo. Entretanto, este tipo de “propaganda”, que não é de todo enganosa, mas superestimada, encobre problemas que, apesar do crescimento econômico, não deixaram de existir.

O Lula não foi um gênio da lâmpada que, com um piscar de olhos, revolucionou o Brasil e acabou com todos os problemas da nação, como alguns tentam fazer crer. O ex-presidente desenvolveu muito bem o papel que cabia a si: promover o desenvolvimento social depois que os dois governos anteriores resolveram o pior dos problemas do Brasil nas décadas de 80 e 90, a hiperinflação.

E se, no passado, o nosso maior problema era a hiperinflação, hoje o nosso maior calo é a segurança pública, pois, apesar dos números mostrarem que milhões de pessoas saíram da pobreza, a criminalidade só aumenta, principalmente por sermos o principal entreposto do tráfico internacional de drogas.

Para se ter ideia da violência, só na região Nordeste, a segunda mais populosa do país, com cerca de 53 milhões de habitantes, foram contabilizados 18.073 homicídios só em 2010. No mesmo ano, no Iraque, país no qual ocorre uma guerra civil, morreram 4.000 pessoas.

Basicamente, no Brasil existem quatro tipos de Polícia: a Civil (responsável pela investigação de crimes comuns), a Militar (responsável pelo policiamento ostensivo nas cidades e Estados), a Federal (responsável pela investigação de crimes federais) e a Rodoviária Federal (responsável pelo patrulhamento das estradas interestaduais).

As duas primeiras Polícias, a Civil e a Militar, popularmente conhecida como PM, são sustentadas pelos Estados, e as Polícias Federais pela União. Logicamente, que as Polícias Civil e Militar são as mais pobres e despreparadas, não só no quesito de treinamento, mas também de equipamentos e salários.

Por exemplo, ano passado, o estabelecimento comercial de meu tio foi assaltado e ele foi obrigado a ir a várias delegacias fazer o boletim de ocorrência, não porque tivesse a esperança que o crime fosse investigado, mas porque precisava daquele documento para protocolar o pedido de ressarcimento perante o seguro, e quase não o conseguiu porque nenhuma das delegacias tinha tinta nas impressoras. E isso não é exceção, é mais comum do que se imagina.

Desde outubro do ano passado, policiais militares de vários Estados começaram a entrar em greve, pedindo melhorias nas condições de trabalho, pois possuem salários baixos (algo como 700€ mensais no Estado do Ceará, onde vivo), armas e coletes a prova de bala de péssima qualidade e jornadas de trabalho extenuantes. Começou com a PM do Piauí, depois veio a PM do Ceará, na época do Réveillon, e agora está em greve a PM da Bahia.

Eu não tive acesso aos dados da greve do Piauí, mas no Ceará, a PM ficou 05 dias de greve e neste período foram registrados 50 homicídios na grande Fortaleza. Agora, foram registradas 70 mortes em apenas 03 dias de greve na grande Salvador.

Aliás, a situação da Bahia é crítica porque, além disso, se aproxima o Carnaval e é justamente em Salvador que é realizada a maior festa popular de rua do mundo. Milhões vão para as ruas todos os dias do Carnaval e, se a greve continuar, o principal evento turístico do Estado corre o risco de não ser realizado, logo o prejuízo financeiro vai ser enorme.

Os policiais militares ocuparam a Assembleia Legislativa do Estado da Bahia e o prédio está cercado pelo exército que, até pouco tempo, ameaçava invadi-lo e sem luz. E, para piorar o cenário, mulheres e filhos dos policiais também estão lá dentro.

Tirando o fato de que eu acho uma irresponsabilidade levar crianças para uma ocupação de prédio público (colocar vidas de seus próprios filhos em risco para reivindicar o que quer que seja é um absurdo) e condeno não deixarem um efetivo mínimo nas ruas (assim como não é justo que policiais morram por falta de condições de trabalho, não é justo que a população pague com a vida também), acredito que os policiais têm razão de sobra para fazer greve.

Larissa Bona

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Olhar Direito o Brasil: observando os vizinhos




Prezados amigos do Olhar Direito,

Volto depois de um curto período de férias, no qual fui conferir a Argentina e o Chile, pois nós brasileiros agora que estamos descobrindo a vizinha América Hispânica, porque no passado estávamos tão obcecados com Estados Unidos e Europa, que nunca nos demos ao trabalho de olhar para os lados.

A Argentina foi simplesmente invadida por brasileiros! Você anda no meio da rua e só escuta o som de vozes brasileiras, falando aquele nosso português suave, ou de vozes argentinas falando o portunhol.

Inclusive, o Real, nossa moeda, é amplamente aceito por lá, ao ponto que há lugares que preferem receber em Real que em Peso argentino, em especial os ambulantes. De fato, o único local onde não se aceitou o Real foi no supermercado.

Minha impressão sobre a Argentina foi a pior possível, talvez por ter ido numa época economicamente péssima para eles.

É incrível a quantidade de mendigos nas ruas, sem-tetos e manifestantes acampados nas praças, especialmente na famosa Plaza de Mayo, que abriga a Casa Rosada, sede do governo argentino e morada da recém re-eleita Cristina Kirchner.

Falando em Kirchner, ela acabou de escapar de um diagnóstico de câncer, pois descobriu um tumor na tireóide que depois se revelou benigno, e agora só se emprega em travar uma guerra contra a imprensa, usando todo em qualquer artifício para censurar quem se manifesta contra ela.

No meu passeio, fui à La Bombonera, mítico estádio do Boca Juniors, equipe pela qual jogava Maradona. Para os amantes do futebol, trata-se de uma parada obrigatória.

No estádio tem um pequeno museu com os troféus ganhos (como a Taça Libertadores da América e Taça do Mundial Interclubes), camisas e chuteiras de estrelas do time, como Palermo e Riquelme, e, para quem pagar um pouquinho mais, tem um tour pelo gramado e dependências do estádio. Aliás, aproveito para contar-lhes algo muito interessante que aconteceu durante o tour pela Bombonera.

Ao final do passeio, a guia nos mostrou o camarote de Maradona, mas antes fez o seguinte discurso para o grupo formado por cerca de 10 estrangeiros, das mais variadas nacionalidade, e cerca de 20 brasileiros: “aquele é o camarote do maior jogador de todos os tempos, que não é Pelé, palmas para Maradona”. Adivinhem quantos brasileiros bateram palmas? Nenhum, só os gringos! Não é falta de educação, é a rivalidade...

Buenos Aires tampouco é só pobreza, tem muitas áreas ricas, com construções novas e modernas, como a Recoleta, Puerto Madero (onde há excelentes restaurantes e até cassinos) e Belgrano.

Mas isso, infelizmente, é uma parte muito pequena, em comparação com a pobreza que se alastra pela cidade, realmente, fiquei impressionada, achava que pobreza escancarada em pontos turísticos era “privilégio” do Brasil.

Alguns conhecidos meus, que foram antes à Buenos Aires, voltaram dizendo maravilhas, que parecia Paris. Ou eles foram durante os tempos áureos da Argentina ou nunca estiveram em Paris. Deve ter sido por isso que me decepcionei tanto, achando que encontraria Paris na América do Sul.

Eu esperava mais, entretanto, relevo um pouco porque eles estão em crise e esta crise se nota na cara dos argentinos, que pareciam sempre cabisbaixos, exceto no show de tango da casa Señor Tango, que não devia nada às superproduções da Broadway, muito bonito, extremamente emocionante, digno de ser aplaudido de pé.

De lá, fui para o Chile tomar um choque de realidades! Saí da pobreza argentina e fui para a prosperidade do cobre, madeira e vinhos chilenos (excelentes, diga-se de passagem)!

O Chile é um país impar, pois no mesmo dia, se você quiser, pode ir de manhã à praia, molhar os seus pés no gélido pacifico (a temperatura da água é em torno de 12°C, por isso que só dá para molhar os pés) e de tarde à montanha, mais precisamente subir 3000 metros de altura na Cordilheira dos Andes, onde há uma estação de esqui.

Santiago, assim como Buenos Aires, estava abarrotada de brasileiros, embora em menor quantidade. Todos os passeios que fiz, havia brasileiros neles, mas o Real já não era tão aceito, os chilenos preferem o seu Peso e o Dólar americano.

A pujança econômica se vê por todos os lados, prédios modernos, todos de vidro e, principalmente, altíssimos – com mais de 100 metros de altura - construídos e em construção, com muitas esculturas pelas calçadas. Enfim, Santiago não é apenas uma cidade moderna, mas uma cidade bonita.

Nem parece que o país se localiza no “Círculo de Fogo”, que sempre causa terremotos de magnitudes extremas. Em tempo, o maior terremoto da humanidade aconteceu no Chile.

Ao caminhar por Santiago, você não nota um sinal sequer de que houve grandes terremotos (o mais recente foi em 2010), de vez que tudo está intacto e em pé, em virtude da desenvolvida tecnologia anti-sísmica empregada em quase todas as construções.

Ao contrário dos argentinos, os chilenos estampam sempre um sorriso no rosto. A atenção e a educação no tratamento dado pelos chilenos também é superior. Eu até entendo, ninguém fica amargurado com o bolso cheio.

Larissa Bona

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Visitando o "inimigo"




Prezados amigos do Olhar Direito,

Hoje, escrevo diretamente do aeroporto de Guarulhos, de onde tomarei um voo rumo a Buenos Aires (Argentina). Vou conhecer o quartel general dos "inimigos", futebolisticamente falando, é claro, justamente uma dia após Lionel Messi ganhar sua terceira bola de ouro, se igualando ao ídolo brasileiro Ronaldo Fenômeno e a Zinedine Zidane.

Por isso, hoje o meu post será muito sucinto, pois não tenho condições técnicas para postar algo mais extenso. Mas prometo que na volta, conto quais foram as impressões que eu, uma brasileira, tive da capital daqueles que no dia a dia são nossos "hermanos", mas dentro das quatro linhas de um campo de futebol, são os nossos maiores desafetos.

Hasta la vista amigos!

Larissa Bona

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O Brasil já é a 6ª economia do mundo

Um estudo do CERB (Centro de Investigação em Economia e Negócios), uma consultora britânica especializada em análises econômicas, o Brasil tornou-se a 6ª economia do mundo, ultrapassando o Reino Unido.

Notícia de grande destaque na imprensa britânica, o estudo revelou que, pela primeira vez na história, uma economia sulamericana ultrapassou a economia britânica no ranking das economias mundiais.

É de conhecimento comum o excelente momento econômico que vive o Brasil, assim como a péssima situação que vive a Europa, de maneira que não foi a apenas o sucesso de um que causou esta ultrapassagem, mas também o fracasso do outro.

Abaixo coloco uma excelente reportagem do Jornal da Globo sobre o tema, que deixa bem claro que a notícia é boa, entretanto, tamanho não é documento:



Feliz 2012 a todos e que tudo esteja melhor tanto no lado de cá, quanto no lado de lá do Atlântico!

Larissa Bona

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Por que no Brasil tudo é mais caro?


Fonte: www.arrobazona.com

Quanto você acha que eu paguei pelo notebook através do qual eu escrevo este post? Ele me custou algo como 900€, sendo que nos Estados Unidos, o mesmo computador, com a mesma configuração e marca, custa 420€.

Um carro Gol da Volkswagen, considerado carro popular, com a configuração mais simples possível, custa 12.600€, enquanto que o mesmo carro, no México, custa 6500€, isto é, quase metade do preço.

Em Portugal, um Novo Polo, da mesma Volkswagen, custa 13.900€. Já no Brasil, o tal automóvel custa 18.300€. É uma diferença de quase 5000€!

E este tipo de discrepância não se aplica somente aos automóveis da Volks ou a computadores, mas sim a todo e qualquer produto que é comercializado neste país.

Fica a pergunta: por que no Brasil tudo é mais caro? Eu comecei a refletir sobre isso ao ler uma reportagem sobre o aumento do IPI para os carros importados, na sexta-feira passada.

Mas o que é o IPI? É a sigla para Imposto sobre Produtos Industrializados. Trata-se de um imposto federal cobrado sobre mercadorias industrializadas, estrangeiras ou nacionais, com caráter não somente arrecadador, mas também parafiscal, ou seja, regulador de mercado, pois a alíquota do imposto varia de acordo com cada produto e o governo a majora ou a diminui de acordo com a política econômica que deseja adotar para cada setor produtivo.

Contudo, o IPI não é o único tributo incidente sobre a cadeia produtiva, já que há o IR, PIS, COFINS, CSLL, ICMS, CIDE e muitos outros que não cito sob o risco de acabar cozinhando uma sopa de letrinhas.

Ah! Matamos a charada. Tudo é caro no Brasil por conta dos zilhões de impostos que sobrecarregam a produção, certo?

Correto, porém, em partes. É certo que a carga tributária no Brasil sobre a produção é uma das mais pesadas no mundo. Ser empresário no Brasil é quase um ato heróico diante da voracidade do fisco brasileiro, tão voraz que foi apelidado de Leão.

Todavia, há algo mais na carestia dos produtos brasileiros, porque se você analisar bem, a diferença do preço do mesmo carro em Portugal e no Brasil é de quase 5000€, isto é, quase 40%.  Não é possível que tudo isso seja apenas imposto!

Esse algo mais se trata de uma característica cultural do brasileiro: a passividade. O brasileiro é muito pacífico, ele não tem o costume de brigar ou questionar, mas sim de dizer amém a tudo.

A concessionária de carros coloca o preço nas nuvens e o brasileiro, em vez de recusar-se a ser extorquido, aceita o preço estratosférico com a mesma parcimônia de um cordeirinho que se encaminha ao abate.

Costumo brincar que isso é culpa de D. Pedro I do Brasil ou D. Pedro IV de Portugal, porque se ele tivesse deixado os brasileiros fazerem uma revolução pela independência, como os americanos e os da América espanhola, talvez hoje o brasileiro tivesse um pouco mais de brio. Mas não, até a nossa independência foi pacífica, feita pelo filho do Rei, fomos incapazes de brigar por ela!

Assim sendo, conhecendo o comportamento do brasileiro médio, voltamos ao caso dos carros. Presidentes de várias montadoras estrangeiras já deram muitas entrevistas anunciando que o mercado automotivo brasileiro é a cereja do bolo, justamente porque os brasileiros não reclamam de pagar mais do que todo mundo.

Aliás, o brasileiro paga duas vezes, pois como a renda da população é baixa, pouca gente consegue comprar automóveis ou até mesmo roupas à vista, tudo é parcelado no país de maior taxa de juros do mundo, inclusive a compra do supermercado!

E o pior, o brasileiro não se importa de saber qual o valor total que vai pagar ao final de tudo, mas sim se aquela prestação cabe no orçamento do mês. Então, você vende um carro e o consumidor paga dois! Grande negócio não?

Só que com a concorrência dos carros asiáticos, principalmente os chineses, que produzem carros completos mais baratos que os nacionais populares sem direito nem ao tapete do automóvel, as pessoas começaram a comprar mais carros importados do que os produzidos no Brasil.

E o que fez o governo? Aumentou a alíquota do IPI sobre os automóveis que não eram fabricados no Brasil, sob a justificativa de proteger a indústria automotiva nacional da invasão dos importados chineses, coreanos e japoneses.

Para começar, o que seria a indústria automotiva nacional? A Volkswagen da Alemanha, Ford e Chevrolet dos EUA e Fiat da Itália, que são as montadoras instaladas no país? Nacional mesmo no Brasil, meus amigos, só a Caipirinha, o Samba e Pelé.

Será que esta medida de aumentar o IPI dos importados realmente visa beneficiar a população? Acredito que não!

Ora, mesmo com os valores astronômicos de impostos pagos, a indústria automotiva nacional aufere lucros galácticos não só com a venda de carros em si, mas também com os seus bancos de financiamento de carro (além da Fiat, há Banco Fiat, além da Volkswagen, há o Banco Volkswagen e etc.).

Logo, a concorrência dos importados asiáticos, bem mais baratos, não prejudica em nada a indústria nacional, muito pelo contrário, ajuda o consumidor a cair na real e observar que os preços praticados são absurdos.

O risco aqui não é de quebra, mas sim de diminuição de lucro. E como nenhuma das montadoras estabelecidas no país pensa em trabalhar com uma margem de lucro menor para tornar o seu produto mais competitivo, resolveram apelar para o governo para tentar passar a perna nos asiáticos. Isso sim é concorrência desleal, não só com o pessoal de olho puxado, mas também com o consumidor brasileiro.

E enquanto isso, o brasileiro corre para as concessionárias, para tentar comprar aquele carro chinês ou coreano baratinho antes que o estoque de produtos não afetado pela alta do IPI se acabe e o sonho do carro Okm se acabe junto.

Larissa Bona

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Rumo ao Maracanã 2014




O vídeo acima foi uma excelente ação de marketing da Coca-Cola, veiculada em 11 de julho de 2010, data da final da Copa do Mundo da África do Sul, na qual a Espanha se sagrou campeã do mundo pela primeira vez em sua história.

Nós brasileiros, decepcionados com a forma melancólica pela qual saímos daquele mundial, ficamos felizes, não só por termos sido “vingados” pela Espanha que derrotou nosso carrasco, mas também porque aquele vídeo nos devolveu a esperança: não ganhamos o tão sonhado hexacampeonato na África, porém isso já não importava, pois será conquistado em casa e assim será mais gostoso.

Naquela época, eu fanática por futebol estava mais do que feliz, talvez pelo calor do momento e pela decepção com aquele mundial, em saber que a próxima Copa do Mundo seria no país do futebol, no meu país.

Hoje, diante dos acontecimentos, eu não sei se estou tão feliz quanto em 2010 e olha que só passou um pouco mais de um ano. Aliás, nem sei mesmo se ainda quero o mundial aqui.

Para se entender melhor toda esta história, devemos voltar para o dia 30 de outubro de 2007, data em que Joseph Blatter, presidente da FIFA, anunciou que o Brasil seria a sede do Mundial FIFA de 2014. Na verdade, ele não anunciou, mas sim ratificou que o Brasil seria anfitrião, pois naquela época era o único candidato ao posto.

Foto: Wikipedia

Quando o Brasil foi escolhido, ainda existia o rodízio de continentes na FIFA e tocava à América do Sul organizar a Copa de 2014, de maneira que a Confederação Sul-americana, a CONMEBOL, indicou somente o Brasil, depois que a outra candidata, a Colômbia, por pressão da própria FIFA, retirou a sua candidatura.

É lógico que o anuncio da Copa do Mundo no Brasil trouxe euforia para a população, afinal de contas, o evento máximo da paixão nacional, o futebol, voltaria para o país de depois de 64 anos.

Lula contabilizou grande ganho político com isso, pois foi o Presidente que garantiu o retorno da Copa do Mundo para o Brasil, a segunda chance de nos redimirmos do Maracanazo de 1950, e Ricardo Teixeira, Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, garantiu que o mundial seria um evento integralmente custeado pela iniciativa privada, que não haveria dinheiro público envolvido nisto.  Será? Adivinha o que está acontecendo?

Vou dar uma dica para vocês: sempre que vejo notícias sobre a Grécia, eu as escuto atentamente, pois eles podem servir de espelho para o Brasil, até porque, além da Copa do Mundo em 2014, também teremos uma Olimpíada em 2016.

Próximo post em 29.12.2011: Quem é Ricardo Teixeira?

Larissa Bona

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Post 101 – O Retorno do Olhar do Brasil


Foto: Facebook

Prezados amigos, é com muita satisfação que retorno ao blog depois de quase um ano ausente devido a muitas atividades extras que assumi durante 2011 e que me tomaram o tempo que eu tinha disponível para escrever, fazendo-me parar exatamente no meu post 100º.

Desta forma, em meu post 101º, retomo as minhas assinaturas quinzenais Olhar do Brasil e História do Brasil às terças-feiras, alternadamente.

Além disso, informo que a cada três semanas, às quintas-feiras, também publicarei uma nova assinatura chamada Rumo ao Maracanã 2014, contando como o Brasil está se preparando para receber um dos dois maiores eventos esportivos do planeta: a Copa do Mundo da FIFA.

E confesso que esta nova assinatura vai ser bastante legal (como dizemos no Brasil) ou gira (como dizem em Portugal), porque antes de qualquer coisa eu sou uma apaixonada pelo futebol, assim como a grande maioria dos brasileiros.

Só que o que eu tenho para contar não passa apenas pela paixão pelo futebol, infelizmente disso é do que menos falarei, pois, parodiando Shakespeare, há algo de podre no “Reino do Futebol”. E então? Ficaram curiosos? Vão ter que esperar até quinta, 08 de dezembro.

Mas retornando ao Olhar do Brasil, eu vi que, em meu último post, fiz uma “pequena” previsão do que seria o governo da Dilma, então queria aproveitar retomada da assinatura para fazer um breve balanço do primeiro ano de governo da primeira mulher Presidente da República Federativa do Brasil.

E a palavra que eu tenho para descrevê-lo é SURPREENDENTE, de uma maneira positiva. Na verdade, eu gosto do estilo da Presidenta, é uma tecnocrata, não é populista como Lula, e tem tentado colocar um pouco de ordem na bagunça herdada.

É fato que o Brasil teve o seu “boom” no governo de Lula, mas, como ele não tinha maioria no Congresso Nacional, institucionalizou a corrupção como modus operandi do seu governo. Isto é, o carisma de Lula que encantava o povo não tinha efeito algum nos políticos, já que estes são, na grande maioria, movidos a poder e dinheiro.

Com isso, nos seus 08 anos de mandato, Lula teve de injetar muito dinheiro no Congresso, acostumando mal os congressistas que, se não ganhavam propinas, ganhavam cargos no governo, ao ponto que o Presidente comprava votos até mesmo dos membros do seu partido, que supostamente deveriam apoiá-lo de graça. E o que era exceção, virou regra.

Já Dilma, que não tem um pingo de carisma e muito menos tolerância para essas politicagens, está promovendo uma faxina geral no seu governo, derrubando um a um os indicados dos partidos aliados que lhe desagradam. Eu até brinco que é o Big Brother Dilma ou então O Aprendiz Brasília, pois toda semana um Ministro é eliminado, de vez que, em 12 meses, 07 Ministros já caíram!

O script é basicamente o mesmo: começam denúncias na imprensa, logo a situação se torna insustentável para o Ministro e Dilma o convida, gentilmente, a pedir demissão.

O último que caiu foi o Ministro do Trabalho e Emprego, neste domingo, apesar de que, por enquanto,  Dilma não queria demiti-lo, já que em 2012 fará uma reforma ministerial, inclusive diminuindo os Ministérios de 38 para 30. 

Vamos acompanhar este reality show super emocionante e quem será demitido próximo ano!

Larissa Bona

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Tragédia no Rio de Janeiro

Prezados leitores, é com muita tristeza que subo o post de hoje, tendo em vista que o tema que abordarei é bastante sombrio: a tragédia na região serrana do Estado do Rio de Janeiro.

Esta foi a maior catástrofe natural que já aconteceu na História do Brasil, de modo que, como no ano passado afirmei que a tomada do Complexo do Alemão e Vila Cruzeiro foi o nosso 11 de setembro, também afirmo que esta foi o nosso Tsunami.

Hoje, completa uma semana que setes cidades da região serrana do Rio de Janeiro foram arrasadas pela chuva, de maneira que já se contabiliza 678 mortos até o presente momento.

São tantos os corpos que já não há condições de mantê-los nos necrotérios para reconhecimento. Desta forma, colhe-se amostras de DNA para posterior reconhecimento e os enterram imediatamente, até porque muitos já estão em estado de decomposição avançados.

Famílias inteiras morreram nesta tragédia e não foram só as pobres – um importante diretor de um banco brasileiro teve sua família dizimada em um deslizamento, de forma que apenas ele, sua mulher e uma filha escaparam, já que pais, três filhos, irmã, sobrinho e cunhado morreram soterrados. Além dos mortos, há muitos desabrigados, órfãos e até mesmo animais abandonados.

A força das águas foi tão grande que os deslizamentos de terra, principalmente de rochas maiores que um automóvel, mudaram o curso de um rio.

Mas o que casou essa tragédia? Fúria da natureza? Omissão do Governo? Culpa da população? Na verdade, neste exato momento, isto não importa, pois a situação é de calamidade pública e, se não se pode prevenir, a única coisa agora a fazer é remediar.

Dilma já visitou a área e o Governo Federal liberou R$ 700 milhões, cerca de 320 milhões de euros, para reerguer a região. Isso sem falar das doações de dinheiro, roupa, remédios, alimentos e água, vindas dos quatro cantos do país e do resto do mundo também – o governo dos Estados Unidos doou US$ 100 mil para o Brasil.

Existem relatos comoventes de tudo isso, como a mulher que foi salva pelos vizinhos minutos antes de sua casa desabar (clique aqui para ver o vídeo), do pai que foi soterrado com filho bebê e que o manteve vivo com saliva (clique aqui para ver o vídeo) ou do cachorro que passou dois dias velando o túmulo de sua dona (clique aqui para ver a reportagem).

Quem quiser fazer doações, para ajudar as vítimas desta terrível tragédia, pode acessar o site da Revista Veja (clique aqui para acessá-lo), pois este traz uma lista de entidades que estão envolvidas no socorro a essas pessoas.

Larissa Bona

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Dilma e o Brasil em 2011

Prezados leitores do Olhar Direito, depois de um pequeno intervalo, volto a escrever sobre o Brasil, neste que será não só o primeiro post de 2011, mas o meu 100º post!

Atendendo a pedidos, tentarei fazer alguma previsão do que será 2011 para o Brasil, que, de antemão, digo que é uma tarefa complicadíssima, principalmente, porque este é um ano de uma grande transição no comando do país.

Deste modo, sai Lula, um presidente popular e que esteve á frente do país no exato momento em que este teve o seu maior crescimento, de maneira que parte considerável da população pobre emergiu para a classe média, e entra Dilma Rousseff, uma gestora rígida, uma tecnocrata, escolhida pelo próprio Lula para sucedê-lo.

Acredito que sob a batuta de Dilma, o Brasil continuará a crescer, disso não tenho dúvida, mas não com o mesmo vigor que cresceu durante os oito anos de Lula.

O governo Lula gastou demais, se endividou demais, e caberá a Dilma fazer o trabalho sujo, que é cortar gastos e colocar as contas do governo em ordem.

Em seu discurso de posse, assistido por Sócrates, Chávez e Hillary Clinton, Dilma deu entender que a propaganda do Brasil das maravilhas, feita por Lula, não era tão verdadeira assim, pois disse que a meta do seu governo é combater a miséria. Mas o Lula não espalha aos quatro ventos que acabou com a miséria?

Dilma também já demonstrou ter um estilo de governar completamente diferente de Lula, mais reservado, pois com pouco mais de 10 dias de governo, ainda não a vi na imprensa.

Enquanto isso, o fantasma de Lula ronda o Planalto, pois ele continua a ser manchete, já que no apagar das luzes, determinou que Battisti não fosse extraditado, causando a ira do governo italiano, e conseguiu que seus filhos e um neto ganhassem passaportes diplomáticos, mesmo sem ter direito, o que causou ira de parte da população esclarecida deste país.

Mas o maior desafio de Dilma não será conviver com o fantasma de Lula, que saiu com a aprovação de 87%, mas sim conseguir governar, de vez que ela dorme com o inimigo, isto é, com o PMDB, o partido de seu vice-presidente, Michel Temer, agora também conhecido como marido de Marcela Temer, beldade de 27 anos, que roubou os holofotes na cerimônia de posse da Presidenta – é assim que Dilma quer ser chamada.

O PMDB, maior partido do Brasil e grande fisiologista, promete dar mais trabalho à Dilma do que a própria oposição, porque sua voracidade por cargos públicos é impressionante e os métodos utilizados para consegui-los são, no mínimo, maquiavélicos.

Vamos acompanhar a saga da Presidenta!

Larissa Bona

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Brasil 2010 - Retrospectiva

Prezados leitores do Olhar Direito, primeiro peço desculpas por não ter postado nada semana passada, com essa correria de deixar todas as obrigações resolvidas antes da chegada do Natal, eu me confundi com datas.

Neste último post do ano, gostaria de fazer uma retrospectiva dos temas que foram abordados nesta coluna, pois 2010 foi um ano com um calendário intenso no Brasil, uma vez que houve dois dos mais importantes acontecimentos para o cidadão brasileiro: a Copa do Mundo e as Eleições para Presidente.

Mas antes disso, tivemos o fiasco das negociações de Lula e Turquia com o Irã para tentar acabar com a querela das armas atômicas no país persa, de modo que tanto o Brasil, quanto os turcos, saíram desmoralizados do episódio.

Mas aí começou a Copa do Mundo do Polvo Profeta e todos os brasileiros esqueceram-se de tudo e todos, porque a nós só interessava ver a seleção canarinho jogar, já que dia de jogo do Brasil era considerado feriado nacional.

Mas, em vez do costumeiro espetáculo, o que vimos foi uma atuação vergonhosa, perdemos de maneira apática e com um time mediano e raivoso. Enquanto isso, o promissor goleiro Bruno e seus amigos aproveitavam para matar Eliza Samudio, porque ele não queria pagar pensão alimentícia de um filho feito em uma noite de orgia.

Em seguida, começa as Eleições Gerais para eleger o Presidente da República, Senadores, Governadores, Deputados Federais e Estaduais.

A campanha, marcada por baixarias entre os candidatos a presidente, com quebras de sigilo fiscal, acusações de tráfico de influencia e até mesmo lesbianismo, brigas sobre aborto e agressões com bolinhas de papel, teve seu maior protagonista um candidato a Deputado Federal: o palhaço Tiririca, eleito com 1,3 milhões de votos, que precisou fazer testes e testes, depois de eleito, para provar que não era analfabeto.

Entretanto, apesar dos testes, que provaram que Tiririca é sim analfabeto, ele foi diplomado Deputado Federal, porque Vox Populi Vox Dei – a voz do povo é a voz de Deus.

Além de Tiririca, outro destaque foi Marina Silva que, surpreendentemente, obteve 20 milhões de votos e forçou o segundo turno da corrida presidencial que resultou na eleição de Dilma Rousseff, a primeira mulher a ser eleita para o cargo de mandatária geral da nação brasileira.

Em 1º de Janeiro de 2011, Dilma Vana Rousseff, ex-guerrilheira, que foi torturada nos porões da ditadura, assumirá o lugar de Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro operário a assumir a Presidência da República e o Presidente com maior popularidade de todos os tempos.

E quando pensávamos que mais nada de importante aconteceria, a União e o Estado do Rio de Janeiro uniram todas as forças para invadir e tomar um território que há muito era do tráfico de drogas: a Vila Cruzeiro e o Complexo do Alemão.

Tivemos um ano realmente agitado em 2010 e nós do Olhar Direito acompanhamos cada acontecimento de perto. Continuaremos fazendo o mesmo em 2011.

Feliz 2011, que este seja um ano super produtivo para todos!

Abraço,

Larissa Bona

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Tropa de Elite 3

No dia 21 de novembro de 2010, iniciou-se, no Rio de Janeiro, uma onda de ataques, que consistia, principalmente, em incêndios a veículos na Cidade Maravilhosa.

E estes ataques não aconteciam nos Morros, mundialmente conhecidos como redutos de narcotraficantes, locais onde o Estado há muito não está presente, mas sim em bairros famosos como Ipanema e Copacabana.

Tais atos foram atribuídos a dois fatores que deixaram os traficantes revoltados: as instalações das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora nas zonas ocupadas por eles) e a transferência de chefões do tráfico para presídios federais.

Duas facções criminosas inimigas, o Comando Vermelho (que surgiu na década de 70, quando misturaram presos comuns com presos políticos, que ensinaram aqueles a se organizar e ADA (Amigos dos Amigos), se uniram para provocar o terror na cidade, a partir de ordens vindas dos presídios e transmitidas por advogados (que vergonha para a classe).

A audácia foi tanta que, após queimarem um ônibus, eles deixaram um bilhete para a polícia com o seguinte teor: “se continuar as UPPs não vai ter Copa e nem Olimpíadas”.

Os ingênuos traficantes acharam que, com isso, intimidariam o Estado, como tantas vezes fizeram no passado, através de governos corruptos que faziam vistas grossas para o problema, mas, desta vez o tiro saiu pela culatra, pois o Estado brasileiro revidou com força total, literalmente.

Homens dos BOPE (que ganhou notoriedade pelos filmes Tropas de Elite 1 e 2), da Polícia Militar, da Polícia Civil, da Polícia Federal, da Polícia Florestal, Exército, Marinha e Aeronáutica, se uniram para invadir a Vila Cruzeira, favela a partir da qual os ataques eram feitos.

O que se viu, quando os blindados da Marinha entraram na Vila Cruzeiro, foi um bando de ratos covardes fugindo, porque eles só eram homens para amedrontar a população indefesa, mas não foram homens o suficiente para enfrentar as conseqüências dos seus atos: a Polícia e as Forças Armadas.

Foi impressionante a cena, transmitida pela imprensa brasileira, mostrando os bandidos fugindo para o Complexo do Alemão, conjunto de favelas próximas a Vila Cruzeiro, que era o quartel-general do Comando Vermelho.

Por conta disso, depois que ocupou a Vila Cruzeiro, as forças brasileiras se voltaram para o Complexo do Alemão, numa prova de que eles não iriam apenas tomar uma atitude pontual para revidar os ataques, mas sim caçar os traficantes, como animais.

No dia 28 de novembro de 2010, as forças brasileiras invadiram o Complexo do Alemão e, em menos de duas horas, foi declarado que aquele conjunto de favelas havia voltado para o controle do Estado, de modo que, uma das cenas mais emocionantes do dia foi quando a Polícia hasteou uma bandeira do Brasil e outra do Rio de Janeiro no ponto mais alto do Complexo do Alemão, coisa quase que impossível de acontecer a algum tempo atrás.

Toda a operação foi como uma operação de guerra, que mexeu com o brio de toda a nação brasileira, principalmente, daqueles que viviam subjugados por traficantes sanguinários – os moradores dessas favelas.

No Twitter as pessoas diziam que os filmes Tropa de Elite 1 e 2 passaram no cinema e o Tropa de Elite 3 passava ao vivo no Rio de Janeiro.

Devo de confessar que foi espetacular e me arrisco a dizer que este foi o nosso 11 de setembro, não só pelo o ocorrido e por ter gerado uma onda de nacionalismo, mas também pela cobertura ao vivo da TV, tudo se passou diante de nossos olhos.

O governo do Estado do Rio de Janeiro declarou que nunca mais sairá destas duas favelas, que no futuro ocupará as demais e deixará o tráfico sem território. Essa será a parte mais complicada da operação.

Larissa Bona

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tiririca sabe ler


Dilma foi eleita, mas a grande atração das Eleições Gerais de 2010 foi o palhaço Tiririca.

Com slogans como “Vote no Tiririca, pior que está não fica”, “Vote no abestado” ou “Você sabe o que um deputado faz? Eu também não sei, mas vote em mim que depois eu te conto”, Tiririca foi o candidato a Deputado Federal mais votado do Brasil, com 1,3 milhões de votos de eleitores paulistas.

Desde o início, o Promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes, indignado com a candidatura e o deboche de Tiririca, começou a buscar formas de impugnar a sua candidatura, até que achou um bom argumento: o que de Tiririca não sabia ler.

A Constituição Federal brasileira é clara ao dizer que analfabetos podem votar, mas não podem ser votados e, com base nisso, o Ministério Público entrou com ação alegando que Tiririca era analfabeto e que a declaração por ele apresentada era falsa, pois um estudo grafotécnico demonstrou que o documento havia sido escrito por outra pessoa.

Tiririca foi submetido a um teste de ditado e leitura pela Justiça Eleitoral, muito embora tenha se recusado a fazer perícia para avaliar a veracidade da declaração fornecida para registro de sua candidatura, pois ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo, nos termos da Constituição Federal (caso fosse comprovada a falsidade do documento, Tiririca estaria incorrendo no crime de falsidade ideológica).

Ele leu dois trechos de reportagem de um jornal e fez um ditado de um trecho de um livro publicado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.

Muito embora o Ministério Público alegue que o desempenho de Tiririca foi terrível, pois não chegou a ler e escrever nem 30% dos textos, e um exame técnico tenha declarado Tiririca como analfabeto funcional, a Justiça Eleitoral se disse satisfeita com o desempenho do candidato, que deve ser diplomado e assumir seu lugar no Congresso Nacional.

O Promotor ainda tentou pedir novo teste de alfabetização, mas o Conselho Nacional do Ministério Público entrou com uma reclamação disciplinar contra ele, sob a alegação de que a forma como está conduzindo o caso não condiz com o papel que o Ministério Público deve desempenhar, pois declarações do Promotor na imprensa demonstram que a perseguição a Tiririca tornou-se algo pessoal.

Pessoalmente, acredito que, de fato, o Promotor apenas se desgasta quando segue nessa cruzada contra Tiririca, porque, querendo ou não, ele foi eleito com 1,3 milhões de votos, muito mais do que Plínio Arruda Sampaio, quarto lugar na corrida presidencial.

Se Tiririca era analfabeto, cabia à Justiça Eleitoral e o próprio Ministério Público haver averiguado isso quando do registro da sua candidatura, não depois de eleito.

Aliás, a eleição de Tiririca demonstra não somente como a classe política está com a imagem desgastada diante do eleitor brasileiro, mas também a falência do nosso sistema eleitoral, com votos proporcionais, uma vez que o pior de Tiririca não é ser analfabeto, mas sim a sua enxurrada de votos ter eleito pessoa como Valdemar Costa Neto, ex-deputado que perdeu o cargo em um escândalo de corrupção.

Larissa Bona

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Brasil: Sul x Nordeste


A vitória de Dilma Rousseff no 2º Turno das Eleições Gerais causou um fenômeno inesperado na internet: embate regionalista entre brasileiros do sul/sudeste e brasileiros do norte/nordeste no Twitter.

Tudo começou quando uma garota de São Paulo, chamada Mayara Petruso, inconformada com a eleição de Dilma, cuja vitória creditou à população nordestina, postou um twit que dizia: “Nordestisto [sic] não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!” Isso foi o suficiente para reacender uma rivalidade que sempre existiu.

A colonização do Brasil, que era uma colonização de exploração, iniciou-se no nordeste brasileiro, no sentido norte/sul. A princípio, o nordeste era a região mais rica da colônia, baseada no cultivo da cana-de-açúcar.

Com a descoberta do ouro em Minas Gerais e o declínio da produção de cana-de-açúcar, o eixo econômico do país desceu para o sul/sudeste e se fixou aí, de vez, com o cultivo do café em São Paulo.

Depois disso, houve a abolição da escravatura, de modo que os negros foram libertos e os “barões do café” passaram incentivar a vinda de imigrantes europeus, principalmente, italianos, para trabalhar nas lavouras de café.

Muitos imigrantes de origem alemã e italiana também migraram para os Estados da região Sul (Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina), mas, diferentemente da colonização no nordeste, a colonização no sul tinha caráter de povoamento e não de mera exploração.

O certo é que, por conta desses fatores históricos, aliados ao fato que a maioria dos investimentos públicos sempre foi feitos nas regiões sul/sudeste, até porque grande parte dos presidentes brasileiros vem dessas regiões, o sul/sudeste do Brasil tornou-se mais desenvolvido do que o norte/nordeste, que foi esquecido pelos governantes e converteu-se na região mais pobre do país, com realidades semelhantes às africanas.

Por isso, como a arrecadação de impostos é substancialmente maior no sul/sudeste, uma vez que é lá que se concentra a indústria do país, alguns dos originários dessa região alegam que o sul/sudeste sustenta os “vagabundos” do norte/nordeste.

Por outro lado, eles se esquecem que o sucesso do desenvolvimento dos Estados do sul/sudeste se deu, principalmente, em virtude da mão-de-obra nordestina que, especialmente no século XX, migrou em massa para o sul e sudeste, e foi exaustivamente explorada. Por exemplo, a construção de Brasília foi feita por mão-de-obra praticamente 100% nordestina.

Mas o que a eleição de Dilma tem a ver com isso? Bom, durante o governo Lula, o governo federal compilou vários programas assistencialistas do governo FHC, como Bolsa Escola, Vale Gás e etc. em um único programa, o Bolsa Família.

O Bolsa Família dá um valor mensal (que varia entre 30€ a 85€ mensais) para as famílias miseráveis, que são aquelas com renda mensal de até 60€ por membro da família.

Como no nordeste se concentra a população mais pobre do país, é obvio que a maioria beneficiada pelo programa mora nesta região, muito embora se deva ressaltar que o programa beneficia famílias em todas as regiões do Brasil, inclusive do sul/sudeste.

Neste sentido, a briga pós-eleição tem por base o raciocínio de que Lula comprou os votos dos nordestinos com o Bolsa Família e que, por isso, Dilma teve votação maciça no nordeste.

Só que, como o Bolsa Família é pago com verba pública, algumas pessoas do sul/sudeste, principalmente aqueles que votaram em José Serra, alegam que estão sustentando os nordestinos com os impostos que pagam, enquanto estes são vagabundos e não trabalham só para receber o Bolsa Família.

Entretanto, isso é mera falácia, pois mesmo que os votos de todo o norte/nordeste tivessem sido anulados, Dilma teria sido eleita no sul/sudeste, da mesma maneira.

Eu sou nordestina, eleitora de Serra e não concordo muito com o Bolsa Família, não porque seja contra que o governo ajude os mais pobres, até porque existem pessoas que sem essa ajuda morreriam de fome, mas porque o governo federal não toma iniciativas para dar condições às novas gerações de sobreviver sem a ajuda estatal, ou seja, não trata o Bolsa Família como uma medida emergencial, mas sim definitiva.

Mas isso não significa que o povo nordestino seja vagabundo, até porque o suor que levantou este país é predominantemente nordestino. Os nordestinos são os grandes beneficiados pelo Bolsa Família, porque por séculos sempre foram preteridos.

A Ordem dos Advogados do Brasil do Estado de Pernambuco (no nordeste) entrou com representação criminal contra Mayara Petruso por crime de racismo e incitação a crime de homicídio.
Larissa Bona

terça-feira, 27 de julho de 2010

Eleições Gerais no Brasil: o Presidente da República

Gabinete do Presidente da República Federativa do Brasil, situado no terceiro piso do Palácio do Planalto, em Brasília - DF

Como bem sabemos, este ano teremos Eleições Gerais no Brasil, na qual o povo brasileiro irá às urnas em 03 de outubro para escolher o sucessor de Lula, os governadores de cada Estado, os deputados federais e estaduais, bem como renovar dois terços do Senado Federal.

Conforme prometido, faremos a cobertura dessas eleições aqui no Olhar Direito e hoje damos inicio à mesma.

Vamos, ainda, explicar a dinâmica das eleições brasileiras, as regras aplicáveis, as urnas eletrônicas, como é feita a apuração, como são feitos os cálculos para determinar os eleitos, os resultados das pesquisas, notícias e etc.

Obviamente, pelo fato do Brasil ter vinte e sete Estados, não poderemos acompanhar de perto as eleições no nível estadual, todavia daremos algumas informações a respeito dos candidatos dos principais Estados, de modo que nos concentraremos na corrida presidencial.

E a primeira coisa falar sobre a disputa pelo cargo de mandatário geral nação é o que ele significa e quais as atribuições do Presidente da República Federativa do Brasil.

Desde 15 de novembro de 1889, o Brasil é uma República e desde a primeira Constituição Republicana – 24 de fevereiro de 1891 – que o país adota o presidencialismo.

O Presidente da República é o chefe de governo e chefe de Estado do Brasil e o ocupante deste cargo não é apenas o homem/mulher mais poderoso do país, senão de toda a América Latina.

Para que uma pessoa possa candidatar-se a este cargo é preciso que, nos termos do art. 14 da Constituição Federal, seja brasileiro nato, tenha pleno exercício dos seus direitos políticos, tenha domicilio eleitoral no Brasil, seja filiado a um partido e tenha a idade mínima de 35 anos.

As suas atribuições são determinadas pelo art. 84 da Constituição Federal que diz que, dentre outras funções, cabe ao Presidente:

1. Nomear e exonerar os Ministros de Estado;

2. Exercer a direção superior da administração federal;

3. Sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;

4. Vetar, total ou parcialmente, projetos de lei;

5. Manter relações com Estados estrangeiros;

6. Celebrar tratados, convenções e atos internacionais;

7. Exercer o comando supremo das Forças Armadas;

8. Nomear os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, o Procurador-Geral da República, o presidente e diretores do Banco Central do Brasil;

9. Declarar guerra;

10. Celebrar a paz;

11. Editar medidas provisórias, com força de lei.

O Presidente da República é eleito através do voto direto, em um ou em dois turnos, dependendo da porcentagem de votos recebida pelo candidato mais votado, para o mandato de quatro anos, podendo reeleger-se uma vez para mais quatro anos. Atualmente, dez candidatos disputam a oportunidade de suceder o carismático Luiz Inácio “Lula” da Silva, cujo segundo mandato encerra-se em 31 de dezembro de 2010, razão pela qual não pode concorrer.

Neste sentido, por ordem alfabética, são candidatos à Presidência da República: 1. Américo de Souza (PSL);

2. Dilma Rousseff (PT);

3. Ivan Pinheiro (PCB);

4. José Maria Eymael (PSDC);

5. José Serra (PSDB);

6. Levy Fidélix (PRTB);

7. Marina Silva (PV);

8. Plínio Sampaio (PSOL);

9. Rui Pimenta (PCO);

10. Zé Maria (PSTU).

Entretanto, dos supracitados candidatos, os únicos com chances reais de ocupar o cargo de Lula são José Serra, que é o principal candidato de oposição, e Dilma Rousseff, do mesmo partido do Presidente e sua candidata.

Vale ressaltar que Marina Silva, ex-PT e agora filiada ao PV, é preferida por uma parcela considerável do eleitorado, muito embora a sua colocação nas pesquisas demonstre que ela não ameaça a disputa polarizada entre Serra e Dilma, o que significa que o seu apoio, em um provável segundo turno entre estes candidatos, seria algo importante. No próximo post, vamos começar trazer a biografia, de todos os candidatos à presidência, claro que dando ênfase à Serra, Dilma e Marina.

Larissa Bona

terça-feira, 13 de julho de 2010

O Brasil pós-Copa do Mundo

Primeiro, gostaria de me desculpar com todos os leitores por não haver postado a História do Brasil semana passada. Tive emergências no trabalho que me impossibilitaram de escrever o que fosse, nem para comentar sobre a Copa.

Aliás, parabéns Espanha, torci pelo seu time, pelo fato de que são latinos e derrotaram quem nos tirou da Copa. Falando nisso, sempre quem tira o Brasil da Copa, vira vice-campeão, vide França em 2006. Será isso uma maldição brasileira?

Não sei se vocês já se deram conta, mas a minha postagem semanal sobre o Brasil tornou-se quinzenal.

Isso acontece porque, felizmente, estou na reta final de minha pós-graduação em Direito Internacional e estou a desenvolver o meu trabalho de conclusão de curso: a tão temível e chata monografia. Em outubro, depois que entregar e defender esta bendita, regresso à periodicidade semanal.

Infelizmente, acabou a Copa, mas começaram as eleições gerais e esse será o principal assunto a ser tratado, de agora em diante, não só por meus posts, mas também por toda a imprensa brasileira. Nós do Olhar Direito vamos tentar fazer uma cobertura especial a respeito.

Contudo, por enquanto, a imprensa continua a ignorar a corrida presidencial porque um assunto, também ligado ao futebol, estarrece todo o Brasil.

E não se trata da escolha do novo técnico, cargo ao qual Felipão é o favorito, mas sim do seqüestro e assassinato de Eliza Samudio (alguns dizem que era uma atriz pornô) por Bruno Fernandes que é, nada mais nada menos que, goleiro do time de maior torcida no Brasil, o Flamengo.

A história é basicamente a seguinte: Eliza era amante de Bruno, que é casado, e engravidou.

Depois que o bebê nasceu, Eliza começou a cobrar alimentos e reconhecimento de paternidade a Bruno. Este, por sua vez, em vez de resolver este problema na Justiça, decidiu, junto com um grupo de amigos, seqüestrar e matar Eliza e foi o que fizeram.

Eles a levaram ao sítio de Bruno, a deixaram em cárcere privado, espancaram e depois a levaram para um sítio de um ex-policial que a matou, esquartejou e deu seus restos mortais para os cachorros comerem. Até o presente momento, o corpo não foi encontrado.

Bruno, que era uma grande promessa do esporte e potencial substituto de Júlio César, está preso em um presídio de Minas Gerais. E sabe qual a maior preocupação dele? Que ele não vai disputar a Copa de 2014 no Brasil. Enquanto isso, o circo da mídia está armado.

Larissa Bona

terça-feira, 15 de junho de 2010

Coração verde e amarelo: Brasil rumo ao Hexa!


"Na torcida são 200 milhões de treinadores.
Cada um já escalou a seleção.
O verde e o amarelo são as cores que a gente pinta no coração.
A galera vibra, canta, se agita.
E unida grita é HEXACAMPEÃO.
O toque de bola é nossa escola, nossa maior tradição.
Eu sei que vou, vou do jeito que sei.
De gol em gol, com direito a “replay”.
Eu sei que vou, com o coração batendo a mil.
É taça na raça Brasil!"

(Letra de Coração Verde e Amarelo)



Hoje a festa da Copa do Mundo começa de verdade, pois é o dia que o samba vai começar a tocar na África!

As imagens acima mostram o porquê de sermos 05 vezes campões do mundo. Querendo ou não, somos um celeiro de craques, que criou e pratica o famoso “Jogo Bonito”.

Entretanto, essa não é a única razão pela qual o Brasil é o grande vencedor das Copas do Mundo.

Um fator que ninguém considera, mas que é de suma importância, é a torcida brasileira. Somos apaixonados, somos viscerais, somos fanáticos, como se o futebol fosse uma religião.

Hoje o Brasil, que já está pintado de verde e amarelo nas ruas, nos carros, nas pessoas, vai parar (empresas e bancos vão fechar) para assistir a estréia da seleção. Acho que nenhum outro país se dá ao luxo de paralisar-se por amor ao futebol.

Não sei o que mais bonito, a Copa aqui ou na África!

Força Brasil! Traz essa taça de volta para o lugar que ela pertence: aqui!

Larissa Bona

PS: Como somos festeiros, também gostamos de fado e dos nossos patrícios! Avante Portugal!

terça-feira, 1 de junho de 2010

A Copa do Mundo e a economia...

Logomarca da Copa de 2014

Prezados leitores, estamos há 10 dias da Copa do Mundo e nada mais interessante do que falar sobre o aquecimento que um torneio como este traz à economia do país.

Portanto, vocês devem de estar a pensar: mas Larissa, a Copa do Mundo não é na África do Sul? E você não é o membro da equipe do Olhar Direito que escreve sobre o Brasil? Então, porque você vai falar sobre o aquecimento da economia do país, se a Copa não é no Brasil? Acho que você se enganou...

Pois bem leitores, não estou a enlouquecer, a Copa é sim na África do Sul, mas vou falar da economia do Brasil durante a Copa.

Como vocês bem sabem, somos mais de 200 milhões de fanáticos obcecados por futebol e a Copa do Mundo é o evento mais importante do universo para nós.

Não importa onde seja a Copa, quando ela começa ou está prestes a começar, a economia do Brasil se aquece, guardadas as proporções obviamente, tal como se o evento aqui fosse.

Começa-se uma busca incessante e desesperada por itens verde e amarelo, sem sequer sabermos para que serve. Contanto que seja verde e amarelo está tudo bem.

Eu me dei conta disso em uma reportagem que saiu hoje no Bom Dia Brasil, cujo o vídeo coloco neste post para que vocês tenham idéia da nossa voracidade pela Copa do Mundo e o que ela representa.

Viram como somos meio loucos? Faltam apenas 10 dias para a Copa e meu coração, assim como o de muitos, já começa a bater acelerado... Ah, e a minha camisa verde e amarela, também já comprei.

Larissa Bona

PS: A logomarca da Copa de 2014 foi escolhida por um grupo de notáveis brasileiros como Paulo Coelho, Gisele Bündchen, Ivete Sangalo e Oscar Niemeyer. Deve ser oficialmente apresentada pela Fifa em cerimônia em 8 de julho de 2010.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Encontro da Indústria com os Presidenciáveis

Em poucos minutos iniciará a sabatina dos três principais candidatos a presidência do Brasil - o ex-governador de São Paulo José Serra do PSDB, a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff do PT e a senadora Marina Silva do PV – junto a CNI (Confederação Nacional da Indústria) em um evento denominado “Encontro da Indústria com os Presidenciáveis”.

O evento contará com a presença de representantes do setor industrial brasileiro e será mediado pelo jornalista Fernando Rodrigues (Folha de São Paulo e UOL Noticias).

A sabatina funcionará da seguinte maneira:

1. Será feita uma apresentação de 50 minutos pela CNI, onde os industriais apresentarão as suas propostas para os três presidenciáveis (Clique aqui para ler a pauta de propostas da CNI);
2. Finda a apresentação, haverá um sorteio para escolher a ordem de exposição dos pré-candidatos;
3. Uma vez estabelecida a seqüência, o primeiro presidenciável exporá suas idéias, sendo que os dois demais se retirarão para uma sala reservada;
4. Cada pré-candidato terá 25 minutos para expor, mais 15 minutos para responder até três questões feitas por empresários e 50 minutos para uma coletiva de imprensa;
5. Enquanto o primeiro pré-candidato estiver na coletiva de imprensa, o segundo presidenciável vai ao auditório para os seus 25 minutos de exposição e 15 minutos para responder perguntas, enquanto o terceiro pré-candidato esperará sua vez na sala reservada.

Quem quiser acompanhar o evento pela internet, coloco dois links através dos quais poderão acompanhar e amanhã, em comentários, colocarei minhas impressões:

UOL - http://noticias.uol.com.br/aovivo/

TERRA - http://noticiasaovivo.terra.com.br/noticias/eleicoes2010/367-br/

Larissa Bona

terça-feira, 18 de maio de 2010

Acordo nuclear: Brasil, Irã e Turquia - Sucesso ou Engodo?

Acredito que o assunto do meu post de hoje não poderia ser mais previsível: o acordo nuclear firmado entre Brasil, Irã e Turquia.

Em mais uma tentativa de conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU para o Brasil, Lula fiou-se em seu carisma internacional para tentar convencer o Irã a não enriquecer urânio em seu território e, assim, buscar uma saída pacífica para o impasse que estava a ponto de culminar em uma sanção do referido Conselho de Segurança.

Os Estados Unidos viram a iniciativa do Brasil como a última chance que eles dariam ao Irã antes de movimentar-se no sentido de promover sanções contra o país dos aiatolás.

Entretanto, percebiam e continuam percebendo esta tentativa como algo sem credibilidade.

O certo é que ontem foi anunciado que Ahmadinejad concordou em enriquecer o seu urânio na Turquia, país que, embora tenha atuado como coadjuvante na construção do acordo, tinha interesse em participar do mesmo, com a finalidade de aumentar sua influência no mundo islâmico e, conseqüentemente, firmar o seu papel de principal interlocutor entre o oriente e o ocidente, afinal de contas, isso seria perfeito para quem almeja fazer parte da UE.

O aludido acordo prevê que o Irã entregue 1.2 toneladas de urânio à Turquia, enriquecido a 3.5%, e um ano depois receba 120 kg de urânio, enriquecido a 20%, advindos da França e da Rússia, para que pudesse ser utilizado para fins pacíficos.

O problema é que após a divulgação do acordo, Teerã emitiu comunicado no qual diz que o país continuará a enriquecer urânio a 20% em seu território. E aqui neste ponto, confesso a todos os leitores que não entendi nada!

E a respeito disso, li opiniões de vários especialistas, muitas contraditórias, mas coerentes com a localização geográfica de cada um desses especialistas.

Por exemplo, segundo o professor de Relações Internacionais e diretor de estudos iranianos da Universidade de Stanford (EUA), Abbas Milani, os esforços do Brasil são válidos, contudo o país sofrerá perdas futuras se continuar próximo do regime de Ahmadinejad.

Já o analista da Universidade Teerã (Irã), Mohammad Marandi, entende que Lula calou a boca do ocidente, principalmente dos Estados Unidos, uma vez que considera que Hillary Clinton menosprezou os esforços brasileiros e turcos.

Concordo com o jornalista brasileiro Luiz Felipe de Alencastro, cujo vídeo no qual expõe a sua opinião coloquei neste post.

Não se pode dizer que foi uma vitória, temos de esperar o desenrolar dos fatos e, principalmente, o comportamento de Teerã. Todavia, não se deve descartar o mérito do acordo, por completo, pois Brasil e Turquia conseguiram que o Irã voltasse à mesa de negociações.

Em minha opinião, este acordo não é uma solução, mas representa um primeiro passo. Ponto para o Lula, pois hoje a China manifestou-se favorável ao acordo, rompendo o ceticismo que reina no Conselho de Segurança da ONU.

Larissa Bona

terça-feira, 11 de maio de 2010

Hoje é o grande dia!

Hoje é o grande dia! Às 13h todo o Brasil vai parar para acompanhar um dos eventos mais relevantes do ano!

E vocês que pensam que é alguma coisa relacionada com as importantíssimas eleições gerais de outubro, estão rotundamente enganados! Há algo mais importante do que isso: A CONVOCAÇÃO DOS 23 QUE VÃO PARA A COPA!

Não se enganem, no Brasil não se falará de política enquanto a Copa do Mundo não acabar! Serra e Dilma sabem disso!

Portanto, o alvo das atenções da nação será o tetracampeão do mundo e atual técnico da seleção canarinha, o Sr. Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga.

Dunga ficou estigmatizado pela derrota na Copa de 1990, uma vez que a imprensa classificou a forma feia com a qual jogamos naquele mundial de “Era Dunga”.

Mas em 1994, ele se redimiu e foi o capitão que levantou a taça do tetracampeonato.

Em 2006, após o vexame na Alemanha, Dunga assumiu o comando da seleção, sem nunca haver sido técnico de qualquer outro time.

Entretanto, sob sua batuta, ganhamos a Copa América de 2007 e a Copa das Confederações em 2009, fomos bronze nos Jogos Olímpicos de 2008 e primeiros colocados nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010.

Hoje, ele convocará os 23 que farão parte do time que o Brasil enviará para a África do Sul.

É obvio que alguns nomes são certos para compor o plantel, como o goleiro Júlio Cesar (Inter de Milão); os laterais Maicon (Inter de Milão) e Daniel Alves (Barcelona); os zagueiros Lúcio (Inter de Milão e provável capitão da seleção), Juan (Roma) e Luisão (Benfica); os volantes Gilberto Silva (Panathinaikos), Felipe Melo (Juventus), Josué (Wolfsburg); os meias Kaká (Real Madrid e forte candidato a melhor jogador do mundial, junto com Messi e Cristiano Ronaldo), Elano (Galatasaray), Ramires (Benfica), Júlio Baptista (Roma); os atacantes Robinho (Santos, também conhecido como tri-atleta: corre, pedala e NADA) e Luís Fabiano (Sevilla).

Contudo, ainda sobram algumas vagas e a especulação para saber quem as ocupará é grande.

Faltam pelo menos quatro posições a serem ocupadas: o goleiro reserva (Doni e Gomes brigam pela vaga), uma quarta vaga de zagueiro (está entre Thiago Silva e Miranda), o lateral esquerdo (a dúvida é entre Michel Bastos e Gilberto) e um atacante (Nilmar ou Adriano, sendo que prefiro Nilmar, pois o Adriano é desequilibrado emocionalmente).

Isso tudo sem falar no lobby para que os garotos Paulo Henrique Ganso e Neymar, ambos jogadores do Santos também façam parte do time que vai para a África do Sul.

Outro que parece ressurgir das cinzas e poderá tanto ser o azarão desta convocação, ou assistir a Copa pela televisão, é Ronaldinho Gaúcho, que vinha jogando mal, mas nos últimos tempos tem apresentado um futebol que faz jus aos dois prêmios de melhor do mundo que ele ganhou (2004-2005).

O certo é que daqui para as 13h da tarde (17h em Portugal), todos nós ficaremos sem unhas, pela a ansiedade de saber quem vai ser o time que tentará conquistar a nossa sexta Copa do Mundo!

Larissa Bona

Share Button