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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Brasil sem acordo para o futuro

A instabilidade social e política que se vive no Brasil após a reeleição de Dilma Rousseff deve ser para continuar porque dificilmente haverá acordo entre a Presidente e Aécio Neves. Nenhum dos dois parece estar disposto a abdicar da sua estratégia para chegar a um consenso. 
Neste momento Dilma não quer dar nada pelo que Aécio não pode fazer qualquer exigência. A tarefa do ex-governador de Minas Gerais fica mais difícil porque 4 anos na oposição é muito tempo e há vários candidatos ao seu lugar. Ou seja, em primeiro lugar deve ocorrer uma reflexão interna no Partido da Social-Democracia Brasileiro antes de se avançar para um candidato em 2018.

Eu percebo a vontade e ânsia de Aécio Neves em querer fazer parte da solução nos próximos tempos. A margem foi tão pequena que dá o direito ao tucano de sonhar. No entanto, em democracia quem fica com o poder são os que ganham. No caso do Brasil também vai ser assim. É uma pena porque Aécio Neves parecia ter qualidade para ocupar o Palácio do Planalto. A única esperança do tucano é que haja uma questão "tipo" Watergate que leve ao impeachment de Dilma. Neste caso Aécio tinha hipóteses? Talvez, mas acho que o Partido dos Trabalhadores tem um domínio bastante acentuado nos meios de comunicação social, grupos económicos e propaganda. 

Cabe a Aécio Neves fazer uma oposição responsável e coerente com aquilo que foi durante a campanha eleitoral para as recentes presidenciais. Dessa forma poderá alimentar a esperança que lhe foi retirada por tão pouco....

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O que preocupa os brasileiros

A poucos dias dos brasileiros irem pela segunda vez às urnas é preciso fazer uma reflexão sobre o que deve mudar quando o próximo presidente tomar posse. 

Embora o governo Dilma Rousseff tenha tirado da pobreza mais de 22 milhões de pessoas ainda há muito a fazer, sobretudo em matéria de segurança e educação. No Brasil estes dois factores não têm permitido que o crescimento económico seja sustentado, pelo que tanto Dilma ou Aécio terão de trabalhar nestes aspectos. 

De facto, se a educação não for uma aposta do governo isso vai gerar desigualdades sociais no país que depois têm como consequência a falta de segurança. Mas não é só. Também burocracia e as condições de alguns equipamentos estão a ser colocados a nu pela imprensa internacional ao mesmo tempo que corre a campanha para a segunda volta das presidenciais. 

É curioso verificar que os dois candidatos não têm abordado estes problemas nos debates que têm realizado, preferindo ocupar grande parte do tempo a falar sobre o caso Petrobras. É óbvio que a corrupção no Estado preocupa qualquer cidadão deste mundo, mas há problemas mais importantes que os brasileiros querem ver resolvidos a partir de segunda-feira. 

A criação da recente delegação inter-parlamentar entre o Parlamento Europeu e as instituições brasileiras pode ajudar a desenvolver alguns dos problemas que mais inquieta a sociedade brasileira. 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Taco a taco


Entramos na última semana de campanha da segunda volta das presidenciais brasileiras e as sondagens revelam que Dilma e Aécio estão empatados, sendo previsível que a eleição no Domingo seja uma das mais renhidas de sempre. Ou não. Nestas coisas das sondagens o número final acaba por ser diferente. Veja-se que durante semanas Marina Silva tinha a eleição garantida. No entanto, os dois actuais candidatos estão têm estado muito perto desde que decorreu a primeira volta do escrutínio. 

Tal como acontece em Portugal, no Brasil os debates têm sido pouco esclarecedores e a única coisa que passa cá para fora são os ataques pessoais. Isso não é sinal da fraca qualidade dos concorrentes porque tanto Dilma como Aécio são políticos qualificados que têm servido da melhor maneira a administração pública brasileira. 

Na agenda mediática continua o caso Petrobras com Dilma e o seu partido a serem acusados de favorecimentos e tráfico de influências. Com isso pode muito Aécio Neves que tem mantido uma excelente postura ao longo de toda a campanha. 

Neste primeiro dia da última semana de campanha regista-se o debate, as sondagens e uma reviravolta surpreendente. Os principais líderes da Igreja Evangélica tornaram público o apoio ao social-democrata. Em 2010 as mesmas figuras ajudaram Dilma na obtenção da vitória. Após a socialista Marina Silva ter dito que iria votar em Aécio, eis mais um importante suporte para aquele que tem sido uma revelação em todo o processo eleitoral brasileiro. 

domingo, 12 de outubro de 2014

De baixo para o Palácio do Planalto

À hora que escrevo a socialista Marina Silva confirmou o apoio a Aécio Neves. O candidato social-democrata conta com mais poder para enfrentar as últimas duas semanas de campanha eleitoral. No final desta semana surgiram sondagens em que davam Aécio Neves à frente de Dilma Rousseff, apesar de esta ter ganho a primeira volta com bastante margem sobre o segundo classificado. No entanto, em poucos dias tudo mudou. 

A razão desta mudança pode surpreender muitos analistas internacionais, mas os brasileiros já esperavam que Aécio conquistasse popularidade porque desde o final do Mundial que o candidato tem vindo a ganhar pontos. Neste momento a escolha é entre a continuidade e a mudança, sendo que o único rosto da alternativa é Aécio Neves. 

Na campanha da primeira volta muito se falou da influência de Marina Silva, mas não. Como se viu seria sempre o social-democrata a esperança dos brasileiros descontentes com a governação Dilma. 

Neste momento a actual presidente tem a seu favor as políticas sociais que implementou bem como o crescimento económico alcançado pelo Brasil nos últimos. O problema é que as questões de corrupção envolvendo o Partido dos Trabalhadores e a Petrobras voltaram a ser notícia no final desta semana. Isso pode ser uma vantagem para Aécio que tem estado muito bem nos debates e passa uma mensagem positiva para a opinião pública. E agora conta com o apoio formal de Marina Silva. 

Nas próximas duas semanas as sondagens vão dar quase um empate técnico pelo que será difícil fazer um prognóstico quanto ao vencedor de dia 26. No entanto, a gradual subida de Aécio Neves mostra que em política é possível começar de baixo e acabar por cima. Até nas sondagens. 
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