terça-feira, 7 de maio de 2019

António Costa tem de sair caso não alcançe a maioria absoluta

A jogada política de António Costa tem tudo para correr bem, embora seja algo arriscada. Contudo, um eventual fracasso precisa de ter consequências para o líder socialista e Primeiro-Ministro.

A maioria absoluta só pode ser alcançada através do discurso da vitimização, já que, nos últimos meses a governação sofreu um desgaste, nomeadamente com a divulgação de várias nomeações relacionadas com os graus de parentesco de membros do executivo. 

O triunfo mínimo nas europeias também coloca em causa a capacidade de Costa, mas reforça a convicção de Rui Rio que é possível vencer as legislativas. 

A margem de manobra do governo seria bastante diminuta nos próximos meses em que todos vão estar em campanha eleitoral, particularmente os partidos que fizeram parte da geringonça.

A necessidade do líder socialista arranjar um discurso semelhante ao de Sócrates em 2011 após o chumbo do PEC IV na Assembleia da República, é a única maneira de chamar os eleitores que costumam navegar no centro. 

O PS dificilmente consegue governar mais uma legislatura em minoria, pelo que, vai precisar de mais aliados. O PCP não entra em novas aventuras e a força do BE pode ser insuficiente para chegar à maioria absoluta. O CDS não faz parte das contas, enquanto o PSD precisa de fazer um referendo interno com o objectivo de saber em que medida contribui para a estabilidade nacional. 

Neste enredo político, o papel do Presidente da República vai ganhar relevância, mas António Costa não pode ser visto como alguém que falhou pela segunda vez em termos estratégicos. Os socialistas dificilmente aceitam que haja mais falhanços devido a questões pessoais. Um governo de minoria nunca chegaria ao fim.

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