terça-feira, 16 de outubro de 2018

Uma remodelação no tempo oportuno

A recente remodelação governamental operada por António Costa surge numa boa altura em termos eleitorais porque transmite a sensação de mudança. Qualquer alteração é sempre encarada com bons olhos, mesmo que o futuro confirme os aspectos negativos da opção. Contudo, o calendário eleitoral não permite efectuar grandes avaliações sobre os novos ministros. 

A estratégia do Primeiro-Ministro resulta porque aqueles que foram substituídos estavam a ser demasiado atacados pela oposição, nomeadamente o Ministro da Defesa. Em menos de 12 meses, não haverá espaço para as novas caras serem confrontadas com polémicas, embora possam ser relacionadas com o mau trabalho das lideranças anteriores. 

A coragem do líder do governo em mexer em pastas importantes é enorme, já que, poderia ser entendido como uma forma de ceder às pressões dos partidos da oposição. A saída de Azeredo Lopes é sintomático da cedência política, mas tendo em conta que houve outras mudanças não pode ser festejado como uma vitória da Direita. 

A mudança de caras não significa que o rumo será diferente em menos de 365 dias. Na véspera de eleições legislativas, Costa assume a condução da política governativa. Ou seja, pretende ser o rosto de todos os problemas que surgirem até ao acto eleitoral para evitar que o desgaste do governo afecte a campanha que se vai iniciar antes do prazo legalmente estabelecido. O líder do executivo acredita que o Partido Socialista pode subir nas intenções de voto se transmitir uma imagem de liderança numa altura em que se questiona a capacidade de Rui Rio continuar à frente dos destinos do Partido Social-Democrata. 

A ascensão de António Costa à liderança do executivo foi marcada por várias jogadas políticas, pelo que, não espanta que se notem mais episódios com cariz táctico nos próximos tempos.

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