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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Theresa May pretende criar mais um confronto com Bruxelas através de Westminster

O ultimato de Theresa May aos deputados britânicos não é aceitável, tendo em conta a fragilidade política em que se encontra. Em primeiro lugar porque a maioria parlamentar não é suficiente para a manter na liderança do governo a todo o custo. Em segundo, conta com uma grande oposição na bancada conservadora, mesmo relativamente aos assuntos fora do Brexit. Por fim, a postura adoptada impede que os cidadãos se pronunciem sobre o documento. 

Durante todo o processo, a Primeira-Ministra mostrou alguma abertura para dialogar, embora nem sempre pudesse satisfazer todas as reinvindicações por causa das dificuldades colocadas pelos eurocépticos conservadores liderados por Boris Johnson. As constantes mudanças entre o Soft e o Hard Brexit serviram apenas para despistar o público, os deputados e os parceiros europeus porque na cabeça de Theresa May só havia um plano. 

Não consigo encontrar pontos positivos em mais uma decisão semelhante à tomada no início de 2017 que colocou o Partido Conservador numa situação de fragilidade perante a perda de controlo do Parlamento. Caso o tiro saia novamente ao lado as consequências serão maiores para o governo, mas também no resto do partido. 

Os avisos são uma chamada de atenção no plano interno, embora o principal alvo sejam os dirigentes europeus. Theresa May procura uma posição junto de Bruxelas, pelo que, precisa de contar com o apoio de todos, nem que seja à força para mostrar que a união será decisiva no acordo final. Na eventualidade do documento passar pela aprovação da Câmara dos Comuns e pelas instituições europeias inicia-se um novo capítulo na história do Reino Unido.

A firmeza com Bruxelas, que pode ser aplaudida nos círculos mais íntimos dos conservadores, vai ser esquecida rapidamente por causa dos jogos de bastidores para tentar derrubar a líder do governo. 

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