segunda-feira, 4 de junho de 2018

Os maus ventos políticos de Espanha

A queda de Mariano Rajoy como líder do governo espanhol estava anunciada desde Outubro. A forma como geriu a crise na Catalunha foi a última gota num mar de problemas que colocavam em causa a autoridade política. 

As vitórias nas duas últimas legislativas possibilitaram a legitimidade de chefiar o executivo, embora sem grande apoio parlamentar. O Ciudadanos nunca confiou no líder do Partido Popular, além de se mostrar independente de acordos ou negociações contrárias aos valores que defendem. 

A interpretação demasiada restritiva da lei para impedir o golpe separatista na Catalunha acaba por ditar a morte política do governo popular em Espanha. As eleições regionais provaram que a população se sentia magoada com o primeiro-ministro, mesmo não sendo apoiantes dos partidos nacionalistas. 

A problemática catalã continua na agenda, embora com novos rostos devido ao exílio de Puigdemont e à demissão de Mariano Rajoy. 

Não acredito que o novo chefe do governo, Pedro Sánchez, tenha capacidade para aguentar o barco, sendo previsível que se realizem eleições no início do próximo ano, onde o Ciudadanos pode conquistar a primeira vitória eleitoral em todo o país. Contudo, ao contrário do que sucede na Catalunha, terão condições para governar. O líder do PSOE também não apresenta uma visão clara sobre o que pretende para a região catalã.

Devido à actual agitação, o primeiro encontro político entre Madrid e Barcelona só deverá acontecer em 2019 numa altura em que as tempestades estejam terminadas.

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