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quinta-feira, 14 de junho de 2018

Áustria e Itália apertam o cerco às políticas migratórias europeias

As novas políticas migratórias na Áustria e em Itália podem condicionar a acção governativa de Angela Merkel. O recente pedido do Ministro da CSU para incluir restrições na fronteira à chanceler alemã resulta das posições dos novos primeiro-ministros austríacos e italianos.

A luta contra a imigração no centro da Europa já começou, embora os primeiros visados sejam os migrantes ilegais. Contudo, a recente atitude do executivo italiano face a um barco com perto de mil imigrantes confirma que as mudanças serão mais severas. 

Na Alemanha as posições nesta matéria tem apoio popular devido ao resultado do AfD nas últimas eleições. O problema é que Merkel tem de se preocupar em primeiro lugar com a manutenção do governo, sem contrariar os valores e princípios da União Europeia. Numa altura em que Emmanuel Macron se empenha contra o crescente populismo na Europa, a líder alemã necessita de se afastar desse desígnio para estabilizar o executivo.

Na minha opinião, Merkel é bastante corajosa para ir contra as ameaças políticas no plano interno. Os três mandatos anteriores mostraram uma postura firme na resolução dos problemas mais complicados, nomeadamente nas bancarrotas que atingiram a Grécia, Portugal e a Irlanda. Tendo em conta que se encontra provavelmente no último mandato, também não acredito que se deixe atemorizar. 

Apesar da mão pesada, a chanceler está num beco sem saída por causa dos vizinhos. As políticas de integração europeia são importantes, mas o movimento eurocéptico que se está a construir no centro da Europa reduz o raio da acção. A Alemanha caminha praticamente sozinha numa tentativa de manter o actual rumo europeu, contando apenas com o apoio da França, dos países nórdicos e de alguns sulistas como Portugal e Espanha, que se mostraram sempre abertos às políticas migratórias.

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