quarta-feira, 23 de maio de 2018

O bloco mais desejado por Marcelo

Os constantes apelos de Cavaco Silva a entendimentos partidários nunca foram recebidos com agrado pela coligação de direita que governava o país, nem pelos socialistas que se encontravam na oposição, sobretudo com António José Seguro. 

O actual Presidente da República não costuma insistir nas mesmas ideias, embora tenha um desejo escondido de mais cooperação entre partidos, nomeadamente PSD e PS. 

Os sinais dados por Rui Rio prometem maior colaboração entre as forças ditas do bloco central. A aproximação das eleições muda o cenário de amizade porque os sociais-democratas pretendem recuperar o poder e os socialistas alcançar a maioria absoluta. 

O principal problema está no dia depois das legislativas. 

O único cenário que não admite a necessidade de colaboração parlamentar ou coligação governamental entre PSD-PS é a manutenção da actual maioria de esquerda. Contudo, o PCP pode ficar de fora de qualquer acordo parlamentar. 

Um entendimento de não agressão do PSD ao PS ou vice-versa seria a melhor forma de Marcelo Rebelo de Sousa ser o mestre de cerimónias da condução política do país. O papel cabia inteiramente a uma figura que consegue arranjar pontes nos bastidores, mas não tem problemas em mandar recados que são escutados por todos. 

O aumento da influência do Presidente da República no plano social, a nível da diplomacia, também se estende à política interna. Qualquer acordo entre os dois grandes partidos seria igualmente uma forma de ter a reeleição no bolso porque não haveria candidatos com um discurso capaz de conquistar os eleitores do centro que votam PS e PSD de forma alternada.

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