quarta-feira, 9 de maio de 2018

Mais instabilidade no Médio-Oriente

A decisão de Trump abandonar o acordo nuclear iraniano origina mais tensão no Médio-Oriente. O regime iraniano continua a ser um dos mais influentes, como se nota na manutenção de Bashar al-Assad no poder na Síria. Contudo, também gera bastantes ódios, nomeadamente na Arábia Saudita e em Israel. 

Os governos sauditas e israelitas elogiaram a decisão norte-americana. O Irão deixa de ter suporte no Ocidente e passa a ser considerado como um inimigo. Nenhum das situações impossibilita Teerão de cumprir com o programa nuclear, embora seja mais difícil de possuir aceitação internacional, apesar dos países europeus manterem a confiança no cumprimento do acordo. Contudo, haverá uma sensação de ilegalidade que pode justificar acções mais violentas. 

Os principais interessados na decisão tomada são Israel e a Arábia Saudita. Os dois países ganham em toda a linha. No plano internacional ficam com a certeza que poderão contar sempre com o apoio dos Estados Unidos. Na região, assumem uma posição relevante porque Teerão terá menos argumentos políticos e militares, além de sofrer sanções que deverão enfraquecer a economia. 

Neste momento, o Médio-Oriente desejaria que não se criassem mais condições para a existência de conflitos. Apesar da região ser o palco principal de conflitos armados, têm sido outros intérpretes a acender o rastilho. Na Síria, as inimizades entre os Estados Unidos e a Rússia impedem que se alcance uma solução. Os norte-americanos atacam o regime, mas Moscovo defende com unhas e dentes Bashar al-Assad. O acordo nuclear iraniano também já está a causar divisões entre europeus, Washington, Pequim e a Rússia. 

As duas situações revelam falta de capacidade dos governos locais para resolverem os próprios problemas, mas também a insistência do Ocidente em controlar os assuntos de natureza alheia.

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