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terça-feira, 8 de maio de 2018

Evitar ceder à chantagem norte-americana

A decisão de Trump relativamente ao acordo nuclear iraniano vincula apenas os Estados Unidos. No entanto, a União Europeia fica numa posição complicada porque tem de escolher entre seguir o caminho dos norte-americanos ou manter-se fiável aos acordos que estabeleceu com Teerão.

O anúncio do presidente norte-americano também é aguardado com expectativa, já que, a bola passa imediatamente para o lado dos europeus. Talvez tenha sido a razão para as recentes viagens de Macron e Merkel aos Estados Unidos, embora as supostas concordâncias sejam facilmente manobráveis. Qualquer que seja a decisão, Washington pretende culpabilizar os aliados pelas eventuais consequências do não isolamento do regime iraniano, abrindo novo conflito diplomático.

Independentemente da decisão, o acordo já está ferido de morte, pelo menos, entre norte-americanos e iranianos. O principal problema está relacionado com o a nova amizade entre os Estados Unidos e Israel, bem como a defesa de Washington junto de Riade. Trump aliou-se aos inimigos tradicionais do Irão, isolando-o da comunidade internacional. 

Os responsáveis europeus não devem cair na tentação de seguir o rastro conflituoso criado pela actual administração norte-americana. Na última visita aos Estados Unidos, Macron cedeu perante as exigências da Casa Branca. A União Europeia não pode ser novamente um parceiro de Israel, nomeadamente com Benjamin Netanyahu no poder. 

Os próximos dias serão decisivos para perceber como será a reacção europeia. O futuro do acordo e a manutenção do Irão sob o controlo das organizações internacionais dependem da decisão dos executivos europeus, nomeadamente de França e Alemanha, sendo que, o Reino Unido estando fora do consenso generalizado, começa a pensar pela própria cabeça.

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