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segunda-feira, 14 de maio de 2018

As geringonças de António Costa

Não há dúvidas que António Costa e o Partido Socialista entraram na campanha eleitoral. Apesar de ainda faltar um ano para as legislativas e havendo um país para governar, o primeiro-ministro prefere gerir os momentos políticos em função da conquista da maioria absoluta em 2019.

Os ataques aos parceiros parlamentares têm de ser encarados com normalidade num partido que sempre colocou os interesses individuais à frente do colectivo. Na primeira oportunidade, Costa não tem medo de utilizar o mesmo esquema que o possibilitou chegar a primeiro-ministro. Isto é, pensar apenas nos interesses partidários.

A mudança de alvo para a esquerda terá implicações na verdadeira campanha eleitoral. Os dois partidos que suportam o executivo dificilmente deixarão de atacar o PS nas próximas legislativas, independentemente dos acordos que poderão vir a realizar depois dos resultados. Ao contrário do que aconteceu com PSD e CDS, que estiveram juntos no governo e depois nas legislativas, a geringonça só se vai voltar a reunir caso seja o melhor cenário para a sobrevivência política de todos.

A recente mudança de postura do PSD permite ao primeiro-ministro ficar na posição que mais gosta. Ou seja, sentado numa cadeira e optar pela situação que garante a manutenção do poder. António Costa sente que pode realizar geringonças à esquerda e à direita, responsabilizando sempre os outros por aquilo que corre mal. No fundo, é o que está a fazer desde a eleição de Rui Rio. 

Nota-se uma enorme confiança no primeiro-ministro na possibilidade de utilizar quem quiser para alcançar os fins pessoais. A protecção do Presidente da República também é outro factor de segurança. 

Nunca o PS se colocou numa situação em que tem as costas quentes, nem mesmo durante o segundo mandato de Sócrates. A possibilidade de Costa realizar dois mandatos num governo de minoria é uma realidade que diminui politicamente os restantes adversários.

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