Etiquetas

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A liderança de Passos Coelho ficou fora da campanha

Normalmente nas eleições internas de um partido costuma haver comparações entre o líder cessante e o futuro. Na campanha para as directas do PSD não houve uma tentativa de ofuscar a liderança de Passos Coelho por parte dos candidatos. 

Em primeiro lugar não há razões objectivas para criticar a liderança que termina funções em breve. A vitória nas legislativas dá um capital de confiança a Passos Coelho. Em dois meses nem Santana ou Rio se referiram à derrota nas autárquicas. Os dois podiam ter feito um diagnóstico muito negativo, sobretudo Rio que fez campanha interna através dos jornais nos últimos anos, mas optaram por um discurso mais suave.

Na apresentação das candidaturas, Rio e Santana começaram por saudar o trabalho realizado por Passos Coelho, lembrando as circunstâncias dificeis em que liderou o executivo de direita. Não seria inteligente iniciar uma campanha elogiando o líder do partido e depois estar constantemente a criticar, além de que Passos Coelho tem um capital muito grande junto do eleitorado social-democrata e no país. Os costumes dizem que as opiniões mudam como o vento, mas ninguém pode tirar mérito a duas vitórias em eleições legislativas.

A outra razão para o debate não ter ido por esse caminho está relacionado com a eterna questão da gestão de Pedro Santana Lopes, levantadas por Rui Rio. O que está em causa não é a possibilidade do PSD regressar ao passado mais recente, mas a 2004, altura em que Santana supostamente realizou diversas trapalhadas que o impediram de continuar como líder do executivo, tendo sido confirmadas pelos portugueses nas eleições de 2005. 

A liderança de Santana Lopes foi bastante mais escrutinada do que a de Pedro Passos Coelho.

Sem comentários:

Share Button