quarta-feira, 22 de março de 2017

Duas atitudes diferentes

As polémicas declarações do presidente do Eurogrupo, cujo nome não arrisco a escrever, provocaram reacções fortes nos países atingidos. Ou seja, no Sul da Europa, sendo que, Portugal já reagiu através do primeiro-ministro e do Presidente da República.

Os dois representantes portugueses fazem em defender os interesses nacionais, já que, Portugal não pode continuar a ser humilhado nas instituições europeias. A frase do líder do Eurogrupo mostra que existe duas atitudes diferentes sempre que o assunto diz respeito a países mais fracos.

Os líderes europeus não podem continuar a criar divisões internas e externas para proteger os interesses da União Europeia. As constantes interferências nos actos eleitorais em cada país é um sinal de desespero, que se começou a verificar desde a vitória do Brexit em Junho de 2016.

Apesar de Costa e Marcelo não estarem a realizar um bom trabalho, os dois têm sido importantes na defesa do nome de Portugal dentro da União Europeia.

O que me espanta é teimosia de alguns dirigentes face às mudanças políticas que acontecem também por desnorte em termos de declarações e atitudes.

terça-feira, 21 de março de 2017

Especial 10º aniversário: Mudanças na Música

A música é uma das formas de expressão artística mais versátil, não só a nível dos géneros musicais diversos (que permitem diferentes tipos de expressões) mas também a nível da sua comunicação e partilha (cada vez mais digital). 

O mundo actual actua cada vez mais a nível digital, permitindo por um lado a facilitação ao acesso dos álbuns e temas, e por outro lado, despoleta uma crescente procura pelo contacto directo com quem nos inspira, nos traz bons sentimentos, momentos de diversão e sobretudo, de ausência de "stress". Este cenário é interessante desde que exista a valorização dos profissionais e das obras. Ainda que se verifique uma tendência positiva a este nível (o Consumidor está um pouco mais sensibilizado para a questão da sustentabilidade da actividade artística, disponibilizando-se a pagar pelos espectáculos e pelas peças, em formato cada vez mais digital, e ainda na forma de CD, entre outras), ainda estamos longe chegar a uma consciência global sobre este aspecto. 
  
No seguimento de uma sociedade robotizada, exigente e egoísta, o Ser Humano procura momentos em que se possa ligar a algo positivo, que lhe traga alegria e que o faça esquecer um pouco a rotina, as correrias, os problemas que surgem no dia a dia. Desta forma, os concertos têm sido cada vez mais o ponto de encontro entre o artista e os seus fãs (ou potenciais fãs), no qual existe a partilha directa da música, e de todo o significado que a mesma implica. 

A música é cada vez mais uma companhia, uma terapia para quem a faz e para quem a ouve. Não tem barreiras, não tem estatuto, não há preconceitos (ou pelo menos, há cada vez menos). E é assim que deve ser. Liberdade e respeito porque actua e cria, e por quem escuta e recebe.

Texto de Sofia Hoffmann

Jobs for the family

O presidente norte-americano prometeu transparência em Washington ao acabar com a política de interesses entre os vários sectores da sociedade. 

Os primeiros passos estão a ser dados no sentido contrário com a nomeação de familiares para cargos dentro da administração e na Casa Branca. 

Os sinais são preocupantes porque contrariam a limpeza anunciada por Donald Trump. Não era isso que as pessoas esperavam do novo Chefe do Estado. A promessa de mais empregos afinal tem de esperar mais tempo porque a prioridade passa por colocar os genros e a filha em lugares de destaque. 

O tema merece ser analisado porque durante um ano o discurso era no sentido de dar oportunidades a todos, mas parece que os familiares podem passar por cima do cidadão comum.

Parece que as mudanças não se vão concretizar e nalgumas situações a tendência é para piorar, como no acesso da família do presidente a assuntos do Estado. 

Trump não consegue arranjar emprego para os familiares no partido porque tem pouca influência no seio dos republicanos, mas pretende mais ouvidos e olhos para saber o que se passa em Washington. Qualquer semelhança com Frank Underwood da série House of Cards parece ser apenas coincidência.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Apostas fortes, mas perdedoras do CDS e PSD para Lisboa

As candidaturas de Assunção Cristas e Teresa Leal Coelho à Câmara Municipal de Lisboa por parte do CDS e do PSD são apostas fortes, mas claramente perdedoras nas próximas eleições. A dirigente social-democrata tem possibilidade de vir a ser presidente se continuar como vereadora e não ambicionar um lugar no governo caso o PSD volte ao poder em 2019.

As duas concorrentes são competentes e trazem novas ideias à política portuguesa, além de elevarem o nível do debate. O problema é que nenhuma delas se vai candidatar a Lisboa com o coração na capital. A líder centrista pretende tomar o pulso ao eleitorado antes de novo teste em congresso e a social-democrata é apenas uma solução temporária. 

Perante as adversárias principais, Fernando Medina só tem de continuar a fazer obras por toda a cidade. O autarca escolheu muito bem timing para dar um novo look a Lisboa, mas não precisava de ter pressa, porque não tem ninguém à altura para discutir o cargo. Aos poucos o PSD e CDS vão perdendo eleitorado na cidade. 

A verdade é que os últimos presidentes socialistas colocaram Lisboa no mapa, aumentando a visibilidade, trazendo turistas e investidores estrangeiros. A economia cresceu bastante nos últimos dois anos, sobretudo ao nível do pequeno comércio. 

Não acredito que haja forma de contrariar a obra realizada pelo socialista, pelo que, CDS e PSD não quiseram jogar forte, queimando candidaturas importantes, porque ainda faltam dois anos para as legislativas, embora um mau resultado seja preocupante para a defesa das lideranças de Passos Coelho e Cristas em 2018.

sábado, 18 de março de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Mark Rutte - O primeiro-ministro voltou a ganhar as eleições, tendo ficado bastante à frente do antigo parceiro de coligação. Rutte tem possibilidades de fazer nova coligação para assegurar estabilidade governativa e controlar os populistas do PVV, bem como manter o PvdA em baixa.


No Meio

União Europeia - Os responsáveis europeus ficaram contentes com o resultado eleitoral. O primeiro fantasma está ultrapassado, mas o grande desafio é nas eleições presidenciais em Abril. O problema para os líderes da Europa é o número de vezes que irão ter que alertar as populações de cada país. 

Em Baixo

Geert Wilders -  O partido liderado por Wilders ficou em segundo com mais cinco deputados que a legislatura anterior. O problema é que o PVV vai ter que ficar na oposição, já que, o VVD anunciou que não tem intenção de se coligar com populistas. O crescimento do sentimento nacionalista é evidente, mas na oposição Wilders tem que ter outro comportamento, sendo obrigado a concordar com as medidas do governo. A manutenção da actual mensagem política pode ser um erro a pagar nas próximas legislativas.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Uma oportunidade perdida para a justiça portuguesa

A justiça portuguesa teve uma oportunidade de ouro para voltar a se credibilizar junto da opinião pública com a Operação Marquês.

O processo judicial que envolve José Sócrates poderia ser um excelente momento para os agentes da justiça mostrarem capacidade de actuação em tempo útil e que ninguém está acima da lei. Não se trata de fazer do ex-primeiro-ministro um exemplo, mas de garantir que a justiça continua ao serviço de todos. 

Desde finais de 2014 que o país assiste a uma guerra jurídica e não só entre as duas partes. O mais engraçado é que Sócrates caminha livremente para a absolvição depois de ter estado preso preventivamente, mas se o objectivo do Ministério Público era condená-lo na praça pública conseguiu os intentos. O problema é que se o ex-chefe do governo não passa um dia na prisão parece que se tratou de uma situação encenada, alterando rapidamente a opinião da vox populi.

No plano comunicacional, Sócrates também vence todos os dias porque a mensagem que passa é de um complot jurídico e político. 

A investigação necessita de mais tempo, mas os sucessivos adiamentos são mais um motivo para o socialista fazer barulho e colocar-se no papel de vítima, como acontecia durante o exercício de primeiro-ministro. 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Quatro avisos importantes do acto eleitoral holandês

Os primeiros resultados do escrutínio holandês mostram que a Europa livrou-se do primeiro problema, embora seja necessário pensar nalgumas lições. 

A primeira é que os movimentos populistas continuam com peso dentro do espaço europeu, não sendo possível bani-los do mapa político.O grande erro dos responsáveis europeus tem sido a falta de cultura democrática em não aceitarem posições diferentes. No plano nacional compreende-se os discursos eleitoralistas, mas a nível europeu não se entendem algumas mensagens políticas. 

A Europa não pode continuar a rejeitar as alterações, nem ignorar a actual realidade partidária, e muito menos, meter-se em assuntos do foro nacional. 

O mau resultado do partido de Geert Wilders pode ter sido um alívio, mas a estrondosa derrota dos socialistas significa que o modelo social construído durante anos na Europa está completamente falido. Isto é uma preocupação porque os partidos políticos que deveriam optar por políticas sociais não têm respostas para os problemas dos cidadãos, sendo substituídas por outras forças ditas populistas. 

A maioria dos governos também não consegue alcançar maiorias parlamentares, estando dependentes de coligações cuja duração será sempre incerta. As decisões dificilmente voltarão a ser tomadas sozinhas, diminuindo o poder de Bruxelas sobre as lideranças nacionais. 

As quatro lições resultantes do acto eleitoral holandês terão reflexos nas presidenciais em França porque o que está em jogo é praticamente a mesma coisa. 

quarta-feira, 15 de março de 2017

O primeiro teste do ano para a coesão europeia

As eleições holandesas são o primeiro teste para a coesão europeia. Durante o ano ainda haverão actos eleitorais em França, Itália e Alemanha. 

Os resultados nos Países Baixos emitirão dois sinais importantes. O primeiro é a manutenção do poder nas mãos dos partidos tradicionais, em particular dos sociais-democratas. Caso o PVdA ou o VVD não consigam uma boa votação significa a desconfiança relativamente às forças partidárias tradicionais, bem como da falta de soluções apresentadas pelo centro. O segundo sinal tem a ver com a transferência da confiança dos eleitores para partidos mais radicais. O tema tem sido debatido desde a eleição de Trump, mas parece que a Europa vai ter que se acostumar aos novos grupos.

O sentimento anti-imigração começa a ter expressão nos actos eleitorais, o que não acontecia há alguns anos. Contudo, as forças foram crescendo e ganhando popularidade por causa dos problemas que a Europa teve de enfrentar nos últimos anos. As promessas dos actuais dirigentes foram ofuscadas por acções concretas como se viu no Brexit. 

As pessoas deixaram de esperar pelo prometido, tendo a certeza que algumas alternativas serão mesmo efectivadas. 

Nos países que terão eleições, haverá aumento significativo das forças nacionalistas, sendo que, em França, Marine Le Pen poderá mesmo ganhar o acto eleitoral. 

O mais interessante será perceber se os responsáveis europeus terão uma reacção mais negativa do que o vencedor das eleições na Holanda, ao provável segundo lugar do partido liderado por Geert Wilders. 

terça-feira, 14 de março de 2017

Ano 2009: Resultados das eleições confundem líderes partidários

Os resultados dos três actos eleitorais de 2009 confundiu os eleitores, bem como os agentes políticos porque todos ganharam.

O único partido que poderá ter ficado menos satisfeito foi o PCP, já que, nas legislativas diminuiu o número de deputados.

Os restantes pequenos e médios partidos, como o CDS e o Bloco de Esquerda subiram, em particular nas eleições de Setembro.

No geral, os dois maiores partidos podem ter tirado ilações positivas, embora o PSD mudasse de liderança depois da derrota em Setembro. Nem a conquista da ANMP nas autárquicas manteve Manuela Ferreira Leite como líder social-democrata. 

O PS venceu o acto eleitoral mais importante, além de manter a autarquia de Lisboa, bem como outras Câmaras Municipais. Apesar de ter tido menos municípios, os efeitos da derrota foram minimizados pela vitória nas legislativas em Setembro. 

O resultado das eleições europeias confirmou que Sócrates não iria ter vida fácil nos restantes actos eleitorais. A vitória de Paulo Rangel constituiu também a primeira derrota do governo socialista. A perda da maioria absoluta na Assembleia da República foi difícil de digerir, tendo em conta a arrogância com que o anterior primeiro-ministro lidou com a posição em que se encontrava. 

O pior para o PS e o país não foram os maus resultados eleitorais, mas a crise que estava para vir...

A Europa já vive num estado securitário

Na véspera das eleições holandesas, onde se pode confirmar o crescimento da extrema-direita, o tribunal europeu autoriza as empresas a proibirem o véu islâmico.

A pergunta que coloco é perceber se já não vivemos numa Europa xenófoba, racista e elitista. Na minha opinião não é necessário que a extrema-direita ocupe o poder ou os países comecem a sair da União Europeia para voltarmos ao proteccionismo e à atitude securitária. 

A França de François Hollande é o exemplo daquilo que alguns dirigentes eurocépticos pretendem para o futuro. Isto é, não será o provável governo liderado por Marine Le Pen que irá instaurar uma cruzada contra os imigrantes porque isso já acontece em França, embora de forma pouco visível. 

A culpa não pode ser apenas dos grupos nacionalistas que estão a crescer. De certa forma, algumas forças aproveitam a fragilidade de governos ditos defensores das liberdades e garantias de todos os cidadãos para recolher votos com uma mensagem mais agressiva.

Neste momento, é pouco tarde para mudar as atitudes relativamente a certos grupos que cresceram na Europa e pretendem maior integração. As alterações serão piores para algumas minorias porque o que está para vir é o fecho total das fronteiras e o fim das igualdades.

segunda-feira, 13 de março de 2017

O início do Brexit

Nesta semana, o governo britânico vai accionar os mecanismos para começar a saída formal do Reino Unido da União Europeia.

Durante os meses que se seguiram ao Brexit, a primeira-ministra teve todos os ventos favoráveis. A opinião pública tem a certeza que o desejo manifestado no referendo será respeitado. Os partidos políticos, em particular os eurocépticos estão contentes com as linhas gerais porque ficam salvaguardados os interesses britânicos relativamente ao comércio livre e à imigração.

Os únicos que perderam foram David Cameron e os dirigentes europeus. O primeiro porque pretendia que o Reino Unido ficasse mais perto possível do clube europeu. Os responsáveis europeus ficam com a certeza que o Reino Unido será um concorrente em diversas matérias, nomeadamente na relação com os Estados Unidos.

Apesar de ter quase tudo a favor, Theresa May pode ter problemas a nível externo. Isto é, na forma como os restantes países europeus pretendem tratar o Reino Unido. Numa altura em que os principais líderes europeus estão de saída, o mais certo é haver uma espécie de vendetta porque as alterações que se avizinham estão ligadas ao Brexit.

No plano interno não acredito em grandes manifestações de desagrado se May cumprir as promessas. Os maus humores europeus também não devem alterar a postura da primeira-ministra. Nota-se uma vontade enorme da classe política em defender os interesses britânicos. No fundo, praticamente quase todos entendem que a melhor solução é sair do clube europeu, e, nem as ameaças provenientes da Escócia alteram o rumo definido. 

No último ano, Theresa May teve um mandato tranquilo, mas a questão europeia é o maior desafio até 2019.

domingo, 12 de março de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Nicola Sturgeon - A líder escocesa conseguiu iniciar a discussão para o segundo referendo sobre a independência da Escócia. A realização do escrutínio depende da autorização de Westminster, mas o assunto já está na praça pública. 


No Meio

Theresa May - A primeira-ministra britânica não conseguiu unanimidade total em torno da legislação sobre o Brexit. A rejeição de algumas medidas na Câmara dos Lordes é um sinal preocupante numa altura em que se iniciam as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia. May vai ter que ceder no plano interno.


Em Baixo

Marcelo Rebelo de Sousa - O Presidente da República completou um ano. Foram 365 dias muito maus em que o protagonismo pessoal esteve à frente das obrigações constitucionais. Marcelo deixou-se afectar pelo entusiasmo, esquecendo-se do cargo que ocupa. No plano político também já revela alguns tiques autoritários, como aconteceu no caso Centeno.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Ano 2009: Eleições com resultados para todos os gostos

No ano de 2009 realizaram-se eleições legislativas, autárquicas e europeias em Portugal.

Um ano político muito intenso que não se voltará a repetir, excepto se o calendário das legislativas sofrer alterações. 

Nas legislativas venceu o PS, embora sem maioria absoluta, dificultando a acção de José Sócrates, que se demitiu dois anos depois. A vitória do PS não foi esmagadora, mas o PSD sofreu uma derrota que levou à demissão de Manuela Ferreira Leite e o início de mais um ciclo eleitoral. As eleições internas seriam em Maio de 2010. 

Nas europeias a vitória pertenceu ao PSD, liderado por Paulo Rangel. O PS escolheu Vital Moreira para cabeça-de-lista. 

Nas autárquicas, como costuma acontecer, todos os partidos venceram. 

A crise internacioal ainda não tinha chegado a Portugal, mas rapidamente se percebeu que iria atingir o nosso país. O resultado das legislativas ainda não reflectiram os problemas financeiros. 

O primeiro ano do mandato de Obama como presidente dos Estados Unidos foi recompensado pelo Prémio Nobel da Paz. Uma designação associada à resolução na Faixa de Gaza.

Os meios de comunicação social e as redes sociais continuavam em moda. A TVI lançou o canal de notícias TVI24 e o Twitter dava os primeiros passos, enquanto o Facebook continuava a conquistar adeptos. Nascia uma nova forma de comunicar.

O futebol português despediu-se do grande Luís Figo e Cristiano Ronaldo iniciava uma carreira brilhante no Real Madrid depois da transferência do Manchester United por 94 milhões.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Um ano muito mau

Um ano após o exercício do mandato presidencial por Marcelo Rebelo de Sousa é possível concluir que se tratou de um ano muito mau.

A presidência da República passou a ter como inquilino alguém que procura apenas protagonismo político, embora tenha inúmeras qualidades políticas. Marcelo Rebelo de Sousa transformou o cargo num projecto pessoal. A intenção de tornar o presidente mais afectivo era boa, mas o excesso de protagonismo tirou relevância ao gesto.

Neste momento, existem dois aspectos negativos. O primeiro é o excesso de afecto e o segundo é a vontade de querer estar em todo o lado. A prática das duas situações só acontece devido a protagonismo que Marcelo pretende. 

Os comentários diários sobre tudo e mais alguma coisa tornam o Presidente num fala barato que se deixa seduzir por qualquer microfone, colocando-se ao nível do telespectador mais ferrenho das tardes televisivas dos programas de opinião pública. 

No plano político ainda não houve nenhuma crise grave, à excepção da tempestade Mário Centeno. Marcelo entendeu novamente que deveria chamar a si o protagonismo para mostrar quem manda no país e no governo. A colagem ao governo só espanta os distraídos, já que, até a oposição que apoiou o presidente estava a contar com suposta traição. 

O que aconteceu no último supostamente era previsível, mas ninguém esperava os excessos. Marcelo nunca vai conquistar o Papa Francisco ou Barack Obama em termos de popularidade porque bem lá no fundo está apenas preocupado com a sua pessoa.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Ainda estamos num clima de vendetta política

O resultado das últimas eleições legislativas aumentou a crispação entre os partidos e nem a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente da República diminuiu as tensões. 

A atitude do actual Chefe do Estado é um factor de conflito por causa da vontade em se colocar num dos lados da barricada. Hoje apoia o governo, amanhã está do lado da oposição. Quem manda são sempre as sondagens. 

Neste momento, o governo goza de um estatuto que nunca foi possível usufruir desde 2011. Ou seja, o executivo de António Costa tem problemas para resolver, mas os indicadores económicos são positivos, ao contrário do que aconteceu com Passos Coelho. Nem sempre o PS partilha o mérito com as restantes bancadas, preferindo meter todas as fichas numa maioria absoluta em 2019. 

Apesar do esforço a nível financeiro, Costa tem lidado com algumas polémicas que podem fragilizar o executivo. Não são parecidas com aquelas do governo Sócrates, mas levam a desconfiar da competência. O tom crispado, vingativo e de menorizar a oposição também não ajudam sempre que é preciso pedir uma mãozinha aos partidos da direita. Num ano e meio, o governo já necessitou de duas mãos direitas. 

Nota-se que existe um ambiente tenso que desfavorece a oposição, em particular Pedro Passos Coelho sempre descredibilizado por concorrentes internos que nunca chegaram a primeiros-ministros. 

O estado político actual pode resumir-se na célebre frase da vingança serve-se fria porque tanto governo como oposição esperam o momento certo para desferir o golpe final. Os debates no parlamento estão a ser o principal palco da luta política mais calorosa, sendo que, ainda não houve qualquer escândalo, tipo licenciatura ou falta de pagamento de contribuições à segurança social, na liderança de António Costa. 

terça-feira, 7 de março de 2017

Só em Portugal é que...

A expressão "só em Portugal é que isto acontece", ou "só no nosso país é que este gajo continua à solta ou é comentador" é utilizada vezes sem conta por todos, independentemente da posição ou estatuto que tem.

A aversão às nossas qualidades é um dos nossos principais defeitos. 

Parece que só em Portugal acontecem coisas más, parecendo que o resto do mundo é pefeito. A desvalorização daquilo que temos é fruto da mentalidade e da pouca confiança nacional.

Sempre que alguém utiliza o argumento "só nosso país", é porque pretende desviar as atenções. A resposta nunca foge do "só aqui é que este tem possibilidade de dizer uma coisa destas". A falta de nível no discurso é acrescentado de uma linguagem pouco perceptível para os demais, mas compreensível relativamente aos restantes. Como diz o ditado "para bom entendedor, meia palavra basta". 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Quem ganha com isto?

A troca de acusações entre Cavaco Silva e José Sócrates chegam em má altura porque os dois passaram rapidamente à história da agenda mediática. 

Os dois saíram dos respectivos cargos em baixo. Cavaco Silva obteve os índices de popularidade mais baixo de todos os Presidentes da República, enquanto Sócrates perdeu as eleições legislativas em 2011 e dificilmente voltará a ocupar um cargo público. 

O momento não é o mais apropriado para vendettas privadas ou políticas porque o país já seguiu em frente. Existem novos protagonistas no dia-a-dia. 

Apesar de tudo, a história contada por Cavaco Silva interessa mais do que as mentiras proferidas pelo anterior primeiro-ministro. O país já está farto das invenções de Sócrates. No plano político, ninguém vai acreditar em mais nenhuma palavra que o socialista tenha necessidade de transmitir aos media.

O modus operandi tamém revela diferenças entre os dois. A publicação do livro do ex-Chefe do Estado tem conteúdo relevante sobre a vida política nacional. Por outro lado, também já ninguém tem paciência para a postura de coitadinho de Sócrates.

As mudanças políticas não terminaram com uma história que deve ter mais episódios. 

sábado, 4 de março de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

António Costa  - Uma boa semana para o executivo por duas razões. A primeira porque o caso Paulo Núncio é mais uma machachada na credibilidade do anterior governo, cujo rosto principal é o da oposição. Em segundo lugar, os indicadores económicos voltam a ser positivos, fazendo esquecer a polémica anterior com Mário Centeno. Costa começa a recuperar pontos em 2017.


No Meio

Donald Trump -  O novo presidente norte-americano não é um grande orador, mas tem ideias fixas e mantém o rumo traçado. A demagogia não será a principal marca da Casa Branca nestes quatro anos. O maior problema é a aceitação por parte dos legisladores relativamente às propostas. Apesar do ruído da comunicação social, dos líderes estrangeiros e da população, o maior obstáculo de Trump vai mesmo ser as duas câmaras parlamentares.

Em Baixo

François Fillon - As vozes a pedir a demissão do candidato da direita às presidenciais são cada vez mais, sendo que, apareceu uma sondagem que dava vitória a Alain Juppé caso fosse o candidato contra Marine Le Pen. Normalmente os políticos em França costumam ceder em nome do fim do barulho. 

sexta-feira, 3 de março de 2017

Entre a direita e o centro

Nos últimos anos a direita portuguesa não tem tido representantes políticos, embora o PSD de Passos Coelho seja o que se mais aproximou dos valores liberais. 

O CDS nunca optou pela via liberal, apesar de ter muitos militantes com visões mais de direita que a democracia-cristã ou o centro de Paulo Portas e Assunção Cristas. 

Num país que tem um arco partidário maioritariamente de esquerda necessita de ter uma força que defenda a iniciativa privada, o bem-estar pessoal, a segurança, e outras políticas associadas aos partidos de direita, como acontece no Reino Unido e dentro do Partido Republicano norte-americano. 

Os líderes partidários do PSD e CDS sempre mostraram disponibilidade para conquistar eleitorado do centro, porque é aí que está a maior fatia dos indecisos, que normalmente votam PSD e PS. É verdade que os sociais-democratas sempre tiveram uma componente social. O nascimento do partido por Francisco Sá Carneiro baseou-se nesse princípio. A maioria dos líderes cumpriu bem a função de não desviar o partido para a demasiado para a direita, ao ponto de ser confundido com um partido liberal. 

Pelo contrário, o CDS sempre tentou apanhar alguns votos daquela área política, mesmo sem admitir uma excessiva ligação. 

Os dois partidos andam constantemente no centro e na direita a apanhar votos, pelo que, dificilmente o mais pequeno consegue recolher mais benefícios que o maior. O CDS fica a ganhar se definir uma orientação ideológica mais para a direita e não continuar na dúvida. 

quinta-feira, 2 de março de 2017

O aproveitamento político das forças populistas

A polémica em torno de François Fillon é uma grande ajuda para a candidata da Frente Nacional. Mesmo que Le Pen seja processada por ter partilhado imagens violentas nas redes sociais, não é mais grave que a questão ligada ao candidato da direita à Presidência da República.

O assunto na ordem do dia em França confere legitimidade ao discurso de Le Pen. À medida que se vão descobrir os podres dos principais políticos franceses, aumenta o sentimento anti-establishment que garantiu a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. 

Nos últimos anos, sucederam-se os escândalos em redor de ex-presidentes e candidatos ao Eliseu. Não será estranho se François Hollande também tiver esqueletos no armário. 

A nova geração de políticos europeus possui mais deficiências que qualidades, acabando por ser natural o surgimento de divisões e falta de capacidade para resolver os problemas. A maioria deles também está associado a questões menos honestas. Isso tudo tem sido bem aproveitado pelas novas forças ditas populistas e demagógicas, onde alegadamente sempre imperou a honestidade política e moral. 

A culpa das mudanças políticas, sociais e económicas no espaço europeu não surgem por acaso. O caso francês é um de muitos utilizado para ganhar eleições. 

quarta-feira, 1 de março de 2017

Trump continua virado para dentro

Um discurso semelhante ao da tomada de posse fazem de Trump um mau orador, bem diferente de Barack Obama.

O novo Presidente nunca será conhecido pelos dotes oratórios, mas pelo nacionalismo com que trouxe ao discurso político. A repetição do proteccionismo, segurança e respeito pela lei tornarão os Estados Unidos um país autoritário sob a presidência de Trump. Não haverá espaço para o erro nem para segundas oportunidades, em particular para os imigrantes. 

A mensagem ao Congresso confirma que Trump irá manter as promessas eleitorais, quiçá reforçar algumas medidas que não estavam previstas durante a campanha, aumentando a preocupação no próprio partido e na oposição.

A primeira mensagem do chefe do Estado é simples. A prioridade passa por aumentar o emprego nos Estados Unidos e proteger os cidadãos norte-americanos das empresas estrangeiras e dos imigrantes ilegais. A forma de atingir o objectivo passa por impedir a entrada de empresas ou pessoas que ameaçem o bem-estar do cidadão, nem que para isso seja necessário recorrer à força e à autoridade. 

Tem sido este o principal recado para dentro dos Estados Unidos, mas também para todos os que se intrometerem nos assuntos internos do país. Não haverá cedências, mesmo que o Congresso rejeite leis, a comunicação social faça barulho ou os restantes líderes mundiais continuem a ignorar as mudanças na Casa Branca. 

O primeiro passo para tornar a América novamente grande está definitivamente dado. 
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