quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Madrid continua a ignorar o problema fundamental na Catalunha

O governo espanhol confirma que mantém a suspensão do artigo 155 da autonomia da Catalunha, mesmo que Carles Puigdemont anuncie novas eleições até final do ano. 

A convocação de eleições autonómicas seria um bom passo para esclarecer a questão da independência. A maior parte dos partidos como o Ciudadanos e o PSOE acreditam na clarificação da situação através de um acto eleitoral em que a independência seria o tema principal, mas Madrid continua irredutível em livrar-se à força do líder catalão.

A ausência de Puigdemont no Senado espanhol para se defender é um sinal que não haverá cedências de Barcelona enquanto Madrid continuar a ignorar o problema social e político. O líder catalão tentou através da suspensão da declaração de independência e da convocação de eleições, construir um diálogo que nunca foi possível obter pela via pacífica. Na minha opinião, o discurso extremado e a realização do referendo naquelas condições foram uma afronta desnecessária, embora Puigdemont tivesse alterado um pouco a postura. O problema é que Madrid mantém o uso da força.

O executivo espanhol utiliza a fragilidade política do líder catalão para tirar o poder ao independentista ou golpista. A única via para Puigdemont conseguir legitimidade política para realizar uma consulta popular que proporcione um esclarecimento é chamar os catalães às urnas porque perdeu força institucional no parlamento catalão, em Espanha e mesmo na União Europeia. Contudo, à medida que Madrid aplica as leis constitucionais, Puigdemont ganha força popular na região, o que poderá ser suficiente para vencer as eleições com maioria absoluta.

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