quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A desintegração política de Espanha

A realização de um novo referendo sobre a independência da Catalunha é um passo decisivo na desintegração política de Espanha. Aliás, a forma como se reagiu aos atentados em Barcelona demonstra falta de unidade, apesar de todas as cerimónias em prol da liberdade.

A autonomia da região relativamente a Espanha só precisa de ser confirmada em termos práticos porque na teoria já existe há bastante tempo. A consulta popular é apenas mais uma desculpa para criar um fosso entre Espanha e a Catalunha sobretudo no plano político e económico. O nacionalismo é uma boa forma de cimentar divisões dentro do mesmo Estado. 

A eterna recusa de Rajoy aceitar a realização do referendo irritou os dirigentes catalães, mas também a população que se sente amordaçada por Madrid. A Catalunha pretende maior progresso e investimento do que o permitido pelo executivo central. 

Não se pode acreditar que a luta dos catalães tem a ver apenas com a identificação dos símbolos porque a bandeira e o hino já existem há bastante tempo. O problema é que tudo começa com uma defesa acérrima dos emblemas que distinguem uma região do resto do país. 

O referendo que se realiza no dia 1 de Outubro só vai servir para aumentar as divisões, independentemente do resultado. As exigências serão sempre iguais, mesmo em caso de derrota. 

2 comentários:

Carlos Faria disse...

Falta nos últimos anos em Espanha, sobretudo na Catalunha, um Pierre Trudeau como o que tivemos no Quebec e Canada na década de de 1960 que suavize os atritos e até refortaleça a união, mesmo que não terminem certas fissuras.

Francisco Castelo Branco disse...

Por isso mesmo o governo espanhol deveria ser mais inteligente ao oferecer a possibilidade de se realizar o referendo.

Depois logo se vê...

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