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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Recuo estratégico de Corbyn

As palavras de Jeremy Corbyn na Câmara dos Comuns depois do Discurso da Rainha revelam um recuo face à mensagem transmitida durante a noite eleitoral.

O líder trabalhista não voltou a pedir a demissão da primeira-ministra porque sabe que não tem uma maioria a apoiá-lo. Apesar da suposta colaboração entre os conservadores e o DUP não garantir estabilidade durante quatro anos, Corbyn tem praticamente nada para apresentar. 

A posição assumida pelo trabalhista foi bem diferente porque admitiu que o partido não estava apenas na oposição, mas em posição para chegar brevemente ao governo. Corbyn teve uma atitude mais inteligente que António Costa e Pedro Sanchez.

O Partido Trabalhista só consegue conquistar o poder se mostrar que tem um programa melhor que os conservadores no plano interno. No Brexit os conservadores devem alcançar os desejos pretendidos pela população no referendo de 2016. O problema para Corbyn é a possibilidade de Theresa May antecipar as eleições depois do Reino Unido sair da União Europeia. Tendo em conta que a primeira-ministra também é uma estratega, o opositor dificilmente tem hipóteses de vencer. 

A intenção de Corbyn recuar no pedido de demissão é uma boa jogada, já que, ninguém o perdoaria por iniciar uma crise política. A verdade é que os conservadores conseguiram uma colaboração parlamentar que permite governar durante dois anos em função das negociações com a União Europeia.

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