terça-feira, 13 de junho de 2017

Os perdedores que reclamam o poder

A legitimidade democrática advém do voto popular, embora haja mecanismos constitucionais que permitem a formação de maiorias pelas forças que não ganharam as eleições, mas em conjunto ultrapassam em larga "maioria" os vencedores.

Nos últimos anos, o caso mais exemplar deste tipo de aproveitamento constitucional aconteceu em Portugal depois das legislativas em 2015. O Partido Socialista conseguiu juntar bloquistas e comunistas no parlamento para aprovar o programa de governo, antes de terem chumbado o programa da coligação PSD-CDS que obteve maioria simples no parlamento. 

Durante ano e meio em muitas eleições houve tentativa de recorrer ao mesmo sistema. As várias tentativas de Pedro Sánchez imitar o líder socialista português chocaram na intransigência do Podemos manter um compromisso com os eleitores. O último exemplo desta forma de conquistar o poder surgiu na sequência do resultado das eleições britânicas. O pedido de Jeremy Corbyn para Theresa May se demitir do cargo de primeira-ministra lembra o que aconteceu há dois anos em Portugal.

Não se coloca em causa a legitimidade constitucional das acções realizadas por três líderes socialistas que foram derrotados e preferiram conquistar o poder da população sem vencerem as eleições. O caminho torna-se mais complicado para um primeiro-ministro que não teve uma vitória nas urnas. Os sistemas são diferentes, mas a população portuguesa, espanhola e britânica deu um sinal claro que não queria qualquer dos líderes partidários no comando do governo. A população enviou uma segunda oportunidade aos governos que se encontravam no poder, embora retirando mais força para encontrarem outras soluções no quadro parlamentar. 

Os líderes derrotados tinham mais possibilidade de chegar ao poder caso obtivessem bom desempenho na oposição, mas optaram pela via mais fácil. A vitória política de António Costa não teve seguimento com Pedro Sánchez, pelo que, aguarda-se o que acontece com Corbyn. O mais preocupante no líder do Partido Trabalhista é não conseguir formar uma maioria com todos os partidos da oposição, além de que dificilmente se consegue juntar Liberais-Democratas com socialistas e nacionalistas escoceses. 

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