quinta-feira, 15 de junho de 2017

Ano 2011: O engodo socrático

A crise política iniciada em 2011 que terminou em eleições legislativas iniciadas tem de ser explicada no contexto do pedido de resgate de Portugal ao Fundo Monetário Internacional. 

As peripécias do governo liderado por José Sócrates impediu que o problema tivesse sido resolvido mais cedo. Num ano em que Cavaco Silva se recandidatava a Belém, o país não precisava de mais actos eleitorais. 

A história de um ano politicamente intenso começa com as várias recusas de José Sócrates relativamente à necessidade do país pedir ajuda financeira. Numa primeira fase nem Teixeira dos Santos desacreditou o primeiro-ministro, mas depois teve que assumir algo que já todos esperavam. As agências de rating tiveram o primeiro encontro com os portugueses porque todos os dias Portugal baixava de escalão até ao último denominado Lixo. 

A oposição fazia cada vez mais barulho e só o Presidente da República mantinha uma postura coerente. Ou seja, não estava histérico, mas também mostrava preocupação.

Os sucessivos acontecimentos impossibilitaram uma análise fria, já que, Sócrates pedia para ser aprovado o PEC 4 no parlamento porque não tinha maioria absoluta e ao mesmo tempo já se vislumbravam sinais da troika. Uns dias depois pediu a demissão porque os partidos não apoiaram as medidas de austeridade, pelo que, a oposição seria responsável pela necessidade efectuar um pedido de ajuda financeira, tendo sido a principal acusação do líder socialista na campanha eleitoral que acabou por perder. 

No fundo, Sócrates sabia que tinha de pedir ajuda financeira, mas arranjou o PEC 4 como um pretexto para justificar a demissão e atacar a oposição. Muito simples!

Sem comentários:

Share Button