sexta-feira, 9 de junho de 2017

A estratégia de Theresa May para 2019

A convocação de eleições antecipadas por Theresa May não serviram apenas para oferecer um mandato seguro ao vencedor nas negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia. O que estava em causa também era a legitimidade política da sucessora de David Cameron.

A primeira-ministra não podia conviver com a oposição sempre a pedir eleições antecipadas, pelo que, antecipou-se ao ruído e decidiu ir a jogo sem medo. O resultado final não é brilhante, mas garante a manutenção dos conservadores no poder apoiados por um partido que nem sequer pretende ir para o governo nem exige alterações ao rumo definido no manifesto. 

Nestas condições, Theresa May tem carta branca para garantir o "hard-brexit" desejado pelos conservadores mais eurocépticos e pela maioria da população porque conquistou a vitória, contrastando com a vontade da oposição ficar perto da União Europeia. Tendo em conta que os interesses do Reino Unido serão a prioridade do novo executivo, qualquer acordo será aceite pela população, embora criticada pela oposição. 

A primeira-ministra lidera um governo minoritário, mas continua com maioria no parlamento, embora suportada por dois partidos. 

O que muda é a força do executivo e da maioria porque a oposição continua minoritária. Apesar do bom resultado alcançado pelo Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn vai enfrentar novo acto eleitoral interno. Os Liberais-Democratas cresceram, mas continuam com poucos deputados e o UKIP desapareceu do parlamento. Por outro lado, os nacionalistas escoceses perderam força para reclamar mais um referendo. Os quatro maiores partidos da oposição nem sequer alcançam o número de deputados dos conservadores. A única novidade é a força de algumas forças da Irlanda do Norte do País de Gales. 

A estratégia de May passa por convocar novas eleições em 2019 após a saída do Reino Unido da União Europeia. O acordo fará com que os conservadores reconquistem a maioria absoluta para iniciarem um novo caminho no Reino Unido sem as leis provenientes de Bruxelas. Só por esta razão, Theresa May arriscaria ser primeira-ministra sem estabilidade interna e tendo de enfrentar os poderes europeus praticamente sozinha.

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